Semestral

Revisão dos meus objetivos de médio prazo (Julho 2020)

Mais um post compartilhando um pouco sobre as minhas revisões, desta vez quero falar sobre a revisão dos meus objetivos de médio prazo, que costumo fazer a cada seis meses (ou sempre que sentir necessidade, nesse meio tempo).

Sugestão de trilha sonora para ler o post – “Feeling Good” (Nina Simone).

No método GTD, aprendemos sobre os Horizontes de Foco e, aqui, médio prazo se encaixaria no que o David chama de Visão, ou Horizonte 4, apesar de o Horizonte ser uma construção de estilo de vida de médio a longo prazo (depende muito da idade que você tem). No método Vida Organizada, costumo separar os objetivos em curto, médio e longo prazo, e o médio prazo diz respeito à “era da vida” em que você está. Existem diversas maneiras de avaliar essa era – por década (dos 30 aos 40 anos), por ciclo da numerologia (nove anos) ou de maneira mais subjetiva e personalizada (“estou em uma fase dedicada a tais questões”).

De todo modo, os objetivos de médio prazo têm sempre uma característica: eles são a “curva do transatlântico”. Não dá para dar uma guinada, a não ser que algo muito radical aconteça em sua vida. De maneira geral, os objetivos de médio prazo levam tempo para acontecerem, simplesmente porque existem coisas que levam mais tempo mesmo. Como um transatlântico quando precisa virar, ele faz uma curva maior.

Imagem: Click RBS

O médio prazo depende também do parâmetro analisado. Falando sobre a vida de uma pessoa, pode variar igualmente. Quando eu tinha 18 anos, médio prazo para mim provavelmente significaria todo o período até entrar na faculdade, me formar, talvez fazer uma especialização e, assim, concluir essa “era” de início da vida profissional. No momento, em que estou prestes a completar 39 anos de idade, eu começo a ver médio prazo como um período da vida relacionado à maturidade, porém ainda não chegando na terceira idade. Logo, entre os meus 40 e 55 anos, talvez, eu tenha algumas coisas que eu queira fazer para chegar à velhice melhor em todos os sentidos. Quando eu penso no ciclo de nove anos da numerologia (em que estou passando de um ano 1 para um ano 2, em setembro), isso significa pensar dos meus 38 aos meus 46 a 47 anos, o que faz bastante sentido neste momento de vida para mim. Cada pessoa pode estimar de um jeito, assim como para uma empresa isso seria diferente, assim como para a História mundial isso seria diferente. Tudo é questão de perspectiva. Um século na História não é quase nada mas, para uma pessoa, significa um tempo de uma vida muito bem-sucedida (a média de longevidade do brasileiro é de 76 anos).

Como cada pessoa reflete sobre essas circunstâncias varia igualmente. Pela minha experiência, vejo que se trata de um modelo mais flexível e informal que horizontes mais terrenos (e aprendi isso com o David também) – objetivos de curto prazo, projetos, ações, enfim. Você pode desenhar um painel, um mural, ter um mapa mental ou simplesmente fazer visualizações a respeito. Depende muito do estilo de cada um para se organizar também. Eu já testei diferentes formatos. Gosto de desenhar no papel, especialmente enquanto faço as reflexões, mas um formato que me agrada para informações desse tipo é o mapa mental. Há algum tempo tinha um painel no Trello para essas informações – também funcionava bem! Então realmente tanto faz, depende de cada um. Não tem um jeito mais correto ou melhor de fazer, e sim o que te atende.

Sabe aquela tradicional entrevista de emprego, em que perguntam “onde você se vê em cinco anos?”. É um prazo completamente aleatório, mas eu acredito que o propósito de se fazer essa pergunta seja justamente o de avaliar o raciocínio da pessoa quando ela pensa no estilo de vida que está construindo. Se encaixa na empresa? Então, quanto mais você fizer esse tipo de reflexão, mais fácil ficará responder não apenas essa pergunta, mas até ter discussões mais aprofundadas com a pessoa que você pretende viver uma vida juntos ou entre amigos. Também pode te ajudar a pensar sobre a carreira que você quer construir, como dar suporte à família, uma casa que você queira viver e outros elementos relacionados. No final das contas, estamos falando de tempo de vida neste planeta. E a vida passa. Deve ser muito ruim você chegar no último dia da sua vida pensando em todas as coisas que gostaria de ter vivido e não ter ido atrás do que era realmente importante para você porque não se planejou, não pensou quando poderia ter pensado, enfim. No final das contas, penso que é o que me faz acordar e levantar todos os dias da cama, pela manhã.

