Categoria(s) do post: GTD™, Ferramentas de organização

Em novembro, eu li o livro do autor do método Bullet Journal, Ryder Carroll, e voltei a me apaixonar por ele (pelo método) porque entendi alguns pontos que, antes, não estavam tão claros para mim. Desde que comentei que estava retomando o método, comecei a receber muitas mensagens de leitores do blog me pedindo para falar sobre como conciliar o Bullet Journal com o método GTD™, então este post de hoje é o primeiro de uma série em que pretendo falar sobre essa conciliação.

Vou explicar qual foi a minha metodologia usada para chegar aqui e afirmar as coisas que vou afirmar. O autor do método Bullet Journal recomenda que a gente aplique o método exatamente como ele recomenda durante três meses para poder enfim fazer mudanças e personalizacões. Eu fiz isso, justamente para testar e trazer os resultados. Então, durante esses três meses, eu não fiz qualquer tipo de personalização, justamente para testar os pontos que ele coloca como fundamentais no método.

Do meu ponto de vista, existem algumas maneiras de você usar um Bullet Journal conciliando com o método GTD™:

  1. Usando o Bullet Journal como gerenciador de listas. Você pode querer inserir no Bullet Journal todas as listas do GTD™, a saber: calendário, próximas ações, projetos, aguardando, algum dia/talvez, checklists e outras referências. A maneira de fazer isso é utilizando collections / coleções, como veremos nos posts futuros sobre o tema.
  2. Usando o Bullet Journal como ferramenta de captura. Através do log diário, você pode ir registrando as entradas ao longo do dia e, na reflexão diária, processar e organizar em outra ferramenta, onde estarão suas listas.
  3. Usando o Bullet Journal como ferramenta de registro. Em vez de organizar as suas informações no BuJo, você pode utilizá-lo para ir registrando suas atividades à medida que elas acontecerem.

Ações de planejamento, como o planejamento do dia, do mês e da semana, podem ser realizadas em qualquer uma das três opções acima.

Para mim, a primeira alternativa, apesar de super viável, não funcionou porque eu prefiro, para a organização das listas, usar ferramentas digitais. Veja, não é que acho MELHOR – é o que funciona melhor PARA MIM. Gosto da mobilidade do digital e, para consulta de informações, simplesmente prefiro. Mas se você gosta de organizar tudo no papel, essa primeira alternativa pode cair como uma luva para você.

A terceira alternativa pode parecer uma boa ideia, mas ela acaba tirando um pouco do sentido de registro geral do BuJo, que tem a ver com registrar sua qualidade mental dia após dia. Se eu usar apenas para registrar o que já aconteceu, fica mais fácil de esquecer de fazer o registro, além de tornar o caderno um pouco irrelevante para o dia a dia. Testei durante um tempo fazer desta maneira e não gostei. Pode ser que funcione para outras pessoas.

Hoje, o que realmente tem funcionado para mim, depois de todos esses testes, é a segunda alternativa. Todos os dias, abro um novo log diário e “esvazio a mente”. Depois, vejo o que tenho nas minhas listas de próximas ações para “planejar” o que fazer naquele dia (apenas como orientação) ou, se não tiver tempo ou não quiser, não preciso fazer desta forma (apenas as listas são suficientes). À medida que os compromissos do meu calendário forem acontecendo, eu faço uma marcação no meu log diário (por ex, se eu tenho uma reunião à tarde, eu não faço uma anotação sobre ela no começo do dia, como “planejamento”, mas sim apenas no momento em que ela acontece, para eu “quebrar” o dia e saber o que anotei antes e depois daquele compromisso).

O que eu tenho mais gostado no fato de fazer dessa maneira é que o log diário me ajuda a lidar com as coisas que são mais imediatas, que muitas vezes se resolvem antes que eu passe para as listas em si. Também me ajuda a ter a disciplina de logo cedo, ao criar o log diário, eu já esclareça os itens pendentes. O fato de capturar no BuJo também diminui a quantidade de capturas em outros locais, especialmente papel. A caixa de entrada física acaba servindo para itens físicos mesmo, como documentos impressos e outros.

Ter um caderno único para registrar ideias e planejamento também tem sido muito acertado. Se em um dia eu faço o planejamento de um projeto, por exemplo, escrevendo no BuJo, basta inserir essa coleção no índice e fazer uma anotação de referência no plano do projeto, que está na lista de projetos, em outro lugar.

Toda vez que faço uma revisão, eu registro o resultado dessa revisão no BuJo. Por exemplo, quando reviso meus objetivos de curto prazo, eu faço um registro no BuJo. Isso para mim tem sido muito enriquecedor porque as alterações que fazemos no digital muitas vezes se perdem, mesmo as ferramentas tendo seus históricos. Registrar em uma linha do tempo, como no caso do BuJo, como se fosse realmente um livro da minha vida, tem sido bem interessante para mim.

Quando estou afim, inclusive registro a lista de projetos em andamento. Reescrever a lista de projetos é uma boa prática que proporciona análise e reflexão maiores do que simplesmente “olhar” a lista.

Quando eu faço a reflexão diária, no início do meu dia, é muito satisfatório ver a quantidade de itens concluídos e, um a um, esclarecer e organizar aqueles que ainda não foram concluídos. Se eu pretendo fazer no dia em questão, insiro o símbolo > e registro novamente o item no dia de hoje. Se eu percebo que não devo fazer hoje, mas apenas estando no contexto adequado, em qualquer momento, eu coloco o símbolo E (de Evernote) e organizo o item na lista correspondente (ex: em casa).

Essa dinâmica tem funcionado muito bem para mim e pretendo continuar conciliando ambos os métodos dessa forma, mas nada me impede de mudar se eu sentir necessidade.

Quando eu voltar de viagem, pretendo fazer um post mostrando como você pode montar o seu Bullet Journal de acordo com o método GTD™, organizando as listas nele.

Qualquer dúvida, favor deixar um comentário. Obrigada.

Categoria(s) do post: Dicas de produtividade, Equilíbrio emocional

Acho que uma das grandes ironias de quando você se torna professora de algum tema é que, quanto mais você se aprofunda nele, mais corre o risco de se distanciar da simplicidade didática para ensinar quem está começando. O Da Vinci já dizia que a simplicidade é o último grau da sofisticação, e nesse ponto específico eu concordo porque você tem que saber muito e realmente ser muito bom para conseguir ensinar quem não conhece nada, ou muito pouco, daquilo que você se considera especialista.

Eu sou uma pessoa que gosta de métodos. Não me considero necessariamente metódica para todas as coisas, mas se algo que estou estudando tem um método, eu sinto um calorzinho no coração. Vejo os métodos como caminhos coerentes para se fazer as coisas.

Apesar de eu usar e ser apaixonada pelo método GTD™, sei que não é toda pessoa que se afeiçoa a este ou a qualquer outro método. Depois de anos indo em salas de aula, especialmente as corporativas, eu percebi que, muitas vezes, a pessoa só precisa de uma bóia para não se afogar. Ela pode até se interessar por um aprofundamento das técnicas futuramente, mas neste primeiro momento ela precisa apenas de algumas recomendações básicas para que não fique doente no trabalho. Neste post de hoje eu pretendo então trazer tais recomendações.

A primeira delas é a recomendação de sempre focar no que for mais importante. Pode parecer uma recomendação óbvia, mas o óbvio nem sempre é feito. Funciona da seguinte maneira: você tem coisas para fazer no dia. Reuniões, compromissos, alimentação, atividade física, prazos no trabalho. A orientação para focar no mais importante é que você, desde o início do dia, sempre se pergunte qual é a coisa mais importante que deve fazer a seguir. E essa orientação mental é importante porque nós, humanos, tendemos sempre a fazer o que for mais fácil ou mais rápido, e aí a gente pode passar um dia inteiro só fazendo essas pequenas coisas que, talvez, não façam diferença nas coisas maiores. Por exemplo, você pode concluir 18 tarefas, mas não concluiu justamente aquela mais importante que deveria ter sido feita.

Se você sempre pensar que deve focar no que for mais importante antes, pode elaborar estratégias para executar de maneira mais fácil aquilo que parece complicado (e que normalmente nos leva a procrastinar). Uma dica é quebrar uma tarefa grande em tarefas menores e ir fazendo cada um dos passos. Outra é marcar 25 minutos no seu celular e trabalhar focada(o) naquela tarefa até terminar (o nome dessa técnica é pomodoro).

Muitas vezes, ao fazer a pergunta “qual é a coisa mais importante a fazer a seguir?”, você pode responder coisas como “deitar 15 minutos para descansar um pouco antes de começar a estudar” ou “ir ao banheiro fazer xixi”. A coisa mais importante nem sempre é uma tarefa de trabalho. Lembre-se que ser uma pessoa produtiva não significa fazer mais coisas, mas sim aproveitar de maneira sábia o tempo que você tem. Muitas vezes, a melhor maneira de aproveitar é sim descansando ou realizando atividades de lazer ou contemplação. E, fazendo essa pergunta momento a momento, você deixará o seu corpo, a sua mente e o seu espírito responderem.

Outra maneira de focar no mais importante é responder a seguinte pergunta, no início do dia: “o que, se eu chegar até o final do dia tendo concluído, me deixará a sensação de dever cumprido para este dia?”. Pode ser 1, assim como podem ser 5 coisas. Mas são coisas que você estabeleceu como prioridades, e a ideia é focar nelas até concluí-las, deixando (dentro do possível) todo o resto para fazer na sequência.

