Categoria(s) do post: Áreas da Vida

Passei momentos de terrível angústia nos últimos dias e, por que não, nos últimos meses, pensando a respeito da nossa vida aqui. Para quem não sabe, mudamos em dezembro do ano passado para Campinas. Moramos durante toda a nossa vida em São Paulo e somos do tipo de gente que tem objetos com “Eu <3 SP” estampados pela casa. Foi muito difícil para nós a adaptação. Na verdade, eu ainda não sei se realmente nos adaptamos.

Campinas tem uma característica muito esquisita (ao menos para mim), que é o fato de as pessoas só andarem de carro. Entendo que a falta de estrutura de transporte público na cidade resulte nisso, mas eu considero assustador. Na empresa onde eu trabalho, cerca de meia dúzia de pessoas (no máximo, e dentre as quais eu me incluo) vão trabalhar utilizando transporte público. Andar nas ruas é difícil, pois não há semáforos para pedestres em bairros que não sejam centrais, por exemplo. Nós, com um filho pequeno, sentimos grande dificuldade. Percorro em 70m o caminho que levaria 1/3 do tempo entre a minha casa e o meu trabalho, pois preciso pegar nada menos que três conduções. Isso, somado a uma série de coisas, sempre me deixaram um pouco cismada com Campinas. Eu sei que é porque estou acostumada com o metrô de São Paulo e a farta variedades de linhas de ônibus, mesmo pegando trânsito. Mas foi um estranhamento enorme para mim.

Talvez eu seja mesmo uma menina da cidade.

É engraçado porque, muitas vezes, eu reclamei de São Paulo e quis morar no interior. Acho que pelo menos 90% dos paulistanos também já pensaram nessa possibilidade um dia. Talvez dê certo para alguns. Para mim, talvez demore um pouco mais a adaptação, ou talvez ela nunca aconteça. O fato é que moramos em um bom apartamento, que era novo (primeira locação), e ficamos receosos de fazer qualquer coisa nele porque não sabemos se iremos mudar, escolher outro em um bairro melhor, se vamos para outra cidade, se voltaremos para São Paulo e eu voltarei a trabalhar indo e voltando com ônibus fretado. Uma série de fatores pesam nessa decisão: proximidade com a nossa família, facilidades no geral. Mas isso é assunto para outro post.

Então, somente este ano, nós já mudamos de ideia cerca de cinco vezes sobre se devemos pintar as paredes do apartamento ou não, por exemplo. Se devemos colocar papel de parede. Se devemos instalar lustres. Se devemos instalar a tv na parede. Etc etc.

Conseguir chegar a um consenso e quis dividir com vocês, para ver se vocês acreditam no meu ponto de vista. Quando eu quero fazer alguma coisa no apartamento, eu penso assim:

  • Dá para levar isso quando a gente se mudar? Independente de quando for, uma hora vamos nos mudar porque o apartamento não é nosso.
  • Essa coisa depende de um espaço que pode não existir em um futuro apartamento? Um vaso grande para a varanda, por exemplo, ou uma churrasqueira.
  • A compra ou instalação desse objeto é extremamente necessária para o nosso bem viver hoje em dia?
  • A compra ou instalação desse objeto tem um custo/benefício que compensa, se não puder ser levado em uma futura mudança?

Essas perguntas facilitam bastante na hora de definir. Exemplos:

  1. Estou querendo colocar uma cortina impermeável para tampar a parte de baixo do balcão da varanda. Então estava pensando: “poxa vida, mas depois podemos nos mudar para um apartamento que sequer tenha varanda”. Então pensei o seguinte: comprar uma alternativa bem barata, mas bonitinha e, se um dia nos mudarmos e eu puder utilizá-la, tudo bem – se não, não ficarei chateada com o descarte.
  2. Pintar as paredes é um drama, porque tintas custam caro. Será que compensa? No final das contas, acreditamos que sim. Vamos pintar primeiro a parede da sala, depois o resto. Mas não é nossa prioridade. Por outro lado, não seria mais simples deixar branco como está? (suspiros)
  3. Papel de parede, por exemplo, não compensa. Eu queria colocar na parede da cabeceira da cama, no quarto. Ficaria lindo? Com toda a certeza. Mas depois é uma complicação a mais quando precisarmos nos mudar. Fora que os papéis costumam ser caros. Talvez uma boa alternativa seja usar tecidos, então vou pensar um pouco mais a respeito.
  4. Lustres, basta desinstalar e levar, mas preciso guardar os spots feiosos do apartamento.
  5. Filtro de água, igualmente.
  6. Anexos da mesa do computador do meu marido. Valem a pena? Fico com um pouco de dúvida, porque são mais móveis e eu tenho um pouco de pavor de acumular coisas.

É difícil decorar quando não se pode gastar muito dinheiro, porque o básico demora a ser comprado (ainda estou pagando os móveis..). Outra dificuldade que eu tenho aqui em Campinas é a de encontrar lojas que vendam antiguidades, artigos para casa baratinhos, floriculturas, enfim, essas pequenas coisas que dão toques especiais quando não temos grande verba. É extremamente complicado decorar quando só se tem acesso a shoppings, lojas sem nada original e com produtos caros. Tudo isso vai melhorar consideravelmente quando passarmos para o lado negro da força e comprarmos o nosso carro. Quando isso acontecer, vou postando sobre as minhas descobertas pela cidade aqui no blog. Prometo.

Decorar um apartamento alugado é chato porque não podemos fazer algumas mudanças e elas acabam influenciando negativamente quaisquer ideias que possamos ter. Mas eu estou tentando lidar melhor com isso e buscar alternativas.

Também estou tentando gostar mais da minha nova cidade. Me desapegar um pouco e fazer as descobertas do zero, como tem que ser. De certa forma, é uma aventura, porque não sei o que me espera do outro lado. E não é isso a coisa legal que move todas as outras?