Leitura de artigos acadêmicos: como organizar

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Outro dia uma leitora me perguntou no Instagram quais eram as minhas dicas para fazer o acompanhamento dos inúmeros artigos acadêmicos que são publicados na área de cada um. Minha resposta começou a ficar grande demais e pensei: “puxa, daria um post!”. Então aqui está o que eu respondi, com algumas coisinhas a mais.

Quando eu entrei no mestrado, esse novo mundo se abriu inteiramente para mim! Eu nunca tinha me ligado nessa rotina de produção de acadêmica, em que as pessoas publicam artigos diversos anualmente. Quando eu estava na faculdade, não fiz iniciação científica. Me interessei por isso quando resolvi fazer o mestrado (e também foi quando eu descobri que poderia ter publicado n artigos nos anos anteriores, mas paciência! o importante é pensar daqui pra frente).

Com a entrada no mestrado, me deparei com o volume insano de artigos para ler. Não apenas os artigos para as disciplinas que estava cursando ou para compôr a pesquisa da minha dissertação, mas também um artigo que levava a outro, e a outro e a outro. Os artigos que meu professor orientador publica. Os artigos que outros pesquisadores que acompanho também publicam. O volume é, de fato, imenso.

Como eu me organizo então para fazer esse acompanhamento? Algumas práticas que têm funcionado para mim:

Caderno no Evernote

Mantenho um caderno no meu Evernote chamado “artigos para ler”. É muito fácil manter no Evernote por conta da ferramenta Web Clipper, que me permite acrescentar qualquer conteúdo acessando através do Google Chrome, no computador.

Nesse caderno, vou inserindo todos os artigos que quero ler.

Você pode imaginar que ele fique imenso. Sim. Mas são artigos para ler sem pressa, quando eu tiver um tempo. Costumo ler quando estou em trânsito, me deslocando para algum lugar (especialmente viagens), ou em casa, antes de dormir, se eu estiver com pique para ler algo mais “cabeça”.

Impressões

Quando eu preciso ler um artigo prioritário, ou que tenha prazo, prefiro imprimir e carregar sempre comigo, para ir lendo ao longo das janelas de tempo que tenho ao longo do dia.

Google Alerts

Configuro alertas do Google Acadêmico para receber notificações quando alguns professores e pesquisadores que eu acompanho publicarem algo novo. Recebo por e-mail. Isso me ajuda a acompanhar os “lançamentos” e imprimir ou guardar no Evernote.

Fichamentos

Ainda estou aprendendo a melhor maneira de fazer fichamentos não apenas de artigos como de livros. De modo geral, mantenho armazenados juntos os artigos e livros para projetos que estão em andamento. Acredito que eu vá aperfeiçoar isso quando entrar no doutorado.

Sobre fichamentos desses arquivos, já falei em post anterior. Este post de hoje  é sobre acompanhar publicações e organizar os momentos de leitura.

Acho que o que mais ajuda mesmo a organizar a leitura dos atigos é:

  1. Priorizar o que tem que ser lido no momento porque servirá a algum projeto em andamento
  2. Agrupar o que quero ler em um único lugar, para facilitar
  3. Gostar de ler e ler diariamente, para ir dando cabo das leituras, de modo que elas não acumulem tanto
  4. Saber que não vou conseguir ler tudo (e tá tudo bem)
  5. Fazer uma limpa do que foi armazenado de tempos em tempos

E você, como costuma organizar a leitura dos artigos acadêmicos? Espero que as dicas deste post tenham sido úteis.

23 comentários

  1. Olá Thais, na leitura dos artigos acadêmicos o que costumo fazer é carregá-los para todo o lado comigo.
    Ou seja, imprimo os que são importantes para a redação da minha dissertação, coloco-os numa capa e vou lendo conforme o tempo que tenho disponível.
    Geralmente, estão na minha mochila que levo para o trabalho e é nas horas vagas ou quando tenho o trabalho bem encaminhado e já dei conta das prioridades, que aproveito para ler, sublinhar as ideias mais importantes ou então, procurar novos artigos que sustentem e/ou tragam algo de novo para o meu projeto.
    Beijinhos de Portugal!