Eu não quero que você pense, a partir deste post, que eu estou dizendo que *obrigatoriamente* você deva ter objetivos e levar uma rotina de “alta performance” especialmente voltada para eles. Não é essa a ideia, realmente. O que eu desejo com este trabalho é te mostrar que, se você quer algumas coisas na sua vida, elas podem levar tempo, então pode ser que você queira direcionar os seus esforços a partir de agora. E cada um deve sempre levar em conta as suas condições para tal. Vivemos em um país extremamente desigual, em que é complicado eu falar em um estilo de vida aqui que muitos podem não conseguir viver ou que pareça muito modesto para outras pessoas. Cada um deve adaptar à sua realidade. Não estou impondo nada em termos de conteúdo, mas encorajando um modelo de raciocínio.

E claro, a grande verdade é que podemos imaginar e planejar, mas muitos cenários só se tornam possíveis ou impossíveis a partir da vivência de cada um deles. Quando eu analiso mapas antigos (o que é um exercício muito legal!), vejo a cabeça daquela Thais que planejou aquilo. Como ter vivenciado tudo o que veio depois daquele raciocínio me ajudou a enxergar melhor as coisas, a entender melhor o que até mesmo eu queria, mas eu não tinha como saber naquela época. Eu tive que vivenciar tudo o que veio depois para entender. Essa é uma coisa muito mágica da vida, sabe. Por mais que a gente pense no futuro e se planeje, a vivência, a conclusão dos seus projetos para chegar “lá”, vão te mostrar perspectivas que você não tinha como ver ainda quando pensou em tudo aquilo pela primeira vez.

O David fala, no “Making it all work” (terceiro livro dele): “vi diversas vezes várias pessoas que eu conheço (eu mesmo incluso) que simplesmente elaboraram uma lista de coisas diversas que gostariam de vivenciar – desde a qualidade dos seus relacionamentos, até o estilo de vida que gostariam de viver, aspectos de suas carreiras, saúde e finanças – e viram isso se manifestar simplesmente com o tempo”. Minha interpretação do que ele quer dizer é que, só de manifestarmos essas ideias para o universo, isso de alguma maneira fica no nosso inconsciente e vamos nos direcionando para esses elementos. Você já deve ter passado por alguma situação parecida. Lembro que, no ano retrasado, quando estava fazendo a minha formação no Nível 3, um amigo indiano comentou algo semelhante – “Eu escrevi algumas metas que tinha para a minha vida em um caderno e me esqueci completamente delas. Um dia, revisando meus armários, coisa de cinco anos depois, achei aquele caderno e percebi que todas as metas tinham sido alcançadas, mesmo sem eu me lembrar que um dia eu as tinha escrito.”

Saudades de vocês, meus amigos <3 Missing you all, my friends

Ainda no livro do David, no capítulo sobre o Horizonte 4, ele cita uma ferramenta que considero muito poderosa, e que desde então venho implementando para mim e encorajando meus alunos a fazerem, que é um “mapa do tesouro”. A ideia é colocar em um único lugar todas as coisas que são realmente importantes para você. Coisas que já existem, coisas que você quer ter mais, aperfeiçoar, ou coisas que ainda quer que existam. No livro, o David compartilha um mapa que ele fez em 1990 e comenta que tudo aquilo de alguma maneira existiu. Eu fiz uma primeira versão desse mapa em 2017, e o refiz agora este ano.

Inclusive, esse é um excelente mapa para você fazer com os seus filhos e em família, na quarentena ou não. É bem gostoso de fazer, além de ser um registro fantástico para eles revisitarem no futuro. (A imagem acima é do meu Bullet Journal atual – já tem o vídeo mostrando no YouTube, se quiser ver mais, e devo fazer um post mostrando por aqui nos próximos dias também).

