Casa, Família, Vida

Por que eu desisti do objetivo de ter uma casa no interior

Comentei algum tempo atrás que eu tinha um objetivo de comprar um terreno e construir uma casa no interior – mais especificamente, em uma região serrana, pois gosto do frio, de estar em meio à natureza e também por questões de saúde (ar puro, fresco etc). Porém, após anos refletindo a respeito desse objetivo, eu desisti dele. Vocês me pediram para compartilhar qual foi o meu raciocínio, então o post de hoje é sobre isso.

Ao desenhar esse objetivo, nos últimos anos eu concluí diversos projetos relacionados, tais como: esclarecer qual seria a melhor região para comprar esse terreno, esclarecer os custos de compra do terreno e obra para construção da casa, guardar dinheiro para compra do terreno etc. Todos esses projetos foram sendo concluídos nos últimos anos tendo esse objetivo em vista.

Ter uma casa na Serra da Mantiqueira, absolutamente um dos meus lugares preferidos do mundo, era um sonho de muitos anos. Acho que eu sonho com isso há pelo menos 12 anos. Sempre alimentei essa vontade de ter uma casa em região serrana, para poder escrever, viver, cuidar das plantinhas, resgatar animais, meditar, enfim, aquela coisa toda que tem tudo a ver comigo.

Com a pandemia, então… nossa, eu fiquei pensando em como seria bom se a gente tivesse um lugar assim para ir, já que ficar se deslocando não seria uma questão. E o desejo veio ainda mais forte, a ponto de eu falar: vou colocar no papel, vamos fazer acontecer. Lá em abril, maio, virou quase uma obsessão.

Queria ter a casa? Claro que sim. Durante essa pandemia, teria sido excelente mudar para um refúgio desses? Não há dúvida. No entanto, existem coisas que, na nossa cabeça, funcionam muito bem mas, quando colocadas em prática, talvez sejam diferentes do que a gente imaginava.

Quando eu tenho um objetivo, gosto de fazer visualizações (geralmente na cama, antes de pegar no sono), imaginando exatamente o momento em que o alcancei. Consigo me ver fisicamente no ambiente, sentir a minha reação e a das pessoas ao redor. Além de prático, é um exercício muito gostoso de fazer (recomendo muito!).

No entanto, ao fazer esse exercício, você pode se deparar com a realidade da concretização dele e perceber algumas questões que talvez não levasse em consideração quando tudo era apenas um sonho ou ideia. Ao fazer a visualização desse objetivo sendo real, sim, eu me vi feliz, sim, acho que seria uma delícia realizá-lo, construir uma casa do zero, do meu jeito. Mas aí caímos nos aspectos práticos, que seriam os seguintes.

O primeiro problema que me deparei seria com relação à disponibilidade para construir no terreno. Em que momento exatamente da minha vida eu conseguiria me dedicar a uma obra, sendo que minhas atividades hoje estão principalmente em São Paulo, onde a coisa toda está acontecendo? Eu não teria como me dedicar a uma obra em outra cidade. “Mas Thais, você também tem a possibilidade de comprar uma casa já pronta”. Sim, falarei sobre isso adiante. Mas, pegando a escritura do terreno em mãos, eu já imaginei o cenário pensando “ok, e agora? pego o documento e volto para São Paulo, deixando o terreno lá? como vou tocar uma obra nesse meu momento de vida, com cursos, doutorado batendo à porta etc.?”

Outro ponto fundamental é que o meu marido é uma pessoa essencialmente urbana. Ele não gostaria de morar “no meio do mato” de forma alguma. Ele gosta de dizer que moraria no centro da cidade, se pudesse. Ele gosta desse “agito”. Já eu prefiro um lugar mais calmo, tranquilo. Alguns amigos me sugeriram buscar um meio termo, morando em uma região serrana perto de São Paulo ou em uma casa mais arborizada que a que moramos. E sim, todas essas são possibilidades. Mas estamos felizes na casa onde moramos hoje. Não é qualquer “problema” morarmos aqui – a ideia da segunda casa seria ter um lugar para alternarmos, especialmente para descansar ou quando eu quisesse escrever.

