Categoria(s) do post: Diário da Thais

Setembro foi um bom mês. Cada mês que passa, me sinto melhor. Essa é uma evolução muito bacana de acompanhar.

Dizem que um mês antes do seu aniversário você sofre com o “inferno astral”. Eu sinceramente não passei por isso, com exceção da tecnologia, que pregou algumas peças comigo em agosto e setembro (já comento a respeito). Tirando essa parte, foi um mês bastante tranquilo, agradável e sem percalços.

Eu comecei o mês de setembro no Rio de Janeiro para a realização de dois cursos de GTD. Essa visita à cidade foi muito especial porque eu pude visitar a Ana, trabalhei com a Ana Carol e conversei muito com a Camilla, que está fazendo o projeto da sala (escritório). Além disso, também foi o evento de lançamento do livro “Trabalho Organizado” na Livraria da Travessa, um dos meus lugares preferidos do mundo, e me senti muito feliz por todos esses acontecimentos. Encontrei muitas pessoas especiais no evento do livro também. Enfim, foram bons dias.

Lá no Rio culminou uma coisa que já vinha se desenhando desde agosto, que foi um problema que eu tive com o meu computador. Começou na metade de agosto e, na viagem para o Rio, ele teve uma queda mais séria. Passei dias trabalhando na sua reformatação e, hoje, eu consigo usá-lo apenas para Internet (e escrever textos como este), mas não consigo editar vídeos, fazer apresentações usando o Power Point ou editar textos no Word. Nenhum programa funciona bem. Nesta última semana de setembro eu providenciei um novo computador para poder ministrar meus cursos e felizmente já resolvi essa parte. Agora estou montando um computador mais potente para trabalhar na edição de vídeos (para o YouTube e os cursos online). Continuarei eu mesma fazendo a edição enquanto não decido qual o melhor processo para isso (quero contratar alguém, mas uma coisa de cada vez).

Com todo esse problema que eu tive envolvendo tecnologia, fiz uma migração de ferramentas no meu sistema de organização, mas em breve publicarei um post maior aqui no blog contando o que estou usando. Mesmo porque, atualmente ainda estou em fase de testes e pretendo postar quando estiver com uma estrutura mais definitiva, apenas.

Sinceramente, ficar sem computador é bem ruim. Trava a gente em diversos âmbitos da vida. Fica ruim para pagar contas via Internet Banking, para estudar, escrever, enfim, mas esses desafios fazem parte. Estou reestruturando várias coisas e fazendo novos investimentos, mas tudo em seu tempo.

Ainda falando sobre tecnologia, eu comprei um novo celular (ASUS Zenfone Live) para usar na vida “pessoal”. A ideia é separar mesmo um celular para trabalho, no que diz respeito a ligações, aplicativos e grupos no What’s App, e ter esse outro apenas para família e amigos mais próximos. Tem sido maravilhoso, mas ainda estou me adaptando.

Outra coisa que continuou sendo assunto este mês foi a obra em casa. Estamos na reta final, realmente terminando detalhes como acabamentos de pintura, instalações finais e parte elétrica, e nossa estimativa é mudar antes do final de outubro. Estamos na fase de comprar os novos móveis que faltam e os itens básicos de decoração para a casa “rodar” (como espelhos nos banheiros, ferragens para pendurar toalhas, essas coisas). Todo o restante a gente vai fazendo depois que mudar.

Essa coisa da mudança também é um desafio porque a maioria das minhas coisas já está encaixotada então tanto em casa quanto no escritório algumas ideias ficaram em stand-by até a mudança ser concluída.

No escritório, por exemplo, estamos na fase da compra dos móveis e definições finais do projeto para fazermos a pintura, por exemplo. Já estamos trabalhando diariamente dentro da sala, mas ela está crua, crua, e por isso não postei mais novidades ou “tour” do escritório. Prometo que farei assim que tivermos mudanças e também quando eu puder editar vídeos novamente, é claro.

Como vocês podem ver, foi um mês de muito backstage e sem tantas novidades externas, mas com muita coisa acontecendo aqui “por trás das câmeras”.

Eu consigo compreender que é um período de espera e de stand-by de muitas coisas, e estou ok com isso.

Bom, não posso deixar de comentar sobre a minha viagem para Amsterdam. Já teve post sobre isso, onde conto com mais detalhes, então dá uma olhadinha lá se tiver interesse. Mas agosto e setembro seriam os dois meses do ano em que eu estaria mais ocupada em termos de compromissos profissionais, com muitos eventos e viagens, e agora finalmente as coisas vão começar a desacelerar um pouco e eu vou poder focar em algumas outras atividades importantes.

Em outubro vou apresentar em dois congressos referentes ao mestrado, então minha atenção estará bastante voltada a esse assunto. Com relação ao mestrado, agora em setembro eu percebi que fazer três aulas em um único dia (fico das 7h às 23h dedicada a isso) não foi uma decisão muito legal. Tenho ficado verdadeiramente exausta no dia do mestrado à noite. Vivendo e aprendendo. Por isso, estou considerando abandonar uma disciplina e ficar com apenas duas. Já que vou ter que cursar disciplinas no semestre que vem de qualquer maneira, eu farei as duas que faltam em 2019.

Nada de novo sobre a minha pesquisa desde o último post que fiz a respeito. Estou na fase da pesquisa de campo, que devo concluir até novembro, de modo que eu possa aproveitar os resultados da pesquisa para escrever meus artigos finais das disciplinas deste semestre.

Essa última semana do mês foi “mais ou menos”. Meu aniversário foi na terça, 25, mas na quinta-feira passei um pouco mal. Sexta (28) ministrei um curso de GTD em São Paulo e, hoje, enquanto você lê este post, estou fazendo a última viagem profissional do ano (programada) para realizar um curso de GTD amanhã, em Natal. Então foi uma semana atípica, com vários compromissos, e ainda calhou com eu não ter passado muito bem. Com a volta do calor, isso fez eu ficar um pouco malzinha, com fraqueza e a pressão elevada.

A grande vantagem das viagens a trabalho, especialmente as longas, de avião, é que consigo fazer vários blocos de deep work. A desvantagem é estar longe de casa e do filhote.

Eu fiquei muito contente com os posts do blog aqui em setembro. Alguns dos meus textos preferidos foram:

  • Um texto para iniciantes, explicando sobre a importância de escolher boas ferramentas, mas também entendendo que se trata de um processo pessoal que precisa ser desenvolvido.
  • Nosso tema do mês foi psicologia, organização e produtividade, e eu já percebi que infelizmente um mês é muito pouco (na verdade, um post por dia) para abordar assuntos tão legais quanto esse. Por isso, estou repensando bastante coisa para o calendário editorial do ano que vem – que, aliás, já está em desenvolvimento.
  • Falei em um texto sobre a importância dos diários e esse foi realmente um tema importante a ser abordado, pois tem feito diferença na minha vida.
  • Também fiquei muito contente por escrever um texto sobre o refinamento da minha rotina matinal e o uso de blocos de trabalho.

Espero que o mês de setembro de vocês tenha sido incrível e que outubro seja mais ainda. Até amanhã, e obrigada por estar aqui. <3

Categoria(s) do post: Equilíbrio emocional, Áreas da Vida

Se você usa uma agenda e já tentou se organizar, fatalmente você já deve ter passado por esse tipo de situação: você olha para o seu dia na agenda, vê que tem um monte de coisas que você precisa fazer, reuniões de mais, e sabe, no fundo, que não vai conseguir fazer tudo. Também sabe que, se conseguir fazer, vai fazer naquele esquema esquisito: ficando cansada(o), na correria, com estresse etc.

Se esse for um estilo de vida que te deixe confortável, não há o que mexer. Não há o que mudar. Existem sim pessoas que gostam de viver ocupadas e que sentem que uma agenda cheia representa uma vida toda organizada, com os tempos preenchidos da melhor maneira possível para refletir suas prioridades na vida.

Como eu uso um método de produtividade chamado GTD, eu gerencio a minha agenda de uma maneira um pouco diferente. O que eu faço não é mais certo do que o que outras pessoas fazem – é apenas a maneira que aprendi com o David Allen (autor do método) e com a qual eu me identifico, e por isso compartilho com vocês.

O David Allen fala diversas coisas bacanas sobre o gerenciamento da agenda.

Em primeiro lugar, que na agenda, devam entrar apenas três tipos de coisas. São elas:

  1. Ações para fazer em um horário específico
  2. Ações para fazer em um dia específico
  3. Informações úteis para um dia específico

A primeira coisa que eu gostaria de recomendar, então, caso você esteja com a sua agenda hoje extremamente cheia, é olhar (pode começar com hoje e depois estender para a sua semana inteira) e garantir que, nela, estejam inseridos apenas os itens acima.

Eu frequentemente faço esse exercício para garantir que, se um dia estiver cheio, é porque eu realmente preciso fazer tudo aquilo naquele dia. Mas, pela minha experiência, é mais comum eu ter inserido algo que gostaria de fazer, no calor da situação, e isso me dá a oportunidade de consertar, do que realmente serem tantas coisas para um mesmo dia.