  2. O teu post veio em um momento em que comecei seriamente a cogitar o mestrado como plano a médio prazo, inclusive fazendo planos e vision boards pra ter isso de um modo mais concreto. Acho que acompanhar o teu entusiasmo com o mestrado me deu um gás que estava precisando, mas confesso que tudo o que tem acontecido na área de educação ultimamente me dá uma tristeza bem grande, então estou focando nos planos para que eu me sinta ao menos ‘preparada’.
    anyway, desculpa o desabafo. rs

    • Sabe Jéssica, seu ponto é importante. Pensei muito sobre isso na última semana, e compartilho com você o que eu concluí por enquanto.

      Para mim, fazer um doutorado (ou mesmo o mestrado) tem um propósito. Quando optei pelo mestrado, esse propósito estava bem claro, e ele foi se consolidando com o andar do curso. Tive muitas dificuldades. Toda semana, aparecem desafios diferentes. Dificuldades SEMPRE existirão. A questão é: o propósito está claro? Porque, se estiver, o resto é o “como”. E o “como” pode ser de tantas formas… depende de cada um, essencialmente, de cada cenário, de cada possibilidade.

      Justamente pelo nosso governo estar tomando esse tipo de atitude que eu resolvi antecipar o meu doutorado. Eu não ia fazer agora. Ia fazer daqui a uns três ou quatro anos. Mas entender meu papel nesse cenário me fez ver que mais do que nunca é importante ter pessoas querendo investir na pesquisa. Por ex, eu sou uma pessoa que não precisa de bolsa para fazer o doutorado. Infelizmente, muitas pessoas que precisam de bolsa não vão conseguir fazer. Isso pode quebrar alguns cursos, mesmo em universidades federais. Sem bolsa, e sem investimento, se não tiverem quórum os cursos podem ser fechados. Eu quero então usar essa possibilidade que eu tenho para poder iniciar agora os meus estudos em uma universidade pública, pois assim acredito que, de alguma maneira, eu esteja contribuindo não apenas com a minha área de pesquisa, como para com o meu país.

      Mas isso foi uma reflexão pessoal. Não desanime não. Tente sempre. <3 Boa sorte.

  3. Existe um aplicativo chamado Mendeley muito bom para organizar os artigos científicos. Eu utilizo ele, pois ele permite a criação de anotações, facilita a citação, tem a função marcador (com diferentes cores) e além disso carrega os arquivos na nuvem. A única desvantagem é que a versão free permite apenas 2 GB de arquivos.

  4. Olá Thaís, eu não sei se vc já ouviu falar do Mendeley. Ele organiza todos os artigos, por autor, ano de publicação, etc. E o plus dele, é que quando vc precisa citar uma publicação em algum trabalho teu, já aparece tudo organizadinho ao final do texto. Ele é incrível. Ajuda muito! Abraços

  5. No mestrado eu usei o Mendeley, um programa que organiza os artigos por metatags. Só que ele tem um limite de artigos na versão gratuita e assim tive que abandonar.

    Então hoje, mesmo longe da área acadêmica, eu leio muitos artigos, seja da minha área de pesquisa, seja para o blog. E tenho pastas separadas por temas, no notebook, que fica mais pra eu encontrar tudo depois. A questão é sentar e organizar. Muitas vezes a gente baixa, não nomeia o arquivo, vai colocando tudo numa pasta genérica e depois sofre pra achar de novo. 😅

  6. Olá Thais tem ajudado bastante teus textos sobre área acadêmica e pesquisa, obrigada. Para artigos que precisei ler e marcar, fiz como tu, usei um caderno no Evernote <3. E, assim como a Adriana, Sybylla e o Ronaldo eu usei o mendeley, como repositório e, quando fui obrigada a usar o Word (usava Latex), ajudou a formatar as referências bibliográficas. O mendeley tem um plugin para o word, com vários formatos referência bibliográfica (ABNT, APA, qualquer revista Elsevier etc) me ajudou bastante. Também possui alerta de publicação dos autores e assuntos que estão na tua nuvem, da mesma forma que o google ele envia um email com os artigos publicados; Uso ele no pc e nunca tive problema de espaço ou precisei pagar.

