Duas meditações para ter mais foco no dia a dia

34
6857

A prática da meditação faz parte do meu cotidiano.

Se você está chegando por aqui agora, talvez queira saber que eu sou budista e já medito há cerca de dez anos. Essa prática me traz benefícios diariamente, tanto imediatos quanto de longo prazo, e eu sempre busco novas maneiras de fazer essa atividade e adequá-la à minha vida.

Os quatro valores do Vida Organizada são: coerência, autonomia, personalização e compaixão. Portanto, eu acredito que um dos maiores fatores de sucesso nas diversas práticas (incluindo a meditação) é que a gente possa personalizá-las de acordo com as nossas necessidades de vida e de alma.

No caso da meditação, eu costumo realizar meditações ao longo de todo um dia, sempre que sinto vontade e/ou necessidade. Especialmente meditações respiratórias, que me ajudam a acalmar a mente e reajustar o foco.

Mas tenho realizado diariamente dois tipos de meditações que gostaria de compartilhar com vocês.

A primeira é a meditação que faço logo ao acordar, antes mesmo de sair da cama. Durante cerca de 3 a 5 minutos, eu me sento na cama mesmo, fecho os olhos, começo prestando atenção na minha respiração para me concentrar, e então começo a pensar em como gostaria que fosse o meu dia.

Eu visualizo as atividades que terei e penso em maneiras de ser feliz e aproveitar todas elas da maneira mais apropriada. Também penso em sentimentos que quero despertar, ações positivas com relação às pessoas e em como quero me sentir ao final do dia. Uma espécie de visualização para o sucesso mesmo.

Também aproveito para agradecer por ter acordado para mais um dia e por todas as coisas que eu sinto vontade de agradecer, que podem ter acontecido no dia anterior, ou por alguma oportunidade que terei no dia que está começando etc.

Essa simples e rápida meditação me ajuda a desenvolver um foco adequado para o dia e o fato de fazê-la ainda na cama, porém sentada (senão eu durmo de novo!), me ajuda a não entrar em um estado de correria e ajustar o foco para começar o dia da melhor maneira possível.

Não preciso acordar mais cedo ou em um horário específico para fazer essa meditação. Assim que eu acordo, eu a faço.

A segunda meditação que tenho feito diariamente é uma meditação de “revisão”.

Não existe exatamente um horário fixo em que eu prefira fazê-la, apesar de que, de noite, me pareça o ideal (nem sempre dá, pela rotina em casa). Pela minha experiência, ao final de um dia de trabalho funciona bem, assim como antes de dormir. O propósito desta meditação é, em primeiro lugar, acalmar a mente e, depois, avaliar como foi o meu dia.

Eu simplesmente me sento confortavelmente, fecho os olhos, tento me acalmar através de uma meditação respiratória simples (presto atenção na entrada e saída de ar pelo meu nariz) e, quando me sinto concentrada o suficiente, penso em como foi o meu dia. O foco está mais na maneira como eu me senti e na análise de como me portei. Se perdi a paciência com alguém, se usei um tom indecoroso em alguma conversa, se eu poderia ter sido uma pessoa melhor, de alguma maneira. Também reflito sobre possíveis aprendizados.

Essa é uma meditação simples, que leva alguns minutos (deixo livre, sem contar no relógio), mas que me ajuda a fazer uma reflexão sobre o meu dia, me perdoar caso eu tenha feito algo que não tenha sido muito legal, mas fazendo ajustes mentais para não cometer o mesmo erro no futuro.

São duas meditações realmente muito simples, que não me tomam tempo algum – pelo contrário, me ajudam a ter muito mais foco, e eu espero de verdade, ao compartilhar com vocês, que elas possam ser úteis de alguma maneira. Se você tentar alguma delas, poderia deixar um comentário neste post contando como foi, por gentileza?

E mais: caso você pratique meditação diariamente, e quiser compartilhar suas percepções com relação ao seu foco, fique também à vontade. Creio que essa discussão seja muito rica a todos nós. Obrigada.

34 comentários

  1. Thais, bom dia! Eu tentei algum tempo iniciar a prática de meditação, mas me senti muito agitada, não conseguia me concentrar. Acabei desistindo mas é algo que eu gostaria de praticar. A rotina da minha casa também não ajuda muito: assim que eu acordo meu esposo e filho acordam juntos, quase não tenho tempo sozinha (tenho tempo livre na parte da tarde, mas não me sinto à vontade para meditar nesse horário, também estou muito agitada). Amei saber os dois tipos de meditação que você faz e vou tentar implementar.
    Obrigada por compartilhar seu cotidiano! Beijos.