Para você ter uma ideia, acabei de fazer esse exercício no dia em que estou escrevendo este post. E mesmo já usando o método há tantos anos, vi oportunidades de melhorias.

Por exemplo. Eu tinha estabelecido um prazo “interno” para concluir um projeto que eu realmente gostaria de concluir hoje. Mas, ao analisar os meus compromissos, eu percebi que não poderei trabalhar nesse projeto hoje e que também não teria nada de mais em não terminá-lo hoje, pois eu posso terminá-lo daqui a vários dias. Então o que eu fiz foi renegociar esse acordo comigo mesma e inserir o prazo real desse projetos (é uma apresentação) na minha agenda daqui a algumas semanas. Eu tenho outras próximas ações relacionadas que vão garantir que eu trabalhe nesse projeto ao longo do tempo.

Eu também me deparei com uma ação que eu fiz em menos de dois minutos e já tirei do meu calendário (era um agendamento via telefone).

Sobraram duas ações recorrentes que eu realmente precisaria fazer hoje e uma informação referente a uma conta que cairia no débito automático, para controle.

Ou seja, eu tirei umas três coisas importantes da minha agenda. E qual é a importância de tirar coisas da agenda, em vez de colocar mais e mais? Não deveria ser o contrário? Não deveríamos querer planejar mais o nosso tempo?

É aqui que entra outra maravilhosidade do método GTD, que é nos ensinar que o nosso dia não é composto apenas de atividades pré-planejadas. Não só porque imprevistos podem acontecer (e eles acontecem), mas porque podemos querer ter a liberdade de fazer escolhas espontâneas sobre como alocar o nosso tempo.

Isso significa, na prática, ter uma ideia inspiradora e poder ter a flexibilidade de rascunhar um planejamento em uma folha de papel, se assim eu quiser.

Significa poder escolher, entre tudo o que eu tenho e/ou quero fazer, o que me traria mais impacto naquele momento. Ou que me faria descansar. Depende do que você precisa.

Uma agenda vazia significa liberdade. Então quanto menos bloquinhos você tiver, quanto menos reuniões você tiver, mais liberdade de escolha você tem.

Agora, o outro ponto importante aqui diz respeito à confiança no seu sistema. Se você olha para uma agenda e vê bloquinhos de tempo tomados, e coisas que precisa fazer naquele dia, isso significa que é um guia confiável do que realmente precisa ser feito. É o “do or die” (“faça ou morra”). Tem que ser feito naquele dia. E, se você usa sua agenda dessa maneira, ela se torna confiável justamente porque você sabe que o que tem ali é essencial.

Como eu trabalho com a minha agenda, então?

O que precisa ser feito em um horário específico, eu faço quando chega o horário, claro. São reuniões, aulas, consultas médicas e outras ações desse tipo.

Agora, nesses intervalos, desde o momento em que eu acordo eu fico com a minha agenda aberta olhando o que preciso concluir naquele dia e trabalho até concluir. Se a minha manhã estiver tranquila, geralmente até a hora do almoço já concluo tudo.

Ou seja, nas diversas janelas de tempo entre um compromisso e outro, vou cumprindo o que tem na agenda. Se ela é um retrato fiel do que deve ser feito naquele dia ou em horários específicos, será factível.

“Tá, e o que você faz quando você conclui tudo o que tem na agenda?”

Aí eu tenho algumas opções:

  • Olho a minha lista de próximas ações (que tenham prazo ou não), de acordo com o contexto em que estou, para escolher trabalhar naquilo que for mais significativo para mim naquele momento (essa lista fica em OUTRO lugar, diferente da agenda, pois tem outra finalidade);
  • Processo as minhas caixas de entrada, que envolvem e-mails, What’s App, mensagens no Facebook, comentários no blog, anotações pessoais, notas de reuniões e tantas outras coisas que “entram” na minha vida (tem dias que isso me toma a maior parte do tempo livre);
  • Escolho na hora o que me der vontade de fazer.

E eu gostaria de terminar este post falando sobre outro assunto muito sério, que é: não é possível organizar tralha. E tralha é tudo aquilo que você tem na sua vida que não te serve mais. Tá jogado, e você empurra com a barriga ou deixa de lado.

Se a sua agenda estiver cheia de “tralha”, não adianta você ficar jogando as coisas de lá pra cá ou de cá pra lá, porque você só vai estar embaralhando pastinhas no seu computador. Batucando o teclado. Sabe o que isso significa? Que você está se enganando. Que você está tentando colocar ordem na sua vida sem começar pelo básico, que é tirar dela aquilo que não faz mais sentido para você.

Como um exemplo simples: se para você é um martírio terminar a sua lição de inglês para a aula de quarta-feira, por que você não repensa o seu curso de inglês? Será que não tem uma maneira melhor de você usar o seu tempo? “Ah Thais, mas eu preciso aprender inglês”. Não estou questionando o propósito, mas o formato. Talvez o curso não esteja sendo legal. Você quer realmente viver os dias da sua vida dessa maneira, fazendo coisas que poderiam ser feitas de maneira mais agradável para você?

Minha proposta é que você reflita sobre a sua vida diariamente, e essa reflexão sem dúvida pode começar pela agenda, que é onde você aloca as suas 24 horas diárias. Se ela te traz desgosto de alguma maneira, você precisa tomar decisões.

Outra prática que ajuda muito no controle da agenda é o planejamento semanal, que eu te ensinei a fazer aqui.

Categoria(s) do post: Rotinas, Criatividade, Equilíbrio emocional

Sou uma grande fã das rotinas. Não vejo rotinas como engessamento de horários para fazer determinadas coisas, mas como ritmos e frequências que criamos para a nossa própria vida funcionar melhor.

Sinceramente, eu acredito que a rotina matinal de qualquer pessoa seja uma das rotinas mais importantes para se ajustar, e ela deve ser ajustada sempre que houver qualquer tipo de mudança na configuração do dia a a dia (nascimento de um filho, mudança de emprego etc).

A rotina matinal é importante porque ela dá o tom do restante do dia.

Se você acordar na correria, atrasada/o, cansada/o, desfocada/o, provavelmente seu dia já terá terminado antes mesmo de você começá-lo. Se pudesse, teria sido melhor ficar na cama (e não vou mentir que tenho dias em que tenho realmente vontade de fazer isso também).

Formatar e reformatar essa rotina matinal diária me ajuda incrivelmente. Eis aqui então a formatação mais recente que tenho usado e que tem tornado os meus dias mais significativos.

São dois os primeiros blocos da manhã que tornam todo o restante do dia melhor.

Bloco 1: Mindset

O primeiro bloco, que acontece logo quando eu acordo, é um bloco de “ajuste do mindset”. Sei que pode parecer um termo redundante, mas é justamente isso que eu faço – um “ajuste do ajuste” da mente.

Eu acordo, faço uma breve meditação para focar no meu dia (leia o post sobre isso aqui), então me levanto e faço atividades “fisiológicas”- banheiro, água para hidratar o cérebro, lavar o rosto etc. Então volto para o meu quarto (ou vou para a sala – o lugar realmente não importa e depende do ritmo do meu dia) e escrevo algumas palavras no meu diário (já falei sobre essa prática aqui também). Depois começo a ler. Mas ler o quê?

Começo lendo um capítulo ou trecho do livro budista em que estiver lendo ou relendo no momento. Deixo esses livros sempre juntos no meu criado-mudo, que é o meu “centro de comando” para esta atividade da manhã.

Depois de ler o livro budista eu leio alguma coisa do GTD. Ou o capítulo da semana do “Ready for anything”, ou um trecho específico no livro “A arte de fazer acontecer” sobre algum tema que esteja me chamando a atenção no momento (ex: propósito e princípios). Sempre reforço com um estudozinho do livro “Making it all work”, que se aprofunda nos conceitos.

Vale lembrar que tenho meu caderno ao meu lado o tempo todo para anotar insights ou coisas que eu me lembre que preciso fazer. O objetivo é sempre deixar a mente mais relaxada.

Na sequência eu estudo um capítulo ou trecho de algum livro do Napoleon Hill.

Faço leituras complementares relacionadas, como do meu propósito e afirmações pessoais (Horizonte 5 do GTD) e de afirmações e do meu objetivo definido (Napoleon Hill).

Você pode estar pensando que isso é uma perda de tempo enorme, mas eu considero simplesmente a parte mais importante do meu dia. Se eu não fizer isso, minha mente não ficará bem, e a única coisa importante que eu preciso fazer diariamente é garantir que a minha mente fique bem. Ela estando bem, o resto simplesmente acontece em um estado de fluxo imenso.

Bem, esse é o primeiro bloco do dia. Acabando, vou tomar meu café-da-manhã, fazer xixi e uma rotininha básica em casa, tipo lavar a louça do café, trocar as lixeiras e arrumar as camas.

Talvez seja desnecessário dizer, mas sempre é bom reforçar, que eu só faço esse primeiro bloco quando meu dia permite isso. Muitas vezes, estou ministrando um curso o dia inteiro ou estou em aula, e não tenho como acordar ainda mais cedo para fazer essa prática (meu objetivo quando passo o dia fora dedicado a algo que usa muito a minha energia é simplesmente ficar bem, e dormir bem faz parte desse pacote – não vou acordar mais cedo apenas para “provar” algo para ninguém).

