Como estou usando o Evernote atualmente – Julho 2021

A importância deste post é a seguinte: um dos maiores “gaps” de organização das pessoas no dia a dia é ter um lugar confiável para armazenar informações de referência e arquivos – aquilo que não demanda necessariamente nenhum tipo de ação mas que a pessoa quer armazenar para consulta posterior ou referência geral. O Evernote é uma ferramenta que pode ser usada para essa finalidade mas, depois das últimas mudanças de recursos e de design, eu fiquei um pouco desgostosa da ferramenta, testando outras em seu lugar, como o Notion. Esse distanciamento foi bom porque me fez perceber o que eu gostava no Evernote e para que eu poderia continuar usando-o como ferramenta. Neste post, vou mostrar como tenho usado então.

O pulso do Evernote ainda pulsa.

Eu tenho uma vida de notas lá. Uso o Evernote desde 2012 ou 2013. Não faz sentido, para mim, dedicar um tempão “migrando” notas de referência de uma ferramenta para a outra. O que vale, sim, é uma revisão e uma reinstalação, no sentido de configurar a ferramenta para usá-la atendendo minhas necessidades no momento.

No momento, então, a configuração dele está assim:

Cadernos:

  • IN: para tudo o que entra de modo geral e ainda não foi processado, especialmente o que envio via e-mail
  • Arquivo: o arquivo geral, onde está a maioria das coisas no momento, e que pretendo revisar nos próximos meses para fazer uma limpa e entender se essa configuração atual me atende mesmo
  • Artigos: para artigos acadêmicos, porque simplesmente faz mais sentido para mim, é mais fácil de armazenar e consultar
  • Journal: para diário, onde escrevo diariamente (gosto de manter aqui)
  • Scans: recibos, comprovantes e tudo o que digitalizo através do app do celular
  • Web Clipper: tudo o que recolho da web e que não seja um artigo científico vem para cá

A organização por assunto se dá de duas maneiras simples porém efificientes:

  1. Título da nota
  2. Etiquetas

Sem muito segredo mesmo. Peguei uma receita através do Web Clipper, ajustei o título da nota e coloquei a etiqueta “Receitas veganas”. Pronto.

Como falei, nos próximos meses eu pretendo acessar um pouquinho todo dia para ir revisando o que tenho no caderno de arquivo, porque a vida muda, muita coisa guardada não precisa mais ficar ali. Vou deletar notas, mesclar algumas, talvez considerar migrar uma ou outra coisa para outra ferramenta. Mas, por hora, me parece que esse repositório vai funcionar bem para a função que ele faz de melhor, do meu ponto de vista, que é arquivar todas essas coisas digitalizadas, recolhidas da web etc, que quero manter como referência para consulta em algum momento.

Vale a pena dizer que, por mais que existam tantas ferramentas boas no mercado, e que, o Evernote, por exemplo, tenha tantos recursos, a gente não precisa usar todas as ferramentas nem todos os recursos que cada uma oferece. O grande segredo, para mim, está no foco atribuído a cada uma delas. Na minha cabeça, entendendo que o Evernote funciona para TAL coisa, isso faz sentido e torna a manutenção diária da organização muito mais fácil.

Backlog, arquivo de referência e outros elementos do processo de organização que são eternos

Existem alguns elementos em nosso sistema de organização que, uma vez que a gente comece a cuidar deles, não têm mais fim. Isso não é uma coisa ruim. É simplesmente parte do processo. Organização é como escovar os dentes. Não é porque você escovou ontem que não precisa escovar hoje. Pelo contrário – precisa escovar várias vezes ao dia, após cada refeição, pelo menos. Com a organização acontece o mesmo. Em vários momentos do dia, podemos sentir que as coisas saíram um pouco do controle. “Fiquei a manhã sem olhar minhas mensagens – já tem um monte acumulado”. É isso. Todo dia, o dia todo. Com o trabalho, com a família, com as atividades em casa, com as mensagens, compras, reparos. E arquivos. Hoje, quero falar um pouco especificamente sobre esse acúmulo de informações que acabam se juntando diariamente.

“Backlog” é um termo comum, em produtividade, mas eu só o passei a usar com propósito após fazer cursos de GTD (método de produtividade que amo e falo muito aqui no blog). O termo tem outros usos dependendo de diferentes metodologias (como SCRUM), mas aqui o uso de backlog que faço é o que aprendi no GTD, que é: tudo o que não foi processado e organizado.

Isso significa que:

  • papéis
  • boletos
  • anotações
  • e-mails
  • mensagens
  • arquivos salvos
  • tudo nessa mesma natureza

Tudo isso, quando chega até você, e você deixa acumular – ou seja, não analisa rapidamente cada item, decide o que significa (se demanda ação ou não, se é lixo, arquivo ou material de suporte a ações ou projetos) e então organizo no local apropriado (que seja a lixeira). É um processo que deve ser feito diariamente justamente para não acumular e que garante que você mantenha uma parte da sua vida organizada.

Eu sei que não é fácil incorporar esse hábito de uma única vez. Na verdade, pode levar anos. Mas, assim como outros hábitos importantes em outras áreas da sua vida (como fazer exercícios, analisar gastos na sua fatura do cartão de crédito ou lavar a louça), você não quer ou não pode desistir porque são atitudes realmente básicas e, acima de tudo, importantes por alguma razão. Encontre essa razão e terá a motivação necessária para fazê-lo (ou não, e você é completamente livre para escolher não fazer se não achar que isso seja importante para você!).

Como começar

Pode ser que você tenha bastante backlog acumulado até este momento da sua vida (hoje). É normal! Acho que 99% das pessoas do mundo que não são organizadas desde o nascimento (vai que elas existam!) viveram suas vidas de maneira comum, sem pensar sobre esse assunto. Mas chega uma hora que incomoda. E aí, começa a atrapalhar. Se for o seu caso, seja bem-vindo/a! Vamos ver como fazer.

Na verdade, é bem simples: você vai criar uma pasta em cada dispositivo (isso vale para o seu e-mail, a sua área de trabalho no computador, uma caixa para a papelada em casa ou no escritório), etiquetar como “backlog” e colocar tudo dentro. Se quiser, pode colocar uma data (tipo, de junho 2020 para trás ou algo do tipo).

