Categoria(s) do post: Home-office

Hoje completo 160 dias de “quarentena”.

Nesses 160 dias, fui duas vezes ao mercado, dei a volta no quarteirão com o cachorro uma meia dúzia de vezes no máximo, tive que ir ao dentista devido a uma emergência, levei mantimentos para a minha mãe uma vez e fui uma vez no meu escritório (no domingo, com o prédio vazio), buscar alguns materiais que estava precisando. Tirando isso, continuo em casa.

Em fevereiro, nós saímos de uma sala comercial com o nosso escritório e fomos para uma menor, mais barata, perto da escola do Paul, de modo que meu marido e eu pudéssemos trabalhar lá durante o período escolar do filhote. Deu tempo apenas de mudar. Veio o Carnaval e, na sequência, entramos em quarentena. Algumas caixas ainda estão fechadas.

A decisão de manter a sala comercial fazia sentido pela questão da escola do Paul, em primeiro lugar, e em segundo, porque meu marido precisava de um espaço maior para trabalhar. Terceiro, porque tínhamos um outro projeto profissional que colocaríamos em andamento logo após a mudança, que dependia do espaço. Com a pandemia, os planos foram repensados, como aconteceu com todo mundo.

No início, eu disse para o meu marido que o que a gente queria fazer ainda continuava, mas tínhamos que deixar em suspenso durante algum tempo apenas. Então valia a pena a gente manter o espaço, mesmo porque o contrato é de dois anos. Mas, como fiz em outro momento de “estagnação”, quando a minha avó morreu, em 2018, eu sabia que não dava pra decidir sobre TUDO de uma só vez. Algumas coisas podiam ser decididas de imediato – outras não. Eu coloquei alguns prazos para algumas delas. Decidir sobre o escritório estava para agosto. Isso me daria um respiro para entender como ficariam as coisas e, então, decidir de maneira mais assertiva.

Para ser muito, muito sincera, eu sabia que as coisas seriam complicadas no Brasil, que é um país imenso e com muitas pessoas, mas eu não imaginei que seria tanto. Pensei que a solidariedade das pessoas falaria mais alto e que conseguiríamos pensar uns nos outros e ficar em casa para que quem não pudesse se protegesse mais. O que todos nós vimos foi totalmente ao contrário. Ainda existem lugares no Brasil que sequer começaram uma condição de isolamento. Nem sei mais o que pensar.

Eu imaginei que, se fizéssemos quarentena durante um tempo, no segundo semestre conseguiríamos voltar às atividades sem aglomeração, como o trabalho no escritório, por exemplo, e que todo o restante apenas quando saísse a vacina mesmo. Com o andar da carruagem, fui estudando mais e acompanhando notícias, entrevistas, e cheguei à conclusão que comentei naquele outro post. Minha perspectiva sincera é de quatro anos. Assim, fico menos ansiosa.

O trabalho no nosso escritório poderia voltar sem problemas quando a flexibilização social fosse liberada. Trabalhamos apenas nós dois juntos, sem qualquer aglomeração. Mas o fato é que esse trabalho dependia de o filhote estar na escola. Se ele não ficar na escola, teria que ficar na casa da avó – o que é inviável, pois ela é grupo de risco. E, se parar para pensar, não tem motivo algum a gente sair de casa para trabalhar sendo que poderíamos estar todos juntos e seguros dentro de casa.

Logo, este mês, a partir da decisão que já contei aqui semana passada, eu decidi entregar a sala. Ao longo das próximas semanas, vamos organizar tudo o que precisa ser organizado. Já fiz o planejamento natural do projeto e, agora, é só ir fazendo.

Aí a gente volta para o tema principal do post, que é: reorganizar o nosso trabalho em casa. Eu tenho esse imenso privilégio de ter um quartinho onde eu consigo fazer o meu home-office. Meu marido tem a estação de trabalho dele super bem montada e bonitinha na sala. Mas eu estou em um momento em que preciso renovar os meus contextos de trabalho para ficar bem.

Por mais que a gente não pretenda liberar geral a circulação por aqui e continue trabalhando e estudando em casa, ainda assim eu preciso gravar aulas, mexer com equipamentos, estocar os meus livros e uma série de outras questões, até de sanidade mental, que o fato de ter um escritório fora me proporcionavam.

Ainda não sabemos os efeitos desse isolamento social e da pandemia a longo prazo. Como tudo na história da humanidade, sei que demanda distanciamento para a gente enxergar e entender as coisas.

Com sinceridade, eu gostava de ter um espaço fora de casa. Acho que ajuda inclusive a mudar essa vibração diária, dá um ar mais profissional ao meu negócio e também me permite ter um local só do Vida Organizada para gravar aulas, produzir materiais, guardar suprimentos e equipamentos maiores. Ter tudo isso em casa deixa a casa cheia de coisas, o que eu não gosto. Mas eu não quero sair daqui e ir morar em uma casa maior – pelo menos, não no momento.

Os próximos meses serão então de ajustes e, como sempre, quis compartilhar um pouco desse processo com vocês. Vou comentando por aqui à medida que as coisas forem evoluindo.

