Mapas mentais para pesquisa acadêmica

Continuando um pouco o assunto do post de ontem, sobre as minhas pesquisas atuais, achei que seria uma boa compartilhar como estou organizando essa produção de pensamento. O modelo preferido no momento é o de mapas mentais. Neste caso, prefiro fazer online, na ferramenta Mind Meister, que à mão.

Eu basicamente criei uma pasta “Pesquisa Acadêmica” nela e, dentro, insiro os mapas com as pesquisas que estão em andamento.

Eu já mostrei um pouquinho como funciona cada mapa, mas a ideia é que ele me ajude a estruturar o pensamento para escrever o artigo ou montar a apresentação depois.

Eu uso o template de “brainstorm” oferecido pela própria ferramenta, que tem esse formatinho com a nuvem no centro, que eu acho fofo.

Bem, a maneira de “tocar” esses projetos é aquela de sempre: tenho os projetos listados em uma lista de projetos no Todoist, reviso semanalmente e garanto que todos tenham seu status atualizado e ações definidas para que andem nos próximos dias.

Os mapas mentais são materiais de suporte a esses projetos e vou trabalhando neles à medida que vou estudando, lendo, criando, escrevendo, avançando, recebendo orientações e realizando ações diversas relacionadas. Também tenho dias em que abro o mapa e fico estudando para elaborar novas conexões. É bastante dinâmico, fluido e livre.

Planejando o doutorado

Queridos leitores. O blog ainda está em manutenção e está instável. Vou arriscar postar este texto para fazer um teste mesmo, mas peço paciência durante mais alguns dias. O suporte está mexendo no servidor, para só depois podermos fazer alterações na parte visual. Sabemos todos os problemas que estão ocorrendo no momento, portanto não precisa comentar. 😉 Agradeço a compreensão.

Eu terminei o meu mestrado este ano. Tive a imensa sorte de defender a dissertação poucos dias antes de entrarmos em quarentena. A versão final depende de alguns documentos que a faculdade precisa me enviar, que depende dos professores e, como todos estão em quarentena, está em aguardo. Mas já me formei como mestre em Comunicação (pela Cásper Líbero) e, por isso, simplesmente estou em aguardo para entregar o que falta e finalizar definitivamente esta etapa. Você pode ver outros posts sobre o mestrado aqui no blog usando “mestrado” no campo de busca.

A escolha por fazer ou não um doutorado nasceu de refletir sobre o meu propósito de trabalho, em especial referente à vida acadêmica. Pensar: eu realmente quero isso? E sim, eu realmente quero fazer um doutorado. Acredito que seja uma etapa importante de amadurecimento profissional, como pesquisadora, e que isso será muito importante para a credibilidade que também venho construindo na área em que atuo.

Um doutorado leva de 36 a 48 meses para ser feito. Eu não costumo fazer coisas na minha vida para “ter um título” ou para apenas curtir a minha vida “depois que eu me tornar doutora”. Eu gosto de curtir o processo em si. Para mim, planejar o doutorado é tão divertido quanto planejar uma viagem de férias – já começo a me empolgar antes mesmo da coisa toda começar oficialmente. Mesmo porque, a pesquisa começa antes. Tem muita coisa a ser feita antes de começar, até mesmo para otimizar o tempo em que abre uma contagem regressiva que é finalizada com a defesa da tese.

Para mim, mais importante do que entrar logo no doutorado ou ter o diploma de doutora, é eu ter certeza do que quero pesquisar nesse curso. Sei que essa certeza tem um certo nível de variação, pois a pesquisa se transforma à medida que ela acontece. Mas, porque serão três ou quatro anos, eu quero escolher algo que, hoje, eu tenho certeza que quero pesquisar. Já vai ser difícil pacas passar por esse processo com um assunto que eu goste.

Vale dizer que o doutorado também apresenta outros desafios para mim. Primeiro, e principal: dinheiro. Quero fazer doutorado na PUC-SP, e a mensalidade é pesada para mim. Segundo: tempo. Fazer um doutorado significa alocar um grande espaço de tempo na agenda para cumprir os créditos, estudar os materiais e efetivamente cuidar da sua pesquisa. Mas essa parte eu sei como é e sei como encarar (pelo menos imagino).

