“O que você ensina no blog só serve para quem tem o mesmo formato que o seu de trabalho?”

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Recebi um e-mail muito bacana outro dia, de uma leitora, que tinha lido o meu livro “Trabalho Organizado” e começou a acompanhar o blog recentemente. E ela fez esse comentário, que eu prometi explorar a resposta melhor em formato de post, então aqui está.

Basicamente, ela disse que sentiu que as dicas que eu trago servem apenas para uma determinada configuração de vida, que seja para pessoas que sejam autônomas ou empresárias, como eu, ou que estejam em um momento diferente da vida. Que nem todo mundo pode aplicar o que eu ensino e que, por isso, poderia gerar um certo distanciamento das pessoas da realidade que eu trago.

Eu respondi duas coisas para ela, e trago para cá porque acho que é importante.

Em primeiro lugar, que o blog existe desde 2006 (há 12 anos). Quando eu comecei o blog, eu trabalhava em uma agência de publicidade. Tinha acabado de virar coordenadora de projetos de uma equipe que fazia muita hora extra e estava sobrecarregada (eu inclusive). Tive que parar cursos porque ficava trabalhando até mais tarde e não consegui frequentar as aulas. Fiquei doente. Todo esse cenário.

Depois, pedi demissão e fui repensar a vida. Foi quando encontrei o minimalismo, a meditação, o budismo. Na sequência de acontecimentos, engravidei. Tivemos um filho, eu trabalhei durante um tempo em casa, depois decidimos que seria melhor eu trabalhar e meu marido ficar em casa com o filhote, “invertendo” os papéis (hoje não precisamos mais usar esse verbo, felizmente).

Eu consegui um excelente emprego em uma cidade do interior e, depois de seis meses enfrentando um ônibus fretado, nós nos mudamos para lá. Todo esse cenário me deu vontade de estudar para passar em um concurso público, o que fiz durante algum tempo, certa dessa escolha. Até perceber que eu tinha encontrado a minha missão, que eu queria trabalhar com organização e produtividade, e desenhei uma transição de carreira, que acabou acontecendo em 2014.

Voltamos para São Paulo e, desde então, venho reformatando diariamente o meu trabalho para fazer a minha empresa crescer e eu evoluir tanto pessoal quanto profissionalmente.

Então o que eu quero dizer é que eu passei por todas essas fases acima, e o blog traz reflexos e dicas para todas essas condições de trabalho.

Além de ter vivenciado todas essas diferentes situações, eu ministro cursos e converso com as pessoas diariamente, então mesmo que seja uma situação que eu nunca vivi, eu conheço de perto os problemas e construo com cada pessoa que trabalho um modelo personalizado de atuação profissional, baseado na realidade dela.

Logo, o momento atual do blog pode refletir a minha condição profissional atual, mas de forma alguma o que ensino aqui serve apenas para pessoas na mesma condição que eu. E, caso haja realmente essa não identificação, temos 12 anos de arquivos com outros tipos de posts que podem reforçar essa autenticidade, se for o caso.

Em segundo lugar, o papel que eu tenho aqui é, acima de tudo, educacional. Eu sei que as pessoas fazem hora extra. Eu sei que as pessoas respondem mensagem do chefe no What’s App às onze da noite. E o que eu estou tentando ensinar é que depende de cada um mudar essa realidade. O que ensino vai realmente na contramão do que a maioria das pessoas faz porque a maioria das pessoas faz sem pensar direito, só reagindo. Então todo o meu trabalho, hoje, tudo o que aprendi, vivenciei, testei, me respalda para chegar aqui, hoje, e falar: cara, vamos tentar de outro jeito? Então não se trata de falar para os leitores fazerem algo apenas se estiverem dentro de uma certa realidade, mas de ensinar que 1) existe essa outra realidade e 2) que é possível construí-la para você, se você quiser, mas é um processo e, como todo processo, leva tempo.

