Plenitude & Felicidade, Destralhar, Lifestyle, Contribuição com o mundo

Além do Minimalismo

Entre 2006 e 2008 eu mergulhei no minimalismo.

Foi uma experiência importante para a época. Eu buscava a essência das coisas e acreditava realmente que o excesso, de maneira geral, desviava a minha atenção, além de dar trabalho e tomar meu tempo.

Consegui reduzir minhas coisas a, como Thoreau diz em “Walden”, ao que cabe em um único carrinho de mão, e com isso considerava a minha vida mais simples.

Eu fui aquela pessoa que tinha duas calças jeans e alguns pares de camisetas para facilitar o vestir no dia a dia (ainda existe esse “mindset” associando o ato a pessoas de alta performance ou bem-sucedidas).

Aprendi a meditar. Meditava horas. Lia muito. Cheguei a ler um livro por dia, na época.

De maneira alguma tenho a pretensão de dizer que a minha experiência se aplica a todo mundo e que as conclusões a que cheguei posteriormente a ela seriam iguais para outras pessoas. É um blog pessoal, certo?

Mas, para mim, quando você entra em um processo de minimalismo, é grande o risco de jogar o bebê com a água fora. É um erro de processo, mas esse erro não tem como ser evitado, porque para saber as coisas que realmente se quer, muitas vezes precisará ficar sem elas.

Hoje, após mais de 10 anos pós esse período, eu acredito que tenha mantido a mesma mentalidade da busca pelo essencial, e que o destralhe faz parte do dia a dia, mas entendo que muitas vezes eu não estou em condições de decidir o que é ou não essencial. Por isso nunca defendo que você destralhe sua casa toda de uma vez, por exemplo.

Além disso, vi, na época, o processo do minimalismo como uma necessidade individual. Eu estava no retorno de Saturno (para quem acredita), em meio a uma grande crise existencial. Não queria mais trabalhar com publicidade, por ser um mercado de trabalho extenuante. Morava com a minha avó, que era acumuladora. Eu queria mais me libertar das amarras da minha própria vida que qualquer outro propósito.

Então, me desfazer de 90% das minhas coisas porque imaginava que moraria em outro lugar ou aceitaria o emprego de caseira em um sítio (sim, eu procurei na época, e descobri que só aceitam casais ou, principalmente, um “homem forte e armado”), foi algo que simplesmente precisei fazer. E foi um exercício necessário para eu me encontrar.

Ter passado por alguns anos nesse estado minimalista bastante radical me ensinou diversas lições. Ter trabalhado, pesquisado e escrito sobre organização e produtividade também. Meu mestrado me ensinou a desenvolver uma visão mais crítica sobre tudo. E é todo esse pacote que faz a Thais chegar aqui hoje e escrever sobre percepções que tenho para além do minimalismo. Lembrando, como sempre, que este é um blog pessoal, com meu ponto de vista pessoal.

Hoje eu vejo o minimalismo como um fenômeno do século XXI. Ele pode ter efetivamente nascido antes, e até ter (nas artes) uma origem anterior. Mas ele é uma reação essencialmente contemporânea, nascida nos Estados Unidos, e reflete mais uma das crises do modelo capitalista.

Infelizmente, esse berço trouxe algumas características que também refletem eventos que precisam ser problematizados. O privilégio branco, heteronormativo, acima de tudo com a possibilidade de escolha. A sutil porém sempre presente abordagem de que mulheres têm mais dificuldades com o minimalismo porque “gostam de comprar roupas e sapatos”. A possibilidade de você displicentemente poder esquecer seu Kindle em um auditório. O discurso padrão de preferir ter menos coisas, menos amarras, para poder viajar e ter mais experiências. Apesar de não ser supostamente a intenção, o discurso do minimalismo se coloca como elitista. A própria crítica que vem a ele nasce de comentários como “pobre já é minimalista de nascença” – ou seja, o conflito de classes existe, e esse ponto é importante de ser reparado, sempre.

Aqui de boas com minha mala de viagem minimalista observando o avião consumir combustíveis fósseis não renováveis

Mas o que é, afinal, o minimalismo? O minimalismo é um princípio de vida que delineia, para todas as suas escolhas (não apenas referente a casa, dinheiro, tempo, sapatos e objetos), você focar no mínimo essencial. De certa maneira, o minimalismo tem muito a ver com o processo de organização, no sentido de buscar a praticidade das coisas. Mas não se trata apenas de elementos físicos e palpáveis mas a um modo de pensar voltado ao mínimo essencial mesmo. Justamente por isso, ele supostamente tem um viés individual. Trata-se de como você, pessoa, lida com tudo em sua vida buscando focar apenas no mínimo necessário. Isso pode ou não impactar no coletivo. Não é o foco, apesar de algumas pessoas que se dizem minimalistas terem isso como propósito também.

