Categoria(s) do post: Vida Organizada

A analogia da montanha para o processo de organização pessoal e a busca por uma produtividade compassiva.

Com todo o respeito à cultura budista, e longe de ser uma apropriação, eu faço este post. Sou budista e, por isso, me familiarizo com essa ideia.

E qual a ideia?

Quando buscamos a iluminação, ou a libertação de todos os sofrimentos mundanos, existe a analogia do monge subindo a montanha. É uma escalada, um processo árduo e de superação, que leva tempo.

No entanto, movido por uma mente de compaixão, chegar lá em cima não é suficiente. A verdadeira jornada é a descida, não a subida. Pois, para subir, você deixou “lá embaixo” (ou aqui?? rs) a sua amiga com depressão, o seu amigo desempregado, o seu gestor desorganizado, a equipe com conflitos, o pai doente. Então a jornada verdadeira é essa da volta, quando você retorna com tudo o que aprendeu sobre si para ajudar os outros.

Com a organização, esse processo é semelhante. Porque ele parte de uma motivação individual e, por um tempo, talvez você sinta que tenha que “sair” um pouco do mundano para conseguir se conhecer, se perceber e mudar internamente. Mas, em algum momento, precisa retornar ao “mundo real” e lidar com as pessoas. Você volta diferente, e essa diferença é fundamental para ajudar os outros, pois agora você parte de um local de fala com mais propriedade, empatia, compassividade mesmo.

Tentar ajudar quando você mesmo/a está sem oxigênio é como o “abraço do afogado”. Se você não sabe nadar, e seu amigo também não, um tentar salvar o outro vai fazer com que ambos se afoguem. Mas, se você aprender a nadar – se você colocar o oxigênio primeiro em você – você consegue ajudar outras pessoas.

Essa complexidade da vida e do caminho é maravilhosa. Feliz por você confiar um pouco em mim para te guiar nesse processo que, para mim mesmo, é um longo caminho ainda.

Na foto, o pico Everest. <3