Eu poderia muito bem, como até disse no e-mail, e pedindo desculpas pelos termos, “passar spray de lavanda no cocô”. É passar a mão na cabeça e dizer: “olha, tudo bem, você pode continuar fazendo assim e mantendo as notificações” ou “se sua situação é essa, tudo bem”. O cocô continua sendo cocô mesmo jogando perfume nele. O que eu estou ensinando é que existe um cocô no meio da sala, todo mundo sabe que ele está ali e que ele fede, mas ninguém vem com uma pá e um saquinho para removê-lo. Eu tô chegando aqui com a pá pra tirar o cocô de lá. Simples assim.

Não, não é do dia pra noite que a gente transforma a vida, o trabalho, a rotina. E nem estou dizendo que existe um “formato único e ideal” de se fazer as coisas. O que procuro ensinar é que cada pessoa deva se conhecer, saber o que gosta e o que não gosta, e ir diariamente formatando sua vida de acordo, em um processo que ela vai modificar até o dia em que ela morrer. E não ficar conformada com a situação, ler um livro, fechá-lo e não se inspirar a mudar.

Mas é claro que tudo são escolhas individuais. Eu entendo que seja mais fácil culpar a situação atual, o que as outras pessoas fazem, e continuar vivendo a vida sem experimentar essas mudanças. Eu só não me conformo em viver dessa forma.

42 comentários

  1. Excelente Post Thais! A sua forma de ver a vida para mim é inspiradora. E aplico muito dos seus ensinamentos na minha vida ..e Bum!! nem todos funcionam lindamente. Mas ai é que esta a graça da coisa. Você não diz façam assim.. você sugere.. e cada um nós que conhece a sua vida usa o que lhe cabe.

  2. Boa tarde Thais, aproveitando que você falou sobre seus momentos de vida, gostaria se possivel que você falasse em algum post sobre esse seu processo de ser/se ver matriarca da familia.

  3. Nada além da verdade! Gostei muito do texto e concordo demais com o que você disse Thaís! Acompanho seu blog desde antes de me formar, e agora, no meu 4o trabalho, consigo ver que aplicava o que você ensinava desde o início, nos diversos cenários da minha vida, e que é muito mais fácil ir contra às situações abusivas de trabalho quando se sabe que existe mais gente lutando pra mostrar pras pessoas que existem mais modelos de vida, mais leves e humanos. Tenho só a agradecer pela sua coragem de expôr o cocô!

  4. Excelente post Thaís! Visões de mundo distintas e bloqueios, eu, por exemplo, ainda não me formei, acompanho o blog há mais ou menos um ano e meio e uso como inspiração para por em prática suas dicas, já li Vida Organizada, e estou começando Trabalho Organizado, e jamais tive essa percepção. Parabéns pelo seu trabalho 👏👏👏

  5. Nossa! Que soco no estômago! Que chacoalhão! Mas não é um soco que dói, é um soco que faz a gente acordar e querer se mexer, sair do lugar. É isso mesmo! Adorei a metáfora do cocô! 🙂
    Não é fácil assumirmos a responsabilidade pela vida que vivemos. É realmente muito mais fácil culpar os outros e as circunstâncias que acreditamos estar fora de nós. Acho tão inspiradora essa história de ir formatando a vida dia após dia até que ela fique como queremos que ela seja! Estou nessa vibe, mas conseguir sair da casca é um processo lento e doloroso, porém possível e recompensador.
    Obrigada pela reflexão!
    Bjs

  6. Mais um texto PÁ! Tapa na cara!

    Mas como conversei com meu médico recentemente, ás vezes é o que precisamos e ponto. Doer vai doer, em silêncio consigo mesmo ou com alguém falando. Mas a gente só escuta quando alguém vai lá e diz, muitas vezes.

    Palmas, Thais, muitas palmas!

  7. Thais, eu gosto muito do seu conteúdo. Eu sinto que tenho um bloqueio na hora de dar o start nos meus projetos. Como lidar com isso? Quer dizer, eu sei o que quero fazer, só não consigo dar o primeiro passo por medo ou algo que me impede, sabe?

