Categoria(s) do post: Tecnologia, Dicas de produtividade, Ferramentas de organização

Se você assina a newsletter do blog, ontem você soube em primeira mão que eu desativei a minha conta no What’s App. (Aliás, compartilhei outras reflexões bacanas que tive nas últimas semanas. Inscreva-se, se ainda não estiver inscrita/o).

Depois, compartilhei com o meu marido (que quase chorou, rs), meus amigos, minha equipe de trabalho e outras pessoas com as quais eu convivo, em especial profissionalmente. Aos poucos vou comunicando o restante. Fiz um anúncio no Facebook. Postei no Twitter. Divulguei nos stories do Instagram. Ou seja, está feito: anunciei para o mundo a minha decisão, e é claro que eu recebi uma enxurrada de mensagens perguntando os motivos. Este post então é para esclarecê-los. 😉

Em resumo, para os que não têm paciência para ler o texto inteiro, eis os motivos (e, na sequência, para os reflexivos que adoram um bom texto, eu explico cada um deles):

  1. Fins acadêmicos, de pesquisa;
  2. Quero focar meu tempo de responder mensagens em outras atividades mais importantes;
  3. Educar as pessoas.

Agora vou explicar cada um deles.

Fins acadêmicos, de pesquisa

Minha pesquisa do mestrado tem a ver com o imenso fluxo de informações que recebemos através de aplicativos de comunicação, com foco em produtividade, e de que maneira isso precariza nossas vidas e nosso trabalho de maneira geral.

Após realizar a pesquisa de campo, e ouvir de 100% das pessoas entrevistadas que o What’s App usado (tanto para o trabalho quanto para relações pessoais) causava ansiedade, eu comecei a prestar atenção nos meus próprios comportamentos de verificação do aplicativo.

E veja: é óbvio que o problema não está nos aplicativos em si, mas no uso que fazemos deles. Por isso, quis fazer um teste pessoal: viver sem o What’s App para analisar como eu me sinto e que tipo de mudanças positivas e negativas isso trará na minha vida, além de testar outras formas de comunicação que podem ser mais efetivas. Pode ou não ser temporário. Por hora, considero permanente. Não pretendo voltar, e nos próximos tópicos explicarei por quê.

Focar em outras atividades

Tenho estudado e realizado alterações na minha rotina que envolvem muitas mudanças de hábitos. Muitas mesmo. Sim, eu pretendo falar sobre todas elas daqui em diante no blog. Assim como deletar minha conta no What’s App, estou mudando outras coisas – o What’s App é apenas uma delas.

Eu não sou uma daquelas pessoas com papo pedante sobre “não temos wifi, conversem entre si” (zzz), que acham que a solução para todos os problemas da vida é a desconexão. Penso que devemos ressignificar nossa relação com a tecnologia e com a nossa vida como um todo, na verdade. E o que eu percebi é que, no meu caso, o What’s App não estava favorecendo o meu tempo. Por mais organizada que eu fosse, eu me pegava muitas vezes irritada tendo que responder tantas mensagens tantas vezes ao dia. Enquanto eu respondia (e resolvia, mesmo que temporariamente) uma mensagem, já chegavam respostas a outras que tinha acabado de responder. O ciclo era infinito, e eu percebi algumas coisas, que falarei no próximo tópico.

O fato é que eu passava muito tempo verificando e respondendo mensagens, mesmo estabelecendo momentos do dia apropriados para isso, e percebi que estava dedicando muito tempo a tais respostas. Esse tempo poderia ser usado para outras atividades que, do meu ponto de vista, aproveitariam melhor as minhas habilidades, por assim dizer. Então foi uma questão de fazer um investimento melhor do tempo que eu tenho. Simples assim.

Educar as pessoas

Eu trabalho com organização e produtividade em um mercado que é, além do conteúdo digital, puramente educacional. Logo, se eu estudo tanto, e trabalho lecionando, como professora de organização e produtividade, preciso trazer o resultado desses estudos para a prática, de modo que a gente consiga melhorar as práticas do mercado.

Existem dois comportamentos, hoje, que considero nocivos, das pessoas usando o What’s App:

O primeiro, e mais chato, é o de colocar urgência em coisa que não é urgente. Em vez de refletir, pensar se é necessário, ou pensar melhor, a pessoa te envia uma mensagem ou uma demanda de bate e pronto pelo What’s App, e às vezes o negócio ainda não está claro o suficiente, e seguem-se mensagens e mensagens sendo trocadas até você finalmente resolver aquilo. Por ser um meio de comunicação instantâneo, tudo vira urgência – e sabe, nem tudo é urgente. Eu considero bastante cansativo ter que lidar com demandas que não sejam urgentes pelo What’s App, porque a cobrança das pessoas é como se fosse urgente, quando não é (na maioria dos casos).

Eu vejo que essa é a principal causa de ansiedade nas pessoas nas entrevistas que eu fiz, na minha pesquisa. O que é o What’s App, sinceramente? É um canal direto de acesso a você. E as pessoas abusam disso, muitas vezes sem nem perceber que estão sofrendo do mesmo problema também – apenas escrevem e cobram, cobram, cobram.

O segundo, que não considero tão problemático, mas existe e incomoda, é a necessidade de bater papo pelo aplicativo. A pessoa envia um “oi, tudo bem?” e fica esperando a sua resposta em vez de ser objetiva. Ou então quer conversar, trocar ideias. Isso é saudável, claro. Mas não creio que o What’s App seja o melhor lugar. Se você quer conversar comigo, bater papo, vou adorar fazer isso. Mas que tal marcarmos um almoço, um café ou até mesmo uma reunião, se for o caso? Você pode querer, mas EU não quero ficar horas do meu dia olhando para a tela do celular, digitando, rindo de uma mensagem engraçada ou gravando / ouvindo áudios. Nada contra, mas acredito que a vida possa ser melhor do que isso.

***

Vale dizer que essa decisão não foi impulsiva. Ele saiu lá da minha lista de “algum dia / talvez” e eu venho estruturando já há algum tempo, levando em conta que eu tenho equipe para realizar atendimento aos clientes e outras formas de me comunicar com as pessoas, de modo geral. Durante muitos anos, “sair do What’s App” não era uma realidade para mim, porque eu que cuidava desses contatos (e talvez seja para você também), mas fico feliz por tê-lo feito. Quando paro para pensar que ainda fazemos coisas apenas porque os outros fazem, vejo que temos um longo caminho pela frente quando se trata de organização pessoal – e todos passam por estabelecer limites. Quem estabelece esses limites? Dica: nunca são os outros, mas sim a gente.

E isso significa ter perdas e ganhos, analisar sempre o custo x benefício de tais escolhas, comprar algumas brigas e repensar, caso não funcione. Nada é definitivo, e está tudo bem testar. Tudo em nome da pesquisa? Talvez mas, acima de tudo, em nome de uma vida mais legal. É isso o que a gente está buscando aqui.