Família, Rotinas

Divisão de tarefas em casa

Um dos temas que eu mais recebo reclamações diariamente é sobre como dividir tarefas em casa, como fazer com que marido e filhos façam a sua parte e outros assuntos relacionados.

Aqui na nossa casa, acho que já comentei algumas vezes ao longo dos anos, tudo isso foi um processo.

Meu marido, como todo homem da geração dele, cresceu em um ambiente familiar em que a mãe e as irmãs mulheres sempre cuidaram da casa. Quando nós começamos a namorar, ambos éramos adolescentes e muito novos para levantar essas questões. A geração de hoje já é mais antenada nessas problematizações, mas nós não éramos, especialmente porque demoramos para casar e morar juntos.

E, quando casamos, ele tinha dois trabalhos. Quase não ficava em casa. Eu já trabalhava em casa. Logo, acabou sendo um processo meio natural eu ficar responsável pela maioria das tarefas domésticas. Eu sempre gostei de cuidar da casa e manter as coisas organizadas, então não foi um problema para mim.

Tudo ficou diferente com o nascimento do nosso filho. Cuidar da casa, cuidar do bebê e cuidar da minha saúde (tive pré-eclâmpsia durante a gravidez e, depois, algumas consequências disso, tipo enxaquecas diárias) ficou bem pesado. Quando o filhote tinha quase um ano de idade, nós conversamos e resolvemos que eu voltaria a trabalhar fora, até porque seria melhor para nós em termos de receita familiar. Ele ficou com o trabalho com música (que tinha horário mais flexível) e pediu demissão do lugar onde trabalhava, e eu voltei a trabalhar em uma agência de publicidade. Nesse mesmo ano, consegui um emprego em uma empresa em Campinas, e ao final do ano mudamos para a cidade no interior de SP.

Eu diria que essa mudança foi o grande potencializador da coisa toda na nossa casa. Como agora eu passava o dia todo fora, trabalhando, e muitas vezes chegava a viajar a trabalho, não tinha como meu marido não ficar responsável pelas atividades. Morávamos em um apartamento com três dormitórios. Ele preparava as refeições e mantinha a casa limpa. Eu cuidava mais dos detalhes, tipo limpar lugares que ele provavelmente não lembrava de limpar e cuidar da organização das coisas – compras para preparar as refeições na semana, compra de insumos diversos, contas etc.

Simplesmente teve que ser assim porque senão não teríamos comida na mesa, uma casa minimamente arrumada e limpa e nosso filhote não cresceria em um ambiente saudável.

Hoje temos uma configuração de vida muito legal que nos permite descansar mais, devido à flexibilidade de horários de ambos.

Nós moramos em um sobrado, e morar em uma casa é muito mais trabalhoso de manter do que morar em um apartamento.

Ele sempre cozinhou em casa, mas depois que virei vegana eu passei a preparar mais as refeições, porque eu estava comendo coisas diferentes. Eu gosto muito de cozinhar e acho terapêutico parar uma vez por dia e preparar alguma refeição.

Ainda sou responsável por organizar o menu da semana e preparar a lista de compras no mercado. Para otimizar, peço muito entrega via delivery (o mercado) ou simplesmente dou a listinha (pelo What’sApp) e ele compra tudo no mercado, quando passa o dia fora, de carro, por ser mais fácil para ele o trajeto.

Com relação à limpeza, ambos mantemos no dia a dia. Trocar as lixeiras, lavar a louça, limpar as superfícies, varrer a casa, arrumar as camas, trocar toalhas. Toda essa logística de manter a casa arrumada e limpa diariamente é dividida por nós. Não tem “tensão” alguma aqui. Quem estiver disponível acaba fazendo.