Então não, eu não acordo “mais cedo” ou “às 5h da manhã” para fazer essa rotina. Faço quando acordo, seja a hora que for. Claro que, quanto mais cedo eu acordar, melhor. Mas deixo bastante livre no dia a dia e, como falei no começo do post, não tem a ver com horários.

Em termos de estimativa, cada bloco dura de 1h30 a 2h, que é o tempo que meu cérebro leva para começar a ficar cansado de alguma atividade. Depois disso, já me disperso, então por isso minha rotina funciona nesses blocos. (tudo é auto-conhecimento)

Bloco 2: Deep Work

O segundo bloco vem depois do café-da-manhã e é o primeiro trabalho de “deep work”, por assim dizer. Eu sempre faço um café, coloco meus fones de ouvido (minha mais recente aquisição foi o maravilhoso Bose Quiet Confort 35, que corta completamente os ruídos externos), coloco uma playlist para “foco” no Spotify e passo os olhos em algumas notícias do dia enquanto bebo o meu café.

Tenho lido essencialmente os seguintes canais: NY Times (o briefing do dia), The Guardian (UK), The Economist e a Folha de SP. Nos jornais internacionais, faço uma busca por “Brazil” para ler o que estão falando sobre nós. Já comentei em alguns canais meus que passei a acompanhar mais as notícias (especialmente sobre política) do nosso país através de canais internacionais, que têm uma visão “menos apaixonada”. Isso tem me ajudado a manter a sanidade em época de eleições.

Aos finais de semana, eu recebo a Folha de SP na versão impressa, porque curto muito o ritual de pegar o jornal, sentar ao sol e beber calmamente meu café enquanto leio as notícias.

Tirando os finais de semana, em que a leitura das notícias demora um pouquinho mais (gosto de ler as matérias mais longas com calma), faço isso em poucos minutos apenas para curtir o meu café e, então, começo a escrever.

Quando faço as minhas leituras, muitas vezes já me vêm à mente ideias que quero desenvolver em conteúdos para o blog, livros ou cursos. Eu gosto muito de desenvolver essas ideias quando elas vêm, e por isso eu aproveito para escrever bastante. Mesmo que os posts não entrem no ar no mesmo dia (para falar a verdade, dificilmente escrevo e já publico no mesmo dia, depende – de modo geral eu costumo escrever e agendar os posts com mais antecedência), eu aproveito aquele momento de inspiração para desenvolver os textos. Pode acontecer de a inspiração “acabar” e eu deixar o texto incubado para continuar desenvolvendo em outro dia.

Só para situacionar a coisa toda, eu tenho um quadro no Trello onde faço o registro dos temas já abordados aqui no blog e os temas que ainda quero abordar. Se eu estiver sem ideias no próprio dia, abro esse “board” e começo trabalhando no que me der vontade (e que tenha a ver com o calendário editorial), que esteja ali.

Eu costumo escrever bastante. Em termos de posts, dá uma média de 4 a 5 posts por dia (o que dá uma semana inteira de novos posts). Mas tem dias em que não escrevo para o blog, mas sim para livros, artigos (do mestrado), posts para redes sociais e outros trabalhos paralelos que faço que envolvam escrita inspirada.

Todos os posts que vocês lêem aqui no blog são escritos nesse ritmo, e muito provavelmente foram escritos semanas antes de vocês o lerem por aqui. 🙂

Quando esse bloco da manhã acaba, geralmente eu já estou cansada intelectualmente. É quando então eu paro para almoçar. O fim desse bloco significa olhar (e responder) mensagens mais urgentes no What’s App, dar uma olhada na situação do meu e-mail (que só vou esclarecer à tarde, mas olho para ver se tem algo urgente esperando a minha resposta), tomo um banho, me arrumo, almoço com o filhote, fico um pouco com ele e cuido de algumas coisas em casa. Basicamente, já começo a me preparar psicologicamente para os blocos da tarde, quando “me abro para o mundo” e foco nas comunicações (também já escrevi sobre essa rotina aqui).

Mais uma vez, vale dizer que não faço essa rotina todos os dias, porque depende dos meus compromissos profissionais, mas faço todo dia em que estou trabalhando “em casa” (ou seja, sem compromissos externos). Já fiz em viagens também e quando chego cedo ao escritório. Então não se trata tanto do lugar e sim do meu estado mental. Por isso também evito, sempre que possível, agendar compromissos pela manhã, como reuniões.

Creio que, dentro da minha configuração atual de compromissos, eu consiga fazer essa rotina matinal de 3 a 4 vezes por semana – incluindo os finais de semana, é claro.

Minhas manhãs são períodos muito sagrados para mim, que envolvem não apenas descanso mas formatação da mente como um todo, além do trabalho intelectual e prioridades do dia.

Você já parou para pensar um pouquinho em como a sua manhã influencia no resto do seu dia? Como você tem tratado esse período no seu cotidiano? Deixe um comentário contando, se quiser. Obrigada!

Categoria(s) do post: Equilíbrio emocional

Esta dica que trarei hoje trago com base na minha experiência pessoal de muitos anos com relação a este assunto.

Eu comecei a escrever diários ainda na adolescência e, portanto, essa foi uma prática que sempre fez parte da minha vida.

Em algum momento, eu parei de escrever porque estava passando por uma depressão e externalizar pensamentos difíceis estava me deixando pior, quando eu os lia depois. Eu não via avanço, sabem? Então parei durante algum tempo.

Recentemente, com a morte da minha avó, eu retomei esse hábito com maior intensidade. Eu vinha fazendo, nos últimos anos, o registro diário no Evernote (tem até post sobre isso – clique aqui para ler). Porém, nesses últimos meses, resgatei o hábito de escrever em um caderno. Analisando o que não me deixava bem ao fazer um diário na época em que tive depressão, eu percebi que não era o ato de escrever que me deixava mal (escrever era ótimo), mas sim ficar relendo e “remoendo” alguns sentimentos. Então eu achei que uma boa oportunidade de melhoria seria escrever, analisar no próprio dia, após a escrita, como estava me sentindo, e ver o que eu poderia aprender sobre mim mesma naquele momento. E aí deixar as anotações para lá.

Escrever todos os dias pode parecer uma prática assustadora para quem não tem esse costume, mas não existe melhor orientação que simplesmente sentar e começar a escrever qualquer coisa que vier à sua mente. De alguma maneira, seus pensamentos começam a aparecer e a se organizar para a escrita quando você se força a fazê-lo.

Eu aprendi isso lendo o livro “O caminho da artista”, da Julia Cameron, que foi um livro que eu não curti muito como um todo mas, com relação a essa prática específica, ele valeu a pena por si só. Basicamente, ela recomenda que você escreva três páginas inteiras todos os dias, ao acordar, sobre qualquer assunto. Mesmo que não sinta vontade de escrever, simplesmente comece e deixe os pensamentos fluírem.

Passei a usar essa orientação há alguns meses para me entender melhor. Eu percebi que minha vida só melhoraria se eu melhorasse, e eu sei que a chave para isso era deixar a minha mente bem. Como nada “externo” estava me ajudando (leituras, conversas, terapia), eu senti a necessidade de simplesmente olhar para dentro. Para olhar para dentro, em primeiro lugar eu me permiti dar esse tempo, que poderia levar meses, para me descobrir novamente, e em segundo lugar eu voltei a escrever. Comprei um caderno universitário muito simples na Kalunga, mas que tinha uma capa bonita, e simplesmente comecei a escrever todos os dias ao acordar.

Fiz uma viagem com a minha família para Campos do Jordão no início de agosto (é uma cidade serrana no interior de São Paulo, conhecida pelo seu tradicional friozinho e o ar puro das árvores), e uma das melhores coisas que fiz por mim mesma lá foi ter me dado esse tempo para escrever todos os dias de manhã, quando eu acordasse, antes que todo mundo despertasse também. Foi ali que vi não apenas a importância dessa prática, mas a importância de fazer todos os dias, religiosamente.

Em poucos dias fazendo isso eu já me descobri outra pessoa. Estava me entendendo melhor e me vendo com maior compassividade.

Para os meus estudos e preparação do curso de GTD Nível 3, que eu fiz agora em setembro (leia sobre a viagem e o curso aqui), precisei reler o livro “Making it all work”(o terceiro livro do David Allen, autor do método), o que fiz três vezes desde o início do ano. E uma parte que sempre gostei muito desse livro é uma parte em que ele escreve sobre a prática de fazer diários.

Escrever em um diário é uma forma de captura. Você tira os pensamentos da mente e passa para o papel, para esclarecer melhor depois. Aqui vai um pouco do que ele fala sobre essa prática (em tradução livre):

“Uma maneira maravilhosa de começar a experimentar uma melhoria no seu controle durante esta primeira fase da captura é escrevendo em um diário. Muitas vezes, todas as incompletudes da nossa vida se manifestam apenas quando a gente dá um passo para trás e toma notas sobre como nos expressamos.”

Simplesmente escrever diariamente pode trazer insights, e traz mesmo.

