Categoria(s) do post: Dicas de produtividade, Plenitude & Felicidade, Equilíbrio emocional

Tenho sido procurada como nunca para compartilhar dicas e ser entrevistada sobre “o trabalho em tempos de pandemia”. Fico contente por ajudar, porque imagino que, quanto mais esse trabalho se propague, mais a gente vai construindo um mundo de trabalho mais gentil e significativo, além de respeitoso.

Ainda há muito a ser feito. Toda vez que leio algum livro de História, vejo como o distanciamento nos ajuda a analisar com uma pouco mais de frieza as situações e visualizar também o curso das coisas. O tempo passa muito rápido. Quando eu nasci, os anos 60 e os Beatles pareciam algo completamente do passado, mas eles terminaram pouco mais de dez anos depois que eu nasci. E dez anos não são nada. Eu já era adulta quando minha sobrinha nasceu e no ano passado ela estava trabalhando comigo (com 18 anos).

Tudo isso apenas para contextualizar que, muitas vezes, nos desesperamos, ficamos ansiosos, nervosos, irritados, tentando dar conta do “dia”. É a hora de acordar, é a aula dos filhos, o café, o almoço, ter que ir ou não no mercado hoje, a reunião, os livros – tanta coisa. Toda vez que compartilho sobre meu sistema de organização (que envolve comportamentos e hábitos, mais do que ferramentas), sempre surge a questão: “como você organiza os afazeres do dia a dia?”. E sim, você está certo/a, essa é a pergunta mais importante! Porque é justamente o dia a dia que vai te permitir abrir espaço para coisas maiores, que levam mais tempo. Não se trabalha em um projeto. Você trabalha em ações que te levam à conclusão de um projeto em algum momento. E quando você executa tais ações? Justamente no “dia a dia”.

Este post então é uma tentativa de trazer minhas recomendações de tempos em tempos, com atualizações sobre os meus próprios conhecimentos.

Toda a coisa começa e termina no seu sono. Se existe uma única coisa que impacta em toda a sua produtividade, é a qualidade do seu sono. E só neste tópico, meus amigos, vocês podem levar meses para se ajustarem. Eu já tive apneia do sono. Foram anos de tratamento até realizar ema cirurgia. Já tive crises de ansiedade, muitas vezes (foi como cheguei a este trabalho que tenho hoje – buscando mais sobre melhores maneiras de viver).

Atualmente, considero o meu sono muito bom. Uma série de coisas contribuíram para isso – todas causadas por mim intencionalmente. Do meio da tarde em diante, reduzir as atividades. De noite, evitar agitação e eletrônicos. Claro que de vez em quando vejo um filme ou série com meu marido antes de dormir. Claro que de vez em quando tenho um evento na faculdade que vai até 22h30. Mas aí é que está o segredo: são ocasionais, não rotina. O que importa não é a “escorregada” intencional que você deu um dia ou outro, mas o que faz na maior parte dos dias.

Para mim, a regra mais importante para o sono é dormir horas suficientes. No verão, fica entre seis e sete horas e meia toda noite. No inverno, durmo mais – de oito a nove horas. Com base nessas necessidades, busco organizar o meu dia para que consiga dormir bem e ainda fazer o que preciso fazer. Se eu preciso acordar às 6h, significa que, no verão, posso ir dormir 23h, meia-noite, mas no inverno tenho que deitar mais cedo. Se eu tenho flexibilidade de horário, melhor. Hoje em dia eu costumo dormir antes da meia-noite para estar de pé antes das 8h. Simples assim. Mas tem dias que durmo mais cedo ou mais tarde, e acordo mais cedo ou mais tarde. Não é o ideal, mas importante mesmo é dormir horas suficientes.

Neste momento da pandemia, em isolamento social, me ajudou não ficar vendo ou lendo notícias. O que é importante acaba chegando em mim de qualquer maneira. Foi a melhor coisa que eu fiz. Quando quero me informar, leio pontualmente algumas coisas pela manhã, e só.

