Como se preparar para seminários acadêmicos

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Em abril, eu escrevi um post contando como foi participar de um evento acadêmico, meu primeiro, apenas como ouvinte. E agora, em outubro, eu venho com este post dando dicas sobre como participar apresentando. Que ousada!

É claro que ainda tenho muito a aprender. Mas eu apresentei em dois seminários neste semestre, e me senti muito bem fazendo isso, o que significa que eu soube me preparar. Eu imaginei que, mesmo tão iniciante como pesquisadora, eu pudesse trazer algumas dicas para vocês.

Penso também que a minha experiência como professora e palestrante conte muito.

#DICA 1 – Abstraia da coisa de saber pouco ou muito. Eu sempre me senti o “cocô do bandido” quando eu comecei o mestrado. Parece que todo mundo sabe mais do que você. Depois de passada essa sensação inicial (que nunca passa de verdade, mas você se acostuma com ela), eu comecei a valorizar o que eu sabia, e mais ninguém. Toda a experiência que eu tinha com outras coisas, do mercado mesmo, e de vivência, de trabalhar com as pessoas de perto, e mesmo de estudo teórico. O que cada um sabe nenhuma outra pessoa é capaz de ter. Eu não devo me sentir diminuída por isso, muito pelo contrário. Devo assumir o que ainda não sei, mas valorizar o que já fiz. Esse “empoderamento” me ajudou pra caramba. No segundo seminário que apresentei, já me senti muito mais confiante, e acho que essa confiança faz toda diferença na forma como você se apresenta.

# DICA 2 – Valorize suas referências. O que conta no meio acadêmico são as referências que você tem. Não importa que você tenha poucas – se tiver uma, essa referência deve ser valorizada, mostrada, realçada. Quanto mais você estuda, mais referências terá. Essa é a vantagem do meio acadêmico – você se valoriza pelo seu estudo. No slide abaixo, retirado da minha última apresentação, eu coloquei os conceitos que queria apresentar, junto com as referências. Isso é maravilhoso, porque me ajudou a ser sucinta e também mostrar para as pessoas de onde vêm aquelas ideias.

# DICA 3 – Faça uma apresentação bonita. Me refiro aos slides mesmo. Pô, dá pra dar uma caprichada. Não precisa ser especialista em design – basta usar imagens bonitas, colocar poucos conceitos por slide (falarei sobre isso nas próximas dicas) e não encher de texto. E putz, não leia o slide. Isso é bem básico, mas eu vejo tanta gente apresentando em seminário e lendo. O cara vai prestar atenção em você ou no slide. Então o slide não pode “brigar” com você, entende? Isso foi algo que aprendi estudando sobre como fazer palestras, e vejo que se aplica super bem ao meio acadêmico, que ainda é meio viciado em algumas coisas, tipo essa.

# DICA 4 – Segmente a sua apresentação. Eu tenho um propósito para a apresentação, certo? Sim, certo. Quando você define os objetivos de um artigo, de uma dissertação, de estudo, é a mesma coisa, mas desta vez você fará para a sua apresentação. Parece bobo, mas não é. É importante mostrar por que você está apresentando aquilo, porque alinha as expectativas. Você mostra se é uma pesquisa preliminar, se já quer apresentar o resultado de uma pesquisa de campo, do que se trata, afinal. E, uma vez que você tenha um propósito (ou pode ser mais de um), você consegue segmentar a sua apresentação. Quando eu falo em segmentar, significa trazer uma ideia por slide.

