Estudos

Como foi escrever a minha dissertação do mestrado

Sei que muitos de vocês estavam ansiosos por esse post, mas eu só me sentiria confortável para escrevê-lo quando tivesse finalizado a dissertação.

Eu acabei de entregá-la na secretaria da faculdade e, agora, preciso aguardar meu professor agendar a banca de defesa, e depois entregarei aquela versão final, bonita e encadernada. Eles chamam de “depositar a dissertação”.

Para quem não sabe, faço mestrado em Comunicação na Faculdade Cásper Líbero, a melhor faculdade de Jornalismo do país, e minha pesquisa é sobre como os aplicativos de mensagens podem estar contribuindo para uma precarização ainda maior das profissionais de Comunicação. Resumindo de maneira mais simples, eu estudo se é normal ou não responder What’sApp de cliente às onze horas da noite de sexta-feira e o que isso acarreta na saúde mental das pessoas.

Eu trabalho com produtividade, então pesquisar sobre esse tema tem a ver não apenas com o meu trabalho, como faz parte de uma certa linearidade na minha formação acadêmica (graduação em Publicidade, pós-graduação em Mídias Digitais).

Meus dois anos de mestrado não foram nada fáceis porque minha avó teve complicações pós-cirúrgicas logo que eu comecei o curso, vindo a falecer em maio (eu tinha começado em fevereiro). Foi muito difícil e eu considerei sair do mestrado, mas resolvi continuar. Mesmo aos trancos e barrancos, emocionalmente falando, eu consegui. Então, quando entreguei a dissertação final, para mim foi como a vitória de uma conclusão muito importante, pois: 1) eu achei sinceramente que não conseguiria e 2) fiquei feliz por não ter desistido. Por piores que tenham sido as minhas condições emocionais, eu terminei meu mestrado. Os dois anos teriam passado de qualquer maneira. Não dá para a gente parar a vida quando passa por problemas, pois problemas sempre vão existir.

Eu ainda preciso de um distanciamento maior do processo como um todo para escrever melhor sobre os aprendizados que tive e o que teria feito de maneira diferente – sei que são muitas coisas. Mas uma delas que de fato teria feito toda a diferença seria ter começado a escrever a dissertação logo que eu entrei no curso. Eu estava empolgada com o tema, inspirada, e mesmo que não aproveitasse muito esse material (porque a gente vai amadurecendo na escrita acadêmica), eu já teria avançado bastante nela. Eu escrevi a dissertação em pouco tempo, praticamente um mês. Mas vou contar rapidamente como foi o mestrado, para situar quem não tem muita ideia.

Foram três semestres de disciplinas. Sete disciplinas no total. Para concluir cada disciplina, você deve entregar um artigo ao final do semestre, com uma média de 15 a 20 páginas. Além disso, precisa cumprir créditos para se formar. No meu caso, apresentar trabalhos em três seminários durante os três semestres das disciplinas. Só assim eu estaria apta a passar para a fase seguinte, de entrega da dissertação.

Meu segundo semestre de 2019 foi basicamente tomado por muito trabalho. Eu fiquei mal de saúde durante vários meses do ano passado, e só fui começar a melhorar por volta de outubro, que foi quando eu engatei na minha pesquisa. Mesmo assim, não consegui defender no ano passado, que era o meu prazo “ideal”. Não me frustrei nem me cobrei. Sinceramente, nem tinha condições de tocar esse mestrado e, só por conseguir fazê-lo, eu já me sentia uma verdadeira campeã.

Os artigos que escrevi para as disciplinas foram essencialmente úteis em termos de fichamentos, pois em termos de escrita, a maioria foi do zero, para a dissertação. O que eu escrevi no primeiro semestre do mestrado nem se compara à minha escrita do final, quando eu sentia mais segurança para escrever. A escrita acadêmica tende a “travar” as pessoas. São tantas normas e boas práticas que você não consegue simplesmente “escrever”. Isso foi bem difícil para mim e, apesar de eu ser escritora, ter três livros publicados etc, não fazia diferença, pois era outro formato. Foi um grande aprendizado para mim, ao mesmo tempo em que acho que existe uma pressão desnecessária sobre esse tema. Muitos mestrandos desenvolvem ansiedade e até depressão durante os seus mestrados. Eu já estava tão ferrada emocionalmente que, com sinceridade, o mestrado foi a distração que me tirou um pouco da realidade nesses dois anos. Estar em sala de aula e conversar sobre assuntos diferentes foi o que manteve a minha sanidade. Mas não vou negar como é trabalhoso.