Outra possibilidade que me veio à mente seria comprar um terreno em uma ecovila. Por ser um meio comunitário, eu teria outras possibilidades legais de compartilhamento de horta e outras questões. Mas, quando fiz o exercício de visualização, imaginando a gente vivendo nesse local, eu percebi que, talvez, dentro do meu estilo de vida, de trabalho, seria incrível. Mas e os meninos? Meu marido gostaria desse estilo de vida? Como ficaria a vida do Paul, com escola e os avós morando em outras cidades? Em resumo: a gente conseguiria curtir esse estilo de vida, ou tanto faz morar lá ou em São Paulo, com as atividades que já temos hoje?

Imagem: Hypeness

Nós tomamos a decisão de ficar aqui onde moramos mesmo e tomar algumas providências para melhorar a nossa experiência na casa. Resolvemos arrumar o quintal, e isso deve nos dar uma sensação maior de contato com a natureza. Eu preciso de um post inteiro para explicar a situação do quintal da nossa casa, e pretendo fazê-lo em algum momento.

O bairro onde moramos é muito arborizado, com um parque no quarteirão de trás. Não descarto a possibilidade de mudar para uma casa com árvores no quintal em algum momento no futuro, mas penso que devemos continuar em São Paulo, por várias razões. E, em termos de estilo de vida, não pretendo ter uma casa grande, enorme. Gosto de ter uma casa que nós mesmos possamos cuidar.

Apesar de São Paulo ter seus problemas, gostamos muito de morar aqui e de todas as facilidades que a cidade proporciona. Eu amo fazer tudo a pé pelo meu bairro, resolver a vida morando perto de tudo. Moramos em um bairro ótimo, perto do Centro, mas com seu charme de bairro, muito arborizado e tranquilo. E, apesar de estarmos em meio a uma pandemia, não podemos esquecer que isso tudo em algum momento vai passar e meu marido, por exemplo, é músico e faz shows em vários dias da semana. Quando morávamos em Campinas, que já é uma cidade perto de São Paulo (90km), era toda uma logística mais chatinha, além da preocupação dele pegando estrada várias vezes. Não tem por que complicarmos isso.

Nós já moramos em bairros mais afastados do centro e não gostamos da experiência. Amamos o bairro onde moramos. Eu não pretendo sair daqui e, se um dia mudarmos, provavelmente será no mesmo bairro ou em um bairro vizinho.

Ainda sobre o terreno e a casa no interior, existiam algumas alternativas. Por exemplo, eu poderia guardar dinheiro mais algum tempo e comprar uma casa já construída (para pular a etapa das obras) ou simplesmente comprar o terreno e começar a construir apenas depois que tudo fosse mais liberado, pós pandemia. A primeira alternativa seria ok, mas eu não vejo muito sentido, porque o grande propósito do objetivo era eu construir uma casa do meu jeito. Não quero ter uma casa na serra “apenas para ter”, mas enfim, claro que eu poderia procurar até achar uma que eu gostasse muito. Vale lembrar que isso encareceria a coisa toda também.

O que realmente me fez mudar de ideia quanto ao objetivo em si foi imaginar eu já tendo a casa pronta, em perfeitas condições. A gente moraria lá? Provavelmente não. Eu pensei na possibilidade de abrir uma pousada com a minha mãe. Ou um camping. Mas isso demandaria morar no local, e eu sei que meu marido não ia querer sair de São Paulo. Não sei se a minha mãe ia querer isso também (provavelmente sim rsrsrs, mas ainda sim demandaria minha família inteira ter que abraçar a mesma ideia, e meu marido não quer, nem o filhote).

Ter uma casa para os finais de semana? Parece ok, mas eu sei que não iria todo final de semana, justamente porque meu marido tem shows, temos outros compromissos. Além do que, compensa isso em termos de investimento? Ter um imóvel com dinheiro parado lá, que nem faz parte da nossa rotina diária?

Aprofundando nos aspectos práticos, vale lembrar que uma casa em região serrana demanda manutenção, como em qualquer outro lugar, mas com suas particularidades. Tem umidade, além de outros fatores. Plantas, horta, tudo. Não dá para ter uma casa simplesmente e deixá-la lá, sem uso. Contratar um caseiro estaria fora de cogitação. Acho muito absurdo eu ter que pagar uma pessoa para cuidar de uma casa que não consigo cuidar nem que tenho tempo de usufruir. É o cúmulo da acumulação desnecessária, ao meu ver. Eu queria a casa pelo estilo de vida que ela representa, e queria morar lá, estar lá, viver lá, cuidar das minhas plantinhas, fazer as reforminhas diárias, limpar a calha, essas coisas. Eu queria curtir isso. Ter a casa apenas para ter nunca foi o meu objetivo.