  8. “O que ensino vai realmente na contramão do que a maioria das pessoas faz porque a maioria das pessoas faz sem pensar direito, só reagindo. Então todo o meu trabalho, hoje, tudo o que aprendi, vivenciei, testei, me respalda para chegar aqui, hoje, e falar: cara, vamos tentar de outro jeito?”
    Thais! Essa citação acima é o resumo da sua missão com os seus canais de conteúdo. Parabéns! Você está escrevendo cada vez melhor, fluida, objetiva e ORGANIZADA.
    Interessante é perceber esse crescimento no próprio conteúdo disponível aqui. Nos últimos 3 anos foi um up grade sensacional. É a evidência do que você diz aqui ” (…) existe essa outra realidade e 2) que é possível construí-la para você, se você quiser, mas é um processo e, como todo processo, leva tempo.” E não é facil! Você vem nos mostrando seu processo contínuo de aprendizagem, de avaliação, de crescimento. Não há fórmula mágica como muitos esperamos.
    Otima postagem para mim no dia de hoje, mais uma vez, obrigada. E de coração fico muito feliz com sua trajetória. SAÚDE! SUCESSO!

  9. Thaís, eu entendo o que a leitora, sente. Eu também senti isso, quando decidi mudar. Tenho um pequena empresa, com 10 colaboradores e cuido de todos os processos.

    O ponto que mais leva as pessoas a pensar, como a leitora, são as interrupções. Lógico que quando se é profissional liberar, é mais fácil. Mas com vontade de mudar, as coisas se encaixam. Hoje tenho horários fixos, para falar com colaboradores ( por assunto ) ao longo da semana, atendo representantes só as sextas (no período da tarde), só começo a atender telefones, após as 09:00 ( ante disso respondo todos e-mails, whats e demais formas de comunicação) e etc…

    As pessoas respeitam, quando percebem que vc tem um processo e que isso facilita o trabalho delas. Aos poucos, elas vão se adaptando e começam a querer se organizar.

    Em dois anos, mudei várias vezes minha forma e minha rotina de trabalho. Tenho uma certeza, daqui á alguns meses, mudarei novamente.

    Para mudar precisei ter uma coisa em mente: 1) a mudança começa em mim;

    • Com certeza, Alexandre. E o negócio é investigar porque as interrupções acontecem. Processos da empresa? A galera precisa de treinamento? De repente um período no final do dia para tirar dúvidas? Etc. Cada empresa tem seu ritmo. Tem que investigar.

  10. Nossa Thaís! Tenho pensado muito em tudo isso aí que você relatou e no questionamento da moça… Nem todo mundo consegue migrar da “vida loka” de alguns ambientes de trabalho para uma condição de maior qualidade de vida. Eu mesma tive o privilégio de ter trabalhos assim, até que nos últimos 8 meses de trabalho da última empresa o negócio virou e queriam que eu ficasse meu dia inteiro lá, sem vida pessoal que e prezo muito. Lógico que não deu certo… me desligaram… mas eu tenho pra mim que isso não me serve. Preciso de tempo pra mim e minha família. São valores que importam. Mas eu te pergunto: se você ainda trabalhasse na agência de publicidade, com o conhecimento que você tem hoje, você conseguiria mudar aquela realidade de trabalho, impondo aos outros a forma e os momentos de se comunicar com você, eliminando horas extras, e tudo o mais que você considerava nocivo? Difícil? Eu entendo o questionamento da moça… eu acho que há coisas muito longe da realidade de muitos… é um ideal de vida, que vamos construindo e escolhendo pra nós mesmos… mas em certos ambientes, não dá… Se você não aceita, cai fora que tem vários querendo sua vaga…
    No mais, obrigada por nos ensinar! Sempre por aqui… aprendendo!
    Abraços!

