01 Oct 2010

Juntar tralha pode ser doença

Hoje no programa da Ana Maria Braga (passa na hora em que estou arrumando o quarto, então deixo a tv ligada no começo) passou uma reportagem sobre pessoas que guardam tralha e até lixo dentro de casa. Uma vez eu tinha visto uma reportagem semelhante no GNT e já tinha ficado horrorizada. Procurei o link online da matéria mas ainda não está disponível – talvez amanhã esteja -, mas mesmo assim precisei vir até aqui comentar a respeito. Dei uma busca no Google e encontrei a seguinte matéria:

Para entrar no quarto do representante comercial Antônio Rodrigues Veneziano, 36, é preciso estar em boa forma: só é possível abrir a porta até a metade, já que atrás dela começam as estantes que comportam seus mais de 10 mil discos de vinil. Pode-se imaginar que ele seja um colecionador apaixonado pelos antigos LPs. Um olhar mais atento mostra que não é bem isso. O quarto tem tantos objetos acumulados que a circulação é difícil, e seu corpulento ocupante teve de trocar a cama de casal em que dormia (guardada em outro canto da casa) por uma bem mais estreita, de solteiro. 

Em torno dela estão dispostos seus preciosos pertences: sete rádios (só um funciona), duas TVs, 3.000 cassetes, sete caixas abarrotadas de papéis, revistas e jornais velhos, malas repletas de roupas (algumas que ele não usa há 15 anos), máquinas fotográficas antigas, um violão e uma guitarra (que ele não sabe tocar), quadros, dez caixas de som, sendo quatro da década de 40… e por aí vai.

“Sou um depósito. Tudo o que as pessoas têm dó de jogar fora, mas de que querem se livrar, elas passam para mim, pois sabem que vou guardar.” Essa mania de acumulação, diz, ajudou a acabar com seus dois casamentos. “Minha primeira mulher aproveitava quando eu estava no trabalho e dava as minhas coisas para os outros. Claro que isso terminava em briga. A segunda não implicava, mas tinha um filho que mexia em tudo e me deixava possesso. Eu brigava com ele e ela brigava comigo.”

A quem se espanta com tanta tralha, Antônio justifica: “Eu sempre acho que vou precisar de algumas dessas velharias um dia. Mesmo as quebradas, que posso consertar”. Ele admite, porém, que isso nunca aconteceu.

“É o argumento mais comum de quem não consegue se desfazer de coisas, mesmo que elas não tenham nenhuma utilidade”, afirma a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva, especialista em medicina do comportamento pela Universidade de Chicago (EUA). Por uma razão simples: essas pessoas nunca acham que o que guardam é inútil, por mais velho e quebrado que esteja. “A maioria nem sabe que a mania pode ser uma doença”, diz a psiquiatra.
Também não é difícil entender por quê. Quase todo mundo coleciona ou colecionou alguma coisa na vida, e a diferença entre o colecionador comum e o colecionista compulsivo é uma questão de medida. A grosso modo, dá para dizer que o primeiro tem um foco de interesse claro e é movido pelo prazer do hobby; o segundo acumula coisas variadas e desconexas por crença na suposta utilidade e uso futuro. O primeiro em geral é organizado; o segundo, nem sempre consegue ser, porque o acúmulo constante acaba dificultando qualquer arrumação.

Além disso, os colecionistas parecem se enxergar como a formiguinha da fábula, que está sempre se precavendo contra o inverno rigoroso, mas estão mais para o furão (ou ferret), o roedor que costuma carregar para a “toca” tudo o que encontra, do celular ou molho de chaves do dono ao controle remoto da TV.

“Às vezes me irrito com a minha própria mania, porque é tanta bagunça que não encontro o que quero”, admite, bem-humorada, a cabeleireira Marina Estela Nascimento, 38. No apartamento em que mora com os dois filhos -de 6 e 13 anos- e o marido, é preciso prestar atenção a cada passo para não esbarrar em uma das pilhas de objetos e caixas. Sentar no sofá também pode ser complicado -o espaço é constantemente ocupado por dezenas de bonecas antigas, roupas e revistas. “Acho que tenho muito apego às coisas, sei lá se é alguma coisa psicológica. Não gosto de me desfazer de nada. Será que sou doente?”, pergunta.

