Categoria(s) do post: Diário da Thais

Apesar de eu estar inspirada e escrevendo textos maiores, outubro foi um mês que quis me resguardar e escrever MENOS. Trabalhar com Internet é complicado, e a cada “paulada” que você leva você tem menos vontade de continuar escrevendo e compartilhando. Estando há 13 anos fazendo isso, com este blog (tive outros antes, então já faz bastante tempo que trabalho com Internet), sei que a frustração passa e a vontade de compartilhar é mais forte e sempre volta. Mas também aprendi a respeitar os meus sentimentos, especialmente porque um blog é, acima de tudo, um registro pessoal do seu autor a respeito de um tema específico (que seja sua própria vida). Dar esse tempo de tempos em tempos é necessário, e tá tudo bem.

Meu mês começou com um curso de GTD Nível 2: Projetos & Prioridades logo no primeiro final de semana – dois dias intensos de curso, uma turma muito bacana, e a última do ano com este tema. Teremos uma de Nível 3 dia 9/11 e outra de Nível 1 dia 14/12. Reduzirei bastante minhas turmas de GTD ano que vem para focar em outras atividades, então não tenho ainda previsão de novas turmas. Se quiser fazer alguma, aproveite as deste ano. 😉 (contate atendimentoGTD@gmail.com para saber mais informações)

No final de semana seguinte foi Dia das Crianças e nós decidimos comemorar na praia. Meu marido teve um show cancelado, eu tive um evento que não aconteceu mais, e resolvemos passar o final de semana na praia. Foi MUITO bom. Já estou contando os dias para as minhas mini-férias de uma semana no final do ano, que é uma semana que eu simplesmente fico sem pensar em NADA de trabalho. Uma vez por ano faço isso e é ÓTIMO.

Na outra semana eu tive a oportunidade de participar do curso de mapas mentais ministrado pela Liz Kimura. Contei em detalhes em um post específico, como foi.

Na mesma semana, eu fiz três novas tatuagens: uma flor de lótus no pulso (simbologia do budism), um “v”de vegan no tornozelo direito e uma plantinha acima do seio esquerdo. Quando desinchar, cicatrizar etc eu tiro fotos bonitinhas e posto aqui. 😉

Esse mês foi definitivamente o mês mais vegano do ano até aqui, sem consumir nenhum alimento de origem animal e nenhum produto. Estou muito bem de saúde e muito feliz. <3

Na semana seguinte eu viajei até Campinas para ministrar um curso de GTD Nível 3: Foco & Direção e, no final de semana seguinte, dois dias seguidos de GTD Nível 1: Fundamentos. Foi uma maratona, mas foi ótimo, e ainda consegui me encontrar com a querida da Ana, que estava em São Paulo para um curso também. <3

Meu mês foi marcado por uma ressaca acadêmica enorme. Gostaria de ter qualificado minha dissertação até 15/10, mas o arquivo do relatório teve problemas técnicos, e não pude submeter. Meus planos para defender até dezembro foram por água abaixo, então agora só em fevereiro. Quando isso aconteceu, fiquei desanimadíssima e precisei de duas semanas para me recuperar e voltar a pensar nisso, mas agora tenho ido em frente. Quando terminar, pretendo fazer alguns posts relatando como foi e trazendo dicas para quem for passar pelo mesmo processo, pois hoje eu consigo identificar várias coisas que eu teria feito diferente se tivesse conhecimento.

Esta época do ano que está chegando é alta temporada para mim. Trabalho muito em novembro, dezembro, janeiro e fevereiro, então eu me programo para tirar aquela semana de férias que comentei no meio desse período, justamente para aguentar o tranco, mas já deixo tudo programado para ter atendimento a todos os alunos etc. Estou muito feliz com esse momento que estou vivendo porque finalmente fiz os ajustes na minha alimentação e no meu estilo de vida que me deixaram bem, porque saúde é tudo.

Espero que tenham gostado dos posts deste mês. Foram em menor quantidade intencionalmente, mas com grande profundidade (acho que cada um equivalia por três ou quatro). Pretendo fazer algumas mudanças no editorial do blog nos próximos meses, e vocês vão sentir (espero que positivamente) todas elas.

Obrigada por estarem aqui. Espero que tenham tido um mês legal também!

Categoria(s) do post: Plenitude & Felicidade

Resolvi revisitar um exercício que ensinei aqui no blog há alguns anos refletindo sobre como eu gostaria que fosse um dia ideal de trabalho. No exercício em questão, eu falo para você pensar daqui a 10 ou 15 anos. Por quê? Porque você teria um pouco mais de perspectiva para nada ser um fator limitante para aquilo que você quer que seja verdade no seu dia a dia. Mas eu senti que, para mim, no momento, valeria a pena fazer a mesma reflexão pensando no meu hoje mesmo, pois estou um pouco insatisfeita com a minha rotina.

Eu tenho o imenso privilégio de trabalhar como eu quero. Eu contei isso outro dia, no post sobre maternidade, dizendo o quanto tempo eu levei para construir esse estilo de vida para mim. Foram anos de muito esforço e dedicação, e não algo que aconteceu do dia para a noite. Vivi inseguranças, fiquei preocupada, mas com o passar dos anos tudo foi sendo moldado, vivenciado e ajustado.

Pensar sobre como seria o meu dia ideal foi muito bom. Fiz esse exercício dedicando 15 minutos do meu dia e escrevendo em um caderno, com caneta. Prefiro escrever, nessas horas. Dediquei então alguns minutos e tirei boas conclusões, que compartilho com vocês:

  • Primeiro, que gosto de acordar cedo. Cedo que digo é junto com o sol. Isso me passa a sensação de que começo o dia antes de todo mundo, em um ritmo mais calmo, leve e meu, sabem? Toda vez que acordo mais tarde, hoje em dia, fico me sentindo péssima, como se já tivesse acordado meio atrasada, e não gosto de me sentir assim. Foi uma percepção importante a respeito da minha rotina. É algo que posso incorporar imediatamente.
  • Cada vez mais eu reforço como é importante para mim ter um dia leve e tranquilo. Quando falo em “leve e tranquilo”, quero que vocês pensem em um dia de férias na praia. Sabe quando você acorda e pode viver o seu dia sem obrigações, em um ritmo leve, simplesmente? Não quer dizer que eu não vá fazer nada – quer dizer que não vou acordar “pilhada”, verificando mensagens de gente me cobrando resposta o quanto antes. Esse ritmo é tão doentio! Então cada vez mais eu quero tirar essa parte estressante e trazer a parte calma, e acho perfeitamente possível comprar essa briga mesmo vivendo na cidade.

  • Por eu gerenciar muitos trabalhos diferentes, acredito que valha a pena dedicar esse período bem cedo para despachar coisas – delegar atividades, pedir o que deve ser feito no dia para os outros, cobrar, enfim, dar uma geral nos e-mails e mensagens e já esclarecer o que deve ser feito no dia enfim. Só depois disso eu faria uma pausa, possivelmente para uma atividade física para dar uma nova acordada, tomar um banho, e aí começar a parte de “produção”.
  • A parte de produção, como eu imagino, significa pegar a maior parte do meu dia de trabalho, aproveitar que estou com uma boa energia e o dia está iluminado, para gravar vídeos, aulas, produzir materiais, escrever, enfim, me dar 100% ao que quer que seja. Consigo me concentrar nisso, trabalhar com outras pessoas, quando necessário, almoçar rapidão, voltar e trabalhar assim até a energia cair. Nesse momento, é hora de parar, conversar sobre o que foi feito, tomar um café ou chá, e partir para atividades de rotina, de encerramento do meu dia.
  • Ir para casa ao final do dia, ter aquele momento gostoso em família, de transição, de cozinhar, de dar e tomar banho, de dar risada, conversar – esse momento é legal e importante para mim. Se tivermos esse momento, depois cada um pode cuidar das suas coisas particulares – que seja lição da escola ou Fortnite, ou meu marido tirar músicas para a banda, ou eu ministrar uma aula ou fazer outra coisa relacionada. Não vejo problema algum em trabalhar de noite, mas quero ter o “nosso momento” antes.

Algumas questões surgem quando passo esse dia ideal para o papel. Por exemplo:

  • O que fazer com as reuniões? Minha ideia é reduzir ao máximo e então encaixar as necessárias no momento de alta energia do dia, ou de noite.
  • E os finais de semana? Hoje eu costumo ministrar cursos aos finais de semana. No final das contas, isso não é ruim, pois meu marido faz shows nesses dias e nosso filho gosta de ficar na casa da avó (já até acostumou). Mas eu queria poder fazer mais coisas diferentes nesses dias, e não apenas trabalhar. Talvez dar aula só de tarde, e usar a manhã para ir à feira, passear, essas coisas.
  • E o horário noturno com a família? Quero voltar a dormir mais cedo e acredito que isso acabe influenciando todos eles.

Admito que a chegada do calor me deixe com uma vontade maior de fazer essas coisas. 🙂

Como seria seu dia ideal hoje, com as condições de mudança que você tem? Às vezes o dia ideal está mais próximo do que a gente imagina.