A segunda recomendação tem a ver com o foco. Foco (ou a falta dele) é um dos principais motivos de estresse no trabalho hoje em dia. Somos constantemente interrompidos pelas outras pessoas ou por pensamentos nossos, internos. Minha orientação aqui é para que você não seja multitarefa, o que já foi provado cientificamente que se trata de uma falácia – não é que a gente faz duas coisas ao mesmo tempo, mas sim que nosso cérebro alterna entre uma atenção e outra, e isso nos deixa exaustos. Além do que, fazer isso pode demorar mais do que simplesmente focar em uma atividade até concluí-la.

Veja então que foco é trabalhar naquela atividade até concluí-la. Nesse meio tempo, interrupções podem acontecer, você pode ter que parar para lidar com elas, mas assim que terminar, volte para a sua tarefa de foco. É simples assim – até concluí-la. Se você tiver de 1 a 5 prioridades para concluir naquele dia, e trabalhar em uma de cada vez, por mais caótico que seja o seu dia ao menos algumas coisas importantes você conseguirá terminar.

Nós temos um webinar muito bom (modéstia à parte) sobre como lidar com interrupções de maneira geral, no YouTube, feito por mim e pela Carol, que acredito que ajude bastante. Aproveite para se inscrever no canal.

Minha terceira recomendação tem a ver com você entender o seu papel na empresa naquele momento. Você é mais operacional ou mais gestor? Quais são as suas responsabilidades? Isso é super importante porque não dá pra gente ser várias coisas ao mesmo tempo – mesmo as empresas muitas vezes esperando isso de nós. Você precisa entender qual é a real demanda que chega até você e responder de acordo com o que esperam da sua função. Este é um ponto. Você não pode deixar de fazer algo que apenas você pode fazer apenas porque tem muita coisa acontecendo e os responsáveis não se responsabilizam por tais demandas. Não existem mártires no ambiente corporativo.

Por outro lado, é muito chato deixar de fazer atividades que sejam oportunidades apenas porque já estamos cheios de coisas a fazer. Assim como é muito ruim se sobrecarregar, aceitando mais tarefas do que o volume de tempo de trabalho comporta. Como fazer? Oras, sinceramente, não tem muito segredo: ou você delega atividades que não são mais as suas responsabilidades ou você se sobrecarrega. Depende do momento que você vive. Particularmente, eu prefiro não optar pela sobrecarga, e isso foi algo que aprendi da pior maneira possível, ficando doente por causa do estresse. Mas cada um sabe onde seu calo aperta.

No começo do ano passado, eu comecei a fazer meu mestrado e me senti incrivelmente sobrecarregada. Enquanto estava fazendo uma massagem, veio à minha mente a seguinte conclusão: não dá para colocar um negócio novo tão volumoso na nossa vida a não ser que a gente deixe de fazer outras atividades que talvez não deveriam mais ser feitas por mim. Foi quando eu tomei a decisão de contratar alguém. “Mas eu não posso contratar, Thais”, você pode me dizer, pois sua realidade é diferente. Veja como se aplica a qualquer realidade o que eu fiz: se eu não pudesse contratar uma pessoa para delegar, ou se não pudesse delegar atividades para outra pessoa em minha equipe (trabalhando em uma empresa), eu simplesmente teria que aceitar que não dava para fazer tudo. Talvez não fosse o momento do mestrado. Talvez eu tivesse que deixar atividades profissionais de lado. Mas eu não correria o risco de me sobrecarregar apenas para “pagar para ver”. Essa noção é importante.

O que eu posso dizer, com tranquilidade, é que a maioria das pessoas, não importa qual a sua função atual (se mais operacional ou mais de liderança), sempre acaba abraçando mais atividades do que é capaz de suportar. Ou é o operacional que quer ser mais estratégico, ou é o gestor que não larga o osso do operacional. A pergunta “o que estou fazendo que não deveria estar fazendo?” é muito poderosa. Mais uma vez, a gente cai no primeiro passo da organização como um todo, que é destralhar = tirar da vida o que não faz mais sentido. Você precisa se perguntar isso constantemente. Todos os dias podemos acrescentar novas atividades e elas vão se juntando às outras que já fazemos. Em muito pouco tempo, as coisas podem começar a explodir e você se sobrecarregar.

Minha orientação aqui é que você aprenda a negociar seus acordos com você mesmo, especialmente. Isso é pra vida. Talvez você não consiga mudar algumas coisas de imediato, mas se quiser mudar a curto ou médio prazo, precisa começar por algum lugar.

Como já escrevi em outro post, ser líder não tem a ver necessariamente com ser gestor de uma equipe de pessoas, mas com ter responsabilidade e inspirar os outros. Você precisa ter responsabilidade. Pode não ter uma equipe hoje, mas veja a si mesmo como uma equipe composta por cérebro, corpo, espírito, coração. Comece liderando e inspirando a si mesmo.

Categoria(s) do post: Propósito e felicidade

Talvez você tenha percebido que tenho estado mais quietinha nos últimos dias. Como tudo é aprendizado, vim compartilhar aqui no blog o que está acontecendo e o propósito da coisa toda.

Tem muita coisa legal acontecendo offline na minha vida. Não estou, com essa frase, querendo ser pedante. Ela é simplesmente sincera.

Ontem, aqui em São Paulo, nós realizamos a primeira versão do nosso workshop de Planejamento de Vida. Trata-se de um “coaching em formato de curso”, que era um sonho que comecei a desenhar há uns dois anos. Realizar esse curso foi definitivamente a realização desse sonho, porque tem muita coisa envolvida. Eu, como criadora, escritora e professora, venho desenvolvendo material há anos. Todo esse material, esse conteúdo, vem sendo refinado ao longo dos anos, se caracterizando como propriedade intelectual. Eu estudo MUITO, pesquiso muito, para refinar o que ensinamos. Mais do que criar coisas novas, eu quero melhorar as coisas que já existem (que são bastante).

Ter feito o curso do GTD™ Nível 3 ano passado encerrou um ciclo importante para mim como autora, pois eu vi até onde iriam os cursos do GTD™ em termos de conteúdo. Isso me deu a tranquilidade para elaborar esse curso de planejamento de vida, pois sou muito preocupada e respeito demais a propriedade intelectual de cada autor (especialmente do David Allen). Eu desenvolvi um curso inteiro apenas com base no meu conhecimento, na minha experiência, nessa construção que é essencialmente o Vida Organizada. E acredito que os cursos se complementem.

Uma aluna comentou ontem que o curso “é o Vida Organizada em formato de curso”. Foi um dos melhores elogios que eu já recebi sobre o nosso trabalho. Eu realmente senti uma satisfação enorme com a realização dele, com a concretização desse sonho, e com esse refinamento cada vez maior do que estamos criando por aqui.

Durante o curso, eu nem lembrei de pegar o meu celular para gravar stories. Para divulgar o curso. E não me entendam mal: não estou julgando quem o faça. Eu só estava curtindo muito o momento. Não quis ficar expondo ou compartilhando nada a não ser com as pessoas que estavam ali presentes comigo.

Depois do curso, pude passear com a minha família, fazer comida em casa, assistir uma série com o meu marido. Tivemos conversas ótimas sobre a produção no trabalho e tudo o que estamos construindo. Acredito de verdade que eu esteja em um bom momento, com muitas ideias e muita certeza de todas as coisas.

Eu acho sim que quem trabalha com conteúdo precisa produzir diariamente para todos os canais. Mas eu também respeito o meu momento, que é de incubar algumas criações – especialmente em formato de texto. Para escrever, gosto de fazer isso com tranquilidade, revisar e me identificar com o material. Eu já tinha agendado todos os posts até o final do mês, mas resolvi não publicar porque, de alguma maneira, eu não sou mais a mesma pessoa que os escreveu. Eu amadureci demais nesse último mês porque passamos por bastante coisa. Organizar um evento em outro país, por exemplo, nos ensinou muito (e ainda estamos aprendendo). Temos estrutura para isso? Queremos ter estrutura para isso? Como deve ser o nosso mix de produtos? São todas questões que permearam a minha cabeça este mês e me desafiou a estudar, a pesquisar ainda mais, a conversar, a desenvolver eu mesma e as pessoas que trabalham comigo.

Estamos treinando uma pessoa nova que acabou de entrar na equipe. Tá sendo super legal e desafiador para a gente ao mesmo tempo. Estamos consolidando um novo processo de gravação, edição e publicação de vídeos, tanto para o YouTube quanto para as aulas. Estamos migrando de plataforma EAD (um trabalho verdadeiramente colossal, você não tem ideia). Nosso escritório já está pequeno para nós, e estamos pesquisando se vale a pena alugar uma segunda sala ou uma sala maior. Temos recebido cada vez mais demandas por cursos e eventos presenciais em empresas, e questionando se vale mais a pena fazer isso ou ter alcance maior com nosso trabalho pela Internet. Como eu falei, é um período de muito trabalho de backstage que, na maioria das vezes, não é mostrado por aqui ou em qualquer rede social, não porque não achamos que não deve ser mostrado, mas porque estamos nos curtindo nesse momento offline.

