Eu já compartilhei diversas vezes aqui no blog como, nos últimos anos, eu questionei demais todo o futuro deste trabalho e como eu descobri que, para mim, era difícil o conceito de “ser empresária”. Não tem a ver com “crença limitante”. Tem a ver com consciência de classe e com o que eu quero fazer da minha vida.
Ok, nós nunca trabalhamos sozinhos. Sempre estamos em contato com as pessoas, seja como for. Clientes, fornecedores, colegas, prestadores de serviços. Mas eu percebi que, nos últimos anos, eu estava infeliz com o meu trabalho justamente porque, com o “crescimento” da empresa, com a estruturação do Vida Organizada como uma universidade corporativa, isso me tirou do meu ofício principal (escrever e ensinar) para me colocar no papel de administradora de empresa e líder de pessoas.
E veja: eu entendo a liderança como um conceito mais amplo que simplesmente gerenciar as demandas de um time. Eu me vejo sim como líder do movimento por uma produtividade compassiva através do Vida Organizada, por exemplo, e considero esse papel de liderança importante. Ele me dá propósito para continuar com este trabalho.
O que não tem absolutamente nada a ver comigo são questões operacionais que me desconectam, até me alienam, do meu trabalho, como delegar algo para alguém e perceber, depois de meses, que a tarefa deixou de ser feita porque a pessoa não teve a autonomia de manter o processo – e eu achei que estava tudo bem. Aí eu tenho que consertar erros, reparar danos, treinar a pessoa novamente, fazer um acompanhamento etc. Ou de ter que parar tudo o que estou fazendo para resolver um problema qualquer sobre algo que nada tem a ver com o meu trabalho porque algo aconteceu com alguém. E o fato é que essas pequenas coisas do dia a dia acabaram virando regra nos últimos anos. Eu percebi que meu trabalho tinha se tornado cuidar disso a maior parte do tempo e não me dedicar ao que eu gosto de fazer.
Ao mesmo tempo que a empresa crescia, os custos também cresciam, então qual era o ponto? Eu não preciso de muito para sobreviver. Valorizo muito mais a minha rotina tranquila que lucrar mais e mais a cada mês ou ano. Claro que, dentro da lógica capitalista, a empresa crescer faz parte, senão ela deixa de existir, porque os custos de existência dela aumentam e, por isso, você precisa faturar mais para pagar tais custos e ter uma reserva para os meses seguintes, caso algo mude no mercado (como foi no caso da pandemia). Mas, nos últimos anos, isso custou a minha sanidade, a minha tranquilidade e a minha felicidade. Foi quando eu percebi isso que cheguei à conclusão de que eu não queria uma empresa. Eu queria voltar a ser autônoma. Ter um ritmo de faturamento menor, talvez, mas o meu ritmo. Administrar os projetos que eu dou conta. Fazer uma coisa de cada vez. Voltar a fazer o que eu gosto. E é isso.
Obviamente que essa não é uma decisão fácil e envolve muitas questões importantes para mim, como o desligamento de pessoas. Isso é horrível. O que eu procurei fazer foi avisar com antecedência de meses sobre como estava sendo o meu raciocínio e dando todo tempo e suporte para a pessoa se recolocar. Não tem maneira fácil de fazer isso, mas fiz o que acreditei ser melhor.
A ideia é que, a partir de janeiro 2025, eu esteja trabalhando como autônoma novamente. Não vai ser fácil, vai demandar um tempo de ajustes, mas eu sinto que tirei um peso das minhas costas e resgatei a perspectiva de felicidade que eu sentia falta neste trabalho. Estou feliz por novamente fazer tudo.
Eu não sei como será no futuro mas, no presente, me parece a melhor decisão para mim. Não existem decisões certas ou erradas – existem decisões e suas consequências. Vamos ver como será daqui em diante. Quis compartilhar esse processo com vocês. Obrigada por ler até aqui.
Hoje, li um artigo na Folha SP sobre os atributos que podem nos ajudar a alcançar o sucesso nos negócios. Os três atributos destacados foram: rebeldia, impaciência e disposição para agir. Refletindo sobre minha própria jornada, percebo o quanto me identifico com cada um deles.
