Curtindo a casa, Família, Rotinas

Organização da rotina da casa hoje (Julho 2020)

Achei que seria interessante descrever como está a nossa rotina doméstica hoje, com quase cinco meses de isolamento.

Eu acho bastante interessante comparar todas as fases da minha vida. Hoje, eu estou indo dormir por volta das 21h e acordando por volta das 5h. Quando o nosso filho nasceu, eu não tinha como fazer isso, pois amamentava e dormia nos intervalos junto com ele (na medida do possível). Quando ele passou a dormir a noite toda (geralmente das 20h às 6h, com uma mamada noturna à meia-noite), eu conseguia dormir nesse intervalo de seis horas. Mas, com 1 ano, 1 ano e pouco de idade, ele já dormia direto. Eu poderia ter tido essa mesma rotina de dormir e acordar cedo, mas na época eu comecei a trabalhar no meu projeto (tinha emprego convencional durante o dia e à noite me dedicava ao blog). De qualquer maneira, se não fosse por isso, eu poderia ter implementado essa rotina de dormir e acordar cedo antes, mas não o fiz por vários motivos.

Hoje, eu faço principalmente pela minha saúde. Ajustar o meu corpo ao ritmo circadiano. Depois, pela qualidade de vida. Me sinto bem fazendo tudo ao raiar do dia. Tenho tempo para mim, faço as coisas sem pressa, e minha tarde se resume a responder os outros e preparar meu corpo para descansar à noite.

Como vocês podem imaginar, o principal desafio é ajustar a rotina de toda a casa, pois eu não vivo em uma bolha. Na primeira semana completamente ajustada a esse novo horário, houve protestos (rs). Tentei abrir exceções, ficando até mais tarde acordada para ver um filme com os meninos ou coisas do tipo. Mas aí eu percebi que eles mesmos precisavam de um tempo para eles. Então chegamos ao seguinte ajuste: uma vez por semana fico acordada até mais tarde para vermos um filme juntos (geralmente sexta ou sábado), mas de modo geral tentamos fazer isso mais cedo. No final das contas, deu certo. E eles mesmos têm feito mais coisas juntos depois que eu durmo cedo.

Uma coisa muito importante na relação familiar são os momentos não apenas mãe / pai / filho mas também os momentos mãe / filho e pai / filho. Nessa situação de isolamento social, a gente fica junto o tempo todo. Logo, tem sido saudável pra gente alternar. Tem sido saudável para mim, ter algumas horas pela manhã só para mim. Saudável para a minha relação com o filhote, ter minhas horas só com ele. Dele só com o pai, o pai sozinho e todos nós juntos. No final das contas, ficou um bom equilíbrio.

Então vamos para a nossa rotina.

Eu acordo por volta das 5h. Tenho a minha rotina matinal de higiene pessoal, meditação, yoga ainda no andar de cima (moramos em um sobrado). No banheiro, já dou uma geral, que no sistema FLY a Marla chama de “swish & swipe”, que é tipo você fazer uma limpeza básica na pia do banheiro, nas superfícies. Isso todo dia.

Aí eu desço e ligo minha cafeteira. Dou bom dia para o Stanley (dog) e preparo o meu café enquanto brinco com ele. Quando ele se acostuma com a minha presença, levo ele para fazer xixi, lavo as vasilhas, coloco água e comida e limpo o espacinho dele. Volto para a cozinha e guardo a louça limpa que estava no escorredor. Aproveito para dar uma geral bem básica na cozinha, abro as janelas e acendo um incenso. Pego meu café e venho para o home-office.

O horário ideal para chegar aqui é quando o sol está nascendo (por volta das 6h35 neste momento). Mas não diz tanto respeito ao horário, mas à sequência de acontecimentos. Por exemplo, se eu acordar mais tarde, faço a mesma sequência de coisas. Aqui, trabalho no escritório até umas 7h30, quando preparo o café-da-manhã do filhote e vou acordá-lo para a aula, que começa 8h10. Ficamos juntos, conversamos, é bem gostoso. Quando começa a aula dele, eu trabalho mais concentrada até umas 10h, quando é o primeiro intervalo dele. Nesse momento, eu que tomo meu café-da-manhã, se tiver fome. Brincamos com o dog, conversamos, ele me ajuda com as roupas e coisas do tipo.

