Categoria(s) do post: Zettelkasten

ZETTELKASTEN é mais um daqueles termos que surgem e a gente fica se perguntando por que tem que ter tanta palavra em idioma estrangeiro fazendo aqui, falantes do português, ter que ficar se questionando o por que de usar termo gringo.

Mas o fato é que ZETTELKASTEN é um sistema de fichamentos para os “cracudos dos estudos”. Ou seja, não é pra todo mundo. É um sistema para quem ama estudar, fazer fichamentos, escrever, e não se importa de INVESTIR TEMPO nisso. Ou seja, se você considera “perda de tempo”, passa direto o post. 🙂

Trata-se de um sistema que te ensina a lidar com as suas IDEIAS. Notas que você cria a partir de uma produção intelectual. Ou seja, fez anotações sobre algum tema, de uma aula, a partir de uma leitura. Você aproveita suas anotações e vai registrando de modo que, quando precisar dessas anotações, é fácil de resgatar e agrupar. É sobre escrita e classificação dessa produção.

Eu aprendi sobre ZETTELKASTEN lendo o livro (não disponível em português) chamado “How to take smart
notes”. O criador do sistema, Niklas Luhman, atribui à sua criação o motivo para ter uma produtividade acadêmica que o permitir publicar 60 livros e mais de 400 artigos, ave Maria!

Pode fazer em papel (com fichas) e em ferramentas digitais, tipo Notion e Obsidian. O assunto é infinito.

Exemplo prático.

Você faz uma anotação. Essa anotação pode estar em uma ficha pautada ou em uma nota no Evernote, Notion ou Obsidian.

Imagina só que essa anotação se conecta a outra nota sua. A algo que você viu em uma aula, por exemplo. Você quer linkar essa nota nova a essa nota antiga.

Você tem que inserir o título da anotação e colocar a referência dela (ex: livro tal, página X).

Você deve escrever a ideia na nota. O objetivo é torná-la uma nota independente, ou seja: você escrever tudo sobre a ideia ali naquela nota, e não pedaços de uma ideia em várias notas. Se eu quiser criar um card sobre ZETTELCASTEN, por exemplo, vou descrever o que é ZETTELCASTEN em uma ideia única, e essa será a minha nota. Se eu quiser descrever o que é uma NOTA PERMANENTE, por exemplo, isso pode até ser relacionado ao ZETTELCASTEN, mas é uma ideia única diferente, que escreverei em outra nota, que possa relacionar à nota do ZETTELCASTEN. Entendeu?

A ideia não é copiar mas escrever com as suas próprias palavras. Quanto mais você se apropriar da ideia, melhor. Ou seja, você já vai criar uma produção intelectual em cima daquilo antes mesmo de “precisar” usar aquela ideia. Isso vai deixar produções prontas para quando você precisar efetivamente usá-las.

A ideia que você escreveu provavelmente está ligada a um tema. Por exemplo, ZETTELCASTEN está ligada ao tema “estudos”. Pode ter mais de um tema.

Se por acaso a nota que você criou é subsequente a uma ideia, você pode inserir essa referência nela. O mesmo vale para quando houver notas na sequência, depois dela, já criadas, e que você quer criar esse link. As notas também podem estar relacionadas sem necessariamente pertencerem a uma sequência. Apenas estão conectadas.

É um modo de vida, na verdade, mais do que um método. O que, para mim, é o_critério para saber se um método é bom ou não. Ainda pretendo escrever mais sobre isso porque, depois de tempos estudando, finalmente sinto que incorporei. Mas precisava deste primeiro post introdutório até para ficar como referência em textos futuros.

Você gostaria de saber alguma coisa sobre o método Zettelkasten?

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18 comentários

  1. ADRIANO comentou:

    Li o livro, vi alguns vídeos, como da Andrea Faggion, tentei de verdade usar o Obsidian, mas não vingou. Eu gosto demais dos backlinks desses apps, mas eu sou uma pessoa do tipo librarian, então o Evernote combina melhor comigo – a única coisa que sinto falta mesmo são os backlinks.