O marido responde: “Se é doente eu não sei, mas ela parece uma lixeira. Não pode ver nada na rua que pega, sempre com a desculpa de que vai reformar. Mas, olha aqui, ó (tira algumas molduras quebradas de trás de um armário), nunca servem para nada, só faz bagunça. Um dia vou ter de morar na garagem”, diz Carlos Batista Nunes, 48.
Entre as utilidades de Marina estão 63 potes plásticos para armazenar alimentos, muitos ainda embalados, porque ela só usa seis, além de 28 vidrinhos de essência para bolo, 27 deles com validades vencidas entre 2001 e 2004. A maioria está cheia. “Eu sei que não dá mais para usar o conteúdo, mas posso precisar dos potinhos, por isso não jogo fora.”

Normal ou anormal?

Em 90% dos casos, o colecionista se encaixa, em maior ou menor grau, no diagnóstico de TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo), a sigla que engloba uma série de comportamentos repetitivos e mecânicos que fogem ao padrão de normalidade. O mais comum é a compulsão por limpeza – lavar as mãos em excesso a ponto de irritar ou ferir a pele, por exemplo, como a que acometeu a atriz Luciana Vendramini. O segundo é justamente a mania de colecionamento. Mas é preciso tomar cuidado com o conceito de “normalidade” – nem todo colecionista sofre de TOC.

“Todos nós temos, em algum grau, aspectos de desordem mental”, afirma a psiquiatra Ana Beatriz, autora do livro “Mentes & Manias – Entendendo Melhor o Mundo das Pessoas Sistemáticas, Obsessivas e Compulsivas” (ed. Gente). “Mas uma mania só pode ser considerada doença quando chega ao ponto de provocar transtornos significativos na vida da pessoa, seja no setor familiar, social, afetivo ou profissional.”

As desordens são comuns, diz ela, porque nenhum ser humano tem o cérebro perfeito, ou seja, que produza em doses exatas todos os combustíveis cerebrais (os neurotransmissores) necessários para o desempenho de cada função. Assim, qualquer desequilíbrio, por pequeno que seja, traz conseqüências.

No caso de TOC, aparelhos modernos que permitem visualizar o funcionamento cerebral constataram que seus portadores apresentam um aumento de atividade nas regiões do lobo frontal (onde se concentra a rede de neurônios responsável pelas atividades intelectuais, como memória e tomada de decisões) e nos gânglios de base, conjuntos de células nervosas importantes para o início de ações e controle dos movimentos.
O lobo frontal tem ligação direta com o sistema límbico (responsável pelas emoções), que produz, entre outros, a serotonina, neurotransmissor responsável pela tranqüilidade. Nos portadores de TOC, verificou-se que sua produção está abaixo dos níveis normais. É por isso que o tratamento mais recomendado é uma associação de medicamentos antidepressivos com sessões de terapia cognitiva-comportamental.

“Esses remédios estimulam a produção de serotonina, fazendo com que a pessoa não se sinta tão ansiosa em relação ao que pode acontecer de ruim sem aqueles objetos”, explica Ana Beatriz.

Já a terapia cognitiva-comportamental, método mais usado para qualquer tipo de transtorno mental, trabalha principalmente discutindo as experiências vividas pela pessoa, tanto individualmente quanto em grupo. Nela, são estabelecidas metas, definidos os sintomas alvos e discutidos pensamentos e emoções que levam a pessoa a agir daquela forma.

“Todos nós temos vazios em nosso psiquismo, mas alguns têm em maior grau e tendem a depositar em objetos uma parte de sua identidade. Essas coisas passam a ser uma extensão da própria pessoa. É por isso que, para elas, é tão difícil se desfazer delas”, explica Geraldo Massaro, psicoterapeuta do Hospital da Clínicas.