Por mais que eu tenha muitas ressalvas sobre a abordagem dos The Minimalists, gosto particularmente de uma frase que o Joshua usa no documentário, dizendo que cada item na casa dele está ali por um propósito. A revista na mesa, a cadeira na sala, a pasta executiva preferida.

Apesar de o minimalismo beber de muitas fontes que inspiraram esse movimento no passado, precisamos tomar cuidado para não fazer a associação inversa, como se elementos do passado também fossem minimalistas. Isso seria anacronismo. As ideias encontradas no minimalismo bebem nos Vedas, no Budismo, no Zen, no taoísmo, na meditação transcendental, nos estóicos, no bem-viver das aldeias, até mesmo em Thoreau, mas isso não significa, nem de longe, que Thoreau era minimalista, que Sêneca era minimalista ou que Buda era minimalista. Porque o minimalismo é uma reação histórica contemporânea a uma crise do capitalismo.

Aqui vou arriscar uma hipótese, relembrando que é apenas uma visão pessoal e não a verdade absoluta. Mas, para mim, o problema do minimalismo na verdade são dois:

  1. O tom elitista (a pessoa que pode ter coisas e experiências para poder escolher como fazer uso delas é sim um privilégio pautado por uma divisão de classes);
  2. O tom individualista (apesar de muitos minimalistas terem a consciência ambiental e coletiva de suas ações e, por vezes, tornam-se minimalistas também por conta disso, essa não é uma regra dentro do movimento).

Uma das grandes inspirações do movimento minimalista é o movimento de simplicidade voluntária, mas os adeptos da simplicidade voluntária não necessariamente são minimalistas. Logo, não são sinônimos. Eu posso ter uma casa no interior, plantar minha comida, ter painéis solares para energia sustentável e ainda assim ter mil livros e deitar exausta/o na cama antes das 21h porque passei o dia cuidando da terra, dos animais, da vida no geral. Um minimalista pode querer ter uma prensa francesa para fazer seu café, ou a melhor máquina de espresso / expresso que que ele puder comprar. E aí talvez a gente chegue em um ponto essencial da conversa: se depende de energia, depende do capitalismo. E, se depende do capitalismo, não é uma proposta de viver nova.

“Em uma toca no chão vivia um hobbit”

Não é sustentável comprar um celular novo com mais recursos e descartar o celular antigo. Não é sustentável ter um desodorante com alumínio. Você pode ter apenas um desodorante e ser minimalista bagarai. Mas não é vida simples. Não é bem-viver. Não é sustentabilidade. Reduzir o consumo é o “centrão” do modo de vida sustentável. O bem-viver é um rompimento total para termos uma proposta de mundo mais igualitária. Mas o que é o bem-viver?

“O bem viver é, essencialmente, um processo proveniente da matriz comunitária de povos que vivem em harmonia com a Natureza” (Alberto Acosta). Aliás, se quiser ter como referência, em breve farei uma resenha desse livro por aqui (“O bem viver – uma oportunidade para imaginar novos mundos”, Ed. Elefante). Não se trata de “bem-estar ocidental”, que envolve viver dentro do capitalismo de uma maneira mais amena. Trata-se de resgatar completamente um modo de viver que remonta a civilizações e modelos mais simples. Não é “regredir”, ok? Pelo contrário, é construir um futuro sustentável. Repensar e aprofundar o modelo de democracia. Uma sustentabilidade sustentada na solidariedade. O ser humano não como elemento separado da natureza, mas parte dela (como é congruente a visão dentro do Ayurveda também). Por enquanto, vivemos em um esquema completamente antropocêntrico de organização produtiva, com o próprio produtivismo causando a destruição do planeta, regido pela acumulação do capital.

Se você usa elementos pontuais para o seu bem-estar – por exemplo, aprender meditação para lidar com sua própria ansiedade individual, ou entra no minimalismo para repensar a sua prática de consumo – tudo isso é muito, muito melhor do que estar no nível de uma pessoa que nem o lixo de casa busca reciclar, não repensa o consumo ou estoura com todo mundo porque não aprendeu como controlar sua raiva instintiva. Mas isso é um band-aid no machucado principal: um sistema que causa o esgotamento dos recursos naturais e muita pobreza em todo o mundo, além de outras mazelas. Pode estar tudo bem na sala do seu apartamento enquanto você pratica yoga e observa a chuva lá fora, mas enquanto não houver uma discussão sobre modelos de ruptura que superem a metáfora do desenvolvimento, que construam um futuro emancipador, estabelecendo democraticamente sociedades sustentáveis, é apenas uma pessoa dentro de um apartamento com sua consciência tranquila porque a vida dela está ok. Logo, é sobre privilégios e consciência de classe.

