Planos para a minha biblioteca

Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro

Muitas vezes, quando estou conversando com o meu namorado sobre uma possível futura mudança para a Europa, eu brinco dizendo que a “treta” mesmo vai ser fazer a mudança da “biblioteca dos reis” – levar toda a minha imensa quantidade de livros através do oceano para uma nova casa em outro continente. Para quem não sabe, essa história de “biblioteca dos reis” teve até um livro escrito pela Lilia Schwarcz (antropóloga):

Primeiro de novembro de 1755, dia de Todos os Santos. A população de Lisboa se apronta para viver mais um pacato dia de feriado, sem imaginar o mal que vinha da terra. Em poucas horas, um terremoto devastador, seguido de incêndio e maremoto, destruiria a capital do Império e, junto com ela, sua célebre Real Biblioteca, fruto dos livros reunidos pelos monarcas portugueses por séculos.A narrativa de A longa viagem da biblioteca dos reis começa a partir desse episódio e percorre eventos fundamentais da história brasileira, sempre através dos livros. A antropóloga Lilia Schwarcz acompanha a reconstrução do acervo nas mãos do marquês de Pombal, os tempos incertos de d. Maria I, o angustiante momento da fuga da família real – que atravessava o Atlântico pela primeira vez – e as vicissitudes de sua nova vida nos trópicos, até chegar ao processo de independência brasileiro – quando se pagou, e muito, pela Real Biblioteca.Os livros, porém, permitem mais: são símbolos de poder e de prestígio, carregam dons e possibilitam viajar no tempo e no espaço. Ao evadir-se de Portugal, d. João não esqueceu da biblioteca – que veio em três viagens sucessivas -, assim como d. Pedro I não abriu mão das obras e do lustro que elas garantiam: nada como iniciar uma história autônoma tendo uma Biblioteca Nacional desse porte para assegurar um passado e conferir erudição a um país recém-emancipado.A longa viagem da biblioteca dos reis refaz muitas jornadas e mostra como, por intermédio de bibliotecários mal-humorados, obras selecionadas, ilustrações raras e muitos sistemas de classificação, pode-se contar uma outra história desse mesmo país.

Tá, eu não tenho exatamente essa mesma quantidade de livros e livros tão raros ou de herança como nesse caso. Tudo não passa de uma brincadeira. Mas a brincadeira soa como o famoso “kkcrying”: tô brincando mas, no fundo, é algo a se pensar. Então eu queria compartilhar com vocês quais são os meus planos.

No momento – e, quando digo momento, me refiro a momento de vida – eu estou organizando a minha biblioteca na sala comercial que antes pertencia ao Vida Organizada. Como eu estou fazendo esse movimento de migração para voltar a trabalhar sozinha, alguns itens não precisarão mais estar no escritório, tais como mesas, cadeiras etc. Então a minha ideia é transformar a sala em uma grande biblioteca, onde eu possa trabalhar e estudar também quando estiver no Brasil. Isso tiraria os meus livros de casa (moro de aluguel) e os deixaria em um lugar mais meu, já que a sala é própria (ainda pagando o financiamento, mas própria). Esse processo tem sido demorado porque estou viajando muitas vezes e então estamos levando estantes e livros todos aos poucos (minha família está me ajudando com a mudança). Eu ainda tenho muitos livros na antiga casa (cerca de 300) e mais alguns tantos (uns 200) no meu apartamento. Vou considerar esse projeto concluído quando eu conseguir levar tudo para a sala e, em uma segunda etapa, ter selecionado livros que não me interessam para doar.

O fato é que, diante de uma eventual mudança de continente, obviamente eu não pretendo levar todos os meus livros. Essa será uma outra fase, em que pretendo fazer o seguinte:

  1. Levar alguns poucos livros mais significativos e que não encontrarei por lá.
  2. Transformar a minha biblioteca aqui em uma biblioteca comunitária a serviço dos trabalhadores.

Eu ainda não sei exatamente como seria esse funcionamento – se eu mesma vou administrar essa biblioteca de longe ou se vou doar para alguma instituição já existente (mais provável). Mas minha ideia é definitivamente criar essa biblioteca comunitária, disponibilizando os livros para todo mundo. Outra possibilidade é abrir uma cafeteria com livraria – sonho antigo – aqui ou na Europa. Mas isso é sonho mesmo, que ainda não virou objetivo. O mais provável é que eu parta para a opção solidária de compartilhamento dos livros. É isso. 😉

Até lá, tenho muito ainda a curtir minha biblioteca, o que faço diariamente, onde eu estiver.

Revisão de 5 anos

O período de cinco anos pode ser considerado um período de médio prazo, em que é possível trabalharmos na construção das coisas – do estilo de vida que queremos viver.

Cinco anos atrás era 2019. Mal dá para acreditar. Pensando sobre isso recentemente, eu percebi como os anos da pandemia parecem com um “borrão” no tempo. Eles existiram, muita coisa aconteceu, ao mesmo tempo que parece que 2019 foi ano passado.

De 2019 para cá, o meu filho se tornou adolescente. Eu mudei de casa. Consolidei o meu negócio. Terminei um mestrado e comecei um doutorado. Parei de trabalhar ministrando cursos de GTD. Amadureci o Método Vida Organizada. Fiz um intercâmbio (ainda estou nele). Muita coisa mudou, em definitivo.

Aqui vai então uma revisão dos objetivos de médio prazo que eu tinha cinco anos atrás e como eles foram desenvolvidos ao longo dos últimos anos:

Construir, em todas as áreas da minha vida (trabalho, saúde, finanças, lazer, casa, tudo), modelos sustentáveis (no sentido de durarem a longo prazo) de viver, pensando em uma velhice tranquila e significativa.

Isso sinceramente ainda está em construção. Passei por muitos altos e baixos nesses anos. Mudei muito. Eu ainda tenho esse objetivo, mas eu diria que ele se tornou mais um objetivo de vida que algo a médio prazo mesmo. Tanta coisa aconteceu. Minha avó morreu, eu me separei, o Bolsonaro foi eleito (isso mudou minha relação com a política para uma visão mais radical e um senso de comunidade ainda maior). Muita coisa aconteceu nesses últimos cinco anos.

Garantir a melhor formação possível para o Paul que estiver ao meu alcance. Isso inclui não apenas a formação escolar, mas também de valores, educação e vida como um todo. Agora ele tem 10 anos e está entrando em uma fase crucial da vida, na qual é extremamente importante estar perto e apoiar, para que esse vínculo nunca se desfaça (a adolescência é um desafio).

Esse objetivo eu posso considerar concluído até então. O Paul é uma pessoa incrível. Mas ainda tem chão pela frente, nesse sentido do companheirismo e maternagem, obviamente. E ele ainda tem todo o Ensino Médio pela frente.

Minha mãe mora em outra cidade, e já está claro para nós que em algum momento ela terá que vir morar mais próxima de nós, especialmente porque São Paulo capital tem uma estrutura de saúde melhor, caso ela precise – o que sempre é uma questão a se considerar quando falamos de cuidados com idosos.

Bom, depois de cinco anos, minha mãe ainda não quis se mudar. Em determinado momento, ao longo dos últimos cinco anos, eu aceitei que eu não tinha qualquer poder de decisão nisso – cabia a ela. Então decidi que meu papel era simplesmente apoiá-la no que ela precisasse e quisesse fazer, e por hora ela está bem lá onde ela mora e não precisou mudar para São Paulo ainda.

Eu amo o meu trabalho e quero fazer o que faço até o meu último dia de vida, em termos de propósito. Porém, em termos de formatos, nunca se sabe o que pode acontecer – se posso ficar inabilitada para alguma coisa, por exemplo. Logo, precisamos sempre ter “planos B” para a velhice, visando segurança, simplesmente. Então, meus investimentos serão sempre no sentido de pensar: se eu não puder mais trabalhar como faço hoje, como vamos ficar? Todo o meu trabalho, minhas finanças, nossa casa, estilo de vida, é voltado para construir uma velhice tranquila. A velhice já é desafiadora por si só com seus diversos elementos naturais – ficar preocupada com outros fatores que podem ser coordenados antes é tudo o que uma idosa não precisa.

Com base nisso eu comecei a fazer uns investimentos, mas confesso que gostaria de ter guardado mais dinheiro do que efetivamente guardei. Eu ajudei muita gente durante a pandemia. Tive amigos que correram o risco de ir morar na rua porque não tinham rede de apoio e não conseguiam pagar o aluguel. Apoiei projetos. Investi em pessoas. Colaborei financeiramente com muitas causas. Não me arrependo de nada disso, mas é importante citar porque foi por esse motivo que eu não guardei mais dinheiro “para mim” nesses anos todos. Me sinto privilegiada por poder ajudar em vez de apenas “acumular”.

Finalmente, cheguei a um ponto da minha vida em que me sinto mais madura para desenvolver uma tese. Poderia ter feito mestrado e doutorado na casa dos 20 anos? Poderia, e certamente teria sido muito bacana. Mas, hoje, estou na vibe de fazer isso. É diferente. Amadureci meu ponto de vista sobre o meu trabalho, sobre a sociedade, sobre o mundo, e acredito que consiga contribuir de verdade com o que tenho a desenvolver. Essa tese é a que quero desenvolver nos próximos anos com o doutorado e com todos os pós-doutorados que eu vier a fazer. Será meu legado para o mundo, já agregado ao trabalho que faço com o Vida Organizada.

Bom, entrei no doutorado e ano que vem defendo a tese sobre produtividade compassiva. Não tem sido um caminho fácil, mas foi algo grandioso que coloquei na minha vida e a mudou significativamente.

Fazer uma revisão dos meus objetivos de médio prazo de cinco anos atrás foi interessante para ver como alcancei alguns, evoluí em outros, fui mais devagar em alguns deles. A vida continuou acontecendo, mesmo com a pandemia e outros desafios. O negócio é continuar refletindo sobre a vida que estou construindo para mim e para os meus, e fazendo ajustes que impactem na minha relação com o hoje, para viver uma vida mais significativa e plena. Espero que vocês tenham gostado desse post.

Registro da vida no Notion

Olás! Quero compartilhar com vocês uma estrutura que tenho usado no Notion há mais de um ano e que tem funcionado lindamente. É uma página com os registros da minha vida por ano. Vou mostrar e tentar descrever as imagens para quem for deficiente visual.

Trata-se de um database chamado Vida onde cada elemento (página) dentro representa um ano desde que eu nasci (1981).

Ainda não coloquei imagens de capa nos anos iniciais da minha vida mas pretendo ir fazendo isso com o passar do tempo. Nos anos mais recentes eu consegui colocar – elegi uma foto que represente o meu ano ou meu “espírito” no ano e insiro como imagem de capa.