Coleção de lembranças

Isso fica mais evidente para quem não consegue se desfazer de objetos por apego sentimental, como a dona-de-casa Maria José Nascimento Kormann, idade não revelada, cujo “acervo” ocupa três quartos da casa em que mora sozinha. “São coisas que me lembram épocas em que fui muito feliz, não consigo jogar fora”, afirma.

Entre seus guardados estão todas as roupinhas de infância dos três filhos, seus brinquedos e material escolar, mais de mil fitas de vídeo caseiro gravadas pelo marido, revistas da década de 60 e até canhotos de cheque em que estão marcados a data e o valor da compra dos enxovais das crianças.

Quando se casou, Maria José levou todas as lembranças de sua juventude com ela, e o marido fez o mesmo. “Nosso apartamento era entulhado de coisas, mas nenhum dos dois abria mão”, lembra. “Houve uma época em que mantínhamos um apartamento alugado, em frente à casa onde moro hoje, só com todas as coisas que acumulamos. Parece loucura quando conto”, diz, rindo.

Organizadíssima, Maria José diz que, pelo menos uma vez por semana, ela e a faxineira retiram todas as caixas e embalagens de plásticos que acondicionam as lembranças para serem limpas e devolvidas aos armários.

Outra que aproveita o apartamento espaçoso para guardar parte de seu passado é a arquiteta Miriam Bernstein, 50, que armazena em dois dos três dormitórios disponíveis todas as roupas compradas desde a década de 70, embora grande parte das peças não lhe sirva mais. “É que eu quero emagrecer, e aí pode ser que elas sirvam”, diz. Se isso já aconteceu? “Até emagreci uma época, mas aí resolvi comprar roupas novas e não usei nenhuma das que estão guardadas.”

Não bastasse, ela também guarda revistas, documentos antigos, contas pagas (tem todos os extratos de cartão de crédito desde 1992), brinquedos e roupas dos filhos, já crescidos. A arquiteta diz que só percebeu que era tão apegada quando se interessou pela filosofia do feng shui. “A primeira linha do livro trazia a principal premissa: é preciso se desfazer do que não tem utilidade, se desapegar das coisas.”

Ela chegou a tentar, diz. “Não adianta, é muito difícil. Em todas as vezes, eu separei, separei e voltei a colocar tudo de volta.” A filosofia sucumbiu à mania.

Para refletir nessa sexta-feira.

35 comentários . Comentar via blog

  1. >Com certeza minha mãe sofre dessa doença. É muito ruim para o ambiente de casa. Eu faço exatamente o contrário: sou a favor do minimalismo em tudo!

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  2. >MEU MARIDO É ASSIM KKKATE OS PAPEIS DE 20 ANOS ATRAZ ELE GUARDA ACHANDO QUE PODE UM DIA PRECISAR AFFIMAGINA MONTE DE CAIXAS COM PAPEL !!!

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  3. >Minha casa é perfeitamente habitável, mas, de comum com o texto, por exemplo, eu guardo todos os canhotos de cheque (desde 87) e todas as faturas de cartão de crédito (desde 91). Fora isso, há 1 caixa plástica com roupas, 1 com todas as cartas que eu já recebi na vida, incluindo desenhos dos meus sobrinhos e bilhetinhos de faculdade. Etc. Considero recordação. Fico pensando no quanto isso não seria desnecessário. Enquanto lia o texto, fui desentocar minha coleção de revistas (só umas 50), algumas no plástico. Vou despachar metade e ler a outra metade, pra despachar em seguida. Muitas vezes abro o armário, penso em jogar fora, e volto com tudo pro lugar. Parece que um pedaço de mim vive nos objetos, exatamente como falou no texto. Por outro lado, eu vou continuar vivendo sem as coisas. Então, pra que guardar? Não sei o que pensar.