Eu tirei férias no final de dezembro e me planejei para escrever a dissertação ao longo do mês de janeiro. Meu professor orientador voltava de férias dia 27/1, e eu queria que a dissertação estivesse na caixa de entrada dele quando isso acontecesse. Aconteceu. Mas o que eu fiz e que funcionou muito bem foi:

  1. Me ater sempre ao propósito da dissertação. Por que a pesquisa é importante? Que mensagem quero passar às pessoas com ela? Isso foi essencial para o foco.
  2. Escrever todos os dias. Todos os dias eu me forçava a sentar com o documento aberto na minha frente e escrever que fosse um parágrafo. Às vezes, lendo o que eu já tinha escrito, eu me inspirava e escrevia bastante. Tinha dias que não saía absolutamente nada. Mas me propôr esse exercício de escrever todos os dias fez toda a diferença, porque senão era a típica coisa que a gente fica procrastinando e depois entra em desespero.

Quando entreguei minha dissertação para o professor, ele fez sugestões pontuais, conversamos pessoalmente, e eu implementei o que ele sugeriu. Fiz uma checklist para ir seguindo uma coisa de cada vez.

Quando eu digo que escrevi grande parte da minha dissertação no papel – manuscrito mesmo – as pessoas acham curioso ou engraçado. Talvez eu não tenha sido muito clara sobre como foi o meu processo de mestrado. Em dezembro de 2018, na noite de Natal, eu fui INTERNADA porque tive uma complicação de saúde. Eu fiquei uma semana, com o risco de precisar fazer uma cirurgia muito complicada no final de janeiro. E eu estava com meu caderno lá no hospital escrevendo, tendo insights, porque é basicamente assim que eu funciono com tudo. Então o que quero que os outros entendam é que não fiz esse mestrado como, de modo geral, as pessoas normalmente fazem. Fiz em total estado de exceção na minha vida. Escrever à mão foi o de menos. Teve dia que passei mal na sala e desmaiei na enfermaria.

Agora, sinceramente, eu gosto de escrever à mão, pois me desconecto. Mas confesso que, na fase final, escrever direto no computador agilizou as coisas. Tudo teve o seu momento.

Um fato que me ajudou em janeiro foi ter lido o livro “Como se faz uma tese”, do Umberto Eco, pois ele me trouxe insights bacanas sobre o processo, e colocar meus pensamentos ao final da pesquisa em ordem foi fundamental para costurar o que ainda estava meio em aberto e efetivamente fechar os pontos de tudo o que eu queria falar no texto.

Esse caderno aí em cima é o caderno atual que tenho usado para planejamentos como esse da dissertação, diário, commonplace book etc. É um caderno de 400 folhas que anda comigo para cima e para baixo. Não ligo para o peso e até gosto de carregar tanta coisa assim comigo porque sempre tenho o que ler.

Ah, uma coisa que me ajudou demais e que comecei a fazer no início do mestrado foi criar um mapa mental para organizar as informações sobre a dissertação. Não o usei em todo seu potencial, mas foi muito útil ao longo do processo.