Eu estou há alguns dias sem olhar stories, sem olhar YouTube, Facebook, e sentindo uma paz interior imensa. Eu gosto de fazer isso porque me distancio da loucura, da pressa, do volume de coisas que todo mundo posta.

Ficar offline não significa excluir a Internet da vida, mas ressignificá-la. Existem momentos e momentos, e se tem uma coisa que aprendi e faço questão de ensinar com o meu trabalho, é que ritmos devem ser respeitados.

Categoria(s) do post: Empreendedorismo, Liderança, Equipes

Estou fazendo uma série este mês no blog comentando sobre aprendizados recentes e contínuos em áreas diversas da minha vida.

No post de hoje, quero escrever um pouco como tem sido o meu aprendizado nesse modelo de gestão de empresas chamado holocracia.

Holocracia é, então, um modelo de gestão de empresas que não é baseado em hierarquias, mas em “células” que se relacionam. Há alguns anos se tornou um modelo famoso por ser um sistema de gestão “sem chefes”, o que é uma chamada sensacionalista que explica um pouco do que se trata mas também peca na falta de detalhes. Não é que não existem chefes. É que cada célula, cara área da empresa, tem seus papéis e responsabilidades, e a pessoa responsável por aquela área tem alguns “domínios” em que pode ter total autonomia.

Mas o meu post é sobre o meu aprendizado desse modelo! Como uma pessoa pode aprender sobre holocracia?

Existe um site oficial, um canal no YouTube, e você pode ver uma palestra introdutória ou participar de um webinar gratuito ao vivo, que acontece mensalmente.

Além disso, existe um livro (“Holacracy”, Brian J. Robertson) e uma constituição (um conjunto de regras), que deve ser estudada por quem deseja implementar o modelo em sua empresa.

Existe um treinamento de uma semana que você pode fazer para aprender definitivamente como implementar, além de outros formatos de aprendizado (todos disponíveis para consulta no site citado anteriormente).

Eu já fiz todas essas coisas, com exceção do treinamento presencial, que pretendo fazer quando a ideia estiver mais consolidada e eu puder investir nisso. Eles fariam um curso em São Paulo, mas foi cancelado por falta de quórum.

Eu já li o livro mais de três vezes e, no momento, estou estudando a constituição, a fim de implementar na nossa empresa – o que sei que é uma jornada de três a cinco anos. Eu preciso saber bem as coisas, a equipe precisa saber bem as coisas, e isso leva tempo de formação e treinamento mesmo.

A holocracia é um modelo de gestão que me atrai porque o próprio David Allen (autor do método GTD™) diz que holocracia é como se fosse “GTD™ para empresas”. Muito do que a holocracia propõe está relacionado ao modelo do GTD™, especialmente no que diz respeito a estabelecer papéis e responsabilidades e a sempre focar na definição da próxima ação. A relação é tão íntima que o David escreveu o prefácio do livro e frequentemente participa dos seminários de formação, que também acontecem em Amsterdam (onde o David mora).

Em um mundo tão fluido e em que as relações são tão volúveis, onde as pessoas criam start-ups, vendem, contratam e demitem pessoas com tamanha facilidade, o modelo da holocracia vem caindo como uma luva. Não se trata de pensar em hierarquias, mas em responsabilidades, tendo a empresa como um todo.

Gosto de verdade desse modelo de gestão e acredito que seja um caminho natural para a maioria das empresas (grandes e pequenas), mas que leva tempo (décadas). Bem, quem quer mudar o mercado deve começar por algum lugar.

Categoria(s) do post: Curtindo a casa

Quem trabalha em casa já deve ter ouvido a famosa sugestão: procure separar o trabalho do ambiente doméstico, pois senão você pode passar o dia alternando entre atividades domésticas e atividades profissionais.

Eu já li essa recomendação diversas vezes, e hoje minha interpretação dela é respaldada em uma experiência de mais de cinco anos trabalhando em home-office.

Acho importante sim você ter um espaço da casa dedicado ao seu trabalho, onde você possa deixar sua mesa, sua caixa de entrada, seus documentos e outros artefatos dedicados aos momentos em que você estará trabalhando.

Porém, considero “trabalho” tudo aquilo que empreendemos algum esforço para alcançar determinado resultado. E as atividades domésticas podem ser tanto trabalho quanto as atividades profissionais.

Vejo que uma das principais vantagens de trabalhar em casa é justamente ter mais qualidade de vida e misturar um pouco as coisas, trazendo equilíbrio. Particularmente, eu adoro trabalhar um tempo, parar um pouquinho e fazer algumas atividades domésticas, especialmente manuais, porque isso me ajuda a espairecer e a descansar a mente.

Uma das “técnicas” que eu utilizo é nunca sair de um cômodo da casa sem deixá-lo um pouquinho melhor do que ele estava antes, e faço isso ao longo de um dia de trabalho em casa. Explico.

Suponhamos que, em um dos intervalos, pela manhã, eu vá até a cozinha preparar um café com leite. Enquanto a cafeteira trabalha, eu aproveito para lavar a louça, dar uma geral na pia e na mesa (não temos bancadas, senão passaria um pano também) e até varrer o chão. Tudo isso em poucos minutos e, quando saio com a minha caneca em mãos para voltar para o escritório, a cozinha está melhor do que quando eu entrei no recinto.

Outro exemplo clássico é o do banheiro. Quando paro um tempo no trabalho para ir ao banheiro, aproveito para dar uma geral na cuba da pia, na bancada, arrumo as toalhas, troco a lixeira. Tudo isso leva cerca de segundas mas já faz muita diferença no ambiente.

Outro truque que ajuda muito é a “dança dos cômodos”. Ao sair de um cômodo, eu sempre dou uma olhadinha para ver se posso levar comigo algo que não seja daquele ambiente. Um copo, alguma peça de roupa, um livro. Se sim, levo comigo e deixo no cômodo correspondente, sem precisar arrumar nada naquele momento (quando eu voltar lá, faço isso). Como moro em um sobrado, isso é especialmente útil para evitar o sobe e desce das escadas (apesar de esse ser um excelente exercício).

Enfim, ter essas duas táticas em mente me ajuda a conciliar relativamente bem as atividades domésticas com as atividades profissionais mesmo estando em casa, e isso não me sobrecarrega de maneira alguma. Pelo contrário, sabe? Sinto que equilibrar os diferentes tipos de atividades faz um bem enorme para o meu estado mental que, como já sabemos, é tudo.

Muitas pessoas me perguntam sobre como concilio as atividades domésticas e as atividades profissionais, então este post é um dos exemplos de como eu faço. Espero que ajude.

Categoria(s) do post: Novidades

Sei que esta semana estamos falando bastante sobre GTD™ aqui no blog, mas existem alguns assuntos que precisam ser publicados. <3

Há algum tempo eu escrevi aqui no blog sobre a possibilidade de levar o GTD™ oficialmente para Portugal.

Vou explicar rapidamente como funciona: o método GTD™, que é uma propriedade intelectual, não pode ser ensinado por qualquer pessoa. Existem regras rigorosas de direitos autorais. Como era impossível que o David Allen (autor do método) estivesse em todos os lugares do mundo garantindo que o GTD™ estivesse sendo ensinado com integridade, ele criou o modelo de franquias. A regra então é que cada país tenha a sua franquia e cada franquia tem o direito de exclusividade do uso da marca naquele país e também fique responsável pelo ensino do método, ver quem está vendendo serviços usando a marca sem autorização etc.

Aqui no Brasil, a franquia é a Call Daniel. Eu trabalho como consultora deles. Sou a única Master Trainer brasileira, em um acordo feito com o Daniel (ele bancou as minhas certificações e, em troca, eu trabalho para ele). Isso significa que apenas a Call Daniel pode ensinar sobre GTD™, realizar cursos (gratuitos ou pagos), prestar serviços relacionados, e eu apenas posso realizar tais cursos pois tenho esse vínculo com a franquia.

Em alguns países, ainda não existe a franquia, pois para abrir a franquia é todo um processo e, como todo processo, leva tempo. Também tem o investimento financeiro (a franquia deve pagar uma taxa inicial em milhares de dólares para o uso da marca e, depois, anualmente).

É o caso de Portugal. Por volta de 2016 eu comecei a sondar a possibilidade de abrir a franquia lá. Porém, para abrir a franquia, é necessário cumprir alguns requisitos (empresa aberta, estabelecida etc). Eu tenho todos os requisitos profissionais necessários, mas não tenho o principal, que é pessoal: morar lá. Chegamos a considerar a possibilidade de mudança (especialmente depois do cenário político no Brasil nos últimos anos), mas concordamos em família que não era o que a gente queria neste momento. Além do que, não bastava morar lá, e sim já estar morando há pelo menos dois anos e ter a empresa aberta e estabelecida nesse tempo também.

Durante os últimos dois anos, estávamos negociando a possibilidade de gerir a franquia à distância – eu estabelecer uma equipe em Portugal e viajar para lá de tempos em tempos, mas a empresa que gerencia todas as franquias já passou por essa experiência antes em outros países e, para não ter problemas, eles preferem não fazer mais dessa forma. Foram meses e anos de conversas e negociações até chegarmos a essa decisão final.

Hoje já existe uma empresa em processo de abertura da franquia, que provavelmente deverá ser anunciada nos próximos meses.