Eu não sou minimalista, mas sou adepta da simplicidade voluntária. Ter uma casa na serra seria maravilhoso para morar, pois é o estilo de vida que acredito. No entanto, morando em São Paulo, ter uma segunda casa, que nem vamos morar, não faria sentido para mim. Demandaria custos fixos a mais, manutenção a mais, trabalho a mais.

Ainda acho que ter uma casa na serra e morar nela seria uma experiência incrível. Se meu marido quisesse, eu toparia imediatamente. No entanto, não é o caso. Ele não quer, e ser casada, ter um filho, significa tomar decisões em família, e não unilaterais. Além disso, não me incomodo de morar em São Paulo. Eu gosto também. Não se trata de um “problema”. Estamos bem aqui. Ter uma casa na serra para passarmos os finais de semana ou irmos de vez em quando para descansar parecia uma boa ideia até eu pensar na parte prática e nos custos disso. Para mim, não compensa. E, se eu quiser ir para a serra, basta alugar uma casa e ir. Vou gastar menos e não terei a manutenção toda que requer. Em tempos de pandemia, não estamos viajando ou locando casa de terceiros, mas penso que esse possa ser um projeto interessante para depois – encontrar uma casa com donos legais para a gente alugar de vez em quando. Inclusive quem tem casa vazia coloca para alugar justamente para compensar os custos fixos de manter uma casa nessas condições. É uma situação ganha-ganha típica.

Prefiro investir esse dinheiro, usá-lo na reforma do quintal da nossa casa hoje, por exemplo, que é onde moramos e passamos todos os dias, para ficarmos bem na vida que já vivemos, e talvez futuramente mudarmos para uma casa que tenha mais a ver comigo, com quintal, muitas árvores, em uma rua tranquila, mas ainda assim dentro de São Paulo, com boa localização, por tudo o que representa na nossa vida.

Acho que faz parte de um amadurecimento como ser humano entender que não precisamos “ter” as coisas para usufruir das experiências que tais coisas nos proporcionariam. Acho importante sim ter um teto nosso, como segurança financeira básica, mas desnecessário ter um segundo imóvel. Prefiro guardar esse dinheiro para ficarmos mais tranquilos financeiramente. E, se em algum momento entendermos que estamos prontos para mudar de casa, isso pode entrar nos planos novamente.

Entra também um aspecto comunitário que é refletir sobre os motivos que levam uma pessoa a ter dois imóveis sendo que moramos em um país onde tantos lutam para ter suas próprias terras. Talvez eu não consiga resolver esses problemas para todo mundo, mas eu posso ajudar a nossa família, por exemplo. Minha sogra não tem uma casa própria. Não seria o caso de pensarmos em algo para eles, em vez de pensarmos em uma segunda casa para a gente usar de vez em quando? Sabe?

Um ponto que não quero deixar de comentar neste post é a visão que tenho da rotina como praticante do Budismo. Entendo que seja uma habilidade importante aprender a ser feliz onde quer que eu esteja. Eu já desenvolvo essa habilidade e estou tranquila com ela. Não acho que preciso morar nas montanhas para ser mais feliz ou ir para a Índia para me iluminar. Sei ser feliz onde moro hoje porque a felicidade é um sentimento interno.

E aqui entra também um aprendizado que tive estudando o Feng Shui: quais são os elementos da casa na serra que eu mais gostaria de viver, e como posso tentar trazê-los para a casa que eu tenho hoje? Talvez não consiga tudo, mas é provável que eu consiga trazer diversos elementos, e isso já é, por si só, algo muito legal de se fazer, e material para projetos para os próximos anos aqui na casa onde vivemos.

O propósito deste post foi compartilhar o meu processo de reflexão com relação a um objetivo que eu tinha e que, vivendo a vida, eu refleti e mudei de ideia. Isso já aconteceu com vários outros objetivos que eu tinha mas que, visualizando-os como realidade, eu percebi que não se encaixavam mais no estilo de vida que eu estava construindo para mim. E que imenso privilégio é eu poder me dar ao luxo de escolher que estilo de vida eu quero viver. Reconheço e sou grata por isso. Que eu possa usar esse privilégio para ajudar os outros, mesmo que em uma escala micro.