Trata-se de um processo introspectivo e que pode ser útil em alguns momentos da vida, assim como foi, por exemplo, nesse período pós-morte da minha avó. Continua sendo, na verdade, mas tem sido realmente essencial. Eu precisava compartilhar isso aqui no blog porque tem feito toda a diferença na minha vida, dentre todas as outras coisas que eu tenho feito com essa finalidade também.

E existe algo na escrita no papel que não consigo explicar. Acredito que, em primeiro lugar, seja a questão do foco apropriado. No computador, podemos nos distrair a um clique das coisas. Em segundo lugar, o fato de você pegar um caderno, uma caneta, sentar em um lugar diferente, com uma postura diferente, pode te colocar em uma disposição melhor para realizar aquela atividade. E isso cria a imagem de um momento importante e significativo na vida, que nos associa a determinadas sensações.

Hoje tenho escrito essencialmente quando eu acordo. É o melhor momento do dia para mim, pois estou descansada e a minha mente funciona de maneira mais clara. Já percebi que, quando escrevo à noite, tendo a estar mais cansada e, portanto, desanimada – apenas como um reflexo químico do meu corpo na forma como eu me sinto. E isso não me deixava legal ou inspirada. Escrever de manhã me deixa bem.

As maiores descobertas sobre nós mesmos nem sempre precisam ser compartilhadas. Elas acabarão sendo compartilhadas com o mundo à medida que a gente for vivendo e executando as coisas no dia a dia da nossa própria maneira, incorporando esses aprendizados e percepções que tivemos sobre nós mesmos. Mas uma única ideia ou sensação pode demorar dias, semanas, meses para entrar na gente de verdade, e escrever em um diário é uma maneira de incubar esse ovinho até ele estar pronto para nascer.

Eis aqui um texto de 2013 (!) no blog onde eu falo sobre os benefícios de se escrever um diário. Lá cito outras ferramentas que podem ser úteis para você também. Espero que goste.

Categoria(s) do post: Carta da Editora, Equilíbrio emocional

Hoje é o meu aniversário. Completo 37 anos de vida. 37 é quase 40. A vida passa.

Dentro da minha “timeline de 100 anos” (otimista), eu estou quase na metade. Nessa mesma timeline, eu me considero na fase de “construção”, ou seja: estou em um período da minha vida em que já descobri bastante coisas sobre mim, sobre o que gosto e não gosto de fazer, e agora estou construindo todas essas coisas com mais certeza do que eu quero para mim. É tempo de trabalhar, efetivamente construir esse estilo de vida que, na próxima fase, vou apenas consolidar.

Parece que passou rápido esse um ano desde que eu escrevi o texto sobre os 36. Mas, olhando em perspectiva, o que aconteceu nesse último ano mudou a minha vida completamente. Foram dois os grandes marcos: primeiro, sem dúvida alguma, a morte da minha avó. Segundo, nossa mudança para o meu bairro de nascença aqui em São Paulo, que fizemos para ficar mais perto da minha avó na velhice dela e também para que pudéssemos viver em um lugar que tenha mais a ver com o nosso próprio estilo de vida.

Nas últimas semanas, estive muito envolvida com uma nova certificação que estou tirando, que é a do GTD Nível 3: Foco & Direção. Para quem está chegando por aqui agora, GTD é o método de produtividade que uso desde 2006 e que me tornou a apaixonada por organização que resolveu criar este blog.

Um dos exercícios que eu fiz durante o dia do curso me fez ter uma percepção profunda sobre o meu papel no mundo e como eu me sinto de verdade após a morte da minha avó. Estou contando tudo isso para exemplificar como me sinto aos 37 anos.

Eu cresci com a minha avó e, durante a adolescência, fui morar com ela. Ela foi como uma mãe para mim. Durante toda a minha vida, sempre que eu me sentia com alguma dificuldade, eu me voltava a ela. E ela estava sempre ali. Era o meu “porto seguro”, por assim dizer. Quando algo acontecia, eu sempre pensava “preciso conversar com a minha avó”. E aí ela morreu. O que é completamente esperado, porque é isso o que acontece com nós, humanos.

E toda essa “crise existencial” que eu sofri depois da morte dela começou a fazer sentido para mim no momento em que eu percebi que agora a mãe da família era eu. Essa foi a minha percepção lá no dia do curso. Um momento de epifania.

Que, não só para o nosso filho, mas para a família inteira, eu agora tinha me tornado a matriarca. Preciso cuidar da minha família, da minha mãe, das minhas sobrinhas, de todas as pessoas. Eu sou essa pessoa que precisa ter esse cuidado quando todos os outros estiverem desamparados – como a minha avó fez a vida inteira.

Eu me senti tão emocionada quando percebi isso fazendo alguns exercícios no dia do curso que meus olhos se encheram de lágrimas. Eu comecei a me sentir melhor imediatamente, com relação à tudo, ao mesmo tempo que entendi de cara qual é a minha responsabilidade. Essa real percepção mudou completamente a minha relação com tudo e com todos desde aquele momento, e tudo tem mudado desde então.

Quem me acompanha pelo blog pode achar que é “notícia velha” uma pessoa que goste de organização se tornar a matriarca da família. Mas para mim não era. Eu era a filha. Agora sou a mãe. Antes eu não era porque o lugar não estava vago. Simples assim.

Como eu me sinto chegando aos 37 anos? Nem um pouco com o sentimento de “estou ficando velha”, mas sim com o sentimento de que virei realmente adulta. Chega de medinhos sem cabimento e inseguranças a respeito de um futuro que é certo. Existem coisas que precisam ser feitas, e eu sou a pessoa que deve fazê-las ou, pelo menos, coordená-las.

Tudo isso combina com a entrada de um ano 9, na numerologia pessoal, que significa que é um ano em que eu vou analisar com muito amor e carinho tudo aquilo que quero manter e aquilo que não quero manter em minha vida. E essa percepção vai me ajudar a levar para o ano 1, o ano que vem, toda essa nova fase que vem se desenhando.

É incrível como até as outras pessoas se relacionam comigo de forma diferente depois dessa minha “mudança de mindset”. De fato, quando a gente muda, a gente muda o nosso mundo.

Acho que esse é o maior aprendizado que posso trazer neste post aqui para vocês.

Sigamos.

Categoria(s) do post: Saúde, Criatividade, Equilíbrio emocional

Este é um assunto que eu não domino então, portanto, este post trará apenas um pouco do meu aprendizado sobre esse assunto, que é uma especialidade da psicologia.

Algumas definições formais

A psicologia cognitiva estuda a cognição, os processos mentais que estão por detrás do comportamento. É uma das disciplinas da ciência cognitiva. Esta área de investigação cobre diversos domínios, examinando questões sobre a memória, atenção, percepção, representação de conhecimento, raciocínio, criatividade e resolução de problemas. Pode-se definir cognição como a capacidade para armazenar, transformar e aplicar o conhecimento, sendo um amplo leque de processos mentais. (Wikipedia)

Cognição é uma função psicológica atuante na aquisição do conhecimento e se dá através de alguns processos, como a percepção, a atenção, associação, memória, raciocínio, juízo, imaginação, pensamento e linguagem. (Wikipedia)

De uma maneira mais simples, podemos dizer que cognição é a forma como o cérebro percebe, aprende, recorda e pensa sobre toda informação captada através dos cinco sentidos, bem como as informações que são disponibilizadas pelo armazenamento da memória, isto é, a cognição processa as informações sensoriais que vem dos estímulos do ambiente que estamos e também processsa o conteúdo que retemos em relação às nossas experiências vividas. (Wikipedia)

Cognição distribuída tem como principal objecto de estudo a compreensão da organização do sistemas cognitivos (Hutchins, 2000). Em primeira instância, numa tentativa de enquadramento na área de investigação, pode-se afirmar que é do domínio da Psicologia. No entanto, para a correcta percepção do conceito associado é relevante que se tenha em consideração que a cognição distribuída busca fundamentação à área da sociologia e da ciência cognitiva. A cognição distribuída olha para uma ampla classe de eventos cognitivos e não espera que todos esses eventos se confinem à pele ou ao crânio de um indivíduo (Hutchins, 2000). (Campus Wiki UA)

É basicamente essa a dinâmica em todos os outros campos e atividades da vida humana, desde as mais audaciosas, como voar, às mais prosaicas, como usar uma simples privada. Dependemos cognitivamente uns dos outros, nos apoiamos mutuamente em nossas inumeráveis e insignificantes especialidades, formando uma imensa teia cooperativa de interações, trocas e favores. A divisão do trabalho racional criou a caça, a agricultura, o comercio, a fabricação, os meios de comunicação, a ciência e todas as inovações que geraram a civilização e modificaram o mudo. Sem ela não haveria sequer lápis de grafite. Um mísero lápis é o produto final de uma rede de cooperação sem a qual nenhuma pessoa no mundo seria capaz de produzi-lo sozinha. (Revista Simplesmente)

A cognição se torna de fato distribuída quando os sujeitos passam a produzir conhecimento socialmente a partir das mediações que ocorrem em situações de interação, diálogo, colaboração e nas relações que estabelecem com os artefatos. (Dirce Moraes)

O que tem a ver com organização e produtividade

“Nossa mente serve para ter ideias, não para armazená-las”, já dizia David Allen, autor do método GTD (método de produtividade que utilizo). Nossa mente então é ótima para reconhecer padrões, mas péssima para guardar informações. Funcionamos muito bem para olhar no calendário e vermos que haverá uma viagem dia 14 de outubro e começar a planejá-la, mas péssimos para lembrar de todos os eventos que ocorrerão até dia 14 de outubro ou depois.