Agora, o grande segredo é não tornar essa pasta um arquivo morto. Em um primeiro momento, faça uma análise do que é:

  1. Obviamente lixo, e jogue fora;
  2. Alguma pendência, e separe (você pode ter uma pilha ou nova pasta etiquetada como “pendências”;
  3. Algo que não tem qualquer pendência, mas você precisa guardar.

Quando você terminar de fazer isso, seu foco deve ser em resolver as pendências. A Marie Kondo, que provavelmente você já deve ter ouvido falar (ela ficou particularmente famosa nos últimos anos com seu método KonMari – tem até série na Netflix, se quiser conferir), recomenda tirar uma semana para resolver TUDO. Aí você pode fazer por partes né. Esta semana resolve as pendências no e-mail, na semana que vem as pendências de papelada etc.

Depois que terminar de resolver todas as pendências, aí sim você pode começar a organizar o arquivo, ou seja, aquilo que precisa guardar por qualquer motivo, mas que não demanda ação, não é “pendência”. Para isso, simplifique. Pastas simples, etiquetas com o assunto, ordem alfabética e pronto. Claro que existem técnicas incríveis de arquivamento, uso de etiquetadoras mas, em um primeiro momento, se você não quiser, não precisa. O importante é que seja funcional – fácil de guardar coisas novas e de achar coisas antigas.

Bem, e talvez seja importante reforçar que esse é um processo contínuo. Pode levar um tempo para fazer tudo pela primeira vez mas, depois, basta manter organizado diariamente ou de tempos em tempos. Se você deixar acumular, vai ter que passar por todo esse processo de novo, e vai “perder” muito mais tempo, além de deixar pendências importantes possivelmente se tornarem urgentes. Por isso, a recomendação é que você faça, ao longo do dia, todos os dias, um pouquinho de cada. Com seus e-mails, com os boletos que chegarem em casa, com os arquivos no computador. No seu ritmo, à medida que puder. É até uma boa maneira de se distrair um pouco das outras atividades.

“Mas eu não tenho tempo para fazer isso. Eu já tenho muita coisa para fazer!” Chega mais, meu querido amigo. Welcome to the jungle. É isso mesmo. Agora lide com essa: quanto mais você se dedica a atividades de organização, como essas deste post, mais tempo você terá para fazer o que realmente importa. Mas isso é uma coisa que não adianta eu falar – você precisa colocar à prova. Então teste! Teste realmente e depois me conta. Combinado?

Como eu organizo o Google Drive

Google Drive é uma ferramenta do ecossistema da Google, bastando você ter uma conta Gmail para poder acessar.

Existe na versão gratuita e paga (para mais espaço). Pela minha experiência, depois de quase 20 anos usando eu optei por ter uma versão paga, apenas porque uso arquivos grandes e pesados para transferência, no trabalho. De modo geral, a gratuita sempre me atendeu (o plano Basic armazena 30Gb).

Dentro do que ensino aqui, completamente associado ao que aprendi com o método GTD, o Google Drive se encaixa muito bem como uma ferramenta para gerenciamento de arquivo de referência geral. Ou seja, um compartimento para pastas e arquivos que você precisa guardar por algum motivo e consultar facilmente. Você pode armazenar, editar e compartilhar de qualquer lugar, o que é uma das maiores vantagens da ferramenta.

Para variar, se tratando de uma ferramenta Google, um ponto forte do Drive é a sua busca. Mesmo que você não use uma estrutura tão organizada de pastas, você consegue encontrar facilmente o que você precisa fazendo uma busca pelo nome do arquivo ou analisando os filtros como “recentes”, “compartilhados comigo”, “alterado em” etc.

A recomendação para organização será diretamente associada ao que o David ensina no método GTD:

  • Evitar sub-pastas. Manter as pastas em uma única hierarquia. Em vez de usar umas estrutura de pasta “História > História do Brasil”, você criaria pastas em uma única hierarquia como “História geral”, “História do Brasil” etc. Isso facilita encontrar as coisas pois você não precisa entrar em pasta por pasta pra saber.
  • Nomear intuitivamente para você, geralmente com palavras-chaves. Não adiante criar uma pasta com o nome do seu marido se você o chama por um apelidinho carinhoso. Use o apelido. Vale pra tudo.
  • Revise pelo menos uma vez por ano para excluir arquivos que não sejam mais necessários. Isso também ajuda a não manter arquivos duplicados ou extrapolar o limite da sua conta.

Como eu uso

O Google Drive não é a minha ferramenta padrão para armazenamento de referência (prefiro o Evernote). Mas muitas pessoas com as quais trabalho e lido diariamente usam o Google Drive e compartilham arquivos comigo por lá, então é necessário ter uma estrutura organizada nessa ferramenta. Acabo usando vez ou outra para alguns materiais se isso for mais prático: abrir arquivos em Word ou Excel (não tenho na minha máquina, gerar PDFs facilmente de textos e outros).

Uma visão geral de como está hoje a parte do menu chamada de “Meu Drive”, que é a parte que consigo organizar:

Tudo o que está aí, está por algum motivo. Alguns exemplos:

  • Ayurveda: guardo arquivos pesados de livros antigos digitalizados, que não cabem em uma nota no Evernote. O acesso aí é mais fácil para eu visualizar de outros dispositivos, quando preciso.
  • Call Daniel é uma pasta da empresa compartilhada comigo. Eles organizam TUDO no Drive, então é uma fonte importante de acesso.
  • Em Concursos eu tenho arquivos antigos da época que eu estudava para concurso. Mantenho aqui porque é mais fácil de compartilhar com amigos, quando preciso.
  • Contabilidade traz arquivos que preciso compartilhar com a minha contadora com facilidade.
  • Currículos, mesma coisa. Fácil de editar e fácil de compartilhar, se precisar. Não estou procurando emprego mas mantenho essas informações atualizadas porque de vez em quando me pedem quando faço entrevistas ou ministro cursos / palestras nas empresas.
  • As pastas de cursos trazem arquivos que considero mais fáceis de manusear no Google que em outro lugar, como apresentações e apostilas.
  • Por aí vai.

Quando a gente precisa armazenar um arquivo que não demanda ação ou é um documento de apoio / suporte, você precisa escolher que ferramenta vai melhor te atender. Você pode ter várias, isso não é um problema. O problema é a falta de processo. Se eu uso o Drive, o Evernote e o Dropbox para arquivos de referência, e se por algum motivo eu não me lembrar de onde coloquei, eu tenho apenas esses três locais para procurar. E a estrutura de pastas, assim como a busca eficiente, são recursos que facilitam bastante.