Ferramenta: Mind Meister

Enfim, escrever uma dissertação NÃO É FÁCIL. Mas eu gostaria de ter começado lá no início. Confiei demais no processo, achando que conseguiria fazer os três semestres de disciplinas e só depois escrever. O que acontece é que, depois dos três semestres, eu já estava até meio de saco cheio do tema da minha pesquisa. Tive uma ressaca acadêmica que durou uns quatro meses, ali entre maio e setembro do ano passado, em que mal consegui escrever. O que me resgatou para escrever foi ter o propósito em mente, rever minhas anotações e fichamentos lá do começo, enquanto eu estava deslumbrada com o tema, pois isso me ajudou a retomar um pouco do sentimento. E aqui eu vejo a importância de ter escrito em papel – quando a gente digitaliza, as letras perdem as emoções. No papel, a revisão permite até que você lembre como você estava se sentindo no dia. Isso é incomparável. Pode dar mais “trabalho”, mas sério, se você quer fazer as coisas na pressa, eu não acho que isso seja uma maneira de curtir a vida. Mas é a minha opinião. Para mim, estudar significa estar ali sentada, presente no estudo. Não fazer correndo, por fazer. Se for para fazer assim, melhor não fazer, porque a grande riqueza do mestrado é você se formar como pesquisadora. Ou pelo menos começar a aprender como fazer isso. Se você faz o mestrado apenas como um consórcio, para obter o diploma no final, e é movida a prazos e entregas, cara, isso não é uma maneira de viver nem na vida acadêmica, nem no trabalho, nem em nenhuma outra área da vida. Isso é horrível. E é um dos meus propósitos com este trabalho que faço com o Vida Organizada.

De modo geral, eu concluo essa etapa do mestrado pensando em como ajudar mais as pessoas que estão sofrendo na vida acadêmica, com essa questão da ansiedade, prazos e “como lidar”. Meu professor orientador foi maravilhoso, compreensivo e encorajador 100% do tempo, mas sei que ele infelizmente é exceção, pelo que ouço de outros colegas em outras faculdades e até países. Esse estigma do meio acadêmico precisa ser discutido e os pesquisadores precisam ser “abraçados”. Então eu pretendo sim trazer mais ideias sobre isso, com o tempo. Por hora, só preciso concluir todo o MEU processo para conseguir descansar.

A defesa deve acontecer na primeira quinzena de março, aí vou contando para vocês à medida que me sentir inspirada para escrever a respeito, podem deixar. 😉

Se você tiver alguma dúvida sobre a escrita da dissertação, por favor, deixe um comentário. Obrigada.

38 Comments

  1. Muito legal o post, Thaís! Durante o mestrado também tive a ressaca acadêmica ou uma espécie de estafa mental. Posso dizer que não tenho dificuldades para escrever e isso realmente me salvou. Ler você sobre essa etapa, deixa claro o quão esse processo da pós-graduação stricto sensu é complexo para todos. Desejo serenidade em sua defesa. A minha foi incrível, apesar do processo até a chegada no dia ter sido um pouco turbulento. Desejo o mesmo, o melhor para você.

  2. Oi td bem? gostaria de saber como foi conciliar o mestrado com as outras atividades de sua vida. Qtas horas por dia vc despendia p o mestrado. O mestrado era profissional ou academico? se academico houve muita cobrança de produção para grupo de pesquisa e etc. A maioria das pessoas para a vida p realizar o mestrado e fica a ponto de enlouquecer…parabens pelo equilibrio!!!!

    1. Não tenho ideia de quantas horas por dia. Dificilmente tive algum tipo de vivência do tipo “hoje vou dedicar 2 horas ao mestrado”. Encaixei as atividades do mestrado dentro do meu dia a dia, junto com todo o resto. O que levava mais tempo, levava mais tempo; o que levava menos, levava menos…

  3. Mais dicas
    – Escrever em doses homeopáticas mesmo. Nem que seja 1 parágrafo por dia, ou simplesmente abrir o documento e formatar algo, ou inserir uma citação. Um pouquinho a cada dia
    – Fazer um desenho de pesquisa. Com todos os conceitos imbricados, como eles dialogam, fazer um tabela com eles, com quais autores você quer trabalhar, quais conceitos eles trazem, fazer um apanhado de citações para cada um desses conceitos. Fazer uma tabela com o problema da pesquisa e ir destrinchando. O meu se tornou um documento de umas 10 páginas onde eu bato e olho e sei para onde ir.
    – Produzir artigos ao longo do mestrado que sirvam para você na hora de escrever a pesquisa.
    – Fichar tudo que lhe pareça útil e já guardar em um doc no word, depois é só copiar e colar as citações que você irá utilizar.
    – Pensar que o sumário é a contação de história da sua pesquisa, portanto se apegue a ele na narrativa…
    – Não existe um jeito certo de começar ou uma ordem certa… Você pode começar pelo capítulo do meio, por exemplo. Se enjoar de um determinado capítulo, escreva outro…
    – Uma boa relação com o orientador é fundamental!

