Categoria(s) do post: Carreira, Equilíbrio emocional

Quando eu era criança, gostava de brincar de professora – como praticamente todas as crianças da minha idade na época.

Depois, eu achei que seria desenhista. Minha mãe me levou para conhecer o Maurício de Souza, que me deu um desenho da Mônica autografado, elogiou as histórias em quadrinhos que eu mesma criava com papel sulfite e me convidou para trabalhar com ele quando eu crescesse. Eu sinceramente passei anos da minha vida achando que eu realmente faria isso.

Na época do vestibular, eu não tinha mais esse sonho e queria algo mais “normal”. Gostava de desenhar, então pensei em Moda. Mas também gostava de ler, então pensei em História ou Direto (mais “do mercado”). Por gostar de escrever, juntei em um mix e acabei optando por Jornalismo. Foi uma boa escolha e, até hoje, acho que teria me formado uma boa jornalista. Sempre trabalhei com criação de conteúdo, mas a formação em Publicidade deu o tom do que eu faria com ele profissionalmente (para quem não sabe, fiz dois anos de Jornalismo e depois mudei para Publicidade, onde me formei).

Cara, realmente a vida é como um supermercado. Você passa pelas gôndolas, sabe que precisa fazer escolhas, mas são tantas (umas tão boas e outras tão estranhas), que a tendência a ficar confusa(o) é enorme.

Quando eu fui para o (super) mercado de trabalho, tudo era indefinido. Comecei trabalhando como estagiária na área de marketing de uma empresa. Depois, migrei para uma área de comunicação interna. De lá, trabalhei em agências de publicidade, até entrar novamente na área de comunicação de outra empresa – desta vez, ligada ao governo. Foram todas experiências muito interessantes e que me ajudaram a formar quem eu sou hoje, especialmente no que diz respeito a habilidades de convivência profissional.

A parte de habilidade no meu ofício, eu sinceramente aprendi sozinha, com poucas pinceladas de colegas ou professores nos diversos cursos que fiz. Sempre fui muito autodidata e gostava de testar o que aprendi. Não foi à toa que criei este blog, lá em 2006, para escrever sobre um assunto que eu gostava. Eu só não imaginava que um dia trabalharia com isso, apesar de meu coração ter começado a bater mais forte quando comecei a me envolver com o assunto.

De verdade, a vida é uma jornada. E começar a se organizar, a querer desenhar essa trajetória, é colocar o pé na estrada.

À medida que as coisas foram acontecendo, eu fui aprendendo muito sobre mim mesma – o que eu gostava e o que eu não gostava de fazer. Tudo isso foi me ensinando para onde eu gostaria de encaminhar a minha vida dali em diante.

Não existem caminhos certos ou errados – e eu sei que você deve estar cansada(o) de ler isso. Mas o que quero dizer é que eu procuraria novas maneiras de ser feliz em quaisquer caminhos que eu tenha escolhido, que me levariam a lugares diferentes. Eu poderia ter me tornado advogada. Estilista. Jornalista. Historiadora. Bibliotecária. Farmacêutica. Realmente não importa, mas sim a jornada. E esse é o ponto.

Ter passado por todas essas reflexões nos últimos meses tem me ajudado a ponderar sobre a vida como um todo e sobre como podemos colocar uma pressão enorme sobre as escolhas que fazemos, como se fossem irreversíveis. E, sabe, algumas delas podem ser. Mas o irreversível não quer dizer definitivo. Quer dizer apenas que você escolheu algo, essa escolha teve consequências, mas essas consequências te ajudaram a ser quem você é hoje – uma pessoa que pode fazer escolhas melhores ou, pelo menos, diferentes. E toda essa vivência vai te levando a novos caminhos. Novas estradas. E novos lugares.

Eu curto muito pensar lá na frente. Onde eu quero chegar. No estilo de vida que estou construindo para mim, especialmente com o trabalho. Mas curto igualmente a minha vida agora, e ela precisa ser curtida agora, não só depois (depois TAMBÉM).

Na prática, significa investigar porque, pelo terceiro dia seguido, eu não estava a fim de fazer uma atividade que, até então, eu curtia pra caramba. Não deixar a vida passar, sabe? Tomar providências. Mas, acima de tudo, tentar me entender.

Quanto mais você caminha, mais descobertas você faz, e essas descobertas te levam a descobrir novos caminhos que você talvez não tenha considerado antes.

Eu cresci uns 10 anos no último mês – sem brincadeira. Passei a ver com mais leveza algumas áreas da minha vida que tinham uma essência mais intensa – especialmente no trabalho.

Quando passei a ver tudo o que eu faço como algo efêmero, que vai acabar (que seja com a minha morte), e que existem tantas outras possibilidades na vida para mim, assim como tantas outras pessoas que podem fazer esse mesmo trabalho que eu faço, abrindo um leque de possibilidades para relacionamentos, parcerias, oportunidades… isso me deixou muito feliz e curiosa para colocar a cabeça para fora do carro e curtir o vento batendo no rosto no meio da estrada mesmo, antes de chegar no lugar. Porque, por mais que eu tenha meus mapas, por mais que eu saiba o caminho, caramba… a brisa está ótima. O sol está se pondo, eu estou feliz, e um sorriso no rosto vale mais a pena que uma lágrima no travesseiro de noite – o que é igualmente válido, é claro. Mas, no momento, levo esse sorriso porque já chorei demais.