Gezellig

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Em 2015, eu tive a oportunidade de viajar para a Europa pela primeira vez na vida. Era inverno (janeiro), então estava muito frio. Naquela ocasião, a Call Daniel me levou para Amsterdam para participar de um curso de GTD e conhecer pessoalmente o David Allen, autor do método.

Na Europa, especialmente em países mais ao norte, o dia demora para ficar claro e escurece bem mais cedo durante o inverno. Uma das características das casas em Amsterdam, devido ao peso (que precisa ser mais leve para elas ficarem lado a lado em torno dos canais), é que as suas janelas são enormes, de vidro. E uma curiosidade é que muitos moradores não gostam de usar cortinas ou, se usam, costumam deixá-las abertas na maior parte do tempo. Por isso é muito comum você ver aquelas fotos de Amsterdam em que está super frio do lado de fora, mas dentro das casas está quentinho, com aquela luz amarelada.

E existe uma palavra no idioma holandês que descreve essa sensação: gezellig. Não existe equivalente em outro idioma, mas vou tentar explicar: gezellig descreve essa sensação de um ambiente acolhedor, amigável, confortável, relaxante e agradável. Tem a ver tanto com o ambiente quanto com as pessoas se relacionando no mesmo. É um mix. Não é só o espaço e não são só as pessoas. São esses dois elementos juntos.

Eu fiquei apaixonada por esse termo tão logo eu o ouvi. E, desde então, eu venho tentando trazê-lo para a nossa casa e para todas as situações fora dela em que tenham esse potencial para gezellig.

Quando penso no “estilo de vida” da nossa casa, gezellig é um princípio. Sempre via a casa como um espaço sagrado, de refúgio, de proteção, de descanso, de curtir quem vive com a gente. Tem que ser agradável. É a nossa vida. O dia a dia é a nossa vida de verdade.

Passeando pelas ruas de Amsterdam, passando pelas casas, vendo o cotidiano lá dentro, toda essa atmosfera traduzida em um só termo despertou a minha atenção.

Aquela sensação de cozinhar ouvindo música ou conversando com meu marido e filho. Música de fundo, dando uma geral na casa. Uma xícara de chá ao lado da poltrona e da minha pilha de livros. Amigos conversando na mesa da cozinha. Uma taça de vinho e um filme na tv.

Sempre levei muito a sério o conceito de não querer uma vida da qual eu queira fugir. Que tirar férias é legal, mas gostoso mesmo é ter férias todos os dias, no sentido de que faz parte da sua rotina você se curtir e fazer das tarefas cotidianas, especialmente as domésticas, algo leve e gostoso de se fazer. Todo dia vale a pena ser vivido quando se tem a felicidade como caminho.

Gezellig hoje é o que traduz o sentimento de como eu vejo o local onde eu moro, além dos ambientes que procuro proporcionar quando saio para jantar com amigas, por exemplo, ou outros eventos do tipo. Quero que todos se sintam bem e acolhidos, eu inclusa.

23 comentários

  1. “Aquela sensação de cozinhar ouvindo música ou conversando com meu marido e filho. Música de fundo, dando uma geral na casa. Uma xícara de chá ao lado da poltrona e da minha pilha de livros. Amigos conversando na mesa da cozinha. Uma taça de vinho e um filme na tv.” <3

    • Eu conhecia apenas o hygge e me parecer ser um conceito bem similar. Porque o hygge ganhou “fama” como decoração, mas pelo que entendi vai muito além disso e a ideia é também tornar a casa um lar onde o aconchego seja pano de fundo para as relações e acolhimento humano…

      Aqui em casa o que me traz muito essa sensação é reunir as pessoas para jogarmos juntos, acho extremamente acolhedor. Inclusive é algo que penso para decorar a casa e organizar as coisas. Adorei conhecer o gezellig também!

  2. Que post lindo, Thais! É exatamente isso que tenho buscado para a minha vida. Tenho dois filhos ainda bebês e, às vezes, na confusão do dia a dia, me parece muito difícil criar esse clima… mas estou tentando.
    Beijos.