Categoria(s) do post: Família

Este é o penúltimo post relacionado ao nosso tema do mês – estilo de vida. Foi um mês mais reflexivo, com posts enormes, que levei dias para escrever cada um. E a ideia foi me concentrar neles, em vez dos posts diários. Falo mais sobre essas percepções e descobertas na newsletter, enviada toda segunda-feira. Se você não estiver cadastrado/a, está perdendo conteúdo. 😉

Já falei sobre: áreas da vida no Trello, visão para os próximos 9 anos (numerologia), gezellig (meu conceito de “casa”), voz, budismo beatnik e veganismo. Hoje vou escrever sobre maternidade, e antes do final do mês teremos mais um sobre moda e estilo pessoal. Aí encerramos.

Algumas mulheres têm o sonho de serem mães desde muito novas, pois essa é a cultura que vivemos e que muitas vezes se impõe a nós. Tenho certeza que sofri influência da minha mãe, pois ela nunca me deu bonequinha de presente nem alimentou esse inconsciente na minha infância, por isso eu cresci mais querendo fazer outras coisas que pensando na maternidade em si.

Quando eu conheci o meu marido e nós começamos a namorar, de alguma maneira essa vontade despertou em mim, porque nos amamos muito desde o início. Mas claro: eu era nova, estava em época de vestibular, e tinha muita coisa pela frente ainda antes de pensar em ser mãe.

Passei por MUITA coisa nesse meio tempo, especialmente relacionada ao trabalho, sobrecarga e a vontade de mudar de carreira. Tive meu período minimalista, que foi radical e, portanto, essencial para me trazer reflexões, e foi naquele momento que eu percebi que queria ser mãe. Simples assim. Aproveitei que queria fazer uma transição de estilo de trabalho (e trabalhar em casa) e começamos a nos preparar para ter um filho. Eu saí do emprego que eu estava na época e passei a trabalhar em casa, com vários clientes freelancers para webdesign e conteúdo.

Foto do quarto do meu filho (arquivo pessoal)

Quando eu engravidei, algumas coisas aconteceram na minha vida. Meu pai, que já estava com a saúde debilitada (ele teve leucemia), ficou ainda pior. Exatamente uma semana antes do Paul nascer ele morreu. Tinha câncer.

Por volta do meu sétimo mês de gravidez, eu comecei a passar um pouco mal de maneira esquisita e descobri também que estava com pré-eclâmpsia, que é uma espécie de doença que só acomete durante a gravidez, mas que também é uma das maiores responsáveis por problemas na hora do parto ou mesmo depois. Geralmente quando a gente vê alguma mulher morrendo na hora do parto, foi decorrente de eclâmpsia, que é tipo uma pressão alta fortíssima na gravidez.

Por conta disso, o último mês de gravidez, especialmente, foi bastante preocupante, pois eu tinha que ir diariamente ao hospital medir os batimentos cardíacos do bebê e, em determinado momento, foi necessário adiantar o parto. O Paul nasceu umas duas semanas antes do previsto, por conta disso. Foi cesárea.

A pré-eclâmpsia teve muita influência na minha recuperação, porque eu sentia dores de cabeça quase insuportáveis e não conseguia sequer dormir quando deveria (quando o bebê estivesse dormindo). Para piorar, acabei tendo um desentendimento com a minha mãe na época, e eu precisei “migrar” às pressas para a casa da minha sogra para que ela me ajudasse com o bebê enquanto eu estivesse “doente”. Ou seja, precisei sair da minha casa, do nosso cantinho, para ficar hospedada em outro lugar, totalmente sem as minhas regras e a minha liberdade. Minha sogra é um anjo e me tratou muito bem como sempre, fazia as comidas para mim, aquela coisa toda. Mas tudo isso influenciou demais no meu estado, e fiquei com medo de ter depressão pós-parto. Meu marido quase não ficava em casa pois ele tinha dois empregos na época.

Na época a gente não tinha celular e notebook como se tem hoje em dia, então foram dias quase que intermináveis para mim. Eu sentia muita dor de cabeça, não conseguia dormir, não conseguia ler, estava triste pelo meu pai, por ter brigado com a minha mãe e por estar longe de casa. E ainda estava preocupada, com medo que minha pressão subisse demais e eu tivesse um “treco”. É óbvio que isso influenciou na minha produção de leite e, em algum momento no tempo e no espaço, o Paul foi pesado no pediatra e veio a notícia: “vai precisar suplementar”. Fiquei chateada porque estava engajada no lance da amamentação, mas nunca questionei e a saúde do meu filho sempre veio em primeiro lugar. A gente confia nos médicos. E, assim, com uma semana de suplementação ele ganhou todo o peso que precisava e eu fiquei me sentindo ainda pior por não ter sido capaz nem de amamentá-lo direito. A cabeça da mulher no puerpério é uma loucura, gente.

Voltamos para a nossa casa cerca de um mês depois que ele nasceu, ou um pouco mais. Basicamente, quando eu já tinha me recuperado da cirurgia e o risco da eclâmpsia tivesse praticamente sumido. Morávamos em um sobrado, então antes eu não podia subir ou descer escadas, por causa da cesárea. Mais recuperada, pudemos finalmente ir para casa, o que mudou muito a minha relação com a rotina de ser mãe.

Felizmente eu, por ser uma pessoa de métodos, li na época um livro que foi fundamental para mim, de uma autora chamada Tracy Hogg, mais conhecida como “a encantadora de bebês”. Ela desenvolveu um método para entender como seu bebê é (de personalidade) e adequar a rotina dele com base em suas necessidades de fome, sono, ficar acordado, ter vínculos com os pais etc. Vindo para casa, fui colocando o método em prática e todos nós ficamos bem. Com seis meses, o Paul já dormia de noite direto. Tomava o leite (suplemento) por volta das 21h, depois eu dava novamente por volta da meia-noite, sempre com a luzinha do quarto bem baixinha, pra mostrar que era hora de dormir, e ele ia direto até de manhã. O dia em que eu dormi quatro horas seguidas depois do parto foi revolucionário para mim. E quando ele começou a dormir mais durante a noite, nessa época, tudo mudou definitivamente.

Em algum momento antes de ele completar um ano de idade, meu marido estava muito insatisfeito com a sua rotina, muito cansativa, de dois trabalhos, e tivemos uma conversa que mudou tudo o que faríamos a seguir. Eu estava me sentindo mal por ficar apenas em casa. Estava sendo muito deprê para mim. Claro que o Paul era o fator mais importante de todos, mas eu precisava sair. A coisa do meu pai, putz, tudo isso me deixava mal de ficar em casa, sozinha com meus pensamentos. Então nós conversamos e concluímos que seria muito mais efetivo eu voltar a trabalhar, pois eu era gestora quando saí do meu último emprego, e conseguiria algo melhor, com um salário melhor que o do meu marido. Ele poderia focar na música (que era a segunda atividade dele), ficaria em casa durante o meu período de trabalho, e eu poderia fazer minha pós-graduação, que era algo que eu acreditava que me ajudaria a conseguir um salário melhor dali em diante. Ele pediu demissão no início de janeiro, e em fevereiro eu já tinha arranjado um novo trabalho, e assim nossa dinâmica mudou radicalmente. Foi um desafio para todos nós, mas estávamos firmes no propósito.

Mais ou menos na metade do ano, recebi uma proposta de trabalho para ir para o interior de São Paulo, o que nos pareceu uma boa ideia porque eu (1) queria sair do mundo das agências de publicidade e (2) sempre tive em mente que sair de São Paulo e ir para o interior nos traria mais qualidade de vida, especialmente com um filho pequeno. Eu aceitei o emprego e, antes de decidirmos se era isso mesmo o que a gente queria, eu fiquei durante uns seis meses indo e voltando de ônibus fretado diariamente, o que era MUITO exaustivo. Saía de casa enquanto ele estava dormindo e, quando chegava, de noite, frequentemente ele já tinha ido dormir também. 🙁 Para o Paul não sentir tanto a minha falta, optamos por colocá-lo em uma escolinha em tempo integral para se distrair. Ele nunca estranhou. Sempre amou conhecer pessoas. Isso foi muito acertado na época, sabe, vendo hoje em dia. Ele tinha pouco mais de um ano.

No final daquele ano, resolvemos finalmente mudar para Campinas, e assim fomos, em dezembro mesmo. Foi uma grande mudança para a gente, porque estaríamos longe da nossa família pela primeira vez, e era como se uma nova era se abrisse e nos tornássemos “adultos de verdade”.

Nós moramos em Campinas durante três anos. Todo final de semana vínhamos para São Paulo – meu marido tinha shows e eu tinha a pós, que era aos sábados o dia inteiro. Foi uma época bastante difícil em termos de volume, pois íamos para lá e para cá o tempo todo, e eu tinha que conciliar trabalho com curso com maternidade com casa e com o blog. O pessoal todo em outro ritmo, na pós, e eu gerenciando o meu limite de faltas porque o Paul teve febre e passou o dia no hospital, ou porque da outra vez estava com tosse e eu quis ficar com ele enquanto meu marido ia trabalhar, para ele não ficar longe dos dois de uma só vez, e tantos outros desafios que quem tem filho sabe como são.

