“A única coisa” (Gary Keller, Jay Papasan)

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Há cerca de cinco anos li este livro e venho utilizando cada vez de forma mais madura o que ele ensina, conciliando com o método GTD. Pelo menos uma vez por semana me perguntam em alguma rede social se eu já o li. Existem diversos posts aqui no blog em que o cito como referência, mas percebi que não havia nenhum post sobre ele especificamente, então achei que escrever sobre ele no mês em que estamos falando sobre FOCO seria bastante apropriado.

O livro “A única coisa” é um livro sobre foco. Quando você define uma próxima ação, está usando a mesma técnica. Isso já responde a pergunta sobre ele conversar ou não com o GTD. Sim, conversa. Super conversa.

O poder do foco na única coisa reside na habilidade de concentrar seus esforços em uma atividade que você decidiu intencionalmente fazer. Está completamente alinhado ao conceito de “apropriadamente engajado” do GTD.

Napoleon Hill também fala, em seus livros, que foco é apenas esforço organizado. Quando você tem um objetivo definido, você consegue usá-lo como foco para concentrar todos os seus esforços, de modo que essa concentração dedicada te fará alcançar aquele objetivo.

“A única coisa” também fala sobre a importância de fazer mais as coisas certas, em vez de apenas fazer mais coisas, o que também continua alinhado com o GTD.

Uma prática que eu adoto desde a leitura do livro, há cinco anos, é a prática de definir o foco para o meu dia. Nossa, isso faz uma diferença gigantesca, e também está alinhado com um outro post que escrevi outro dia, sobre tomar uma decisão por dia.

Uma coisa que eu ADORO no livro e que considero um conhecimento subestimado é sobre a progressão geométrica das suas coisas na vida. A vida não é linear. Não é 1 + 1. Quando você faz uma coisa, não significa que você vai fazer a coisa número 2 na sequência. Não. Essa coisa 1 que você fez pode criar múltiplas novas oportunidades, porque quanto mais você focar em coisas importantes para você, mais você vai construindo degraus avançados na sua vida. Isso é GTD puro, horizontes de foco total. Você tem uma “única coisa” para a vida, que é mais geral, e pode ir definindo “únicas coisas” momento a momento, para tornar sua vida mais significativa. Está alinhado com o mindfulness também.

“A única coisa” de uma empresa, por exemplo, deve estar clara. Se não estiver, a única coisa deve ser justamente buscar essa única coisa. O mesmo vale para os seres humanos. Você já sabe qual é a sua única coisa? Se não sabe, essa busca deve ser “a única coisa” até encontrá-la. Invista tempo e energia nisso. Ponto. Essa é a proposta inicial do livro.

Obviamente que você pode aplicar a pergunta da única nas diferentes camadas da vida e horizontes de foco, como por exemplo:

Qual a única coisa que você pode fazer esta semana que pode torná-la extraordinária?

Qual é a única coisa que, se você concluir hoje, seu dia terá rendido e valido a pena?

Qual é a única coisa que você deve fazer agora, a mais importante, e que trará mais impacto no seu momento?

Qual é a única coisa que devo fazer para melhorar minhas finanças?

Qual é a única coisa que devo fazer para ser uma mãe melhor?

Qual é a única coisa que devo fazer para estudar com efetivamente para o concurso?

Qual é a única coisa que devo fazer para concluir logo esse projeto?

Etc.

É claro que os autores falam, no livro, sobre a “balela” do multitarefa. Já existem n pesquisas que afirmam que não conseguimos fazer várias coisas ao mesmo tempo – apenas alternamos nossa atenção entre uma e outra, o que é extremamente cansativo e improdutivo.