O fato é que, enquanto não há franquia, nós aqui do Brasil podemos fazer cursos em Portugal, pela facilidade com o idioma. Por isso, no final deste mês chegarei em terras portuguesas para a realização de um curso de GTD™. O que me motivou foi o fato de ter muitos leitores portugueses que me acompanham e que gostariam de fazer o curso comigo. Essa será uma oportunidade única então, pois após a abertura da franquia os cursos serão ministrados por outras pessoas.

Caso você tenha interesse em fazer esse curso (que acontecerá no dia 2 de março, um sábado, em Lisboa), entre em contato com a Silvia (silvia@vidaorganizada.com), que trabalha comigo e está gerenciando as inscrições. Como você pode imaginar, as vagas são limitadas e, portanto, acabarão muito rapidamente.

Vou aproveitar também a minha estada em Portugal para trocar ideias com a empresa que abrirá a franquia e ver como, de alguma maneira, posso ajudar. No mais, pretendo descansar, aproveitar a viagem, comer bem, visitar a casa do Fernando Pessoa e outros passeios que são importantes para mim. Por favor, deixe indicações de passeios e experiências nos comentários se você as tiver!

Também pretendo abrir a minha agenda para atendimento de consultoria de organização, caso você tenha interesse. Entre em contato com a Silvia também porque estamos conversando com algumas pessoas interessadas, e vai depender muito da disponibilidade de agenda, claro.

Estou muito feliz e me sentindo muito adulta por fazer esse tipo de investimento de tempo, dinheiro e energia neste momento. Tenho um compromisso de vida com o legado do David e a disseminação do método GTD™ em português, e fico feliz por conseguir proporcionar essa oportunidade para quem mora em Portugal e espera há tempos por esse curso.

Vejo você lá? 😉

Categoria(s) do post: Áreas da Vida

Estou muito motivada no momento a estudar os fundamentos do GTD™ de modo que eles se tornem o básico bem feito e sempre a ser aprimorado.

Na página 330 do livro do GTD™ (A arte de fazer acontecer), o David diz o que são os fundamentos bem estabelecidos:

Eu estou então revisando as minhas listas de próximas ações, que são as listas que costumamos organizar por “contexto”. Sigo os contextos básicos que ele indica no livro, personalizando para o meu caso.

Vale dizer que não se trata de ter então UMA lista de próximas ações e sim VÁRIAS listas, descritas abaixo.

* * *

Telefonemas. Eu não tenho necessariamente muitos telefonemas para fazer, mas personalizo esse contexto como Ligações / iPhone – ou seja, não apenas telefonemas, mas próximas ações que posso fazer quando estiver com meu celular em mãos. Isso inclui me cadastrar em determinado podcast que me indicaram e enviar mensagens para algumas pessoas (lembrando que são ações que levam mais de 2 minutos, senão nem estariam nessa lista, e sim são ações a serem feitas no momento que eu as identifiquei como próximas ações).

Essa lista de telefonemas ou ações que podem ser feitas ao telefone são muito úteis para intervalos como quando estou esperando para entrar no avião, estou avulsa esperando meu marido terminar de se trocar para a gente sair, esperando meu filho sair da escola, em trânsito no Uber, na fila do banco e outras situações do tipo em que normalmente pegamos o celular na mão. Em vez de ficar navegando no Facebook sem um foco específico, eu abro essa lista e adianto algumas coisas. Particularmente acho bem útil.

Claro que tem vezes que eu prefiro simplesmente não fazer nada e navegar no Facebook, jogar Candy Crush ou outras coisas desse tipo, mas toda vez que quiser aproveitar o tempo de outra maneira, essa lista me ajuda a sentir que essas janelas de tempo podem ser aproveitadas de uma maneira mais útil, que fará alguns projetos avançarem.

Eu também tenho uma listinha de ações recorrentes para fazer com o celular em mãos em que insiro tudo o que posso fazer no celular “quando não tiver o que fazer com ele”. Inclui coisas como organizar as fotos, os contatos, ler horóscopo, ver a situação do meu time nos campeonatos (no app), ouvir podcasts que estou inscrita, responder mensagens no Insta e outras que já faço automaticamente, mas é legal ter listado em algum lugar.

Computador. Acho que a lista de próximas ações a serem feitas no computador é sempre a maior lista de todas, porque praticamente 90% do que temos que fazer (especialmente no trabalho) pode ser feita quando a gente está no computador. Eu já tentei separar as listas (criando sub-contextos como “computador online”, “computador concentrada”), mas o que tenho feito atualmente é usar corretamente os verbos das ações, pois pelos próprios verbos eu consigo visualizar que outras condições preciso ter ao computador para executar aquela ação. Exemplo: “E-mail para a pessoa X” ou “Revisar tal texto”. Só de ver o verbo já dá pra saber se preciso estar concentrada ou com o e-mail aberto, por exemplo.

Tenho tentado cada vez mais me sentir mindfullness com os contextos e escolher onde prefiro estar para executar determinado tipo de ações. Tem coisas que eu poderia fazer pelo celular, mas prefiro estar sentada em frente a um computador, porque me sinto mais concentrada. Assim como existem ações que prefiro imprimir o negócio e revisar sentada no sofá do que me forçar a ler na tela do computador. Isso é entendimento do próprio trabalho. Não é o GTD™ que ensina isso, mas a nossa experiência do que funciona melhor para cada um. O GTD™ te fala: então agora coloca nesta lista aqui.

Quero falar mais um pouquinho sobre o lance de verbos e contextos porque acho que isso foi uma ótima mudança de mindset por aqui. Vou explicar.

Eu costumava ter contextos como:

computador-online
computador-offline (para avião)
computador-deep work
computador-escrevendo
computador-emails

São alguns exemplos de contextos que já usei, nem sempre todos simultaneamente, mas que já testei em algum momento. Considero todos úteis, de verdade, mas são muitos listas para olhar. Quanto mais eu estudo GTD™, mais eu volto ao que ele (David) recomenda originalmente. O contexto é computador – pronto. Dentro desse contexto computador, podem existir outras condições – ações que posso fazer mais rapidinho, sem tanta concentração, enquanto existem outras que são puro deep work. Em vez de criar diferentes listas, tenho pensado melhor nos verbos. É apenas isso mesmo, mas fez bastante diferença para mim.

Alguns verbos que costumo usar na minha lista de próximas ações a serem feitas no computador:

  • Imprimir
  • Baixar (fazer download)
  • Subir (fazer upload)
  • E-mail (enviar)
  • Organizar
  • Pesquisar (na web)
  • Publicar
  • Revisar
  • Acessar / checar

Ficar ligada no uso dos verbos me ajuda até a identificar quando algo é próxima ação ou projeto. Outro dia mesmo me deparei com uma ação que era algo como “finalizar pendências no cadastro X”. Na verdade era “digitalizar documento para cadastro na empresa X” e o “finalizar cadastro” na verdade fazia parte de um projeto. As revisões me permitem ficar ligada nesse tipo de clareza cada vez maior.

Rua. Eu acho que esse é o contexto que eu mais uso no meu cotidiano. Nessa lista, agrupo tudo aquilo que tenho que fazer quando não estiver nem em casa nem no escritório – ou seja, circulando. Inclui coisas como “tirar dinheiro no caixa eletrônico”, “comprar leite no mercado” ou “tirar dúvida na secretaria da faculdade”. São lembretes para quando você estiver para lá e para cá, andando, de carro, de transporte público, de carona, enfim.

Da mesma maneira que uso os verbos na lista de coisas a fazer no computador para delimitar ainda mais o contexto, aqui eu gosto de criar sub-listas (checklists) com lugares que eu vou frequentemente (mercado, farmácia, escritório da Call Daniel, diferentes bairros, Leroy Merlin, faculdade). Dentro da lista, insiro os tópicos das coisas que preciso fazer quando estiver lá.

Na prática, funciona assim: vejo que vou sair (para almoçar, para ir para outro lugar), eu abro essa lista e reviso para ver se consigo adiantar alguma coisa, passar em algum lugar e resolver algo etc. Algumas vezes não dá, mas na maioria das vezes sim, e isso me permite encaixar pequenas ações ao longo de um dia, aproveitar deslocamentos e, por fim, andar com coisas que eu “não teria tempo” de fazer caso tivesse que escolher um dia para fazer especificamente aquilo.

Escritório. Se você não trabalha em casa, e sim em um escritório fora, pode ser útil ter uma lista como essa para tudo o que precisa fazer estando fisicamente no escritório. Se você tem coisas a fazer que não precisa estar fisicamente no escritório, então essas ações devem estar em outras listas como “computador” ou “qualquer lugar”. Veja a utilidade da lista para você, sempre.

O que eu coloco em “escritório” significa tudo aquilo que preciso fazer, no escritório fora ou no meu home-office, que depende de eu estar fisicamente nesses locais. Veja que, mesmo estando em casa, se eu estiver no meu home-office isso caracteriza uma situação de trabalho. Provavelmente estarei concentrada ou mexendo em coisas ali dentro (pastas, livros, papéis). Tudo isso é trabalho simplesmente, e eu separo da outra categoria de coisas para fazer em casa, como vou mostrar a seguir.