Então a ideia aqui é a de que podemos fazer bom uso dos recursos que existem para que eles trabalhem de verdade a nosso favor. Quando eu uso uma agenda, por exemplo, e um programa de listas para organizar todas as minhas tarefas e projetos, o que eu estou configurando é um sistema externo à minha mente que permita que ela relaxe simplesmente porque tudo o que eu preciso saber está em um lugar mais confiável. Isso permite que a minha mente fique livre para fazer o que ela faz de melhor: pensar, ter ideias, ser criativa, fazer associações.

Muitos programas, cada vez mais, trazem tanta inteligência construída tecnicamente que podemos usar até mesmo termos como “semântica” para descrever o que um programa como o Evernote faz, por exemplo. Quando você começa a escrever uma nota, ele te traz algumas sugestões de notas que possam ser relacionadas de acordo com os termos que você está usando. Ou seja, ele ajuda você a criar determinadas associações, e cada vez mais os programas e objetos farão isso por nós (pesquise sobre inteligência artificial e internet das coisas para ficar bastante surpreso/a a respeito!).

Então o que a cognição distribuída nos ajuda a entender em nós mesmos é com relação ao fato de que, se eu usar a minha mente para armazenar informações, isso vai me deixar frustrada e me sentindo incompetente, porque fatalmente me esquecerei de pelo menos alguma coisa. Tudo isso porque estou exigindo da minha mente um recurso que ela simplesmente não tem. Estou forçando a barra.

Quando estabelecemos um sistema de organização externo à nossa mente, que nos traga lembretes apropriados do que precisamos fazer ou saber nas diversas situações do cotidiano, isso dá à nossa mente a liberdade para ela relaxar e conseguir fazer o que ela faz de melhor, com mais foco e atenção.

Tenho um post que escrevi há alguns dias sobre a importância das ferramentas para a nossa organização e produtividade pessoais e sobre como estabelecer um processo para usá-las de maneira eficaz. Pode ser uma boa ler esse artigo depois desta leitura de hoje, para iniciar sua organização ou melhorá-la.

Categoria(s) do post: Plenitude & Felicidade, Espiritualidade, Equilíbrio emocional

A prática da meditação faz parte do meu cotidiano.

Se você está chegando por aqui agora, talvez queira saber que eu sou budista e já medito há cerca de dez anos. Essa prática me traz benefícios diariamente, tanto imediatos quanto de longo prazo, e eu sempre busco novas maneiras de fazer essa atividade e adequá-la à minha vida.

Os quatro valores do Vida Organizada são: coerência, autonomia, personalização e compaixão. Portanto, eu acredito que um dos maiores fatores de sucesso nas diversas práticas (incluindo a meditação) é que a gente possa personalizá-las de acordo com as nossas necessidades de vida e de alma.

No caso da meditação, eu costumo realizar meditações ao longo de todo um dia, sempre que sinto vontade e/ou necessidade. Especialmente meditações respiratórias, que me ajudam a acalmar a mente e reajustar o foco.

Mas tenho realizado diariamente dois tipos de meditações que gostaria de compartilhar com vocês.

A primeira é a meditação que faço logo ao acordar, antes mesmo de sair da cama. Durante cerca de 3 a 5 minutos, eu me sento na cama mesmo, fecho os olhos, começo prestando atenção na minha respiração para me concentrar, e então começo a pensar em como gostaria que fosse o meu dia.

Eu visualizo as atividades que terei e penso em maneiras de ser feliz e aproveitar todas elas da maneira mais apropriada. Também penso em sentimentos que quero despertar, ações positivas com relação às pessoas e em como quero me sentir ao final do dia. Uma espécie de visualização para o sucesso mesmo.

Também aproveito para agradecer por ter acordado para mais um dia e por todas as coisas que eu sinto vontade de agradecer, que podem ter acontecido no dia anterior, ou por alguma oportunidade que terei no dia que está começando etc.

Essa simples e rápida meditação me ajuda a desenvolver um foco adequado para o dia e o fato de fazê-la ainda na cama, porém sentada (senão eu durmo de novo!), me ajuda a não entrar em um estado de correria e ajustar o foco para começar o dia da melhor maneira possível.

Não preciso acordar mais cedo ou em um horário específico para fazer essa meditação. Assim que eu acordo, eu a faço.

A segunda meditação que tenho feito diariamente é uma meditação de “revisão”.

Não existe exatamente um horário fixo em que eu prefira fazê-la, apesar de que, de noite, me pareça o ideal (nem sempre dá, pela rotina em casa). Pela minha experiência, ao final de um dia de trabalho funciona bem, assim como antes de dormir. O propósito desta meditação é, em primeiro lugar, acalmar a mente e, depois, avaliar como foi o meu dia.

Eu simplesmente me sento confortavelmente, fecho os olhos, tento me acalmar através de uma meditação respiratória simples (presto atenção na entrada e saída de ar pelo meu nariz) e, quando me sinto concentrada o suficiente, penso em como foi o meu dia. O foco está mais na maneira como eu me senti e na análise de como me portei. Se perdi a paciência com alguém, se usei um tom indecoroso em alguma conversa, se eu poderia ter sido uma pessoa melhor, de alguma maneira. Também reflito sobre possíveis aprendizados.

Essa é uma meditação simples, que leva alguns minutos (deixo livre, sem contar no relógio), mas que me ajuda a fazer uma reflexão sobre o meu dia, me perdoar caso eu tenha feito algo que não tenha sido muito legal, mas fazendo ajustes mentais para não cometer o mesmo erro no futuro.

São duas meditações realmente muito simples, que não me tomam tempo algum – pelo contrário, me ajudam a ter muito mais foco, e eu espero de verdade, ao compartilhar com vocês, que elas possam ser úteis de alguma maneira. Se você tentar alguma delas, poderia deixar um comentário neste post contando como foi, por gentileza?

E mais: caso você pratique meditação diariamente, e quiser compartilhar suas percepções com relação ao seu foco, fique também à vontade. Creio que essa discussão seja muito rica a todos nós. Obrigada.

Categoria(s) do post: Áreas da Vida

Eu chamo de armário-cápsula o armário que defino para uma determinada estação, com peças no número mais reduzido possível e que combinem entre si. Apesar de as estações não serem muito marcadas no Brasil, uso essa orientação para pensar em termos dos três meses de cada uma, o que me ajuda bastante.

Comecei a implementar a ideia de armário-cápsula muitos anos atrás, quando o assunto começou a entrar em voga. Desde então, não parei. A ideia do armário-cápsula vai além de ter itens limitados e que combinem com a estação. Ele é mais um exercício de descoberta de quais são os seus clássicos pessoais e de como exercer a criatividade no dia a dia usando suas mesmas peças de maneiras diferentes. Ajuda a reduzir o consumo e a prestar mais atenção no que está levando para dentro de casa.

Muitas pessoas gostam de ter regras para seu armário-cápsula, como “manter apenas 37 itens” ou “não comprar nada durante os três meses da estação”. Particularmente, as regras me constringem um pouco e me deixam frustrada, quando se trata de moda. Prefiro ter os princípios descritos acima e ir me conhecendo, fazendo a coisa toda do meu jeito.

Eu tenho um novo princípio para todas as minhas roupas atualmente (especialmente a aquisição de itens novos), que é: eu achei essa peça tão maravilhosa que eu a usaria esta noite para um evento especial? Se não, nem levo. Pode parecer bobo e subjetivo, mas funciona muito bem para mim. Já deixei de levar várias peças apenas porque não eram “especiais”. Meu raciocínio é o seguinte: não quero comprar por comprar. Se eu comprar, será algo único, só meu, de boa qualidade, e que vai valer o dinheiro que estou dando em troca daquele produto. Não se trata de economizar dinheiro (apenas), mas de pensar no planeta, reduzir o consumo, dar um passo para trás nessa dinâmica de compra.

Para montar meu armário-cápsula, eu não levo em conta pijamas, acessórios (bolsas, cintos, lenços) e roupas de academia, pois acredito que eles não mudem tanto assim de uma estação para a outra e, quanto aos acessórios, eles servem justamente para mudar mais a carinha das mesmas roupas que vou usar ao longo da estação.

Uma das minhas atividades preferidas quando vou planejar um novo armário-cápsula é pegar as caixas que guardo na parte de cima do meu guarda-roupa, onde deixo as peças que não estão sendo usadas nesta estação, e faço uma análise. Primeiro, que vejo como algumas peças não combinam mais comigo ou que eu acabei guardando apenas por inércia. Segundo, porque ficar um tempo sem olhar as peças me deixa feliz por reencontrá-las. Eu diria que é melhor do que comprar roupas novas (é uma compra dentro do seu próprio guarda-roupa!).