As propriedades das páginas de cada ano são:

  • Criada em (data)
  • Idade que eu completei no ano em questão
  • Década (exemplo: estamos na de 2020)
  • Ano pessoal na numerologia (que vou entrar no aniversário do ano em questão)
  • Ano universal na numerologia (2021 é 5 pois 2 + 0 + 2 + 1 = 5)
  • Década de vida que estou vivendo (exemplo: 40 a 50)

E aí, na página da Vida, do database, eu seleciono as propriedades que quero visualizar momento a momento. Neste momento, em que estou entrando no meu ano 3 da numerologia, eu quis visualizar quais foram os anos da minha vida que também foram um 3, e isso é bem legal para identificar padrões. A boa notícia é que, de modo geral, todos os anos 3 foram bem legais! hehe Vou falar mais sobre isso no futuro post sobre esse ano em questão.

A ideia é ir fazendo registros dos anos da minha vida e ir colocando as coisas aos poucos. Eu fazia isso no Evernote antes, e tenho muita coisa ainda para digitalizar e colocar, mas vou fazendo aos poucos. Estou gostando demais de como isso me permite uma reflexão sobre a vida e sobre tudo o que já aconteceu comigo. Achei que seria legal compartilhar a ideia com você. Acredito que todos esses exercícios nos ajudam com o autoconhecimento, que influencia demais na rotina que cada um constrói para si. <3 Espero que goste.

Filhote no sexto ano e as decisões sobre a escola

Paul irá para o sexto ano em 2021. Este ano, no início da quarentena, a escola dele demorou para se organizar e tomar uma decisão sobre como seriam as coisas. Deram férias, demoraram para iniciarem as aulas, enfim, sei que foi um processo de adaptação para todo mundo. Naquele primeiro momento, eu confesso que fiquei insatisfeita não com o formato definido, mas com a postura da escola, de ficar esperando as aulas voltarem ao presencial e não ter um plano para as aulas online. As aulas do Paul efetivamente começaram a ser online a partir de junho, apenas.

Ele fez o quinto ano em 2020 e o quinto ano é uma transição importante. Uma pena que ele tenha perdido isso, mas a culpa não é da escola, e sim da pandemia. De qualquer maneira, agora ele vai para o sexto ano e a escola ainda não informou quais seus planos, mas acredito que, pelo menos no primeiro semestre, as aulas continuem online ou pelo menos de forma híbrida.

Nós conversamos bastante sobre esse assunto aqui em casa nos últimos meses e decidimos manter o Paul na escola que ele está estudando atualmente. Vou contar os motivos que nos levaram a tomar essa decisão:

  1. Ficar em casa, em isolamento social, vendo essas notícias, o número de mortos, enfim, já é coisa demais para a cabeça dele. Por mais que a gente converse, ele naturalmente não tem o equilíbrio emocional de um adulto. Tem seus medos, inseguranças, e está formando o seu caráter. Logo, concluímos que afastá-lo do único vínculo social que ele tem hoje, que são seus professores conhecidos e amigos de sala, seria a pior coisa que poderíamos fazer. Estamos tentando manter a estrutura mais igual possível para ele.
  2. Antes da pandemia, já tínhamos tido essa conversa porque a escola dele não fica muito perto de casa, mas concluímos que valia a pena mantê-lo lá pois estávamos satisfeitos com a qualidade do ensino e o Paul também se adaptou muito bem. Nós tentamos trocá-lo de escola em 2018 e ele odiou muito. Ao final do ano, ele disse: “mãe, você tem ideia de como é ruim você ficar o ano inteiro longe dos seus amigos, sem saber se eles estão bem?”. Isso me cortou o coração. Além de tudo, o ensino da escola nova nem se comparava à anterior, então decidimos em conjunto colocá-lo de volta nessa escola que ele está hoje. (Tem um post aqui no blog onde falo mais sobre esse processo, se quiser ler.) Então, estando satisfeitos com o ensino e o Paul adaptado à escola em si, não tínhamos por que mudar, especialmente em um momento como esse.

Agora, isso não quer dizer que a gente não vá cobrar da escola uma postura mais profissional diante dos fatos. Continuarei fazendo a minha parte aqui como mãe me envolvendo na educação do Paul, conversando com os professores, cobrando iniciativas. Já sabemos que é exaustivo para as crianças passarem quatro horas seguidas em frente a uma tela do computador. Como eles pretendem mudar esse cenário? Vão mudar algo? Enfim, seguimos por aqui. Não é perfeito, mas estamos envolvidos.

Agora também que já passamos por vários meses de isolamento, a gente já sabe que algumas coisas funcionam e outras coisas não funcionam aqui em casa, em dia de aula. Quero reorganizar o espaço dele, melhorar os equipamentos (especialmente câmera e fone), dar mais espaço mesmo para ele conseguir estudar direitinho. Também pretendo organizar melhor a rotina de estudos além das aulas, junto com ele.

Já encomendei os materiais e creio que a lista de “coisas”, tipo suprimentos de papelaria, seja menor, pelo menos no início do ano. Deve ser mais focada em cadernos, canetas etc, e menos em artigos de arte, que geralmente são deixados na escola no início do ano letivo. Esses são os próximos passos por aqui, além de esperar o novo calendário letivo, para nos organizarmos.

Compartilhando decisões: sobre não fazer Doutorado em outro estado

Vocês sabem que gosto sempre de compartilhar os meus processos pessoais porque isso pode ajudar a ilustrar o que eu ensino sobre organização e, especialmente neste caso, sobre planejamento de vida.

Você pode acompanhar outros conteúdos que já fiz aqui no blog sobre o planejamento do doutorado. Hoje gostaria de compartilhar essa decisão sobre, no momento, não participar de processos seletivos em outros estados.

Após profunda reflexão, decidi não participar de processos seletivos de Doutorado em outros estados. Motivo? Se eu passar, vou ter que ficar com questões tipo “vou conseguir viajar em meio à pandemia?” e outras que não considero o momento. Vou focar nas universidades em São Paulo mesmo.

Isso tem muito a ver com alinhar as expectativas pensando que o Doutorado é um processo de médio prazo e que eu preciso torná-lo o mais fácil possível para a minha realidade, levando em conta que não vivo da academia 100% do tempo. Inclusive tenho um post aqui no blog sobre como é conciliar meu trabalho com a vida acadêmica.

Em resumo, se eu me comprometer com uma instituição longe, maiores são as chances de eu não conseguir concluir, porque problemas sempre podem aparecer, especialmente em tempos de incertezas como a pandemia que estamos vivendo.

Muitas vezes me perguntam como me planejo nesses tempos de incertezas. É assim. Focando naquilo que tem mais chance de funcionar, fazendo esse tipo de escolha que não é fácil, mas é o “feito é melhor que o perfeito não feito”.

Imagina só se eu participo de um processo seletivo em outro estado e passo? Aí vou ficar me questionando: o que eu faço? Me matriculo ou não? Como vou participar das aulas sem poder viajar, devido à pandemia? Se os vôos forem liberados, vou querer me expôr assim ao vírus? Etc.

Muitos leitores do blog me contatam perguntando coisas como “Thais, quero muito viajar nas minhas férias em 2021, você acha que já dá pra comprar passagem?”, por exemplo. E o que eu acho é que a gente tem que planejar as coisas com base no que temos controle. Eu não tenho controle sobre a liberação das viagens em tempos de pandemia, mas tenho controle sobre o que vou fazer nas minhas férias.

Penso de verdade que o que compartilhei neste post pode ser um exemplo pessoal útil sobre como se planejar em tempos de incertezas. Espero que tenha sido útil.

Planejamento de vida: como começar

Não existe momento certo ou condições perfeitas para você iniciar qualquer tipo de planejamento na sua vida.

Os planejamentos podem dizer respeito a planos maiores, como para a vida toda, assim como você pode planejar o preparo de uma refeição ou outras atividades no seu dia a dia.

Planejar é desenhar um caminho até chegar em algum lugar. Logo, para iniciar qualquer planejamento, você precisa saber o que você quer = onde quer chegar. E, sinceramente, saber o que se quer pode ser mais difícil do que se pensa. Muitas vezes, você pode querer focar nessa descoberta para só então dedicar outros planejamentos a ela, depois. Mas isso não impede que você faça outros planejamentos. Por exemplo, você não precisa saber qual é o seu propósito de vida para planejar a semana. A vida vai acontecendo e os planejamentos nos ajudam a lidar com ela.

Falar em planejamento de vida, então, envolve um montão de variáveis. Podemos falar sobre a vida como um todo. Então você pode pegar esse “recorte” entre seu nascimento e sua morte (que você não sabe quando vai acontecer!) e tentar encontrar algum sentido para ele. Propósito, valores, missão pessoal, princípios, experiências que você quer viver. Vale tudo nessa exploração.

Um fator essencial de entendimento aqui, que muitos alunos me perguntam, e essa é sempre a minha resposta, é que: não é por que você fez esse exercício, esse planejamento, uma vez, que ele está encerrado e que sua vida será assim e acabou. Não! Todo planejamento deve ser revisto e reajustado constantemente – quanto mais um planejamento de vida, que leva literalmente a sua vida toda para acontecer. 🙂 Parta desse pressuposto.

Você pode querer trazer esse planejamento maior para recortes menores – e aí você mesma/o pode definir que recortes são esses. Eu gosto de pensar em “eras da minha vida”, décadas, o ciclo de 9 anos da numerologia… tem vários. Todos esses servem como exercícios de reflexão a respeito do “médio prazo”. Esse lance da “era” da vida é muito subjetivo, mas de certo modo você sente. Por exemplo, você não consegue sentir que o mundo está hoje em uma “era” com algumas questões muito específicas acontecendo? Uma tendência de comportamento? Na sua vida pode ser o mesmo. Meu filho fazendo 10 anos significa o início de uma era na vida dele, para mim. Pois ele vai virar adolescente, e é totalmente outra história esse relacionamento. Quando eu terminei a faculdade, o estágio e fui efetivada, foi o fim de outra era. No momento, uma das eras que vejo é a da construção da tese de doutorado. E é isso. A reflexão sobre a vida pode ajudar a entender melhor o que está acontecendo.