Eu não gosto de sincronizar com as pastas do meu computador porque já tive problemas com isso no passado. Lotou meu computador de arquivos e tive problemas na sincronização, perdendo arquivos por conta de atualizações. Tenho certeza que existe uma maneira certa de evitar esses erros, mas preferi simplificar para mim e ir pelo caminho mais fácil, que é como uso no momento. Acredito que não exista um jeito melhor ou “certo” de usar, mas atender necessidades e personalizar.

O David diz que o sistema de referência deve ser simples e acessível. É isso. A gente não precisa complicar mais do que isso. Se obedecer esses dois critérios, já é suficiente. Você não precisa inventar mil maneiras de organizar ou fazer – basta que funcione. A gente cria estruturas apenas para facilitar, nunca deve ser para complicar.

O arquivo de referência organizado é tão importante que o David diz que ele precisa ser providenciado antes mesmo de você querer começar a usar o método GTD™. Existem diversas ferramentas que podem ser usadas para organizar o seu material de referência, tanto no analógico quanto no digital. Depende do espaço que você tem, das suas necessidades e vontades.

Parafraseando meu colega Tadeu Motta, não existe arquivo morto. Seu arquivo deve se manter relevante para você. Vale a pena, de tempos em tempos, revisar o que guardou para fazer uma limpa ou melhorar as informações armazenadas.

O bom de armazenar informações e documentos na nuvem é justamente a facilidade de acessá-los quando você precisa deles. Considere carinhosamente, caso ainda não use. Imagine você resolvendo um problema no cartório da sua região, a atendente te pede algo que você não tem, mas está armazenado a um clique no celular? Facilita pra caramba no dia a dia.

Como todo o restante dos itens dos fundamentos, da fundação mesmo, no método GTD™, é essencial simplesmente ter e usar, colocar para rodar, porque só assim você verá o que pode melhorar e a importância da categoria. E, para saber se está funcionando, basta pensar: eu simplesmente uso essa ferramenta em vez de ficar pensando e me preocupando com ela? É isso.

Revisão das recomendações sobre arquivos de referência no livro do GTD e reorganização do meu Evernote

Nos últimos dias eu senti necessidade de revisar o que o David Allen fala sobre arquivamento de referências no livro do GTD (“A arte de fazer acontecer”) e eu quis compartilhar com vocês as minhas percepções e aprendizados atuais.

Eu estou aproveitando esse momento em casa (da quarentena) para tentar reduzir ao máximo meus arquivos impressos, repensar os arquivos impressos da empresa (que estão no escritório) e reorganizar os arquivos digitais.

Uma coisa que eu já fiz foi reorganizar o meu Evernote. A primeira atitude foi padronizar três cadernos, o que considero suficiente para o uso que faço hoje da ferramenta.

Basicamente, um caderno de Entrada, que é o caderno padrão, para onde vão todas as notas que envio para a ferramenta. Sempre que capturo algo (pelo app do celular ou pelo Web Clipper no Google Chrome, ou enviando por e-mail), vai primeiro para a entrada, onde eu processo e aí organizo no local mais adequado. De maneira geral, todos os dias faço essa pequena e rápida revisão, que me toma poucos minutos justamente porque o sistema de arquivamento está fácil e bem estabelecido.

O caderno de referência geral contém o arquivamento das notas, que eu gerencio por assunto, via etiquetas. As etiquetas estão nomeadas intuitivamente de acordo com palavras-chave, pois assim aparecem arquivadas em ordem alfabética, que é o que o David recomenda no livro. Eu estou justamente nessa fase de analisar etiqueta por etiqueta para ver o que ainda faz sentido manter. Leva um tempinho, faço um pouco por dia, sem pressa. Qualquer informação que eu precisar já está ali, então não é “urgente”, e sim um trabalho de formiguinha, para ir ajustando aos poucos mesmo.

Tenho uma etiqueta “backlog” onde estão basicamente itens antigos incubados, de quando eu organizava as minhas listas no Evernote. Tudo o que for corrente, ou seja, projetos e ações, eu migro em uma única Revisão Semanal. Mas checklists e incubados têm volume maior, então migro aos poucos. Tudo dessa natureza está nessa etiqueta “backlog”, que vou migrando de pouco em pouco também, sem tanta pressa. De modo geral, a cada revisão semanal, quando chego na parte de revisar os itens incubados, se eu tiver tempo disponível eu olho o que tem aqui no Evernote e vou deletando ou migrando aos poucos.

Para ser bem sincera, apesar de estar migrando para o Todoist novamente, ainda me pergunto se esses itens que demandam revisão menos frequente não ficariam melhor no Evernote mesmo. Enfim, nada prioritário nessa decisão – como falei, se precisar encontrar essas informações, sei onde estão. O que precisa ser revisado diariamente (ações) e semanalmente (projetos) já está devidamente organizado onde precisa estar mesmo (Todoist).

A pasta (caderno) de artigos para ler também não tem nada urgente, e sim artigos que vou agrupando pela Internet e, quando tenho um tempinho, vou lendo aos poucos e arquivando se quiser guardar.

Algumas notas que tomei nessa nova leitura da parte sobre arquivamento do livro do David (a partir da pág. 130 na edição mais recente, de 2015, no Brasil):

