Categoria(s) do post: Vida Organizada

A analogia da montanha para o processo de organização pessoal e a busca por uma produtividade compassiva.

Com todo o respeito à cultura budista, e longe de ser uma apropriação, eu faço este post. Sou budista e, por isso, me familiarizo com essa ideia.

E qual a ideia?

Quando buscamos a iluminação, ou a libertação de todos os sofrimentos mundanos, existe a analogia do monge subindo a montanha. É uma escalada, um processo árduo e de superação, que leva tempo.

No entanto, movido por uma mente de compaixão, chegar lá em cima não é suficiente. A verdadeira jornada é a descida, não a subida. Pois, para subir, você deixou “lá embaixo” (ou aqui?? rs) a sua amiga com depressão, o seu amigo desempregado, o seu gestor desorganizado, a equipe com conflitos, o pai doente. Então a jornada verdadeira é essa da volta, quando você retorna com tudo o que aprendeu sobre si para ajudar os outros.

Com a organização, esse processo é semelhante. Porque ele parte de uma motivação individual e, por um tempo, talvez você sinta que tenha que “sair” um pouco do mundano para conseguir se conhecer, se perceber e mudar internamente. Mas, em algum momento, precisa retornar ao “mundo real” e lidar com as pessoas. Você volta diferente, e essa diferença é fundamental para ajudar os outros, pois agora você parte de um local de fala com mais propriedade, empatia, compassividade mesmo.

Tentar ajudar quando você mesmo/a está sem oxigênio é como o “abraço do afogado”. Se você não sabe nadar, e seu amigo também não, um tentar salvar o outro vai fazer com que ambos se afoguem. Mas, se você aprender a nadar – se você colocar o oxigênio primeiro em você – você consegue ajudar outras pessoas.

Essa complexidade da vida e do caminho é maravilhosa. Feliz por você confiar um pouco em mim para te guiar nesse processo que, para mim mesmo, é um longo caminho ainda.

Na foto, o pico Everest. <3

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12 comentários

  1. Ana comentou:

    Gosto da analogia 🙂

  2. Claudia comentou:

    Adorei a analogia, Thais! Obrigada 🙂

  3. Rodrigo comentou:

    Belo texto. Gratidão!
    Feliz Páscoa para você e sua família, Thais!

  4. Paula comentou:

    Olá! Qual livro você indica para começar a aprender budismo?
    Amo ler seus conteúdos!

  5. Mauren comentou:

    Era tudo que eu precisava ler hoje. Obrigada!

  6. Silvia Diógenes comentou:

    Thais é exatamente isso que eu devo compreender. Excelente essa sua assertiva. Muito obrigada!!!

  7. Alexandra comentou:

    Amei este post, a revisitar 🙂

  8. Vania comentou:

    Que belo texto! Na verdade, nada tem sentido, nada tem finalidade se não servir a mais pessoas. Desde uma comida especial que fazemos, até o conhecimento que fomos acumulando, tudo adquire sentido se serve a mais alguem, se é compartilhado.

  9. Thais comentou:

    No início desse ano, fiz um retiro de meditação que era baseado no budismo tibetano, e na capa da nossa apostila vinha essa figurinha do monge subindo a montanha, e os diversos obstáculos que ele encontrava até atingir samatha.

    Eu tenho feito muitas buscas e investigações internas, e tenho bem essa sensação, de que as demandas das pessoas ao meu redor me obstrui o caminho morro acima, hehehe, mas e que tipo de pessoa eu me torno se simplesmente ligo o meu botão interior?

    Moral da história: ando meio passinho morro acima, desço 3. kkkkcry

    Mais uma coisa pra meditar a respeito.

  10. Nivea comentou:

    Posso falar? Texto foda!!!! <3 <3

  11. Cecília comentou:

    Sem falar que não tem graça nenhuma viver lá no topo da montanha sozinho rs analogia maravilhosa <3