    • Oi Elaine! Começar a meditar não é fácil, pois é realmente tentar tirar essa agitação da cabeça. Esvaziar a mente. Estar presente naquele momento e prestar atenção em que está a sua volta. Então, como já estamos acostumados a “agitação” a mente o tempo todo nos manda alarmes. Eu tenho tentado meditar há uns 2 anos. Mas dessa forma de respirar ou de silenciar sentada, etc, vi que não se encaixa na minha vida. Mas ao tentarmos analisar nossa vida como um todo, ficar em silêncio conosco mesmas, já é meditar. Quando percebo, já estou meditando. Também sou muito agitada no dia a dia e a família tb acorda junto. Mas tente no banheiro, ao tomar banho, se atentar a água caindo, ao lavar o corpo, depois o cabelo… tente ao cozinhar… e vai tentando. Ainda quero conseguir fazer essas que a Thais propôs, mas é dificil… um exercício proposto por ela era o que não pegar o celular logo de cara ao acordar, e tenho conseguido… celular só depois de tudo pronto e já encaminhado. E tem dado certo, tudo flui.

  2. Fazia meditação quando tinha 17 anos, agora com 28 tenho mais dificuldade. Sinto que em parte concentrei mais a minha mente em estar no celular, como um fuga das pressões pessoais de coisas que “tenho” que fazer, mas não sei por onde começar. O julgamento em minha mente também é persistente, então o celular é mais uma fuga da realidade.
    Estou tentando me distanciar de redes sociais como Instagram e sinto que a meditação pode ser uma forma de me trazer pro momento presente, pras demandas só que de uma forma mais calma.
    Achei sua meditação ótima pois traz uma sensação de perdão próprio sem distanciamento dos problemas (meditação noite) e um acolhimento de si mesmo para um dia feliz e com mais significado (meditação dia).

    • Ah, como eu te entendo rs… tenho que me policiar para não usar o celular como “anestésico” de dores emocionais. Desligar ao menos o wifi e usar relógio de pulso (não preciso olhar o celular para ver que horas são) tem em ajudado nessa batalha.

  3. Olá Thais, achei seu texto muito interessante, como sempre! Normalmente se pensa em meditação como algo que precisa de lugar e hora específicos, com ambiente totalmente preparados, muito legal você ter compartilhados essas ideias de que não é preciso uma hroa nem local exato para a meditação, basta uma intensão, um foco, um “porquê”.
    Sou católica e pratico um tipo de meditação semelhante a sua, só que baseada na oração do terço bizantino, mas também procurando acalmar a mente prestando atenção na entrada e saída de ar (isso aprendi com o Tai Chi e a Yoga), sempre antes de dormir e em sido ótimo para me ajudar a lidar com a depressão e um tipo de fobia. Tive contato com o budismo através de uma amiga e com o zen budismo através de livros e internet. Aprendi outros métodos de meditação e penso que todos são super válidos. Pra dizer a verdade, gostaria de praticar a meditação com mais fequência, mas isso vou adequando aos poucos. Vou experimentar estas que você comentou.
    Abração

  4. Pra quem quer começar a meditação mas tem dificuldades de concentração e tal, sugiro meditações guiadas. Tem vários canais ótimos no YouTube, um dos meus favoritos é o Yoga Mudra. Começei com ele e agora já consigo meditar sozinha.

  5. Oi Thais,
    Eu pratico há vários meses a meditação ao acordar. Diferente de você eu coloco um alarme 15min antes da hora que preciso acordar para poder ajustar meus sentimentos e pensamentos em relação ao dia. Já se tornou uma prática tão constante para mim que no momento que tenho consciência ao acordar, já acordo agradecendo. Para mim o sentimento de gratidão é algo muito forte que sempre faz com que eu foque no que é importante para mim. Não importa o quanto esteja estressada ou desregulada emocionalmente, se eu trouxer pensamentos de gratidão meu mood muda.
    Eu agradeço pelas pessoas na minha vida, pelo que eu já conquistei, porque hoje vivo o sonho que tinha lá atrás (isso eu tirei do seu livro Trabalho Organizado 🙂 ).
    Isso faz minhas manhãs começarem completamente diferente. Eu costumava acordar com um mau humor terrível, eu era super grossa com meu marido, depois me sentia super mal.
    Mudou completamente a forma que eu inicio meu dia agora, minhas atitudes, meus pensamentos e meu estado de espírito.
    Vou praticar agora esse outro de resumo do dia 🙂
    Beijos

  6. Adorei a ideia dessas meditações mais curtas e avaliativas. Sou cristã e algumas pessoas não vem os benefícios que essa prática pode trazer, nem a possibilidade de adaptação à nossa fé.
    Vou experimentar.
    Obrigada por compartilhar.