2011 foi o ano que resolvi “profissionalizar” o blog, no sentido de postar todos os dias, desenvolver um calendário editorial etc. Na pós-graduação, meu TCC foi a profissionalização mesmo dele – desenvolvendo logo, missão, visão, a coisa toda. Então, entre 2012 e 2013, ao final do curso, eu descobri que queria muito trabalhar com organização.

Morando em Campinas, o que eu fiz foi conciliar o meu trabalho na época com esse trabalho com o blog. Funcionava mais ou menos assim: chegava em casa umas 18h30, ficava com o Paul até a hora de ele ir dormir, e aí ia trabalhar no blog, até 1h ou 2h da manhã. Acordava umas 7h e ir para o trabalho. Foi assim durante todos esses anos, até 2014, quando pedi demissão. Então não foi nada fácil nem do dia pra noite, gente. Às vezes as pessoas vêem o que eu tenho hoje e acham que a minha vida foi sempre assim.

Não teve um só momento em toda a minha vida que eu não me sentisse culpada por estar trabalhando demais e passando tempo de menos com o meu filhote. Mas, a partir do momento que o meu marido saiu do emprego dele e eu era responsável pelo sustento da nossa família, eu não tinha escolha. Então eu sempre fiz de tudo para ter um tempo de qualidade com o Paul quando não estivesse trabalhando. Ficar até de madrugada trabalhando no blog não era nada. O importante era eu passar o tempo anterior com ele, e depois fazer as minhas coisas.

Nessa época, em 2013, a gente já começou a alimentar a vontade de querer voltar para São Paulo. Estava com saudade da minha avó, queria que o Paul convivesse mais com ela, com a minha mãe e com a minha sogra. Todo mundo estava sentindo nossa falta também. Pensando nele mais uma vez, eu decidi que, a partir daquele momento, desenharia com seriedade a nossa volta através de uma transição de carreira. Eu queria trabalhar com organização, só não via como, ainda. Mas eu faria isso acontecer.

A primeira coisa relacionada foi começar a trabalhar para a Call Daniel naquele ano mesmo. A Call Daniel é a franquia do método GTD™ no Brasil, e eles não tinham ninguém cuidando do marketing deles. Fiz uma proposta e comecei a trabalhar como consultora, à distância, o que já nos trouxe um faturamento extra mensal. Desde o início, estudávamos a possibilidade de eu me tornar instrutora da metodologia. Isso aconteceu finalmente um ano e meio depois, o que me deu a segurança de pedir demissão e voltarmos para São Paulo. Na mesma época (2014), meu primeiro livro seria publicado, e eu já tinha me preparado nos anos anteriores deixando o blog bem profissional e também fazendo cursos e formações como personal organizer, para atuar na área. Teve todo um preparo de anos.

Voltar para São Paulo foi um marco de vida para nós, porque o Paul já estava maior (4 anos) e as avós amaram muito! Todo mundo deu apoio pra gente na época, então nunca teve nenhum tipo de “crise” quando precisássemos deixar o Paul com alguém devido ao nosso trabalho ou porque ele mesmo queria. Desde muito cedo ele se acostumou com a mamãe trabalhando mas que, mesmo trabalhando, ela estava ali cuidando e amando ele muito muito. Ele sempre cresceu rodeado de amor.

Existem muitas maneiras de criar um filho. Para mim, a maneira de fazer todas as coisas na vida é ser uma boa pessoa, pois quem você é ensina qualquer um ao seu redor pelo exemplo. Não adianta eu querer impôr algo dentro de casa ao meu filho se eu não faço daquilo um hábito que ele me vê fazendo. Foi ali que eu percebi que queria ter uma rotina de trabalho mais leve, mais legal, mais iluminada e bem-humorada. Essa sempre foi a minha maior preocupação – ficar bem, por ele.

Hoje ele tem nove anos. Eu digo: “acho que essa é a melhor fase dele!”, no que meu marido responde: “todo ano você acha que é a melhor fase dele!”. Eu curto demais a maternidade. Acho um privilégio você ser responsável pela criação de um ser humaninho para o mundo. Dá para entender a aflição que os pais sentem quando o filho cresce e quer sair de casa, porque é muito apego sentimental, sem dúvida. Para mim, a sensação que melhor descreve o que eu sinto com relação ao nosso filho é “como ter seu coração batendo fora do corpo”. É exatamente isso. Ouvi essa expressão quando ele era bebê e até hoje me sinto assim.

À medida que ele vai crescendo, ele vai desenvolvendo personalidade própria, questionando coisas, tendo suas curiosidades e momento mais autônomos. Eu me surpreendo diariamente com as coisas que ele faz ou diz, e sigo cada vez mais apaixonada.

Ter chegado ao que eu tenho hoje, que é: nossa casa própria, um trabalho que me permita flexibilidade suficiente para estar perto dele, e ter um filho independente que nunca chorou quando eu precisei que ele ficasse com a avó para eu ir trabalhar (ele ama! porque toda avó mima muito os netos, lógico) – tudo isso me dá segurança de cada vez mais me desenvolver como mãe e ver a evolução dele como ser humano mesmo.

A educação é uma construção diária. Tudo é aula. Tudo é exemplo. Ter um filho me tornou um ser humano melhor, porque eu quero ser a versão que ele acredita que eu sou mesmo. Não se trata de perfeição, porque a vulnerabilidade é um ensinamento importantíssimo também. Ele ter me visto triste ano passado quando a minha avó morreu foi fundamental para entender que a mamãe não é imbatível, e que faz parte das relações humanas estarmos juntos e nos apoiarmos, pois isso que faz com que a gente se sinta amado e vinculado um ao outro.

Não sou perfeita. Cometo erros aqui e ali. Mas minha intenção sempre é a melhor possível, especialmente com relação a ele. Mais uma vez, o que me importa na maternidade é cuidar dele e dar o exemplo. Não tem como você criar uma criança que não seja pelo seu exemplo.

Tem toda aquela história de você ter que decidir se prefere ser amiga do seu filho ou tratá-lo com um pouco mais de firmeza e autoridade. Meu marido é mais rígido que eu aqui em casa. Acho que, pelo fato de trabalhar bastante, eu quero ser sempre a melhor mãe do mundo quando estou com ele. Isso não quer dizer que eu não seja firme quando necessário. Mas, quando preciso ser, ele me obedece, porque respeita. Sabe que eu sou a mãe legal o tempo todo então, se eu pedir algo, ele sabe que é sério.

Acredito que o fato de eu sempre ter sido mais “molecona” me ajude com o trato com ele. Conto algumas coisas que eu fazia quando era criança e ele dá muita risada. Acho que ele, de certa maneira, sente que eu sou menos rígida quando conto que fazia parte da turma do fundão ou que eu ia mal em matemática (que ele ama). Isso me tira do pedestal, ao mesmo tempo que deve gerar nele um sentimento de “minha mãe era legal na escola – ela apenas cresceu”.

Cada vez mais me preocupo com esse lance porque a adolescência é uma fase difícil para os pais e para os filhos. O adolescente tem muitas inseguranças e muita vontade de se impôr ao mundo. Se ele não tiver um vínculo de confiança com os pais, pode buscar esse vínculo em outro lugar. Então este é o momento mais sensível da vida do Paul, eu acho, porque é o momento em que ele já entende as coisas, mas precisa ter valores consolidados, para não nos perdermos quando ele finalmente chegar à adolescência. Foi por isso que, no ano passado, eu tomei a decisão de viajar menos a trabalho (eu fazia de duas a quatro viagens por mês antes) – quero estar perto dele, simplesmente. A presença da mãe é fundamental. Mas, além disso, eu QUERO estar aqui.

A todo momento, no dia a dia, eu tenho a oportunidade de demonstrar o quanto eu o amo e também de corrigir ou ensinar coisas para ele. Estar perto e estar ligada é o que faz toda a diferença.

Para terminar esse texto, que já está imenso, quero dizer que é importante para mim, como mãe, lembrar sempre que meu filho não é minha propriedade e que eu apenas sou responsável por ele enquanto ele não é responsável consigo mesmo. Eu estou criando uma pessoa para o mundo. É minha responsabilidade fazer o meu melhor, mas sabendo que ele pode ser o que ele quiser, e não o que eu quero que ele seja. Esse desapego de posse precisa existir, senão todo mundo sofre muito.

Acredito que as coisas estejam indo bem. <3 Eu amo ser mãe mas, mais do que isso, amo o privilégio de ter junto comigo um filho tão incrível quanto o Paul, e de construir essa dinâmica familiar com o pai dele também. Todos nós aprendemos muito com essa relação todos os dias.

Categoria(s) do post: Saúde, Comida, Espiritualidade

Bem, chegou o momento de escrever sobre isso no blog. Sei que é um assunto polêmico, mas tudo o que peço é respeito a esse meu espaço (que, afinal, é um blog pessoal) e respeito também nos comentários, para mim e para os outros.

Este post faz parte de uma série de posts onde estou escrevendo sobre estilo de vida, e você pode conferir todos os outros clicando aqui.