Eu faço essa análise apenas depois do planejamento, que estou compartilhando com vocês aqui neste post.

Bom, gosto de começar definindo uma cartela de cores. Não que eu vá usar apenas aquelas cores, mas elas me dão um direcionamento para a escolha de peças dentro do armário.

Toda primavera eu gosto de ir nas cores pastéis (pelo menos tem sido assim nos últimos anos). Rosinha, verdinho, amarelinho, azulzinho, cinza, bege, branco são cores que me deixam feliz na primavera. Eu também gosto de usar bastante verde – deve ter a ver com plantas e flores, estrelas da estação.

Fazer uma análise da sua cartela de cores pessoal ajuda muito nesse processo, até para você conhecer que cores funcionam melhor para você. Uma mesma cor (por exemplo: rosa) pode variar muito em suas tonalidades dependendo da cor da sua própria pele.

Particularmente, eu gosto dos rosas mais “amarelados”. Na minha cartela acima (inverno profundo), existem diversas tonalidades nesse rosa que eu comentei. O mesmo vale para os verdes e os azuis, cores mais frias. Um azul jeans, azul petróleo, veste muito bem em mim. Eu gosto.

Do meu ponto de vista, uma das coisas mais legais da cartela de cores é ver os neutros coloridos. Gelo, café, marinho, vinho, verde militar, cáqui. Geralmente, quando a gente pensa em neutros, pensa logo em preto, branco, marrom, bege. Os neutros podem ser coloridos e substituir uma peça preta por uma verde militar faz toda diferença!

Com base nas cores escolhidas (no meu caso, as pastéis e os tons de verde), eu vou olhar as peças de baixo que eu já tenho. Mais uma vez: não me apego tanto a números, mas à coerência. Se eu quiser ter duas calças jeans no armário, elas têm que se justificar. Uma pode ser mais escura, outra mais “batida”, mais desbotada, mais informal. O tipo de tecido influencia muito também. Calças jeans mais grossas ficam para as épocas de frio.

Para escolher de verdade, é necessário provar as peças. Sim, uma a uma, por isso faço esse planejamento por partes (ou seja, não faço tudo de uma vez, a não ser que tire um período do dia ou do final de semana para isso).

Esse processo ajuda quem tem uma variação de peso mas, mais do que isso, te ajuda a ver se a peça precisa de ajustes ou se ainda fica boa em você. Já aconteceu de eu pegar uma calça, por exemplo, que adorava, mas na estação seguinte não tinha mais muito a ver comigo. Já aconteceu também de eu querer “dar um tempo” de uma roupa porque a usei muito ao longo dos últimos meses.

Como era uma boa peça, guardei por mais um tempo, na parte de cima do guarda-roupa. Umas seis estados depois, ela acabou voltando. Então não se trata de descartar roupas, mas de se entender melhor e deixar isso transparecer nas roupas que você usa, para o mundo.

O que eu costumo separar para doar? Roupas que já “passaram” da hora, com a manga gasta, por exemplo. Roupas que machucam. Roupas que me lembram de coisas ruins (apelo emocional é importante). Roupas que estejam apertadas ou largas demais e não dá para ajustar. Se a roupa estiver boa, for de uma boa qualidade, mas eu simplesmente não me sinto no “mode” para usá-la naquela estação, eu guardo de novo. Mais uma vez, não se trata de descartar roupas.

Pode acontecer (e muitas vezes acontece) de eu identificar uma peça que eu goste muito de usar que já tenha dado uma estragadinha ou não sirva mais. Nesse caso, considero fazer a substituição. Tomo uma nota para avaliar essa compra mais adiante. Eu passei a comprar muito menos roupas depois desse processo. Então, na prática, eu mantenho a roupa no armário, mas anoto em meu sistema para comprar uma substituta. Quando a compro, a antiga vai direto para uma caixa de doações que mantenho no quarto.

Depois de escolher as partes de baixo (calças, shorts, saias, vestidos e macacões), eu procuro garantir que cada parte de baixo tenha pelo menos cinco partes de cima que combinem com ela. Essa é uma orientação que aprendi com a Ana, inspiração máxima no que diz respeito à construção do estilo pessoal e moda sustentável.

A melhor parte é ver que muitas partes de cima combinam com muitas partes de baixo, o que significa que será uma peça funcional no meu guarda-roupa. Nesse momento eu também identifico peças que não tenho e que talvez estejam fazendo falta, como um suéter claro, por exemplo, por eu só ter blusas escuras.

Outra coisa que eu faço em paralelo nesse momento do planejamento é analisar os três meses da próxima estação para ver o que eu tenho de eventos já planejados. Geralmente meu dia a dia é composto por trabalho (em casa ou fora, o que inclui quando estou em aula no mestrado), momentos de lazer com a família aos finais de semana, jantares e saidinhas noturnas esporádicas, eventos profissionais mais formais (reuniões, palestras) e viagens. Então eu preciso garantir que terei opções para os eventos já programados. Se eu tiver um casamento agendado, por exemplo, já posso ir pensando desde já como vou me vestir e providenciar a peça, se necessário (pela minha experiência, esse planejamento me mostrou que eu preciso comprar e “providenciar” menos peças do que eu imaginava antes, porque eu exercito muito a minha criatividade).

Então faço uma análise da proporção desses eventos no meu dia a dia e uma revisão das peças selecionadas para ver se elas se encaixam nesse estilo de vida. Se uma peça puder ser usada pouco ou não tiver flexibilidade no seu uso, é provável que ela acabe não entrando no armário – e cada vez menos eu compro peças assim.

Eu acho que a primavera é a estação mais difícil de planejar porque ainda está friozinho mas também já tem alguns dias em que já faz MUITO calor. Tem que ser um armário de meia estação mesmo, com peças para se vestir em camadas e que sejam versáteis.

Vale lembrar mais uma vez que o meu armário-cápsula não tem a ver com a quantidade de peças. Se eu terminar com 30 ou com 100 itens, mas todas forem boas peças, combinarem comigo e fizerem sentido, ficarei satisfeita.

Resumo do passo a passo então:

  1. Seleciono a estação
  2. Vejo os eventos que acontecerão nos meses da estação
  3. Escolho uma cartela de cores com base nas cores que me favorecem
  4. Começo selecionando pelas partes de baixo de acordo com os critérios acima
  5. Seleciono as partes de cima de acordo com as combinações com as partes de baixo
  6. Identifico as peças que preciso consertar, trocar ou comprar
  7. Finalizo selecionando os sapatos

Todas essas providências que faltam eu deixo para fazer entre o planejamento e o início da estação, ou ao longo dela (sem dramas).

Eu já organizo o guarda-roupa apenas com essas peças, e mantenho algumas peças-chave da estação anterior (no caso, o inverno) para usar até a virada da primavera. Depois eu lavo e guardo junto com as outras.

Uma dúvida que pode surgir é sobre os acessórios muito específicos de uma estação, como por exemplo toucas, cachecóis e outros de frio (ou o mesmo raciocínio para o verão). Esses de inverno eu ainda mantenho, pois acabo usando. Aí, na chegada do verão, guardo definitivamente em um lugar menos acessível.

E você, gosta de organizar o seu guarda-roupa por estações? Sei que no Brasil as estações não são tão marcadas, mas a ideia pode ser a de organizar para três meses, simplesmente. Coincidentemente, temos as mudanças das estações para deixar a organização mais lúdica.

Categoria(s) do post: Saúde, Equilíbrio emocional

Lá na Holanda eu reparei como, com exceção dos lugares para turistas e eventos muito noturnos, como festas e raves, as pessoas não têm a cultura de sair de noite como acontece aqui no Brasil. Sei que não é no Brasil todo mas nas cidades maiores, mas aqui é comum termos coisas como, por exemplo:

  • shopping que fecha às 22h
  • mercado que fecha às 23h
  • pessoas estudando à noite

Só para citar algumas.

Isso faz com que o nosso dia seja mais longo e, também, por ter mais atividades, mais cansativo. Talvez esteja associado ao nosso clima. Por exemplo, na Holanda, pelo fato de o inverno ser muito rigoroso, eles talvez já estejam acostumados a sair do trabalho e ir para casa, ou jantar cedo e voltar pra casa, porque de noite querem estar “refugiados” em seus lares.

Aqui em São Paulo, pelo menos ao meu redor, eu vejo muito as pessoas irem ao shopping de noite, depois mercado, depois jantar, depois irem para casa. Isso cria uma rotina noturna voltada a atividades que não foram realizadas durante o dia, além de ser uma rotina voltada para o consumo. Quando eu fui para os Estados Unidos pela primeira vez, há uns cinco anos, e fiquei em Las Vegas, eu achei impressionante que, apesar de ter muitos estabelecimentos abertos para os turistas, o horário normal das coisas não vai até tão tarde assim. E vejam, uma cidade que “não dorme”. Imagino que em Nova Iorque deva ser diferente, mas só estando lá para ver.