Trazendo para mais perto de onde estamos no momento, eu gosto de pensar no prazo de 1 ano e meio, 2 anos, que é o curto prazo. Gosto de pensar assim porque é uma versão mais compassiva das “metas para o ano novo”. Geralmente, o que colocamos como objetivos pode levar mais de um ano, mas ficamos tão presos à ideia dos 365 dias que esquecemos que pode levar mais tempo. Isso pode gerar pressão, cobrança interna e frustração. Por isso, ver o cenário de dois anos me parece uma boa ideia em termos de “construção de cenários”. É o pensar que o David ensina no GTDâ„¢: o que eu quero que seja verdade em até dois anos? Na minha vida? Em cada uma das áreas da minha vida? Só essa reflexão já dá caldo pra caramba, pra você pensar, escrever, descobrir planos. Quanto mais você revisar novamente todos esses materiais, revisitá-los, mais eles estarão linkados e envolvidos uns com os outros.

Pensar no planejamento do ano fica até dedutivo quando fazemos dessa maneira. Porque, dentro de tudo o que planejei nessas etapas anteriores, eu posso refletir sobre a minha vida como um todo, o momento em que estou, a família, o mundo, e pensar: o que faz sentido fazer este ano? E é óbvio que várias coisas vão entrando e saindo com o passar do ano em questão, porque é vivendo que a gente vai percebendo e aprendendo sobre o que queremos de verdade. Planos precisam ser reajustados. Não tem problema algum reajustar um plano por qualquer motivo – porque teve um imprevisto, porque algo aconteceu, porque você quis ou precisou mudar. Não precisa se preocupar com isso. Estranho seria se nenhum plano precisasse de reajuste.

Depois, planejar as entregas de projetos maiores por trimestre, planejar o que é prioridade mês e a mês, e gerenciar a rotina através do planejamento semanal é o que dará o tom. E nada impede que você escolha um ponto específico nessa complexidade toda da vida e queira planejar de vez em quando. Um projeto, uma refeição, como falei, uma roupa que quer usar, uma reunião, uma aula, uma leitura. Planejamentos são ferramentas, não obrigatoriedade. Você pode usá-los sempre que quiser, sempre que sentir que falta clareza para mover qualquer situação adiante.

Ferramentas? Um caderno, folhas soltas, uma lousa, um quadro branco, um mapa mental, um documento no Word. Realmente tanto faz. O importante é 1) começar e 2) marcar uma próxima data no calendário para revisar e ir fazendo ajustes.

Lista de coisas para fazer antes de morrer (bucket list)

Na última sexta-feira, eu fiz uma live no canal do Vida Organizada no YouTube explicando sobre como abordaria o tema planejamento ao longo do mês de novembro. E lá eu dei uma lição de casa a todos, que foi: elaborar uma lista de “sonhos”, ou “bucket list”, uma lista de coisas a fazer antes de morrer, pois era um exercício inicial que ajudaria demais no planejamento dali em diante. Você fez a sua? Eu fiz, e o resultado vou mostrar neste post.

Para quem usa o método GTDâ„¢, como eu, existe uma categoria de informações dentro do sistema de organização chamada “algum dia, talvez”. Essa categoria diz respeito a todas as coisas que simplesmente não demandam ação no momento – por quaisquer motivos – mas que podem demandar no futuro. Se você usa GTDâ„¢, saiba que esse tipo de “bucket list” entraria em “algum dia, talvez”. Pode ser uma sub-categoria.

O print abaixo foi tirado do app Notion:

Vivenciar essa pandemia me fez repensar muita coisa na vida. Reforçou alguns objetivos que eu já tinha, assim como me fez não querer mais outras coisas. Essa bucket list é como uma lista de sonhos. Eu vejo sonho, neste contexto, como algo que seria maravilhoso se acontecesse, mas que não se trata de algo que eu mudaria completamente a minha vida para realizar. Porque o que eu quero de fato fazer, entra como objetivo, por exemplo. Mas, se pensar que estamos falando de uma categoria de itens incubados, a cada revisão feita dessa lista eu posso considerar se é hora de trazer algo dali para “em andamento” ou não. Com essa lista é o mesmo.

Com relação a viagens, eu mantive aquelas que realmente seriam a realização de um sonho se eu vier a fazer. Poxa, Índia, Inglaterra, Itália, França, Egito. Capadócia (no caso dos balões). Seriam viagens incríveis. Mas imaginar o sonho é tão gostoso quanto vivencia-lo, então só de pensar neles eu já fico muito feliz.

O aniversário de 11 anos do Paul com a temática de Hogwarts é o que está mais perto de acontecer (ele completa 11 anos em 2021). E ele está a fim de comprar essa ideia junto comigo. Mas sabe, o aniversário é dele. Filho não é brinquedo que a gente manipula de acordo com os nossos desejos. Se ele quiser fazer, faremos, mas tá tudo super ok se ele mudar de ideia e quiser fazer algo só dele.

Morar fora do país sempre foi um sonho para mim e eu já fui uma pessoa mais frustrada sobre isso do que sou hoje. Não que eu seja, mas é uma coisa que eu gostaria de ter feito ali na minha casa dos 20 anos, antes de ter filho etc. No entanto, meu marido não queria se afastar da família dele, e hoje eu entendo e respeito isso muito mais do que entendia na época. Então eu vejo essa vontade, essa ideia, como algo que, se um dia tivermos a oportunidade e rolar, vou ficar feliz. Mas, se não acontecer, tá tudo certo também, porque minha prioridade é ver minha família feliz e eu estar feliz com eles.

Por fim, a independência financeira. Eu vejo como um sonho porque é realmente o novo Graal do nosso tempo. Ter dinheiro rendendo dividendos para você, pagando suas contas, e você trabalhando sem a necessidade, apenas porque gosta, e também podendo ajudar mais pessoas. Eu me sinto muito em conflito interior aqui, por mais que eu pense na segurança financeira da minha família, e em ter dinheiro para ajudar mais pessoas – gerando empregos, doando para caridade, investindo em projetos sociais – não concordo com o sistema vigente no mundo, acho ele opressor pacas, e gostaria que fosse diferente. Como empresária, me sinto contribuindo com ele. Ao mesmo tempo, são as regras do jogo que vivemos. Tenho que pagar contas. Tenho que pagar impostos. Tenho obrigações diversas. Então, enfim, para não me estender muito aqui, eu coloco como um sonho. Porque, nesse caminho para ter independência financeira, entram outras questões que também são muito importantes para mim, envolvendo a sociedade.

De modo geral, meu maior insight revisando essa lista e refletindo sobre ela foi perceber que desenvolvi renúncia. Renúncia é um termo no Budismo, relacionado a você não buscar felicidade nas coisas mundanas, basicamente. A minha área de foco este ano foi espiritualidade, e eu realmente me dediquei demais a isso, aos estudos, práticas, reflexões e meditações. E chegar aqui em novembro deste ano absurdo que tem sido 2020, com a percepção de que gerei renúncia, é uma vitória muito importante para mim. Em resumo, as maiores conquistas que quero ter são internas. Aprender a desenvolver mais paciência, sabedoria, compaixão. Isso sim é importante para mim, e não fazer essa ou aquela outra coisa. Claro que de forma alguma estou dizendo que esta deva ser a “norma” – é apenas algo íntimo e pessoal que me sinto à vontade para compartilhar com vocês por aqui.

Eu gravei um vídeo explicando melhor essa lista, que em breve entrará no canal. Mas me conta: você chegou a fazer? Se quiser compartilhar comigo algo que você queira fazer na sua vida, deixe aqui embaixo um comentário. Obrigada!

Por que eu desisti do objetivo de ter uma casa no interior

Comentei algum tempo atrás que eu tinha um objetivo de comprar um terreno e construir uma casa no interior – mais especificamente, em uma região serrana, pois gosto do frio, de estar em meio à natureza e também por questões de saúde (ar puro, fresco etc). Porém, após anos refletindo a respeito desse objetivo, eu desisti dele. Vocês me pediram para compartilhar qual foi o meu raciocínio, então o post de hoje é sobre isso.

Ao desenhar esse objetivo, nos últimos anos eu concluí diversos projetos relacionados, tais como: esclarecer qual seria a melhor região para comprar esse terreno, esclarecer os custos de compra do terreno e obra para construção da casa, guardar dinheiro para compra do terreno etc. Todos esses projetos foram sendo concluídos nos últimos anos tendo esse objetivo em vista.

Ter uma casa na Serra da Mantiqueira, absolutamente um dos meus lugares preferidos do mundo, era um sonho de muitos anos. Acho que eu sonho com isso há pelo menos 12 anos. Sempre alimentei essa vontade de ter uma casa em região serrana, para poder escrever, viver, cuidar das plantinhas, resgatar animais, meditar, enfim, aquela coisa toda que tem tudo a ver comigo.

Com a pandemia, então… nossa, eu fiquei pensando em como seria bom se a gente tivesse um lugar assim para ir, já que ficar se deslocando não seria uma questão. E o desejo veio ainda mais forte, a ponto de eu falar: vou colocar no papel, vamos fazer acontecer. Lá em abril, maio, virou quase uma obsessão.

Queria ter a casa? Claro que sim. Durante essa pandemia, teria sido excelente mudar para um refúgio desses? Não há dúvida. No entanto, existem coisas que, na nossa cabeça, funcionam muito bem mas, quando colocadas em prática, talvez sejam diferentes do que a gente imaginava.

Quando eu tenho um objetivo, gosto de fazer visualizações (geralmente na cama, antes de pegar no sono), imaginando exatamente o momento em que o alcancei. Consigo me ver fisicamente no ambiente, sentir a minha reação e a das pessoas ao redor. Além de prático, é um exercício muito gostoso de fazer (recomendo muito!).

No entanto, ao fazer esse exercício, você pode se deparar com a realidade da concretização dele e perceber algumas questões que talvez não levasse em consideração quando tudo era apenas um sonho ou ideia. Ao fazer a visualização desse objetivo sendo real, sim, eu me vi feliz, sim, acho que seria uma delícia realizá-lo, construir uma casa do zero, do meu jeito. Mas aí caímos nos aspectos práticos, que seriam os seguintes.

O primeiro problema que me deparei seria com relação à disponibilidade para construir no terreno. Em que momento exatamente da minha vida eu conseguiria me dedicar a uma obra, sendo que minhas atividades hoje estão principalmente em São Paulo, onde a coisa toda está acontecendo? Eu não teria como me dedicar a uma obra em outra cidade. “Mas Thais, você também tem a possibilidade de comprar uma casa já pronta”. Sim, falarei sobre isso adiante. Mas, pegando a escritura do terreno em mãos, eu já imaginei o cenário pensando “ok, e agora? pego o documento e volto para São Paulo, deixando o terreno lá? como vou tocar uma obra nesse meu momento de vida, com cursos, doutorado batendo à porta etc.?”