  3. Thaís, dentre tantas coisas que admiro no Vida Organizada, uma delas é essa questão de “ter férias todos os dias”.
    Por que precisamos esperar até o final de semana ou as férias chegarem para podermos aproveitar a vida?! Amei a primeira vez que li o texto que você fala sobre isso. Vez ou outra preciso retornar para relembrar disso.

    Obrigada pelo texto!

  4. Sou casada com Holandês e ele sempre usou muito esse termo, que ele traduz como “aconchegante”. Também busco ter um lar assim, mas ainda não consegui. Mas sigo tentando. Quando viajo para a Holanda e fico na casa dos nossos familiares percebo que eles levam isso a sério. Um chá antes de dormir, um stroopwafle, sentado no sofá com a luz baixa. Um ritmo de vida de quem está apreciando cada minuto.

  5. Nossa, que coincidência! ♥ Moro na Holanda e comecei o curso de holandês semana passada e essa foi uma das primeiras palavras que eu aprendi! Uma das mulheres da minha turma disse que essa era a palavra preferida dela no holandês e a professora se enrolou toda para explicar o significado, porque não tinha tradução para o inglês mesmo hahahaha

  6. Muito obrigada Thais, por compartilhar conosco. Lendo esse post tive muitas memórias boas !!!

    Obrigada 🙂

  7. Ola Thais, muito legal isso ! e eu nem sabia que existia um nome para esta “sensação” de aconchego. Existe um livro (O segredo da Dinamarca) que fala sobre o Hygge que as pessoas citaram tb…ainda nao li, mas pela resenha, se assemelha muito ao “gezelling”.

  8. Nossa, o que eu mais gostei em Amsterdam foi andar pelas ruas no início da noite observando as pessoas vivendo em suas casas… foi algo inexplicável!! Não sabia que isso tinha nome! adorei saber!

  9. Que bacana esse texto achei surpreendente, pois moro em cidade fria também, Campos do Jordão e tenho esse ritual de tomar chá a noite, ler livro tanto eu quanto meu marido, acredito que as cidades frias nos proporcionam isto né. Embora aqui a temporada do inverno seja Junho e Julho os demais meses a noite sempre está fresco e bem propicio para tomar um vinho ou chá tudo que possa aquecer. Aqui dá pra colocar em prática facilmente o gezelling.

  10. Thais, desde a postagem desse texto eu já voltei algumas vezes para reler.
    Eu já havia gostado muito do conceito das férias do outro post e vejo hoje que a casa tem que ser um ambiente muito agradável e acolhedor, pois é o lufar em que passo muito tempo e vivo a maior parte dos meus momentos com o meu filho.
    Dou muito valor a uma boa roupa de cama e de banho, pois são peças que uso muito e que estão presentes nos meus momentos de relaxamento. Tenho sentido uma vontade grande nos últimos anos (após o término de um relacionamento longo) de mudar o meu apartamento e deixa-lo confortável e agradável para eu receber as pessoas que gosto.
    Além da questão material eu tenho valorizado muito os momentos de cozinhar e cuidar da casa, sempre ouvindo música ou podcasts e curtindo muito esse momento. Tenho visto mais filmes e séries com o meu filho e agora que está calorzinho os chás gelados e frutas estão começando a aparecer após o jantar.
    Gosto de viajar e conhecer coisas novas também, mas não tem nada melhor do que o aconchego do nosso lar principalmente quando segue os nossos valores e personalidade.
    Abraços!

  11. Nossa!!! Conseguiu traduzir em palavras tudo que eu sempre pensei sobre viver e ser feliz!! Nunca vi nenhum sentido em esperar o final de semana ou as férias para ser feliz… As vezes me sinto cercada por pessoas esperando esses momentos para se sentirem bem, principalmente no trabalho, o que diminui um pouco a energia do ambiente.
    Agradecida por esse texto!
    “O dia a dia é a nossa vida de verdade”

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