  • É importante ter um arquivo atualizado porque não ter isso é o que mais causa bagunça no dia a dia. Você recebe arquivos em papel e no digital e, se não tiver esse sistema de arquivamento, vai acumular as coisas e gerar uma bagunça que não era pra ter justamente se você tivesse esse arquivamento estabelecido.
  • Arquivo de referência geral é diferente dos arquivos específicos que você pode ter dependendo da sua profissão ou hobbies. Por exemplo, se você for dentista, deve ter um sistema de arquivamento específico dos seus pacientes. O sistema de arquivamento geral é para recibos, cartões do banco, cartões fidelidade, essas miscelâneas da vida.
  • Sobre ter ou não pastas físicas, óbvio que todo mundo está reduzindo desde que começamos a digitalizar tudo, mas ainda precisamos de pastas físicas para contratos, cartões, dinheiro e outros itens físicos. Então nem se estresse com essa condição, apenas abrigue o que existe de uma maneira organizada e que ocupe o menos espaço possível.
  • Se você tem uma pessoa que possa arquivar e organizar essas coisas para você, tenha uma bandeja “de saída” na sua mesa e coloque um post-it “arquivar” para essa pessoa. Mas, de modo geral, a maioria de nós não tem um assistente ou secretária que possa fazer isso, e mesmo quem tem agora durante a pandemia tem que se virar para arquivar em casa. Então por favor, assuma a responsabilidade e organize-se. Tenha uma bandeja física em casa para colocar e processar os papéis diariamente, tenha um sistema de arquivamento funcional, e o mesmo vale para os arquivos digitais.
  • Arquivos de referência digitais podem ser armazenados em vários softwares, de acordo com os recursos que você precisa ter, e isso varia de pessoa para pessoa. Não tem uma regra certa, uma recomendação padrão ou “a melhor ferramenta”. O que funciona é aplicar a mesma organização em todas – que, segundo o David, é simplesmente o padrão alfabético – e assim você consegue encontrar o que quiser sempre que tiver necessidade. Você vai olhar em duas ou três ferramentas no máximo e vai encontrar o que precisa se tiver organizado assim. Mas se complicar a sua vida criando mil categorizações, códigos de cores e sub-pastas, certamente vai complicar.
  • Tem que ser fácil arquivar e encontrar arquivos. Ele chega a citar “menos de um minuto” como parâmetro de referência. Portanto, parta disso para ver o que você precisa fazer para ter esse arquivamento rápido. Tanto no físico quanto no digital.
  • No caso de arquivos físicos, você tem que ter um estoque fácil de pastas e etiquetas pra armazenar coisas novas que aparecerem na sua caixa de entrada. Você tem?
  • No digital isso é mais fácil, mas depende de você ter estruturado as ferramentas. Você estruturou? Se surgir um arquivo digital que você precisa arquivar, seu processo já está claro? Esse é o ponto.
  • Não economize recursos para ter o que precisa, para seu arquivo ser funcional. Isso não é sinônimo de consumo sem necessidade. Quer dizer que, se você entendeu que precisa de um gaveteiro legal, você terá o gaveteiro legal. E não que você vai sair comprando um gaveteiro apenas porque pode ser que ele seja necessário. Não, identifique suas necessidades antes.
  • Organizar os arquivos em ordem alfabética é a maneira mais simples de organizar e encontrar qualquer coisa. Você pode criar pastas de A a Z ou criar as pastas por assunto e colocar esses assuntos em ordem alfabética. Depende do que faz mais sentido para você. Isso vale tanto para o físico quanto para o digital. Ou seja, se você tiver pastas de plástico etiquetadas com cada assunto, você vai colocá-las na sua estante em ordem alfabética. No digital geralmente isso é automático.
  • Na pág. 134 eu ressaltei uma coisa que ele fala e que é bem importante, especialmente sobre o digital, que é o lance de você sair guardando um monte de coisa sem nem saber se vai mesmo precisar daquilo. Acho que vale para o físico também, quando a gente fica anotando um monte de informação desnecessária em aulas, reuniões etc. Você aos poucos vai desenvolvendo um bom-senso sobre o que quer ou precisa guardar, sabe. Porque seu arquivo tem que ser um negócio útil e funcional, e não um buraco negro onde você enfia tudo o que encontra.
  • Muitas vezes, você pode perceber que algum assunto ou tópico ficou grande demais para um arquivo de referência geral e merece um arquivamento específico. Mas, via de regra, ele nasce geral, pelo que entendi. Então sei lá, você pode começar a guardar coisas sobre o assunto “GTD” e, de repente, você está trabalhando com isso e o assunto em si vira um tópico enorme que demanda um sistema de arquivamento específico. Acredito que isso valha para profissões, para cursos grandes (tipo uma graduação, mestrado ou doutorado). Cada um deve avaliar na própria vida. Aí você organiza em pastas, estantes, caixas, é outra coisa. O sistema de arquivamento geral é isso, um arquivo geral para coisas que não cabem em arquivamentos mais densos, específicos. Porque a maioria das coisas arquivadas será assim.
  • Ele enfatiza a coisa de não lotar pastas e arquivos físicos, o que sempre é bom relembrar. Então é você deixar tudo mais ou menos com um respiro sempre (não encher mais que 3/4 das pastas), e sempre ter material sobressalente para criar novas pastas, se precisar – o que falei antes.
  • Outra coisa que reparei, na pág. 136, é que ele fala sobre aprendermos a distinguir “arquivo morto” para guardar em outro lugar, mais longe, que não precisa ter tanto acesso – é só um arquivo que você tem que ter mas não acessa no dia a dia. Eu já fiz cursos de gestão de documentos e é óbvio que o conceito de “arquivo morto” aqui não diz respeito a você deixar o arquivo lá e esquecer que ele existe, mas sim de que existem arquivos mais permanentes que você quase não consulta, mas precisa guardar. O que o David está dizendo, no meu entendimento, é que você pode deixar em um lugar menos acessível esses arquivos, menos acessíveis que outros que você precisa consultar com uma regularidade maior, de modo que eles não se misturem com o arquivo de referência geral atualizado que você pode querer consultar sempre. É uma questão interessante que pretendo estudar mais daqui em diante para aplicar no meu sistema de arquivamento pessoal. De fato, tem que coisas que não precisam estar sempre à mão (de referência), enquanto outras precisam. Tenho algumas questões para reavaliar aqui em todo esses âmbitos e achei interessante de postar.
  • Ele também encoraja cada um a escolher um “dia da faxina”, geralmente na época das festas de final de ano (que está todo mundo naquele clima de virada), para limpar e esvaziar os arquivos.
  • Um ponto que ele ressalta e que considero essencial é que as pessoas costumam não ligar para os arquivos a não ser quando precisam de algo urgente. E o que ele está incentivando é que a gente cuide disso antes de algo se tornar urgente mesmo. Que é legal ter um arquivo funcional para o dia a dia, pois ele pode dar grande suporte a tudo o que precisamos fazer, desde encontrar um documento até armazenar referências que podem ser usadas para aulas, no caso dos professores, por exemplo, ou leis, no caso de advogados, concurseiros etc. Para cada pessoa, existe um universo de arquivo de referência que pode ser sempre organizado e melhorado, e ele está incentivando que cada um repense sobre o seu antes que você precise de algo com urgência, é isso.
  • Ele finaliza essa parte do livro dizendo como é importante que a gente entenda que cada categoria do GTD, incluindo arquivos de referência, seja diferenciada fisicamente, para que a gente não confunda com outras categorias de coisas.