Na semana retrasada eu tive a oportunidade de conversar com uma amiga minha que fez uma viagem à Índia para conhecer os lugares sagrados. Ela disse que uma das coisas que mais chamaram a sua atenção foi justamente o ritmo diferente. Não em Délhi, por exemplo, em que você as pessoas correndo para lá e para cá, o trânsito em um caos de certa maneira harmonioso. Mas o ritmo das pessoas mesmo, nunca voltado a “fazer mais”. Acho que nós puxamos muito isso dos nossos vizinhos norte-americanos, especialmente porque a cultura do trabalho no Brasil sempre copiou muito esse modelo dos Estados Unidos.

Tenho alguns amigos portugueses, espanhóis e italianos que compartilham comigo como o estilo de vida no Mediterrâneo, de modo geral, é diferente. É simplesmente outro ritmo. Não que seja mais devagar. É apenas outra pegada, com foco em outras coisas.

Bem, eu acredito que todo esse “papo” sobre ritmo diga muito respeito à nossa coerência com a vida que estamos construindo para nós mesmos. Posso dizer por mim que considero muito difícil viver em um mundo em que as pessoas não respeitam o seu ritmo e, mesmo você trabalhando ensinando sobre boas práticas de organização e produtividade, ainda te enviam um e-mail pedindo para você enviar um negócio urgente, o quanto antes, para qualquer assunto.

Entender que eu tenho um ritmo meu e que eu não devo “me atropelar” em decorrência do ritmo que outra pessoa esteja tentando impôr para mim foi um dos maiores aprendizados que tive até aqui na minha vida. E não estou dizendo que seja fácil ou imediato, mas a percepção pode sim ser imediata. Comece a partir de hoje a se observar e a se conhecer melhor, para entender como o seu ritmo funciona.

A construção dele virá no seu dia a dia, para o resto da sua vida.

Categoria(s) do post: Diário da Thais, GTD™

Eu acabei de chegar em São Paulo depois de alguns dias na Holanda, em que fui novamente para participar do curso do GTD Nível 3: Foco & Direção, o encontro anual das franquias do método GTD pelo mundo, e a certificação para me tornar Master Trainer neste nível do método também.

Meu vôo foi na terça à noite, direto, e cheguei na Holanda na quarta depois do almoço (lá eles estão 5 horas na frente, então enquanto eram 13h lá, aqui eram 8h). Fomos eu, o Daniel e sua esposa, e não ficamos hospedados em Amsterdam, mas em uma cidade vizinha, chamada Harleem. O Daniel alugou um carro para irmos para o evento todos os dias.

Na quarta-feira mesmo, não fizemos muita coisa além de ir ao mercado local comprar nossa janta e alguns lanchinhos, e aí dormimos cedo para o curso no dia seguinte. Eu não consigo dormir nada no avião e, além de tudo, passei mal com a comida, então eu realmente precisava descansar. Gravei alguns stories no meu Instagram (é sempre legal quem tiver interesse me acompanhar lá, pois tenho feito pequenos VLOGs na ferramenta diariamente).

O tempo todo eu ficava me beliscando tentando acordar desse sonho que era estar na Holanda novamente, desta vez para fazer o GTD Nível 3. Comecei a minha “era das certificações” em 2015 e, desde então, aguardo esse terceiro nível ansiosamente.

O curso em si na quinta-feira fez parte de um dia que foi muito mágico para mim. Eu tive diversos momentos de epifania pessoal fazendo os exercícios do curso, o que eu já esperava que acontecesse, mas não no nível que aconteceu. Além disso, tive conversas muito profundas com o Daniel e me aproximei dos outros colegas franqueados. Conversei com nosso colega do GTD na Itália, que é um senhor empolgadíssimo com o GTD e que tem sete gatos (uma pessoa assim não pode ser uma má pessoa). Conversei com os meus colegas da grande Next Action, a franquia inglesa que tem aquele blog incrível sobre GTD. Conheci vários outros que ainda não tinha tido a oportunidade, como o franqueado da Austrália, do Egito, do México etc. Todos estavam no dia do curso.

Obviamente não quero dar tanto spoiler do conteúdo do curso em si, mas quero comentar como foi.

O curso começa falando sobre a importância do foco, o que é foco para o GTD e como é fundamental você exercitar o foco correto. Me lembrou muito, mas muuuuito, o Napoleon Hill, e eu aproveito para dizer que os dois trabalhos se complementam muito. Inclusive depois eu tive a oportunidade de perguntar ao David o que ele acha no Nap, e ele disse que ele foi o primeiro a dizer tudo o que os outros similares disseram depois, e que está alinhado com o GTD.

Essa primeira parte é realmente importante porque mostra como as escolhas que fazemos mentalmente nos afetam até fisicamente.

Um dos assuntos-chave dessa primeira parte são as afirmações pessoais. Eu já usava esse recurso desde uns dois anos atrás, quando li o livro “Milagre da Manhã”, e o David já ensina isso há 30 anos..! É realmente um assunto a ser mais abordado por aqui daqui em diante porque a importância disso no dia a dia é tremenda. (aliás, isso foi uma afirmação!)

Na segunda parte do curso, entramos nos horizontes de foco propriamente ditos, e tivemos a oportunidade de realizar diversos exercícios para desenhar propósito, visão, objetivos e áreas de foco. Apesar de eu já fazer isso há “trocentos” anos, fazer ali naquele espírito empolgante do curso, depois de ouvir as orientações sobre foco, me ajudou muito a fazer algo mais relevante para mim.

Nesse momento do curso eu tive uma revelação pessoal e emocional muito importante sobre como me sinto após a morte da minha avó. Quero escrever sobre isso de uma maneira mais apropriada, então vou deixar para um post futuro. Mas me deu uma sensação incrível de entender quem eu sou e qual o meu papel nesta vida, especialmente com relação à minha família.

Depois do almoço nós tivemos um módulo voltado à integração dos horizontes ao sistema GTD como um todo: encontrando projetos, ações, onde organizar, formatos etc. Uma parte bastante rica para quem vier fazendo os cursos na ordem certinha (primeiro o Nível 1, depois o Nível 2 etc). Procurando falar da maneira mais modesta possível, muita coisa eu já fazia, mas obviamente eu tive bons insights durante o módulo como um todo.

O último módulo é um módulo de fechamento e “amarrando” tudo o que aprendemos.

Eu cheguei tão centrada a esse curso! Um dos exercícios no começo do dia era para você avaliar o seu estado de mente como água, e foi a primeira vez em toda a história dos cursos de GTD que eu me dei nota 10 com vontade. Só não me sinto iluminada porque tenho muita coisa a aprender como ser humano ainda, mas é uma plenitude que não dá pra colocar no papel.

Bom, e aí vale a pena dizer que todo o evento aconteceu no hotel Hilton, em Amsterdam, quando em 1969 o John (Lennon) fez um evento com a Yoko (Ono) chamado “bed in”, em protesto, pela paz. Eles passaram uma semana na cama recebendo jornalistas e falando sobre a paz. Se o quarto não estivesse sendo ocupado, ele poderia ser visitado, o que fizemos ao final do dia. Eu fiquei tão emocionada de visitar o quarto que nem consigo descrever. Essas coisas dos Beatles são engraçadas porque eu passei a vida toda vendo muitas fotos de tais eventos e, de repente, você está ali, vendo ao vivo. Fiquei realmente muito feliz e emocionada.

Ainda na quinta, à noite, tivemos um jantar especial para os franqueados. Eu estava me sentindo muito cansada. Começou a bater o jet lag da viagem e o curso me custou muito mental e emocionalmente falando. O jantar foi bacana mas fomos embora cedo, para descansar para os próximos dias.

Vale dizer que o David nem estava no jantar. Ele estava com uma gripe fortíssima durante todos os dias e eu vi como foi custoso para ele estar lá. Em todas as vezes que ele precisava falar algo, ele era bem sucinto, e evitou fazer mais interações do que o necessário, para se preservar.

Na sexta-feira aconteceu o encontro das franquias. Foi um dia inteiro de palestras, celebrações e networking. Algumas franquias foram premiadas devido ao maior número de vendas, tivemos bastante interação para falarmos sobre projetos, alguns franqueados compartilhar suas histórias e técnicas de vendas etc. Ao final, foi feita a foto acima, que me orgulho muito de fazer parte. Eu estava, junto com o Daniel, representando não só os instrutores brasileiros, como também toda a nossa comunidade de GTD aqui no Brasil.

Outra coisa muito legal desses dois primeiros dias foi ter tido a oportunidade de conhecer pessoalmente algumas pessoas da David Allen Company que eu só conhecia por fotos e vídeos, como a Meg Edwards, a Kelly Forrister etc.

Bem, acabando a semana, sábado e domingo seriam os dias dedicados à certificação como um todo. E foram muito bons e intensos, porque a formação agora era muito menos de oratória e ajustes e muito mais de mindset mesmo, pois é o que o curso exige. Foi extremamente rico para mim ter essa oportunidade de troca com os outros franqueados – eu já com uma cabeça mais voltada para negócios também.

No último dia o David estava se sentindo um pouco melhor e gravou três videozinhos bem curtinhos comigo para eu compartilhar com os grupos aqui no Brasil.

 

Visualizar esta foto no Instagram.

