Um dia eu fiz o exercício de pensar o que eu levaria se fizesse uma mudança de continente. Hoje, com o planejamento real para que isso aconteça nos próximos anos, eu já comecei um movimento para compreender o que vai ficar aqui (no Brasil) e o que pretendo levar comigo. Eu não tenho grandes apegos a nada, nem aos meus livros. No entanto, é fato que eu sou professora e pesquisadora, e continuarei sendo. E precisarei ter muitos livros comigo além dos que comprarei ainda pelo resto da vida. Por isso, iniciei um projeto de edição da minha biblioteca, vendo o que consigo ter no Kindle e o que vou ter que levar na versão física. Sim, eu já cheguei a pesquisar preços de contâiners. Mas eu sinceramente quero diminuir ao máximo a quantidade de coisas que pretendo levar.
Já fiz um post aqui anteriormente sobre os planos para a minha biblioteca. Esse plano continua de pé. O que me refiro aqui é ao que devo levar comigo, e iniciar esse projeto agora me permite selecionar com calma e ir substituindo alguns exemplares aos poucos.
Destralhe
A regra é clara: não é possível organizar tralha. O primeiro passo é definitivamente fazer a seleção do que preciso ou quero manter comigo e ver se tem a versão para Kindle. Simples assim. Nem tudo estou comprando no Kindle agora, pois não estou usando o livro no momento. Nesse caso, eu coloco na minha lista de desejos para não esquecer dele.
O que ainda pretendo ler?
Existem alguns que não vão para a biblioteca comunitária e eu quero ler ainda. Nesse caso, separo para ler nos próximos meses e pretendo vender ou doar antes de viajar. Existem outros que não tenho mais interesse e já podem ir para essa fase de descarte.
Estou evitando comprar livros físicos
Esse momento chegou! Eu realmente estou evitando comprar livros físicos, a não ser que eu tenha a mais absoluta certeza de que vou lê-los nos próximos meses e que ou eu necessariamente vou levá-lo comigo ou vou deixar com toda a certeza, depois de ler. Por exemplo, na semana passada eu comprei um livro com técnicas de leitura. Eu quero ler o livro físico, manusear, fazer marcações. O livro é ótimo mas eu posso tê-lo no Kindle para referência, futuramente, ou comprar a versão dele em inglês, quando estiver fora. Mas o que eu usei aqui para ler eu posso dar de presente para uma prima que ama livros tanto quanto eu, porque sei que ela vai amar. E para cada livro eu tenho feito esse exercício de pensar para quem eu posso dá-lo depois de ler, seja uma pessoa, a biblioteca comunitária ou outra finalidade.
Manter em casa o que pretendo levar ou ler antes de mudar
Eu tenho três estantes aqui no meu apartamento e tenho mantido os livros que quero ler ainda ou levar comigo na mudança. Os livros que ficarão no Brasil eu estou levando para o escritório aos poucos. A ideia é fazer essa separação e centralizar tudo lá para facilitar qualquer logística posterior.
De verdade, muito livro eu pretendo comprar em inglês, lá fora. Fica até mais barato. O que não quero é deixar de ter um exemplar raro, especialmente nativo brasileiro, como livros do Florestan Fernandes, Carlos Nelson Coutinho e outros que não são tão fáceis de encontrar em livrarias estrangeiras. Mas também sempre existe a possibilidade de vir para cá todo ano e ir levando os livros aos poucos. Vamos ver. Por hora, o que tenho feito é essa primeira seleção e quis compartilhar com vocês.


Que legal, Thaís! Eu tenho o sonho da biblioteca também, desde criancinha, estou construindo aos poucos meu acervo – e minha anti-biblioteca, como diria o glorioso Umberto Eco -.
No momento estou dividida entre vender meus livros de ficção ou não, porque irei me mudar de Belém pra Brasília e estou ao mesmo tempo focando as finanças na mudança, mas ao mesmo tempo queria poder receber meus primos mais novos com esses livros em casa pra que eles possam ter a opção de acesso e isso ser uma memória afetiva pra eles no futuro.
Eu adorava pegar livros emprestados e ver as anotações das pessoas, é tipo ler acompanhado né?
Fiquei curiosa quanto ao livro que você mencionou, com técnicas de leitura. Podes compartilhar o título, por favor?
Um beijo!
Gostei do post, vou salvar para reflexões pois estou com planos de mudança para outro estado e levar todos os livros físicos seria bem caro mas tenho edições especiais, não quero desfazer, algumas até valorizaram muito com o tempo. Estou comprando mais ebooks também no lugar de livros físicos.
Thais, você provavelmente já deve ter visto a notícia, mas a Amazon está mudando a política dela em relação à “posse” dos livros digitais. Este mês ela acabou com a possibilidade de fazer o download dos livros comprados na plataforma, e também está alterando regras para poder retirar da sua biblioteca livros que você adquiriu, mas que saíram do catálogo deles. Achei bem problemático, e é algo mais falado a respeito de audiovisual; agora os livros entraram na dança. Estou revendo essa política de comprar ebooks em vez de exemplares impressos para obras que pretendo ter para consultas e releituras. Como você pretende se mudar do país, é importante levar isso em conta (a legislação do país/bloco em que você vai residir).
Tenho feito o exercício de: quando acabo de ler um livro de literatura penso se é um livro que leria novamente. Se a resposta for não, já doou para uma biblioteca comunitária ou para uma pessoa que penso que vá gostar do mesmo.