Eu também já coloco na conta do doutorado a mensalidade da terapia porque o tema que estudo é pesado e sei que vou precisar, como foi fundamental durante o mestrado. Por exemplo, em uma fase da minha pesquisa, eu deletei meu What’sApp para fazer algumas experiências. Até hoje eu sou “acusada” de não responder mensagens nessa época. Muitas pessoas levaram esse meu experimento para o lado pessoal. A terapia me ajudou demais nesse processo todo, e estudar no doutorado certamente vai levar pelo menos caminho. Existe algo na vida acadêmica que gera essa condição sensível de saúde mental e, por isso, eu acho fundamental levar esse tratamento em consideração.

Outro aspecto interessante de citar é que, antes de me decidir pelo doutorado, eu estava em dúvida se deveria fazê-lo ou fazer uma nova graduação (Psicologia). Eu não tenho dúvidas de que amaria cursar Psicologia. Eu gosto de tantas áreas e me interesse por tantos setores desse campo que uma graduação cairia muito bem. E sim, não tirava completamente do radar a possibilidade de trabalhar atendendo clinicamente no futuro. No entanto, eu tenho uma visão sobre a linearidade acadêmica, que é a seguinte: eu já tenho uma graduação. Posso continuar me capacitando para avançar como pesquisadora (fazendo mestrado, depois doutorado, por exemplo) e, em paralelo, ir estudando o que eu quiser, no que chamo de universidade pessoal. Logo, trazer esse princípio de novo me fez decidir pelo doutorado em vez dos cinco anos de uma nova graduação em Psicologia.

Como eu me organizei para fazer esse planejamento então

Usei três ferramentas essencialmente:

  • Caderno e caneta, para rabiscos, anotações e planejamentos;
  • Mind Meister, para criar um mapa mental e organizar todas as informações referentes ao doutorado;
  • Evernote, onde criei uma tag (etiqueta) para guardar textos e artigos relevantes sobre o processo do doutorado em si (assim como links e outros).

A coisa toda começa no caderno porque todos os dias eu escrevo como se fosse um diário, coletando pensamentos, ideias, como me sinto, insights, ou dissertando sobre algum tema, assunto ou projeto que esteja na minha mente no momento. Muitas vezes, escrevi sobre o doutorado. Tudo isso leva tempo, meses, de ponderação e contemplação. Em algum momento, escrevi mais, tive mais assertividade nos meus pensamentos, e pude definir ações a partir dali.

Pesquisei muito nos últimos meses até mesmo para entender se continuaria em Comunicação (sim!) e que instituição tinha a linha de pesquisa que eu gostaria, o quadro de professores etc. Então eu até que avancei bastante nesse meio tempo, mesmo que em teoria eu não tivesse planos de ingressar este ano (eu havia decidido no ano passado que usaria o ano de 2020 para esclarecer esse projeto para mim, o que está acontecendo mesmo).

A questão da mensalidade pega muito e, em tempos de pandemia, sendo autônoma etc, em determinado momento eu escrevi no meu caderno:

“Realmente eu acho que não cabe um doutorado na minha vida no momento. Posso esperar mais um semestre e, por enquanto, ir formatando o pré-projeto e pensando exatamente o que quero estudar, a metodologia, para fazer o curso em 36 meses.”

Vale dizer que eu tenho sim um projeto chamado “Esclarecer como pretendo fazer o doutorado”, que está na minha lista de projetos, e é apenas uma frase que me lembra que está em andamento e, na Revisão Semanal, preciso definir ações claras para dar andamento.

Uma dessas ações foi entrar em contato com a instituição para saber sobre a política de bolsas, especialmente nesse momento de pandemia. E foi bem legal a resposta deles, porque me abriu a mente para outras possibilidades. Basicamente, eles responderam sobre a tristeza que está atualmente o Ministério da Educação e a política de bolsas, mas que de modo geral todos os doutorandos entram pagando mensalidade normal e, se o projeto for bom e sólido, eles têm mais chance de conseguir bolsa a partir do segundo ou do terceiro semestre. Isso me deixou um pouco mais animada porque pensar em um primeiro semestre de mensalidades é uma coisa, um segundo é outra, etc etc, e eu posso ir vivendo um semestre de cada vez em vez de pensar no montante das mensalidades.

Eu também posso elaborar estratégias para conseguir esse dinheiro, que seja através de um trabalho na área acadêmica, como professora, cuja remuneração eu use exclusivamente para o doutorado, entre outras iniciativas. Já saí daquele lugar nebuloso e escuro de “puxa, não sei se consigo me comprometer com esse valor mensal”.

A coordenadora da pós-graduação também respondeu meu e-mail de forma muito legal e cuidadosa e me deu dicas valiosas, tais como:

  • foque em elaborar um bom projeto de pesquisa porque ele vai ajudar não apenas na aprovação como depois para requisição de uma bolsa;
  • explore o corpo docente para escolher um possível orientador e vá trocando ideias com ele nesse meio tempo, para ele até te ajudar com o pré-projeto.