Depois de um tempo morando aqui no sobrado, nós resolvemos trazer uma pessoa para fazer a faxina mais pesada uma vez por semana. Como não ficamos tanto em casa, acabou sendo desnecessário, e agora ela vem a cada 15 dias. Isso nos ajuda bastante porque o que costuma tomar mais tempo é essa faxina mais pesada mesmo – esfregar box, passar aspirador, limpar janelas, piso, garagem. Antes, no entanto, quando morávamos em apartamento, conseguíamos dividir essas tarefas sozinhos tranquilamente, mesmo com a rotina de trabalho que temos, que na época envolvia muitas viagens.

Temos uma certa preocupação com o Paul realizando algumas atividades domésticas porque ele tem alguns problemas respiratórios. Então varrer, que seria algo que na idade dele seria fácil de fazer, ele não pode fazer. Bater travesseiros, trocar roupa de cama – tudo o que envolve pó, ele não pode fazer. Mas ele colabora com outras coisas:

  • Guardar as coisas que estejam fora do lugar
  • Preparar o próprio lanchinho
  • Levar louças sujas para a pia
  • Colocar roupas sujas no cesto
  • Ajudar a dobrar a roupa limpa que sai da máquina
  • Arrumar a cama
  • Dobrar e guardar a própria roupa

Além de estar sempre presente quando estamos fazendo alguma atividade.

Nós elaboramos um esquema de “mesada meritocrática” que fica na geladeira, com tarefas listadas, e tudo aquilo que ele fizer ou não fizer ganha ou perde pontos (que resultam em mais ou menos dinheiro ao final do mês). Em breve farei um post só sobre ela. Mas ele não ajuda em casa por causa da mesada não, e sim porque sempre explicamos para ele a importância de ajudar a mamãe e o papai nas atividades, pra não ficar pesado pra ninguém. Ele ajuda tranquilamente e até se oferece quando vê que a gente está para lá e para cá fazendo as coisas.

Pagar uma faxineira para limpar a casa pode significar mais tempo livre com o meu filho, que é algo que só eu posso fazer

Ajuda demais termos essa dinâmica porque o fato de o meu marido fazer as coisas em casa dá o exemplo para ele. É a melhor educação de todas. Não se pede nem se força nada – ele vê que é simplesmente parte da equipe “casa”.

Eu entendo que há casas em que essa dinâmica simplesmente não exista. E eu não vou falar para você trocar de marido ou de esposa. São vários fatores que influenciam aqui, e tudo se trata de relacionamentos. Não é fácil gerenciar qualquer tipo de relacionamento e só você pode saber como lidar com a pessoa que está ao seu lado. O que posso dizer é que felizmente os tempos estão mudando, e hoje os homens fazem muito mais coisas em casa, o que é excelente, mas ainda assim as mulheres se sentem sobrecarregadas. Estamos no meio dessa mudança, e penso que a geração do Paul já vai ser completamente diferente. Educar um menino em casa para que ele veja as atividades domésticas como parte da vida é como eu faço a minha parte hoje.

Como estamos falando sobre casa minimalista este mês no blog, não posso deixar de dizer que uma casa com menos coisas e com menos complicações facilita a vida de todo mundo. Quanto menos coisas para fazer, mais tranquila é a divisão. Cada família deve chegar a um consenso sobre como deve organizar a própria rotina em casa, de modo que ninguém se sobrecarregue.

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16 Comments

  1. Thais, texto excelente. Aqui meu marido era responsável pela limpeza pesada por conta da minha coluna mas decidimos investir em uma diarista uma vez por semana e foi libertador, já que ele nunca limpava a casa qnd necessário e era sempre motivo de brigas. A desorganização dele ainda é cansativa, mesmo com todas as logísticas que crio para facilitar mas enfim… e minha filha de 2 anos e 9 meses tb ajuda com pequenas tarefas, como guardar os brinquedos, colocar a roupa suja no cesto, pegar coisas q eu peço, carregar o saquinho de cocô da cachorra qnd vamos na rua e colocar no lixo, etc. ela ama ajudar a gente mas tb não é todo dia q ela está disposta a fazer… educar é repetir mil vezes a mesma coisa né? rs

    1. Querida Dalva, obrigada por comentar. Com filhota pequena é assim mesmo. Você vai ver como vai melhorando à medida que ela for crescendo. Daqui a pouco ela já está fazendo as coisas junto com vocês por aí. Faz parte dessa idade em que ela está. Obrigada por compartilhar.