Rebeldia: Desde cedo, sempre questionei as normas estabelecidas e busquei caminhos alternativos. Essa rebeldia me levou a desafiar o status quo e buscar soluções inovadoras. Criando meu próprio trabalho, percebi que essa característica me permitiu ver oportunidades diferentes. Por exemplo, questionar as normativas que são faladas há mais de um século sobre produtividade pessoal, trazendo uma abordagem mais compassiva e com consciência de classe, do meu ponto de vista, são um diferencial deste trabalho.
Impaciência: Muitas vezes vista como um traço negativo, a impaciência tem sido um motor poderoso para mim. Nunca consegui ficar parada, esperando que as coisas acontecessem. Essa urgência em ver resultados me impulsionou a agir rapidamente e aproveitar oportunidades inesperadas. Meu ex-marido sempre me dizia que “meu problema é que eu não parava quieta e sempre queria mais”. Fã ou hater? XD O fato é que sim, eu sou essa pessoa, e isso tem seus prós e contras, mas acima de tudo é apenas uma forte característica minha.
Disposição para Agir: Ideias sem ação são apenas sonhos. Sempre acreditei que a execução é o que realmente importa. Sonhos, quando organizados, se tornam objetivos. Ao longo da minha carreira, não tive medo de arregaçar as mangas e trabalhar duro para transformar minhas ideias em realidade. Esta disposição para agir é, sem dúvida, um dos pilares da minha personalidade.
Eu também acredito que esses atributos foram combinados com resiliência e coragem e que isso sim me ajudou a construir uma trajetória mais sólida, digamos assim. Para todos os empreendedores e aspirantes a empresários, meu conselho é abraçar suas características e usá-las como alicerces para seu crescimento.
Ah, a vida. Nada como dar um tempo, mudar de ares, viver novas experiências para a gente se conhecer melhor e repensar toda a vida.
Durante a minha viagem pela Alemanha, eu refleti muito sobre o meu trabalho e sobre tudo aquilo que me incomodava nele. E foi difícil admitir que ser empresária era grande parte disso.
Veja. Vivemos no mundo da alta performance e do empreendedorismo. Se você tem uma empresa, percebe muito rapidamente que precisa crescer para a empresa não acabar. Mas, nesse crescimento, só a experiência pode ensinar o limite pessoal que se reflete pelos seus valores. Dá medo de fazer a coisa errada. Porque, na real, ninguém nasce empresário e, mesmo com formações, não existe um ponto “perfeito” que você possa dizer que se tornou empresária.
Ter focado em me tornar empresária, nos últimos anos, me afastou do que eu mais gostava de fazer, que era ser criadora de conteúdo e ser professora. O meu lance não é gerenciar uma empresa. Gosto de ser criativa, ter visão, direcionar os projetos, mas não ter esse ímpeto do gerenciamento. Sou introspectiva. Não sou boa em ficar delegando e cobrando os outros. Sei que, em todos os âmbitos da vida, precisamos fazer isso. Mas, quando você se assume como empresária, essa é principal e basicamente a sua função. E eu não queria só essa função. Demorou mas eu aprendi isso sobre mim.
Embora eu tenha aprendido muito e me dedicado com afinco a esse papel, gradualmente comecei a sentir uma desconexão com o trabalho que estava realizando. Algo parecia faltar, como se eu não estivesse realmente alinhada com minha verdadeira essência.
Foi quando percebi que minha verdadeira paixão sempre esteve relacionada ao ensino e à criação de conteúdo. Essas eram as áreas em que eu me sinto mais viva, realizada e capaz de impactar positivamente a vida das pessoas. Foi o motivo de ter criado esse trabalho. E, sabe: se eu criei um trabalho para mim, ele não deveria refletir o que eu gosto de fazer? Senão, qual o ponto?
Não há nada mais gratificante do que ver meus alunos progredindo, aprendendo e alcançando seus objetivos. É um privilégio poder compartilhar meu conhecimento e experiência para ajudar os outros em seu próprio caminho de crescimento e desenvolvimento. É o que gosto de fazer e o que quero continuar fazendo.