Partindo de uma percepção individual, exteriorizar essa decisão como princípio de vida, buscando um estilo sustentável de viver que englobe todos os seres – e os seres humanos dentro da natureza, sem separação, porque de fato não há – e lute efetivamente por essa mudança, aí sim estaremos agindo coletivamente e efetivamente. Se uma pessoa se torna minimalista a princípio para lidar com suas questões internas, e então ela parte para o coletivo, isso é excelente. Mas dificilmente essa pauta é centralizada porque o foco no indivíduo, na performance, na flexibilidade (“não tenha coisas, viva experiências, use seu dinheiro para viajar!”) ainda sustenta um mesmo modelo. Você pode ter a consciência tranquila por não estar consumindo coisas mas, se para viajar você usa um avião, por exemplo, ele foi construído com “coisas”. Alimenta uma cadeia produtiva. Você está consumindo mais do que se ficasse em casa lendo seus livros. E cuja passagem pode ter sido mais cara que a média mensal que um brasileiro vive hoje para se sustentar, que no caso é de 413 reais. Um modelo cosmético, como bem descreve Duane Elgin em “Simplicidade Voluntária” (que também vou resenhar para o blog). Você pode ter uma malha de cashmere em vez de cinco suéteres de lã, e seria um modelo minimalista pronto para lacrar no feed do Instagram. Ou pode “viver de experiências”, que normalmente é traduzido como viagens (que envolve também uma pancada de privilégios). Mas, ainda assim, como diz o Duane, “sem precisar fazer mudanças fundamentais em nosso estado de viver e trabalhar, (…) permitindo que continuemos no mesmo caminho de progresso por décadas ou mais”. Ou seja, sem causar mudanças efetivas e muito necessárias que nosso planeta precisa.

O clima do mundo está mudando. O consumo de energia está devastando o planeta. O extrativismo também. A agroeconomia. A escassez da água. O fato de não termos a sustentabilidade como regra para escolhas diárias. A divisão de classes, o heteronormativismo, o privilégio branco, o patriarcado, a fome, a miséria. A precarização do trabalho. A despolitização. As grandes redes de empresas. O fast-food. O capitalismo financeiro. A extinção dos animais. O consumo desenfreado de carne. A disseminação de vírus. Se o seu minimalismo não corta na jugular as questões acima, ele não é uma filosofia com foco na simplicidade voluntária e no bem-viver. É apenas uma mudança cosmética dentro do sistema capitalista. Pode te deixar com a consciência mais tranquila e “focado” no que é importante para você, mas o quanto isso te aliena do que é importante para todo o mundo? O minimalismo está mais próximo da cultura do “dolce far niente”, do hedonismo, que da ruptura sistêmica que traria mudanças efetivas.

Reforçando: não estou dizendo que toda pessoa que se considere minimalista ignora essas questões. Quero dizer que tais questões, urgentes, e cernes de movimentos como o da simplicidade voluntária ou do bem-viver, não são o cerne do minimalismo, pois o cerne do mesmo é a pauta individual, com o impacto coletivo como consequência ou segundo plano, a não ser que o próprio indivíduo leve essa problematização adiante.

Mais uma vez: minha experiência pessoal somada às pesquisas que tenho feito nos últimos 14 anos, especialmente aprofundadas nos anos do meu mestrado. Como falei no início do texto, minha jornada de início do minimalismo foi importante, fruto de uma inquietude interior. Mas foi fundamental olhar para fora para compreender que, como parte do mundo, não basta ter compaixão apenas comigo mesma, mas com todos.

E se por acaso você chegou aqui procurando sobre minimalismo, está a fim de conhecer mais o movimento, parabéns! O minimalismo é um passo importante e que já vai trazer muitos ganhos para você e também para o planeta. Mas meu convite é para ir além, em busca de um mundo comum.

69 Comments

  1. Parabéns pela grande reflexão. É uma delícia quando nos deparamos com textos tão bem escritos na internet.

    A intersecção de lutas é, de certa forma, uma escola de pensamento bem recente para todos nós. Me lembro muito bem quando eu era adolescente e meu grupo de amigos, revoltados com o “sistema”, passava horas falando sobre anarquismo e sociedade de consumo. Mas nunca passou pela cabeça de nenhum de nós discutir as consequências do patriarcado ou o motivo de não haver pessoas trans em nossos espaços.

    Hoje, vejo jovens da mesma idade me ensinando sobre intersecção no Youtube. Que maravilha!

      1. Renata Natacci says:

        Acho que seu texto remete muito à questão do quanto podemos causar mudanças com nosso comportamento individual – se é que podemos.
        Eu sempre fui adepta de “fazer a minha parte”, “mudar meu mundo”, mas hoje me questiono muito se so isso é suficiente. Realmente não sei.