Faz, sinceramente, uns 20 anos que eu quero me tornar vegetariana. Quando eu era mais nova, contribuí durante muito tempo com a PETA e o Greenpeace e sempre fiquei revoltada sabendo como os animais são tratados pelos seres humanos – da indústria pecuária à medicina. O fato de o Paul McCartney ser vegetariano (e eu, apaixonada pelos Beatles) sempre foi uma “coisinha” que me cutucou ao longo dos anos. Ao mesmo tempo, sempre tive uma postura meio imatura e rebelde, no sentido de achar cool dizer coisas como “eu amo carne” etc.

(Mal sabia eu que isso não tinha nada de rebelde, pelo contrário. Nada é tão a favor do sistema quanto consumir algo que é mainstream.)

Em 2017, eu fiz a cirurgia bariátrica e, depois disso, não só o paladar muda bastante, como também alguns alimentos se tornam mais indigestos. A carne vermelha foi um desses alimentos. Eu só conseguia consumir se fosse moída, tipo em hambúrguer ou refogada. Mesmo assim, eu reduzi muito. Não comia nem duas vezes por semana, quando muito. Minha alimentação diária era à base de frango, ovos e peixe (porque eu também sempre adorei um restaurante japonês!).

Só que, com o passar do tempo, fui ficando muito enjoada do gosto e até o cheiro do frango. Comia apenas pela “obrigação nutricional”, o que é péssimo (acho que o momento da alimentação é sagrado e deve ser aproveitado com felicidade, e não com esse sentimento de obrigação). Acabei tirando o frango também e consumindo carnes, de modo geral, apenas duas ou três vezes por semana.

Em dezembro do ano passado, na ceia de Natal, eu passei mal comendo uma carne vermelha. Tive um entalo, coisa que nunca tinha tido após a cirurgia porque sou muito cuidadosa. Mas, na ceia, conversando, me distraindo, acabou acontecendo. Fiquei conversando e provavelmente engoli um pedaço sem mastigar direito, o que basicamente causou uma obstrução entre o meu estômago e o intestino delgado. Comecei a sentir uma dor muito forte, cada vez maior, até o ponto que meu sexto sentido me disse que era melhor ir para o hospital. Fui. Não apenas passei a noite de Natal internada como fiquei mais alguns dias, com sonda, foi horroroso, fora o medo de ter que passar por uma nova cirurgia. Não houve obstrução, por fim. Eu vomitei horrores antes mesmo de dar entrada na internação, e a partir daquele dia eu decidi que não comeria mais carne vermelha.

Em fevereiro, comecei a passar muito mal, de outra forma. Meu médico e eu, a princípio, achamos que fosse uma intoxicação alimentar. Vou resumir aqui para não ficar muito longo, mas eu passei quase TRÊS MESES nessa situação, quase beirando uma anemia e sem forças para trabalhar, sair de casa, nada, de tão desidratada. Foi uma bateria de exames (que, como vocês podem imaginar, tomam tempo pra caramba), passando super mal todos os dias. Até finalmente descobrir que o que eu tinha era uma alergia muito forte à lactose. Do nada. Tão forte que, se o produto for daqueles elaborados na mesma máquina que outro que não tenha, isso pode me dar uma reação (e geralmente dá). Isso impactou toda a minha vida, especialmente minha dedicação ao trabalho. Foram meses bem difíceis.

Em um primeiro momento, a solução óbvia era evitar derivados do leite e conseguir encontrar um remédio de lactase que equilibrasse a minha alimentação. Durante os meses seguintes, fiquei lutando contra a minha própria natureza tendo que ingerir remédios se quisesse comer sem passar mal (eu não gosto de tomar remédios).

Percebi também que comer fora de casa era um desafio. Nunca vou me esquecer do dia em que passei mal porque comi uma couve refogada, concluindo depois que isso aconteceu porque ela deve ter sido preparada com manteiga. Lembrei que não bastava não consumir queijos e alimentos com leite – mas que há muitos alimentos preparados com esses ingredientes! Lembro nitidamente de um dia em que fui ao Outback com a minha família depois disso, e todos os itens do cardápio eram sinalizados com uma gotinha, que simbolizava “preparado com leite”. (Ironicamente, o único prato do menu que não contém lactose é o prato da costela com molho barbecue!)

Naquela época, um aluno que também tinha alergia a lactose me deu uma dica: ir em restaurantes veganos. “Assim”, ele disse, “tenho certeza que nada ali vai ter leite, porque veganos não consomem nada de origem animal”. Achei que era uma ótima ideia, na verdade. Uma grande sacada! E foi o que eu comecei a fazer.

Isso foi maravilhoso porque, quando comecei a frequentar esses restaurantes, eu passei a ver a imensa riqueza de opções de comidas e preparos que existem quando você resolve não comer mais carne e qualquer alimento de origem animal. Meu pensamento óbvio foi: “caramba, realmente não tem necessidade nenhuma da gente comer qualquer coisa com carne”. E aí você começa a juntar os pontos dentro de você com outras questões muito urgentes mas que estavam incubadas, como a violência e a exploração animais.

Também desmistificou a ideia de que vegano só come mato. Tinha até pizza quatro queijos feita com ingredientes à base de plantas. Realmente um novo mundo se abriu para mim a partir dali.

Em paralelo a essa “descoberta gastronômica”, estava fazendo uma pesquisa muito aprofundada sobre a questão da lactose, conversando com médicos e outros profissionais da área, e uma coisa era consenso: o leite da vaca tinha que passar por tantas modificações e adições de elementos artificiais para ser industrializado no volume que existe hoje, que esse é o motivo de muitas pessoas estarem desenvolvendo alergia à lactose, infelizmente. Para passar dessa informação para outras que mostram como o leite é produzido, é um só pulo. E aí isso te abre os olhos para um mundo muito mais obscuro e triste, que vai além de você, ser humano, ter alergia à lactose. Envolve toda uma indústria de muito dinheiro, e animais sendo maltratados para a gente ter o alimento na nossa mesa.

Vale dizer que tudo isso também aconteceu este ano, com uma série de notícias sobre política e o meio-ambiente que estavam deixando todo mundo meio inconformado.

Naquele momento, eu ainda estava consumindo ovos (e adorava), até assistir um documentário chamado “Terráqueos” (tem no YouTube) e perceber o que eu estava financiando. Naquele momento, eu tomei a decisão de não mais compactuar com aquilo. Foi o dia que tomei a decisão de fazer minha transição para o veganismo.

Por uma incrível coincidência, foi na mesma semana que aconteceu aquilo que a imprensa chamou de “dia do fogo” – um dia de queimadas que acabou ocasionando um dia de céu super escuro aqui em São Paulo alguns dias depois. Inflamou-se cada vez mais a questão amazônica e os motivos das queimadas (gerar pasto). Minha revolta interna aumentou ainda mais e dali em diante minha decisão não tinha mais volta. Simplesmente decidi que não consumiria mais nada de origem ou exploração animal – não apenas na comida, mas qualquer outro produto (roupas, cosméticos, produtos de limpeza, uma infinidade de coisas). Quando você começa a pesquisar, vê que a alimentação é um indústria enorme, mas a de testes em animais, por exemplo, é tão grande quanto. Não tem como não ficar inconformado.

O veganismo é uma transição. Não acontece do dia para a noite, mas a decisão sim. Naquele momento, eu decidi que dali em diante eu ajustaria toda a minha vida de acordo com os meus princípios mais uma vez (que é basicamente o que eu faço com tudo).

O veganismo não diz respeito apenas à alimentação. É um estilo de vida. Não consumir alimentos de origem animal é o vegetarianismo. O vegano segue uma dieta vegetariana estrita. Quem não come carne, mas ainda consome leite, ovos, mel, é chamado de ovolactovegetariano. O veganismo inclui não apenas a alimentação, mas outros produtos, como bolsa de couro, por exemplo, ou usar um cosmético que tenha sido testado em animais. Por isso eu digo que é um processo. Eu ainda tenho shampoo, hidratante, peças de roupa com origem animal. Mas não vou comprar mais daqui em diante. E é isso.

Eu e meu leite vegetal preparado em casa. <3

Lembro de um dia em que fui à farmácia depois de iniciar essa transição e, só por curiosidade, dei uma olhada em alguns produtos para ver quais tinham aquele selo de “cruelty free”, o que significa que não foram testados em animais. Muito poucos. O que me veio à mente foi imaginar que todo o restante da farmácia, que é enorme, mas é apenas uma entre milhares de farmácias, existe essa imensidão de produtos testados em animais. Quando penso no mundo todo, e nessa febre que existe hoje com produtos de maquiagem e skin care… socorro!

Um fenômeno curioso que começa a ocorrer quando você declara que se tornou vegano é uma “encheção de saco” coletiva e completamente não solicitada de pessoas que se sentem no direito de questionar as suas escolhas, tão pessoais. Existe um estigma de que “vegano é chato”, e até concordo que seja. Mas são os chatos revoltados que mudam o mundo, no entanto. Então não me importo de estar deste lado. No entanto, acho as intervenções desrespeitosas e muito inconvenientes. Gente que nem me conhece me mandando mensagem ofensiva pacas – mas enfim, isso é a Internet, anyway.