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  4. >thais, já ouvou falar do seriado-reality "hoarders"? passa em algum canal da tv a cabo (não lembro qual), mas tem alguns episódios pra baixar no piratebay. ele fala exatamente disso – cada episódio mostra um ou 2 casos de acumuladores graves, e especialistas tentar ajudar as pessoas a se livrar da loucura, limpar a casa, desapegar.. os casos são graves, de gente que acumula comida estragada, lixo, sujeira.. parei de assitir pq me dava uma bad vibe, ahah. tem tbm um spin-off sobre acumuladores de animais – gente que vai pegando bicho nas ruas, não tem como cuidar e fica com 50, 60 gatos – ou pior. isso eu vejo bastante aqui no brasil..

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  5. >Ótimo post!!!É de se pensar mesmo, conheço uma pessoa que que tem mania de guardar coisas achando que um dia vai precisar. Grças a Deus essa pessoa não chega a tanto!!!beijos

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  6. >Puxa, eu guardo algumas roupinhas dos meus filhos, talvez porque eles ainda sejam pequenos e não consigo vê-los de outra forma! Gostei muito do comentário da psiquiatra de que todos temos um certo grau de psicopatia, o que importa realmente é se está ou não afetando a nossa convivência social!

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  7. >Thais,vc tá no grupo Flyingin brazil, não tá?Falamos disso lá hoje e eu citei o Hoarders e o Hoarding, dois programas sobre o assunto.Essas pessoas sofrem muito, até porque quem tá em volta, não reconhece a "mania" como doença. Muito complicado…Bjs

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  8. >Também sou bem organizada, já fui mais ,mas agora tenho 3 filhos pequenos, muito brinquedo em casa, marido com mania de guardar tb, vou ver suas dicas para como me adaptar nesse sistema familiar aqui, tenho um site na elo 7 que é para vender peças de madeira mdf para organizar casa, querendo conhecer acesse : http://www.elo7.com.br/tudonolugar,um abraço,

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  9. >Thaís, essa mania de guardar coisas é ruim mesmo, mas o oposto pode ser perigoso. Conheço gente que teve que pagar duas vezes a mesma conta por ter jogado fora os comprovantes… Abraços

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  10. >Gostei do post..me fez pensar..eu ainda estou na dúvia se tenho, acho que tenho surtos ou sou mais procrastinadora..deixo a bagunça se juntar, eu guardava, hj jogo muitaaaa coisa fora, ou dou para alguém, acho que fiquei compulsiva de querer usar logo tal coisa, seja ela roupa objeto, no meu trabalho se junta tralha demais(sou professora) então fico ansiosa para pensar em algo para aquilo que está se acumulando sem utilidade para poder descartar, bolsas…estou evitando comprar e comprando uma para cada fim ao invés de uma para cada roupa, e roupa…estou tentando não comprar..tenho uma sacola cheia de calças e bermudas guardadas, para quando eu emagrecer, mas estou pensando seriamente em doalas, mesmo sabendo se o feito acontecer irei usá-las pois são básicas….aqui em casa meu pai e irmão tem esse perfil de pegar coisas na rua, eu jamais faço isso pq sei que ira ficar encostado e sei da dó que sinto depois de jogar fora, eu de uns tempos para cá ando jogando fora…me sinto até mais leve verdade!!

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  11. >Eliz, doe. Frequentemente junto material para doação e isso me deixa satisfeita, porque outras pessoas usarão o que eu não uso nem tenho espaço para guardar. E faz um bem enorme. Não fique guardando coisas que não usa. Isso nos afeta até espiritualmente.

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  12. >isso tudo me assustou.. percebi q sou exatamente isso tudo q disseram.. estou pensando agora por onde começar a jogar fora tudo q eu tenho guardado.. coisas q sao realmente inuteis.. mas só agora me dei conta disso.. acho q preciso de ajuda.. meu problema é a dificuldade q eu tenho com mudanças.. coisas novas.. eu sou muito apegada com coisas velhas .. q fizeram parte do meu passado.. preciso me livrar disso tudo e viver so o presente.. valeu gentee

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  13. Sonia

    Estou muito assustada. Acumulei tantas coisas que nem sei de onde começo. Tenho tudo, até lixo reciclável. Já tive brigas em casa. Está começando a interferir na minha vida profissional. Hoje encaminhei uma licença no trabalho para ver se consigo me organizar.