Enfim, foi bem bacana fazer essa releitura porque tive poderosos insights. Essa é importância de revisar qualquer livro ou material de estudo, não apenas do GTD, mas de qualquer assunto.

Ainda sobre ferramentas, terei mais a compartilhar mais adiante sobre o físico (em casa e no escritório) e o digital (Dropbox, Google Drive e outros), que estou trabalhando no momento. Mas, como o post ficou muito grande, me ative ao que venho fazendo no Evernote e a essa revisão do livro, o que acho que pode ser útil para você repensar seu sistema de arquivamento hoje para que te sirva não apenas durante a quarentena, mas estabelecendo um processo que você possa dar continuidade depois. Se você teve algum insight lendo este post e quiser compartilhar comigo, deixe um comentário, por favor. Obrigada!

Como organizar os favoritos no computador

Os favoritos (bookmarks) do computador são apenas arquivos de referência: não demandam nenhum tipo de ação, mas eu quero ou preciso guardar por serem interessantes, úteis ou porque estão servindo a algum propósito.

Quando quero organizar alguma coisa, sempre começo pensando no propósito. Para que servem os favoritos no computador? Para mim, eles servem para organizar os links que eu acesso com frequência pelo meu computador.

Gosto de tomar cuidado para gerenciar bem a dinâmica entre o que entra nos favoritos e o que pode ser armazenado em outros locais.

Por exemplo, se encontrei um artigo que quero ler, não vou salvar nos favoritos. Você até pode. Minha recomendação é criar uma pastinha “ler”. Mas, para mim, e isso é muito pessoal, eu não pretendo ler apenas quando estiver no computador, mas em qualquer outro lugar. Logo, para mim faz sentido guardar em outro programa. Existem vários que você pode usar. Eu uso o Evernote. Lá, tenho um caderno chamado “ler” onde vou agrupando esses textos supostamente interessantes e, em oportunidades diversas, vou lendo o que estiver guardado ali. Depois de ler, decido se quero armazenar o texto em outro local ou fazer alguma outra coisa com ele.

Se eu não me incomodo com a quantidade de textos nesse caderno, por que outra pessoa se importaria? 😉

O Feedly, por exemplo, é um agregador de feeds, muito útil para acompanhar atualizações em blogs. Muito útil, mas estou deixando de usar aos poucos porque 1) eles às vezes dá erro e não mostra algumas atualizações e 2) acho legal visitar os blogs mesmo para ler, pois assim dou uma força para o blogueiro e ainda leio o texto na configuração de design que ele mesmo escolheu. Logo, nesse caso, vale a pena ter uma pasta com os meus blogs favoritos, na barra de favoritos do meu navegador.

O Feedly ainda é muito útil para agregar e compartilhar, mas consigo fazer isso através dos próprios blogs também.

Sobre o armazenamento de textos no Evernote, depois que eu li. Eu armazeno apenas aquilo que quero ter guarda permanente, ou seja, não quero depender do negócio estar ou não na web futuramente, quando eu for procurar aquela referência. Por exemplo, uma receita de comida. É mais fácil salvar o texto no Evernote do que salvar nos favoritos, porque o site pode sair do ar e eu não ter mais acesso àquele conteúdo.

Para salvar textos no Evernote, eu utilizo a extensão Web Clipper, que acho fundamental.

Existem alguns aplicativos e extensões para gerenciar os favoritos, mas eu sou básica e prática e prefiro usar o gerenciador de favoritos do Google Chrome mesmo.

Na barra de favoritos eu costumo deixar os links que acesso diariamente. Aí tenho duas outras categorizações, de links para projetos (coisas que têm fim) e referência geral. Em projetos eu organizo links de coisas que estão em andamento no momento – cursos que estou fazendo, viagens, esse tipo de coisa. Simplesmente porque é mais fácil acessar dali. Em referência, são links gerais, de consulta mesmo.

Minhas categorias vão sendo criadas organicamente, à medida que preciso, e não de antemão. Como já comentei em outro post, a taxonomia pessoal depende de cada um. No meu caso, esses temas atendem bem:

Uma coisa que me ajuda muito é organizar as pastas de referência em ordem alfabética simples dentro dessa pasta. Eu já tentei usar pastas de A a Z (tipo, pasta A, pasta B, pasta C) e outras pastas com os assuntos em si dentro delas, o que até acho ok, mas para mim era apenas mais uma etapa (desnecessária) para armazenar ou encontrar o que eu precisava, então simplifiquei.

Também ajuda organizar manualmente os favoritos em ordem alfabética dentro de cada pasta, mas confesso que isso é apenas um detalhe que me ajuda, não algo essencial.

Como todo arquivo de referência, meus favoritos estão sempre mudando e se adaptando às minhas reais necessidades. Toda vez que busco algo nas pastas eu aproveito para revisar e fazer mudanças se sentir que isso pode me ajudar.

Como organizar os favoritos no computador

Para organizar o seu arquivo de favoritos, use o seguinte passo a passo:

  1. Qual o propósito da minha organização dos favoritos?
  2. Por que eu preciso ter isso organizado?
  3. O que eu preciso ter com fácil acesso através de links no meu navegador?
  4. Crie pastas para agrupar itens em comum e nomeie apropriadamente
  5. Mantenha em ordem alfabética
  6. Procure deixar a barra de favoritos limpa

Deixe um comentário aqui embaixo contando um pouquinho como está o seu arquivo de favoritos no computador. 🙂 Que categorias você usou? Qual o propósito desses links para você? Obrigada!

Organização de arquivos domésticos e pessoais

Sempre achei curioso quando lia o David (Allen, autor do método GTD) dizendo que um dos maiores fatores de bagunça e confusão mental para a maioria das pessoas era não ter um sistema de arquivamento de referências eficaz. Um arquivo de referência pode significar muita coisa. Pode ir desde a sua agenda de contatos até as escrituras, certidões, recibos do Imposto de Renda e outros documentos importantes. São, dentro do GTD, o que categorizamos como “não demanda ação, mas precisamos guardar”.

