Gezellig

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1882

Em 2015, eu tive a oportunidade de viajar para a Europa pela primeira vez na vida. Era inverno (janeiro), então estava muito frio. Naquela ocasião, a Call Daniel me levou para Amsterdam para participar de um curso de GTD e conhecer pessoalmente o David Allen, autor do método.

Na Europa, especialmente em países mais ao norte, o dia demora para ficar claro e escurece bem mais cedo durante o inverno. Uma das características das casas em Amsterdam, devido ao peso (que precisa ser mais leve para elas ficarem lado a lado em torno dos canais), é que as suas janelas são enormes, de vidro. E uma curiosidade é que muitos moradores não gostam de usar cortinas ou, se usam, costumam deixá-las abertas na maior parte do tempo. Por isso é muito comum você ver aquelas fotos de Amsterdam em que está super frio do lado de fora, mas dentro das casas está quentinho, com aquela luz amarelada.

E existe uma palavra no idioma holandês que descreve essa sensação: gezellig. Não existe equivalente em outro idioma, mas vou tentar explicar: gezellig descreve essa sensação de um ambiente acolhedor, amigável, confortável, relaxante e agradável. Tem a ver tanto com o ambiente quanto com as pessoas se relacionando no mesmo. É um mix. Não é só o espaço e não são só as pessoas. São esses dois elementos juntos.

Eu fiquei apaixonada por esse termo tão logo eu o ouvi. E, desde então, eu venho tentando trazê-lo para a nossa casa e para todas as situações fora dela em que tenham esse potencial para gezellig.

Quando penso no “estilo de vida” da nossa casa, gezellig é um princípio. Sempre via a casa como um espaço sagrado, de refúgio, de proteção, de descanso, de curtir quem vive com a gente. Tem que ser agradável. É a nossa vida. O dia a dia é a nossa vida de verdade.

Passeando pelas ruas de Amsterdam, passando pelas casas, vendo o cotidiano lá dentro, toda essa atmosfera traduzida em um só termo despertou a minha atenção.

Aquela sensação de cozinhar ouvindo música ou conversando com meu marido e filho. Música de fundo, dando uma geral na casa. Uma xícara de chá ao lado da poltrona e da minha pilha de livros. Amigos conversando na mesa da cozinha. Uma taça de vinho e um filme na tv.

Sempre levei muito a sério o conceito de não querer uma vida da qual eu queira fugir. Que tirar férias é legal, mas gostoso mesmo é ter férias todos os dias, no sentido de que faz parte da sua rotina você se curtir e fazer das tarefas cotidianas, especialmente as domésticas, algo leve e gostoso de se fazer. Todo dia vale a pena ser vivido quando se tem a felicidade como caminho.

Gezellig hoje é o que traduz o sentimento de como eu vejo o local onde eu moro, além dos ambientes que procuro proporcionar quando saio para jantar com amigas, por exemplo, ou outros eventos do tipo. Quero que todos se sintam bem e acolhidos, eu inclusa.

14 comentários

  1. “Aquela sensação de cozinhar ouvindo música ou conversando com meu marido e filho. Música de fundo, dando uma geral na casa. Uma xícara de chá ao lado da poltrona e da minha pilha de livros. Amigos conversando na mesa da cozinha. Uma taça de vinho e um filme na tv.” <3

    • Eu conhecia apenas o hygge e me parecer ser um conceito bem similar. Porque o hygge ganhou “fama” como decoração, mas pelo que entendi vai muito além disso e a ideia é também tornar a casa um lar onde o aconchego seja pano de fundo para as relações e acolhimento humano…

      Aqui em casa o que me traz muito essa sensação é reunir as pessoas para jogarmos juntos, acho extremamente acolhedor. Inclusive é algo que penso para decorar a casa e organizar as coisas. Adorei conhecer o gezellig também!

  2. Que post lindo, Thais! É exatamente isso que tenho buscado para a minha vida. Tenho dois filhos ainda bebês e, às vezes, na confusão do dia a dia, me parece muito difícil criar esse clima… mas estou tentando.
    Beijos.

  3. Thaís, dentre tantas coisas que admiro no Vida Organizada, uma delas é essa questão de “ter férias todos os dias”.
    Por que precisamos esperar até o final de semana ou as férias chegarem para podermos aproveitar a vida?! Amei a primeira vez que li o texto que você fala sobre isso. Vez ou outra preciso retornar para relembrar disso.

    Obrigada pelo texto!

  4. Sou casada com Holandês e ele sempre usou muito esse termo, que ele traduz como “aconchegante”. Também busco ter um lar assim, mas ainda não consegui. Mas sigo tentando. Quando viajo para a Holanda e fico na casa dos nossos familiares percebo que eles levam isso a sério. Um chá antes de dormir, um stroopwafle, sentado no sofá com a luz baixa. Um ritmo de vida de quem está apreciando cada minuto.

  5. Nossa, que coincidência! ♥ Moro na Holanda e comecei o curso de holandês semana passada e essa foi uma das primeiras palavras que eu aprendi! Uma das mulheres da minha turma disse que essa era a palavra preferida dela no holandês e a professora se enrolou toda para explicar o significado, porque não tinha tradução para o inglês mesmo hahahaha

  6. Muito obrigada Thais, por compartilhar conosco. Lendo esse post tive muitas memórias boas !!!

    Obrigada 🙂

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