“Mude de horário, mude de vida” (2019)

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Este livro foi publicado com o título do post pela Ed. Pergaminho em Portugal. O título do original em inglês é “Change your schedule, change your life” (link para compra na Amazon) e ainda não foi traduzido e publicado no Brasil. Eu comprei a minha edição na viagem que fiz à Lisboa, este mês, na livraria Bertrand.

Em 2017 eu elegi o meu livro do ano (“Ponto de equilíbrio”). Em 2018, certamente foi o livro do “Bullet Journal Method”. Não que esses livros tenham algo de diferente – para mim, foram impactantes em certos sentidos que, naquele momento em que eu os li, significavam muito. Sei que ainda estamos em março, mas arrisco a dizer que meu livro de 2019 é este “Mude seu horário, mude sua vida”. Neste post vou explicar por quê.

Já venho lendo e estudando sobre ritmos circadianos desde o ano passado, por causa do mestrado. Mas era um estudo técnico. Este livro em questão faz um link entre os ciclos circadianos e a medicina ayurvédica, trazendo os conceitos de maneira prática para o dia a dia.

O que são ritmos circadianos?

O ritmo circadiano representa o período de um dia (24 horas) no qual se completam as atividades do ciclo biológico dos seres vivos. Uma das funções deste sistema é o ajuste do relógio biológico, controlando o sono e o apetite. (1)

Cientistas vêm desenvolvendo cada vez mais pesquisas que apontam que existe uma relação íntima entre o ciclo de luz e escuridão em cada um dos nossos dias e na relação que existe entre esse ciclo e o ritmo biológico de todos os seres vivos – obviamente incluindo nós, humanos.

Um “desalinhamento” dos ritmos circadianos e o nosso corpo pode causar problemas diversos – insônia, obesidade, fadiga. Nesse livro, o dr. Suhas nos diz que o problema não está na gente, no nosso corpo, e sim na nossa rotina. E aí ele apresenta muitos resultados de pesquisas, explicações e orientações para um melhor alinhamento.

E eu com isso?

O ciclo de 24 horas começa quando você acorda (e se expõe à luz do dia) – todo o seu relógio biológico é reiniciado. Esse ritmo indica quais os melhores horários para comer, fazer atividade física, dormir. Hoje, os seres humanos organizam os seus dias de acordo com a sua agenda de trabalho, quando deveriam se organizar de acordo com as necessidades dos seus próprios corpos. E ele sabe que é um grande desafio fazer dessa forma, por isso ele trouxe diversos casos de pacientes com dificuldades como “não tenho fome de manhã”, “não tenho tempo”, “gosto de ver tv à noite” para apresentar soluções legais e adaptações.

Por que me impactou?

Eu li esse livro durante um momento em que não estava muito legal de saúde. Peguei uma virose que está deixando meu organismo instável há quase três semanas. Só ao ler o livro e ver quantas coisas eu faço não de errado, mas desalinhadas com o meu ritmo natural, já foi motivação suficiente para mudar algumas coisas de imediato. Foram elas:

  • Fazer exercício ao acordar, e não ao final da tarde, como vinha fazendo. A ideia é dar um chacoalhão no metabolismo e mostrar ao corpo que você acordou claramente.
  • Tomar café-da-manhã apenas depois de fazer o exercício.
  • Almoçar ao meio-dia em ponto e fazer desta a refeição mais substansiosa do dia.
  • Dar uma volta depois do almoço (isso eu já fazia antes).
  • Aumentar muito a ingestão de água à tarde, para não ficar com sono, em vez de tomar café (isso fez uma diferença impressionante).
  • Fazer a última refeição do dia às 18h (sempre algo leve, como sopas). Eu entendo que esse seja o ponto mais sensível para as pessoas, mas quando a minha família janta, mais tarde, sento com eles na mesa normalmente e bebo um suco ou como algo leve, como sopinha novamente. Eu achei que ficaria com fome à noite, mas não fiquei nenhuma vez.
  • Duas horas antes de dormir, desligar TODAS as telas. A quantidade de tempo que se agrega na vida ao fazer isso é incrível. É o horário que tomo banho, lavo a louça, faço lição com o filhote, leio um livro etc.
  • Dormir 7h30 toda noite (isso eu já fazia).

Eu ainda sinto dificuldade em acordar junto com o sol, nem tanto pelo acordar, mas pelo horário de ir dormir. Hoje, com o filhote, o mestrado (que tem aula até 22h30) e outros dias em que tenho aulas à noite, realmente não se encaixa no meu estilo de vida (tenho dormido da meia-noite às 7h30). Mas considero um período de transição e quero chegar nesse modelo, pois sei que é melhor.

Descobrir o meu biotipo de acordo com a ayurveda me fez entender várias coisas sobre mim. Os tipos de comida, que estação do ano me deixa mais propensa a ficar doente, tipos de exercício e recomendações diversas. Eu sou uma pessoa do tipo vata, que tem atributos do elemento ar. Isso faz com que eu fique mais ligada o tempo todo, tenha mais dificuldade para dormir, sinta desidratação etc. Saber dessas coisas me ajuda a direcionar melhor os hábitos ao longo do dia.