Antes de dormir, preparo meu chá (melissa, camomila, mulungu e erva-cidreira, praticamente uma bombinha calmante) e faço uma leve massagem nas têmporas com uma gota de óleo de lavanda. Às vezes, relaxo tanto que já quero dormir. Mas, se ainda aguentar um tempo, aproveito para ler. e não tem feito muita diferença ler livro mais ou menos agitados à noite. Estou lendo um livro sobre a Segunda Guerra e dormindo bem depois, sem pesadelos relacionados. (A título de curioridade, o livro é “Ascensão e Queda do Terceiro Reich”, de William L. Shire).

Coloco o despertador para tocar depois da quantidade de horas adequada. Sim, eu durmo mais no inverno. Meu corpo pede isso.

No Ayurveda, existe a recomendação de despertar no Brahma Muhurta, que é antes do nascer do sol, para realizar algumas práticas espirituais e de auto-cuidado antes do mundo acordar. Vai em direção às práticas contemporâneas de “o milagre da manhã” ou do “5am club”. Se eu morasse sozinha, acredito que seria mais fácil seguir essa orientação. Mas, para eu acordar 3h30, 4h da manhã, eu teria que estar na cama dormindo assim que anoitece, e aqui em casa não tem como. Não tenho como virar para a minha família e dizer que vou dormir tão cedo assim. Fora que eu tenho compromissos à noite ainda – aulas, essencialmente, encontros do grupo de pesquisa, por aí vai. Mas é uma meta para a vida, sempre no radar. O importante mesmo, como comentei, é dormir horas suficientes.

Tão importante quanto o sono e que inclusive influencia nele é a alimentação. Reduzi industrializados ao máximo. Minha alimentação é muito saudável. Preparo a minha própria comida, adequada ao meu biotipo. Me tornei vegetariana estrita. Consumo muitos chás. Assim como no exemplo do sono, também dou minhas escapadelas. Às vezes me dá vontade de tomar um copo gelado de Coca zero. Ou de comer um hambúrguer (feito de plantas). Mas, novamente: são exceções. O problema é quando são a regra. Sua rotina é a regra.

Ainda sobre alimentação, um ponto importante aqui a se considerar é sobre os falsos estimulantes. Sou uma pessoa que adora café, mas percebo que nem sempre estou no melhor momento para beber. Hoje em dia sei identificar. Sei que, se eu estiver com alguma tendência a ansiedade, melhor nem tomar. Nem café, nem chá preto, nem chá verde, muito menos a Coca zero. E sinto a diferença que isso faz inclusive na qualidade do meu sono, depois.

Depois da alimentação, tem as funções físicas do corpo, de modo geral. Evacuação ok? Ciclo menstrual ok? Imunidade ok? Atividade física ok? Então veja a quantidade de coisas importantes que a gente precisa trabalhar para ajustar antes mesmo de perguntar “como eu posso usar a minha agenda?”. A armadilha que eu caí muitas vezes quando buscava eu mesma por essas perguntas foi a de achar que alguma ferramentas ou técnica pontual resolveria grande parte dos meus problemas. Se lá atrás, quando eu tinha uma ansiedade bastante aflorada, eu tivesse olhado para o que citei aqui (sono, alimentação, atividade física etc), eu teria um foco diferente e teria resolvido os problemas de verdade, e não ter deixado essas coisas de lado em detrimento de outras mais urgentes e pontuais, que eram relevantes apenas naquele pequeno espaço de momento que eu vivia.

Às vezes a gente se pega tão preso no dia a dia, no “corre”, na tarefa a resolver, que enche o dia com elas e tudo o que era realmente importante acabou ficando de lado. É a velha história do pai que sempre viajou a trabalho e nem viu os filhos crescendo. Pelo que você está dando a sua vida em troca? Pode compensar para algumas pessoas, mas para outras não.

Gosto muito de usar o termo “microgerenciamento” quando estou em sala de aula (no momento, apenas virtualmente). E o microgerenciamento ocorre justamente quando você fica tão apegado/a aos detalhes que perder de vista a importância real que aquela atividade tem. É ficar estressado/a porque o seu filho jogou uma hora a mais de vídeo-game hoje, mas estamos em quarentena. O foco principal é todos ficarmos bem. Não é uma hora a mais de vídeo-game hoje que será o problema. tenha perspectiva.