    1. Ana Karoline de Oliveira Costa says:

      Uma reflexão mais que necessária, ainda que dolorosa. Vou compartilhar com meus amigos.

  2. Bruna Pedra says:

    Thais,

    seu texto me emocionou muito. que bela reflexão. Muito obrigada por compartilhar tanta sensibilidade.

  3. Nicole Cristina Rodrigues says:

    Putz Thais, que texto! Comecei destacando algumas frases e depois pensei: “impossível. Esse texto inteiro deve ser lido várias vezes.”
    Obrigada de verdade por tanto! 💚

    1. Concordo plenamente

  4. Senti que esse foi um título modesto demais para um texto muito bom

  5. Obrigada por colocar em palavras como eu me sinto em relação a essa pauta.

  6. Arlene Alves Vaz says:

    Obrigada Thais por compartilhar essa preciosidade em forma de linhas escritas. Tenho vivido este movimento e uma das ideias que me fez ficar muito em paz com meu processo. Foi um poema de Mario Quintana onde ele diz: “Não faz mal que meu quarto seja pequeno, assim tenho menos espaço para perder minhas coisas.”

    1. Excelente trecho! <3

    2. Thais, que texto incrível!!! Obrigada por tanto!!!

  7. Leila Silva says:

    Thais, que texto maravilhoso! Há tempo sinto uma atração e, simultaneamente, algum incômodo pelo tema “minimalismo”. Agora entendi essa relação paradoxal que estava se debatendo dentro de mim. É isso: precisamos ir além. Palavras esclarecedoras. Gratidão!

  8. ELIZABETH says:

    Passei pela fase do desapego. Tanto que chegou no inverno e me vi sem blusa de frio kkkk tudo um aprendizado, mas sou bem mais feliz.

  9. Jeniffer Geraldine says:

    Excelente crítica! Assim como vc, encontrar movimentos como minimalismo e essencialismo (ambos pautados/fundamentados na experiência gringa) me trouxeram boas reflexões para momentos específicos da minha vida. Apliquei/aplico o necessário para organizar o caos da vida, mas sem perder de vista o meu contexto como um todo – mulher, brasileira, do interior da Bahia e trabalhadora.

  10. Patrícia says:

    Impactante!!

  11. Natasha Campaci says:

    Obrigada pelo maravilhoso texto!! Ansiosa pelas resenhas dos livros que você citou! Grandes questões sociais podem nos deixar imóveis, por não sabermos o que fazer, o minimalismo, por ser individual, parece estar mais ao nosso alcance, pelo menos ao alcance da elite, como você falou.
    Eu tento usar ideias minimalistas na minha vida, para simplificar, mas sempre depois da reflexão do sustentável e do impacto social. Tento né.
    E uma ultima coisa, acredito que colecionar “momentos”, em fotos de viagens, pode ser tão consumista quanto gastar seu salário todo com bolsas e fast fashion.

    1. Nossa, você traduziu o que tenho pensado nos últimos dias. A ostentação deixou de ser de “coisas” e passou a ser de “momentos”, pra mim, não deixa de ser um consumo desnecessário.

  12. PAULA CAROLINA PEREIRA says:

    Thais, este texto me tocou demais, mas você não tem ideia do que o texto “O que é ser frugal?” fez comigo, sabe aquela grande ficha que uma hora cai? Foi ele!
    Esse texto penso que acaba complementando muito o outro, gostaria que escrevesse mais sobre o termo frugal, vi poucos textos na internet!
    Abraços

  13. Flávia Palácio says:

    O minimalismo, para mim, é o início de uma jornada. Essa jornada se inicia onde você está cansada de nós explicar: destralhar. Para mim o minimalismo está mais na consciência de não consumir muito para não produzir muito lixo. Porque mais importante do que reciclar é não produzir tanto lixo. Espero que muitas pessoas tenham aderido ao “minimalismo “ pensando também no meio ambiente e não só em suas casas com poucos e caros objetos.

  14. Texto excelente e para ser relido inúmeras vezes. Essas reflexões são realmente essenciais. Muito obrigada!

  15. Parabéns Thaís! Excelente texto. Esclarecedor. Muito grata por compartilhar seu conhecimento.

  16. nossa Thais, q texto necessário! Parabéns pela lucidez e por engajar seu trabalho em algo muito maior, questionando bases da nossa sociedade que não cabem mais em nossa realidade

  17. Que texto! É exatamente isso. Em conversas entre mim e minha psicóloga sempre há o tópico “aprender a conviver com a minha hipocrisia”. É simples assim, todos somos hipócritas em algum nível, no meu caso, pessoa que levanta varias bandeiras – veganismo, feminismo, anti-racismo, pró lgbt(…) – são em vários. Estou tentando cada dia mais melhorar essas questões, tendo SEMPRE em mente o quão privilegiada eu sou. Obrigada pelo texto!