Categoria(s) do post: Estudos

Tenho recebido muitas perguntas parecidas sobre o mesmo assunto, então eu percebi que tinha chegado a hora de criar um post nesse estilo. Quero fazer uma atualização de todos os meus projetos de estudos atualmente.

Em primeiro lugar, falando sobre o mestrado. Iniciei o curso em fevereiro de 2018, com duração de dois anos. Minha área de pesquisa é Comunicação e a instituição em que fiz foi a Cásper Líbero, em São Paulo. Meu professor orientador foi o dr. Luis Mauro Sá Martino e meu recorte foi sobre as profissionais de Comunicação e a sua precarização a partir da análise do uso de ferramentas de mensagens com fins de produtividade. Em resumo: você se sente obrigada a responder um What’sApp de trabalho às 23h de uma sexta-feira?

Eu no dia da defesa da dissertação, com meus professores

Eu defendi a minha dissertação em março e, poucos dias depois, entramos em quarentena. A faculdade, como todos os lugares, deu uma pausa em todas as atividades que não podiam ser remotas e, por isso, até então não foram finalizadas as questões finais para depósito da dissertação etc. Existiam documentos que tinham que ir e vir, professores assinarem, ata, impressão, assinaturas diversas. Fui aprovada, tirei 10 na dissertação (falei sobre isso em um post específico) mas só agora as coisas estão retomando e poderei concluir o processo como um todo.

Só depois que a dissertação for publicada no site da faculdade é que posso divulgar o link para vocês, e obviamente farei isso assim que o link estiver disponível. 😉 Praticamente todos os dias recebo essa pergunta sobre “onde posso ler sua dissertação” ou “será que é verdade que você fez mestrado?” mas, de modo geral, gente, quando algo importante assim ainda não foi divulgado no blog, é porque tem um motivo e, nesse caso, foi porque ainda não aconteceu. O mundo está vivendo uma pandemia, tudo está mais ou menos parado. Vamos evitar colocar pressão em cima de processos e pessoas.

Em segundo lugar, sobre o doutorado. Como já comentei algumas vezes, não penso na pressa de fazer as coisas, mas no encadeamento correto. E, para mim, este foi um ano de me dar um tempo para estudar e pensar. Quiçá o ano que vem também. Os dois últimos anos foram absurdamente puxados para mim, com o pós-cirurgia, a doença e morte da minha avó, e o mestrado, além de uma rotina de trabalho que envolveu muitas viagens e questões emocionais envolvidas nisso. Desde o início do meu planejamento para 2020, meu princípio era de que ele fosse um ano mais leve. Migrei meu trabalho inteiro para o online, abri mão de uma fonte de renda importante (os cursos de GTD), enxuguei equipe, fechei escritório – tudo isso para ficar mais em casa, perto do filhote e me dedicar ao meu método, essencialmente. Com ou sem pandemia, esse tem sido o meu foco, e me atenho a ele.

No entanto, para mim era importante “flertar” com o doutorado, no sentido de estudar, ler, pesquisar, ver as possibilidades. Fiz um post em maio contando um pouco como tem sido esse planejamento e lá explico melhor os meus motivos. Quando entramos em quarentena, fiquei com muita vontade de abraçar esse projeto logo, mas fiquei feliz por ter dado uma segurada. Eu preciso passar 2020 descansando um pouco mais. Como eu falei, foram anos difíceis. Logo, a abordagem com a vida acadêmica precisava ser leve, e tem sido.

Eu tomei algumas decisões importantes nesses meses de 2020 com relação à minha vida acadêmica. A primeira delas é que eu ainda tinha dúvida sobre fazer uma nova graduação ou ir para o doutorado. Definitivamente me decidi pelo doutorado. A segunda foi sobre o tema, que é a produtividade compassiva. Neste exato momento, estou desenvolvendo o pré-projeto, porque ele é um tema difícil. Falar sobre cultura do trabalho é um tema difícil porque envolve muitas questões que eu ainda sinto falta de repertório (justamente por isso o doutorado vai me ajudar!). A terceira é que estava me limitando muito a um determinado formato e isso estava me impedindo de ver outras possibilidades de áreas e instituições. Recebi várias dicas boas de vocês no outro post que comentei sobre o doutorado e estou explorando outras opções.

Atualmente, meus projetos com relação ao doutorado em si envolvem: desenhar o pré-projeto (aqui estão inclusas todas as leituras relacionadas) e explorar o trabalho dos professores que se relacionam com o tema para eu ter uma lista de possíveis orientadores, o que me levaria às instituições, e não necessariamente o caminho inverno, que era como eu estava fazendo antes.

Esse é um trabalho de base que ainda demanda bastante coisa, então não tenho a pretensão de ingressar exatamente no primeiro semestre de 2021, porém eu me sinto pronta para ingressar nessa época, se tudo convergir para isso. 😉

Estou também envolvida em dois eventos para apresentar trabalhos ainda este ano, em que vou simplificar a vida e apresentar resultados derivados da minha dissertação (acho importante até para atualizá-la e reforçar o assunto), e também estou participando dos dois dois grupos de pesquisa, que estão com atividades restritas, totalmente no online, como podem imaginar.

Espero que o post tenha sido interessante para clarear um pouco do meu raciocínio a respeito desse assunto. 🙂 Qualquer dúvida, me pergunte nos comentários. Obrigada!