  7. Olá Thais !
    Também estou cursando Mestrado e conheci uma ferramenta extraordinária chamada Mendeley. Com este software você consegue armazenar todas as suas referências (artigos, livros, …), ler os textos, marcar texto e adicionar notas às suas referências e além disso, ele tem um plug-in com Word que faz suas referências e citações diretamente no arquivo docx. Pra quem quiser conhecer melhor a ferramenta, está aqui o link
    https://www.mendeley.com/?interaction_required=true

    • Não acho prático e meus professores com pós-doc é uma produção acadêmica invejável também não usam e fazem como comentei em um post anterior sobre fichamento. Prefiro fazer como eles fazem. 😉

  8. Toda vez que leio algum texto seu sobre seu mestrado fico muito feliz. Me dá um ânimo, pois tenho isso como um objetivo pessoal em um dia fazer. às vezes penso que teria que começar logo. Mas tenho total consciência de como minha vida não está em uma configuração que eu possa me dedicar e eu ainda não estou em sintonia com a disciplina que esse projeto exige.
    Vir aqui e ler seus relatos, me dá a sensação de conforto por saber que tem um cantinho que vai me ajudar a conseguir chegar a esse desejo com mais clareza. Obrigada!!!
    Tenho uma pergunta: você já comentou em algum post sobre como é o ego das pessoas no mundo acadêmico. Isso é algo que me incomoda, pois na época da faculdade foi algo que deixei que me impedisse de seguir. Como você lhe dá com essa situação?

    • No começo achei mais complicado, porque foi um choque de realidade para mim. Hoje em dia já aprendi a ver com outros olhos, e entender que são apenas pessoas. Algumas apenas são inseguras, enquanto outras o fazem por serem arrogantes (e isso tem em todo lugar). Eu aprendi a me envolver com quem tem mais a ver comigo, em todas as instâncias. 🙂

  9. Oi, Thais! Como você organiza seus arquivos relacionados à academia? Dei uma procurada no blog, mas não achei. Me considero uma pessoa com certo nível de organização, mas as os arquivos do doutorado realmente são um desafio. São muitos e eles precisam de certa ordem quando eu for consultá-los. Se tem uma coisa que não gosto é perder tempo procurando coisas. Por isso prefiro ser organizada rs Não queria ficar na mãe de mais algum programa, como esse que várias pessoas citaram. Estou quase fazendo um curso de biblioteconomia pra me ajudar! rs obrigada!

    • Tenho um post exclusivamente sobre fichamentos que pode ajudar. 🙂

      Mas, sinceramente: uma estante só para os livros da pesquisa atual e um caderno no Evernote para artigos já lidos.

      Obrigada por comentar.

  10. Olá Thais, bom dia.

    Super agradeço por essa singela e muiiito eficaz publicação… Estou preparando meu projeto para pleitear uma vaga para mestrado, e seu post me salvou. Hoje posso dizer que estou mais seguro na organização acerca do meu pensamento acadêmico, graças a sua dica sobre o uso do Evernote. Muito obrigado! Gratidão.

  11. Olá, Thais.

    Também já procurei várias maneiras de organizar os papers. Nessa busca, a melhor maneira que encontrei foi a sugerida por um aluno de doutorado chamado Stephen Dewitt, no post “The Right Way to use Evernote for Academic Literature Reviews”. Ele usa o Mendeley para armazenar os papers e o Evernote para armazenar as anotações que faz sobre os papers. Até aí, nada de novo. O que me chamou a atenção foi a maneira de organizar essas anotações no EN. Ele usa uma tag para cada paper (pode ser notebook também, mas aí tem o problema do limite), nomeada como “Year: Authors”, de maneira que os papers são automaticamente listados por ano. O processo de anotação é feito com base em screenshots do paper, sendo uma nota por conceito ou idéia. Os screenshots podem ser de figuras do texto (e nesse caso ele usa os recursos de anotação do EN, como acrescentar desenhos e setas) ou de partes inteiras do texto (que ele sublinhou antes de obter o screenshot). Com isso, o processo fica mais rápido e ele consegue distinguir bem o que é parte do paper e o que é anotação própria sobre um determinado trecho.

