Há dias em que tudo flui. Em que o corpo responde, a mente acompanha, as tarefas se alinham umas às outras como se soubessem o caminho. Mas há também os outros dias. Os dias pesados. Aqueles em que cada pequeno movimento parece exigir um esforço descomunal, como se o tempo estivesse denso, grudando nos ossos.
Durante crises ou transições de vida, a produtividade muda de forma. O que antes era simples passa a ser complexo, o que antes era automático se torna um fardo. O mundo continua girando no mesmo ritmo, mas por dentro algo se quebra, e seguir em frente parece um desafio que ninguém explicou como enfrentar. Há um luto por aquilo que já não funciona, um desapego forçado das estruturas que antes davam segurança.
Não é possível insistir nos mesmos sistemas quando o corpo pede outra coisa. Há momentos em que o planejamento precisa ceder lugar ao improviso, em que a disciplina precisa ser substituída por compaixão. Às vezes, a produtividade não é sobre otimizar, e sim sobre sobreviver. Fazer o mínimo possível. Reduzir expectativas. Aceitar que a régua do que é suficiente mudou, e tudo bem.
Adaptar-se não é um ato de fraqueza, mas de respeito pelo que está acontecendo. Talvez seja preciso reescrever listas, diminuir prazos, abrir espaço para pausas que antes pareciam impensáveis. Talvez a produtividade precise ser apenas silenciosa: uma xícara de café no meio da tarde, um email respondido, um compromisso desmarcado sem culpa. Pequenos gestos que seguram as pontas enquanto a tempestade passa.
E ela passa. Pode levar mais tempo do que gostaríamos, mas passa. E então, pouco a pouco, os sistemas voltam ao lugar, mesmo que nunca da mesma forma. Porque crises deixam marcas, transições nos transformam. Depois de períodos difíceis, a produtividade não volta a ser o que era – ela se torna algo novo. Mais real, mais humana. Algo que respeita os ciclos e entende que a vida, no fim das contas, nunca foi sobre fazer mais, e sim sobre continuar seguindo, do jeito que for possível.


Nossa, que texto! Já salvei aqui para voltar sempre que estiver em um dia difícil. ?
Texto sensacional Thais.
Simplesmente sensacional.
Nossa Thais, me emocionei com as suas palavras, parece que estava falando pra mim. Me fez sentir melhor. Obrigada sempre.
Obrigada por esse texto, Thais!
Estou num exercício constante nos últimos meses de repetir pra mim mesma: não tenha pressa. Foram muitas mudanças e muitos imprevistos (coisas da vida que estão completamente fora do controle) e essa adaptação, essa mudança de rota às vezes demoram mesmo. O mundo quer a gente acelerado, mas tenho tentado recusar essa exigência. Como você falou, às vezes responder um e-mail em um dia absolutamente caótico, já é suficiente.
Um abraço!
Que texto inspirador!
Estava precisando de algo assim. Obrigada!
Que bom ler isso. <3
Estou exatamente nesta fase! Acho que eu mesma não estava me entendendo e vc me traduziu (pra mim mesma). Obrigada Thais, querida!