Obs. Algumas imagens deste post eu peguei no Google e não consegui encontrar o autor / fotógrafo. Caso você reconheça, por favor, me avise nos comentários para que eu possa creditar apropriadamente.

28 Comments

  1. Que legal essa sua reflexão Thais! Eu tinha um pensamento parecido, mas com casa na praia! Amo praia (meu marido não tanto) e eu queria uma casa perto da praia no futuro. Resolvemos assim: iremos nos mudar para um apartamento amplo pertinho da praia (moramos no litoral). E foi a melhor decisão. Não irá acontecer agora, mas já estamos com o plano traçado! Não teremos o custo com manutenção de uma segunda casa, estaremos perto da praia e com toda comodidade e espaço que uma “casa de praia’ poderia nos oferecer.

    1. ótimo meio termo. adorei! <3
      eu acho que me ajudou também pensar que é uma decisão para ESTE momento de vida que vivemos. se mudarmos de ideia, sempre podemos replanejar as coisas. 🙂
      penso que o segredo é ficarmos bem com as decisões tomadas a cada momento.

  2. Obrigada por compartilhar sua linha de raciocínio e processo decisório conosco, Thais. Muito interessante! Gostei muito da ideia da “simplicidade voluntária” como um estilo de vida, pois traz uma visão muito mais ampla que simplesmente “minimalismo”. A meu ver, a ideia do simples em contraposição ao mínimo é muito mais palatável.

    O que todos buscamos, no fim das contas, é ter uma vida simples, não é mesmo? Isto obviamente nada tem a ver com sofisticação, acesso a recursos financeiros. Para mim, isto equivale a uma vida descomplicada, rotina fluida, tranquila.

    No post de ontem, comentei que estou para entrar no meu ano pessoal 9. Estou muito empenhada no destralhe de tudo o que está atravancando o processo de ter uma vida simples no ciclo que vai iniciar logo logo. De objetos a relacionamentos, de sentimentos a ideias que não “me servem mais”. O propósito é trabalhar para que viver não seja um fardo, mas que seja leve, prazeroso…

    Um grande abraço!
    Renata

    1. Oi Renata. Não sei se todos buscam uma vida simples. Acho que algumas pessoas preferem pagar o preço da complexidade para ter outros resultados, mas tudo é questão de estilo de vida e escolhas pessoais mesmo.

      Pelo que você tem compartilhado, gosto muito do seu raciocínio, me parece no caminho certo. Obrigada por comentar.

  3. Thais, eu passei minha infância e adolescência indo toda semana para a casa que meus avós tinham em Teresópolis, Região Serrana do Rio. Meu avô era orquidófilo, então ter um orquidário na serra era a realização dele.

    As melhores recordações que tenho da minha infância são naquela casa… das decorações de Natal que minha tia montava, das noites regadas a fondue com meus tios, dos jogos de buraco com minha avó, dos meus cachorros que viviam soltos… sou capaz de passar dias só contando o que eu vivi de bom lá… era nosso refúgio, onde eu tinha paz para ler e estudar (isso muitos e muitos anos de tanto conectividade de hoje em dia).

    E, justamente por isso, já me peguei pensando várias vezes se não seria bom que a minha filha também tivesse uma segunda casa, ou na serra ou na praia, para que colecionasse essas lembranças… mas, como você, penso no custo da coisa toda… meu avô tinha caseiros e funcionários diversos, além dele mesmo passar metade da semana lá… a manutenção é cara, há mofo, sem contar outros poréns como vc salientou..

    Outro ponto também é que a gente era meio que “obrigado” a ir pra lá… todo mundo amava mas enjoava um pouco… na hora de escolher outro lugar, era sempre um impasse na família pois, ali, não havia custo e tal e acabava q a gente não ia tanto para outros destinos…

    Para a gente, hoje, vale mais a pena a liberdade de conhecer mais lugares (ou também de repetir lugares, se assim for) do que ter essa preocupação com uma segunda casa… e acaba que as boas memórias são feitas onde nós estamos, né?