O tal arquivo de referência é tão importante que, no livro, ele diz que a pessoa precisa tê-lo antes mesmo de se propôr a usar o método, pois essa parte 1) leva tempo e 2) é decisiva sobre onde armazenar alguns materiais. Em resumo, se você não tiver isso organizado, não adianta tentar implementar método algum, pois a bagunça vai se instaurar. Você vai se fazer fazendo pilhas de papéis e arquivos, acumulando novamente documentos que fez download em sua área de trabalho e por aí vai.

Eu poderia passar o post inteiro dizendo quais são os benefícios de você ter um sistema de arquivamento organizado, mas vou focar em apenas três: sua vida fica mais fácil (por encontrar rápido o que precisa), você economiza tempo (idem) e reduz frustrações (é extremamente frustrante você precisar de um documento que sabe que tem mas não tem ideia de onde está).

Para ler especificamente sobre arquivo de referência dentro do método GTD, temos outro post aqui que entra em detalhes. Mas recomendo a leitura apenas após o término deste aqui, que dá uma visão mais geral, tá bem?

Toda e qualquer solução de organização, do meu ponto de vista, deve se adequar à sua vida para funcionar de verdade. É importante que cada pessoa analise suas necessidades e busque então soluções de organização que tenham a ver com a vida que se tem. Com a organização dos arquivos é a mesma coisa.

A ideia é sempre encontrar lugares lógicos para colocar qualquer tipo de coisa – e isso vale não apenas para arquivos, como para os objetos na sua casa e até mesmo as suas listas de afazeres (por isso a gente aprende a organizá-las por contextos – onde você precisa estar para ver as opções do que pode fazer estando efetivamente ali).

Este post também poderia falar sobre gerenciamento de arquivos de trabalho (e certamente todas as dicas trazidas aqui podem ser aplicadas a eles), mas vai focar essencialmente nos seus arquivos que estão em casa, seus arquivos pessoais, da casa em si e da sua família. Porque, no trabalho, muitas vezes a gente tem normas e orientações. Mas e em casa? Portanto, espero que o post seja verdadeiramente útil nesse sentido.

Quando falo sobre organização de arquivos, não consigo deixar de lembrar do meu colega de profissão Tadeu Motta, que inclusive tem cursos sobre gestão de arquivos (e recomendo!). Ele sempre diz que não existe essa de “arquivo morto”. Isso é o fim da picada. Quando alguém fala em arquivo morto, eu logo me lembro daqueles almoxarifados enormes, com caixas de mil novecentos e bolinha, algumas mofadas ou estragadas, que ninguém nunca olha. Eu sei que as nossas casas têm cada vez menos espaço, então por isso mesmo não há ar e espaço a perder com coisa que não precisa ser guardada. Lembra que eu sempre falo aqui que não é possível organizar tralha? Então, para o arquivo de referência, isso cabe lindamente. Não é para ser um arquivo morto. É para ser sua “biblioteca” pessoal de consulta, limpa e atualizada.

A gente pode chamar de arquivo um conjunto de documentos que foram reunidos seguindo algum tipo de critério. Então, daqui em diante, quando me referir ao sistema como um todo, usarei apenas “arquivo”, tá bem?

Dois tipos de arquivos de referência

Você pode ter um arquivo de referência geral, que vai organizar os documentos que você tem dentro de variadas categorias, que chamamos de taxonomia pessoal. E também pode ter arquivos de referência específicos, como por exemplo a sua agenda de contatos telefônicos, um catálogo de clientes ou pacientes, um caderno de receitas e por aí vai.

De modo geral, o que torna um arquivo de referência geral específico é o seu volume. A gente vai falar mais sobre isso posteriormente. Por enquanto, preocupe-se com seu arquivo geral, pois ele que resolve a vida de 99% das pessoas.

Físico, digital e ambos

Quando se fala em arquivo, a tendência a acumular papel é gigantesca. Por isso, você precisa ser criteriosa/o para saber o que deve ser armazenado em formato físico, o que deve ser digitalizado e o que deve manter em ambos os formatos (como backup ou consulta).

Uso corrente, consulta ocasional e guarda permanente

Você também precisa aprender a diferenciar os tipos de arquivos. Existem arquivos que você simplesmente está usando no momento. Por exemplo, enquanto escrevo este post, eu tenho alguns materiais aqui comigo, que estou usando como referência para um projeto de conteúdo sobre arquivos que eu tenho. Outro exemplo são as contas do ano da casa, recibos de banco, provas e trabalhos do ano escolar do seu filho – tudo isso são arquivos de uso corrente, que estão rolando no momento, na sua vida.

Agora, existem outras duas categorias de arquivos, que são: 1) os arquivos para consultas ocasionais e 2) os arquivos permanentes, que são basicamente aqueles que você não mexe NUNCA mas precisa guardar por qualquer motivo.

Ciclo de vida do documento

Cada documento passa por um processo, um ciclo de vida próprio. Quando ele chega na sua vida, você o processa e decide se precisa manter ou não. Se precisa mantê-lo, mas não demanda qualquer tipo de ação, você vai arquivá-lo. Simples assim. Agora, ONDE você vai arquivá-lo é o que faz diferença, e é para isso que serve a organização. 🙂

Ferramentas para gerenciar arquivos

Para arquivos digitais, existem ótimas ferramentas. Evernote, Dropbox, Google Drive, Notion, entre outras. As ferramentas que você vai escolher dependem essencialmente do que você precisa. Revise as qualidades e recursos de cada uma para poder escolher.

Para arquivos em papel, minha recomendação é sempre buscar reduzir ao mínimo necessário, justamente para não ocupar espaço. Eu sou uma pessoa que trabalha com conteúdo desde sempre. Quando eu era criança, eu desenhava meus próprios gibis e escrevia meus livrinhos. Na adolescência, ainda sem Internet, eu criava fanzines! Obviamente me encontrei com os blogs, mas o mercado editorial sempre me fascinou como um todo. Por que estou dizendo isso? Porque sempre acumulei revistas, reportagens interessantes que poderiam ser usadas como fontes de consulta para o que eu estava produzindo. Com a chegada do Evernote e de outras ferramentas, eu pude digitalizar todo esse material e mantê-lo no formato digital, em vez de guardar pastas e caixas cheias de papéis. Entende o que eu quero dizer? Talvez você não se identifique porque você não tem uma profissão que demande tantos papéis assim, mas talvez tenha! O segredo aqui então é identificar o que realmente PRECISA ser armazenado em formato impresso. Não é maioria das coisas. De fato, é bem pouco. São certidões, passaportes, documentos, escrituras. Você verá, ao fazer sua análise.

