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Eu já havia comentado que tinha assistido o filme e estava lendo o livro “Não sei como ela consegue” (Ed. Rocco). Pois bem, resolvi falar um pouco sobre os dois aqui no blog. De cara, já digo que achei o filme muito mais tênue que o livro. Quando li algumas passagens, fiquei imaginando a Sarah Jessica Parker interpretando as cenas e é impossível dissociá-la da imagem da Carrie e a ideia de romances no ar. O filme não passa nem 50% do que o livro traz, mas eu gostei de tê-lo visto primeiro porque pude curtí-lo sem comparações.

A sinopse é a seguinte: Kate Reddy tem 35 anos, mora em Londres, é gerente de investimentos de uma grande empresa, vive entre viagens de última hora e reuniões com homens machistas e invejosos. O marido, Richard, é um arquiteto que ganha bem menos do que ela, e os filhos, Emily e Ben, ainda bem pequenos, ocupam todo o pouco tempo que lhe sobra. O livro é sobre o malabarismo que ela tenta fazer entre sua vida pessoal, profissional, seus projetos, seus anseios, sua culpa como mãe ausente, sua culpa por se sentir bem quando viaja, essas coisas. Leitura obrigatória para toda mãe que trabalha fora.

No geral, meu sentimento ao ler o livro foi “minha nossa, que loucura!”. Mesmo eu tendo uma vida corrida e me sentindo culpada durante a maior parte do tempo, eu não chego aos pés do que a Kate faz. Ela mal vê seus filhos, emenda uma viagem de trabalho na outra e sua vida é um caos total. Chega a ser desesperador. Tem uma cena em que ela trabalha até mais tarde, o marido precisa sair para um jantar de negócios e eles não têm com quem deixar as crianças. Não vou contar o que acontece para não estragar a surpresa de quem ainda não viu/leu, mas aquilo para mim seria o ponto final daquela vida maluca que ela estava levando.

O livro é bom porque fala dos dilemas que uma mãe com uma ótima carreira realmente sofre, e eu não tinha lido nada parecido antes dele (se souberem de algum, me indiquem!). Foi tranquilizante ler uma série de passagens e pensar que eu não sou a única a pensar daquele jeito. É um bom livro feminista. E o final é melhor que o do filme.

Alguns clichês são inevitáveis quando falamos de mulheres que trabalham fora e tentam conciliar a vida com a família. Mas o legal do livro é realmente mostrar uma família real, com filhos carentes, uma mãe desesperada e um marido se sentindo perdido no meio disso tudo. Para refletir longamente sobre nossos papéis nesta vida.

O velho problema e a mesma pergunta: o que é mais importante? O livro/filme oferece mais de uma resposta, o que por si só já é uma postura diferente da que estamos acostumados. Eu imagino a Marissa Mayer lendo esse livro e pensando sobre tudo o que ela falou nas entrevistas antes de ter o bebê. (Aliás, toda sorte do mundo para ela nesse momento.)