    1. Sim! E que delícia, ele tinha um orquidário… era uma coisa muito do estilo de vida dele mesmo? Nesse caso, fazia sentido ter a casa. Fora que Petrópolis = ❤️

      E esse ponto que você comentou da obrigatoriedade de ir SEMPRE pra lá é real hahahaha terrível. Vivi isso na família também. Não que a gente não goste, mas às vezes dá vontade de fazer outra coisa, né?

      Obrigada por compartilhar.

  4. Alice Borsato says:

    Nossa Thais, eu vivi isso tudo que vc descreveu. Tinha exatamente esse sonho de ter uma casa na serra! Coloquei em prática, e no final eu arrumei um grande problema, um elefante branco. Como eu queria ter tido a sua lucidez e feito exatamente essa reflexão que vc fez! Acabei tendo que vender o sítio pq não conseguia conciliar com a vida na cidade. Também acho que esse problema contribuiu um bocado para o fim do meu casamento. Hoje continuo visitando a serra, mas apenas em pousadas ou alugando. A experiência valeu, mas aprendi que devemos pensar muito na praticidade e em como aquele sonho se encaixa na sua vida real. Gostei muito de ler a sua reflexão. Me vi nas suas palavras. Obrigada! Bj grande!

    1. Caramba, obrigada por compartilhar! <3
      Sinceramente, no final das contas também é bom ter a casa, não é? Acho que a gente se vira com o que a vida nos traz. Mas, nesse momento, foi a reflexão que fizemos por aqui. 😉

  5. Oi Thais
    Gostei mto de todos os pontos q vc colocou…penso mto parecido, inclusive nessa pandemia consegui vender meu único imóvel e estou numa casa de aluguel….tem uns bons anos q aporto pensando em ser FIRE….e a real é q vamos mudar de ideia sempre, ter mais de um imóvel não sei se faz sentido…para mim nem ter 1 fez…..é aquilo, as vezes vc precisa ter para entender q não precisa…..e investindo o dinheiro, vc pode ter bem mais possibilidades de escolha. A nossa vida vai mudando o tempo todo, ainda mais na idade mais produtiva que vc está
    Sobre todas as vantagens de morar na serra, vc pode ter….alugar um AIRBNB por exemplo por 1, 2 semanas…..na praia…..
    A máxima para mim hj é compre sua liberdade, alugue o resto

  6. Thais!
    Que reflexão!
    Moro em uma cidade de 300.000 habitantes e, contra muitas opiniões, estamos no centro.
    As meninas podem ir para a escola sozinhas, sem depender de transporte. Cedo aprenderam a fazer pequenas compras (papelaria, farmácia).
    Damos preferências aos médicos, dentistas que possam ser acessados sem uso de carro.
    Meu marido e eu trabalhamos no centro e, assim, o carro é usado apenas em deslocamentos eventuais.
    Noite e finais de semana são silenciosos.
    Também nutríamos o sonho de uma casa serrana, mas a ideia de que, pelos nossos compromissos profissionais, sequer “damos conta” de manter o nosso próprio apartamento sozinhos, fez com que optássemos por deixar de lado esse projeto.
    Não queremos que os finais de semana sejam tomados por faxinas e manutenções, o que certamente ocorreria em uma casa de uso eventual.
    Nossa meninas transitam com liberdade e nossa casa vira, por vezes, ponto de encontro para colegas que moram distantes, o que nos alegra.
    Elas têm aulas de violão e inglês em casa, pois aos professores é mais fácil deslocar-se.
    Falta a piscina, as ruas amplas e calmas para andar de bicicleta, mas, enfim, procuramos enxergar esse viés positivo;
    Como cresci numa casa com quintal grande, sinto falta do verde, o que procuro compensar com visitas aos meus pais, clube social com sede campestre, etc.
    Acho que, no final, cada um deve refletir sobre o que cabe no seu orçamento e no seu tempo. Para quem tem tempo e orçamento, vá em frente! Quem não tem, seja feliz onde está!

  7. Natasha Campaci says:

    Eu passei minha adolescência indo todo fim de semana de São Paulo para o interior porque meus pais queriam descansar, hoje adulta eu super entendo, São Paulo não é fácil… Mas me recordo que, como adolescente, eu não gostava de ir, porque, apesar de gostar muito da casa no interior, perdia muitas vivências do dia a dia, com pessoas que eu convivia, como amigos da escola, porque muita coisa acontece só em finais de semana. Hoje em dia meus pais foram de vez para essa casa do interior e antes da pandemia eu os visitava 1 vez por mês, estava mais de acordo com o momento deles de aproveitar a calmaria e o meu, de aproveitar tudo oq SP proporciona e visitá-los e repor as energias no interior com uma certa frequência.