  18. Primeiro texto seu que li e estou encantada. Abordou questões que tenho refletido muito nós últimos dias, essa consciência de privilégios e classe é muito impactante.

  19. Ana Luiza Rei says:

    Muito pertinente a reflexão, Thais!
    Nós temos a tendência a focar só no que nos tras esse “bem estar” momentaneo, aliviando a nossa consciência, mas esse texto foi um chamado à essência da questão.
    Obrigada <3

  20. Thais, muito lindo e profundo o seu texto! Na hora em que você menciona o conflito de classes, eu me lembrei da série de vídeos que a “Blogueira de baixa renda” fez sobre “minimalismo de pobre”. Ela até conversou com a Passa sobre o tema também: https://www.youtube.com/watch?v=algYrnfRN94

    Ah! E eu sei que vocês estão em transição do layout, mas queria dizer que adorei o header novo!

    1. Obrigada, Cintia. Acompanho o trabalho da Nat porque somos companheiras de Brunch. <3

  21. Thaís, gostei bastante do texto. Porém, queria pontuar que senti falta de você tocar na questão do consumo nas classes baixas. Venho de uma família grande com uma renda muito baixa e muitas vezes nos perdemos na hora de escolher entre o que era importante e o que era para “mostrar aos outros”. Quero dizer que uma família pobre pode muitas vezes cair no erro de fazer muitas prestações para comprar presentes de Natal, por exemplo, mesmo não tendo como pagar o material escolar dos filhos, que precisará ser comprado daí dois meses. As classes baixas querem consumir também e entram em dívidas e dívidas porque não refletem sobre consumir — pegam empréstimos, parcelam, gastam o 13º antes de receber… Nesse sentido, o minimalismo veio me fazer entender que preciso compreender o real da minha condição e como posso viver bem com ela, e não pleiteando um ideal de vida burguês. Entende onde quero chegar? Se para um burguês abrir mão das coisas, “destralhando a casa”, pode ser um ato bastante elitista, pois aquela pessoa pode escolher entre ter e não ter; em outra direção, para quem vem de uma família pobre, o minimalismo pode ser um meio de aprender como aplicar de uma maneira mais inteligente o pouco dinheiro que se tem. Então o foco não estaria em “ter experiências de viagem”, mas em não se individar e mesmo assim ter uma vida prazeirosa, porque se substitui o consumo desenfreado (parcelamentos em 24x de coisas de que não se precisa) por um consumo do que realmente faz sentido. Isso afeta nossa auto-estima também.
    Abraços!

    1. Obrigada, Ariane. Aí é uma outra questão e outros tipo de problematização, relacionada ao consumo como forma de inclusão, auto-estima etc. Certamente pode ser abordada dentro do minimalismo também, desse ponto de vista que você falou, mas daria um texto inteiro só para ele. Obrigada por pontuar.

  22. Kelly Vinco says:

    Sempre me sinto enriquecida com suas reflexões. Inegável que o momento que estamos vivendo evidencia a urgência do repensar o nosso viver, como indivíduos e, princialmente, comunidade. Espero que não seja tarde demais.

  23. Aline Monteiro says:

    Texto maravilhoso. Passei a aderir ao minimalismo após me mudar para uma kitchenet.

  24. Fernanda Rossin says:

    Thais, que reflexão forte! A ruptura com os modos predatórios do capitalismo, tanto quanto possível, é um passo importante para vivermos de forma mais sustentável e harmônica.

    Obrigada por compartilhar este texto conosco e se posicionar tão claramente para o público que te acompanha.

  25. Bom texto! Durante muitos momentos tive vontade de comentar, por que vi alguns desvios de conceito (ao meu ver), o que ao ler o parágrafo seguinte pude constatar que, de certa forma, você estava “brincando” com esses conceitos no seu texto, discorrendo de uma forma talvez não linear mas que coloca em cheque os conceitos dois quais escolhemos adorar em nossas vidas.
    Concordo com o que escreveu, concordo com a importância de um estilo de vida focado no outro, na verdade, focado no todo, pois somos parte de um todo!
    Vejo o minimalismo não como um “anti-capitalismo” mas sim como “anti-consumismo”, um passo importante no melhor viver de maneira sustentável. A perfeição não existe, mas os que buscam pequenas mudanças já estão muito a frente dos que não fazem absolutamente nada, ou ainda esbanjam recurso. Recursos estes que faltam para outros.