Já tentei ter uma lista “escritório” e outra “home-office” mas realmente senti que não havia necessidade de separar. Mas isso é para mim. Para você pode funcionar ter duas. A maioria das ações pode ser feita “em qualquer lugar” ou “no computador”, então essa lista do escritório não fica tão extensa para me permitir avaliar no dia a dia.

Assim como nos outros contextos, também me ajuda ter checklists de ações recorrentes nessa lista do contexto (que é onde eu tenho que estar para revisar tais listas). Na lista do escritório, tenho a minha rotina diária de trabalho, coisas que gosto de fazer em cada dia da semana e coisas que posso fazer quando “estiver sem nada para fazer” (checar o toner da impressora, limpar a cafeteira, passar espanador nos livros e outras do tipo).

Casa. Próximas ações que você só pode fazer quando estiver em casa (pessoal ou profissional). De “medir janelas para comprar cortinas” a “revisar relatório mensal para a reunião de segunda-feira” (caso você prefira fazer isso na sua casa em vez de ser interrompido a cada 5 minutos estando no escritório).

Claro que muito do que entra nessa lista vai depender da relação saudável ou não que você tem com o seu trabalho profissional, além da configuração de trabalhar em casa ou fora.

Nessa lista também entram próximas ações relacionadas a atividades domésticas como “limpar a parte de dentro da geladeira”, “fazer faxina no banheiro” ou “tirar o pó das prateleiras internas do armário da cozinha”.

Também insiro então checklists de atividades recorrentes, que me ajudam a buscar coisas a fazer quando estou em casa e acho que não tenho nada para fazer (rs). Vale sempre reforçar (porque sempre tem alguém que comenta) que não fico me obrigando a fazer coisas o tempo todo, viu? Ficar sem fazer nada é tão maravilhoso quanto fazer qualquer outra coisa. Mas quando eu quiser fazer algo, sei onde procurar, em vez de ficar tentando puxar da memória algo que seria importante ou legal de ser feito.

Garantir que as listas de próximas ações estejam claras, atualizadas e revisadas é um dos elementos que mais farão diferença no seu uso do GTD™.

Pretendo falar sobre os outros itens em posts futuros, ainda este mês. 😉

Categoria(s) do post: GTD™

Estou fazendo uma série este mês no blog comentando sobre aprendizados recentes e contínuos em áreas diversas da minha vida.

No post de hoje, vou escrever um pouco como se dá o meu aprendizado em torno de um método que eu uso há tanto tempo (quase 13 anos), que é o GTD™.

GTD™ é um método de produtividade, criado pelo norte-americano David Allen, com foco em alta performance, e tem um livro base chamado “A arte de fazer acontecer”. Você encontra dezenas de textos sobre o método aqui no blog, nesta mesma categoria, se tiver interesse em saber mais.

Pode ser que eu goste desse assunto.

E o meu foco neste texto de hoje é sobre falar como você desenvolve um aprendizado contínuo em algo que já estuda há tanto tempo. Eu me vejo falando sobre GTD™ como um professor de língua portuguesa há décadas fala sobre não o seu ofício, mas sobre seu objeto de estudo e ensino.

Como acontece com qualquer outra habilidade, não há limites para o seu aprendizado na metodologia. Não existe um ponto final que você aprendeu e pronto, acabou, é limitado. Você melhora à medida que vai melhorando mesmo, porque assim é a vida. E o método, por gerenciar os múltiplos aspectos da vida de cada um, muda conforme você vai mudando e desenvolvendo novos desafios.

Muito se discute sobre a validade do método GTD™ antes e hoje. E eu estou super de acordo com o David quando ele diz que, quando os seres humanos estiverem colonizando Marte, ainda assim eles terão ideias, projetos e informações para gerenciar. O GTD™ não trata do conteúdo em si das coisas, mas sim dos formatos, melhores técnicas de gerenciamento desse conteúdo mesmo – que é definido por você.

Alguém por favor dê essa notícia para o Elon Musk.

É preciso ter muita humildade para você estudar uma metodologia durante anos, ensinar sobre ela, e ainda assim entender que você ainda está aprendendo.

Ano passado, quando eu fiz o Nível 3 (o último curso do GTD™, lá na Holanda), eu aprendi que a grande chave de tudo mesmo está nos Fundamentos, ou seja, no curso do Nível 1! E isso mudou completamente a minha abordagem desse primeiro curso, porque conceitos que poderiam ser considerados básicos na verdade são todos os conceitos que você precisa saber para efetivamente colocar a metodologia em prática. Então meu foco tem sido em refinar esses conceitos.

Muitos alunos e colegas me perguntam se eu ainda estudo GTD™. Sim, e muito! O próprio David fala que seu verdadeiro trabalho começa quando você conquista a faixa-preta. Antes, era uma jornada até chegar lá, mas a coisa toda muda de nível uma vez que você se torne essa pessoa mais especialista.

Na prática, funciona assim: eu estudo diariamente. Todos os dias, faço de uma a duas horas de estudo da metodologia, dependendo, é claro, de outros compromissos. Mas, de modo geral, estudo assistindo aulas gravadas (em inglês, porque assim treino o idioma também), webinários, vídeos, podcasts, lendo textos e artigos relacionados, apostilas (lendo e traduzindo), escrevendo, e lendo os livros, por fim. Também considero estudo quando interajo com outras pessoas – lendo uma dúvida no grupo do Facebook, por exemplo, e pesquisando ou pensando sobre ela para responder.

Aqui entra um pouco também do que eu aprendi com o Cal Newport em seu livro “Deep Work” (aliás, ótimo livro para resenhar em outro momento por aqui): você, para ser especialista, precisa se aprofundar em alguma coisa. E não dá (obviamente) para se aprofundar em muitas coisas. Cada vez mais, a gente vai “nichando” o que pretende estudar e vai se aprofundando nesses temas de escolha. O profissional especialista do futuro, seu diferencial, será justamente ser “o cara” em determinado assunto, em um grau de conhecimento técnico tão avançado que “não tem pra ninguém”. Eu não me considero essa pessoa, mas busco sê-la, quando estudo GTD™, também na condição de saber que ninguém sabe tudo.

Imagem: Life Hack

Depois de mais de uma década estudando e usando o método GTD™, e me aprofundando com afinco há pelo menos cinco anos, eu posso dizer que me considero iniciante em vários aspectos. Um grande desafio para qualquer professor é perder de vista como era quando começou a aprender sobre aquele assunto, porque essa visão permitiria ajudar melhor quem é iniciante a aprender agora. Por isso eu mantenho numa boa a ideia do meu marido não usar GTD™ (rs). Durante muitos anos insisti, até perceber que 1) ele tem a maneira dele de fazer as coisas e 2) isso me permite estar sempre em contato com uma pessoa que não se organiza como eu, e isso me permite ter TUDO a aprender todos os dias, de maneira contínua.

Vale dizer também que, como professora da metodologia, não posso me dar ao luxo de parar de estudá-la. Faço isso não apenas por mim, por gostar do assunto, mas pelos alunos e outros instrutores que eu capacito.

Se você tiver alguma área de conhecimento que você ama e que você descobriu que, de alguma maneira, você manja muito, vale a pena se aprofundar nela, porque você nunca sabe quando a sua paixão vai virar algo principal na sua vida.

Ah, e eu fui chamada para ser palestrante no evento global do GTD™, e minha foto aparece ao lado do David Allen, praticamente. Eu não sou mais especial que ninguém por causa disso – sou apenas a prova viva de uma pessoa que encontrou um tema que gosta muito, se aprofundou nele e teve isso reconhecido profissionalmente. <3
Categoria(s) do post: Livros

Temos um novo livro do Flávio Augusto da Silva na praça, que eu já li e fiquei com vontade de trazer alguns comentários aqui no blog.

Imagem: CNN

Para quem não tem ideia de quem é o Flávio Augusto da Silva, segue descrição muito resumida: ele nasceu na periferia do RJ, abriu uma escola de inglês com o dinheiro do cheque especial quando era jovem e fundou a Wise Up, que mais tarde foi vendida em uma transição milionária para o Grupo Abril. Com esse dinheiro, o Flávio COMPROU um time de futebol nos Estados Unidos (Orlando City), construiu um estádio e elevou muito o valor do time no mercado. Aí ele comprou de volta a Wise Up. Claro que isso levou mais de uma década, mas essa trajetória pôde ser acompanhada em grande parte depois que ele começou a compartilhar as suas sacadas de empreendedorismo nas redes sociais. Eu o conheci em 2013.

Ele ficou conhecido no Brasil por publicar conteúdos voltados ao empreendedorismo, especialmente sob a alcunha de seu movimento denominado “Geração de Valor”, que o impulsionou a publicar três livros com esse nome (em volumes 1, 2 e 3).

Nos últimos anos, o Flávio vem tendo uma postura política neoliberal (coerente) super radical (esquisita), e uma das principais críticas a ela tem sido justamente o fato de ele criticar sem dó quem quer ser concursado e CLT. Estou resumindo a polêmica também, porque algumas pessoas me perguntaram “qual é a polêmica” quando comentei no Instagram que eu estava lendo o novo livro dele.