Uh, eu fiquei muito empolgada com essas orientações porque elas foram me direcionando ainda mais naquele projeto que eu já tinha de esclarecimento do doutorado como um todo! 🙂

Confesso para vocês que seria muito interessante entrar nesse segundo semestre no doutorado, porque em tempos de pandemia e quarentena, eu teria mais tempo para estudar e me dedicar à pesquisa. Mas eu também não tenho interesse em fazer nada com pressa. Não me custa nada esperar outro semestre. Vamos ver! Estou exatamente nesta fase de definição.

Para ajudar, criei então um mapa mental como suporte a esse projeto lá no meu Mind Meister, onde pude iniciar o Modelo de Planejamento Natural e organizar informações que eu já tinha, como referência.

No Evernote, muito simples: apenas criei uma etiqueta chamada “doutorado” e fui agrupando ali dentro as notas relacionadas. URLs importantes da universidade e do processo seletivo, anotações particulares minhas a respeito do meu processo, informações sobre as linhas de pesquisa e disciplinas etc. Uso bastante o Web Clipper (extensão do Google Chrome que permite salvar informações e sites da web diretamente no Evernote) para ir acrescentando páginas da web, ou tiro fotos com o próprio app no celular para enviar anotações minhas feitas no caderno, por exemplo. Como o Evernote armazena por ordem cronológica (de criação das notas), depois é bem bacana ver o que tem guardado para ir mantendo ou deletando de acordo com a minha necessidade.

Meus próximos passos:

  • Trabalhar no pré-projeto, até mesmo para entender se eu já tenho clareza sobre o tema que quero pesquisar. Estou justamente nesse momento, então vai ser incrível trabalhar nesse documento, leve o tempo que for. Como eu falei, não me interesso apenas em ter as coisas prontas, mas em curtir o processo para concluí-las;
  • Analisar o corpo docente, ler sobre os professores, artigos publicados, para chegar a alguns nomes que poderiam ser meus orientadores;
  • Conversar com meu professor orientador do mestrado para insights e orientações adicionais, conforme apropriado.

Leve o tempo que levar, são meus próximos passos. Cuidar deles com carinho vai fazer com que o projeto vá se desenrolando e aconteça, neste ou no próximo ano (que era a ideia original – inclusive considerei esperar até 2022, se necessário, mas acho que não será).

Como se preparar para seminários acadêmicos

Em abril, eu escrevi um post contando como foi participar de um evento acadêmico, meu primeiro, apenas como ouvinte. E agora, em outubro, eu venho com este post dando dicas sobre como participar apresentando. Que ousada!

É claro que ainda tenho muito a aprender. Mas eu apresentei em dois seminários neste semestre, e me senti muito bem fazendo isso, o que significa que eu soube me preparar. Eu imaginei que, mesmo tão iniciante como pesquisadora, eu pudesse trazer algumas dicas para vocês.

Penso também que a minha experiência como professora e palestrante conte muito.

#DICA 1 – Abstraia da coisa de saber pouco ou muito. Eu sempre me senti o “cocô do bandido” quando eu comecei o mestrado. Parece que todo mundo sabe mais do que você. Depois de passada essa sensação inicial (que nunca passa de verdade, mas você se acostuma com ela), eu comecei a valorizar o que eu sabia, e mais ninguém. Toda a experiência que eu tinha com outras coisas, do mercado mesmo, e de vivência, de trabalhar com as pessoas de perto, e mesmo de estudo teórico. O que cada um sabe nenhuma outra pessoa é capaz de ter. Eu não devo me sentir diminuída por isso, muito pelo contrário. Devo assumir o que ainda não sei, mas valorizar o que já fiz. Esse “empoderamento” me ajudou pra caramba. No segundo seminário que apresentei, já me senti muito mais confiante, e acho que essa confiança faz toda diferença na forma como você se apresenta.

# DICA 2 – Valorize suas referências. O que conta no meio acadêmico são as referências que você tem. Não importa que você tenha poucas – se tiver uma, essa referência deve ser valorizada, mostrada, realçada. Quanto mais você estuda, mais referências terá. Essa é a vantagem do meio acadêmico – você se valoriza pelo seu estudo. No slide abaixo, retirado da minha última apresentação, eu coloquei os conceitos que queria apresentar, junto com as referências. Isso é maravilhoso, porque me ajudou a ser sucinta e também mostrar para as pessoas de onde vêm aquelas ideias.