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  14. Thais Godinho
    Thais Godinho

    Sonia, conte conosco para o que precisar. Aos poucos, você consegue tirar tudo. Vamos nos falando.

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  15. Tenho mania de guardar papel, guardo papéis da época da escola, neste momento estão num canto da minha sala e decidi que ficarão lá pra que eu me desfaça deles.

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  16. jose

    Veja a matéria

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  17. HELENA NOGUEIRA DE SOUSA

    Sou nova por aqui, mais pesquiso blogs, sites de organização, pra visualizar minha casa organizada/arrumda como gostaria e deveria ser.O caso que minha maezinha, acumula coisas demais, pega garrafa pets e latinha pra vender(ela não precisa)sacos de plásticos, latas e………………..e muitas coisas.Ocorre que ela fica muito triste qdo jogamos fora e ainda vai lá no lixo pegar de novo, lava e pronto.As vezes faço sacos coloco nocarro ou no lixo da vizinha que já a avisei.To cansada disso, fico frustada depois vem a depre, aí não consigo fazer nada.

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  18. sou acumuladora já faço tratamento tanto psiquiatrico como psicologico e não consigo jogar fora,sempre quero fazer algo com tudo,gosto de fazer artezanato e isso já é um motivo para usar tudo,caixas de pizza para fazer moldes de papelão,caixas vazias decoro com fitas e tecido para guardar documentos e papeis,etc… mas agora estou com muita coisa pela casa e me sufoca o médico mandou procurar um serviço que a pessoa vem na sua casa e faz a organização,só que não achei nada parecido no Brasil, se alguem ai conhecer este tipo por favor me mande um email pois preciso muito deste acompanhamento.Minha casa está lotada de docts,cheques,roupas,tudo muito alem da conta e espalhado pelo chão,então é urgente mesmo,quero e já doei muita coisa,mas aos poucos fico protelando sempre,então preciso de um arrastão em casa para tirar de uma só vez tudo que não me serve mais e doar a quem precisa realmente,assim espero poder voltar a ser uma pessoa normal outra vez e organizada como antes era.obriada

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    1. Thais Godinho
      Thais Godinho

      Edna, isso é mais comum do que você imagina. Não se sinta mal por ser assim – pense que você reconheceu que tem um problema e está buscando a solução. Isso é digno de orgulho. Parabéns!

      Quanto aos profissionais, dê uma busca por “personal organizers” no Google, que certamente aparecerá alguma opção na sua cidade.

      Boa sorte.

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  19. Regina

    Eu convivo com uma pessoa que guarda tudo, embalagens vazias de alimentos, caixas de sapatos, lâmpadas queimadas,além de trazer objetos que foram jogados fora por outras pessoas. Pior ainda é guardar semente de todas as frutas que se come em casa, sementes que nunca planta. Papéis e mais papéis, ticket de mercado, extrato bancário, etc…O mais difícil é que eu sou uma pessoa super organizada e parece que não consigo jamais manter as coisas arrumadas, parece que não tenho mais espaço em meu cérebro para poder conviver neste ambiente. Já tentei falar de todas as formas possíveis, mas sempre acaba em discussão e eu passo por errada. Pelo que consigo analisar desta situação é que ele não se desfaz do passado, nãqo consegue se desfazer de nada. Entendo que cada vez torna-se mais difícil eu conseguir obter a separação, pois ele não aceita, faz de conta que não está acontecendo nada, está tudo bem e dentro da normalidade.

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    1. Thais Godinho
      Thais Godinho

      Regina, nesses casos, é necessário contatar um psicólogo. O caso é comum, mas precisa desse acompanhamento sim.