  2. Ana Asseituno says:

    Excelente texto! Pena que essa dinâmica é uma utopia em determinadas casas devido à postura das pessoas, especialmente os mais velhos…

    Força, foco e fé.

    1. Elaine Gonçalves says:

      Exatamente. E é até desanimador. Eu já conversei, já pedi, já briguei, já fiquei sem reclamar nem pedir, dou exemplo de limpeza e de como organizar as coisas em casa (claro que não sou perfeita e tenho muito o que aprender ainda), mas aqui em casa é uma realidade bem distante, ninguém quer nada, fico sobrecarregada. Dizem que o exemplo educa, mas acho que só quando a pessoa quer de educar. No mais vou seguindo e fazendo minhas tarefas domésticas diariamente porque gosto de tudo limpo e organizado. Mas isso me deixa bastante cansada e indisposta pra sair de de casa é até mesmo fazer algo de que gosto.
      Quem sabe um dia…

      1. Compartilho o mesmo sentimento que vc! No fim a louça da organização sou eu. Faço minha parte, não desisto, mas é bem complicado.

    2. O mundo está mudando. Precisamos ser pacientes com o ritmo das pessoas também. Em poucas gerações muita coisa terá mudado. 😉

  3. Adorei a mesa de estudos. ótimo post, parabéns =)

    1. Era no meu apartamento de Campinas, mas obrigada pelo comentário mesmo assim. 😉

  4. Aqui em casa meu marido faz muita coisa. Temos duas bebês e quem está “livre” vai lavando a louça, adiantando uma comida… quem for tomar banho já dá banho nas meninas e o outro vai trocando…
    Apesar disso, eu ainda sinto uma sobrecarga bem grande, mental principalmente. Percebo que meu marido executa as tarefas que peço, mas a logística da casa fica por minha conta.

  5. Thais, você disse no texto que teve enxaqueca como consequência da pré-eclâmpsia. Sofro de enxaqueca desde que meus filhos nasceram e nenhum médico me falou sobre essa possibilidade. Você tem algum texto de referência sobre o assunto?

    1. Não tenho, vale a pena consultar um médico a respeito. Mas eu tive bastante, durante uns três meses, e sempre com o risco da eclâmpsia no primeiro mês. Foi por causa da pressão alta mesmo. Você tem hipertensão? Bjo

  6. Camila Barreto says:

    A divisão de tarefas por aqui era um grande gerador de brigas. Com o tempo, conversas e adaptações concluimos que seria importante uma participação mais ativa do meu companheiro, assim como a ajuda de uma diarista eventualmente para as limpezas mais pesadas. É árduo e sei que apesar de tudo, ainda sou imensamente privilegiada… Porém o que pega é a carga mental, sabe? Toda a organização da casa, tarefas com a bebê, mestrado e trabalho. Mas vamos seguindo rumo a uma vida mais organizada. Beijos

  7. Adorei as dicas. Aqui em casa foi um processo longo e demorado e hoje as tarefas são divididas e o marido aprendeu a cozinhar e a passar roupa entre outras coisas. Para facilitar com a questão de faltar “coisas” do supermercado, usamos um aplicativo que é compartilhado, para irmos colocando as necessidades e ir ao supermercado 1 vez na semana. Funciona super bem e ajuda muito. Porque não fica somente na minha responsabilidade saber o que tem e o que precisa comprar, ou ainda, se acabou e ninguém avisa que acabou 😉

    1. Por favor, que aplicativo é esse?

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