Outro ponto fundamental é que o meu marido é uma pessoa essencialmente urbana. Ele não gostaria de morar “no meio do mato” de forma alguma. Ele gosta de dizer que moraria no centro da cidade, se pudesse. Ele gosta desse “agito”. Já eu prefiro um lugar mais calmo, tranquilo. Alguns amigos me sugeriram buscar um meio termo, morando em uma região serrana perto de São Paulo ou em uma casa mais arborizada que a que moramos. E sim, todas essas são possibilidades. Mas estamos felizes na casa onde moramos hoje. Não é qualquer “problema” morarmos aqui – a ideia da segunda casa seria ter um lugar para alternarmos, especialmente para descansar ou quando eu quisesse escrever.

Outra possibilidade que me veio à mente seria comprar um terreno em uma ecovila. Por ser um meio comunitário, eu teria outras possibilidades legais de compartilhamento de horta e outras questões. Mas, quando fiz o exercício de visualização, imaginando a gente vivendo nesse local, eu percebi que, talvez, dentro do meu estilo de vida, de trabalho, seria incrível. Mas e os meninos? Meu marido gostaria desse estilo de vida? Como ficaria a vida do Paul, com escola e os avós morando em outras cidades? Em resumo: a gente conseguiria curtir esse estilo de vida, ou tanto faz morar lá ou em São Paulo, com as atividades que já temos hoje?

Imagem: Hypeness

Nós tomamos a decisão de ficar aqui onde moramos mesmo e tomar algumas providências para melhorar a nossa experiência na casa. Resolvemos arrumar o quintal, e isso deve nos dar uma sensação maior de contato com a natureza. Eu preciso de um post inteiro para explicar a situação do quintal da nossa casa, e pretendo fazê-lo em algum momento.

O bairro onde moramos é muito arborizado, com um parque no quarteirão de trás. Não descarto a possibilidade de mudar para uma casa com árvores no quintal em algum momento no futuro, mas penso que devemos continuar em São Paulo, por várias razões. E, em termos de estilo de vida, não pretendo ter uma casa grande, enorme. Gosto de ter uma casa que nós mesmos possamos cuidar.

Apesar de São Paulo ter seus problemas, gostamos muito de morar aqui e de todas as facilidades que a cidade proporciona. Eu amo fazer tudo a pé pelo meu bairro, resolver a vida morando perto de tudo. Moramos em um bairro ótimo, perto do Centro, mas com seu charme de bairro, muito arborizado e tranquilo. E, apesar de estarmos em meio a uma pandemia, não podemos esquecer que isso tudo em algum momento vai passar e meu marido, por exemplo, é músico e faz shows em vários dias da semana. Quando morávamos em Campinas, que já é uma cidade perto de São Paulo (90km), era toda uma logística mais chatinha, além da preocupação dele pegando estrada várias vezes. Não tem por que complicarmos isso.

Nós já moramos em bairros mais afastados do centro e não gostamos da experiência. Amamos o bairro onde moramos. Eu não pretendo sair daqui e, se um dia mudarmos, provavelmente será no mesmo bairro ou em um bairro vizinho.

Ainda sobre o terreno e a casa no interior, existiam algumas alternativas. Por exemplo, eu poderia guardar dinheiro mais algum tempo e comprar uma casa já construída (para pular a etapa das obras) ou simplesmente comprar o terreno e começar a construir apenas depois que tudo fosse mais liberado, pós pandemia. A primeira alternativa seria ok, mas eu não vejo muito sentido, porque o grande propósito do objetivo era eu construir uma casa do meu jeito. Não quero ter uma casa na serra “apenas para ter”, mas enfim, claro que eu poderia procurar até achar uma que eu gostasse muito. Vale lembrar que isso encareceria a coisa toda também.

O que realmente me fez mudar de ideia quanto ao objetivo em si foi imaginar eu já tendo a casa pronta, em perfeitas condições. A gente moraria lá? Provavelmente não. Eu pensei na possibilidade de abrir uma pousada com a minha mãe. Ou um camping. Mas isso demandaria morar no local, e eu sei que meu marido não ia querer sair de São Paulo. Não sei se a minha mãe ia querer isso também (provavelmente sim rsrsrs, mas ainda sim demandaria minha família inteira ter que abraçar a mesma ideia, e meu marido não quer, nem o filhote).

Ter uma casa para os finais de semana? Parece ok, mas eu sei que não iria todo final de semana, justamente porque meu marido tem shows, temos outros compromissos. Além do que, compensa isso em termos de investimento? Ter um imóvel com dinheiro parado lá, que nem faz parte da nossa rotina diária?

Aprofundando nos aspectos práticos, vale lembrar que uma casa em região serrana demanda manutenção, como em qualquer outro lugar, mas com suas particularidades. Tem umidade, além de outros fatores. Plantas, horta, tudo. Não dá para ter uma casa simplesmente e deixá-la lá, sem uso. Contratar um caseiro estaria fora de cogitação. Acho muito absurdo eu ter que pagar uma pessoa para cuidar de uma casa que não consigo cuidar nem que tenho tempo de usufruir. É o cúmulo da acumulação desnecessária, ao meu ver. Eu queria a casa pelo estilo de vida que ela representa, e queria morar lá, estar lá, viver lá, cuidar das minhas plantinhas, fazer as reforminhas diárias, limpar a calha, essas coisas. Eu queria curtir isso. Ter a casa apenas para ter nunca foi o meu objetivo.

Eu não sou minimalista, mas sou adepta da simplicidade voluntária. Ter uma casa na serra seria maravilhoso para morar, pois é o estilo de vida que acredito. No entanto, morando em São Paulo, ter uma segunda casa, que nem vamos morar, não faria sentido para mim. Demandaria custos fixos a mais, manutenção a mais, trabalho a mais.

Ainda acho que ter uma casa na serra e morar nela seria uma experiência incrível. Se meu marido quisesse, eu toparia imediatamente. No entanto, não é o caso. Ele não quer, e ser casada, ter um filho, significa tomar decisões em família, e não unilaterais. Além disso, não me incomodo de morar em São Paulo. Eu gosto também. Não se trata de um “problema”. Estamos bem aqui. Ter uma casa na serra para passarmos os finais de semana ou irmos de vez em quando para descansar parecia uma boa ideia até eu pensar na parte prática e nos custos disso. Para mim, não compensa. E, se eu quiser ir para a serra, basta alugar uma casa e ir. Vou gastar menos e não terei a manutenção toda que requer. Em tempos de pandemia, não estamos viajando ou locando casa de terceiros, mas penso que esse possa ser um projeto interessante para depois – encontrar uma casa com donos legais para a gente alugar de vez em quando. Inclusive quem tem casa vazia coloca para alugar justamente para compensar os custos fixos de manter uma casa nessas condições. É uma situação ganha-ganha típica.

Prefiro investir esse dinheiro, usá-lo na reforma do quintal da nossa casa hoje, por exemplo, que é onde moramos e passamos todos os dias, para ficarmos bem na vida que já vivemos, e talvez futuramente mudarmos para uma casa que tenha mais a ver comigo, com quintal, muitas árvores, em uma rua tranquila, mas ainda assim dentro de São Paulo, com boa localização, por tudo o que representa na nossa vida.

Acho que faz parte de um amadurecimento como ser humano entender que não precisamos “ter” as coisas para usufruir das experiências que tais coisas nos proporcionariam. Acho importante sim ter um teto nosso, como segurança financeira básica, mas desnecessário ter um segundo imóvel. Prefiro guardar esse dinheiro para ficarmos mais tranquilos financeiramente. E, se em algum momento entendermos que estamos prontos para mudar de casa, isso pode entrar nos planos novamente.

Entra também um aspecto comunitário que é refletir sobre os motivos que levam uma pessoa a ter dois imóveis sendo que moramos em um país onde tantos lutam para ter suas próprias terras. Talvez eu não consiga resolver esses problemas para todo mundo, mas eu posso ajudar a nossa família, por exemplo. Minha sogra não tem uma casa própria. Não seria o caso de pensarmos em algo para eles, em vez de pensarmos em uma segunda casa para a gente usar de vez em quando? Sabe?

Um ponto que não quero deixar de comentar neste post é a visão que tenho da rotina como praticante do Budismo. Entendo que seja uma habilidade importante aprender a ser feliz onde quer que eu esteja. Eu já desenvolvo essa habilidade e estou tranquila com ela. Não acho que preciso morar nas montanhas para ser mais feliz ou ir para a Índia para me iluminar. Sei ser feliz onde moro hoje porque a felicidade é um sentimento interno.

E aqui entra também um aprendizado que tive estudando o Feng Shui: quais são os elementos da casa na serra que eu mais gostaria de viver, e como posso tentar trazê-los para a casa que eu tenho hoje? Talvez não consiga tudo, mas é provável que eu consiga trazer diversos elementos, e isso já é, por si só, algo muito legal de se fazer, e material para projetos para os próximos anos aqui na casa onde vivemos.

O propósito deste post foi compartilhar o meu processo de reflexão com relação a um objetivo que eu tinha e que, vivendo a vida, eu refleti e mudei de ideia. Isso já aconteceu com vários outros objetivos que eu tinha mas que, visualizando-os como realidade, eu percebi que não se encaixavam mais no estilo de vida que eu estava construindo para mim. E que imenso privilégio é eu poder me dar ao luxo de escolher que estilo de vida eu quero viver. Reconheço e sou grata por isso. Que eu possa usar esse privilégio para ajudar os outros, mesmo que em uma escala micro.

Obs. Algumas imagens deste post eu peguei no Google e não consegui encontrar o autor / fotógrafo. Caso você reconheça, por favor, me avise nos comentários para que eu possa creditar apropriadamente.

Planejando o futuro com a minha mãe

Algumas vezes comentei sobre esse assunto no blog e muitos de vocês me pediram para escrever mais a respeito. Um dos objetivos de cuto e médio prazo que tenho é sobre o futuro da minha mãe. Comentei que sou filha única e que minha mãe mora em outra cidade, e que eu refletia sobre isso já há algum tempo, sobre como isso influenciaria na minha vida e que eu queria ter um plano para o futuro.

Eu gosto de fazer um exercício que eu chamo de linha do tempo de 100 anos. É basicamente uma linha do tempo para a minha vida, caso eu viva 100 anos, no melhor dos cenários. Não quero entrar aqui na questão de que a expectativa de vida do brasileiro é de menos de 80 anos, e de que já serei idosa aos 60. Não é esse o ponto. É justamente uma reflexão sobre a vida ser finita. Posso viver 100 anos como posso viver 40. Ninguém sabe. É como se fosse uma tela em branco que uso para fazer reflexões sobre a vida de modo geral. Eu ensino esse exercício com mais detalhes no meu curso, no módulo de planejamento de vida.