  8. Bruna Carolina says:

    Thaís, seu post reflete o momento que estamos vivendo aqui em casa: estamos a ponto de desistir da construção da “nossa casa perfeita” em um condomínio de casas justamente pelas mesmas questões (manutenção, aumento de gastos fixos, distância etc).

    É muito difícil desistir daquilo que sonhamos, planejamos e visualizamos há muito tempo, mas (in) felizmente vamos focar em melhorar o local q moramos todos os dias, assim como vc.

    Obrigada por compartilhar

  9. Paulo Reis says:

    É importante ponderar todas as opções mesmo antes de tomar a decisão.
    Eu e minha esposa compartilhamos o desejo de morar nas montanhas, principalmente pelo clima mais ameno e temos nos preparado para isso. Eu amo frio.
    SP é a terra da garoa e como você tem quintal na sua casa, dá para fazer algo bem especial para atender parte do que você deseja.

  10. Cristiane says:

    Parabéns pelo post. Eu simplesmente amo ler o que você escreve, sinto como se estivéssemos conversando rsrs. Eu também pensei muito sobre ter uma casa no interior, para ser um refúgio nos feriados e fins de semana para descanso (especialmente na pandemia). Mas fiz uma reflexão e percebi que não tenho condição de cuidar de uma casa assim, além da despesa tem o tempo que é preciso dedicar. Também refleti que não tenho uma casa própria para morar na cidade, e esta deve ser minha prioridade, antes de ter uma casa no interior, apesar de ser mais barata. A distância no estado que moro não é um problema, pois numa viagem de 40 min de carro, já estamos no “interior” com o clima totalmente diferente (moro no ES). Mas não é o meu momento, no futuro, pode ser.
    Se puder escreva um post sobre como organizar materiais/anotações de cursos e palestras. Com a pandemia temos muitos cursos e eventos online, estou ficando perdida sobre como arquivar essas informações para poder consultar facilmente depois. Eu anoto em blocos de anotação, mas quando preciso de uma busca rápida não é prático.
    Muito obrigada!

    1. Evernote para o digital, commonplace book para o papel. 🙂

  11. Eu acho que a grande contribuição que as pessoas dão pro mundo ao serem simplesmente elas mesmas e agirem de forma íntegra, é nos lembrar algo de nós que deixamos esquecido pra seguir o fluxo da vida. Você sempre me lembra algumas coisas que eu esqueci sobre mim, coisas boas, de ser mais consistente, mais íntegra, sabe? Agradeço!

    1. Que comentário legal. Obrigada. <3

  12. Que postura madura, adorei a reflexão.

  13. Thaís, obrigado por compartilhar seu processo de decisão. Muitas vezes a gente acha que quando temos um objetivo devemos nos agarrar a ele e não podemos mudar de ideia jamais, mas é totalmente normal desistir de alguns objetivos, simplesmente porque não faz mais sentido e também porque nossa vida é dinâmica e as situações mudam com o passar do tempo. Por exemplo eu já tive objetivo de morar sozinho numa casa no interior, tipo cidade bem pequena mesmo, para ter um estilo de vida bem simples, numa cidade pacata, sem agitação. Entretanto anos depois as coisas foram mudando, encontrei uma pessoa maravilhosa, estamos juntos até hoje, ele já gosta mais de badalação, barzinhos, etc, mas curte momentos mais tranquilos. Então juntos decidimos por um meio termo, morar numa cidade média (São José dos Campos) num bairro mais tranquilo, mas com facilidade de acesso ao centro da cidade. E foi muito acertado pois como tenho alguns planos de carreira, uma cidade muito distante dos centros urbanos iria dificultar meu trabalho no âmbito presencial. Obrigado Thais por mostrar que é totalmente normal desistirmos de objetivos que não fazem mais sentido para nós.

  14. Oi Thais!

    Eu moro na Serra da Mantiqueira, na ponta final dela. Minha cidade não tem muita “cara” de cidade de montanha, o que eu particularmente acho uma pena, mas o clima é maravilhoso!
    Moro em um apartamento e depois do início dessa pandemia meu desejo era mudar para uma cidade menor ainda, no meio do mato (mais para dentro da serra), ter uma horta, criar cachorros, enfim – uma vida simples!