Minha política pessoal, com as pessoas do meu convívio, tem sido a de só falar sobre veganismo se alguém me perguntar. Alguma amiga, algum aluno, alguém no trabalho. Na Internet, é meu espaço, então falo o que quiser. 🙂

Dei uma imensa sorte aqui em casa também porque, algumas semanas depois da minha “virada”, o youtuber Felipe Neto anunciou que tentaria virar vegetariano, o que reverberou nas redes sociais e gerou conversas. Então o assunto foi se tornando mais evidente por aqui. Não imponho (obviamente) minhas escolhas à minha família, mas sei que ela impacta totalmente na maneira como eles vêm consumindo os alimentos. O Paul já disse que quer parar de comer carne e meu marido tem diminuído também. Outro dia me disse que acredita que será vegano em algum momento. Minha mãe, que sempre amou os animais, viu nisso um incentivo para virar também. A gente tem trocado receitas. 🙂 Então tem sido um processo incrível e muito significativo para mim, pois além de tudo mostra a responsabilidade das minhas escolhas na minha família, especialmente na criação do Paul.

Existem muitos motivos para uma pessoa se tornar vegetariana. Alguns o fazem pela saúde, outros pela proteção ao meio-ambiente. Existem veganos que o fazem como maneira de protesto ao sistema capitalista. Mas, acima de tudo, o veganismo é sobre os animais. Sobre entender que estamos em um planeta convivendo juntos, e que nada nos dá o direito de superioridade, de achar que podemos controlar e matar os animais apenas pelo nosso “paladar” ou por conforto de ter um produto de beleza que deixa o nosso cabelo mais sedoso. É uma maneira de não compactuar com essa indústria de maldade. Não é uma causa que cuida de “tudo”. Existem muitas causas do mundo. Se cada um escolher uma, o mundo vai melhorando aos poucos. Escolha a sua, uma que você se identifique. E deixe os que estão lutando por outras lutarem. 😉

É claro que, por eu ter passado pela cirurgia bariátrica, preciso triplicar a minha atenção com relação aos nutrientes, além da suplementação de uma vitamina (B12), o que eu já fazia antes mesmo de me tornar vegana. Esse é um ponto importante pra todo mundo, aliás: não basta tirar a carne. Precisa substituir com alimentos nutritivos. Mas se você fizer acompanhamento médico direitinho e cuidar de perto da sua alimentação, perceberá que nunca comeu tão bem na vida. Hoje eu me alimento basicamente de comida natural, comprada na feira, e apenas 10% do que consumo vem de industrializados. Passei a me envolver mais com os processos, a cozinhar mais, enfim, estou curtindo pra caramba. Descobri que cozinhar é uma terapia, para mim. Além de tudo, economizo dinheiro, porque carne é caro. Gasto de 40 a 50 reais por semana com a minha alimentação.

Preparar e deixar marmitinhas prontas garante que você sempre tenha seu alimento mesmo na correria do dia a dia ou quando vai a lugares que não sabe se encontrará opções que você pode comer.

Outro lado bom de todo esse processo também é fazer novas amizades e se envolver com gente legal, do bem. Desde conhecidos que ficaram mais próximos até pessoas novas. Assim como a dona da mercearia, o dono do mercadinho de produtos naturais. Você acaba desenrolando as conversas porque troca dicas, receitas e fica sabendo sobre os eventos que você acaba querendo ir até para dar uma força. É todo um mundo consciente que se abre, com inúmeras possibilidades.

Além do acompanhamento médico, tenho seguido diversos canais no YouTube, lido livros e assistido documentários relacionados. Estou muito engajada!

No Budismo, eu aprendi a reforçar uma convicção que eu já tinha, de não-violência e de não prejudicar outros seres vivos sencientes. Me tornar vegana foi apenas mais um “encaixe”, mais uma forma coerente de fazer as coisas de acordo com os meus valores. Estou em transição e acredito que, como todo o resto, isso seja uma construção para toda a vida. Mas, como toda construção, você só precisa começar. 😉

Categoria(s) do post: Tecnologia

Interrompemos a nossa programação para anunciar a novidade do Todoist: Foundations.

Todoist, para quem não conhece, é a ferramenta para gerenciamento de afazeres que eu costumo recomendar aqui no blog e para os meus alunos nos cursos, pois ela é muito intuitiva, com design simples, e ao mesmo tempo é bastante completa em termos de recursos.

Foundations é o nome dessa novidade, que na verdade dá para ver que foi um pacote de desenvolvimento de novos recursos úteis que eles colocaram em prática.

Dividir os projetos em seções

Isso já dava para fazer com um truquezinho, que era inserir um asterisco * e espaço antes da tarefa, que o Todoist tirava a bolinha e ela ficava como uma seção dentro do projeto. Mas agora o recurso é oficial e mais fácil de criar. Eu acho admirável essa sensibilidade dos desenvolvedores do Todoist de buscarem sempre formas mais amigáveis para as pessoas fazerem o que elas precisam dentro da plataforma.

Botão de adicionar tarefa mais dinâmico

Este é um pequeno detalhe, mas que pode fazer diferença no seu manuseio da ferramenta. O botão de adicionar tarefa pode ser arrastado e você pode inserir a tarefa em qualquer lugar do projeto, conferindo mobilidade a todas as suas inserções.

Adicionar tarefa se tornou mais completo

Ao adicionar uma nova tarefa, a janelinha que abre ficou mais dinâmica e com recursos mais inteligentes, apenas dando continuidade ao que a ferramenta já tinha antes. Por exemplo, se você digitar “comprar comida do gato amanhã”, ele te sugere inserir o “amanhã” como prazo. Outro recurso muito esperado é o de sub tarefas dentro da tarefa em si. Mais uma vez, soluções amigáveis para os usuários.

Etiquetas e compartilhamentos

Uma mudança que eu ainda não testei para falar para vocês, mas que eles implementaram a partir de hoje, é que, se alguém compartilhar um projeto com você (ou tarefa), as etiquetas atreladas a esses itens também são migradas. Não sei se isso é muito legal, porque uma vez o Evernote fez isso e bagunçou todo o meu esquema de etiquetas e não gostei. Mas como eu não costumo compartilhar listas pessoais, não vejo isso como um problema aqui. Mas, se você usa, tome cuidado. Verifique se não vai bagunçar sua estrutura de etiquetas.

O vídeo oficial da ferramenta está em inglês, mas dá para ver pelas imagens um pouco sobre as mudanças. Clique aqui para assistir ou veja abaixo:

Você já testou os novos recursos do Todoist? O que achou das mudanças? Deixe um comentário, se quiser. Obrigada!

Categoria(s) do post: Espiritualidade, Budismo

Por incrível que pareça, eu não cheguei ao Budismo procurando pela religião, mas me apaixonando por um modo de vida que foi descrito pelo meu escritor preferido (Jack Kerouac) em um livro chamado “Os Vagabundos Iluminados” (The Dharma Bums).

Nesse livro, um grupo de amigos vaga pelo mundo e um deles é budista – ou, como Jack o descreve, um “bodissatva”. Eu já tinha interesse em meditação desde anos antes, quando virei beatlemaníaca de carteirinha e lia muito sobre os Beatles no seu processo de meditação transcendental com o Maharishi, na Índia. Meu beatle preferido era (e ainda é) o George, que inclusive acabou virando hare-krishna com o tempo. Eu não me identifiquei com essa religião, mas a sementinha da meditação e da filosofia oriental foi plantada em mim.

O livro de Jack Kerouac
Beatles e o Maharishi, em 1967
George aprendendo a tocar sítara com Ravi Shankar

Hoje, depois de ANOS de estudos e práticas, vejo o quão bonita era a forma do Jack encarar o Budismo e o caminho até a iluminação. Algo muito característico do estilo de vida beatnik é a contemplação de todas as coisas. Sempre me considerei alguém assim. Minha visão de mundo até hoje é sobre viver um dia a dia contemplativo, feliz, com foco na compaixão, e tudo isso me levou a me tornar escritora e também a ingressar no Budismo Mahayana anos mais tarde.

Começar a praticar meditação foi um marco na minha vida. Comecei em 2008, mais ou menos. Em 2013, estava tendo crises de ansiedade relacionadas ao meu trabalho na época e, depois de parar no hospital achando que estava tendo um infarto (era uma crise de pânico, mas eu não sabia nem fui orientada pela equipe médica na época, completamente despreparada, o que hoje acho um ABSURDO), resolvi me inscrever em um curso de meditação e levar isso a sério, pois sabia que me beneficiaria de uma mente mais calma e controlada. Não tive qualquer critério para escolher esse curso, na época. Procurei um centro budista perto de casa (morava em Campinas) e me inscrevi no curso deles. Por coincidência, algumas semanas antes eu tinha comprado um livro sobre Budismo que era da mesma tradição, e eu tinha gostado bastante do “jeitão” do livro. Isso me fez criar ainda mais empatia com o centro que passei a frequentar. Hoje, vejo quão afortunado foi esse encontro.

Aprender a meditar com um professor foi essencial para mim na época. Pode ser que outras pessoas não precisem – e eu mesma pratiquei sozinha durante anos – mas minha prática mudou muito depois de ter feito o curso e ter aprendido algumas “técnicas”. Daquele momento em diante, nunca mais deixei o Budismo.