Gosto particularmente de uma frase do livro em que eles dizem assim: “Em vez de uma lista de tarefas, você precisa de uma lista de sucesso, criada propositalmente em torno de resultados extraordinários”, porque, de alguma maneira, as pessoas lêem isso e falam: “tá vendo, por isso o livro vai contra o GTD! o GTD é a favor das listas!”. Queria entender de onde vem isso, porque é tão equivocado! Sim, criamos listas mas, assim como “A única coisa fala”, o que importa é o CONTEÚDO dessas listas, e não “ter uma lista” em si! Se o conteúdo das suas listas é medíocre, a culpa não é do GTD e sim de você não ter colocado nelas conteúdos que sejam extraordinários, que te motivem! Entende o ponto? O GTD não dá pitaco nos seus “conteúdos” – ele é um modelo de raciocínio para gerenciar o fluxo de trabalho. Quando ele pergunta “qual é a sua próxima ação?”, o conteúdo da ação quem decide é você! E obviamente ele vai ser pautado pelas suas experiências, crenças do que é o certo a ser feito e tudo o mais.

Enfim, este é um livro obrigatório para quem gosta de produtividade e não quer passar a vida batucando o teclado e embaralhando pastinhas (FERRISS, sempre). Conversa lindamente com o método GTD, mesmo sem citá-lo em nenhum momento ao longo do livro. Quem bom que nós, que estudamos esses assuntos, podemos fazer essas conexões. 😉

É um livro para ler, reler, reler com calma, grifando, pensando, refletindo sobre cada parágrafo. Ótimo livro de cabeceira, para ter como referência sempre.

“Não tenha medo do grande. Tenha medo do medíocre.”
(Gary Keller, Jay Papasan em “A única coisa”)

13 comentários

  1. Thais, esse foi um dos primeiros livros de produtividade que li, e ainda sou muito influenciado por ele. Acho que o que mais trago pro meu dia a dia é o hábito de fazer “a pergunta” – qual a única coisa que, caso feita, torna todo o resto mais fácil ou desnecessário? (não lembro qual a frase exata).

    Como você disse isso cai perfeitamente no momento de definir uma próxima ação, e também em momentos de confusão e sobrecarga.

    Aproveito pra dizer que te acompanho tem certo tempo e valorizo muito seu trabalho. Me chama atenção no seu conteúdo o cuidado, a coerência e a profundidade. Como se além de toda sua prática e conhecimento você ainda ficasse integralmente ponderando, criticando suas próprias conclusões (de uma maneira boa). Essa profundidade simples é quase um oásis no meio do conteúdo barulhento da Internet.

    • Obrigada, Leonardo, por reparar nesse cuidado. Criar esse conteúdo é parte de um trabalho muito importante para mim, que vejo a longo prazo. Fico muito feliz quando recebo um comentário como o seu, pois foi alguém que reparou nisso também. Obrigada mesmo.

  2. Thais; Incrível resenha. Já providenciei o livro! Da resenha me chamou atenção quando você fala sobre o conteúdo da próxima ação. Que tal você escrever um post sobre isso… Como fazer boas escolhas de conteúdo da próxima ação?
    Um abraço;
    Fran

  3. Oi, Thaís!
    Coloquei esse livro na minha lista de leitura. Como o pessoal comentou aí em cima, você “vendeu” muito bem. Obrigada por compartilhar essas ótimas leituras com a gente. Inclusive, peguei essa ideia de “A única coisa que fará meu dia melhor, semana, etc” e coloquei em algumas checklists que tenho no meu GTD. 🙂

    Abraço!

  4. Li o livro, que achei excelente e um dos mais completos sobre o que realmente significa foco e produtividade, mas acho, ao contrário da Thais, que ele se diferencia do GTD em alguns pontos. O livro diz que devemos concentrar nossa atenção no que é realmente importante, deixando de lado o que não é. Já o método GTD, com suas listas para tudo, e ao conceituar projetos como tudo aquilo que exige mais de uma ação para ser concluído, coloca tudo no mesmo barco,o que, a meu ver, dispersa a nossa atenção das coisas realmente prioritárias.

  5. Já te falei que eu AMO esse livro, não é? Mais você temperou essa resenha/post que vou guardar pra vida. Amei! 😘

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