Quando fiz esse exercício pela primeira vez, anos atrás, eu tive esse grande insight sobre a vida dos meus familiares. Minha avó ainda estava viva, mas já era velhinha. Foi esse exercício que me deu o estalo de querer fazer uma transição de carreira, voltar para São Paulo (nós morávamos em Campinas – ficamos três anos lá por causa do meu trabalho na época), para passar mais tempo com ela, permitir que ela tivesse uma vivência de bisavó com o Paul. Tudo isso foi muito acertado e conseguimos fazer isso. No último Dia das Mães em que ela estava viva, ela estava em uma cama de hospital, fazendo hemodiálise, quase sem sentidos (cognitivamente falando). Foi um dia muito, muito difícil. Eu estava com ela e passei o dia agradecendo por tudo o que ela tinha proporcionado a todos nós, como família, e que ela ficasse tranquila, pois ela tinha um bisneto que a amava, que gostava de matemática (era uma brincadeira interna. “nossa”, pois ninguém na família gostava de matemática e ela acreditava que ele seria o abençoado, e foi! rsrs o Paul ama matemática). Que ela ficasse tranquila com relação à casa, à família, ao meu tio, enfim. Foi apenas um momento a ser lembrado.

Minha avó se foi naquele ano (2018), mas ter feito esse planejamento anos antes me permitiu vivenciar uma série de coisas com ela, e é esse o valor que vejo nesse tipo de planejamento. Ainda que em uma escala diferente, tenho a minha mãe. Ela é muito mais nova que a minha avó, é claro, mas os anos passam para todos. Minha mãe está ótima. É muito ativa, tem um comércio, está bem de saúde. Mas eu sei que a idade chegará para ela também e que eu sou filha única. Moramos em cidades diferentes, e isso sempre me preocupou bastante. Como será o futuro? Se algo acontecer, qual é o plano? Pensar sobre isso não é ter ansiedade, como muitas pessoas acham. Eu, pelo menos, fico ansiosa se pensar nisso e não tiver um plano. Planejar as coisas me deixa tranquila pois eu sei que, se algo acontecer, eu já pensei nas possibilidade e isso facilita a tomada de decisões.

Este ano, tive boas conversas com a minha mãe. O que decidimos é que, em algum momento, faz sentido ela mudar novamente para São Paulo, para ficar perto de nós. De modo geral, o que decidimos é que, quando sair a aposentadoria dela (já deu entrada, mas é um absurdo como o Governo demora para liberar esse benefício, então acreditamos que ainda levará um tempo), ela se sentirá mais segura para fechar a loja (pois não dependerá desse faturamento para pagar suas contas) e fazer outra coisa. Essa “outra coisa” provavelmente será viver de artesanato, como ela sempre gostou de fazer. Minha mãe é uma pessoa de espírito livre, meio hippie. Sempre gostou de viajar, então acredito que será uma daquelas velhinhas que vai fazer viagens com outras vovozinhas, para lá e para cá, e participar de feiras de artesanato fazendo amizades e curtindo esse ambiente musical e cultural.

Aqui eu quero trazer um aprendizado que tive e que partiu de ter uma perspectiva mais humilde sobre a coisa toda. Apesar de termos combinado sobre a mudança para São Paulo, isso era algo que estava muito mais dentro da minha cabeça que da dela. Recentemente, percebi que ela gosta de morar no litoral. Voltar para São Paulo seria uma mudança de estilo de vida difícil para ela. Apesar de ela sempre ter morado em um bairro cultural e cheio de atividades do estilo que ela gosta, São Paulo é uma cidade difícil em termos respiratórios (rs). Em resumo, por mais que você more em um bairro arborizado, faz diferença você morar aqui ou no litoral. Quem se acostuma com o estilo de vida perto da praia, andando de bicicleta, respirando o ar puro, acha difícil voltar a gostar daqui. Eu sou suspeita pra falar, pois adoro São Paulo, mas não consigo negar como esse fator influencia. Eu desenvolvi sinusite, meu marido tem bronquite desde criança e nosso filho teve problemas respiratórios também. Sabemos que o clima ajuda. Em resumo, minha mãe gosta da vida dela lá, e é provável que ela queira continuar morando no litoral enquanto puder. Pesquisando sobre imóveis em São Paulo, ela sempre se mostrou levemente desapegada dessa procura, até que eu percebi que eu estava meio que “colocando o carro na frente dos bois”. Se em algum momento ela precisar, por conta da saúde mesmo, sabemos que a estrutura de São Paulo é melhor e eu estar por perto é o mais prático. Então, quando e se precisar, vamos pesquisar e alugar um apartamento para ela na mesma região em que moramos e ela vai se mudar. É isso. Mas, até lá, ela vai viver a vida dela e ser independente no lugar em que quiser viver.

Penso que o ponto mais importante seja encaixar a atenção a ela mesmo com ela morando em outra cidade. Todo mundo sabe como o ritmo do dia a dia pode tornar as coisas mais difíceis. Mas não dá pra dar desculpas. É algo que tem que ser encaixado e planejado com regularidade. Minha mãe só tem a mim, e a nossa família, então visitá-la e prover tudo o que ela precisa tem que ser uma prioridade. Isso vai ficando cada vez mais latente à medida que ela vai ficando mais velha e precisando de um suporte maior. Financeiramente, já a ajudo como posso. Que bom que cheguei num ponto da vida adulta em que isso é possível, e agradeço todos os dias por esse privilégio. Sei quantas pessoas existem e que rezam diariamente para conseguir ajudar os pais, assim como eles ajudaram os filhos a vida toda.

Uma pergunta que pode surgir é sobre se pensamos em trazê-la para morar com a gente. Nossa casa é pequena e isso nunca foi uma possibilidade. Poderíamos pensar em mudar para uma casa maior, mas não vimos necessidade. Minha mãe é uma pessoa independente e é importante que ela tenha seu próprio espaço. Ela não se sentiria à vontade morando aqui e acho que isso afetaria nossa dinâmica como casal também (marido e eu). Não vemos necessidade nisso, sinceramente. É óbvio que, se fosse necessário, devido a alguma condição de saúde, nós faríamos o que fosse preciso.

Quando ela precisar, ou quiser, a ideia é alugar um apartamento em São Paulo, com portaria 24h (ou seja, uma certa assistência imediata, em caso de emergência), na mesma região que a gente mora, onde ela possa ter o espaço dela, a casa para as suas duas gatinhas, enfim, suas coisas por perto. Mas, enquanto ela está bem, tem saúde, e quer, ela continuará morando na cidade que gosta, com ou sem aposentadoria. Esse é o plano. Tendo um plano, eu já fico mais tranquila.

Em resumo, é respeitar a decisão dela como pessoa, ser humano, e prestar todo o apoio e suporte necessário para que ela fique bem até o final da sua vida (hoje ela está com 61 anos).

Minha dica para você que percebeu que se tornou adulto e precisa cuidar dos seus adultos também é: pergunte. Não tome decisões com base no que for mais prático, organizado ou funcional para você. Converse. Pais podem ser “filhos adultos” depois de uma certa idade, mas ainda são seres humanos com suas aspirações e vontades próprias. Em caso de necessidade, é óbvio que as condições serão diferentes. Mas, até lá, apenas esteja presente, dando suporte para que sejam felizes.

Para onde o Vida Organizada está indo? (setembro 2020)

Muitas pessoas me perguntam “o que eu faço” e, se você tem mais ou menos a minha idade nesse momento do mundo em que vivemos, sabe que fica cada vez mais complexo explicar o que se faz quando não existe mais uma linearidade das profissões e carreiras.

De modo geral, costumo responder de acordo com a bagagem da pessoa ou o contexto. Se estiver em um evento acadêmico, digo que sou Mestra em comunicação, planejando o Doutorado. Se estiver em um evento de marketing, digo que sou criadora de conteúdo, ou youtuber. As pessoas entendem. Se eu estiver assinando a ficha do check-in do hotel, prefiro escrever que sou publicitária – gera menos perguntas. Enfim, de acordo com o contexto, respondo algo que realmente sou, mas com um recorte apropriado.

O Vida Organizada nasceu como um hobby, em 2006, e de lá para cá foi sendo gerido e construído junto comigo, proporcionando oportunidades de mudança profissional. Em 2014, pedi demissão do meu último emprego e passei a viver exclusivamente deste trabalho. Desde então, nunca mais tive um “emprego”. Virei autônoma, fiz a empresa crescer, contratei, demiti, quis ter uma empresa grande, quis ter uma empresa menor, e amadureci de diferentes maneiras em um processo que me fez aprender demais sobre o que eu quero e o que eu não quero para mim.

Se eu tivesse que resumir o que faço hoje, diria que o Vida Organizada trata-se de conteúdo educacional. Eu trabalho com criação e produção de conteúdo, mas também como professora, escritora e pesquisadora, e tudo isso se reflete nos diferentes produtos do meu trabalho.

O curso online do Método Vida Organizada é o meu trabalho principal. O desenho do método em si, algo a ser construído a médio prazo, em décadas, é o meu trabalho principal, na verdade. O curso é uma extensão dele. Além do curso, tem o blog, o YouTube, o Instagram, o Telegram, o podcast que logo vai nascer, os meus livros e toda a minha história de vida.

Para onde a minha empresa está caminhando? Para o aperfeiçoamento desse método, para a melhoria de todos os cursos online que ofereço, para a minha tese de Doutorado, para mais pesquisas, mais aprendizados sobre andragogia, design instrucional, transição pedagógica, novas tecnologias para a educação e produção de conteúdo, escrita, eventos de impacto inspiracional.

Quando faço aqueles exercícios de projeção para o trabalho, pensando em 5, 10 anos, permito-me confiar no tempo. Durante os últimos seis anos, planejei e executei assertivamente. Tudo o que quis fazer, eu fiz. Tudo o que quis conquistar, consegui. E, nesse processo, aprendi que, com a cabeça que eu tenho hoje, eu não consigo entender o cenário que vou ter daqui a cinco anos. Planejo sim, um montão de coisas, mas acima de tudo me permito viver e deixar a vida acontecer. Eu sou uma nova pessoa. Aprendo muito, e tenho muito foco nesse trabalho no momento presente. Quando eu foco em fazer bem o trabalho que já faço, novas oportunidades surgem e, com elas, vontades. Ideias. Iniciativas. Quero me permitir experimentar tudo isso à medida que trabalho em tudo aquilo que já existe.

Claro que tenho metas de faturamento, de número de seguidores para o canal no YouTube, essas coisas materiais e mundanas que representam métricas para avaliar o resultado desse trabalho. Mas o resultado real é a transformação das pessoas, do mundo, de mim mesma, da minha família, do trabalho. Aperfeiçoar diariamente. A prática traz a melhoria.