 

Love my work ❤️❤️❤️

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Rogélio, o franqueado do México, levou uns bigodes e umas faixas mexicanos no domingo, pois era dia da independência no México. Todos brincamos e tiramos algumas fotos. Foi um momento muito descontraído e divertido.

As fotos acima são do Dmitry Inshakov, franqueado da Rússia.

No domingo, último dia, tivemos novamente um jantar, desta vez apenas com os participantes da certificação. Eu sentei ao lado do David e tive conversas muito profundas com ele, falando sobre como foi crescer nos Estados Unidos nos anos 60 e começar a trabalhar com produtividade, como ele via o GTD perante ao que os outros métodos ensinam (indo na contramão da velocidade e mais em comum com o mindfulness), compartilhei sobre as características do mundo do trabalho no terceiro mundo, enfim… foi bem bacana.

No ano que vem acontecerá um evento bem grande em Amsterdam sobre o GTD, tipo um “GTD Summit”. Se você tiver interesse, comece a guardar dinheiro. Pelo que eles falaram até aqui, serão dois ou três dias em junho com palestras e muito conteúdo sobre o GTD. Já estou empolgadíssima e não vejo a hora de participar!


Enfim, de verdade… o curso me levou para outro nível da coisa, mesmo eu já usando o GTD há tanto tempo. Todos esses últimos anos de maturidade das minhas práticas usando a metodologia me ajudaram muito a me transformar em uma pessoa melhor e, hoje, consigo enxergar de maneira muito mais clara o meu papel com o método em si e a minha trajetória profissional, o que foi algo que eu sempre lutei muito nos últimos anos para conseguir ter.

Eu espero que todos vocês estejam bem. Como eu escrevi na semana passada, ainda não retomei meu computador para vídeos e outras ações que usam mais memória dele, e por isso o canal ficará um pouco parado nos próximos dias. Eu também não consegui gravar VLOGs lá em Amsterdam, como eu gostaria, porque não era permitido gravar as pessoas e compartilhar conteúdos. Mas eu espero que este post tenha trazido algumas informações legais para vocês entenderem um pouco como foram esses dias.

A vida é boa, e é assim que eu gostaria de terminar este post. Até breve.

Categoria(s) do post: Equilíbrio emocional

Algumas áreas e campos de estudo da psicologia que conversam diretamente com os temas de organização e produtividade são:

Psicologia positiva

Eu ouvi falar sobre essa área quando fiz minha formação em Coaching em 2016. Existe um livro chamado “Felicidade autêntica”, do autor Martin Seligman (também autor de “Florescer”) que fala sobre psicologia positiva. Esse campo da psicologia estuda sobre como os seres humanos sentem a felicidade, bem-estar, valores, caráter, senso de propósito. Tem tudo a ver com o que eu falo por aqui.

Cognição distribuída

David Allen, autor do método GTD, já dizia: “nossa mente serve para ter ideias, não para armazená-las”. Usar a mente para pensar, estar presente, se engajar em pensamento estratégico, planejar projetos, é o que ela faz de melhor. Alguns estudos nessa área da psicologia têm respaldado essa ideia.

Acumulação compulsiva

Muitas pessoas sofrem sendo acumuladoras de coisas. Hoje um profissional que trabalhe com organização e produtividade não pode ajudar alguém que tenha esse tipo de compulsão, e sim um profissional qualificado em psicologia.

TOC

O transtorno obsessivo compulsivo é frequentemente e vulgarmente associado às pessoas organizadas, como se o fato de você ser organizado o qualificasse para ter esse transtorno. O TOC pode caracterizar uma série de comportamentos que não necessariamente tenham a ver com organização, então dizer a uma pessoa organizada que ela “tem toque” é, além de pejorativo, bem errado.

Teoria do fluxo

Cada vez mais nos deparamos com estudos que abordam essa consciência e sensação de fluxo que muitas vezes acaba sendo representada por atletas que estejam engajados em suas atividades. A ideia de fluxo para a produtividade é muito explorada porque diz respeito a estarmos realmente presentes, fazendo algo sem ver o tempo passar.

Foco

O que falamos tem tudo a ver com o exercício do foco em todos os segmentos da vida e em nível micro e macro.

TCC

Terapia cognitivo-comportamental (TCC) é uma forma de psicoterapia que se baseia no conhecimento empírico da psicologia. Ela abrange métodos específicos e não-específicos (com relação aos transtornos mentais) que, com base em comprovado saber específico sobre os diferentes transtornos e em conhecimento psicológico a respeito da maneira como seres humanos modificam seus pensamentos, emoções e comportamentos, têm por fim uma melhora sistemática dos problemas tratados.

A terapia cognitivo-comportamental possui tanto técnicas da terapia cognitiva como da terapia comportamental, tendo demonstrado ser uma das técnicas mais eficazes no tratamento de vários transtornos como depressão e esquizofrenias. (Wikipedia)

Ansiedade

Muitas pessoas sofrem com ansiedade e, além de a organização ajudar em diversos aspectos, pode ser que, muitas vezes, acabe aumentando a ansiedade. Mais uma vez, o indicado é buscar um profissional adequado.

Capital psicológico

Estrutura relativamente nova que os psicólogos em empresas estão começando a estudar com mais profundidade. Trata-se de como o funcionário se expressa, mostra-se eficiente e otimista, além de resiliente, por exemplo.

Este post tem o único intuito de mostrar como psicologia, organização e produtividade são assuntos relacionados, e é apenas uma primeira tentativa de trazer esses assuntos para perto para conseguirmos trocar algumas figurinhas a respeito.

Caso tenha algo a contribuir, por gentileza, deixe um comentário! Obrigada.

Categoria(s) do post: Ferramentas de organização

Desculpem pelo título sensacionalista. Não, não vai acabar. Mas neste post vou explicar como surgiu esse assunto.

Experiência pessoal

No começo de agosto, meu Evernote (instalado no Macbook) começou a apresentar um problema muito chato. Primeiro, ficou irritantemente lento. Demorava demais para abrir uma nota e, às vezes, nem abria. Acusava a conexão de ter demorado para carregar, mas testei com diversas conexões e outros programas funcionavam normalmente.

Alguns dias depois, ele começou a abrir e ficar sincronizando do zero toda vez que o programa era inicializado. Para vocês terem uma ideia, eu tenho mais de 12 mil notas no Evernote. E, toda vez que abria o programa, ele aparecia zerado, como se eu não tivesse nenhuma nota, e começava a sincronizar sozinho. Isso carregava pra caramba a memória do computador, que começou a “chiar”.

Isso acabou prejudicando a performance do meu computador, que começou a apresentar alguns problemas como: desligar sozinho, dizer que não tinha espaço mesmo tendo 80% do espaço em disco livre, entre outros.

Nesse meio tempo, continuei usando o Evernote web normalmente.

Relatos de outras pessoas

Cheguei a publicar no Twitter sobre o problema, e muitos leitores relataram que estavam na mesma situação. Outros leitores publicaram no grupo do Facebook reclamando que estavam com o mesmo problema, e vínhamos discutindo o que poderia ser.

Vale dizer que, ao mesmo tempo que muitos reclamaram do problema (geralmente hard users da ferramenta), outras pessoas disseram que estavam usando o programa normalmente. Então estava confuso.

Notícias sensacionalistas

Foi aí que surgiu uma notícia sensacionalista em um veículo internacional que trazia alguns pontos que vou tentar resumir:

  • o CEO e outros figurões de dentro do Evernote tinham sido demitidos
  • os valores promocionais do programa poderiam indicar que estava com problemas financeiros
  • prepare-se pois o Evernote pode entrando em uma espiral caminhando para o fim!

Apesar de ser verdade que alguns diretores foram demitidos, isso não quer dizer nada. O Evernote começou como uma startup e cresceu muito. É normal ter essa rotatividade, porque as empresas crescem desenfreadamente e depois vão se ajustando.

Sobre as promoções, desde que comecei a usar o Evernote em 2013 eu vejo o Evernote fazer promoções. Essa é uma prática comum da empresa.

Porém, o fato de ficar durante tantas semanas com esses problemas de sincronização me deixou com a luzinha de alerta acesa.

Esclarecimento

Foi quando o Vlad Campos, consultor Evernote aqui no Brasil, fez um pronunciamento para tranquilizar a todos, confirmando o que comentei acima e dizendo que a notícia realmente era sensacionalista.

E ele traz um ponto muito importante, que é: se POR ACASO o Evernote estivesse com problemas financeiros, eles se abririam para o mercado para alguma empresa comprá-la ou então avisariam com muita antecedência para que todos os usuários façam backup e se programem. Isso é verdade.

Ele também disse que tem conhecimento de algumas novidades que virão em breve no programa, e que não, ele não vai acabar.

Conclusão

Precisei deletar tudo do meu computador e reformatá-lo DUAS vezes para que ele voltasse a rodar normalmente. Instalei o Evernote de novo e agora ele está funcionando. Continuo e continuarei usando enquanto achar que é a melhor ferramenta para mim.

Agora, para qualquer ferramenta digital, faça backup. Isso independe do que vai acontecer no futuro da ferramenta, sendo apenas uma boa prática em quaisquer casos.