Sei que existem responsabilidades com relação à empresa das quais “não posso fugir”. Mas elas não podem ser o meu foco. Tenho pessoas de confiança e competentes para cuidar dessa parte. Eu quero delegar tudo isso para poder fazer o que realmente acredito que faço de melhor, que é ensinar, escrever, conversar, de maneira leve, bem-humorada e criativa, para encorajar as pessoas a construírem uma vida com coerência e significado. A empresa tem que crescer sim, de maneira sustentável e saudável, principalmente para mim, e felicidade é saúde mental também.
Muitas pessoas me perguntam “o que eu faço” e, se você tem mais ou menos a minha idade nesse momento do mundo em que vivemos, sabe que fica cada vez mais complexo explicar o que se faz quando não existe mais uma linearidade das profissões e carreiras.
De modo geral, costumo responder de acordo com a bagagem da pessoa ou o contexto. Se estiver em um evento acadêmico, digo que sou Mestra em comunicação, planejando o Doutorado. Se estiver em um evento de marketing, digo que sou criadora de conteúdo, ou youtuber. As pessoas entendem. Se eu estiver assinando a ficha do check-in do hotel, prefiro escrever que sou publicitária – gera menos perguntas. Enfim, de acordo com o contexto, respondo algo que realmente sou, mas com um recorte apropriado.
O Vida Organizada nasceu como um hobby, em 2006, e de lá para cá foi sendo gerido e construÃdo junto comigo, proporcionando oportunidades de mudança profissional. Em 2014, pedi demissão do meu último emprego e passei a viver exclusivamente deste trabalho. Desde então, nunca mais tive um “emprego”. Virei autônoma, fiz a empresa crescer, contratei, demiti, quis ter uma empresa grande, quis ter uma empresa menor, e amadureci de diferentes maneiras em um processo que me fez aprender demais sobre o que eu quero e o que eu não quero para mim.
Quando faço aqueles exercÃcios de projeção para o trabalho, pensando em 5, 10 anos, permito-me confiar no tempo. Durante os últimos seis anos, planejei e executei assertivamente. Tudo o que quis fazer, eu fiz. Tudo o que quis conquistar, consegui. E, nesse processo, aprendi que, com a cabeça que eu tenho hoje, eu não consigo entender o cenário que vou ter daqui a cinco anos. Planejo sim, um montão de coisas, mas acima de tudo me permito viver e deixar a vida acontecer. Eu sou uma nova pessoa. Aprendo muito, e tenho muito foco nesse trabalho no momento presente. Quando eu foco em fazer bem o trabalho que já faço, novas oportunidades surgem e, com elas, vontades. Ideias. Iniciativas. Quero me permitir experimentar tudo isso à medida que trabalho em tudo aquilo que já existe.
Acho incrÃvel parar para analisar a mentalidade da Thais no inÃcio de 2018 para a mentalidade da Thais quase no final de 2020. Há um ano, eu estava assustada com a velocidade das minhas conquistas. Tudo o que eu queria ter feito, eu fiz. Nada parecia tão impossÃvel. Mas ter alcançado vários objetivos me fez vivenciar o cenário que foi criado por eles. E foi quando percebi que queria reajustar a minha rota.
Neste post, que quero deixar como referência, mesmo após o fim do curso, quero contar um pouquinho o que me motivou para levar o meu trabalho para o online mesmo antes de saber que haveria uma pandemia no mundo e como foi a minha organização para conseguir fazer isso de maneira segura e com bons resultados.
Vale uma breve contextualização sobre mim e por que esse modelo de trabalho funcionou tão bem comigo.
Sempre fui uma pessoa que gosta de criar conteúdos e compartilhar, desde criança. Fazia meus próprios gibis, depois fiz parte da equipe do jornalzinho da escola, criei um fanzine na adolescência e meu primeiro blog desde o momento que eu tive acesso constante à Internet (em 2001). Mas isso não quer dizer que você tenha que ser igual! Só estou dizendo tudo isso para você entender por que me apaixonei tanto por esse modelo de atuação.