A parte prática da gestão da rotina está nas duas ferramentas: agenda e lista de afazeres. O que você vai colocar dentro delas é que faz toda a diferença, e é por isso que não dá para usar exemplos de outras pessoas, porque cada compromisso que um coloca na agenda pode significar outra coisa para o outro. Para esse manuseio, recomendo fortemente que explore aqui o blog, o canal no YouTube, ou até mesmo faça um curso comigo, se quiser. O fato é que, sinceramente, eu gostaria de ter aprendido sobre organização quando eu estava na escola. Teria me poupado muitos momentos de ansiedade se eu pudesse confiar que havia escolhas para quaisquer caminhos que eu viesse a escolher. Não tem problema querer estudar em uma faculdade difícil de entrar. Você pode fazer dois, três anos de cursinho comunitário, se for mesmo o seu objetivo. Você pode arranjar um emprego de meio período que te ajude com as contas, nesse meio tempo. Para tudo dá-se um jeito. Enfim, tudo é questão de perspectiva, de aprender a visualizar.

O equilíbrio de um dia terá um mix de váriáveis. Você tem as atividades da sua agenda, você tem as atividades na sua lista de afazeres, assim como tem mensagens que chegam, e-mails, boletos, interrupções e novas demandas, além das vontades espontâneas que você mesmo/a pode ter de fazer algo ao longo de um dia. E nem preciso dizer que aquela premissa lá do início é fundamental: dormir, comer, se exercitar. Um dia é um período de tempo limitadíssimo. Não dá pra fazer tudo e você nem precisa se cobrar fazer esse tudo. Quando você tem uma lista das coisas que precisa fazer e ela está completa, atualizada, tudo isso te ajuda a definir melhores escolhas. “Bem, hoje eu adoraria fazer isso e aquilo, mas se eu conseguir focar nesta coisa aqui, sentirei que meu dia rendeu”. É isso. É assim o tempo todo. Uma pessoa organizada não faz mais coisas que as outras. Ela aproveita melhor o seu tempo, que inclusive usa para descansar e momentos de lazer. Não rola ficar nessa rodinha do hamster por muito tempo – simplesmente não é sustentável.

Trabalhar em casa significa ter uma turminha precisando de você na parte prática e na parte emocional. Você também precisa deles. Então não se cobre nem por um minuto uma performance normal em uma situação completamente fora do normal como essa que estamos vivendo. Tudo é adaptação. Planejamentos devem ser revistos e reajustados. É essa a habilidade que a organização nos ensina.

“Tá, Thais, mas por onde começar?”

Primeiro, você respira. Certo? Certo.

Aí você entende que sua vida não vai mudar radicalmente da noite para o dia. Você não se tornou a pessoa que você é hoje da noite para o dia e não será do dia para a noite que vai ser mais organizada, mais focada etc. É um processo pra vida toda. Bora? Bora.

Você deve começar destralhando os diversos elementos da sua vida, da sua casa e do seu trabalho. Destralhar significa tirar da sua vida aquilo que não faz mais sentido para você. Começar com os itens em casa pode ser útil porque você pega o objeto na mão e é mais simples de adquirir essa prática para quando você for para itens mais “abstratos”, como contas e projetos.

Esse processo do destralhar leva bastante tempo. Coisa de um ano ou meses. Depende muito do seu envolvimento nesse projeto.

Uma vez que você tenha destralhado, ficará mais fácil organizar o que sobrou, porque “o que sobrou” são as coisas realmente importantes para você. Cada uma delas deve ter um cantinho especial, sua “casinha”.

Ainda sobre a gestão do dia, acerte o seu sono, sua alimentação, sua atividade física, como comentei antes, ainda neste post.

Aprenda sobre o tipo de informação que deve entrar na agenda e o que deve entrar em uma lista de afazeres. Vá alimentando diariamente. Uma vez por semana, revise as listas para atualizá-las e planeje a sua semana. Tem guia para isso aqui no blog também.

Só de fazer essas coisas você já vai melhorar muito a sua rotina.

E tem um ponto importante: aos poucos, você vai descobrir quais os melhores momentos do seu dia inteiro para fazer determinados tipos de atividades. O melhor momento para escrever, para estudar, para contatar outras pessoas. Quando você chegar nessa fase, poderá categorizar suas listas a seu favor, aproveitando esses contextos.

É uma longa e gostosa jornada. Tamo junto. <3