    Interessante como houve realmente esse movimento contrário, as pessoas que possuem casa na montanha, sítio, se entocaram lá. Tenho conhecidos que estão morando assim desde que tudo começou. Alguns dizem que nem voltam mais para a capital onde moravam antes.

    Tenho essa vontade para o futuro, já que por enquanto seria inviável: duas crianças pequenas, em idade escolar, sem contar o meu trabalho, que não me permitiria fazer essa mudança.
    Mas é um plano para o futuro, já que meu marido compartilha dessa vontade. Será meu projeto de longo prazo, depois que as meninas forem para a faculdade.

    Vou colocar isso no papel como me projeto de vida!

  15. Janaina Beserra da silva says:

    Eu o marido sempre tivemos e ainda temos muita vontade de morar no interior ou na praia. Finalmente a 3 anos conseguimos comprar um terreno, mas na praia, que era a segunda opção. Já íamos levantar as primeiras paredes,quando aconteceu a pandemia. Agora vamos ter que adiar um pouquinho o sonho,mas faz parte da vida, adiarmos alguns projetos, mudarmos os planos. O importante é termos pelo menos a tranquilidade que estamos fazendo o certo, para o nosso bem estar e para a nossa família.

  16. Ana Luisa de Oliveira Ribeiro says:

    Thais querida, seu caminho, suas escolhas, são sempre pautados por coerência e delicadeza.
    Decidir abrir mão de coisas, sejam elas quais forem, sonhos, relacionamentos, planos, precisa sempre ser feito assim, com calma e prudência. Acho que esse tem sido o segredo para não me arrepender das coisas que decidi desistir na vida…
    Obrigada pela inspiração, mais uma vez.
    Beijo

  17. Nádia Galdino says:

    Meu pai tomou uma decisão batata parecida, por anos teve esse sonho de uma casa na praia para quando chegasse a aposentadoria e já tinha até comprado o terreno em João Pessoa (ele mora em Brasília mas gostava de João Pessoa porque era perto de Recife, onde seus pais moram). Mas nos 45 do segundo tempo pensou melhor nos gastos, nas várias viagens que teria que fazer pra “dar uma olhada” na casa (passagem pro nordeste saindo daqui é um assalto hahaha) etc. No fim das contas vendeu o terreno e acabou usando o dinheiro para comprar uma casa nova com a esposa aqui mesmo: grande, com árvores, piscina… E quando ele quer ir pra praia se hospeda numa pousada aconchegante e curte só a parte boa! 🙂

  18. Tati Lirôa says:

    Obrigada pelo texto, Thais. Fica claro como a reavaliação dos objetivos é viva. Sempre se transforma com novos cenários. Como já aprendi com seu trabalho, é algo para ser feito propositadamente em revisões periódicas e em grandes mudanças na vida, como o caso dessa pandemia, que mexeu com a vida de praticamente todos nós. Grata por sua generosidade.

  19. Jessica Ramos says:

    É um privilégio poder te ler e acompanhar tuas reflexões.

  20. Na minha infância sempre viajei para o interior e até hoje tenho lembranças incríveis, foi pensando nisso que eu e meu esposo decidimos por comprar uma outra casa em uma região praiana mais ao mesmo tempo com uma calmaria de interior, queríamos também proporcionar essa experiências pra nossos filhos de ter “a casa de férias”, felizmente nós dois temos gostos parecidos e lá tem sido nosso refúgio da correria do dia a dia, nossas crianças ainda não se cansaram de lá rsrs e sim existe realmente toda os prós e contras citados nos comentários acima de ter que dá contra de duas casas realmente, tem a questão da logística de não poder estar lá todo final de semana nem todos os feriados que gostaríamos, tem a manutenção que é complicada afinal que tem casa sabe que a manutenção é permanente sempre tem coisas para fazer, porém optamos por algo simples fizemos a casa com 3 quartos, cozinha sala e uma varanda que amo, deitar na varanda em um final de semana com meu Kindle pra mim é um prazer indescritível, ver as crianças brincando no quintal e correndo pra lá e pra cá é outra coisa que feito valer a pena , lá eles tem uma sensação de liberdade e por este motivo estamos curtindo muito e estamos felizes com a nossa escolha.

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