A escola que me identifico e faço parte é a Nova Tradição Kadampa.

Muitas pessoas pensam que o Budismo é apenas uma filosofia. Ele pode ser visto como uma filosofia, assim como existem as filosofias judaicas, cristãs etc. Mas, também como essas, ele tem o seu lado religioso, que inclui preces, liturgias próprias, datas especiais a serem celebradas e seus rituais. A partir daquele momento, eu ingressei no Budismo como religião mesmo. Posso dizer que, em 2008, eu o abraçava mais como filosofia. Em 2013, fiz a transição para o caminho como religião. (Talvez eu possa citar a palavra “compromisso” para diferenciar uma coisa da outra, pelo menos para mim.)

Penso que o principal ponto que me atraiu ao Budismo foi o alinhamento com os meus valores essenciais. Não há absolutamente nada no Budismo do qual eu discorde. O caminho do bodissatva, pautado na disciplina moral, na paciência, na compaixão, sempre com foco em ajudar os outros seres vivos, sempre fez sentido para mim. O nobre caminho óctuplo nada mais é do que um método, e eu amo métodos.

Este é um livro base da minha tradição

Lembro que, na época em que ingressei no Budismo como religião, um amigo meu me perguntou por que eu estava em um caminho religioso e não apenas praticando meditação e levando o Budismo como filosofia, pois lhe parecia uma forma mais leve de lidar com a coisa toda. Essa pergunta sempre me encoraja a fazer uma reflexão interessante. Eu entendo o ponto, mas existe algo na religião que é… eu sinto algo muito pleno, bondoso e humilde quando faço prostrações. Quando limpo e troco as oferendas do meu altar, em casa. Quando arrumo a almofadinha da monja. Quando faço as preces cantadas. Eu deixo completamente de lado o meu ego nesses momentos, e esse é um aspecto importante da prática budista, que sempre pode ser exercitada, tanto no centro budista quanto no meu trabalho, na rua, no trato com as outras pessoas etc.

O Budismo é uma religião que você pratica. Sei que todas as religiões são assim em sua essência, mas o que quero dizer é que a prática do Budismo se dá o tempo todo. Tanto em uma meditação focada quanto em uma discussão no trabalho ou na refeição que você prepara em casa para a sua família. E, comprometida nesse caminho, eu cada vez mais consigo incorporar esses valores em tudo o que eu faço. O objetivo é alcançar a iluminação, não apenas para que eu me liberte do sofrimento, mas porque, assim, eu conseguirei ajudará melhor todos os seres, momento a momento.

Muitas pessoas me perguntam como o Budismo influencia no meu trabalho, e a resposta é: é onipresente. O que eu chamo de coerência na organização, no fato de você se conhecer e aplicar quem você é em todas as suas atividades, tudo isso está totalmente alinhado com as práticas budistas que eu incorporo diariamente. Fica impossível colocar tudo em um único post, então eu só posso dizer que absolutamente TUDO o que eu faço tem a ver com o meu caminho espiritual no Budismo.

O lance de ser beatnik tem a ver com a maneira poética que eu encaro o mundo e o meu dia a dia. Cada dia importa. Cada dia é uma oportunidade de viver e ser feliz. Pode parecer piegas, mas me ajuda muito pensar dessa maneira. Cada dia é uma coisa, um jeito diferente de ver, fazer tudo. E eu busco aproveitar cada momento. Isso é mindfulness.

Por exemplo, é o ato de ir andando a pé até o centro budista, mesmo que sejam 5km. É uma oportunidade maravilhosa de andar, contemplar a vida, o trânsito, as pessoas, as plantas, as casas coloridas, os cachorros, pensar na vida, oxigenar o corpo. Significa aproveitar a oportunidade para fazer um exercício para o físico e para a mente. Não se trata de chegar rápido, mas de curtir o caminho (essa frase resume o que penso sobre produtividade!).

 

Ver essa foto no Instagram

 

Eu vou ficar com certeza… #cidadefalante

Uma publicação compartilhada por Thais Godinho (@thaisgodinhooficial) em

(Eu adoro fotografar arte e poesia na rua também. Acompanhe no meu Instagram pessoal.)

Muito se fala de mente plena hoje em dia, e o Budismo é totalmente sobre isso. Você se desenvolve com o tempo, à medida que pratica. GTD também ajuda muito. Está alinhado. Ajuda a colocar os pensamentos em ordem.

Ter na mente o foco em ajudar os outros me motiva a realizar este trabalho, assim como influencia todas as outras áreas da minha vida, até a saúde. Mas isso vou comentar em outros posts, ainda este mês, sobre estilo de vida. 😉

Este post foi escrito em várias etapas, em meu caderno, com papel e caneta. Mas, ao digitalizá-lo para o blog, eu o fiz ouvindo a música “Tangled up in blue”, do Bob Dylan – um beatnik de nosso tempo. Talvez você possa gostar também.

Categoria(s) do post: Diário da Thais

Ontem e quarta foram dois dias de curso presencial de mapas mentais com a Liz Kimura, que foi certificada pelo próprio Tony Buzan (autor da técnica) e o representa oficialmente aqui no Brasil. Além de a Liz ser uma graça de pessoa, o curso foi excelente. Aprendi muito.

Eu já uso mapas mentais há muitos anos, mas nunca tinha feito um curso, apesar de a vontade de fazer já ser antiga. Nunca tinha dado para conciliar as agendas mesmo! Quando ela tinha curso, eu também tinha, e assim foi indo até conseguir fazer desta vez. Que bom!

Foram duas tardes em um clima intimista, um curso para poucas pessoas, de modo que a gente conseguisse conversar e assimilar bastante o conteúdo, trocar ideias e tirar dúvidas pontuais.

Quem me acompanha aqui no blog sabe que eu uso uma ferramenta chamada Mind Meister para mapas mentais (que inclusive renovei a assinatura do plano Pro ontem). Mas ter feito um curso de fundamentos dos mapas mentais me ajudou a ver como você conhecer o que há por trás da técnica ajuda. Por exemplo, como começar, por que usar cores no tema central, colocar desenhos, canetas mais fortes etc. Tudo isso a gente aprende no curso e é excelente.

Um ponto muito importante para mim foi perceber a diferença entre usar uma ferramenta digital e fazer no papel. Para mim, pelo menos, mostrou que, para raciocínio, no papel é muito melhor, porque segue o fluxo natural do seu pensamento. Talvez para mapas de referência seja melhor no digital mesmo.

Recebi dois livros como parte do material e comprei outro dela:

  • Mapas mentais e sua elaboração (Tony Buzan)
  • Mapas mentais para os negócios (Tony Buzan)
  • Dominando a técnica dos mapas mentais (Tony Buzan)

Quando postei no Insta, as pessoas ficaram me perguntando se os livros são bons, mas eu não consigo ler tão rápido assim, gente (rs). Peguei os livros na quarta e apenas consegui folhear, mas já posso dizer que parecem excelentes, especialmente porque têm muitas figuras e exemplos de mapas coloridos. Recomendo.

A Liz está estruturando todo seu material de divulgação e agenda de cursos, pois ela tem muuuuuuuuita coisa. Fiquem ligados no Insta dela, onde ela costuma divulgar mais.

Aliás, muita gente comenta aqui no blog dizendo que sente a minha falta. Gente, no Insta eu posto todos os dias, inclusive compartilho minha rotina nos stories. Aqui no blog ficam os textos mais reflexivos mesmo, e dependendo do tema (como neste mês, que estou falando sobre estilo de vida, que é um tema mais reflexivo), os textos são mais longos, elaborados, demandam tempo, e obviamente não tem texto assim todo dia, por que não é assim que funciona produção intelectual. 😉 Ninguém é uma máquina nem quero incentivar a ser. Não precisa sentir minha falta não! Basta me acompanhar por lá e em outros canais.

Muito grata. <3

Categoria(s) do post: Propósito e felicidade

Eu fiz um curso de teatro este ano. Na primeira aula de “voz” a professora pediu para cada um da turma contar a sua história pessoal com relação ao seu uso da voz. Ouvi histórias incríveis, e aqui vai a minha.

Sempre fui uma pessoa tímida e introvertida que usava o humor como mecanismo de defesa. Por isso, na escola, eu aprendi a fazer piadas e a “forçar” um comportamento engraçadinho toda vez que eu fosse apresentar um trabalho na frente da sala, por exemplo. Uma vez, já adolescente, precisei apresentar, junto com o meu grupo, um trabalho em formato de peça de teatro. Naquele momento, em cima do palco, uma luz se acendeu em mim: “quero ser atriz!”. Mas meu problema sempre foi o fato de a cada 15 segundos me empolgar com uma profissão diferente, então passou.

Imagine como foi difícil para mim a época do vestibular, no sentido de escolher o curso que eu queria fazer! Para resumir a história: fiz Jornalismo e depois Publicidade. Hoje, acho engraçado o fato de trabalhar com criação de conteúdo, porque isso na verdade é um mix dos dois cursos. Meu professor orientador no mestrado outro dia disse que eu “deveria ser jornalista, porque escrevo muito bem”. Cômico, se não fosse trágico, mas irônico anyway. Em 2006, criei este blog, e aos poucos ele me levou a ser convidada para fazer palestras.