Como diz um mentor, “curtida não paga boleto”. Não basta você fazer um trabalho incrÃvel de criação de conteúdo ou ter um curso super legal se você não souber se vender. E eu confesso que esse era o meu maior tabu. Fui fazendo novos cursos e mentorias, o que me deu conhecimento e embasamento na prática para tomar a decisão que tomei no ano passado: vou entrar 2020 com meu trabalho 100% no online. E como fiz isso? É o que vou contar no restante do post.
Eu sempre gostei tanto do trabalho presencial que tomamos uma decisão no final de 2018: alugar uma sala exclusivamente para fazer os cursos em São Paulo. Outro projeto que colocamos em prática foi elaborar uma nova formação de instrutores em GTD, que poderiam ficar responsáveis pelas turmas abertas ao redor do paÃs e eu poderia ficar com as turmas apenas em São Paulo, na sala contratada pra isso. Podendo ficar concentrada em São Paulo, eu poderia iniciar a minha transição para o online, com o meu trabalho com o Vida Organizada.
Teduzi muitos custos fixos que tÃnhamos como empresa – entregamos as salas comerciais, não era mais necessário ter equipe em tempo integral (pois não haveria mais o gerenciamento dos cursos presenciais, que tomavam 90% do trabalho) e cancelei serviços;
Conversei com meu marido e falamos sobre reduzirmos nosso custo de vida de modo geral, o que ele aceitou prontamente porque já vÃnhamos fazendo isso desde o inÃcio do ano.
Vale dizer que, em paralelo, meu ano passado foi muito complicado pessoalmente. Eu tive um problema de saúde que iniciou em fevereiro e eu só comecei a melhorar por volta de setembro ou outubro. Nesse meio tempo, fiquei tão mal que isso me manteve atrelada ao mÃnimo possÃvel de atividades – então priorizei os cursos e serviços já contratados, mas sem novas iniciativas, pois não sabia se poderia me comprometer. Tive dias em que não conseguia sair da cama direito e trabalhar, pois sentia muita fraqueza.
Para quem não sabe, fiz uma cirurgia complexa em 2017 que mudou completamente o meu metabolismo. O perÃodo de ajustes do corpo pós cirurgia leva cerca de três anos e muita coisa pode acontecer nesse meio tempo. O que aconteceu comigo foi ter tido um pane geral, pois descobri uma alergia fortÃssima, associada uma questão emocional delicada de luto que vivenciei com a morte da minha avó. Eu só pude ter esse diagnóstico geral este ano, quando iniciei meu tratamento dentro do Ayurveda, com uma profissional especialista. Eu contei mais sobre isso em um vÃdeo no YouTube, se você quiser saber.
Essa confiança mudou a minha cabeça de volta ao Brasil. Tinha muita coisa para ajustar, mas era uma sequência de coisas práticas apenas, pois o resultado final estava claro. Todas as providências que tive que tomar foram muito difÃceis – algumas delas, mais do que outras. Mas eu queria focar no online, pois era onde as pessoas estavam. Não tinha sentido investir 90% da minha energia em cursos presenciais que não me traziam nem 10% do seu faturamento. As pessoas estão online. Elas querem o online. Queria simplificar a minha vida, voltar a ser autônoma, reduzir meus custos fixos para poder continuar levando esse trabalho adiante. Acreditava piamente que focar meus esforços no online me traria isso, mesmo que meu faturamento diminuÃsse.
Quando o Brasil entrou em quarentena, eu comecei a receber uma demanda insana de convites para entrevistas, cursos, trabalhos, consultorias, LIVEs etc. Todo mundo queria ir para o online. Todo mundo queria dicas para trabalhar melhor no home-office. Todo mundo queria saber como se organizar com a famÃlia em casa durante a quarentena. Dei entrevistas para a tv, para o rádio, fui contratada por empresas para workshops de reuniões online e trabalhos do tipo.