  11. Pra mim, o blog funciona muito bem, é uma fonte constante de inspiração. Sou funcionária pública, AMO meu trabalho, nunca percebi nenhum espírito empreendedor em mim (rs) e de identifico com a grande maioria dos posts. Já compartilhei vários com amigos, marido e até com minha terapeuta, porque me levaram a refletir e buscar mudanças de rumo para vários aspectos da minha vida.
    Só quis dizer…

  12. Oi Thais!
    Talvez a dúvida tenha surgido pois nem todos podem ter percebido que o melhor do blog é o conteúdo. Aqui eu não encontro a resposta para a minha necessidade, em específico, mas inspiração para resolver meus problemas. Muita coisa não serve para minha realidade mas outras coisas tem o poder para transformá-la.
    Por isso é preciso ler, acompanhar e pesquisar para resolver o seu problema. Aqui não existe receita de bolo para cada situação particular.
    Gosto quando você diz (e repete bastante) que a solução encontrada serviu para você e que cada um deve experimentar o que melhor se adapta para seu contexto. Sem este exercício, não há aprendizagem nem crescimento. Ou pior, práticas são reproduzidas sem serem questionadas.
    Tive um ótimo professor no Mestrado que sempre nos questionava sobre situações assim. Quando alguém apontava que determinada prática era boa, ele dizia: Bom pra quem???
    Desde então, isto me faz pensar bastante e sempre questionar tais situações. Vivemos em diferentes realidades ao mesmo tempo. O que é bom para um, pode não significar nada para o outro.
    Portanto, como você sempre alerta, é importante conhecer o método. O “como” fica por conta de cada um de acordo com seu contexto e perspectiva.
    Abraço!

  13. Mais um “baita” texto como falamos aqui no Sul. A leitura do livro, vídeos e os textos do blog tem me ajudado a ver que existe solução para as situações que vivo hoje. Em cada conteúdo que tu disponibilizas eu tiro algo útil pra mim, pra minha vida, e são tantas coisas, Tais. Que posso citar as resenhas de livros, dicas de leitura, meditação, organização da empresa, sobre auto responsabilidade, amor próprio, como usar o celular de maneira produtiva,…., nossa! Muito material bom, que aos pouquinhos tem me ajudado a fazer os ajustes que um dia precisei e ainda preciso fazer. Gratidão por tudo, Tais. E contigo aprendi, sempre há luz no fim do túnel, embora não recordo de ti falando isso, mas é o que sinto quando absorvo das tuas ideias. Abraços.

  14. Sabe o que o povo quer com auto-ajuda?
    Milagre!
    Mas isso não existe.
    O que você ensina são caminhos e escolhas. Algumas delas podem doer na hora, como tomar uma injeção, mas é uma construção para o futuro.
    Se não mudarmos nosso cotidiano, nossas atitudes não vamos ter resultados diferentes.
    Você é um norte para minha vida e sempre fui CLT.
    Me ensinou a priorizar, a dizer não, a aguentar as consequências e a receber o resultado desse processo.
    Não fiquei mais rica, mas sempre recebi elogios por meu comprometimento e trabalho.
    Isso por que foquei no importante e fugi com todas as minhas forças da sobrecarga e acumulo.
    Foi isso que você me ensinou.
    E sou grata!

  15. Que delícia de reflexão.
    E a gente só consegue essas mudanças se quiser dar o primeiro passo e começar a mudar.
    Parabéns pelo seu trabalho – é muito motivador!

