Categoria(s) do post: Plenitude & Felicidade, Equilíbrio emocional

Essa pergunta me foi feita algumas vezes e eu achei que seria interessante trazê-la em formato de post.

A primeira coisa que quero dizer, claro, é que a depressão é uma doença que precisa ser tratada, e eu não tenho formação em psicologia. O que vou relatar aqui são as minhas percepções pessoais de quem convive bem com a depressão, já passou por crises, e trabalha com organização. Logo, posso trazer recomendações que tenham a ver com a minha experiência pessal e pelo que já ouvi desse trabalho com alunos e leitores.

Do meu ponto de vista, a organização ajuda quem tem depressão enormemente.

Apenas o fato de você olhar para uma agenda com coisas que você tem que fazer hoje pode ser desanimador. Mas, se você souber que o que está ali é o que realmente precisa ser feito, minha recomendação é você escolher uma coisa, fazê-la, depois outra, fazê-la, e assim por diante. Uma de cada vez, nem que leve o dia inteiro. Já passei por dias assim, em que ver o montante me desanimava, mas fazer uma coisa de cada vez deu certo. Claro que isso só vale se o que estiver na sua agenda seja realmente aquilo que você precise fazer em um dia ou em um horário específico.

Muito importante: conheça-se e não agende compromissos que vão te engatilhar mil aspectos sinistros, especialmente de ansiedade, a não ser que esses compromissos sejam realmente necessários. Nesse caso, converse com seu terapeuta para discutir as melhores estratégias para não ficar muito mal.

Ter uma vida organizada significa cuidar da base da pirâmide de Maslow. Saca?

Respirar bem = medite.

Comida = coloque um lembrete na sua agenda para ir ao mercado. A organização te ajuda a ter sempre comida de verdade para comer. Nem que você tenha que colocar alarmes no celular para se lembrar de comer na hora certa (ajuda).

Água = deixe uma garrafa de água cheia com você pela manhã. Encha de novo de tarde, Encha de novo de noite. Dê um gole agora, outro depois. Ande com uma garrafinha sempre com você. É isso. Com o cérebro e o corpo hidratados, você se sentirá menos pior e vai conseguir se concentrar em algumas atividades quando for necessário.

Sexo = bom, faça o melhor que puder para você mesma/o.

Sono = priorize. Não sei para você, mas a madrugada sempre me deixava pior quando eu estava em uma crise de depressão. Não sei se é circadiano ou simplesmente sinistro de modo geral estar sozinha quando todos estão dormindo. De modo geral, minha recomendação é que você durma mais. Durma pelo menos horas suficientes. Em vez de ir dormir quatro horas da manhã, durma às onze. E aí você dorme mais. Ficar “escrolando” o celular não é mais importante que dormir. Apenas durma. Cansaço só potencializa a depressão.

Homeostase = equilíbrio químico do corpo. Tome seus remédios direitinho.

Excreção = alimentar-se corretamente pode ajudar.

Suas listas de contextos, para suas próximas ações, podem ser personalizadas para “dias bons” e “dias ruins”, em que você lista coisas que precisa fazer, mas precisa estar em um nível de energia legal. Mesmo em épocas de crise, eu lembro que tinha dias melhores do que outros. Aproveite para resolver coisas pendentes, ir ao banco, aquele tipo de coisa.

Checklists também funcionam bem para quem tem depressão. Quando você estiver em uma boa fase, crie checklists para quando estiver mal. Vai ser bom ler. Checklists de coisas a fazer quando você estiver desnaimada/o, por exemplo, ou o mínimo a se fazer em casa para manter a casa em ordem. Checklists assim ajudam e muito.

Já é extenuante simplesmente viver quando se tem depressão. Se você estiver passando por um período difícil, minha recomendação é que você foque na sua recuperação. Não fique tentando começar coisas novas agora, pois o processo pode ser exaustivo. Claro que depende de pessoa para pessoa.

Ler o livro “O demônio do meio-dia” me ajudou a ver como a depressão é algo comum, que eu não sou uma pessoa especial por ter passado por isso, mas também me trouxe um aspecto importante, que no fundo eu já sabia: ninguém se cura da depressão. A gente aprende a conviver com ela. Ela está sob controle, ou não. E, quanto mais a gente vive, melhor vai ficando em identificar o que desencadeia crises e o que fazer quando uma acontecer.

Eu conversei já muitas vezes com o Daniel (da Call Daniel), e troquei uma ideia com ele antes de escrever este post, para ver se a gente conseguiria gravar um bate-papo ou algo assim. Ambas agendas estão complicadas este mês, mas o faremos futuramente. Para ajudar, ele pediu autorização na editora dele para poder oferecer a vocês, de graça, o livro dele sobre depressão para download. Achei que foi uma graça de presente. Caso queiram agradecer a ele, o e-mail é daniel.burd@calldaniel.com.br Ele foi um querido mesmo. Clique na imagem abaixo ou aqui para fazer download do PDF:

Você também pode comprar a versão impressa na Amazon e eu também já vi em várias lojas da Livraria Cultura.

Pelo que eu acredito que seja a organização, não dá para organizar tralha. Então o primeiro passo é tirar da sua vida tudo o que não faz mais sentido. Não mantenha objetos ou atividades que te perturbem, relacionamentos que te façam mal. Claro que todos nós temos nossos limites. Não dá pra pedir demissão sempre, por exemplo. Mas, para tudo aquilo que você puder, tente rever a necessidade de manter. Aqui também acredito que valha a pena conversar com o terapeuta antes de se desfazer das coisas. Eu me desfiz de muita coisa quando tive um período pesado de depressão, e isso gerou um vazio enorme. Falei sobre isso em um vídeo que gravei para o canal.

Não tem nada pior que ter que fazer algo obrigatoriamente quando se tem depressão. Se for algo que dê para tirar, apenas tire. Mas eu não posso deixar de citar um toque: às vezes a gente se isola pra caramba fazendo isso. Tente identificar se é algo que precisa tirar mesmo ou algo que você deveria manter e está tirando apenas porque é mais fácil. Mais uma vez, e sempre: terapia ajuda horrores a identificar a diferença entre um e outro.

Para finalizar, penso que o foco, quando se tem depressão, deve ser sempre em ficar bem e manter o mínimo viável em andamento. Essa é a minha recomendação. De resto, só de você querer ficar bem já é meio caminho andado. Força.