  26. Ana Luisa de Oliveira Ribeiro says:

    Uau Thais, que texto forte e delicado ao mesmo tempo! Quantas questões abordadas.
    Quantos privilégios tenho… trocar coisas por viagens… ainda é consumo, sem dúvida!!!
    Tantas questões óbvias mas que deixamos de enxergar para que doam menos na consciência!
    Quanta coisa à ensinar aos nossos filhos!
    Obrigada mais uma vez e mais uma vez e mais uma vez!!!
    Toda minha admiração por vc, que só cresce!! Beijo grande.

  27. Que texto sensível e profundo Thais, parabéns pela escrita tão coerente.

  28. Daqueles textos que li e reli mas sinto que ainda não captei toda a profundidade da reflexão. Muito obrigada por nos fazer pensar muito além!

  29. Minha gente, já passamos os derradeiros 100 anos nesse discurso capitalismo x comunismo, não me conformo que iremos passar mais 100 anos assim… Tem que haver um ponto saudável no meio disso tudo. Penso que a evolução é sempre individual (até espiritualmente falando), como querer estender o plantio de um para a colheita de todos? Sinceramente não aguento mais o discurso nem de esquerda, nem de direita, está contaminando tudo, criando adversidades entre as famílias, fosso entre as pessoas. É muito fácil falar em retornarmos a uma civilização quase agrária sentados em nossas casas, com nossos aparelhos eletrônicos.

    Estou lendo Jordan Peterson e tentando encontrar um meio termo sensato nisso tudo.

    1. Cinthia, se me permite uma sugestão, caso ainda não tenha lido, sugiro o livro “21 lições para o século 21”, do Harari. O primeiro capítulo é justamente focado na discussão da “quebra” (ou do inconformismo) com o capitalismo e com a dificuldade das pessoas tentarem enxergar que pode estar surgindo um novo modelo. Não significa a volta a algum passado (comunismo, socialismo), mas sim a (possível) ruptura para uma nova definição. Afinal, já entendemos bem o problema dos modelos anteriores e hoje sofremos com os problemas do capitalismo. Acharemos um meio termo, ou continuaremos mudando 🙂

      1. Grata Tamires, vou procurar o livro que indicou. Bjs

  30. Maria Cristina de Oliveira Furtado says:

    Thaís, que texto maravilhoso! Se você ainda não escreveu um artigo científico sobre isso, acho que é só dar uma adaptada nele e mandar ver!! Eu já li Walden (inclusive foi quando escrevi minha dissertação rs) e vi a sua experiência com o minimalismo, nos idos dos anos 2000, parecida com a do Thoreau. Tipo, um processo, um caminho, um momento de reflexão. E acho que você resume bem no final com ” O minimalismo está mais próximo da cultura do “dolce far niente”, do hedonismo, que da ruptura sistêmica que traria mudanças efetivas.” É isso! Eu não sabia o que me causava um certo incômodo sobre o minimalismo e o seu texto me revelou muito!!

    1. Obrigada, Maria Cristina. Estou transformando-o em um texto acadêmico sim. Talvez apresente em um seminário em outubro.

  31. Thais, eu fiquei arrepiada com o seu texto. Adoro como você se comunica bem, é inteligente, responsável e brilhante em suas análises. Se todos soubessem se posicionar compassivamente como vc, estaríamos em um mundo infinitamente melhor. Vou compartilhar COM O MUNDO todo esse txt !

  32. Rafael Serigatti says:

    Que texto! Ótimas reflexões, obrigado por compartilhar.

  33. Que texto incrível, Thais! Acho que você conseguiu apontar as críticas de uma forma sensível e ainda sim muito pertinente a esse movimento que, ainda que tenha seus méritos e pontos positivos, precisa sim ser avaliado dentro do cenário onde está inserido. Parabéns e muito obrigada por compartilhar essas pílulas de sensatez e reflexão nesse momento. Queria imprimir e colar na minha testa para reler sempre! XD

  34. Adorei o novo texto. Há algum tempo queria ouvir uma opinião mais aprofundada tua sobre o minimalismo, que havia criticado levemente em alguns outros textos. E concordo plenamente. Acho que o minimalismo (em essência) é o caminho mais “natural” para iniciar um processo de mudança, visto que normalmente precisamos começar por nós, mas que deve seguir. Seria algo como iniciar o destralhe da vida para depois planejar as metas do mundo 🙂

  35. Maria Clara says:

    Ótimo texto, Thais! Extremamente necessário refletir e discutir sobre isso!