Photo by Dan Taylor

Tenho tantas ideias e coisas que quero fazer! Sinceramente, acho que tenho ideias para implementar para o resto da vida, se deixar! A grande questão é: a pessoa que criou essas ideias será a mesma pessoa que vai implementá-las algum dia? Sabe-se lá. Prefiro viver com os resultados desse processo de criação. Tenho sim projeções, mas estou focada no momento presente. Hoje, meu trabalho tem muita coisa legal acontecendo, e todas as coisas estão sendo melhoradas, aperfeiçoadas, refinadas. É isso. o trabalho atual em si já representa muitas oportunidades de melhorias, e esse é o meu foco.

Acho incrível parar para analisar a mentalidade da Thais no início de 2018 para a mentalidade da Thais quase no final de 2020. Há um ano, eu estava assustada com a velocidade das minhas conquistas. Tudo o que eu queria ter feito, eu fiz. Nada parecia tão impossível. Mas ter alcançado vários objetivos me fez vivenciar o cenário que foi criado por eles. E foi quando percebi que queria reajustar a minha rota.

É um sentimento interessante porque, ao mesmo tempo que me sinto profundamente conectada ao meu trabalho, eu também me sinto pacificamente separada dele. O que quero dizer é que não gero apego. Se eu quiser ou tiver que trabalhar com outra coisa, tá tudo bem. O propósito transcende os formatos. Formatos são o “como”. O “por que” continua.

Sei que sou privilegiada pelas escolhas que posso fazer hoje e pela autonomia que tenho com este trabalho. Mas, justamente por ter esse privilégio, sinto-me na obrigação de honrá-lo. Ikigai é mais do que trabalho.

Não deixo de sorrir sutilmente ao perceber que, na tentativa de fazer, no movimento, eu me tornei zen. Ensõ.

Revisão do Algum dia, talvez – Junho 2020

A quarentena me fez rever o painel de Algum dia, talvez com outros olhos.

(versão anterior, só para ilustrar, porque continua no mesmo formato)

Me fez ver a lista de viagens que queria fazer como “viagens que eu realmente ainda espero poder fazer um dia”. Um que de triste porém de foco nesse pensamento, porque eu percebi como tudo pode mudar de uma hora para a outra no mundo e, de repente, pode ser que eu nem tenha mais como viajar para conhecer esses lugares que ainda não fui.

Este mês fez um ano que eu viajei para Amsterdam, para o GTD Summit. Fiquei super nostálgica na última semana, pensando no quanto eu amo aquela cidade e se a viagem em 2019 foi a minha última vez lá. Isso também me deu uma sensação boa, no sentido de que: “se foi a última vez, foi uma boa última vez”.

Photo by Marta Bockhorny

Ver todas as viagens da minha lista de “viagens que ainda quero fazer” também me deu um sentimento de “hora extra” na vida, sabe? Se der para ir, ótimo, mas se não der, também, paciência. Fotos na Internet, Google Earth, tudo isso está aí pra ajudar a gente a matar a saudade de algo que ainda não aconteceu, de alguma maneira.

Por curiosidade, eis aqui algumas viagens que eu ainda quero fazer na minha vida, se der:

  • Inglaterra e todos os lugares marcantes na história dos Beatles. Cruzar a Abbey Road, conhecer Liverpool, toda aquela coisa.
  • Índia. Conhecer o lugar onde o Sidharta se iluminou, fazer todo um tour em lugares importantes. Fazer um curso lá. Um Panchakarma, talvez? Enfim, ir à Índia. Pisar naquela terra, ver o Ganges de perto.
  • Itália. Tudo. Minha vontade é ficar um tempão “mochilando” pelo país. Conhecer a Costa Amalfitana. Comer pizza em Nápoles. Passear em Florença. Andar pelos edifícios incríveis em Roma.

Além disso, tem outras viagens, como ver a aurora boreal na Islândia, conhecer as pirâmides do Egito, visitar Viena, Copenhagen, Berlim. Noruega. Romênia. Marrocos. França. O tour pelas locações do Senhor dos Anéis na Nova Zelândia. Disney, pelo Paul. NY, pelo meu marido. Irlanda. Escócia. Puxa, eu realmente gostaria de conhecer todos esses lugares. Mas, se não rolar, tá tudo bem. Queria voltar a Portugal. Mas as três viagens lá em cima eu realmente queria. Poxa vida.

Tem vários lugares no próprio Brasil também e na América Latina, mas felizmente eu já conheci alguns.

Toscana

Tenho um painel no Trello então para esses itens incubados e essas são as categorias que eu estou usando no momento:

  • Vida pessoal: geral
  • Trabalho: geral
  • Ideias de cursos para desenvolver
  • Vida acadêmica e pesquisas
  • Viagens que eu ainda tenho vontade de fazer
  • Coisas para comprar (ou não)
  • Lugares para ir em SP
  • Filmes para assistir
  • Família
  • Cursos que ainda valem a pena de serem considerados em algum momento da minha vida
  • Nossa casa atual (melhorias, reformas)
  • Imóveis
  • GTD
  • Melhorias para os meus cursos (em novas versões)

Considerei fazer a migração dessa lista para outra ferramenta, mas descobri que me atende bem mantê-la no Trello. Continua lá.

Foi bem interessante fazer essa revisão mais aprofundada e reajustada durante a quarentena. Me deu mais foco. A vida é o que acontece enquanto você faz outros planos – LENNON, John. 😉

Numerologia e Vida Organizada

Um dos assuntos esotéricos que eu mais gosto e que acho que têm a ver com organização é a numerologia. Este post é para trazer um pouco sobre por que eu acho que a numerologia tem a ver com a organização da vida.

Em primeiro lugar, o ciclo de 9 anos. Eu acho isso um barato. Basicamente, e resumidamente, o que a numerologia nos mostra é que todos nós vivemos em ciclos de 9 anos na nossa vida. O ano 1 é aquele do início, de começar a plantar as sementes para tudo aquilo que você quer colher no ano 8 e, talvez encerrar no ano 9. Toda pessoa está em um “ano pessoal”, que é um ano que começa na data do seu último aniversário e termina na data do próximo. Por exemplo, desde 25/09/2019 eu estou em um ano pessoal 1. Estarei nesse ano pessoal 1 até o dia 25/09/2020, quando entrarei em um ano pessoal 2. Você encontra esse número somando os números do dia, mês e ano vigente e reduzindo até um único numeral de 1 a 9. No meu caso, 2+5+9+2+1+9=28, =2+8=10, =1+0=1

Eu sei que os leitores do blog são inteligentes o suficiente para saber que isso não é algo que engessa as minhas decisões, mas sempre cai alguém de paraquedas que pode fazer essa pergunta mais cética. Eu não “acredito” nisso. Não se trata de uma crença. Trata-se de uma ferramenta de autoconhecimento, de análise, que pode ser usada para reflexão, para entender o momento que cada um está vivendo. Eu gosto muito e, acompanhando há pelo menos dois ciclos desses na minha vida, vejo que faz sentido. Logo, uso exatamente como uma ferramenta de reflexão e planejamento.

No Método Vida Organizada, ensino uma estratégia de planejamento de vida que se baseia no curto, médio e longo prazo. O médio prazo pode ser visto pela década de vida em que você está (ex: dos 30 aos 40 anos) ou dentro do ciclo de 9 anos, se você curtir numerologia. Ou seja, tudo o que não for curto prazo (até dois anos) ou longo prazo (“pra vida”), se encaixaria nesse médio prazo, em um ciclo de cerca de uma década. E tem bastante coisa que a gente pode fazer em quase uma década, apesar de também passar rápido.

Pensar em ciclos que começam e se encerram me ajudam a colocar os pensamentos em ordem. Um exemplo prático: quero reformar a nossa casa. Não é algo que vai acontecer em menos de dois anos (envolve outras questões), mas para esse ciclo de 9 anos, faz sentido. Não que obrigatoriamente vai levar 9 anos, entende? Mas é um período factível, pois nem sei quando começaremos a reforma. Tem coisas que simplesmente levam mais tempo. Fazer um doutorado, por exemplo. Enfim, é para esse tipo de construção que leva mais tempo.

Imagem: site da CVC

(Eu ainda sonho em ter essa vista da minha casa <3)

A numerologia também me ajuda no autoconhecimento. Há alguns anos, a minha amiga Wanice Bon’Ávigo me presenteou com um mapa numerológico, que explica a minha personalidade através dos números. E olhe, acredite você ou não, mas é uma análise fantástica.

Eu gravei um vídeo no YouTube reagindo aos comentários dela sobre o meu mapa, se você quiser conferir:

Alguns aspectos muitos legais que ela fala:

  • A questão da compassividade
  • A questão da criatividade
  • O aspecto transgressor
  • A habilidade de organização, planejamento etc.

Meu número de motivação é o 3, o que significa que o que me motiva é a criatividade. E sim! Criatividade é um valor fortíssimo para mim, e em tudo o que eu coloco a minha criatividade aquilo se torna mais atrativo para mim. Ela ainda cita que o 3 é aplicado (no meu caso) na própria comunicação, através deste trabalho que eu tenho com a Internet.

Um número de destino 8 diz que eu vim nesta vida para ter realizações. Eu sou uma pessoa que gosta de fazer acontecer. E que o fato de eu ter algumas lições cármicas, especialmente com relação ao número 9, significa que eu estou sempre em busca de um equilíbrio entre o mundo material e o espiritual. O 8 também é meu número de expressão, o que justifica muito a imagem que as pessoas têm de mim de “não sei como ela faz tanta coisa!”. Às vezes nem é tanta coisa, mas eu tenho essa habilidade de realização que de fato é percebida, expressada por mim, e acho curioso como isso aparece no meu mapa.

Toda vez que a Wan e eu conversamos e eu conto algo como “resolvi fazer um curso de formação em Ayurveda” ou “tirei 7 certificações do GTD” ela vira os olhos brincando e diz: “isso é a pessoa com número psíquico 7 – a pessoa que não sabe ficar na superfície”. E isso é muuuuito quem eu sou mesmo, me descreve perfeitamente mesmo quando antes eu nem sabia colocar isso em palavras.

Enfim, acho que é uma análise muito gostosa e que vale a pena de ser feita para se entender e entender um pouco os diversos ciclos de vida que vivemos.

