Como ter qualidade de vida quando o dia de trabalho está absolutamente extenuante

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Estamos falando sobre qualidade de vida e de trabalho este mês aqui no blog.

E um dos temas solicitados por vocês é sobre como ter qualidade de vida quando as coisas estão realmente tensas no trabalho. Vamos falar sobre isso então.

Em primeiro lugar, eu diria para você saber identificar se isso se trata de uma condição temporária ou se o emprego é assim mesmo sempre. Condição temporária é quando de vez em quando o dia fica absurdo de demandas e incêndios, ou quando a empresa está passando por uma sazonalidade comum que tem todo ano (ex: um evento), ou quando está passando por alguma fase de instabilidade ou transição (ex: 10 pessoas em um time de 20 foram demitidas e todos estão reorganizando as atividades).

Se for uma situação temporária, é identificar esse período de tempo e ter perspectiva. Pode valer a pena ter um projeto para estabilizar as coisas, como “reorganizar meus papéis e responsabilidades nessa nova configuração de trabalho” ou “concluir todas as pendências do evento X”.

Se for algo que acontece de vez em quando, tipo um dia da semana anormalmente cheio, aí é ser malabarista mesmo, mas mesmo assim existem algumas recomendações certeiras:

  1. Tire as coisas da mente. Passe para o papel o que rpecisa fazer, para não encher sua mente ainda mais. Isso estressa bastante, ao longo de um dia inteiro.
  2. Foque em manter suas caixas de entrada vazias, pois assim nada que chegar acumula e te pega de surpresa. Esvaziando as caixas, você consegue ter uma noção melhor do que precisa ter prioridade. (veja que esvaziar não é resolver tudo – saiba como fazer)
  3. Tenha claras as suas prioridades para o dia, que muitas vezes não são os incêndios que chegam. Aqui tem que ter muita clareza mental para conseguir distinguir, mas você consegue! Siga sua intuição!
  4. Procure não perder tempo ao longo do dia com coisas que não precisam ser feitas naquele dia, como um almoço mais longo ou atividades que podem ficar para o dia seguinte.
  5. Depois desse dia extenuante, descanse. Não saia para jantar, não marque mais nada – apenas vá para casa, tome um bom banhe e durma mais cedo.

Se o seu trabalho for assim SEMPRE, aí é questão de reavaliar a médio prazo. Foi o que comentei em outro post – eu percebi que o problema estava no meu trabalho e levei anos para conseguir mudar essa configuração. Só não pode se acomodar. É claro que vivemos em uma época onde temos 13 milhões de desempregados e mudar de emprego não é tão fácil como era há alguns anos, mas ninguém disse que precisa ser imediato. O que pode ser imediata é a sua decisão de fazer algo, e você pode levar os próximos meses para explorar oportunidades.

Sobre se manter em um trabalho que não é o ideal, já tenho um post sobre isso com dicas que podem ajudar. Mas, de maneira geral, penso que é você fazer o básico e aproveitar esse momento para se capacitar, tentando não se estressar tanto, pois sua saúde vale mais do que isso. A minha transição levou muitos anos, tanto pela oportunidade, que dependia de eu estar melhor preparada, quanto pela própria clareza que eu ainda não tinha sobre como fazer as coisas. Veja este momento como um período legal de descobertas, então.

Gostaria de terminar este post com um ponto que sempre vale a pena recordar, que é: o mundo não coloca limites. Você tem que colocar. Independente de qualquer coisa, se você não colocar esses limites, seu corpo vai colocar. Então, se cuide. 😉

11 comentários

  1. Apesar da última ressalva num dia extenuante ser “não marque mais nada”, eu gosto de ir a academia pelo menos fazer um pouco de esteira, enquanto ouço uma música. 20 minutos são suficientes para esvaziar a cabeça e chegar em casa com a mente limpa para dar atenção aos meus filhos e esposo. Apesar do cansaço mental ser grande, cansar o físico me ajuda demais. O sono tranquiliza também, para o caso do dia seguinte ser mais um extenuante…

  2. Thais obrigada pelo post.

    Eu trabalhei em um lugar que era todo dia uma loucura, não tinha um dia de paz, a demanda era gigantesca, um falatório, pensei que não ia me adaptar nunca, me adaptei até demais rsrs
    Hoje que estou em um mais calmo continuo tendo umas crises de afobação como se ainda estivesse lá, querendo fazer tudo ao mesmo tempo, pegando muitos projetos. Tenho que me policiar.
    Na minha opinião se a pessoa não tomar cuidado o ritmo do trabalho irá ditar o ritmo da vida dela.

  3. Concordo totalmente com o comentário da Mayara! Sou workaholic assumida desde que iniciei minha jornada profissional há 23 anos. Passei por 6 empresas neste período (estou na 7a empresa hoje) e o cenário só piorou desde então. Com as redes sociais, sms, whatsapp, as respostas tem de ser NA HORA, não temos como respirar para uma tomada de decisão acertada. Perdemos a separação do que é trabalho e pessoal. Saudades do tempo em que todos entravam e saíam das empresas no mesmo horário e o que não se resolveu naquele dia, ficava para o dia seguinte. Saíamos do trabalho para nossas vidas.
    O mais interessante é que, mesmo com o advento destas tecnologias, continuamos sendo pouco produtivos, pouco inovadores. Incorporamos o “comportamento de manada” na esfera profissional e todos seguem no piloto automático sem estabelecer limites para sua qualidade de vida e bem estar.

    Bjs

  4. o mundo não coloca limites. Você tem que colocar. Independente de qualquer coisa, se você não colocar esses limites, seu corpo vai colocar. Então, se cuide. 😉 – OTIMA OBSERVAÇÃO

  5. Thais, como você está produzindo dissertação sobre aplicativos de produtividade, gostaria de saber se jé leu algo ou entrou em contato com os argumentos sobre gestão de tempo e produtividade defendidos pela Melissa Gregg, pesquisadora da Intel. Se sim, adoraria ler você falando sobre isso, gosto muito de como você une diferentes visões e cria um argumento bem coerente 🙂

  6. Eita… esse post caiu do ceu! rs! gratidao!

    Meu trabalho esta turbulento demais e eu negligenciei muito outras areas da minha vida. o que estou fazendo, ja que tenho o privilegio de um horario flexivel, eh resolver tudo de manhazinha (entre 6h-8h) e so depois ir pro trabalho. Estou tentando encarar isso que nem poupanca em orcamento domestico: primeiro o dinheiro eh pra mim, depois eh pras demais coisas! Bjsss

  7. Olá, Thaís.! Sou professora da rede pública e cotidianamente enfrento salas lotadas, onde o barulho é constante. Sei que preciso mudar de emprego, mas dependo dele. O que eu faço?

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