Comecei como todo palestrante começa: sem a menor ideia do que eu estava fazendo, a não ser a vontade de compartilhar aquele conteúdo que eu tinha. Sempre me apeguei ao fato de que, se estava sendo convidada, era porque eu era reconhecida naquele assunto. Mas à medida que você começa a se envolver no meio, começa a reparar nos outros palestrantes e a buscar dicas para ser uma palestrante melhor. E isso só me fez ver como eu não era (na minha cabeça) uma boa palestrante.

Em 2014, passei a viver exclusivamente desse trabalho com organização e produtividade, e grande parte desse trabalho estava em dar palestras e ministrar cursos em sala de aula.

Quando comecei a ser contratada por um grande cliente para ministrar cursos em empresas, passei a ser cobrada de maneira diferente. Existia um sistema de avaliação e feedback, e as duas coisas que eu mais ouvia (e hoje sei como esse sistema era horrível) eram que 1) eu “deveria considerar emagrecer” e 2) “deveria procurar um fonoaudiólogo”.

Eu tenho uma “travinha” na voz desde sempre, desde criança. Não é língua presa – é apenas um vício de fala. Ele me faz enfatizar o “s” quando eu falo. Isso não me incomodava até ouvir de outras pessoas críticas a isso – aí fiquei envergonhada e com receio de falar. Outras pessoas me criticarem a respeito de algo que era tão íntimo mas que eu não via como “defeito” acabou com a minha auto-estima na época. Eu estava super feliz por estar dando aula sobre um assunto que eu amo, e recebi isso como resposta. Foi bem difícil, mas uma questão minha, interna, que precisava resolver, e eu sabia disso.

Procurei uma fono, e durante DOIS anos (!!!) eu foquei nos exercícios e em querer solucionar esse “problema”, achando que eu nunca seria uma boa palestrante ou professora se eu não consertasse essa questão. Eu me sentia inadequada o tempo todo. Foi realmente bem complicado, até que aconteceu uma coisa que me ajudou a ver tudo de uma outra maneira.

Fiz minha formação em coaching na metade de 2016. As pessoas que criticam tanto hoje em dia essas formações não têm ideia do bem que elas podem fazer aos profissionais qualificados. Eu era qualificada. E muito. Mas estava acostumada a focar nos meus problemas (em querer resolvê-los) o tempo todo, o que me levou inclusive a um diagnóstico de depressão na época. Isso foi bem no mês que eu fiz o curso. Mas, ao sair do final de semana do curso, eu saí outra pessoa. Me sentia a mulher maravilha. É óbvio que eu não acho que “coaching” seja solução para ninguém, especialmente quem estiver com depressão ou com distúrbios relacionados a ansiedade. Mas, PARA MIM, na época, foi uma mudança total de cenário, e tudo o que posso fazer é compartilhar a minha experiência pessoal aqui, sinceramente. Afinal, é um blog.

Fotos da época (antes e depois do curso):

Eu acho que elas refletem bem a mudança na minha auto-estima. Cortei o cabelo, fiz maquiagem etc.

Um ponto chave dessa formação foi entender que eu tinha muitos pontos fortes que eu estava deixando de lado para prestar atenção demais nos meus pontos fracos. É claro que você pode querer trabalhar nos seus pontos fracos, mas isso não pode se tornar o seu foco, fazendo com que você deixe de trabalhar o que faz de melhor também ou, principalmente, pois esses pontos fortes são o que você faz de melhor!

A partir daquele momento, eu passei a focar então no que eu era melhor – que, pasmem (ou não): eram muitas coisas! E eu estava negligenciando todas elas totalmente, em detrimento de um trabalho de correção em supostos pontos fracos que eu tinha!

Por exemplo, no curso de coaching eu consegui desenhar a minha missão pessoal, quando eu descobri que as três coisas que eu mais gostava de fazer eram: escrever, dar aulas e conversar. Foi esse entendimento que me levou a querer trabalhar com coaching também e a depois desenvolver outros trabalhos, como a mentoria, mas isso é assunto para outro post.

Uma das coisas que eu considerava (e ainda considero) um ponto forte eram os meus conhecimentos e a minha paixão pelo método GTD, por exemplo. Eu ficava tão preocupada com a FORMA da minha voz que não tinha parado para pensar em todas as coisas que eu tinha para dizer! E eram muitas!

Ou seja: a partir do momento que eu resolvi focar em todas as coisas que eu considerava urgentes de serem ditas ao mundo, a travinha na minha voz, o meu peso, tudo isso passou a ser um mero detalhe que não deveria jamais atrapalhar o conteúdo daquilo que eu tinha para compartilhar. Eu mudei completamente o meu foco. Era “urgente” compartilhar tudo aquilo. Eu não via a hora de começar!

Em resumo: mais do que externalizar em voz alta esse conteúdo que eu queria compartilhar, buscá-lo dentro de mim com consciência situacional, paixão e muita vontade de servir aquelas pessoas que estavam me ouvindo, de ajudar – isso sim fez com que eu encontrasse a minha própria voz, e eu tive a minha auto-estima de volta. Passei a ser elogiada pelas mesmas pessoas que antes me criticavam. Porque, no fundo, hoje vejo que tais “falhas” que eu tinha na verdade apenas evidenciavam as inseguranças que eu sentia. (não estou abstendo a responsabilidade do que as tais pessoas me falaram. só quero dizer que superei essas críticas.)

A tal “voz” então está muito mais relacionada a você ter efetivamente o que dizer e de querer fazer isso com tanta paixão e certeza que o resultado será incrível não importam quantas “falhas técnicas” você tenha.

Em junho deste ano, eu tive a oportunidade de ser a única brasileira no palco do GTD Summit, um evento global do GTD, falando sobre o método, palestrando em inglês, ainda! Em nenhum momento eu foquei no “ai, eu não sou boa no inglês!”, mas sim no conteúdo que eu queria passar! E isso sem dúvida é fruto de tudo o que aprendi nos anos anteriores! Inglês não é minha língua nativa, e tá tudo bem! Dê seu melhor, garota! Eu fiquei focando então no que eu queria expressar – voz e corpo inclusos – mas essencialmente naquilo que eu gostaria de dizer – o conteúdo em si.

Ao subir naquele palco, não apenas o reconhecimento internacional como palestrante, mas a minha percepção de como na verdade eu AMO fazer palestras, estar no palco, ensinar, compartilhar e, acima de tudo, aprender mais sobre mim mesma, eram os aspectos mais motivadores para mim naquela situação.

Photo by Dan Taylor
Photo by Dan Taylor
Photo by Dan Taylor

Logo, a Thais que apresentava trabalho na frente da sala se juntou à Thais que se apresentou no teatro da escola, que por sua vez se ligou à Thais que fazia palestras sobre blogs e, por fim, à Thais que come GTD no café-da-manhã porque ama esse negócio. Como dizia Steve jobs, em algum momento os pontos se conectam. E isso é tudo que eu gostaria de dizer hoje sobre a minha voz, a prática de oratória e sobre ser professora como aspecto de servidão às pessoas que estão interessadas em aprender mesmo. Isso é o que considero estilo de vida de uma palestrante. Eu simplesmente precisava compartilhar essa experiência porque eu queria mostrar como muitas vezes o fato de a gente focar em pontos fracos pode fazer a gente perder o rumo. Retome o seu, querido leitor ou leitora. Você tem coisas importantes a compartilhar. Foque nisso. <3

Categoria(s) do post: Curtindo a casa

Em 2015, eu tive a oportunidade de viajar para a Europa pela primeira vez na vida. Era inverno (janeiro), então estava muito frio. Naquela ocasião, a Call Daniel me levou para Amsterdam para participar de um curso de GTD e conhecer pessoalmente o David Allen, autor do método.

Na Europa, especialmente em países mais ao norte, o dia demora para ficar claro e escurece bem mais cedo durante o inverno. Uma das características das casas em Amsterdam, devido ao peso (que precisa ser mais leve para elas ficarem lado a lado em torno dos canais), é que as suas janelas são enormes, de vidro. E uma curiosidade é que muitos moradores não gostam de usar cortinas ou, se usam, costumam deixá-las abertas na maior parte do tempo. Por isso é muito comum você ver aquelas fotos de Amsterdam em que está super frio do lado de fora, mas dentro das casas está quentinho, com aquela luz amarelada.

E existe uma palavra no idioma holandês que descreve essa sensação: gezellig. Não existe equivalente em outro idioma, mas vou tentar explicar: gezellig descreve essa sensação de um ambiente acolhedor, amigável, confortável, relaxante e agradável. Tem a ver tanto com o ambiente quanto com as pessoas se relacionando no mesmo. É um mix. Não é só o espaço e não são só as pessoas. São esses dois elementos juntos.

Eu fiquei apaixonada por esse termo tão logo eu o ouvi. E, desde então, eu venho tentando trazê-lo para a nossa casa e para todas as situações fora dela em que tenham esse potencial para gezellig.