Bom. Toda essa contextualização é importante pra eu poder explicar como organizo os meus objetivos de médio prazo então. Tenho um mapa mental no Mind Meister, onde organizo essas anotações para revisar semestralmente ou sempre que sinto necessidade. Essa revisão me permite fazer ajustes, mudar um pouco a carinha do mapa, inserir ou modificar a forma como escrevi as coisas.

Acima eu compartilho com vocês os meus principais objetivos de médio prazo nesse momento de vida que estou vivendo. Eu detalho um pouco mais adiante de acordo com as áreas da vida (mais ou menos, vocês verão) mas, de modo geral, se resume em:

  • Construir, em todas as áreas da minha vida (trabalho, saúde, finanças, lazer, casa, tudo), modelos sustentáveis (no sentido de levar a longo prazo) de viver, pensando em uma velhice tranquila e significativa.
  • Garantir a melhor formação para o Paul que estiver sob o meu alcance. Inclui não apenas a formação escolar, mas de valores, educação, vida mesmo. Agora ele tem 10 anos e está entrando em uma fase crucial da vida, em que é importante demais estar perto e apoiar, para esse vínculo nunca se desfazer (a adolescência é um desafio).
  • Minha mãe mora em outra cidade, e já está claro para nós que em algum momento ela terá que vir morar mais próxima da gente, especialmente porque São Paulo capital tem uma estrutura de saúde melhor caso ela precise – o que sempre é uma questão a se considerar quando a gente fala de cuidados com idosos. Vocês me pediram então em algum momento farei um post especificamente sobre esse planejamento, detalhando melhor o que estamos fazendo.
  • Eu amo o meu trabalho e quero fazer o que faço até o meu último dia de vida, em termos de propósito. Porém, em termos de formatos, a gente nunca sabe o que pode acontecer – se posso ficar inabilitada para alguma coisa etc. Logo, precisamos sempre ter “planos B” para a velhice, visando segurança, simplesmente. Então meus investimentos serão sempre no sentido de pensar: se eu não puder mais trabalhar como faço hoje, como vamos ficar? Todo o meu trabalho, minhas finanças, nossa casa, estilo de vida, é voltado para construir uma velhice tranquila. A velhice já é desafiadora por si só com seus diversos elementos naturais – ficar preocupada com outros fatores que podem ser coordenados antes é tudo o que uma idosa não precisa.
  • Finalmente cheguei a um ponto da minha vida em que me sinto mais madura para desenvolver uma tese. Poderia ter feito mestrado e doutorado na casa dos 20 anos? Poderia, e certamente teria sido muito bacana. Mas, hoje, estou na vibe de fazer isso. É diferente. Amadureci meu ponto de vista sobre o meu trabalho, sobre a sociedade, sobre o mundo, e acredito que consiga contribuir de verdade com o que tenho a desenvolver. Essa tese é a que quero desenvolver nos próximos anos com o doutorado e com todos os pós-doutorados que eu vier a fazer. Será meu legado para o mundo, já agregado ao trabalho que faço com o Vida Organizada.

Não tenho como abrir o mapa inteiro para mostrar detalhes, porque é bem íntimo meu, mas eu penso que, com os direcionamentos gerais que já compartilhei aqui, dê para vocês terem uma ideia.

Na prática, funciona assim:

Em ESTUDOS, por exemplo, eu tenho o doutorado. Em médio prazo, isso significa que eu quero entrar e concluir a minha tese de doutorado. Essa é a minha meta com relação a esse assunto nesse ciclo de vida em que estou. O ciclo atual pode ter nove anos (na numerologia, lembra? veja lá no começo do post) e o doutorado leva de quatro a seis anos, mas significa apenas que, nesse recorte da minha vida, quero estar dedicada a esse tema. Isso inclusive me dá mais “elasticidade” para trabalhar na tese sem a contagem regressiva que é quando efetivamente se matricula no doutorado em si.

Ter esse objetivo de médio prazo me faz pensar no curto prazo, que seria “até dois anos”. E meu objetivo de curto prazo com relação ao doutorado é simplesmente ingressar nele. Ingressar no doutorado significa ter escolhido uma instituição, meu orientador (ou orientadora), ter clareza no pré-projeto, ter um plano financeiro e psicológico para encará-lo, ter feito dezenas de leituras importantes para ter mais clareza, configurar uma rotina de trabalho que abrigue esse volume imenso que o doutorado trará de atividades. Se você for parar para analisar, é coisa pacas pra fazer em até dois anos, mas é factível, pois é uma prioridade.