A Wan vai fazer um especial de aulas sobre numerologia semana que vem para os seus alunos (de graça) e eu perguntei para ela se poderia divulgar para os leitores do VO, pois acredito que alguns de vocês também possam ter curiosidade para aprender sobre a sua numerologia pessoal. Se você tiver interesse, então, clique aqui para saber mais sobre o evento e se inscrever. 😉

“Roma”

Faço parte de um grupo de mentoria e estudos de marketing digital que recentemente se encontrou (virtualmente) e 90% das conversas giraram em torno do conceito de “Roma”. Eu achei isso genial e quis compartilhar com vocês. Esses ditados antigos têm muito a nos ensinar se tivermos uma visão criativa sobre eles.

A analogia parte do ditado de que “todos os caminhos levam a Roma”. A questão é: qual a sua Roma? No marketing digital, onde estudamos, significava o resultado que você oferece (sua solução) para a pessoa que te acompanha. Então, por exemplo, a “Roma” do Vida Organizada é te ensinar a ter uma rotina tranquila através da organização. É a minha proposta de resultado.

Na prática, significa que, antes de postar um conteúdo aqui, por exemplo, eu sempre devo me perguntar: isso ajuda o meu leitor a chegar em Roma? Se sim, vá em frente. Se não, repense. E isso tem sido muito bacana porque na verdade essa lucidez me ajuda a criar um conteúdo mais legal e assertivo para vocês.

E o que isso tem a ver com a sua vida, caro leitor? Oras, tudo. Porque você saber qual é a “sua Roma” também vai te ajudar nesse tipo de exercício de foco. Suponhamos que você queira passar no concurso público para ser auditor da Receita Federal. Essa é a sua Roma. Quantas coisas você está fazendo hoje no seu dia que te levam até lá? Não precisa necessariamente ser “estudar”. Dormir bem e ter uma noite de sono reparador te levam a Roma? Com certeza. Alimentar-se corretamente te leva a Roma? Sim. É basicamente isso.

Não que absolutamente TUDO na sua vida deva ser relacionado com a sua Roma – e ah, é claro que você pode ter mais de uma, ok? Trata-se simplesmente do resultado desejado para o que quer que seja. Você pode ter um maior, como pode ter outros. Você pode dizer: “minha Roma hoje é dormir mais cedo”. Aí você vai fazendo escolhas ao longo do seu dia que colaborem nesse caminho. Tomar uma caneca com 350ml de café no fim da tarde te leva a Roma? Acho que não!

A gente está aqui no meio de um projeto sobre como se tornar referência no seu mercado e levar o seu trabalho para o digital no Jornada POP, e não é à toa que eu tenho me referido a essa Roma toda vez que eu cito o projeto, porque esse resultado tem que ficar claro, para a pessoa se identificar ou não com ele. Economiza um tempão de todo mundo. É um atalho mental. Se a pessoa não quiser se tornar referência nem levar seu trabalho pro online, ela não vai perder tempo assistindo.

E esse é um exercício que eu gostaria que você passasse a fazer daqui em diante. Vá identificando aos poucos as suas “Romas”e, assim, coordenando os seus caminhos até lá. Ontem mesmo eu já cancelei um projeto importante porque simplesmente não me levava à minha Roma. E é isso. Assim é a vida.

E, se você for nerd como eu, já deve estar com vontade de pesquisar mais sobre esse ditado, então veja aqui.

Mapa “Quem sou eu”

Eu tenho um mapa mental no Mind Meister onde armazeno todas as informações que vou descobrindo com o passar dos anos a meu respeito.

Para quem me conhece de outros carnavais, esse mapa diz respeito a referências que a gente encontra em: horizonte 5 do GTD, mapa do tesouro, mapa de referência, mapa pessoal etc. Todos são formatos que se enquadram na mesma natureza deste mapa que, no momento, estou chamando de “quem sou eu”.

Ao contrário do mapa das áreas da vida, este é um mapa mais profundo, mais ligado ao meu eu interior, que fala de aspectos mais elevados da minha humanidade.

De vez em quando eu sinto uma necessidade de revisitá-lo. Ou para me inspirar, ou para me reencontrar. Ele também me ajuda em épocas mais difíceis ou quando tenho que tomar alguma decisão complexa. Se for para definir um propósito para ele, diria que é um mapa de reconexão. É isso aí.

Obviamente ele não fica completo nunca. E a ideia é que você faça uma primeira versão e, com o passar do tempo, dos anos, vá aperfeiçoando. Sem pressa. Não existe pressa no autoconhecimento.

Não dá para abrir e mostrar todas as informações porque elas são bem pessoais, mas algumas coisas me sinto à vontade para compartilhar:

Sinceramente: se você não tem algo similar, recomendo fortemente que o faça. É um mapa incrível de autoconhecimento que me ajuda a me entender, a levar questões para a terapia (e anotar muita coisa aprendida nas sessões!), a tomar decisões na vida pessoal e profissional, enfim, realmente acho importante ter. Comece devagar, mas vá mantendo, revisando de tempos em tempos, seja o formato que for. Foi bastante significativo, para mim, revisar nesse momento em que estamos vivendo.

Por exemplo, revisar minha lista de filmes preferidos me deu vontade de reassistir alguns deles. Livros, mesma coisa. Revisitar os meus valores me fez refletir sobre como tenho lidado com algumas lições difíceis no momento. Enfim, apesar de ele ser uma ferramenta de reflexão, tem aplicação muito prática também.

Como saber que projetos devem ficar em andamento e quais devem ficar em stand-by devido à quarentena

Queridos leitores. O blog ainda está em manutenção e está instável. Vou arriscar postar este texto para fazer um teste mesmo, mas peço paciência durante mais alguns dias. O suporte está mexendo no servidor, para só depois podermos fazer alterações na parte visual. Sabemos todos os problemas que estão ocorrendo no momento, portanto não precisa comentar. 😉 Agradeço a compreensão.

Recebo o título deste post como dúvida frequentemente nos dias de hoje. Geralmente, o que vocês relatam é a dificuldade de saber lidar com planejamentos para o mês, o ano, por conta da pandemia, do isolamento social e quarentena, e também sem saber como vão ficar as coisas.

Bem, se teve algo que a terapia e o budismo me ensinaram é que se preocupar com coisas que não temos controle só traz ansiedade. E aqui entra então a minha orientação base para você neste post: em organização, podemos focar naquilo que temos controle, dentro de quaisquer circunstâncias fora de controle também, como o que estamos vivendo hoje em dia.

Uma seguidora me perguntou no Instagram como ela poderia planejar a vida dela, pois ficou desempregada. Essa situação é lamentável e triste, e não quero que o processo de organização seja visto como um placebo ou distração nesse caso, mas como uma habilidade para ajudar a gente a lidar de maneira um pouco mais pragmática com esses momentos mais difíceis.

Sobre a seguidora, minha resposta:

Não tem como a gente controlar quando terá um novo emprego ou não, pois não depende só da gente. Mas dá para planejar e organizar:

  • Revisar e atualizar o currículo
  • Aprender ou melhorar habilidades para valorizar o currículo, através de estudos
  • Explorar sites de vagas de empregos

Além disso:

  • Reorganizar as finanças para esse período
  • Organizar uma rotina de estudos e projetos relacionados (idiomas? cursos online?)
  • Ler livros que ajudem no seu equilíbrio emocional
  • Procurar terapeutas que estejam fazendo trabalho voluntário para ajudar quem precisa durante a pandemia sem cobrar nada
  • Aprender a meditar (para ajudar com a ansiedade)
  • Aprender a cozinhar ou aprender receitas novas para comer de maneira sustentável, aproveitando melhor os alimentos (e gastar menos) e comendo de forma mais saudável
  • Regularizar o sono (por favor, aproveite para descansar!)
  • Pensar sobre a vida e olhar para dentro, buscar autoconhecimento, pensar nos seus valores pessoais e em como pode buscar atividades que contribuam com o mundo
  • Assistir palestras do TED no YouTube da sua profissão (e outros temas)
  • Transformar algum hobby em renda extra (ex: tricô)
  • Explorar sites de serviços online (tipo Get Ninjas) para pensar em oportunidades
  • Procurar maneiras de fazer trabalho voluntário mesmo online
  • Organizar uma agenda de conversas (mesmo virtuais) com a família e amigos
  • Cadastrar-se em um app de relacionamentos para se distrair se estiver solteira/o
  • Ter conversas mais profundas sobre a vida se estiver comprometido/a
  • Participar de LIVEs dos amigos
  • Descobrir um novo hobby
  • Assistir todos os filmes e séries que você nunca teve tempo
  • Descansar, ficar sem fazer nada o tempo que quiser!
  • Aperfeiçoar-se em algum hobby que já tenha (ex: tocar violão)
  • Aprofundar-se em algum caminho espiritual, se tiver vontade

Além do que, o próprio planejamento da vida, para todas as pessoas, não importa a hierarquia, emprego, situação, tudo – você deve se planejar para aquilo que tem controle, aquilo dentro da sua vida que você pode efetivamente fazer algo a respeito. Você não sabe quando a quarentena vai acabar, então não foque em planejamentos que dependam disso. Foque em projetos que você pode planejar com ou sem quarentena. A lista acima dá uma dimensão e, se você estiver trabalhando, certamente terá o dobro de atividades porque no seu próprio trabalho deve ter bastante coisa a fazer.

Existe uma máxima budista que diz:

Se há solução, não precisa se preocupar.
Se não há solução, não precisa se preocupar.

Eu complemento:

Se você consegue planejar, não precisa se preocupar.
Se consegue, não precisa se preocupar.

Foque no que você pode fazer. 😉

O maior ato de amor por você mesma/o é viver uma vida legal

O maior ato de amor por você mesma/o é você poder viver uma vida, um dia a dia, uma rotina, que seja alinhada com quem você é intrinsicamente. Que seja alinhada com os seus valores. Isso inclui um conjunto de hábitos que contribuem para recompensas de médio a longo prazo, mas com grande prazer hoje, no curto prazo, também.

O que a organização pessoal proporciona é justamente esse olhar. A organização da sua rotina hoje deve, aos poucos, ser construída de modo que colabore com a vida que você está buscando viver. Não se trata de viver hoje para ter uma vida legal apenas lá na frente. Trata-se de viver bem hoje para viver uma rotina legal no momento, e que além de tudo contribua com um longo prazo que te deixe tranquila/o.

A organização é uma habilidade para toda a vida. A gente pode chamá-la de “soft skill”. Uma pessoa organizada é uma pessoa que desenvolveu uma determinada habilidade que permite que ela organize toda as áreas da sua vida dentro de um processo pessoal personalizado de organização. Ela aprende e desenvolve esse seu processo e o utiliza para organizar sua saúde, seus estudos, suas finanças, sua espiritualidade, sua casa, sua família etc.