  16. Olá Thais, tudo bem? Tenho acompanhado o seu blog há uns 4 anos e concordo plenamente com suas palavras. A partir do momento que passei a refletir em cada mensagem nos seus posts, percebi que posso ter uma visão diferente da vida. Meu dia a dia é corrido, mas hoje tenho uma postura diferente em relação ao meu trabalho e minha casa. Ao invés de ficar reclamando falta de tempo, prefiro me organizar e planejar maneiras para melhorar meu desempenho em varias atividades e com isso aproveito melhor o tempo com o que realmente importa pra mim. Embora a cada dia surgem novos desafios para mim, acredito sempre que devo me superar (ao invés de viver me fazendo de vítima das circunstancias), não sou atonoma, nem empresária, sou funcionaria em uma empresa que exige muito de mim (muitos processos, muita papelada, muitos prazos a cumprir, etc), sou mãe de um bebê de 9 meses, não temos funcionaria em casa e pra conseguir conciliar tudo tenho tentado aproveitar algumas das ferramentas que você tem nos indicado. Te agradeço pelos ensinamentos que você tem nos dado, pois tem feito muito a diferença no nosso dia a dia. Claro! O processo de mudança é um pouco demorado pois exige de nós muitas adaptações, mas tudo se resume pra mim em sair da zona de conforto e colocar a mão na massa, senão não tem como mudar para melhor. Bjs

  17. Oi Thais!

    Tenho uma vida bem diferente da sua, mas ler seu blog sempre me ajuda muito. E posso dizer que mudou minha vida pra melhor, tanto na organização do trabalho quanto em casa.

  18. Eita Thais afiada hahaha
    Mas é verdade, concordo com tudo o que você falou e acho que você nem nos deve tantas desculpas assim como tem feito. Seu trabalho é autojustificável, não vemos pontas soltas e é só adaptar os seus ensinamentos à realidade de cada um – porém, devo admitir que também sinto um pouco isso que a leitora falou, quero ser professora de escola pública e até lá vou precisar trampar muito em lugares que talvez eu não tenha essa elasticidade que você tem, só que eu pego seus ensinamentos da época em que você se desdobrava em mil e fico pensando em como posso planejar minha vida para chegar onde você chegou hoje <3 tudo é questão de interpretação, e eu só tenho a agradecer pelo seu trabalho.

    PS: Gostei que voltou a antiga identidade visual, achei que a outra não exemplificava tão bem seu trabalho como essa.

  19. Sou professora da rede estadual no Distrito Federal.
    Tenho acompanhado o blog e os vídeos de Vida Organizada. Já li os seus três livros e estou lendo o GTD.
    Tenho buscado aplicar suas propostas em minha vida pessoal e profissional e sinto, mesmo que paulatinamente, mudanças. Sendo que o que percebi é que as mais significativas são em mim mesma.

  20. Sou enfermeira e trabalho no setor público. Uso muito das dicas de organização da Thaís. E olha que meu trabalho nem dá para fazer previsões e planejamento, nunca se sabe quem vai adoecer…quando só atenderei pacientes agendados previamente ou quando terá tudo junto e misturado. Então posso dizer que as dicas de organização da Thaís podem sim ser usadas nas mais diversas atividades. Ahhhh adoro o blog e os conteúdos do YouTube. 😘

  21. Concordo com você. O blog e os livros servem para todos. Tenho outro formato de vida e me benefício sempre de suas ideias e experiências. Ter uma vida organizada é ir construindo aos poucos a melhor forma de se viver.

  22. Oi Thais!

    Há anos atrás, queria ter deixado a você esse comentário, que nunca o fiz.

    Eu trabalho numa empresa, como assistente social, cumpro horário aqui, e fora daqui, me dedico a atividades militantes, em espaços sindicais e políticos.

    Sempre utilizei as coisas que você ensina, te leio desde 2010. No trabalho, eu aprendi com você a não atender as pessoas em formato de plantão, e sim, agendar dia e horário, e isso funciona. Concentro os atendimentos quando me sinto melhor para isso, igual você fala. Da mesma maneira, concentro reuniões em determinados horários e dias, pois isso de interagir me demanda. Só respondo e-mails, entrego relatórios, pareceres e demais documentos, após o tempo estipulado para isso. Mesmo que tenha gente no meu pé, e mesmo que eu possa fazer antes do tempo – só entrego conforme o tempo estipulado, para dar consistência aos prazos e tempos que negociei com as pessoas, incluindo chefias.

