Categoria(s) do post: Carta da Editora, Equilíbrio emocional

Hoje é o meu aniversário. Completo 37 anos de vida. 37 é quase 40. A vida passa.

Dentro da minha “timeline de 100 anos” (otimista), eu estou quase na metade. Nessa mesma timeline, eu me considero na fase de “construção”, ou seja: estou em um período da minha vida em que já descobri bastante coisas sobre mim, sobre o que gosto e não gosto de fazer, e agora estou construindo todas essas coisas com mais certeza do que eu quero para mim. É tempo de trabalhar, efetivamente construir esse estilo de vida que, na próxima fase, vou apenas consolidar.

Parece que passou rápido esse um ano desde que eu escrevi o texto sobre os 36. Mas, olhando em perspectiva, o que aconteceu nesse último ano mudou a minha vida completamente. Foram dois os grandes marcos: primeiro, sem dúvida alguma, a morte da minha avó. Segundo, nossa mudança para o meu bairro de nascença aqui em São Paulo, que fizemos para ficar mais perto da minha avó na velhice dela e também para que pudéssemos viver em um lugar que tenha mais a ver com o nosso próprio estilo de vida.

Nas últimas semanas, estive muito envolvida com uma nova certificação que estou tirando, que é a do GTD Nível 3: Foco & Direção. Para quem está chegando por aqui agora, GTD é o método de produtividade que uso desde 2006 e que me tornou a apaixonada por organização que resolveu criar este blog.

Um dos exercícios que eu fiz durante o dia do curso me fez ter uma percepção profunda sobre o meu papel no mundo e como eu me sinto de verdade após a morte da minha avó. Estou contando tudo isso para exemplificar como me sinto aos 37 anos.

Eu cresci com a minha avó e, durante a adolescência, fui morar com ela. Ela foi como uma mãe para mim. Durante toda a minha vida, sempre que eu me sentia com alguma dificuldade, eu me voltava a ela. E ela estava sempre ali. Era o meu “porto seguro”, por assim dizer. Quando algo acontecia, eu sempre pensava “preciso conversar com a minha avó”. E aí ela morreu. O que é completamente esperado, porque é isso o que acontece com nós, humanos.

E toda essa “crise existencial” que eu sofri depois da morte dela começou a fazer sentido para mim no momento em que eu percebi que agora a mãe da família era eu. Essa foi a minha percepção lá no dia do curso. Um momento de epifania.

Que, não só para o nosso filho, mas para a família inteira, eu agora tinha me tornado a matriarca. Preciso cuidar da minha família, da minha mãe, das minhas sobrinhas, de todas as pessoas. Eu sou essa pessoa que precisa ter esse cuidado quando todos os outros estiverem desamparados – como a minha avó fez a vida inteira.

Eu me senti tão emocionada quando percebi isso fazendo alguns exercícios no dia do curso que meus olhos se encheram de lágrimas. Eu comecei a me sentir melhor imediatamente, com relação à tudo, ao mesmo tempo que entendi de cara qual é a minha responsabilidade. Essa real percepção mudou completamente a minha relação com tudo e com todos desde aquele momento, e tudo tem mudado desde então.

Quem me acompanha pelo blog pode achar que é “notícia velha” uma pessoa que goste de organização se tornar a matriarca da família. Mas para mim não era. Eu era a filha. Agora sou a mãe. Antes eu não era porque o lugar não estava vago. Simples assim.

Como eu me sinto chegando aos 37 anos? Nem um pouco com o sentimento de “estou ficando velha”, mas sim com o sentimento de que virei realmente adulta. Chega de medinhos sem cabimento e inseguranças a respeito de um futuro que é certo. Existem coisas que precisam ser feitas, e eu sou a pessoa que deve fazê-las ou, pelo menos, coordená-las.

Tudo isso combina com a entrada de um ano 9, na numerologia pessoal, que significa que é um ano em que eu vou analisar com muito amor e carinho tudo aquilo que quero manter e aquilo que não quero manter em minha vida. E essa percepção vai me ajudar a levar para o ano 1, o ano que vem, toda essa nova fase que vem se desenhando.

É incrível como até as outras pessoas se relacionam comigo de forma diferente depois dessa minha “mudança de mindset”. De fato, quando a gente muda, a gente muda o nosso mundo.

Acho que esse é o maior aprendizado que posso trazer neste post aqui para vocês.

Sigamos.