Pastas, caixas, móveis: como armazenar arquivos?

A melhor maneira de armazenar arquivos de uso corrente sem dúvida são as famigeradas pastas. Quanto mais acessíveis elas estiverem, melhor. Podem ser maletas, caixas A-Z, revisteiros, caixas organizadoras, pastas suspensas – depende do seu espaço. Sinceramente, hoje em dia eu prefiro mais coisas móveis do que os grandes móveis de arquivo em si. Você pode armazenar essas pastas e caixas em estantes ou prateleiras que já existam na sua casa.

Para os arquivos de consulta ocasional, você pode usar pastas A-Z ou caixas e armazenar em um lugar menos acessível, pois eles não serão consultados no dia a dia – apenas ocasionalmente, quando necessário. Sabe quando alguém te pede um negócio que você tem e você precisa procurar, entrega, verificam, e aí você guarda de novo? Basicamente isso.

Já os arquivos de guarda permanente precisam ter um cuidado especial no armazenamento, pois a ideia é que eles durem muitos anos – muitas vezes, uma vida inteira. Para isso acontecer, você precisa analisar a natureza do material de cada documento (papel, foto, enfim) e armazená-lo no compartimento de material também mais adequado. Até cofre pode entrar aqui. Depende. Um fotógrafo, por exemplo, pode precisar de um sistema de armazenamento completamente diferente de uma advogada.

Categorias de arquivos

Taxonomia pessoal é o seu conjunto de categorias pessoais. Dá para pirar o cabeção aqui pensando em quais são as categorias pessoais de cada um. Finanças, saúde, carreira, educação, bens, veículos, bens de consumo, pets, família, lazer, serviços por assinatura são categorias comuns, mas você pode ter outras. Isso é taxonomia pessoal – identificar seu próprio conjunto de categorias.

Para organizar o arquivo, gosto de ir no mais simples, que é: 1) por assunto e 2) por ordem alfabética. No digital isso é mais fácil, pois uma vez que você crie uma pasta com um determinado assunto, ela já vai ficar automaticamente em ordem alfabética comparada com as outras. Mas, para arquivos impressos, você precisa tomar esse cuidado básico manualmente.

Uma recomendação importante, especialmente no digital, é a de evitar sub-pastas e muitas hierarquias de pastas de modo geral. Vale mais a pena ter uma visão geral de todas as pastas, mesmo que seja uma lista enorme, do que ter que ficar entrando de pasta em pasta procurando o que você precisa.

Fluxo diário de gerenciamento dos arquivos

Você vai armazenar seus arquivos diariamente, à medida que for lidando com os diversos materiais que chegam até você. Vale a pena, de tempos em tempos, fazer uma revisão geral para atualizar e fazer uma “limpa”. Particularmente, adoro fazer essa revisão na semana entre o Natal e o Ano Novo, porque é uma semana normalmente mais tranquila para todo mundo. (Inclusive é por isso que estamos falando sobre esse assunto nesta época do ano!)

“Como começar a organizar os meus arquivos?”

Nem preciso dizer que vou recomendar que você comece destralhando os seus arquivos em casa para iniciar esse processo de organização. Se você não destralhar, vai gastar espaço e dinheiro comprando caixas, pastas e móveis que não precisa. Isso não é organizar, é simplesmente arrumar, armazenar. A bagunça continuará dentro desses compartimentos.

Muito do que a organização nos ensina tem a ver com conhecer e respeitar nossos limites de espaço. Mais uma vez, isso vale não apenas para arquivos, como para objetos em casa e compromissos na agenda. Se você definir que tem espaço apenas para uma maletinha de pastas suspensas para organizar os seus arquivos, eles precisam caber ali e acabou! Esse é o conceito, entende? E aí você reduzir tudo o que tem ao máximo.

Não vou falar para você fazer isso de uma vez porque é cansativo pacas, fora que lidar com documentos é algo a se fazer com atenção. Aqui vou trazer a recomendação da minha colega de profissão Marie Kondo e recomendar que você estabeleça uma caixa para ir colocando todo tipo de papel que demande algum tipo de pendência, e aí consegue pelo menos ficar um pouco mais tranquila/o com o processo de seleção.

“Pendências” X “Arquivos”

Num primeiro momento, use uma caixa grande para colocar tudo o que você chama de “arquivo”. Você vai olhar papel por papel e determinar se demanda ação ou não. Se demanda ação, coloque na caixa de “pendências” para processar mais tarde. Se não demanda ação, coloque na caixa maior chamada “arquivo”, para apenas categorizar depois. Assim você fica sossegada/o de que não tem nada ali que seja urgente de resolver. (Mas, por favor, não use isso como desculpa para deixar a caixa mofando embaixo da escada!)

Você vai jogar muita coisa fora nesse processo. Recicle esse papel. Veja se na sua cidade há postos de reciclagem. Gosto sempre de lembrar todos que no nosso planeta não existe o “fora” – só da nossa casa mesmo. “Jogar fora” significa apenas tirar de casa, mas o destino do objeto pode ser melhor determinado por nós, buscando uma solução menos agressiva para o planeta.

De tudo o que sobrar (as caixas de pendências e de arquivos), dê conta primeiro da caixa de pendências. Pegue a semana seguinte para processar o que há nela. Assim você se livra de preocupações diversas que possam estar te incomodando. Aproveite esse mesmo momento para providenciar uma caixa de entrada física. Essa caixa de entrada não vai servir para armazenar, mas para centralizar tudo o que chega diariamente para você – de correspondências e anotações pessoais. A ideia é processá-la e esvaziá-la diariamente, para não deixar tudo se acumular de novo. Parece trabalhoso mas na verdade leva poucos minutos por dia para fazer, se você fizer todos os dias.

Quando você finalmente chegar na sua caixa maior com os papéis que precisam ser armazenados no seu arquivo de referência, tente não ficar aflita/o olhando para o todo e lide com um documento de cada vez. Quando pegá-lo na mão, pergunte-se se precisa ser mantido em papel ou se pode ser digitalizado e ter a cópia física descartada. Se tiver dúvidas legais aqui, pode ser uma boa consultar seu advogado ou contador.