  36. Maravilhosa reflexão Thais! Eu estou começando a aprender sobre o minimalismo, inicialmente motivada por uma questão financeira e seu texto me mostrou que vai muito além. Falando dos recortes sociais, algo muito importante que vc tocou aqui, eu gostaria de falar um pouco sobre a minha experiência. Nasci e fui criada na favela e apesar de hj não morar mais lá, as minhas condições de vida são as mesmas. Então posso te dizer com todas as letras que o pobre (não o que está abaixo da linha da pobreza é claro, falo do assalariado que recebe o mínimo pra “sobreviver”) não é minimalista. Estamos inseridos num mundo capitalista e o mesmo instinto do consumo superficial e não consciente tb é alimentado dentro de nós. Vamos além do essencial, sem planejamento e com isso a nossa vida vira um verdadeiro caos. A necessidade de consumir pra ter um status social faz o brasileiro baixa renda estar sempre muito enrolado com cheque especial, dívidas com cartões de lojas de departamentos e empréstimos consignados. Fui uma dessas pessoas que acabou caindo num buraco de dívidas e isso estava consumindo minha paz, passou a ser um problema muito grande na minha vida. O minimalismo então chegou na minha vida, aprendi que vivemos num mundo que vende necessidades. Eu estava sempre “precisando” de alguma coisa e comprava com dinheiro ou sem dinheiro, eu dava o meu jeito. Daí comecei a despertar pra essa questão qndo conheci o canal Blogueira de baixa renda no Youtube, que ensina conceitos básicos de finanças e minimalismo pros “baixa rendinhas”, como a Nataly carinhosamente nos chama. Quero aprender muito mais, aqui vc tb me mostrou que não é só sobre o dinheiro, essa consciência de mundo e sobre o coletivo tb caminham junto. Obrigada!

  37. Noooossa Thaís, leio há anos o seu blog e esse texto ficou incrível. Muito feliz em ler uma crítica fundamentada, extremamente adequada ao nosso tempo, e tão bem escrita.

  38. Oi. Adorei a sua visão sobre o minimalismo🌻

  39. Parabéns pela reflexão e posicionamento, sempre tão pertinente! Fico muito feliz em ler seus posts, sinto-me acolhida por eles nesses tempos tão difíceis. Esse post retrata um pouco do que acredito ser a “luz no fim do túnel”. Amei ver a temática do bem-viver por aqui, que eu gosto de acompanhar pelas palavras do Thiago Ávila, e achei muito interessante o olhar que você deu a isso, relacionando ao minimalismo. <3 Grata por dividir isso conosco!

  40. Virgínia Modaja says:

    Que texto brilhante e necessário. Primeira coisa sua que leio e já estou encantada! 👏🏽👏🏽👏🏽👏🏽 Parabéns pela escrita maravilhosa! simples sem ser simplória. Amei de vdd! 🌻

  41. Thais, o que você acha sobre minimalismo para pessoas de baixa renda? Onde se considere a realidade em que elas vivem, mas apresentando conceitos do que é essencial. Digo isso porque venho de uma comunidade pobre mas que usualmente acumula muitos itens e sofre com isso. Não estou desconsiderando as questões psicológicas que envolvem essa questão também, mas gostaria de dialogar melhor com esse público e apresentar o conceito minimalista.

    1. Acho que é uma pesquisa válida e que pode ser feita, especialmente respeitando o local de fala dos entrevistados.

  42. Luca Azevedo says:

    Muito interessante Thais, muitas coisas que pensamos parecido, algumas adjacentes, mas o núcleo é o mesmo. Obrigado pela reflexão!

    Uma reflexão que aprendi e gostei (eu estava aflito e desesperado na época), (já sendo ultra mega elitista) na escola Schumacher em Londres, foi buscar uma virada de mindset em relação a tudo que vemos e ouvimos no capitalismo, que é no sentido de: desapegar do resultado e focar no processo, com a fé de estar fazendo o melhor possível. Caso contrário, é muito deprimente e desesperador, e o ponto não é viver assim para ser um “mártir”, e sim o que você chamou de bem viver.

  43. Marcelise M Azevedo says:

    Vim aqui dizer que te leio faz tempo, em silêncio. Hoje preciso dizer que esse texto é umas das melhores coisas que já li sobre o tema. Desde a abordagem conceitual até a análise politica que vc faz! Muito bom!!!

