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Livro “Simplicidade Voluntária” (Duane Elgin, 2010)

Tive a felicidade de ler esse livro há quase dez anos. Recentemente, durante a quarentena, tive vontade de relê-lo, não sei por que, mas foi uma releitura bastante acertada para esse período que estamos vivendo, com boas surpresas pelo caminho.

O livro do Duane começou a ser idealizado na década de 1970 e veio ao mundo décadas depois. Traz depoimentos de pessoas pelo mundo que aderiram a um movimento de viver uma vida mais simples. Ele faz questão de mostrar os depoimentos pois o próprio livro é resultado de uma pesquisa que ele fez.

Apesar de esses depoimentos serem bacanas, o grande ponto forte do livro, ao meu ver, é a análise precisa do nosso cenário de seres humanos como parte do planeta e a proposta de novo viver que o Duane traz.

Ele diz que, como humanidade, estamos em nossa adolescência. Fazemos o que queremos, exploramos os recursos naturais, não pensamos no amanhã. E essa atitude traz consequências que podem nos ensinar grandes lições. Pra vocês terem uma ideia, ele previu um colapso “por volta da década de 2020”, trazendo inclusive a reação das pessoas (os que negam, os que não querem mudar seu estilo de vida, os que se trancam em casa com a família). É muito impressionante que ele tenha escrito isso há tantos anos. Não encontrei nenhuma entrevista dele recente, pois gostaria muito de ver suas percepções atuais sobre toda a coisa do COVID.

O livro não usa uma única vez a palavra minimalismo que, como já comentei em outro post, acredito que seja por se tratar de um movimento contemporâneo, enquanto que a abordagem do Duane é remanescente da contracultura dos anos 1960 e 1970. De qualquer maneira, o autor vai na jugular da coisa toda: o problema é nosso modo de viver. Sendo simples ou não, estamos acabando com o planeta e, com isso, com a nossa saúde. Nos matamos de trabalhar para pagar e ter coisas. Esse ritmo não é sustentável para o planeta (e isso inclui todos os seres humanos).

Ele defende uma simplicidade consciente, ou seja, um completo novo jeito de viver – trabalho, transporte, casa, roupas, alimentação etc. Segundo ele, a humanidade adotar esse vida se faz necessário pois ele seria mais sustentável.

Segundo ele, essas são algumas maneiras de iniciar sua construção de um modo de vida mais simples:

  • O foco estaria em buscar um equilíbrio mais saudável entre a experiência interior, de nós, como seres humanos, com o exterior. Isso se reflete no nosso trabalho, na maneira como nos relacionamos, no consumo etc.
  • Vivemos em uma sociedade obcecada pelo consumo e pelos bens materiais para demonstrar status. Você deve trabalhar isso em sua mente para sair desse modelo.
  • Trazer para a criação dos seus filhos valores e experiências de vida diferentes. Em que mundo você quer que seus filhos vivam? O que você já pode trazer desse mundo para o seu dia a dia?
  • Independência e autodeterminação devem ser desenvolvidas porque vivemos em uma sociedade muito massificante, para não dizer alienante. Estude, informe-se, observe-se para se conhecer.
  • Os relacionamentos devem ser estabelecidos com foco na cooperação e cuidado mútuos. Não deve haver discriminação sexual.
  • Começar a reduzir, dentro das suas possibilidades, as desigualdades que existem entre ricos e pobres no mundo todo. O que você pode fazer hoje nesse sentido?
  • Poluição ambiental, sustentabilidade e uso de recursos devem ser pautas diárias para solução de problemas.
  • Desenvolver habilidades e conhecimentos pessoais, necessários à sobrevivência num período de graves perturbações econômicas e sociais. Do meu ponto de vista, acredito que todos nós possamos refletir sobre como fazer isso em nossas profissões e modos de atuação.
  • Criar circunstâncias pessoais de vida, nas quais os sentimentos, pensamentos e ações de todas as pessoas possam alcançar a harmonia.

O Duane rodou os Estados Unidos fazendo palestras sobre o “universo vivo”. Você pode encontrar várias delas no YouTube.

É um livro de cabeceira. Ou seja, para deixar perto da cama e reler sempre.

Eu considero essa leitura essencial para a quarentena pois nos ajuda a refletir sobre o estilo de vida que nos trouxe até aqui.

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2 Comments

  1. Thais, bom dia. Obrigado pela resenha. Você sentiu que o livro se aprofunda nessas soluções para uma vida mais simples ou é mais superficial?

    1. Não sei dizer o que seria aprofundar nesse caso. Para mim ele trouxe reflexões bem profundas. Não é um livro sobre “faça isso e aquilo” e sim traz reflexões sobre o impacto dessas decisões na nossa vida e no planeta como um todo.

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