Veja: eu sou empresária, acredito no empreendedorismo, mas acima de tudo acredito na felicidade e que cada pessoa deva escolher o melhor caminho para si, que muitas vezes é sim trabalhando para outras pessoas ou sendo concursada. Isso é erroneamente confundido com “zona de conforto” ou sinônimo de quem não tem iniciativa, e eu discordo. Só quem conhece alguém que tenha escalado a jornada corporativa, dando o sangue pela empresa, ou conheça alguém que tenha estudado anos, dedicado a um concurso público difícil, sabe como essas jornadas demandam tanto empenho quanto outras. Acho injusto diminuir quem opta por esses caminhos.

Independente da visão política do Flávio, eu acredito que ele tenha sim muito a contribuir e a ajudar as pessoas que buscam ser empreendedoras e a traçar esse caminho em um país tão complicado política e economicamente como o Brasil. Além disso, serei eternamente grata pelo gás que o primeiro livro dele me deu quando eu resolvi efetivamente pedir demissão e empreender. Vejo valor sim no que ele publica, independente de todo o resto. Basta ter visão crítica sobre as coisas.

Fazendo essa necessária introdução, vamos ao livro.

Imagem: Divulgação BUZZ Editora

Lançado este ano pela Editora Buzz, “Ponto de Inflexão” traz um relato objetivo e sincero dos pontos na vida do Flávio em que ele precisou tomar decisões importantes que decidiram cenários importantes na sua vida. O livro é sobre isso: sobre como alguns momentos decisórios podem impactar tudo o que vem depois, dependendo do que a gente decidir.

Sinopse original: “Pule ou cale-se para sempre. “Vou dispensar o aprofundamento nas equações que geram um Ponto de Inflexão, mas vou apenas me apropriar deste conceito para descrever momentos de nossa vida em que nossas decisões vão determinar para que direção seguiremos e que bônus ou ônus assumiremos. Em outras palavras, tomamos milhares de decisões diariamente. Porém, algumas delas não são decisões corriqueiras. São decisões especiais. Decisões que têm o poder de mudar o rumo do roteiro de nossa vida. A elas eu dou o nome de Ponto de Inflexão. É um conceito da matemática, mas que usaremos para ilustrar perfeitamente os momentos de nossa vida que podem tomar direções opostas a depender de nossas escolhas.””

Eu gostei do livro. Seus outros livros (os GVs 1, 2 e 3) trazem trechos que ele já tinha publicado nas redes sociais – textos mais curtinhos, dicas e depoimentos rápidos. Este é um livro que, como ele mesmo disse, ele mesmo escreveu em um mês, e traz realmente um relato sem delongas dos chamados pontos de inflexão da sua vida como empresário.

Tirando alguns trechos em que acho que a emoção falou mais alto (no prólogo), achei que é um ótimo livro para empreendedores e pessoas que buscam alta performance profissional de maneira geral – lembrando de ler com aquela visão crítica que comentei, se você for CLT ou concursado. Acho que ele pega pesado em alguns momentos (especialmente quando conta por que desistiu da carreira corporativa), mas de modo geral, com essas ressalvas que só você mesmo(a) pode fazer durante a leitura, é um bom livro.

Independente de qualquer tipo de crítica que todos nós podemos fazer com relação ao que ele fala sobre política e direitos trabalhistas, não podemos ignorar a trajetória bacana que ele teve, especialmente valorizando a presença da esposa como ponto crítico de sucesso em tudo o que ele fez.

Título: Ponto de inflexão
Autor: Flávio Augusto da Silva
Ano: 2019
Editora: BUZZ
208 páginas
Clique aqui para comprar na página da Amazon

Categoria(s) do post: Áreas da Vida

Pretendo fazer uma série este mês no blog comentando sobre aprendizados recentes e contínuos em áreas diversas da minha vida. Estou com um pouco de dificuldades para atualizar o blog depois de uma atualização no sistema (que deixa a interface terrivelmente não intuitiva e difícil de atualizar com textos), mas prometo que farei meu melhor para postar todos este mês.

Hoje eu gostaria de contar um pouco sobre os meus aprendizados relacionados à escrita acadêmica.

Eu comecei o meu mestrado há pouco mais de um ano e foi quando eu me deparei com essa habilidade que me tirava da zona de conforto. Veja bem: eu gosto de escrever e considero que faça isso de uma maneira relativamente competente. Mas a escrita acadêmica é totalmente outra coisa. É uma escrita baseada em referências. É como uma receita culinária: você precisa conhecer intimamente cada ingrediente e coordená-los de uma maneira que não apenas combinem entre si, mas mostrem o seu talento pessoal na cozinha e, juntos, criem sabores novos e uma experiência prazerosa para quem estiver degustando.

“Aqui você acrescenta 5 páginas de Bourdieu com uma pitada de Foucault”

Quando eu comecei o mestrado, ter que escrever dessa maneira me travava muito. Eu simplesmente não conseguia escrever. Foi quando eu “tirei da cartola” os meus conhecimentos sobre produtividade como um todo – ou seja, eu trouxe uma situação que estava fora da minha zona de conforto para um formato dentro da minha zona de conforto – e consegui “destravar”.

Ao escrever um artigo, ou até mesmo a minha dissertação (em curso), eu começo pelo propósito. Por que esse artigo é importante? Por que eu quero escrevê-lo? Por que ele seria relevante para a nossa área de atuação?

Depois, o que ele quer apresentar? Qual o resultado desejado? Sim, pode parecer esquisito, mas eu já tentava ter em mente mais ou menos a conclusão (mesmo que ela mude, depois, em alguns detalhes). Isso me ajudava muito a estabelecer um cenário de chegada. A visualizar o meu artigo pronto. A não “viajar” demais, tentando abraçar muitos assuntos.

Neste início de ano, eu tive que escrever TRÊS artigos um pouco a toque de caixa. Não que eu tenha deixado para a última hora. Eu comecei a idealizar esses artigos no início do semestre passado, ao escolher as disciplinas que eu cursaria. Analisei o plano de ensino de cada uma delas, os tópicos que seriam abordados, as bibliografias, e naquele momento já escolhi o propósito de cada artigo. Pode parecer um pouco maluco, mas fez muito sentido para mim. Consegui escrever – e, o mais importante, finalizar – os três artigos de maneira relativamente tranquila, e me senti muito produtiva ao fazer isso.

Como eu fiz?

Ao longo do semestre, fui mantendo fichamentos e leituras cada vez mais focadas. Dava menos atenção (confesso) aos artigos e leituras que não comporiam os meus artigos. Eu lia o que precisava ler para cada aula, mas dava muito mais atenção aos temas que eu estava trabalhando.

Além disso, eu aproveitei muito os meus conhecimentos e fichamentos anteriores. O conhecimento é algo que se acumula. Você não cria ideias e conceitos do nada – vejo como uma construção. Os artigos são como diários – registros da sua evolução dentro da vida acadêmica. Eles registram como a sua mente estava pensando naquela época. É por isso que praticamente todo mundo que escreve (do seu papel de pesquisador) lê um artigo que escreveu há um ano e já imagina mil coisas que poderiam ter sido feitas de maneira diferente.

Isso me ajudou a ver com um pouco mais de calma e compassividade o meu próprio processo. Meu artigo seria diferente de um artigo escrito pelo meu professor orientador, que tem pós-doutorado e uma experiência acadêmica muito maior que a minha, se ele tivesse escrito sobre o mesmo assunto. E, de maneira geral, a referência que a gente tem quando está fazendo mestrado são os textos lidos para as disciplinas e os professores que nos ensinam, o que coloca os parâmetros para a produção muito lá em cima. Não estou dizendo para você pegar artigos ruins e se basear neles, mas aceitar em que ponto do tempo e do espaço você está. E não se cobrar tanto. Você não vai escrever com o mesmo nível de repertório e de competência da pessoa que tem pós-doutorado e 35 anos de pesquisa, e está tudo bem.

E aí eu tenho a minha premissa pessoal, que é me testar a estar cada dia que passa 1% melhor do que eu estava ontem para cada um dos papéis que desempenho na minha vida. Não é uma cobrança, mas apenas um direcionamento. Ao escrever um artigo, eu não quero que ele seja perfeito – eu quero que ele esteja finalizado (essa premissa é fundamental). Depois de finalizado, vou revisá-lo para que ele fique, pelo menos, 1% melhor que o artigo anterior. Tudo bem se não ficar perfeito (e dificilmente ficará). Para mim, artigo bom é artigo terminado.

Quero levantar mais uma vez a importância dos fichamentos. Eu não tenho feito fichamentos da maneira convencional. Faço grifos e anotações nos livros, e procuro, sempre que consigo, listar em um post-it que fica dentro do próprio livro uma espécie de índice de assuntos de interesse com foco exclusivo na minha dissertação, nesse momento.

Penso que os grifos nos livros sejam, mais uma vez, apenas um registro do que é importante para mim naquele momento da leitura. Eles não servem como referência para releituras futuras – no sentido de ler apenas o que destaquei, para agilizar. Eles registram o que, para mim, era importante na época que eu li. Neste momento específico, considero os grifos importantes para a minha pesquisa atual, cujo objetivo final é submeter a dissertação. Depois da dissertação, eu vou focar em outras pesquisas e assuntos de interesse, e esses grifos terão a importância de um registro histórico, mas não descartam novas leituras completas de cada livro, pois a minha cabeça apreenderá aspectos diferentes e que considerará importantes.