# DICA 3 – Faça uma apresentação bonita. Me refiro aos slides mesmo. Pô, dá pra dar uma caprichada. Não precisa ser especialista em design – basta usar imagens bonitas, colocar poucos conceitos por slide (falarei sobre isso nas próximas dicas) e não encher de texto. E putz, não leia o slide. Isso é bem básico, mas eu vejo tanta gente apresentando em seminário e lendo. O cara vai prestar atenção em você ou no slide. Então o slide não pode “brigar” com você, entende? Isso foi algo que aprendi estudando sobre como fazer palestras, e vejo que se aplica super bem ao meio acadêmico, que ainda é meio viciado em algumas coisas, tipo essa.

# DICA 4 – Segmente a sua apresentação. Eu tenho um propósito para a apresentação, certo? Sim, certo. Quando você define os objetivos de um artigo, de uma dissertação, de estudo, é a mesma coisa, mas desta vez você fará para a sua apresentação. Parece bobo, mas não é. É importante mostrar por que você está apresentando aquilo, porque alinha as expectativas. Você mostra se é uma pesquisa preliminar, se já quer apresentar o resultado de uma pesquisa de campo, do que se trata, afinal. E, uma vez que você tenha um propósito (ou pode ser mais de um), você consegue segmentar a sua apresentação. Quando eu falo em segmentar, significa trazer uma ideia por slide.

Eu realizei uma apresentação falando sobre o fenômeno da Fórmula de Lançamento, do Érico Rocha, no YouTube. Eu dividi a minha apresentação da seguinte maneira:

  1. Capa
  2. Apresentação pessoal (quem sou eu, qual é a minha pesquisa, quem é o meu orientador, onde estou no tempo e no espaço acadêmico)
  3. Contextualização (neste slide eu coloco todas as referências que preciso citar para contextualizar o meu objeto – é o slide que mostrei ali em cima)
  4. Especificação da contextualização (se existir algum ponto específico importante a ser citado, eu crio um slide para cada conceito)
  5. Apresentação do objeto (um slide para apresentar o objeto, e você pode criar novos slides para apresentar coisas diferentes, dependendo do que está apresentando)
  6. Conclusões (um slide que traga as suas conclusões)
  7. Propósito e agradecimentos (eu deixei o propósito por último justamente para provar que o alcancei! e agradeço a galera, com meu e-mail para contato)

Esse “template” me ajudou bastante e pretendo manter para as próximas apresentações que fizer.

# DICA 5 – É ok ler alguns trechos. Não dos slides (nunca!), mas trechos dos livros e das referências gerais que você trouxer. As pessoas estão ali para isso, para aprender. Eu particularmente não gosto de ler, mas percebo que isso me dá segurança e me ajuda a apresentar melhor, dar mais credibilidade ao que eu estou falando. Talvez no futuro eu nem precise disso, mas por hora sim. Então peguei algumas fichas 5×8 e escrevi as referências que queria apresentar. Copiei trechos de livros, dados importantes, e levei comigo. Esse tipo de organização é legal.

# DICA 6 – Se ligue no tempo. Eu deixei o celular com o timer, o outro celular com a apresentação em PDF para eu saber que slide vinha depois do outro, e me planejei para falar um pouco em cada espaço de tempo disponível. Isso ajuda você a saber onde pode falar mais, onde pode exemplificar, e onde precisa ser mais sucinto. Controlar o tempo é fundamental.

# DICA 7 – Aprenda com bons exemplos. Não é importante apenas estudar o seu objeto ou as suas referências, mas se inspirar em professores e pesquisadores que falem bem, ou até em pessoas de outras áreas que você se identifique com o estilo de oratória. Eu leio vários livros de oratória, frequento eventos e gosto de ver palestras no YouTube. Sei que tudo isso pode parecer superficial no meio acadêmico, mas me ajuda MUITO, então quis compartilhar essa dica simples por achar que possa ajudar vocês também.

Ah, e sempre garanta backup das suas apresentações. Além de levar meu computador para revisar o Power Point, coloco um PDF da apresentação na “nuvem” e salvo em um pendrive. Dá uma certa segurança. 😉

Dica final: estude o máximo que puder. Leia, revise sua apresentação, releia suas anotações. E, a cada apresentação, traga mais referências e seja mais feliz.

Algumas dicas INCRÍVEIS dos leitores no Instagram (obrigada!):

E você, tem alguma dica que faz seus seminários acadêmicos serem melhores? Por favor, deixe um comentário. Obrigada!