Uma seguidora me perguntou no Twitter se o livro falava só sobre sono e alimentação ou se falava sobre rotina de trabalho. Entendi a pergunta, mas a minha resposta, com base na leitura do livro, é: ajustar a sua rotina do corpo vai impactar em absolutamente todo o resto, inclusive o trabalho. Por exemplo, de manhã, é quando seu corpo está no melhor estado do dia, energizado, concentrado. De tarde, você tende a se distrair mais. Você pode levar isso para a sua rotina de trabaho realizando atividades difíceis ou de concentração pela manhã, reuniões e outras mais burocráticas à tarde, e aproveitando o período offline noturno para ler, estudar, fazer planejamentos no papel.

Muitas pessoas se consideram noctívagas porque têm surtos de produtividade à noite. Ele explica que isso é puramente biológico, pois de noite o corpo começa uma nova fase de geração de energia, que na verdade é para deixar o corpo realizando funções enquanto você está dormindo. Isso pode dar uma falsa sensação de mais energia, e muita gente (sem saber) usa isso para “iniciar outro ciclo” de agitação mental, o que vai prolongar a produção de malatonina – e dificultará o sono. Aí o corpo fica confuso, porque não sabe se é para ficar acordado ou se é para dormir. Enfim, o livro é ótimo e cheio de sacadas desse tipo. Recomendo fortemente a leitura. Eu mal terminei de ler e já estou relendo para fazer outras anotações.

Ainda pretendo sim trazer mais textos e conteúdos sobre esse tema, porque vai direcionar bastante a minha vida daqui em diante. Este post é um texto inicial, digamos assim, revelando a fonte de toda essa motivação. Espero que tenha gostado da ideia do livro e do que ele propõe. Existe muito a se falar sobre cronobiologia, ritmos circadianos e organização do corpo (uia). Fico muito feliz por ter entrado nesse mundo de conhecimentos novos.

Referências do texto:
(1) Revista Info Escola (aliás, a matéria é ótima e bastante explicativa)

29 comentários

  1. Oi Thais!

    Tenho bastante interesse neste tema, vou comprar!

    Estou lendo o livro: “Quando” do Daniel H. Pink que fala sobre isso também.

  2. Sempre achei estranho esse negócio de quem funciona melhor a noite. Entendo que temos tendências ou preferências por fazer atividades em alguns períodos, mas acho muito antinatural fazer muitas coisas a noite. Gostei da reflexão de até quando é algo natural ou algo forçado até pelo ritmo das grandes cidades. Cresci no interior de Pernambuco onde se janta às 18h ou no máximo as 19h, às 21h30 já estávamos com as luzes apagadas e TV desligada para se preparar para dormir. Hoje a nossa rotina pede que às 22h ainda tenhamos que estudar, fazer algo em casa, resolver problemas e aí o tempo de sono fica achatado.

  3. Oi Thais, tudo bem? Minha nutricionista fala que não é bom fazer exercício sem comer antes, pois perdemos massa magra. Não pesquisei nada sobre isso, só me lembrei porque li no seu post o lance de fazer atividades em jejum. 😉 bjos

    • Maria Cristina, para o ayurveda, se alimentar antes dos exercícios atrapalhará o ‘fogo da digestão’, conhecido como agni. Isso pode prejudicar a digestão por todo o seu dia. Para esta abordagem médica o elemento mais importante para a geração e manutenção da saúde é a digestão adequada, por isso, indica-se comer apenas quando se está com fome. E devemos aprender quando é fome ‘de comida’ ou ‘emocional’. A ideia de comer a cada 3 horas serve muito bem para os tipos Vata, com predominância do ar na sua constituição, porque eles se esquecem de comer. Para os outros tipos, Pitta (fogo) e Kapha (terra e água), é muito importante comer somente quando o alimento da refeição anterior já foi digerido evitando ou diminuindo a formação de toxinas. 😉

  4. interessante ! tenho interesse ! No momento estou implantando os 6 passos do “Milagre da Manhã” , que tem a ver com sono, horário de acordar….

  5. Puxa. Que incrível. Irei tentar aplicar aos poucos isso na minha realidade. Obrigada por compartilhar conosco! Ótimo final de semana =)

  6. Adorei a recomendação!

    Sinto uma diferença enorme de energia quando consigo ajustar minha rotina para ficar mais diurna, minha dificuldade é manter essa rotina, costumo sempre voltar ao ciclo de ir dormir tarde, acordar cansada, ficar letárgica durante o dia e ir me afastando das coisas mais importantes pra mim.

    Obrigada pelo post, acredito que o livro me ajudaria bastante. 🙂

  7. Oi, Thais!
    Assim como você, eu sou vata. Uma flutuação danada haha. Descobri a Ayurveda em 2014 mais ou menos, me salvou e me salva muito até hoje. Tem um livro chamado Filosofia do Bem Viver, Marcia de Luca e Lucia de Barros, que fala todos os detalhes disso. Eu amo, fica do lado da minha cama e releio sempre. Complementa seus comentários. Ainda não tenho a rotina 100% ideal, tenho clientes à noite ainda e isso me impede de desligar telas 2h antes e até de um ritual noturno mais eficiente. Mas, é a meta de médio prazo. Consigo fazer os exercícios de manhã, é maravilhoso mesmo! 🙂

    Beijos e amo esse tema.

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