    Para organizar as notas sobre um paper, ele seleciona todas e cria, a partir delas, uma nova nota (Table of Contents) que contém os links para cada uma das anotações. O título dessa nota é o mesmo da tag (Year: Authors) e ele escreve na nota uma breve descrição do paper e acrescenta ao lado de cada link um pouco de detalhes sobre o que ele contém. Essa nota recebe a tag “PaperSummary” e, se necessário, mais algumas tags relacionadas ao paper (e.g., subcategorias da sua vida acadêmica). Depois de fazer anotações sobre 10-20 papers, fica fácil procurar as notas com a tag “PaperSummary” e ter acesso ao resumo de todas as anotações de todos os papers, e ainda separar por categorias, caso esteja usando mais tags (e.g., “LitReview”). Se separar por categorias e ainda houver um número muito grande de papers em cada, ele sugere criar uma outra nota do tipo Table of Contents a partir das notas com tag “PaperSummary” da categoria em questão. Essa nota terá os links para cada um dos “PaperSummary” dessa categoria (já listados em ordem cronológica, se foram nomeados como “Year: Authors”) e mais informações podem ser inseridas, como por exemplo a descrição da categoria e uma classificação ao lado de cada link (como importante, não importante, etc.).

    Enfim, o próprio autor do artigo dá exemplos e mostra figuras do processo. Vale a pena conferir. Abraços!

  12. Olá Thais, vim reler este post do blog porque para mim o arquivo dos artigos são uma enorme dor de cabeça. Para contextualizar eu já fiz o doutorado e estou no pós-doc, portanto já tenho muitos anos de tentativas de várias formas diferentes 🙂 Vejo toda a gente a sugerir o Mendeley e fico um pouco admirada. Acho que esse tipo de programas funcionam super bem para o momento de escrever as referências num artigo científico, ou dissertação. Ou seja, o programa coloca tudo direitinho, por ordem, sem que tenhamos que o fazer manualmente (que já não faz sentido hoje em dia), mas não acho que seja um bom sistema de arquivo. No software que uso para fazer as referências dos artigos, o EndNote, ele tem vários styling das principais revistas, para ser tudo mais rápido. No entanto, só uso esse software para isso. Não para guardar os artigos como referência, nem para as notas que tiro sobre o mesmo. Nem acho que seja a melhor ferramenta, assim como o Mendeley, para quem usa GTD.
    O que já faço há muitos anos é que sempre que retiro um artigo mudo o nome e coloco sempre o nome do primeiro autor e o ano, para depois arquivar (Ex, Godinho T_2019) (assim já sei que basta pesquisar pelo nome que ele aparece). Depois fico sempre muito dividida entre manter os papers no Evernote, ou em pastas no computador, bem como na melhor forma de catalogar. Já tive uma pasta chamada “Artigos” e aí dentro tinha subpastas por temas onde colocava os artigos. Problema: acabo por me esquecer que tenho o tal artigo, que o tirei e que achei importante ler. Fico com um arquivo gigante, que vai desatualizar e não corresponde ao que efetivamente li (em mim isto causa muita ansiedade). Além disso, no meu caso, um tema pode ser importante para diferentes projetos em andamento, o que torna depois o acesso aos artigos muito confuso. Atualmente estou a testar ter uma pasta para cada projeto académico que tenho (e não projeto GTD – um projeto académico pode dar muitos projetos GTD – esta forma de visualização foi life changing para mim) e aí dentro ter uma pasta chamada “Referência” onde coloco os artigos que vou considerando importantes para esse projeto. Por vezes tenho supastas (sei que não é o que o David Allen recomenda) caso tenha alguns artigos muito específicos, por exemplo de técnicas experimentais novas que preciso para fazer alguma tarefa. Também estou a testar ter o caderno no EN com uma lista do que quero ler (sugestão sua no curso de GTD em Portugal e que também já li aqui no blog). Este método melhorou o meu arquivo, mas ainda não sinto que tenha chegado lá 😉
    Para a leitura, criei uma checklist adaptada daqui que pode ajudar outras pessoas que estejam a ler aqui o blog: https://violentmetaphors.files.wordpress.com/2018/01/how-to-read-and-understand-a-scientific-article.pdf. É interessante, mas ainda assim no meu caso acho que se perde imenso tempo e a maioria das vezes acabo por não fazer anotações e arquivar (conclusão, se tiver que reler, vou ter que perder imenso tempo outra vez a ler de novo o artigo; não faz sentido!!). A sugestão do Gilmar que me parece muito interessante (que comunidade maravilhosa aqui  )e vou averiguar. Muito obrigada!!

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