Como eu falei para vocês, a viagem que fiz em junho do ano passado me gerou uma experiência espiritual – quase como uma iniciação divina. Eu estava decidida a trabalhar como nunca vivendo o meu propósito. Quando a quarentena começou e essa demanda toda começou, eu voltei de novo para dentro de mim e me perguntei: o que posso fazer para ajudar as pessoas nesse momento que estamos vivendo? Mil ideias surgiram. Como não dá para fazer tudo ao mesmo tempo, fui priorizando. Primeiro, fiz um mês de LIVEs todos os dias com a minha audiência para garantir que a galera teria um porto seguro todos os dias ali para bater um papo leve sobre como estávamos vivendo e dando dicas para o trabalho, a casa, o autocuidado etc. Abri uma nova turma do meu curso. Antecipei, porque seria aberta só depois, mas muitos me pediram. Então organizei direitinho para abri-la, e foi ótimo. Depois, fiz um workshop de organização da casa (totalmente online) com Feng Shui, com a minha amiga Wanice. Na sequência, a Jornada POP, pra ajudar meus colegas agora com relação a essa transição. Nunca trabalhei tanto como este ano, mas nunca meu trabalho teve tanto significado.
Absolutamente todo mundo que convive comigo me parabeniza por ter tomado essa decisão de levar o meu trabalho para o online e, quem ainda não o fez, me pede dicas, acompanha o que faço, enfim, tenho tido meses cheios, mas cheios de coisas boas, com um senso de contribuição muito forte dentro de mim. Não se trata apenas de ter um trabalho que me permita sustentar a minha famÃlia e, como falei, prosperar muito mais do que antes, mas de viver o meu propósito. Absolutamente TUDO o que faço transpira o que sinto que estou nesta vida para fazer, e isso não tem preço. Não tem preço.
Não quero terminar este post sem dizer alguns recados finais:
Todo mundo que hoje trabalha com Internet começou com 0 seguidores e sabendo absolutamente nada sobre esse mundo, mas com muita vontade de aprender e prosperar!
Como eu gosto de dizer para os meus amigos quando eu os convido para uma experiência que sei ser maravilhosa mas eles ainda se sentem meio inseguros a respeito: “pode vir, a água está quentinha. Você só vai saber quando você entrar.”
Faz, sinceramente, uns 20 anos que eu quero me tornar vegetariana. Quando eu era mais nova, contribuà durante muito tempo com a PETA e o Greenpeace e sempre fiquei revoltada sabendo como os animais são tratados pelos seres humanos – da indústria pecuária à medicina. O fato de o Paul McCartney ser vegetariano (e eu, apaixonada pelos Beatles) sempre foi uma “coisinha” que me cutucou ao longo dos anos. Ao mesmo tempo, sempre tive uma postura meio imatura e rebelde, no sentido de achar cool dizer coisas como “eu amo carne” etc.
Isso foi maravilhoso porque, quando comecei a frequentar esses restaurantes, eu passei a ver a imensa riqueza de opções de comidas e preparos que existem quando você resolve não comer mais carne e qualquer alimento de origem animal. Meu pensamento óbvio foi: “caramba, realmente não tem necessidade nenhuma da gente comer qualquer coisa com carne”. E aà você começa a juntar os pontos dentro de você com outras questões muito urgentes mas que estavam incubadas, como a violência e a exploração animais.
Preparar e deixar marmitinhas prontas garante que você sempre tenha seu alimento mesmo na correria do dia a dia ou quando vai a lugares que não sabe se encontrará opções que você pode comer.
No Budismo, eu aprendi a reforçar uma convicção que eu já tinha, de não-violência e de não prejudicar outros seres vivos sencientes. Me tornar vegana foi apenas mais um “encaixe”, mais uma forma coerente de fazer as coisas de acordo com os meus valores. Estou em transição e acredito que, como todo o resto, isso seja uma construção para toda a vida. Mas, como toda construção, você só precisa começar.
Eu fiz um curso de teatro este ano. Na primeira aula de “voz” a professora pediu para cada um da turma contar a sua história pessoal com relação ao seu uso da voz. Ouvi histórias incrÃveis, e aqui vai a minha.
Sempre fui uma pessoa tÃmida e introvertida que usava o humor como mecanismo de defesa. Por isso, na escola, eu aprendi a fazer piadas e a “forçar” um comportamento engraçadinho toda vez que eu fosse apresentar um trabalho na frente da sala, por exemplo. Uma vez, já adolescente, precisei apresentar, junto com o meu grupo, um trabalho em formato de peça de teatro. Naquele momento, em cima do palco, uma luz se acendeu em mim: “quero ser atriz!”. Mas meu problema sempre foi o fato de a cada 15 segundos me empolgar com uma profissão diferente, então passou.
