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Este é um blog pessoal acima de tudo e acho que vale a pena compartilhar não apenas o que dá certo, mas o que não funcionou tão bem para mim. Hoje gostaria de falar sobre a minha experiência com o livro “Foco na prática”, do dr. Paulo Vieira, porque ele pode ser útil para outras pessoas. Só não funcionou para mim, e vou dizer por quê.

O livro se propõe a ser um “programa de 2 meses para se manter focado em seus objetivos e atingir o sucesso em todas as áreas da sua vida”. O dr. Paulo Vieira desenvolveu o modelo de Coaching Integral Sistêmico (Método CIS), que ele ensina em seus cursos, eventos e certificações com sucesso em todo o Brasil. Ele tem outro livro, “O poder da ação”, que é best-seller, e acredito que componha bem um par com o livro deste post.

Por que eu quis testar esse livro agora? Como ele é um programa de dois meses, achei que seria apenas mais uma coisa legal para fazer durante a nossa quarentena e me animar. O livro é essencialmente prático. Tem uma introdução rápida, que explica fundamentalmente como será o programa, e já começam os exercícios. Foi bacana fazer no início, pois fiz uma análise da minha vida nesse momento da pandemia, e me permitiu colocar no papel anseios que tenho e outros pensamentos. No entanto, o que não funcionou para mim foi o modelo diário, que compõe 90% do livro. São páginas para preencher diariamente durante dois meses (veja a foto abaixo).

Eu já fiz a formação em coaching, então esses exercícios são um tanto quanto básicos para mim. Eu penso que, para quem nunca fez e não entende esse “formato” de pensamento, o livro possa ser verdadeiramente útil. Eu já faço esses exercícios que ele pede não diariamente, mas sempre que sinto necessidade. O que não funcionou para mim foi ter que trabalhar em um mesmo modelo igual, todos os dias. Porque não é todo dia que tenho interesse em ser a pessoa mais produtiva do mundo, no sentido colocado pelo livro, nem é todo dia que quero deixar de fazer coisas ou escolher tarefas para alcançar meus objetivos.

Não me entenda mal: eu já faço isso como parte do meu estilo de vida. Mas o meu modelo é muito flexível ao longo de um dia inteiro. Não teve uma única vez em que escrevi as três tarefas com a minha cabeça da manhã e a minha cabeça da tarde estava a fim de focar em outra coisa, que de acordo com a minha intuição seria mais importante. E aí, ao final do dia, ao fazer o balanço que ele propõe, eu mais me sentia frustrada que feliz, pois sentia que nunca estava cumprindo o que o livro me pede pra fazer.

Por exemplo, no início do dia, todos os dias, você deve preencher algumas questões. A primeira delas é sobre que tipo de insight eu tive lendo a frase do dia. E essas frases do dia são frases que eu, por trabalhar com desenvolvimento pessoal, já li duzentas vezes por aí. Logo, para mim, não são frases que trazem novos aprendizados, mas coisas óbvias que já vivencio. Não estou criticando o livro, ok? Estou dizendo que não sou o público-alvo dele pois já tenho a mesma formação para escrever um livro semelhante.

Depois, eu tenho que escolher uma área para dar atenção. Acho esse exercício legal de fazer, mas não diariamente. Em um dia, você não consegue focar em uma única área. Talvez em um único projeto ou uma tarefa maior. Mas uma área para mim não funciona porque outras coisas precisam acontecer nas mesmas 24 horas. Só vai me gerar frustração não estar trabalhando unicamente naquela área de foco. No entanto, o exercício de pensar em uma única coisa que pode fazer para desenvolver essa área é bem legal, pois é coerente com o nome do livro (foco na prática). São exercícios de foco.

Na sequência, definir três tarefas para caminhar com os meus objetivos. Eu tenho várias tarefas acontecendo no momento e executo muitas por dia, e basicamente todas estão relacionadas aos meus objetivos, de certa forma, pois já uso a coerência da organização, dos horizontes de foco, de todo o meu método, para ter isso. Então não faz sentido, para mim, olhar uma lista de tarefas e simplesmente copiar em outro lugar três aleatórias que eu escolher. Mas pode fazer sentido para quem não tem qualquer método ou sistema de organização.

A pergunta “o que você vai fazer ou evitar hoje para ter um dia mais produtivo?” é bacana especialmente nesses tempos em que a sobrecarga de informações nos afeta. Mas todos os dias eu colocava basicamente as mesmas coisas (não acessar tanto o Twitter, não ler tantas notícias sobre o COVID19…). Acabou ficando repetitivo e, portanto, sem significado para mim.

Depois, definir um ato de generosidade que faria no dia. Isso é completamente descolado da minha realidade porque o que busco é desenvolver uma mente de compaixão e fazer de todos os atos da minha vida um ato de gentileza ou bondade. Então eu sinceramente não conseguia pensar em algo pontual, me soava fake.

Escrever algumas coisas pelas quais eu era grata naquele dia foi um exercício bem legal. Nesse momento que estamos vivendo, acredito que seja bom realmente escrever todos os dias. Provavelmente vou levar isso para o meu Bullet Journal de abril.

Ao final do dia, existiam alguns exercícios que na verdade eram mais um registro de alguns pontos que, pelo Bullet Journal, dá para fazer de maneira mais completa. Não achei que esse acompanhamento me motivava muito – pelo contrário, só me deixava frustrada. Às vezes tinha terminado o dia com uma mente boa e tranquila mas, ao pensar sobre essas questões, isso me desanimava. Não sabia dizer se tinha bebido água suficiente ou quanto de atividade física eu deveria ter feito estando em casa nessa situação que estamos vivendo. Ou seja, cobrar critérios que não faziam sentido nesse momento. Logo, os critérios diários devem ser ajustados, e não um padrão, como o livro traz. Talvez fizesse mais sentido ele propor um espaço para hábitos personalizados.

Pelas páginas acima dá para você ver como é o livro e se ele pode ou não ser útil para você. Acredito que, para pessoas que nunca passaram por um processo de coaching e não têm hoje um modelo para começar, precisam dessa motivação, seja um bom livro, de verdade. Como eu já trabalho com isso e já tinha minha forma de fazer as coisas (que funciona para mim), não trouxe muitas novidades nem agregou muito. Não quero que isso soe como uma crítica ao livro. Respeito o trabalho do autor e considero valioso, mas para outro público-alvo que não sou eu.

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