Se ingressar no doutorado é um objetivo de curto prazo, eu consigo, com base nele, chegar em projetos, ou recortes para o ano em questão (2020-2021). O que eu consigo fazer neste momento, nesse horizonte de um ano, levando em conta a situação da pandemia etc etc? Bem, várias coisas: ler vários livros para definir com clareza meu pré-projeto, desenhar o pré-projeto em si, pesquisar artigos e livros dos possíveis professores que podem fazer a minha orientação, pesquisar as instituições, talvez cursar alguma disciplina (online) como aluna especial? Também é bastante coisa, mas veja que é factível para um ano. Eu não trabalho *nos* objetivos. Eles existem. Eu crio projetos para ir concluindo e, com a conclusão deles, os objetivos são alcançados. E eu não trabalho nos projetos. Defino ações que trabalharei diariamente, semana após semana, que farão com que os projetos sejam concluídos. Tudo, absolutamente tudo, se resume às ações que você faz todos os dias, em como você aloca seu tempo nos afazeres que são realmente importantes e construtivos.

Como falei, revisei esse mapa agora em julho, como parte de uma revisão semestral que envolve outros elementos (e estou compartilhando com vocês aqui no blog aos poucos, nos posts diários). Pretendo fazer uma nova revisão deles em janeiro, se não quiser fazer antes.

Se você tiver alguma dúvida e quiser me perguntar, deixe um comentário. Obrigada por ler até agora. Espero que o post seja útil para você também.

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5 Comments

  1. Oi Thais!
    Primeira vez que escrevo, mas acompanho seu trabalho a muitos anos!
    Já tentei implementar o GTD algumas vezes, mas nunca foi pra frente… Tem a questão de perfeccionismo e procrastinação e acabo não sendo constante nos registros no sistema o que o torna não confiável e no final é deixado de lado… 🙁 Acredito que não ter clareza nos objetivos e no que é prioridade mesmo no dia a dia tem me atrapalhado bastante.
    Você acha que definir esses objetivos de médio prazo vão ajudar a me organizar ou é melhor começar em um horizonte menor, com as tarefas do dia a dia?
    Parabéns pelo seu trabalho e obrigada por tudo que você oferece aos seus leitores e seguidores!!

    1. Oi Mauren, tudo bem? A recomendação do David para o GTD é você comentar por onde tem mais a sua atenção. Você que deve perceber. 😉

  2. Marcelo Oshiro says:

    Oi Thais, tudo bem?
    Eu simplesmente adoro seus posts! Bem, faz um bom tempo que te sigo,kkk. É interessante: estou numa mudança de carreira, e quando me perguntavam nas entrevistas de emprego essa de como me via em 5 anos, lembro que NUNCA eu me via naquela empresa ou naquela carreira(eu trabalhava com contabilidade). E foi bom ler seu artigo ,porque surge aquele medo de mudar, e para mim é claro que já não me vejo mais na carreira antiga por mais cinco anos. Também foi bom para ter um panorama mais a frente até para me motivar no momento agora de início, que como sabe, é muitoooo dificilll. Outra vez, obrigado Thais. Ah… já que você sugeriu uma trilha sonora, dou a minha: I’m in love, da Tomoko Aran(é pop japonês década de 80).

  3. Leila Moraes says:

    Thais, como vc nos inspira! ❤
    Gratidão de verdade pelo seu trabalho.

    Adorei seu texto… E compartilho que aos 17 anos em uma atividade escolar de geometria a proposta era confeccionar um dodecaedro e por dentro escrever 12 grandes sonhos. É incrível como esta reflexão nos impulsiona… Hoje aos 32 vejo que aquela sonhadora adolescente conquistou os 12 sonhos (e muito mais).
    Agora com mais maturidade e ferramentas que auxiliam pra caramba eu digo que tenho muuuuitos planos, mas o meu Plano Tesouro é:
    “Eu queria ter na vida simplesmente
    Um lugar de mato verde pra plantar e pra colher
    Ter uma casinha branca de varanda
    Um quintal e uma janela só pra ver o sol nascer”

    Saúde e prosperidade pra todos nós.
    Abraço.

  4. Que post sensacional!

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