    (eu tô na fase da escrita, foram esses os insights que tive até o momento)

    1. Obrigada, Fernanda. Vai para o meu caderninho. Ótimas dicas.

    2. Fernanda, o que seria um fichamento e como fazê-lo? Sempre tive essa dúvida. Obrigada 🙂

  4. Annanda Sousa says:

    Eu adorei ler sobre o seu relato. <3

  5. Sandra Maria Tieppo says:

    Oi Thais! Estou lendo o livro do Umberto Eco, por indicação sua. Estou gostando…
    Me preparo para ingressar no doutorado mês que vem, já tendo concluído algumas disciplinas.
    obrigada pela partilha. Um abraço.

    1. Que legal, boa sorte nessa nova fase!

  6. Iago Mendes says:

    Acho que já li todos os posts com a tag “Mestrado”. Começo o mestrado agora em março e fico um pouco mais confiante e entusiasmado com seus relatos e dicas. Muito grato por compartilhar essa experiência com as pessoas. Valeu, Thais! 🙂

  7. Que bonito. Eis o desafio de ser cientista, mulher e mãe na vida que é real.
    Boa defesa, que os argumentos estejam com você.

    * A antropóloga Karina Kuschnir escreveu (e tem outros lindos textos) um sensível relato sobre a vida que se dedica ao conhecimento; gostaria de te indicar https://karinakuschnir.wordpress.com/
    E tem também os depoimentos do site https://comoeuescrevo.com/

    1. Adoro o blog dela. <3

  8. Letícia Moraes says:

    Que post! Me senti abraçada, entrei em depressão e ansiedade fortíssima durante o meu mestrado e estou custando a terminar. Este post respondeu a maioria das minhas perguntas e a sua dica de “Foque no propósito” foi essencial! Obrigada <3 (vou me obrigar a escrever todo dia um pouco também)

  9. Obrigada por compartilhar esse momento!! Tbm estou no meio de um mestrado, numa correria e com todos esses pensamentos confusos q vc relatou! Me senti muito contemplada e abraçada pelo seu texto… ganhou uma seguidora!! muitos sucesso na sua defesa e em seu planos futuros 👏🏼👏🏼👏🏼

  10. Marina Maria says:

    Para mim, o mestrado foi a época mais feliz da minha vida. Era a realização de um sonho, e nunca fui tão organizada. Me preparei com antecedência: trabalhando e com filhas, o tempo era escasso. Comecei a procurar tomadores de tempo e a dizer não. Aderi ao cabelo grisalho (já era uma vontade e me economizava o tempo com os cuidados – fora que o cabelo ficou muito mais saudável sem química alguma). Pintar as unhas virou passar uma base (uma hora por semana, está contabilizando?). Andar sempre com material de leitura (ansiava pela sala de espera de médicos – sim, não abri mão de cuidar da saúde, sabia dos números e estava atenta ao meu comportamento e aos sinais do corpo). Preparava marmitas. Fiz acordos com as crianças e marido sobre meu tempo de dedicação. Restringi o lazer ao mínimo saudável – troquei programas que me deixariam mal no dia seguinte por coisas mais lights e que me trouxessem alegria em menos tempo (alguém falou séries? Kkkk). Aliás, o capítulo da série do momento era minha moeda de troca: bati a meta do dia? Ganhei minha série. Engraçado que a série era exatamente sobre o meu tema de pesquisa, KKK (para quem ficou curioso, a série era The Fosters, meu tema era maternidade lésbica negra e suas interseccionalidades <3). Me preparava e levava pauta para reunião de orientação. Tinha metas diárias de leitura e escrita. Aceitei a baguncinha temporária (talvez a foto mais autêntica desse período é aquela da mesa tomada de livros e textos, todos abertos, post ir para todo lado, imexiveis, tinham que ficar exatamente ali para a hora necessária). Eu tive direito a 3 meses de licença capacitação, muito bem utilizados (um para o campo, dois para a escrita mais profunda do texto final. Naquele ano não tive férias – ou melhor dizendo, tive as férias mais gostosas da vida, fazendo exatamente o que gosto. Apesar de todo o sentido da minha pesquisa (sou pesquisadora militante com lado e com orgulho), o final foi bem difícil. É uma fase meio louca, comparável talvez à loucura do puerpério. Não adianta muito lutar contra, vc se joga e vai. Bons tempos. Faria tudo novamente igual. Ah, e tudo isso só foi possível graças ao Gtd e a vc, Thais. Considerei até colocar em meus agradecimentos, mas acho que ninguém entenderia. Aqui, entendem, então, muito obrigada!