Comecei como todo palestrante começa: sem a menor ideia do que eu estava fazendo, a não ser a vontade de compartilhar aquele conteúdo que eu tinha. Sempre me apeguei ao fato de que, se estava sendo convidada, era porque eu era reconhecida naquele assunto. Mas à medida que você começa a se envolver no meio, começa a reparar nos outros palestrantes e a buscar dicas para ser uma palestrante melhor. E isso só me fez ver como eu não era (na minha cabeça) uma boa palestrante.
Em 2014, passei a viver exclusivamente desse trabalho com organização e produtividade, e grande parte desse trabalho estava em dar palestras e ministrar cursos em sala de aula.
Quando comecei a ser contratada por um grande cliente para ministrar cursos em empresas, passei a ser cobrada de maneira diferente. Existia um sistema de avaliação e feedback, e as duas coisas que eu mais ouvia (e hoje sei como esse sistema era horrÃvel) eram que 1) eu “deveria considerar emagrecer” e 2) “deveria procurar um fonoaudiólogo”.
A partir daquele momento, eu passei a focar então no que eu era melhor – que, pasmem (ou não): eram muitas coisas! E eu estava negligenciando todas elas totalmente, em detrimento de um trabalho de correção em supostos pontos fracos que eu tinha!
Ou seja: a partir do momento que eu resolvi focar em todas as coisas que eu considerava urgentes de serem ditas ao mundo, a travinha na minha voz, o meu peso, tudo isso passou a ser um mero detalhe que não deveria jamais atrapalhar o conteúdo daquilo que eu tinha para compartilhar. Eu mudei completamente o meu foco. Era “urgente” compartilhar tudo aquilo. Eu não via a hora de começar!
Em resumo: mais do que externalizar em voz alta esse conteúdo que eu queria compartilhar, buscá-lo dentro de mim com consciência situacional, paixão e muita vontade de servir aquelas pessoas que estavam me ouvindo, de ajudar – isso sim fez com que eu encontrasse a minha própria voz, e eu tive a minha auto-estima de volta. Passei a ser elogiada pelas mesmas pessoas que antes me criticavam. Porque, no fundo, hoje vejo que tais “falhas” que eu tinha na verdade apenas evidenciavam as inseguranças que eu sentia. (não estou abstendo a responsabilidade do que as tais pessoas me falaram. só quero dizer que superei essas crÃticas.)
Ao subir naquele palco, não apenas o reconhecimento internacional como palestrante, mas a minha percepção de como na verdade eu AMO fazer palestras, estar no palco, ensinar, compartilhar e, acima de tudo, aprender mais sobre mim mesma, eram os aspectos mais motivadores para mim naquela situação.
Photo by Dan TaylorPhoto by Dan TaylorPhoto by Dan Taylor
Ontem, aqui em São Paulo, nós realizamos a primeira versão do nosso workshop de Planejamento de Vida. Trata-se de um “coaching em formato de curso”, que era um sonho que comecei a desenhar há uns dois anos. Realizar esse curso foi definitivamente a realização desse sonho, porque tem muita coisa envolvida. Eu, como criadora, escritora e professora, venho desenvolvendo material há anos. Todo esse material, esse conteúdo, vem sendo refinado ao longo dos anos, se caracterizando como propriedade intelectual. Eu estudo MUITO, pesquiso muito, para refinar o que ensinamos. Mais do que criar coisas novas, eu quero melhorar as coisas que já existem (que são bastante).
Durante o curso, eu nem lembrei de pegar o meu celular para gravar stories. Para divulgar o curso. E não me entendam mal: não estou julgando quem o faça. Eu só estava curtindo muito o momento. Não quis ficar expondo ou compartilhando nada a não ser com as pessoas que estavam ali presentes comigo.
Eu estou há alguns dias sem olhar stories, sem olhar YouTube, Facebook, e sentindo uma paz interior imensa. Eu gosto de fazer isso porque me distancio da loucura, da pressa, do volume de coisas que todo mundo posta.