Haja livro. Haja leitura. Durante o mestrado, tenho lido muito mas finalizado poucos livros. Isso porque notei que é necessário ter uma postura mais pragmática durante o pouco tempo de curso do mestrado, com foco na dissertação. Não vai dar pra ler tudo de todos.

Depois de definir o propósito e visualizar o meu artigo pronto, aí sim eu começo a fazer um brainstorm de temas. O que poderia entrar? Quais as referências que já tenho? Vou precisar ler algo novo? Porque trabalhar com pesquisa tem disso o tempo inteiro – você lê um cara, que te dá dezenas de outras referências, e você quer ler todas. Precisa dar uma segurada na onda para não perder o foco.

Vou dar um exemplo prático do que aconteceu comigo no mês passado para exemplificar essa construção que estou descrevendo.

Eu me propus a escrever um artigo baseado em alguns conceitos do Foucault. Se você não conhece, Foucault é uma das maiores referências acadêmicas, mas também conhecido por ser uma leitura complexa. Tem gente que passa a vida estudando as aulas desse cara (ele não escreveu livros – os livros que existem sobre ele são transcrições de suas aulas feitas por alunos dedicados) e ainda assim se diz amador no que se trata de entender a sua mente. Eu tive um primeiro contato com essa fama e isso se mostrou um desafio quando eu iniciei o mestrado (já tinha lido Foucault antes mas não tinha essa noção da dimensão dele na vida acadêmica do pesquisador de Humanas). Naquele momento, lá atrás, eu coloquei na cabeça que seria um desafio prazeroso escrever um artigo com base em alguns conceitos dele. Não coloquei nenhum tipo de meta formal no meu sistema, mas eu me sentia desafiada intimamente a fazer isso. Em uma das disciplinas desse último semestre, nós estudamos um livro importante do Foucault, e isso me deu a ideia de escrever o artigo sobre ele.

Eis o ponto que quero trazer: eu me considero super conhecedora dos conceitos do Foucault para escrever um artigo assim? Não. Então como eu poderia escrever algo, com respeito ao que ele ensina, com respeito a todos os especialistas no cara, e também com respeito ao meu próprio estágio iniciante como pesquisadora? Foi com esse princípio em mente que me propus a escrever esse artigo. E consegui finalizá-lo.

E tá tudo bem.

Eu penso que, uma vez que você abrace esse papel como pesquisador(a) na área acadêmica, várias chavinhas começam a virar na sua cabeça. A primeira delas, para mim, é a perspectiva de longo prazo. Isso me tira a cobrança completamente não factível de que eu tenho que ser “foda” como mestranda. Este é o momento de aprender a pesquisar. Tenho a vida toda para desenvolver essa habilidade, mas este é o momento realmente de aprender, tirar dúvidas, acompanhar de perto outras pessoas em níveis mais avançados que você.

A perspectiva de longo prazo também me ajuda a me envolver melhor com a construção. Existem temas que eu gosto. Existem temas que eu quero me tornar especialista e referência. São coisas diferentes, que receberão tratamentos diferentes, em termos de prioridade. Ao mesmo tempo, sei que os temas acabam se convergindo. Eu me interesso muito por música, por exemplo. Esse interesse pode ter nada a ver com o que estou pesquisando no momento, mas esse referencial foi importante quando escrevi um artigo sobre alta performance e produtividade, onde associei os profissionais a astros do rock, a performance no palco etc. Me deu repertório para fazer analogias bem-humoradas e criativas.

Esse período de um ano no mestrado me ensinou muito sobre o meu trabalho e sobre mim mesma. Aprendi que existem alguns temas que gosto mais do que outros, e que pretendo desenvolver muitas ideias em torno deles, sem a sensação de pressa e urgência, nos próximos anos e, quem sabe, décadas.

Tem uma outra coisa também importante quando se trata da escrita acadêmica, que é a noção de timing. Se eu quero ser referência em determinado assunto, e vai acontecer um evento com foco Y em maio, o que eu acho relevante de apresentar, levando em conta o mercado e o que já foi publicado sobre isso, que chamará a atenção para o meu artigo, me desafiará como pesquisadora e trará relevância para o mercado?

Gostaria de ressaltar a importância de você ter ao seu lado um professor orientador competente. Eu acho que coloquei os parâmetros lá em cima para o meu futuro orientador do doutorado, porque escolhi o melhor professor para o meu mestrado. Ele me ajuda a ter foco, a desenvolver o olhar para a pesquisa, a entender quando algo é relevante ou só “viagem” mesmo. Além do que, a própria presença do seu orientador é enriquecedora. Acompanhá-lo de perto, ver como se organiza, como estuda, como publica, é um aprendizado à parte dentro dos aprendizados que se tem no mestrado. Eu considero verdadeiramente uma oportunidade única. Se você estiver no mestrado, aproveite isso.

Uma das coisas que o meu professor me ensinou foi sobre a priorização dos trabalhos. É importante sempre estar produzindo, mesmo com uma pesquisa de campo em curso, mas tomando cuidado para não se sobrecarregar. Ele me ajudou a entender como desenhar meus princípios para participar de um evento acadêmico ou não, o que compensa ou não, e no que devo focar nesse momento. Tudo isso é importante porque nosso tempo é finito, e ainda mais limitado quando você concilia o mestrado com outras atividades profissionais.

Outro ponto que considero importante citar neste post é que, para conseguir escrever, pode valer a pena esquecer um pouco as referências (calma, já explico) e permitir a sua escrita livre sobre o tema que você está desenvolvendo, porque é daí que podem vir outras ideias também. Deixar essa escrita livre (sem ficar conferindo referência) é importante até para você entender que tipo de referência vai buscar para a construção do texto. Eu funciono muito bem no modo de escrita livre – no sentido de fluxo. Me permito momentos de escrita assim nos meus artigos, o que até me ajuda a destravar em alguns momentos em que posso me sentir presa nas referências, além de descobrir e desenvolver melhor as ideias que me proponho dentro daquele propósito inicial. Com base nessa escrita livre, eu busco então as referências, leio livros que acredito serem úteis (ou outros artigos), e acabo editando trechos que realmente “sobraram”.

Ainda não escrevi o artigo perfeito. Como falei antes, nem busco isso (artigo bom é artigo escrito). Mas ter essa noção de que vou melhorando a cada artigo que escrevo me ajuda a ter um parâmetro: eu mesma. Em um mundo onde todos se comparam, acho isso de uma sensibilidade e permissividade pessoal imensas.

Categoria(s) do post: Novidades

Estamos encerrando as inscrições para o workshop de Planejamento de Vida que acontecerá aqui em São Paulo dia 23 de fevereiro (sábado). Se você tiver interesse, escreva para a Silvia (silvia@vidaorganizada.com), que gerencia as inscrições.

Veja abaixo mais informações:

WORKSHOP: PLANEJAMENTO DE VIDA

Sábado, 23 de fevereiro de 2019
10h às 17h

São Paulo – SP
Zona Sul
(local exato divulgado apenas aos inscritos no curso)

O propósito deste workshop é ensinar a minha técnica de planejamento de vida de curto, médio e longo prazo. Ele precisa ser presencial porque vai ter muita troca de experiências, olho no olho, atividade em papel e interação com um grupo menor e presente pessoalmente.

Você pode resumir este curso como se fosse um “auto-coaching” que você aprenderá a fazer. Eu misturei todo o meu conhecimento como coach de vida, juntei com o que conheço de técnicas de organização e planejamento, e criei este curso em um formato criativo.

A PROFESSORA

Thais Godinho é autora dos livros “Vida Organizada” (2014), “Casa Organizada” (2016) e “Trabalho Organizado” (2018). Coach de vida pela Sociedade Brasileira de Coaching, trabalha com organização pessoal e produtividade há mais de 12 anos.

PARA QUEM É

Para pessoas que tenham sensibilidade pela própria vida. Que não querem ver a vida passar. Que sentem a necessidade de criar esse tipo de planejamento mas não sabem como fazer. Que querem aprender a se conhecer melhor e a trazer isso para as atividades da sua vida, de modo a viver com mais coerência. <3

O QUE VOCÊ VAI APRENDER

Módulo #1
Quem é você. Valores, propósito, missão pessoal, inspiração, experiências anteriores.

Módulo #2
Como é a vida. As eras da vida do ser humano. A era em que você está. Desenho da sua linha do tempo pessoal. Planejamento do ano, do trimestre, do mês, da semana e do dia.

Módulo #3
O mapa da sua vida hoje. As diversas áreas da sua vida e as suas responsabilidades em cada uma delas. Como desenhar o que você quer. Como alcançar o equilíbrio. Como ir além do que você já conquistou até aqui.

Módulo #4
Pirâmide da realização. Como transformar sonhos em objetivos. Como trazer seus objetivos para o dia a dia para cada uma das áreas da sua vida.

Módulo #5
Ferramentas que podem te apoiar nesse planejamento por toda a sua vida.

O QUE ESTE CURSO NÃO É

  • Este não é um curso do método GTD, apesar de que, obviamente, tudo o que faço e ensino conversa diretamente com a metodologia, pois não vou ensinar algo que não complemente o que já é feito com o método do David Allen. Para aprender GTD exclusivamente, consulte a agenda de cursos no site.
  • Este não é um curso de organização, no sentido de organizar a agenda, organizar a rotina, organizar a casa. É um curso de planejamento que vai apoiar a organização de toda a sua vida. Ele complementa o que você aprende no curso de organização do Vida Organizada, mas você não precisa ter feito esse outro curso para participar – são independentes!