    1. Que delícia de depoimento. Obrigada por compartilhar e, acima de tudo, PARABÉNS pelo seu processo. ❤️

    2. Adorei sua ideia. Estou no processo de defesa. Sugiro montar dicas no YouTube de modo pratico.

  11. Leticia Presas says:

    Desde o ano passado venho pensando na possibilidade de fazer um mestrado profissional e nesse ano de 2020 descidi que seria um ano para me preparar para o processo seletivo, que só acontece no final do ano. Desde então venho sentindo a necessidade de me organizar para esse fim…Foi pesquisando sobre organização nos estudos que conheci o seu blog e tem sido encorajador, porque ler sobre seu processo de preparo para o mestrado me fez ver que eu estava em um caminho semelhante.
    Estou caminhando…com medo, sonhos, dois filhos pequenos e tudo mais na bagagem🤭

  12. Olá Thaís! Obrigada por compartilhar sua experiência.
    Tenho dificuldade em organizar as referências e trechos que gostaria de incluir na minha tese. Você já falou sobre isso, porém, poderia apresentar alguns exemplos?

    1. Não entendi que tipo de exemplos. Me fala mais. 🙂

  13. Adoro todos os materiais que você produz e nesse momento estou iniciando os estudos do mestrado. Se você tiver outras dicas para quem está começando essa etapa e puder compartilhar seria ainda mais maravilhoso!
    Parabéns por ter finalizado a escrita da sua dissertação e boa sorte com a banca!

  14. FABIANA FERREIRA says:

    Pela Deusa…rs…que orgulho de ver todas essas mulheres incríveis se desenvolvendo! e vc, como sempre inspiradora…Estou somente engatinhando nessa jornada acadêmica, REcomeçando a graduação, e por tudo que li aqui, o desafio é imenso e proporcional à recompensa quando se relaciona ao seu propósito, e esse eu tenho! Volto depois de 20 anos, com uma bagagem de experiência de vida como educadora e adulta índigo pra honrar a maternidade que me premiou com filhotes índigo, cristal e das estrelas…

  15. Jéssica Honório says:

    Thais, faço doutorado em uma universidade pública há um ano. Eu queria muito fazê-lo e estive animada no início. Nos últimos seis meses, enfrentei uma crise ética em relação à universidade pública, seu funcionamento, sua dinâmica, seus jogos de poder e a forma como o pós-graduando é tratado. Segundo a minha experiência, há uma política de desvalorização, de desprezo; uma cultura do rebaixamento como instrumento pedagógico; abuso e assédio moral como práticas cotidianas. Nós sofremos ainda que estejamos escolhendo isso, ainda que sejamos uma parte muito privilegiada da população que pode ascender aos altos níveis educacionais nesse país. O ambiente acadêmico é doentio, cheio de doutores afetados emocionalmente, de gente de ego inflado demais. Continuo sustentando minha escolha porque espero fazer diferente e tento diariamente romper com as amarras, com a “regras” de ódio e desprezo e quero ser uma professora universitária melhor, em alguns aspectos, do que aqueles com os quais convivi.

  16. Que legal saber do seu processo, Thaís. Eu entrei em uma segunda graduação, à distância e confesso que estou meio perdida com a organização dos estudos e elaboração dos trabalhos. Vou devorar seu blog!

  17. Mayara de Sá Pinto says:

    Boa sorte com tudo! Boa defesa!

