Categoria(s) do post: Carreira, Carta da Editora

O nosso dia a dia é composto por atividades profissionais, remuneradas ou não, que gostamos, precisamos ou queremos fazer em busca de resultados desejados. Damos a elas o nome de trabalho.

Encontrar o mix perfeito de tais atividades, que combinem não apenas com quem você é, mas com o momento de vida que você está vivendo, é uma arte.

Pode ser que você precise de um tempo. Aliás, se você leu o meu post de ontem, você sabe do que eu estou falando. Mas, por mais que você precise de um tempo, os boletos não param de chegar. Temos responsabilidades. E então como a gente faz pra pegar tudo o que a gente está sentindo, precisa fazer, e chegar a um mix de atividades que sejam coerentes com a nossa vida de uma maneira geral?

Não é fácil ou rápido, mas precisa ser feito. É muito mais fácil, de fato, permanecermos na situação em que estamos, seja qual for. Porém, eu diria que é simples. Eu falo sobre isso muitas vezes – não é possível organizar tralha, então livre-se da tralha. O problema, talvez, é que nem sempre fica claro o que é realmente tralha na nossa vida. Talvez, as coisas que nós temos não sejam todas tralhas, mas nem todas caibam em nossa vida. Não depende apenas de espaço, mas da sua vontade e disponibilidade, inclusive (e especialmente, eu diria) mental.

Pode ser que as pessoas (ou seja, não você) considerem que a atividade mais importante da sua vida seja alguma coisa que, para você, não tenha espaço no momento. E aí nasce a culpa, a insegurança, o medo de abandonar o que pode ser o certo. A pergunta que você pode se fazer é: as decisões são definitivas? Se eu pedir demissão, sair desse curso, mudar de emprego, isso significa que ficarei para sempre nesse novo estado? Sim e não.

Porque as coisas mudam. Quando você deixa algo de lado e diz não para ela, mesmo que por um tempo, está dizendo sim para muitas outras. O segredo é se sentir satisfeito(a) com o sim que você está direcionando. Ao mesmo tempo, é perfeitamente ok tomar decisões erradas e perceber depois, e aí mudar de caminho de novo. Estamos vivos e é isso o que a vida nos proporciona – novos dias em que acordamos e podemos tentar novamente.

O que não é legal: jogarmos o peso de toda uma vida em uma decisão que talvez não seja o melhor momento de tomar, porque você não tem condições de pensar muito bem a respeito, até pelos sentimentos que você está sentindo. Pode ser agressivo com você mesma(o) ter que tomar essa decisão agora. No entanto, existem decisões que precisam ser tomadas, porque as atividades têm prazos ou tempo determinado, e você precisa se decidir mesmo sem estar pronta(o). Nesse caso, escute seu coração da melhor forma que conseguir e tome sua decisão com a leveza de que nada é para sempre, e que você pode perfeitamente errar (ou acertar), mas em ambos os casos você pode reajustar a rota, se necessário.

A vida é feita de erros e acertos. Ela não é perfeita – nem nós somos. Tomamos decisões erradas, fazemos besteira, nos arrependemos. Mas também acertamos muito e, de certa maneira, o que nos leva ao conhecimento para acertar cada vez mais é a quantidade de erros que tivemos em situações passadas (que um dia foram o presente assim como o que estamos vivendo agora – o hoje é o passado do amanhã).

Por isso, deixe rolar. Não coloque a pressão de toda uma vida no momento em que você está vivendo. Siga seu coração, e molde suas atividades de acordo com o que você sente ser o mais correto para você no momento. Pode não ser o ideal, mas quem disse que a gente precisa viver como um modelo “ideal”? Seja você mesmo(a), com suas imperfeições e permissões para ter uma vida um pouco mais leve para o seu coração.

E, se possível, dê-se um tempo. Lide com um problema de cada vez, com uma tarefa de cada vez, com uma decisão de cada vez. Não pense no todo, que pensar no todo sobrecarrega a mente, e talvez tudo o que você precise seja viver um dia de cada vez agora. Você não precisa resolver tudo, nem pensar em tudo a todo momento. Você (ainda) não é um robô. Esta vida você vai viver apenas uma vez. Faça com que ela seja legal para você, diariamente.

O futuro é algo que você constrói, não que você alcança. E todos os seus erros e acertos fazem parte dessa construção. Então não se cobre – apenas viva. Por mais que algumas situações demorem mais para acontecer, ou você adie certos planos, o que você vai focar neste momento pode te levar a caminhos diferentes, que você pode descobrir serem até melhores para você.

E esse é sim o trabalho de uma vida.