    • Ana Paula, entendo sei dilema. Porém, lembre que observar a mente e refletir sobre a vida também é um ato cristão.
      Sentar e prestar atenção na respiração não é algo que contraria a sua fé.
      Ao contrário. Pode usar isso como foco para fortalecer a sua fé.

    • Quando eu era evangélica, eu percebi que a própria oração era uma forma de meditar; eu ‘elevava’ meu pensamento, entrava em um nível de concentração tremendo para falar com deus, e sempre fazia isso com muita calma, respirando bem e tentando me preencher do amor divino. Chegava a ficar até com o corpo quente, era uma sensação muito boa. Tenta entrar nesse modo de concentração quando for orar, faz um bem danado <3

  7. Ei, Thaís; eu medito logo quando acordo, geralmente seleciono uma meditação guiada do YouTube ou mesmo o Hoponono. Sinto.me muito bem quando tenho essa prática, pois não só mais disposta para o dia, como reflito sobre temas específicos: serenidade, empatia, determinação, perdão, etc. Se acordo em cima da hora para ir ao trabalho, aí não consigo meditar e realmente nesses dias noto.me muito mais ansiosa. A noite, recentemente tenho utilizado para escutar algum vídeo já com os olhos fechados sobre temas que noto que estou tendo dificuldade naquele momento em minha vida, por exemplo: motivação, assertividade, disciplina, foco, relacionamentos, dentre outros. Quando mais nova, eu costumava uma meditação diferente, escrevia sobre o meu dia, as dificuldades, as angústias, as incertezas, isso por meio do texto poético. Essa também era uma prática que me ajudava muito. Vou seguir essas duas dicas suas, quem sabe posso aprimorar mais. Um abraço e obrigada;

  8. Oi Thaís!

    Tentei praticar a meditação por algum tempo, mas vi que não era exatamente o que eu estava precisando no momento. A minha demanda atual é por mindset. Acho super importante acalmar a mente, mas antes disso preciso aprender a mudar a forma como encaro o que acontece comigo.
    Tenho estudado o assunto através de palestras no youtube, e futuramente lendo o livro Mindset, da Carol S. Dweck.

    Beijos!

  9. Ótimo post!
    Uma dúvida: quando você diz “prestar atenção na respiração, o que exatamente isso quer dizer? No som? Na sensação do ar na nas narinas? No abaixa e levanta do peito/barriga? Em tudo junto? Alternando? Ou vc escolhe um elemento?
    Obrigada 😄

  10. Thaís muito importante seu ensinamento sobre as meditações estava sem fazer tive um problema fisico de ansiedade estou sendo medicado o proprio médico me aconselhou as caminhadas procurar um grupo de N/A não deicar de cuidar da minha parte espiritual como tambem fazer diariamente mediações..abraços josr maria

  11. Que maravilha! Adorei
    Inicie a prática de meditação depois de ter lido O Milagre da Manhã, no índio desse ano. E faço exatamente assim, ao acordar, sentada na cama. Que diferença no meu dia. Tive bastante dificuldade em fazer minha cabeça silenciar e se concentrar rsrsrs Mas aos poucos estou melhorando.

  12. Fazer afirmações positivas, visualizar o que queremos para o dia e relembrar com gratidão do que ocorreu, tudo isso conduz nosso estado mental/emocional.
    Legal trazer a simplicidade de fazer isso sem anotar e por poucos minutos. Facilitando o processo como mini hábito e com regras simples.

    Tenho me aprofundado no tema. Nossa mente é o ponto de partida para tudo.

  13. Oi Thais, oi pessoal!

    Eu sempre quis praticar a meditação, mas não conseguia efetivamente incluir na minha rotina.
    Até que conheci um aplicativo de celular que me ajuda muito, tanto na prática em si, quanto na rotina.
    https://insighttimer.com/
    O Insight Timer tem opções para quem tem pouco ou bastante tempo, com vários objetivos e ainda é em inglês, o que me ajuda na prática do idioma.

    Abraços!!

  14. Oi Thaís, comecei a meditar a pouco tempo.
    Tinha um pouco de preconceito porque achava que tinha que ser uma coisa atrelada a uma religião específica.
    Eu percebo que
    uma pausa ao longo do dia tem um efeito excelente, e achava que era errado. Achava que o meditar tinha que ter lugar, luz do sol ao amanhecer, incenso e tals.
    Muito bom você compartilhar. Só tenho a agradecer. Meu sono melhorou.
    Se eu sei que terei algum desafio durante o dia, a meditação me põe no eixo. Não tenho técnicas nem.posicao especial. Mas sinto os benefícios.