  18. Estava guardando esse post para saborear com tranquilidade, hehe! Muito obrigada pelo post. Faiza tempo que eu não vinha aqui no blog e de repente parece que tudo casa com o meu momento! Entreguei minha qualificação do mestrado agora, que escrevi basicamente no natal e ano novo.. Já fiz todos os créditos, daí percebi que tinha que escrever um pouco por dia mesmo, já abri o arquivo da dissertação para trabalhar nele, porque o tempo escorrega por aqui Eu trabalho com cultura, com um contrato mais fixo que salva os boletos e mais um monte de freelas, dou aulas + o mestrado + um diagnóstico recente de esclerose múltipla. Então Laura Pires tá super na minha cabeça nos últimos dois anos, mas rola toda uma preguiça de implementar. Até fiz um atendimento de aryuveda onde faço yoga, mas achei tudo muito caro e fora da minha realidade, então seus posts me ajudaram a ver com outros olhos – tipo a abyanga, que é uma fortuna, mas a auto massagem não custa nada! Então é isso: seu conteúdo é meu carnaval <3

  19. Parabéns Thais!!
    O mestrado é só o treinamento para o Doutorado.
    Muito orgulho de vc por não ter desistido… Palmas para vc!!
    O Doutorado será muito mais tranquilo.
    Grande abraço.

  20. Luis Gustavo Guimarães says:

    É uma alegria ler seu depoimento sincero, sem as arrogâncias do nicho acadêmico. Sinto agora, como pessoa que tenta equilibrar o trabalho, vida pessoal, outrassss atividadessss e o Doutorado, que o Mestrado/Doutorado precisaria valorizar o percurso formativo e ter algumas aberturas dada a relevância da contribuição que o trabalho deveria deixar. Mas o que deixa mesmo é muito aprendizado em nós! Vou tentar curtir mais o percurso! Gratidão por essa e muitas outras partilhas!
    Abraço fraterno Luis Gustavo

  21. Adriana Higino says:

    Thais, estou escrevendo para a qualificação que acontecerá dia 30/Março e a minha defesa esta marcada para Novembro/2020. Compreendo bem o seu relato e adorei o texto. Mandei o link no grupo de whatsapp da nossa turma.

  22. Muito obrigada por compartilhar sua história, incrível. Estou passando por esse momento do mestrado de fazer a dissertação e me identifiquei em vários pontos do seu texto. Obrigada pelas dicas e motivação.

  23. Tamiris Vilas Bôas da Paixão says:

    Olá Thais, tudo bem?

    Em outros textos, lembro de você ter mencionado que o seu mestrado envolveu pesquisa de campo. Você chegou a submeter o seu projeto de pesquisa ao Comitê de Ética, ou você e o seu orientador decidiram por não submeter. Caso tenha sido a segunda opção, quais os impactos de não submter ao Comitê de Ética para a pesquisa, você saberia me dizer?

    1. Cada faculdade tem suas regras. Na minha não foi necessário.

  24. Thais, como eu te admiro!
    A melhor parte do meu mestrado foi quando ele acabou.
    Sem brincadeira, esgotada!
    A tensão (que eu considero desnecessária) era tão grande que tive colegas com problemas sérios de ansiedade e pânico.
    Hoje, com mais maturidade estou planejando um doutorado… Mas no meu ritmo de valsa.

    Parabéns pelo seu trabalho!
    Parabéns pela sua dedicação!
    Adoro seu blog.❤

  25. Malu Monteiro says:

    Thaís, querida! Já te sigo há muito tempo, recebo seus e-mails e este post era tudo q eu precisava ler antes de iniciar este processo!! Gratidão pela excelência com q vc nos proporciona essas maravilhas e significativas leituras.

  26. Priscila Silva Ximenes Machado says:

    Thais, tudo bem? Gostaria de ler sua dissertação. Conhecer suas referência bibliográficas? Está em algum lugar onde possa baixar?
    Obrigada!
    Priscila Machado

    1. Por conta da pandemia, ainda não foi publicada. Só posso disponibilizar quando a faculdade publicar, então divulgarei aqui no blog quando isso acontecer. 😉

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