Nessa fase, você vai identificar sua taxonomia pessoal. Só agora. Não é para definir essas categorias antes, entendeu? Senão você corre o risco de criar categorias desnecessárias. Por exemplo, uma vez que encontre um exame médico importante que fez e que quer manter arquivado em papel (tipo um raio-x, que é um negócio enorme), você pode pensar: “ah, ok, vou criar uma categoria para exames médicos”. É assim que deve funcionar. Ir criando organicamente as categorias. (Por sinal, uma dica para armazenar esses raios-x gigantes são aquelas pastas portfolio vendidas em papelaria e lojas de materiais para escritório. Como são grandes, avalie se vale mesmo a pena manter tais exames para justificar um armazenamento assim!)

Esse é da marca Dello e vende na Kalunga

Enfim, garanto que você terá muita diversão na sua casa após a leitura desse post! Ele poderia gerar uma série de outros conteúdos, de praticamente todos os tópicos abordados, e é isso o que eu pretendo fazer daqui em diante, para ajudar você nessa empreitada.

Encare como um projeto mesmo, algo que você não vai concluir em um dia, mas que pode levar semanas ou meses. Tá tudo certo, só não abandone o negócio. É necessário sempre fazer algo a respeito – talvez uma ou duas vezes por semana? todos os dias? você que pode determinar, de acordo com a sua vontade de terminar logo e sua disponibilidade de tempo.

De cara, queria saber um pouquinho como está a sua situação de arquivos em casa e pessoais neste momento, e o que você acha de tudo isso após a leitura do post. Aliás, obrigada por ler até aqui! Foi um texto bem grande, hein? Mas queria que ele fosse bastante completo e abrangente, e espero de verdade ter ajudado, que seja te inspirando a começar a colocar a mão na massa com relação aos seus arquivos. Como eu falei, essa é uma parte essencial da organização pessoal, incrivelmente importante, e a gente só vê a diferença quando ele está organizado de verdade.

Burlando de leve uma regrinha do GTD para zerar a caixa de entrada de e-mails diariamente

Ultimamente, por ter assumido uma nova responsabilidade (vendas dos cursos de GTD), tenho recebido um volume muito maior de e-mails e, por isso, tenho que acessar e processar a minha caixa de entrada com mais frequência. Caso você seja novo(a) no blog, saiba que eu tenho os seguintes hábitos:

  • Zerar a minha caixa de entrada diariamente. Isso inclui e-mails e What’s App. A ideia de ter uma caixa de entrada zerada (e mantê-la assim) é que você tem controle de todas as demandas externas que chegaram até você e nada te pega de surpresa.
  • Verificar meus e-mails em uma determinada frequência, em vez de ficar com as caixas abertas o dia todo (o que me distrai sempre que chega um e-mail novo).

Como vocês bem sabem, assim que a gente zera a caixa de e-mails, logo na sequência chegam uns 15 novos. Portanto, minha regrinha atual tem sido zerar uma vez por dia, pelo menos uma vez. Se novos e-mails chegarem depois, eu fico bastante tranquila de processar no dia seguinte, pois tenho uma regra pessoal de responder em até 24 horas o que precisa ser respondido.

Logo, no dia seguinte, quando vou processar meus e-mails (= com foco em esvaziar a caixa de entrada), começo pelos e-mails do dia anterior e, quando eu termino de processá-los, vou para os do dia em questão. Essa é uma pequena porém inofensiva maneira de burlar a regrinha do David Allen, que recomenda começar sempre pelo e-mail mais recente.

Também aumentei a minha frequência de leitura de e-mails. Em vez de processar duas vezes por dia, tenho processado quatro vezes (pela manhã, depois do almoço, no meio da tarde e à noite). Isso tem me ajudado a dar conta do volume.

Bem, quis compartilhar com vocês. 🙂 Mesmo com um grande volume de e-mails, continuo zerando a caixa pelo menos uma vez por dia e respondendo as pessoas em até 24 horas. Tem funcionado para mim!

Se quiser aprender GTD, verifique nossa agenda de cursos.

Como começar: commonplace book

Commonplace books são cadernos que você cria para registrar aprendizados de diversas áreas diferentes no mesmo lugar. (Leia este post para mais detalhes.) Neste post, trago um tutorial básico para você criar o seu, passo a passo:

Escolha um formato

Papel ou digital? Isso é particulamente importante, pois a ideia é que você dê continuidade ao formato que escolher. Eu preferi papel porque 1) gosto da prática de escrever manualmente e 2) vejo meus commonplaces books como um legado legal para deixar depois que eu morrer (eu pelo menos acharia legal encontrar os de alguém!).

No digital, você pode escolher o Evernote, o Google Drive ou até mesmo simples arquivos do Word em pastas. Eu acho que perde muito o charme dos CPBs, mas claro que é uma escolha pessoal.

Decida o que deve entrar

Existem algumas recomendações básicas mas, no final de contas, o CPB é seu e você pode escolher o que vai guardar. Eu gosto da ideia de guardar aprendizados, e isso vem de insights, frases que ouvi ou li e achei legais, trechos de livros, anotações em cursos e palestras, entre outros similares. Não uso como caixa de entrada (= anotações que preciso processar porque provavelmente tenho algo a fazer a respeito), mas como referência.

Simplesmente comece!

Coloque a data de hoje no início da primeira página e comece a inserir as informações. Quando o caderno acabar, coloque as datas de início e término na folha de rosto e inicie um caderno novo. 🙂

Crie um índice no final

Da última página para trás, insira um índice. Numere as páginas à medida que for preenchendo cada uma delas, para não fazer tudo de uma só vez. No índice, insira o tópico e as páginas na frente.

Boas ideias:

  • Enquanto seu caderno vai sendo construído, leve-o sempre com você para fazer anotações e também para rever os aprendizados que já registrou.
  • Ao ler um livro, grife os trechos que pretende passar para o seu CPB. Você pode querer ler mais de uma vez. Isso te ajudará a estudar e assimilar melhor o conteúdo.
  • Use canetas diferentes, misture desenhos com escritos, ou mesmo colagens. É o seu caderno.

Compartilhe comigo nos comentários se você já começou o seu. 🙂