Eu realizei uma apresentação falando sobre o fenômeno da Fórmula de Lançamento, do Érico Rocha, no YouTube. Eu dividi a minha apresentação da seguinte maneira:

  1. Capa
  2. Apresentação pessoal (quem sou eu, qual é a minha pesquisa, quem é o meu orientador, onde estou no tempo e no espaço acadêmico)
  3. Contextualização (neste slide eu coloco todas as referências que preciso citar para contextualizar o meu objeto – é o slide que mostrei ali em cima)
  4. Especificação da contextualização (se existir algum ponto específico importante a ser citado, eu crio um slide para cada conceito)
  5. Apresentação do objeto (um slide para apresentar o objeto, e você pode criar novos slides para apresentar coisas diferentes, dependendo do que está apresentando)
  6. Conclusões (um slide que traga as suas conclusões)
  7. Propósito e agradecimentos (eu deixei o propósito por último justamente para provar que o alcancei! e agradeço a galera, com meu e-mail para contato)

Esse “template” me ajudou bastante e pretendo manter para as próximas apresentações que fizer.

# DICA 5 – É ok ler alguns trechos. Não dos slides (nunca!), mas trechos dos livros e das referências gerais que você trouxer. As pessoas estão ali para isso, para aprender. Eu particularmente não gosto de ler, mas percebo que isso me dá segurança e me ajuda a apresentar melhor, dar mais credibilidade ao que eu estou falando. Talvez no futuro eu nem precise disso, mas por hora sim. Então peguei algumas fichas 5×8 e escrevi as referências que queria apresentar. Copiei trechos de livros, dados importantes, e levei comigo. Esse tipo de organização é legal.

# DICA 6 – Se ligue no tempo. Eu deixei o celular com o timer, o outro celular com a apresentação em PDF para eu saber que slide vinha depois do outro, e me planejei para falar um pouco em cada espaço de tempo disponível. Isso ajuda você a saber onde pode falar mais, onde pode exemplificar, e onde precisa ser mais sucinto. Controlar o tempo é fundamental.

# DICA 7 – Aprenda com bons exemplos. Não é importante apenas estudar o seu objeto ou as suas referências, mas se inspirar em professores e pesquisadores que falem bem, ou até em pessoas de outras áreas que você se identifique com o estilo de oratória. Eu leio vários livros de oratória, frequento eventos e gosto de ver palestras no YouTube. Sei que tudo isso pode parecer superficial no meio acadêmico, mas me ajuda MUITO, então quis compartilhar essa dica simples por achar que possa ajudar vocês também.

Ah, e sempre garanta backup das suas apresentações. Além de levar meu computador para revisar o Power Point, coloco um PDF da apresentação na “nuvem” e salvo em um pendrive. Dá uma certa segurança. 😉

Dica final: estude o máximo que puder. Leia, revise sua apresentação, releia suas anotações. E, a cada apresentação, traga mais referências e seja mais feliz.

Algumas dicas INCRÍVEIS dos leitores no Instagram (obrigada!):

E você, tem alguma dica que faz seus seminários acadêmicos serem melhores? Por favor, deixe um comentário. Obrigada!

12 comentários

  1. tenho um seminário nesta segunda feira, as dicas não poderiam ter vindo em melhor hora! <3 além de que ler tudo isso deu ânimo e propósito no desenvolvimento da tarefa! amo demais seu conteúdo, Thais! obrigada!

  2. Thaís; excelente post. Amei. A dica 7 é realmente fundamental. Sabe que eu até então, considerava que escrever bem já era o suficiente para ter sucesso na vida acadêmica, mas após a entrevista na seleção do doutorado, mais alguns seminários, encontros e reuniões que participei, percebi que não, falar bem é essencial na vida acadêmica. Inclusive, aprimorar essa habilidade será um dos meus objetivos no doutorado. Bom… Quanto a dicas: 1) pouco texto nos slides e cuidado no tamanho da letra, pois é muito cansativo visualmente textos muitos longos e fontes muito pequenas; 2) Treinar, treinar, treinar, afinal até para o próprio improviso é preciso ter domínio sobre o conteúdo e, além disso, quando você sabe do que está falando, até o nervosismo diminuí; 3) o humor pode ser interessante em apresentações, mas claro, sem exageros;

  3. Oi Thais!
    Muito esclarecedor o post, apesar de não estar na academia no mundo, são dicas possíveis de aplicar em outros tipos de apresentação. E adoro ler sobre sua rotina no mestrado, me inspira a batalhar pelo meu. Muito obrigada <3

  4. Oi, Thaís! Se for possível, poste sua apresentação, o “fenômeno Érico Rocha” é um tema do qual gosto muito também…amei o post, obrigada!!