O curioso é que a necessidade de se organizar pode nascer de um problema particular e específico. Eu mesma comecei a me interessar por organização quando percebi que, estudando em uma escola estadual, eu não conseguiria passar no vestibular, pois o ensino que tive foi defasado. Eu deveria organizar um cronograma de estudos – que foi o que eu fiz. Na época, não me interessava sequer pensar de maneira mais abrangente, como “desenvolver um processo pessoal de organização”. Na verdade, sequer passou pela minha cabeça essa possibilidade. Eu só queria organizar os meus estudos. Mas, a partir daquele projeto, vendo que tive resultados na minha vida a partir de um processo de organização que implementei, completamente adaptado às minhas necessidades, eu na verdade percebi que poderia fazer o mesmo com “todo o resto”. E “todo o resto” eram os outros problemas de desorganização que eu identificava. Conseguir um emprego. Emagrecer. Organizar minhas refeições ao longo da semana. Guardar dinheiro para mobiliar a nossa casa. Planejar uma gravidez. Terminar o TCC. Enfim, outras coisas que foram surgindo à medida que eu ia concluindo projetos e iniciando coisas novas.

A todo momento na vida, não importa a nossa idade ou as nossas atividades, nós temos coisas a organizar. É isso. Portanto, aprender um método que permita que você olhe para todas as áreas da sua vida o tempo todo e busque soluções imediatas e de longo prazo para cada uma delas é o que vai tornar você uma pessoa organizada. Você pode começar a construir esse método a partir de uma questão pontual, como organizar seus estudos para o vestibular? Sem dúvida. Apenas não perca de vista que sua vida é maior do que isso, e que estudar para o vestibular faz parte de um planejamento maior que talvez você ainda nem saiba identificar. Mas existe. Confie.

Talvez você não consiga enxergar as áreas de sua vida em uma perspectiva de longo prazo. Essa é uma das queixas que eu mais ouço dos meus alunos. Eu não sabia qual era o propósito do meu trabalho quando eu tinha 15, 19, 25 ou 30 anos. Talvez não soubesse aos 48. E tá tudo bem. O mais maravilhoso disso tudo é como a vida vai se construindo junto com a gente. O segredo está em identificar sutilezas. “Hm, talvez eu possa trabalhar com isso um dia. Eu descobri que adoro fazer tal coisa”. Você vai se conhecendo, se observando, e esse autocuidado aos poucos vai te ensinando mais sobre você mesma/o e mais sobre o que você quer ou não quer fazer na vida.

Só que, a partir do momento que você começa a identificar tais pontos, você os coloca para trabalhar a seu favor. “Poxa, eu não gostaria de passar necessidade na velhice. Logo, preciso ter um plano para minha aposentadoria.” Você pode não saber de cara quais são seus objetivos de longo prazo mas, uma vez que identifique algo, você deve saber como proceder com relação a eles. E minha abordagem é simplesmente assim:

Objetivo de longo prazo: ter um rendimento mensal na velhice que supra as minhas necessidades

Objetivo de médio prazo: ter investimentos que representem 10 anos de salários

Objetivo de curto prazo: construir uma reserva de emergência de 1 ano de salário

Recorte para este ano (projeto): pesquisar possibilidades de investimentos a longo prazo; aprender sobre juros compostos; vender itens não usados em casa para guardar o dinheiro; cortar gastos e despesas; realizar cálculos para entender quanto precisarei por mês se quiser me aposentar um dia

A gente vai desenhando esse planejamento até chegar no trimestre, no mês, na semana, no dia. Você não precisa definir coisas. Não é obrigatório. Mas, se você quiser algo, você tem como fazer, como montar esse planejamento. É isso o que eu busco ensinar com essa abordagem.

Meu dia a dia vai sendo construído de modo que ele se torne um reflexo desses objetivos de longo prazo que eu fui trazendo para o meu dia a dia e se refletem em ações na minha agenda, na minha lista de afazeres, em checklists de consulta, em mensagens que lido diariamente quando zero as minhas caixas de entrada. A vida acontece. O que a organização permite é que os acontecimentos reflitam cada vez mais o que for mais significativo para cada um de nós. Por ser uma habilidade, a decisão de iniciar é apenas sua.

Os princípios do planejamento pessoal

Existem alguns princípios que norteiam todas as práticas de planejamento pessoal e este post traz a descrição de cada um deles.

Princípio 1

Fazer qualquer tipo de planejamento não é uma coisa para fazer uma vez e pronto, e sim um processo que deve fazer parte da rotina. Aproveitar as janelas de tempo no dia a dia faz com que a gente tenha tempo para se planejar. O tempo todo podemos planejar o dia, a próxima reunião, o estudo para uma prova, as próximas férias, a reforma da cozinha. O planejamento deve fazer parte do dia a dia para realmente se tornar um hábito.

Princípio 2

Não precisamos de nenhuma ferramenta fantástica ou extraordinária para fazer planejamentos! Já temos a ferramenta mais avançada do mundo, que é o nosso cérebro! Leve com você sempre papel e caneta, porque a qualquer momento ao longo de um dia, quando você tiver algum intervalo, poderá se planejar. Existem diversas ferramentas e técnicas para planejamento? Claro que existem, e podem ser usadas – mas não precisa, esse é o ponto. Você não depende de ferramentas sofisticadas para que o planejamento faça parte da sua vida.

Princípio 3

Planejar é diferente de organizar! Você precisa ter as suas informações organizadas para ter uma visão completa de tudo o que precisa ser feito para assim então se planejar! Se você fizer o planejamento sem ter as suas informações organizadas, pode correr o risco de esquecer pontos importantes ou adotar uma postura reativa sem perceber, apenas trabalhando no que for mais urgente ou gritante. Este texto do blog explica mais sobre essa diferenciação.

Conhecer esses princípios pode ajudar você a implementar o hábito do planejamento no seu dia a dia. Tem dúvidas sobre como começar? Leia este outro post. Obrigada!

Checklists servem para dar apoio aos planejamentos

Checklists são listas de verificação que servem para tornar o automático bem feito, ou nos lembrarmos de itens que precisamos fazer ou uma lista que precisamos revisar para não ter que ficar forçando a cabeça a planejar algo pela segunda, terceira ou quarta vez.

Por exemplo, uma checklist de viagem pode conter tudo aquilo que você precisa verificar antes de ir viajar ou tudo aquilo que você precisa levar. Como você já viajou pelo menos uma vez, tem uma ideia do que precisa ser feito e do que precisa levar.

As checklists são essenciais para dar apoio aos diversos planejamentos que você faça. Veja alguns exemplos:

  • Checklist para planejar a semana
  • Checklist para planejar o mês
  • Checklist para planejar o ano
  • Checklist para planejar uma viagem
  • Checklist de volta às aulas
  • Checklist para planejar uma festa de aniversário
  • Checklist para planejar o trimestre
  • Checklist para planejar um casamento
  • Checklist para organizar um evento no trabalho
  • Checklist para realizar uma palestra
  • Checklist para gravar vídeos para o YouTube
  • Etc.

Toda vez que algo pode ser feito pela segunda vez (ou mais vezes), você pode criar uma checklist de apoio. Tente buscar no seu dia a dia situações que se repetem e certamente você encontrará ideias de checklists. Por exemplo: quando você vai verificar a lição do seu filho, que tópicos gostaria de sempre prestar atenção? Você pode ter uma checklist para isso. Nossa, os usos são infinitos.

Porém, a criação delas é totalmente personalizada. Você pode concluir que seria legar ter uma checklist para a sua rotina matinal, por exemplo. Então essa checklist vai conter os itens que você, em seu esforço de analisar sua rotina, considera essenciais para serem feitos ou levados em consideração ao acordar e se preparar para sair.

Especialmente para projetos recorrentes, as checklists são muito úteis. Alguns exemplos de projetos recorrentes que você pode ter checklists:

  • Organizar uma viagem
  • Organizar as festas de final de ano, comprar presentes etc.
  • Declarar o Imposto de Renda
  • Planejar as finanças de início de ano
  • Concluir check-up médico anual
  • Organizar a volta às aulas
  • Organizar uma festa de aniversário
  • Etc.

Não há motivos para perder um planejamento que você tenha feito uma vez, com tanto cuidado, para um determinado projeto. Você pode aproveitar esse mesmo planejamento futuramente. Toda vez que você identificar algo assim, crie uma checklist e salve em seu arquivo de referência, então.

Você usa checklists de apoio para os seus planejamentos? Deixe um comentário me contando como você faz. Vou adorar saber!

Planejamento da vida de acordo com os horizontes do GTD

Já que estamos falando sobre planejamento, eu não poderia deixar de falar sobre como os horizontes de foco do GTD me ajudam nessa questão.

Horizontes de foco são uma abordagem do David Allen (autor do método GTD) que, basicamente, divide a nossa vida em “camadas”, de modo que possamos gerenciar de uma maneira mais efetiva os diferentes tipos de resultados que queremos. Explico melhor demonstrando:

A ideia é que, uma vez que a pessoa se aperfeiçoe cada vez mais no método GTD, ela consiga encontrar coerência em sua vida de acordo com esses horizontes. Por exemplo, o telefonema que você dá no horizonte “térreo” tem a ver com seu propósito lá no “horizonte 5”. Os projetos que você tem no “horizonte 1” estão alinhados com seus objetivos de curto prazo no “horizonte 3”.

Esses horizontes pedem revisões em intervalos diferentes, porém sempre regulares. A sugestão do David é mais ou menos assim:

Quando revisar o horizonte térreo:
todo dia ou quando eu quiser saber o que tenho para hoje ou qual a próxima coisa a fazer.

Quando revisar o horizonte 1 – projetos:
semanalmente ou quando eu precisar analisar meus compromissos de curto prazo (entregas).

Quando revisar o horizonte 2 – áreas de foco e responsabilidades:
mensalmente ou quando eu quiser garantir equilíbrio.

Quando revisar o horizonte 3 – metas e objetivos:
sazonalmente ou quando eu quiser garantir que estou no caminho certo para alcançar o que eu desejo.

Quando revisar o horizonte 4 – visão:
semestralmente, anualmente ou quando eu precisar de inspiração ou direção a longo prazo.

Quando revisar o horizonte 5 – propósito e princípios:
anualmente ou quando eu precisar tomar grandes decisões.

Duas técnicas podem te ajudar a revisar esses horizontes:

  • Inserir um gatilho ou lembrete no seu calendário para revisá-los nos intervalos acima;
  • Elaborar checklists para garantir uma revisão legal de cada um deles (com itens elaborados por você para que você saiba o que levar em conta ao revisar cada horizonte)

Se isso entrar no seu fluxo de trabalho normalmente, você garantirá um planejamento de vida a curto, médio e longo prazo que promoverá coerência nas suas escolhas para toda a vida.