  15. Oi Thaís!

    Parece que você adivinha o que estou precisando… Todo dia acordo e fico sentada pra não voltar a dormir novamente, agora vou tentar fazer a meditação conforme você falou porque encaixa na minha rotina matinal e com o que preciso desenvolver agora que é o foco. Ando lendo tantas coisas sobre desenvolvimento pessoal, finanças, rotinas, hábitos etc e é impressionante como tudo se casa com o que você fala, inclusive com o gtd sobre planejamento e propósito. Nunca encontrei tanto sentido nas coisas que você escreve e no que leio (aliás estou lendo todos os seus livros e o do GTD). Cada vez mais tenho certeza que o GTD e a organização no sentido que você coloca é o que quero e busco e estou implantando na minha vida. Estou organizando a minha vida e você está atingindo o propósito do Vida Organizada. Muito obrigada!!!

  16. Olá Thais,
    Inclui a meditação em minha vida no início deste ano, quando decidi minhas 5 prioridades para 2018. No início tive uma certa dificuldade em encontrar uma forma de meditar. Tentei a meditação guiada e não gostei, baixei um aplicativo e tentei a meditação por respiração…tive tonturas. Foi quando li o livro Ponto de Equilíbrio onde a autora explica a Meditação da bondade amorosa. Meu encaixei perfeitamente!! E desde então, tenho praticado a meditação diariamente. Gostei muito das duas meditações citadas por você neste post. Eu sempre aprendo contigo.Obrigada!!

  17. Já tentei praticar a meditação budista/mindfulness, mas simplesmente não consegui. Ficava agoniado em pouco tempo. Algumas vezes consegui ficar cerca de 10′ e senti-me entrando num túnel de vento. Como já tive a mesma sensação no começo de frequentes episódios de paralisia do sono, fiquei com medo e parei de vez. rs.

    Tem uma meditação guiada que gosto bastante, que é a do livro Mindfulness, mas não uso com frequência. Acho que deveria começar a usar para dormir, já que me relaxa bastante…. vou ver o que faço!

    Mas tem um tipo de meditação que gosto bastante, que é a Pranayama. Faço em qualquer posição (sentado ou deitado) e não sigo a respiração por cada narina (tenho desvio de septo =/) , mas sigo certinho os tempos da respiração (inspirar/reter/expirar/suster). Consigo ficar mais desperto ou relaxado dependendo de qual ‘série’ estou fazendo. Recomendo.

  18. Nossa Thais, que ideias excelentes! Hoje mesmo já começarei pela de avaliação. Eu comecei há poucos dias a meditar pela manhã, fico pouco tempo e é bastante custoso, mas é um hábito maravilhoso que quero muito consolidar. Tentarei dessa forma, para não perder o estado que fico quando termino de meditar!

  19. Olá Thaís! Eu pratico meditação de forma mais regular desde o começo de 2017, quando tive a oportunidade de participar de um retiro de meditação no Centro Kadampa, em Cabreúva. Depois aprendi a meditação Zazen, que procuro praticar com regularidade. Recentemente, fiz um curso intensivo de meditação vipassana de 10 dias, no interior do Rio. Foi uma experiência intensa e, ao mesmo tempo, extenuante: por 10 dias vivemos uma vida de clausura, com todos os votos de um monge budista (inclusive voto de silêncio por 9 dias!). Acordávamos às 4 da manhã e meditávamos cerca de 9 horas por dia, sem contato com o mundo externo (os celulares, e mesmo livros ou qualquer material de escrita, devem ser entregues quando se chega). Não podíamos ler qualquer coisa, ouvir música ou conversar. Nos primeiros dias, mal conseguíamos firmar a coluna por vários minutos e sentíamos muitas dores (só no 5º dia é que começamos sentar eretos por mais tempo). Mas como valeu a experiência! Pude colocar muita coisa em sua real perspectiva na minha vida, sem os intermináveis inputs do dia-a-dia. E a sensação após meditar tantos dias de forma tão intensa era inebriante. Uma paz e um bem-estar inexplicáveis (e que, infelizmente, não duram muito quando se volta para o mundo real) 🙁
    O curioso é que, depois que voltei, senti uma queda na regularidade da meditação convencional (sentado no zafu). Estou voltando aos poucos, mas estou usando uma estratégia que, ao meu ver, é bem eficaz: aproveitar meus minutos dirigindo no trânsito para me concentrar na respiração e prestar toda a atenção possível no que faço. Pode parecer bobagem, mas isso me rende mais de uma hora de meditação por dia durante um período em que eu costumava apenas remoer e me estressar. Hoje, quando alguém me fecha no trânsito, sinto o coração disparar e a raiva subir, mas ao contrário de antes, ela simplesmente se dissipa em segundos…

Deixar uma resposta

Por favor, insira seu comentário
Por favor, insira seu nome aqui