Muitas vezes, nesse momento, eu já começo a preparar algo para o almoço – seja arroz ou algo assado no forno, por exemplo. Filhote volta 10h para a aula e eu volto ao trabalho, onde fico até meio-dia também. Nesse meio tempo, meu marido acorda e começa a fazer outras coisas pela casa. Geralmente ele troca as lixeiras, arruma as camas, e uma ou duas vezes na semana passa o aspirador e um pano no chão, em toda a casa. Ele que fica mais responsável pela faxina e eu cuido de detalhes. Por exemplo, ele limpa a cozinha – fogão, superfícies, piso – mas eu que gosto de limpar os potes, tirar o pó, esvaziar e limpar a geladeira, esse tipo de coisa. O mesmo vale para os outros cômodos. Eu também gosto de varrer a casa, o que faço praticamente todos os dias como um ritual de meditação mesmo. rs

Eu geralmente preparo o almoço e, se tiver algo diferente que eles queiram comer, envolvendo carne, meu marido que faz. A gente alterna quem lava a louça – geralmente quem estiver ali pela cozinha nesse horário. Depois do almoço, gosto de sentar na sala e descansar durante uma meia hora. Eu almoço cedo (entre 12h e 12h30 mesmo) e, enquanto meu marido prepara o restante da refeição deles na cozinha, fico na sala descansando. A ideia é não dormir, mas descansar os sentidos. Essa prática tem feito grande diferença no meu dia a dia.

Quando volto para o escritório, já é num clima de encerramento do expediente, mesmo tendo a tarde toda pela frente. O que quero dizer é que gosto de fazer o que demanda mais esforço e concentração pela manhã, para de tarde responder mensagens e fazer outros tipos de atividades, muitas vezes até offline. Como meu marido fica trabalhando, e ele trabalha comigo, muitas vezes ele tem dúvidas então preciso estar disponível para tirá-las.

Quando o sol começa a cair, eu paro tudo e preparo um leitinho quente (o chamado golden milk, na versão vegana, obviamente – vou fazer um post sobre ele em breve) e venho para o escritório observar o pôr do sol na montanha. Observar a mudança de claridade é um aspecto importante do meu biotipo no Ayurveda (a mudança drástica de luminosidade pode causar ansiedade). Mas na real o que é gostoso é o próprio ritual mesmo de parar e observar.

Nesse momento eu arrumo a minha mesa, dou uma geral no escritório e faço algumas coisas em casa também. Tarefas domésticas diversas – trocar a roupa de cama e de banho, guardar roupas limpas, limpar algum cômodo, lavar a louça, enfim. E, por volta das 18h ou 18h30, eu janto, sempre uma sopinha (geralmente lamen). Vejo um pouco de tv, se tiver vontade. Depois disso, procuro evitar eletrônicos para já me preparar para uma boa noite de sono. Fico lendo, conversando com o meu marido ou com o filhote, brincando com o cachorro, coisas assim.

De modo geral, a rotina deles quando vou dormir acaba sendo mais ou menos assim: o filhote fica vendo um pouco de tv, ou eles vêem um filme juntos, e o filhote dorme. Depois, meu marido fica vendo os filminhos dele. Ele é cinéfilo e, acima de tudo, tem hábitos mais noturnos (até por ser músico), então nosso acordo é: de manhã eu cuido do filhote e da casa, e de noite é a vez dele. Essa dinâmica tem funcionado para nós e permite que a gente fique junto mas também tenhamos nossos momentos sozinhos, para fazermos outras atividades.

De noite, geralmente ele lava a louça da janta, dá uma geral na cozinha, tira a roupa da máquina, já coloca a carga para lavar no dia seguinte, rega as plantas e coisas assim. Quando eu acordo, reinicio na minha rotina. É isso.

Acho que a gente chegou numa dinâmica bem legal que permite que a casa “funcione” e as atividades fiquem bem distribuídas. Conseguimos fazer o que é necessário, descansar, ter momentos de lazer, trabalhar, enfim, tudo numa boa.

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27 Comments

  1. ANDREA BUENO MAGNANI says:

    Bom dia, Thais. Inspirador esse post. Me tire uma dúvida: consegue acordar às 5h sem despertador ou ainda precisa dele? E você fez alguma “transição” (primeiro às 6h30, depois 6h, etc…) ou foi direto para às 5h? Muito obrigada!!

    1. Sempre coloco o despertador, porque ajusto diariamente de acordo com o Brahma Muhurta. Mas muitas vezes acordo antes dele.

  2. Renata Natacci says:

    Thais, sobre essa “geral” que você dá na pia do banheiro: deixa uns produtinhos já lá? Uma escovinha, algo assim?