    1. Obrigada, Marcelise.

  44. Jaqueline says:

    Oi, cai de paraquedas aqui no seu blog porque ele apareceu nas recomendações do Google em meu celular e o título me chamou a atenção.
    Sou estudante de arquitetura e conheci o movimento minimalista através do movimento tiny house, ambos estão muito ligados em seus conceitos.
    Eu buscava saber sobre o movimento tiny house justamente porque acreditava que na questão de “da pra viver bem com pouco” (seja coisas ou espaço), mas a realidade que encontrei foi outra, pelo menos aqui no Brasil.
    Nós acabamos importando as ideias e as técnicas dos EUA nesse movimento, mas esquecemos da conversão monetária. Realmente pode ser barato construir uma tiny house nos EUA, mas aqui no Brasil (com as técnicas de lá) é apenas uma goumertização pra quem tem dinheiro poder se dizer “sustentável” e levantar a bandeira do minimalismo (veja a exemplo uma casa chamada MINIMOD, linda, porém…).
    Fora minhas críticas ao movimento “irmão” do minimalismo no Brasil, eu realmente me interessei pelo movimento em sua essência de manter somente o que lhe faz bem e se livrar dos excessos. Desde que me deparei com ele, houve um certo “casamento” com algumas das coisas que vinha aderindo da cultura japonesa (a limpeza de ano novo, Mary Kondo, o próprio estilo naturalmente minimalista japonês) e por isso aderi ao movimento em si.
    Estou me livrando ao pouco dos excessos e de coisas que mantinha guardadas por puro sentimentalismo ou pela famosa “dó de jogar fora”. Agora, ao invés de uma limpeza de ano novo eu faço uma destralha sempre que estou ociosa ou percebo algo que não preciso mais manter (só de peças de roupas já perdi a conta de quantas foram).
    Confesso que ainda não entrei de cabeça nisso, mas aos pouco vou me adequando.
    Adorei o texto e já peguei umas duas recomendações de livros aqui pelo site.
    Voltarei mais vezes.
    Até logo!

  45. Alana Antonietti says:

    Maravilhoso como sempre são seus textos Thais!
    Me deu muitos motivos para reflexão, sempre correlacionei minimalismo e bem-viver (nem sabia que tinha um nome específico), mas agora entendo que o fato de um indivíduo minimalista querer aplicar o bem-viver é uma decisão pessoal e não embasada no minimalismo em si (no movimento). Abriu muito meus olhos, obrigada!!!

  46. Não sei se você já havia lido esse artigo, eu li hoje, gostei, é do livro de artigos deles.

    https://www.theminimalists.com/fix/

  47. Beatriz Miranda says:

    Oi Thais,
    Que reflexão instigadora e inspiradora!
    Eu tenho visto um movimento muito interessante de conexão nas publicações entre assuntos/ideias que até algum tempo atrás, pelo menos na internet e redes sociais que eu acompanhava, eu via sempre tratados de forma mais compartimentalizada: organização, autoconhecimento, alimentação, cuidados pessoais, sustentabilidade, política, questões sociais, questões econômicas, etc…
    Não sei se eu que estava ainda com um conhecimento muito superficial dos assuntos e não conseguia enxergar, mas eu sentia muita falta dessas conexões, de ver as coisas se integrando. Obrigada por fazer parte desse grupo que me faz pensar no todo, no coletivo, nas mudanças estruturais necessárias ao mesmo tempo que me ajuda a resolver as questões mais mundanas e individuais com as quais eu me deparo, como decidir qual é a próxima atividade que devo fazer.
    Esse texto já vai para o meu quadro de inspirações no trello agora mesmo.
    Abraço grande!!

  48. Rose Porcel says:

    Agradeço pelo texto. Uma bela reflexão para quem está se desfazendo de tanta bagagem acumulada na vida e que hoje não faz mais sentido. Um olhar, um passo a mais a ser dado rumo a uma pessoa melhor.

  49. BERENICE DINIZ says:

    Olá Thaís, eu acompanho algumas publicações no seu blog. Gosto de quase todas (tem mais a ver com meu interesse do que com o conteúdo em si). Esse texto foi excelente, porque penso da seguinte forma: Não dá para ser minimalista e ser alienado socialmente; Não dá para ser vegano e ver as pessoas morrendo de fome, sendo maltratadas e na miséria e pensar que isso é natural; Não dá para cuidar dos bichos, amá-los e desprezar os seres humanos. É preciso viver tendo “compaixão” do outro, essa palavra que você disse é muito potente! É preciso solidariedade, é preciso pensar que a forma de produção que mata, exclui e desgasta todas as nossas reservas e biodiversidade não pode ser mais possível. E necessariamente não precisamos abandonar tudo, mas precisamos refletir profundamente um novo modo de vida, de bem viver, de compaixão com outro, da generosidade (penso generosidade de forma ampla). É preciso que a gente de conheça… Precisamos desconstruir conceitos do patriarcado, machismo, sexista, heteronormativo e branco… Parabéns pelo texto reflexivo e profundo. Precisamos verdadeiramente cuidar uns dos outros… bjssssssssssssssssssss

  50. FLEIDE ALVES says:

    Pensativo aqui. Teu texto me deixou assim. Bela construção, instigante. Ademais, a qualidade dos comentários tb é excelente. Cai aqui por acaso e pelo visto vou passar bastante tempo. Me inscrevi no Canal do YouTube também, parabéns.

  51. Luciana Tasse Ferreira says:

    Você foi absolutamente precisa e maravilhosa!! Obrigada pela partilha!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você também pode gostar...

Posts mais acessados