Categoria(s) do post: Ferramentas de organização

Ryder Carroll é o criador do método bullet journal.

Apesar de muitas pessoas ao redor do mundo já usarem caderninhos para se organizarem, até mesmo com bullets (aqueles “ícones” no início do item), inclusive eu, o que o Ryder criou e apresentou para o mundo era um modelo, um processo, um método para uso coerente dessas informações.

No final do mês passado foi lançado o livro oficial do autor sobre o método, o que acho super importante porque, por mais que ele tenha um site que ensine como fazer e uma comunidade enorme na Internet fomentando o seu uso (e apresentando personalizações), sentia falta de um caminho um pouco mais objetivo mas também com informações relevantes de apoio.

O livro foi lançado em inglês (comprei pela Amazon BR) e, em dezembro, sairá no Brasil pela editora Fontanar (do grupo da Companhia das Letras).

Bullet Journal é um método para que você organize a sua vida através de uma ferramenta analógica muito simples: um caderno. Com apenas um caderno e uma caneta, você pode organizar tudo o que precisa fazer, e ainda ir além: revisar o que foi feito e planejar o seu futuro. Ao menos, essa é a promessa do autor.

O livro traz um passo a passo muito bem feito e é muito bem escrito. Ele apresenta os motivos pelos quais acredita no formato (e é bem convincente), além de trazer reflexões interessantes sobre produtividade e o modo como nós, humanos, fazemos as coisas. Por exemplo, eu, que trabalho com organização e produtividade, e já conheço bastante material, adorei a leitura, pois ela é muito coesa, bonita e bem-humorada. O jeito como ele apresenta as informações é muito bem feito.

Além de ensinar o que é o BUJO (como o Bullet Journal é carinhosamente chamado pela comunidade ao seu redor), dar um passo a passo para você criar e usar o seu, o autor traz estratégias, dicas e técnicas para aperfeiçoar o seu uso através de planejamento de projetos e atividades. Ou seja, o livro vai além de apenas ensinar sobre o BUJO em si.

O bullet journal deve ser simples e prático – essa é a mensagem que o autor passa. Apesar de existir toda uma comunidade (que ele respeita) usando o BUJO de maneira decorada e artística, ele faz questão de dizer que você não precisa fazer isso para usar o bullet journal em si. Ele mesmo diz que seus cadernos são minimalistas, como na imagem acima (tirada do seu site oficial).

Pode ser que você queira esperar a versão em português para ler. Eu comprei a versão em inglês porque gosto de ler alguns livros no idioma original, além de estar ansiosa para lê-lo. Voltei a usar o bullet journal ainda durante a leitura e quero fazer alguns testes para depois postar uma análise sobre a conciliação com o método GTD.

O autor recomenda usar durante pelo menos três meses do jeito dele, pois o processo depende de algumas estratégias importantes, como a migração de um mês para o outro, e só então tentar fazer personalizações. Farei como o autor recomenda e, então, daqui a alguns meses eu volto para falar sobre como eu usei, como foi essa experiência, e as minhas conclusões com relação ao uso junto com o método GTD, que é um conteúdo que vocês vinham me pedindo faz tempo.

Agora, posso falar quais foram as minhas motivações para fazê-lo, independente do teste ou não.

Em primeiro lugar, foi o apelo de que, quando você registra suas atividades no papel, fica mais fácil e gostoso revisar o que foi feito do que no meio digital. E revisar os seus feitos é uma coisa importante. Por mais que seja possível no meio digital, é diferente. E aí você vai criando volumes de livros (os cadernos) que representam fases específicas da sua vida. Mais do que diários, os BUJOs mostram como estava o seu cotidiano em determinada época, e algumas experiências registradas podem fazer com que seu registro seja mais significativo que a escrita intencional de um diário em si. (Aliás, super pode conciliar diário com BUJO, se quiser. Só não é obrigatório. Aliás, nada é obrigatório no BUJO. O ponto-chave é justamente poder adequá-lo às suas necessidades.)

Em segundo lugar, a questão óbvia da desconexão. Usar um caderninho é dar um basta na tecnologia diariamente, pelo menos durante alguns momentos. Eu sinto que trabalho bastante focada quando faço mais dessas alternâncias no meu dia a dia. Me ajuda até a trabalhar melhor quando volto para a tecnologia.

Em terceiro lugar, e esse foi um ponto de entendimento que eu não tinha pego antes, é o de que o BUJO é mais uma ferramenta de registro que de planejamento ou de organização, apesar de eu considerar que, hoje, seja a única ferramenta que atenda bem todas essas frentes (leia sobre a diferenciação aqui). Mas esse registro é fundamental, porque, na prática, por exemplo, não se trata de você abrir o “log” do dia e planejá-lo, mas sim ir fazendo registros do que for fazendo à medida que o seu dia for acontecendo. Isso é incrível e, para mim, já tenho visto diferentes ganhos e benefícios relacionados a essa compreensão.

Prometo que, mesmo antes de postar a análise com o método GTD eu ainda postarei outros conteúdos aqui no blog sobre o BUJO, pois seu uso tem me despertado bons insights e tenho gostado de fazer. Caso você tenha alguma dúvida específica, por favor, deixe um comentário.

Nos últimos dias, postei dois vídeos no YouTube sobre o tema – um mostrando um pouco do livro e fazendo uma breve análise, e outro com um passo a passo sobre como começar o seu bullet journal. Espero que sejam vídeos úteis. Aliás, já se inscreveu no canal? Inscreva-se – isso é super importante para a gente. Obrigada!