MATERIAL INCLUSO

Você não precisa levar absolutamente nada. Será fornecido todo o material necessário para a realização do curso: exercícios, pasta, canetas, lápis, post-its, enfim, venha preparada(o) para um dia muito agradável e criativo!

Você receberá também o livro “Vida Organizada” (Thais Godinho) como parte do seu material.

ALMOÇO E INTERVALO

O almoço não está incluso e fica por conta do participante. Será realizado um intervalo no período da tarde, com lanche incluso.

VALOR

R$997 à vista com desconto via transferência bancária ou
R$1.100 no boleto ou parcelado via PagSeguro

Contate silvia@vidaorganizada.com para se inscrever, 
solicitando a forma desejada de pagamento.

POLÍTICA DE CANCELAMENTO

Realizar um curso presencial demanda diversos custos e contratos de serviços que precisamos garantir com antecedência. Como trabalhamos com poucas vagas, cada inscrição garantida é muito importante para nós.

Caso você não possa participar e nos avise com até 30 dias de antecedência, isso permite que a gente aloque um novo participante em seu lugar, e por isso podemos efetuar 100% do valor pago.

Caso você cancele com até 15 dias de antecedência, você receberá 50% do valor do curso como reembolso, pois já teremos usado parte do valor da inscrição para custear as despesas do mesmo.

Caso você cancele de 14 a 1 dias de antecedência, você não tem direito à restituição do valor, mas pode mandar outra pessoa em seu lugar, para não perder o dinheiro.

DISPONIBILIDADE EM OUTRAS CIDADES

Por enquanto não temos planos para levar esse workshop para outras cidades, mas você pode entrar em contato manifestando seu interesse pois, se tivermos um número suficiente de interessados em um local, podemos organizar uma turma. Contate: silvia@vidaorganizada.com Obrigada!

Categoria(s) do post: Carreira, Social, Equilíbrio emocional

Pretendo fazer uma série este mês no blog comentando sobre aprendizados recentes e contínuos em áreas diversas da minha vida. Estou com um pouco de dificuldades para atualizar o blog depois de uma atualização no sistema (que deixa a interface terrivelmente não intuitiva e difícil de atualizar com textos), mas prometo que farei meu melhor para postar todos este mês.

Eu gostaria de começar falando sobre o aprendizado de liderança.

Esse assunto é importante porque tem tomado meu coração ultimamente, então me sinto transbordando de vontade de falar sobre isso aqui. Além desse motivo pessoal (afinal, ainda é um blog), eu penso que falar sobre liderança é necessário porque a maioria das pessoas que se colocam ou se vêem em posições de liderança jamais tiveram um treinamento específico para isso. Na maioria das vezes, eram boas executoras, boas especialistas, que agora foram promovidas a um cargo de gestão e precisam aprender a lidar melhor com pessoas. E essa é uma habilidade difícil demais, porque envolve, acima de tudo, auto-conhecimento e consciência das suas próprias limitações.

A conversa sobre liderança pode partir dos exemplos que já tivemos. Desde criança, temos contatos com líderes – que sejam os nossos pais. Professores, depois o primeiro chefe (no meu caso, foi uma mulher), além de todas as outras experiências que tivemos em vida, nem sempre apenas profissionais, que nos colocaram em contato, de certa maneira, com pessoas em condições de liderança.

Eu gosto de dizer que líder não é sinônimo de gestor. Uma pessoa pode ser gestora, gerir uma equipe, mas não ser líder. Assim como uma pessoa pode ser líder sem que necessariamente seja gestora.

O que me deu o grande clique da situação de liderança foi quando eu fiz o curso de GTD Nível 3 em setembro passado. Lá eu entendi (na verdade, percebi) que, após a morte da minha avó, eu me percebia como a figura de liderança na nossa família. A persona da matrona tinha aberto uma vaga. Era o momento de eu trazer para o palco todas aquelas sugestões de como eu achava que as coisas deveriam ser.

Essa percepção veio de compreender a responsabilidade que eu tinha como mãe, como esposa, como filha, como nora, como tia – de que pessoas dependiam de mim. Não dependência financeira, apenas, em certos sentidos, mas dependência emocional, de liberdade, de inspiração. Eu sou aquela pessoa da família que sofreu com tantas perdas ao longo da vida e que construiu uma empresa do nada com base naquilo que gosta de fazer. Eu considero isso um feito e tanto, e muitas vezes eu me esquecia de lembrar disso. Tenho buscado lembrar mais. Esse feito me coloca em uma posição de admiração na minha própria família. A questão é: o que eu faço com isso? Como aplico quem eu sou, de verdade, em todos esses papéis que eu desempenho? Como eu aplico isso como mãe do Paul? Como eu aplico isso no meu casamento? Como eu aplico isso na relação com a minha mãe, que na verdade teria uma relação de liderança inversa?

Ao mesmo tempo, no trabalho, essa percepção desencadeou uma série de definições, especialmente no que diz respeito às minhas responsabilidades. Em termos práticos, no cotidiano mesmo, o que é meu escopo e o que não é? O que pode ou deve ser delegado? O que apenas eu posso fazer? O que são as coisas que, se eu não fizer, deixarão um vácuo enorme no trabalho que fazemos como empresa?

Além disso, as pessoas que trabalham comigo precisam de um direcionamento, e esse direcionamento não vem de reuniões, mas de prática, comunicação, inspiração. Estou transbordando essa clareza para todos, ou é algo que está apenas dentro de mim? Porque sabe, quando você é autônomo, a empresa é você e você. Quando você tem uma empresa, e pessoas trabalhando diariamente ao seu lado, essa clareza de propósito precisa estar atenta para todos. E não se faz isso colocando um mural com a missão na parede ou reunindo as pessoas em um evento de um final de semana. A gente faz isso nas atitudes diárias, na maneira como se comunica ou toca os projetos.

Eu tenho muito a melhorar nesse aspecto, pois a melhora como líder requer que você melhore como ser humano. E ninguém quer mostrar falhas. Mas eu também já percebi que faz parte dessa liderança você mostrar as suas vulnerabilidades. Justamente por sermos humanos, temos defeitos e habilidades a serem melhoradas. Se você, como líder, identificar isso, você na verdade ensina uma outra habilidade fundamental para a sua equipe, que é a habilidade de se aceitar como você é, mas não aceitar comportamentos que sejam inaceitáveis de respeito com as outras pessoas, e se mostrar em trajetória de mudança.

No ano passado, eu fiz um trabalho de tutoria com o Daniel, da Call Daniel. O Daniel é uma das pessoas mais compassivas que eu conheço. Eu sempre fui uma pessoa mais nervosinha – até por isso eu procurei o budismo em algum momento da minha vida. Perdia a paciência com burrice e pessoas que não tinham iniciativa, que não buscavam soluções práticas. Sofri muito em todos os empregos que eu tive. Quando me tornei budista, aprendi que lidar com pessoas assim é o melhor laboratório que se pode ter, porque é muito fácil ser líder de pessoas que dizem amém a tudo o que você faz. O verdadeiro exercício de relacionamento é lidar com desafios interpessoais. É nesse processo que você entende também suas limitações, as limitações do outro, e até onde pode ir (porque tem relacionamentos que você precisa simplesmente deixar ir embora, tanto profissionais quanto pessoais). Mas como reconhecê-los? Só com muita humildade, respeito e auto-conhecimento. Durante um ano, realizamos reuniões e definimos ações com foco no relacionamento profissional com os membros da equipe. Cresci muito, e foi o momento certo de fazer isso, visto que tenho esse papel de liderança que foi se desenvolvendo em outras frentes também.

Quando você tem uma empresa, como no meu caso, hoje, o aspecto de liderança é muito mais latente, pois absolutamente tudo – até os rumos da equipe – depende das suas decisões. Em paralelo, a sua presença inspira ou desanima as pessoas. Você precisa ter uma postura X o tempo todo. Do meu ponto de vista, essa postura não precisa ser perfeita, e sim apenas honesta. Tem dias que você não estará bem, e tudo bem. Mas é importante tentar manter o entusiasmo, não apenas pelo moral da equipe, mas pelo seu próprio mesmo.

Por isso que sempre digo aqui no blog: o mais importante de tudo é a mente. Porque a mente estando bem, todo o resto fica bem. O físico fica bem. O emocional fica bem. É a base de tudo. Cuide da sua mente.

Não queria terminar este texto sem falar sobre o impacto não apenas das ações, mas das palavras. Toda vez que você for lidar com alguém, conversar, pedir algo, perguntar, meça suas palavras. Veja como está falando. Engaje-se apropriadamente. Esteja presente. Que estado você quer causar na pessoa com quem você está se relacionando? Mais do que conseguir um resultado para você, trata-se da vibe universal do sentimento e da situação que você está gerando.

Para mim, liderança não tem a ver com status ou ego. Tem a ver com servir as pessoas. Eu lia isso em livros antes e me soava extremamente caricato e fake, mas hoje, vivenciando isso, falo do fundo do coração. Não é sobre você. É sempre sobre os outros. E então você molda a sua vida para servir melhor os outros. Isso vai mudar tudo dentro de você, no final das contas.