    Fiz tudo isso sem anunciar oficialmente nada a ninguém, sem impor a ninguém meu método, apenas fui fazendo, e sozinha, defini o horário de cada coisa, o prazo de cada coisa, me retirei das atribuições que não faziam sentido, e mudei o meu modo de trabalhar todinho. Trabalho aqui e dentro do meu horário, tiro tempo diário para ler, me capacitar e escrever. Não negociei com ninguém, e nem fui pedir: apenas “congelei” tempos aqui para isso, e na hora de fazer, faço. Qualifiquei assim meu trabalho, melhorei muito minha intervenção profissional, e entreguei um trabalho melhor.

    Digo a essa pessoa, que quanto mais coisa e cobrança a gente tem, paradoxalmente, menos controlam o que a gente faz. Se a gente identificar as urgências e não deixar elas explodirem, o restante é com a gente, a gente começa com um pouquinho de controle sobre o que fazer em cada hora, e muda tudo quando menos percebe.

    Quis dizer que fora daqui tenho outras atividades, para também dizer que aplico os conhecimentos do blogue nessas áreas da minha vida: me preparo para as reuniões, organizo os documentos necessários, crio subpastas nos meus e-mails, e isso faz com que eu lute pelos meus ideais com mais capacidade de alcance. Separo as horas para isso, me dedico às diferentes frentes, e faço isso também combinando de mim comigo mesma, qual a melhor forma de hierarquizar as coisas que quero e preciso fazer.

    Beijos e boa sorte na organização pra todos nós!

    Estou lendo o Casa Organizada, antes de ler o do trabalho 🙂

  23. Eu também “não me conformo em viver dessa forma” (rs). Quando eu comecei a acompanhar o seu blog eu estava terminando a faculdade de Gestão de Recursos Humanos, já tinha iniciado uma pós em Gestão Empresarial, e conciliava isso com o trabalho em período integral e a faculdade de Direito. Também sou apaixonada por organização, apesar de não ser o “tempo todo” organizada (rs). Eu era uma aluna dedicada. E na verdade ainda me considero dedicada, pois, na minha opinião, não tem como parar de estudar. Sou de família muito humilde, e fui encarando os desafios do mercado, conciliando com os estudos, auxiliando em casa, e até parei de acompanhar o blog por um período. Até que no início desse ano de 2018 resolvi não me conformar em viver dessa forma. Desde o ano passado venho buscando o autoconhecimento. E com a ajuda do meu marido, que na época era meu namorado, consegui enfrentar o “medo” e arriscar. O meu medo consistia em não ter o mínimo para sobrevivência todo mês. Mas, percebi que a cada dia eu estava literalmente “sobrevivendo”, no meu trabalho, e com dificuldade. Meditei muito sobre o assunto e tive a oportunidade de receber incentivos maravilhosos dos meus amigos. Resolvi ir morar na capital do estado onde eu nasci, onde as oportunidades são maiores, e trabalhar como advogada autônoma. Deu super certo! Meus objetivo inicial era trabalhar sozinha, garantir o mínimo da minha sobrevivência (e ajudar a minha família) e estudar para concursos. Pois, como autônoma, dentro dos meus planos, eu conseguiria me dedicar mais aos estudos. Contudo, para a minha surpresa, em maio deste ano o meu marido me convidou para irmos passar um longo período no Canadá. Estudar, trabalhar…, e depois retornar para o Brasil com uma formação melhor (fluentes em inglês, experiência e etc.). Voltamos para o interior do estado, pois em breve estaremos viajando. E aqui, eu continuo trabalhando em casa e, graças a Deus, estou com muito serviço. Eu acho que voltei ser àquela garota que enfrenta desafios sem medo, como no início da faculdade. Acho necessário dizer que a meditação e a busca pelo autoconhecimento me auxiliaram muito nesta caminhada.