    1. Sim, mas não uso nesse momento, só mão e água mesmo.

      1. Hum, era o que eu imaginava.
        Tenho um certo “novinho”, mas é uma boa.

        1. Nojinho!

  3. Natasha Campaci says:

    Adorei a rotina! Parece possível tentar implementar algumas coisas! Fiquei com uma dúvida quanto ao lamen! Eu gosto muito, moro na liberdade (rsrs), mas sinto que ele é salgado demais (?), muitas vezes não me sinto bem depois. Como é o que você faz? Obrigada!

    1. Eu mesma preparo e raramente uso sal. Tenho a receita dele aqui no blog ou nos destaques do meu Insta, se quiser ver em vídeo. 😉

      1. Natasha Campaci says:

        Encontrei! Obrigada!!

  4. Thais gostei da ideia de um dia na semana abrir exceção dos horários para ficar com a família um pouquinho até mais tarde.
    Vou tentar fazer assim na minha casa. Também tenho horários pra dormir e acordar (Mude seus horários, mude sua vida), e meu marido também é músico e bem noturno.
    Mas um dia de exceção faz parte do equilíbrio né? Obrigada pela dica!

    1. Ainda tentando por aqui rsrsrs

  5. Thais! Como que vc acorda às 5h e só toma café-da-manhã próximo das 10h? hahaha
    Eu acordo às 5h tbm, mas preciso muito comer antes de fazer qualquer coisa! rsd

    Beijão

    1. De modo geral nos alimentamos em excesso e, quando você passa a nutrir seu corpo em vez de apenas comer, acontece numa boa.

      Isso depende muito do biotipo de cada um, assim como uma série de outros elementos da rotina também, claro, como o tipo de alimentação que você faz, qualidade do sono, atividade física etc.

      1. Thais, isso que você fala de nutrir o corpo, é de comer apenas quando sente fome? poderia falar mais sobre isso? Tenho me interessado pelo assunto.

        1. É basicamente comer só quando sente fome e, quando comer, comer alimentos com intenção e não calorias vazias.

          Tem muitos textos recentes aqui no blog sobre a minha alimentação, onde explico melhor, se quiser ler. 😉

  6. Thaís, tenho uma curiosidade: essa “ordem” na rotina foi uma coisa que surgiu naturalmente, quando perceberam estavam fazendo assim e funcionou, ou vocês literalmente sentam e combinam como vai ser?

    1. Uma mistura de ambas as coisas.

  7. olá Thais, não tem tantooo a ver com o assunto do post. Quis colocar aqui por ser a postagem mais recente.
    Estou lendo agora o livro trabalho organizado (o ultimo dos três aproveito e parebenizo-a ta otimo) e nele voce falou sobre Cal Newport deep work. Procurei resenhas deste livro no blog não encontrei, soube que o livro no portugues existe, massssss como boa VO gostaria da sua opinião sobre o mesmo se for possível.
    Acho que você já leu o livro pelo que entendi na sua escrita então se puder compartilhar suas impressões e souber mais sobre a versão em português pois achei uma diferença gritante de 128 reais para 45 em português… então por favor se puder ficarei feliz!

    1. Eu acabo lendo mais livros do que consigo fazer resenha, mas a ideia é sempre escrever aqui quando eu considerar apropriado. 😉

      O livro é ótimo.

      1. obrigada, vai para minha wishlist e quando puder compro ! =*****

  8. Tais, no seu Trello tem uma caixinha laranja que mostra quantos itens tem na lista, como faço para ativar isso?

    1. É uma extensão do Google Chrome. 😉

  9. Fernanda says:

    Muito inspirador! Uma dúvida: seu filho acompanha as aulas e faz as atividades sozinho? Ou você dá alguma orientação?

    1. Oriento e fico com o meu filho 24h por dia.

  10. Adorei Thais. Mais desses!

  11. Oi Thais, tenho algumas dúvidas: exercício físico não entra nessa rotina? Vocês não saem de casa ? Aqui onde moro já houve uma flexibilização da quarentena ( até porque tivemos uma quantidade imensa de casos e a cidade ficou praticamente sem funcionar por meses). Tenho 2 crianças e eles pedem para sair.

    1. Oi Márcia, tudo bem? Só nesse dia da rotina, eu fiz atividade física três vezes. Não estamos saindo de casa porque não vemos motivo para qualquer flexibilização, batendo quase 100 mil mortos. Enquanto pudermos ficar, ficaremos. Bjnho.

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