  5. Querida Thais, sempre nos inspirando com seus posts!!! Duas perguntinhas: 1) você já tem um post (ou vídeo) ou pretende escrever sobre o tema da oratória? 2) Você comentou que lê bastante sobre oratória, e também já li que você é autodidata neste tema. Você poderia recomendar alguns livros?
    Obrigada e um beijo!

  6. Olá!
    Coisas q aprendi vendo mto seminário chato no doutorado,rs:
    a) não fique competindo com o slide. Vc tem q ser o centro das atenções. No slides, só colcoque aquilo q vc não tem como memorizar (números grandes, gráficos, ou citações — sim, às vezes precisamos ler!) ou somente aquilo que fica muito melhor em imagem (uma foto, uma imagem comparativa, um mapa…).
    b) compre ou peça um passador de slides. Horrível ter q ficar implorando por ajuda ou se contorcendo pra apertar o enter do ntoebook.
    c) faça uma imagem “de descanso”, ou seja, um slide com uma imagem de referencia do seu trabalho e um título, pra ficar de papel de parede enquanto vc se apresenta ou responde perguntas
    d) cronometre sua fala e treine. e treine. e treine de novo. e cronometre. apresentação não é conversa entre amigos, por mais q vc esteja entre eles. apresentação é compartilhamento de dados e raciocínios. precisa de organização!
    e) se for uma apresentação longa em que se espera o desenvolvimento de um raciocínio crítico mais complexo (em geral, seminários mais avançados), recomendo escrever um texto e lê-lo. Melhor do que ficar divagando, digredindo, metaforizando… Participando de congressos internacionais, percebi que isso é bem mais natural fora do Brasil — ingleses e franceses se irritam profundamente com gente que não cumpre tempo e não diz logo a que veio. Franceses, principalmente, dizem nas 2 primeiros minutos qual é o assunto da fala, qual o caminho a ser percorrido e qual a conclusão que se chegará. Só depois dessa explicação eles começam a apresentação.
    f) assista apresetnações e se incomode. E se apaixone também. Ser inspirado é o que traz adrenalina de fazer uma ótima apresentação!
    g) vc não precisa saber fazer tudo. Se vc tem uma pessoa q faz bons slides, talvez valha a pena vc pagar para ela fazer um template padrão das suas apresentações 😉

  7. Bom dia, Thais!

    Mesmo não estando no meio acadêmico, amei seu post! São dicas pra vida, afinal temos que fazer apresentações no trabalho também.

    Gostaria de fazer duas considerações:

    1. Dica 3: Sim!!! Não leia o slide!!!! Respeite a pessoa alfabetizada e capaz de ler que está a sua frente! rs…

    2. Dica 7: sobre palestras no Youtube parecerem superficiais no meio acadêmico estamos na era do Ensino a Distância. Demorei muito pra aceitar, pra entender, mas EaD é uma realidade hoje, e quem não se adaptar ficará para trás.
    Esses dias conversei com uma amiga que é professora de alemão e eliminou o ensino presencial em sua escola; atualmente o aluno assiste as aulas gravadas em uma plataforma e periodicamente tem aula por vídeo com ela. O relato é que o aluno chega muito mais preparado para o encontro ao vivo e o rendimento é bem melhor, então acredito que os vídeos no Youtube exerçam a mesma função, de acordo com a dedicação pessoal de encontrar conteúdos relevantes.
    Também tem a questão de distância de determinados cursos / palestras, tempo em deslocamento, hospedagem, etc. É muito mais econômico em diversos aspectos (financeiro, ambiental, tempo) assistir on line do que tentar fazer tudo presencialmente.
    Logo, na minha humilde opinião, não tem nada de superficial não, é o futuro, e sábio de quem souber utilizar essa ferramenta.

    Bjos!

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