Quando penso no “estilo de vida” da nossa casa, gezellig é um princípio. Sempre via a casa como um espaço sagrado, de refúgio, de proteção, de descanso, de curtir quem vive com a gente. Tem que ser agradável. É a nossa vida. O dia a dia é a nossa vida de verdade.

Passeando pelas ruas de Amsterdam, passando pelas casas, vendo o cotidiano lá dentro, toda essa atmosfera traduzida em um só termo despertou a minha atenção.

Aquela sensação de cozinhar ouvindo música ou conversando com meu marido e filho. Música de fundo, dando uma geral na casa. Uma xícara de chá ao lado da poltrona e da minha pilha de livros. Amigos conversando na mesa da cozinha. Uma taça de vinho e um filme na tv.

Sempre levei muito a sério o conceito de não querer uma vida da qual eu queira fugir. Que tirar férias é legal, mas gostoso mesmo é ter férias todos os dias, no sentido de que faz parte da sua rotina você se curtir e fazer das tarefas cotidianas, especialmente as domésticas, algo leve e gostoso de se fazer. Todo dia vale a pena ser vivido quando se tem a felicidade como caminho.

Gezellig hoje é o que traduz o sentimento de como eu vejo o local onde eu moro, além dos ambientes que procuro proporcionar quando saio para jantar com amigas, por exemplo, ou outros eventos do tipo. Quero que todos se sintam bem e acolhidos, eu inclusa.

Categoria(s) do post: Planejamentos

Eu acabei de iniciar um ciclo de nove anos (de acordo com a numerologia). Isso significa que, até o meu próximo aniversário, estarei em um ano 1, que favorece novos inícios. É um ano propício para plantar o que gostaria de colher nos próximos nove anos desse ciclo. Por isso que o ano 9 é tão importante para a gente desapegar daquilo que não serve mais, pois você não gostaria de levar com você nessa nova fase que se inicia.

Um exercício que eu acho interessante fazer é o de refletir sobre qual será o meu foco para cada uma das áreas da minha vida nesses próximos nove anos. Veja, é praticamente uma era. Estou com 38 e terminará com 47. É um período-chave da vida, em que estou concentrada em diversos assuntos específicos, como a consolidação da minha carreira e a educação do filhote. O que eu quero trazer com este post é uma inspiração para que você faça o mesmo tipo de reflexão que eu fiz.

Para calcular o seu ano pessoal, basta somar os números do seu aniversário (dia e mês) com o do ano atual. Por exemplo, o meu é 25 de setembro, então levando em conta que meu ano numerológico começa nessa data, o meu número pessoal é: 2 + 5 + 9 + 2 + 0 + 1 + 9 = 28 = 2 + 8 = 10 = 1 + 0 = 1 Ou seja, até o dia 24 de setembro de 2019, eu ainda estava vivendo dentro do ano 9, que tinha se iniciado no meu aniversário de 2018.

Como eu comentei em um post anterior, eu tenho um painel no Trello onde eu organizo as minhas áreas da vida. Se não viu o post, veja. E no método GTD a gente também faz um exercício com o horizonte de foco 4, que diz respeito à visão de longo prazo para a vida que eu estou construindo (já tem tudo explico em outro post). A título de curiosidade, também tenho um quadro no Trello para este horizonte, onde coloco as informações relacionadas a ele.

Eu adoro revisar esse quadro na época do meu aniversário, porque ele me permite ter uma visão um pouco mais expandida do que coloquei para mim mesma para os próximos anos. Antes que alguém venha falar nos comentários, isso não tem absolutamente nada a ver com “engessar a vida” e “viver sem espontaneidade”. Tem a ver com a aproveitar a vida e planejar coisas que levem mais tempo, desde guardar dinheiro para a aposentadoria até uma reforma maior na casa que você gostaria de fazer, ou a carreira que você está construindo e onde você quer chegar.

Criei então um cartão nesse quadro da Visão, onde coloco o resultado dessa reflexão sobre esse ciclo de nove anos. Eu simplesmente me perguntei: qual deve ser o meu foco para cada uma dessas áreas nos próximos nove anos? Eu não cito coisas que não tenho como saber, mas aquelas que já pretendo que aconteçam. É um exercício bem interessante, até mesmo para alinhar prioridades.

Recomendo muitíssimo que você faça esse exercício:

  1. Calcule em que ano pessoal você está
  2. Procure o significado dele na Internet, para saber o foco do ano
  3. Analise cada uma das suas áreas da vida se perguntando qual deve ser o foco para cada uma delas nesse período

Existem profissionais que fazem mapas numerológicos pessoais, o que sempre é muito legal. Recomendo a Wanice Bon’Ávigo, que é parceira aqui do blog.

Se você quiser uma forcinha minha para fazer esse exercício, ele, junto com muitos outros exercícios desse tipo, eu ensino no workshop de Planejamento de Vida, cuja Turma 3 acontecerá em novembro. Ainda temos algumas vagas. Saiba mais aqui.

Adorei refazer esse exercício, essa reflexão. Me deixou muito mais afinada para lidar com tudo no dia a dia. Como o David Allen (autor do método GTD) fala: o valor de pensar no futuro não está no futuro em si, mas no impacto que ele traz para o nosso presente. Priceless.

Categoria(s) do post: Novidades

Queridos, peço licença para divulgar aqui o workshop de uma amiga porque acredito que tenha tudo a ver com o que fazemos no blog.

A Liz é a única brasileira certificada pelo próprio Tony Buzan (criador da técnica de mapas mentais) e ela trabalha bastante fazendo eventos em empresas. De vez em quando ela consegue realizar turmas abertas, em que pessoas como nós podemos participar. 🙂

A próxima turma nesse formato acontecerá este mês, nos dias 16 e 17 à tarde (14h às 18h), em um coworking muito bacana que tem perto do metrô Sumaré aqui em São Paulo.

Temos apenas 8 vagas disponíveis e você pode se inscrever diretamente aqui.

Caso você não posso se deslocar para São Paulo, no mesmo link acima você encontra uma aula online gratuita de 1 hora que a Liz concedeu gentilmente aos interessados.

Uma das maiores vantagens de utilizar mapas mentais na sua organização pessoal é desenvolver a visão global ou conseguir enxergar o todo, estimular os dois lados do cérebro, aumentar a produtividade, solucionar problemas, aumentar foco e concentração, acelerar o aprendizado, estimular a geração de ideias e organizá-las em categorias e hierarquias.

Sobre a professora: Liz Kimura

Sou Especialista em Mapa Mentais com duas certificações internacionais, em 2.000, como B.L.I.-Buzan Licensed Instructor pelo Buzan Centre dos EUA e em 2.008 como CIMI-Certified Idea Mapping Instructor por Jamie Nast autora do livro Idea Mapping.

+5mil profissionais, executivos e universitários já participaram de meus cursos e/ou palestras.

Professora na ESPM-CIC(Centro de Inovação e Criatividade), FIA (Gestão de Projetos, CTI-Conhecimento, Tecnologia e Inovação), Perestroika (POA, RJ, SP e DF).

Clientes: Bradesco, TV Globo, Ticket, Petrobras, Natura, FIOCRUZ, Consulado Geral da Grã-Bretanha, OZ! Organize dentre outros.

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Eu estarei em sala, participando como aluna. 😉 Vejo você lá.

Categoria(s) do post: GTD™

Para ler este post, entenda primeiro o que são áreas de foco.

Sempre gostei muito de gerenciar minhas áreas de foco em formato de mapa mental e, para isso, utilizava uma ferramenta chamada Mind Meister.

Eu também já fiz essa mesma organização no Evernote e gostava bastante.

Atualmente, a ferramenta que tenho usado para gerenciar as minhas listas tem sido o Trello. Por esse motivo, estou fazendo um teste com um quadro para as minhas áreas de foco.

Tenho uma primeira coluna para “áreas da vida”, onde eu listo as áreas da minha vida (uma para cada cartão) e, dentro delas, uma lista dos pontos a serem revisados relacionados àquela área em questão.

A segunda coluna traz as minhas responsabilidades hoje no trabalho que faço, e também listo dentro de cada card as principais atribuições.

Por fim, uma terceira coluna traz assuntos de interesse, que estou sempre envolvida lendo, estudando etc.

Uma outra forma de organizar as áreas poderia ser criar uma coluna para cada uma delas e, em cada coluna, um cartão ser uma sub-área. Já tentei fazer dessa maneira e hoje acho que do modo como está fazendo fica um pouco mais simples.

Acima eu mostro um exemplo de cartão para a área de foco “espiritualidade”. Na descrição dele, coloco os itens que considero importantes de prestar atenção quando reviso essa área. A ideia é revisar mensalmente (ou sempre que sentir necessidade) e essa lista servir como uma espécie de gatilho para possíveis pendências. Caso tenha alguma providência com relação a um assunto citado, essa revisão me permitirá tomar nota e direcionar apropriadamente.

Não existe certo ou errado quando se trata de organização. Eu uso o método GTD, então os conceitos aqui de áreas de foco todos se aplicam à maneira como eu faço. E o Trello tem seu visual, sua maneira de organizar as informações, então este é apenas o uso que eu tenho feito no momento.

Caso tenha alguma dúvida, por favor, deixe um comentário. Obrigada.