  24. Boa tarde Thais,
    Tudo bem?Acompanho seu blog desde 2010.Tinha terminado a faculdade,um namoro de 4 anos e desempregada.Como sempre fui muito desorganizada achei que precisava de organização e buscando no google achei você.
    Anos depois, em um certo período você começou a publicar no blog assuntos relacionados a meditação e budismo. Nesse período eu estava ganhando muito bemmm, porém meu trabalho por n fatores tinha me deixado deprimida.E vi na meditação algo que amenizasse minha dor.
    A minha historia é longo e não teria como contar aqui, porém quero deixar expresso o quanto contribuiu comigo.Já passei fome e todas as dificuldades que possa imaginar, sei que nada cai do céu e não existe formulas prontas.Porém pessoas que doam aprendizados como você, mesmo sem fazer ideia MUDAM a vida de pessoas.Você mudou a minha!
    GRATIDÃO!

  25. Oi, Thaís!

    Super concordo com o que vc falou… Eu acho que a vibe é pensar na educação como a gente vê no Direito, a ciência do “dever ser”. Como as coisas devem ser, mirar pro certo e remar. Se a gente só se deixar levar pelas águas, podemos nos afogar.

    Eu sou empregada e nunca tive essa sensação, de que o material só serve para autônomos. Acho que, ainda que você venda o seu tempo para alguém, ainda sobra muita coisa para estar sob seu controle e não podemos abrir mão disso e tentar usar a nosso favor, especialmente se sonhamos com algo maior.

  26. É evidente que não se trata se algo que tenha sido assim, “tão bacana”, senão você não teria ficado tão ofendida a ponto de publicar um desagravo. Foi um tapa na cara mesmo, como já colocado. O fato é que você não apresenta regras, mas sim, ideias e soluções a serem aplicadas por quem quiser e quem puder, dentro da sua realidade, independentemente do “modelo” de vida escolhido. Às vezes a grama do vizinho nem é assim, tão verde !

  27. Thais, excelente post, conteúdo do blog tem caráter educativo, trazendo ensinamentos que cabem em todos os formatos e estilos de vida, desde que estejamos abertos a ter um novo olhar para a vida, no entanto não tera efeito quando não se está aberto a avaliar nossas crenças de um outro ângulo
    Parabens pelo conteúdo e obrigada por contribuir com uma vida melhor.
    A comunicação faz parte de sua essência, e não deveria ser confundida “ ofendida”

  28. Thais, você vê que cumpre com o seu objetivo quando percebe a quantidade de pessoas que atinge com o seu conteúdo. Falo por mim, que desde que comecei a seguir seu blog, venho me descobrindo aos poucos, e adaptando meu estilo de vida de uma forma que todos a minha volta estão se beneficiando.
    Acredito que quando lemos algo e julgamos não ser aplicável ao nosso estilo de vida, a escolha é toda nossa de reconhecer que é algo trabalhoso, por vezes doloroso, demorado, mas mesmo assim queremos tentar, ou nos manter no nosso estilo de vida.
    E aqueles que optam pela segunda opção perderiam muito menos tempo se fossem encontrar outras formas de se motivarem. Mas é mais fácil apontar o dedo e querer a mudança do outro 😉
    Obrigada pela inspiração!

  29. Excelente postagem Thais. Eu acho que conheci seu blog em 2015 e desde sempre consigo me beneficiar de vários conteúdos. Tenho percebido que o método certo a gente vai construindo, mas se munidos de informação, de técnica e conhecimento dos mesmos, ai sim a vida nesse sentido começa a acontecer, ou melhor, ela começa a acontecer em muitos outros sentidos. Nos últimos tempos, me peguei mudando o método, voltando pro anterior, mudando novamente, voltando kkk, e fiquei um pouco frustrada, mas nesse processo entendi o que funciona pra mim e para minhas atividades em determinadas situações, em determinado momento da vida e isso é muito valioso.
    Quero deixar meu agradecimento e desejar que continue fazendo sua missão e inspirando muitas pessoas como eu a perceber que ter uma vida organizada, é muito mais do que as pessoas pensam, planejar é ter qualidade de vida.
    Beijo grande!

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