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  20. Patrícia

    O mais difícil é quando a pessoa não aceita que tem um problema, acha que está sendo perseguida etc. Tenho um caso assim na minha família. Por sorte as tralhas da pessoa não ocupam taaanto espaço físico, mas geram um desgaste emocional bem grande. A casa não é tão pequena, só com que, com o acúmulo de coisas desnecessárias, sempre estamos apertados. É preciso muita paciência para não brigar com a pessoa e entender que ela sofre um transtorno…

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  21. Sandra

    Me casei com uma pessoa que tem esse mesmo problema.Ele guarda tudo, papeis velhos, aparelhos quebrados, roupas velhas. Eu nao sei o que faço,eu nao aguento mais viver nesse apartamento cheio de tralhas velhas. Eu nao conhecia esse lado dele. Estou sofrendo muito com isso, eu penso até em uma separacao. Ele é uma pessoa inteligente, ele nao precisa disso. Por favor me ajuda, eu nao sei mais lidar com isso. Eu o amo muito, eu nao sei o que fazer com essa situacao. A minha vida esta um inferno…
    Abraços!

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  22. Cristiane

    Oi Thais, essa matéria é muito, muito importante para quem lê o seu blog. Venho percebendo ao longo dos anos que a maioria dos “muito organizados” é, digamos, “meio” acumuladora sim. Aliás, acabei percebendo isso comigo, é, não foi muito fácil admitir que era eu a acumuladora, e que estava fazendo isso em minha vida. A “razão” de guardar as coisas tinha um motivo, que podia ser, por exemplo: vou guardar pois quem sabe um dia precise, e não vou ter que comprar se eu tiver guardado, porque mesmo que eu não use posso presentear alguém, porque gosto de inventar e fazer artesanatos então vai servir, porque sou organizada e guardo tudo arrumado então não deve ser acumulo né? Viu? Várias “razões” não é mesmo? Mas sabe como percebi claramente isso em mim? Confesso envergonhada que foi apontando o dedo para os outros (outros 4 dedos apontam pra nós mesmos essa hora). Conheço uma senhora de uns 80 e poucos anos, organizadíssima, mas que é acumuladora. Ela tem todas as coisas desde sempre,imagine alguma coisa, ela tem! A casa dela é muito arrumada, mas tem tantos objetos que mesmo eu que sou observadora seria incapaz de responder o que tem lá. E o pior é que ela adora ter tudo e fica muito feliz em compartilhar com os outros e poder mostrar o quanto guarda, mesmo que não lhe sirva, como se isso fosse essencial. Os filhos, netos, marido, todos dizem, rindo, que ela tem tudo, que pode ir lá que você acha, e ela fica muito satisfeita com isso. Mas eu sempre via com olhos críticos essa mania e achava absurdo alguém ser assim e pensava que eu jamais faria algo parecido. E não é que lá estava eu, andando pro mesmo caminho? Pois é, foi assim que então me enxerguei no futuro, uma velhinha de mais de 80 acumuladora, eu! Bom, quais providências resolvi tomar? Ver o que eu possuo, não comprar pra ficar guardado pra “um dia”. Se “esse dia” chegar eu vou lá e compro, pronto. Não aceitar presentes que não usarei e vou guardar pra dar pros outros (minha mãe falou que isso é falta de educação!? é né?! hummm…). Destralhar as coisas guardadas (ainda estou destralhando… é muito sabe? parece que estou fazendo uma coisa errada, mas estou me acostumando devagarinho. Pelamordedeus, sou adulta!). Bem, espero que continue me comprometendo com esse objetivo minimalista pro meu próprio bem e do meu futuro também. Senão vou ser aquela velhinha não é-) ? Beijos meninas, e façam o destralhamento com coragem e fé, eu sei que vai ser duro, mas afirmo que vai ser muito mais saudável pra sua vida toda e muito mais importante (verdade, mais importante!) do que ter todas as coisas guardadas.