    Já faz um tempão que estou enrolando de criar as MOCs (Maps of Contents), como aprendi com o LYT. Outra coisa que percebi é que o Obsidian é basicamente uma wiki pessoal, o que pode ser bem legal para quem quer CRIAR conhecimento, mas não me pareceu o ideal para quem quer SEDIMENTÁ-LO.

    1. Larissa Andrade Vieira comentou:

      Fiquei interessada nessas dicas suas. Minha mente é uma caixa de devaneios. Sempre digo que gostaria de poder ter algo conectado a ela que ponha tudo para fora e que eu possa sempre acessar de forma segura.. rsrs por favor, se tiver dicas de leituras para eu me reiterar desse processo e tentar aplica-lo, fico grata.

  2. Mariella comentou:

    Sim! Tenho interesse em aprender mais sobre esse assunto. Já vi alguns vídeos do youtube, mas achei difícil de implementar.

  3. Camila Lacerda comentou:

    Super interessada! Sempre me parece que minhas notas e fichamentos ficam “perdidos”.

  4. Julia Garani comentou:

    Exemplos! 🙂

  5. Natália comentou:

    Achei bem didática sua explicação, Thais, obrigada por ela.
    Já li o livro, estava no final do mestrado, já escrevendo a dissertação, e me prometi que voltaria ao tema quando fosse me preparar pro doutorado.
    Gostaria de saber como implementar no Notion, para poder juntar a outras coisas armazenadas por lá.

  6. Stephanie comentou:

    Amei saber que tem um nome pra isso, sempre tentei praticar e aperfeiçoar minhas anotações, mas tenho algumas dificuldades. Se você estiver usando o Notion seria legal ver um post com dicas 🥰

  7. Renata P comentou:

    Esse método me lembra muito o formato de estudo que o personagem Ben usa com os filhos em Capitão Fantástico. hahah

  8. Verônica de Jesus Gonçalves comentou:

    Sim! Adoraria saber desse método. Li em no post *como escrevi um artigo acadêmico em menos de 2 horas*, você mencionou “anotações literárias”, acho que foi isso.
    Thaís, sou muito fã do seu blog, das suas dicas, dos seus vídeos. Espero um dia poder fazer o seu curso (:. Amo suas dicas de livros também!

  9. Carolina comentou:

    Adorei! Fiquei curiosa para saber mais sobre o método. Uma pena não ter este livro em português ainda.

    Gostaria de exemplos para visualizar melhor a ideia.
    Obrigada pelo conteúdo, Thais! Sempre sendo valiosíssimo!

  10. Larissa Andrade Vieira comentou:

    Fiquei interessada nessas dicas suas. Minha mente é uma caixa de devaneios. Sempre digo que gostaria de poder ter algo conectado a ela que ponha tudo para fora e que eu possa sempre acessar de forma segura.. rsrs por favor, se tiver dicas de leituras para eu me reiterar desse processo e tentar aplica-lo, fico grata.

  11. Ana Maria Dias Gomes comentou:

    Eu agradeço muito por tudo o que você escreve. Sempre tiro muito proveito do que você posta com suas ideias e dicas para um estudo e melhor organização de vida. Continue sempre. Você é maravilhosa!! Grande abraço.

  12. ADRIANA Corrêia comentou:

    Sim tenho muito interesse em aprender sobre esse tema.

  13. Juliana Garcia Sales comentou:

    Isso é maravilhoso! Me lembra o rizoma de Deleuze e Guattari.

  14. Flávio Valle comentou:

    Thais, boa noite!
    A partir de seu artigo busquei outras fontes sobre o método e observei que ele atende a minha demanda de estudo e trabalho. Muito obrigado por me apresentá-lo.
    Enquanto pesquisava, percebi que o Zettelkasten e o GTD tem princípios semelhantes: anotar, processar, revisar e executar/escrever.
    Fiquei curioso para saber se você percebeu essas semelhanças e se você acha possível conjugar os dois métodos em um estilo de vida.
    Atenciosamente

    1. Acredito que todos os métodos de produção de conhecimento tenham os mesmos procedimentos. 😉

  15. Míriam comentou:

    Oi, Thais! Sim, eu gostaria de aprender mais sobre esse método!