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  23. Já deram um nome para essa doença e existe um programa com mesmo nome no canal discovery home and health: acumuladores. Conheço gente que possui essa doença… É bem complicado.

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  24. Lu

    Oi! Fazem duas semanas ou mais que estou organizando minha casa, muita coisa guardada em sacolas, as vezes minhas duas filhas pequenas fuçavam e deixavam cair tudo no chão, lá ia eu enfiar tudo de novo nas sacolas. Meu marido e sogra sempre brigando comigo e chamando de porca, incompetente, eu sempre dizendo a eles que estava com depressão e precisava do apoio deles para me tratar, fui ao psiquiatra e comecei a tomar antidepressivo. Comecei a me sentir menos ansiosa e criei coragem pra organizar as coisas em caixas e descartar as desnecessárias, porém devido a demora e minha obsessão ser agora terminar a organização, meu marido reclamou de eu não estar lhe dando atenção. Falei pra ele que ha cinco anos ele me humilha por causa da bagunça, e agora que espere eu acabar com ela então. Mas todos os dias ele não aguenta me ver mexendo nas caixas que ja começa a reclamar sem parar e dizer que quer se separar. Mas não vou me abalar, estou louca pra ver a casa arrumada e cheirosa… humm!! meu sonho!! Um abraço e sucesso para o site =D

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    1. Thais Godinho

      Lu, sem querer me intrometer na sua vida, mas você merece uma vida melhor. Pense nisso.

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  25. Fernanda Lima

    Oi! vim aqui procurar ajuda, pois minha mãe guarda tudo e toda vez q eu falo q vou jogar as coisas fora ela fala q sou eu que guardo. Já tentei levar ela no psicologo mas ela fala que não precisa. ME AJUDEM POR FAVOR não aguento mais a casa bagunçada.

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    1. Thais Godinho

      Fernanda, isso tem que ser visto realmente com um psicólogo. Só um profissional para lidar com acumuladores.

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    2. Andressa

      Oi Fernanda,

      Uma forma que os psicólogos lidam é quase a mesma de quem tem TOC, ir preparando a pessoa para se expor ao que ela mais teme.
      No caso você coloca as coisas numa caixa, diz que são coisas para ir fora…mas não jogue. Converse muito, às vezes aquela caixa vai ficar ali por muito tempo mesmo, mas não coloque muita coisa e ao longo do processo diga que vai jogar quando ela se sentir pronta para ela mesma se desfazer.
      Convencer sua mãe vai levar questões de semanas ou meses ou até mais dependendo do grau mas nunca brigue só converse os motivos. Se ela não aceitar é porque não está preparada. Outras pessoas da família e amigos também podem ajudar a conversar para mostrar que não é só você que pensa o mesmo sobre como ela está lidando com os objetos.
      Espero tê-la ajudado,

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  26. Andressa

    Certa vez vi o programa do Discovery h&h sobre os acumuladores. É triste de ver!
    Uma das mulheres perdeu o “namorado” (era marido, mas com tanta bagunça não morava mais lá) porque ele teve um infarto enquanto estava a visitando e o socorro não conseguia chegar até o homem porque era impossível andar na casa!
    A mulher estava perdendo a guarda da filha para a irmã, que era a única que estava interessada em ajudar, mas a mulher a via como uma vilã.

    Eu sei, pode parecer falta de amor próprio e que a pessoa não se importa com quem ama, mas não é verdade. É uma doença assim como depressão, TOC, e tantas outras que podemos desenvolver ao longo da vida. Muito disso é desencadeado por uma privação ou perda muito grande que essas pessoas tiveram e tentam compensar naquilo que acumulam.

    Por fim, se você conhece alguém assim (normalmente quem tem o problema nunca conhece o que é o limite aceitável) lute para ajudá-la porque apoio de familiares e amigos é importante mesmo quando a pessoa parece que não tem cura, pois leva muito tempo para se tratar questões psicológicas como essas.

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    1. Thais Godinho

      Com certeza, Andressa. Obrigada pela participação.

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