Trabalhar sozinha

Eu já compartilhei diversas vezes aqui no blog como, nos últimos anos, eu questionei demais todo o futuro deste trabalho e como eu descobri que, para mim, era difícil o conceito de “ser empresária”. Não tem a ver com “crença limitante”. Tem a ver com consciência de classe e com o que eu quero fazer da minha vida.

Ok, nós nunca trabalhamos sozinhos. Sempre estamos em contato com as pessoas, seja como for. Clientes, fornecedores, colegas, prestadores de serviços. Mas eu percebi que, nos últimos anos, eu estava infeliz com o meu trabalho justamente porque, com o “crescimento” da empresa, com a estruturação do Vida Organizada como uma universidade corporativa, isso me tirou do meu ofício principal (escrever e ensinar) para me colocar no papel de administradora de empresa e líder de pessoas.

E veja: eu entendo a liderança como um conceito mais amplo que simplesmente gerenciar as demandas de um time. Eu me vejo sim como líder do movimento por uma produtividade compassiva através do Vida Organizada, por exemplo, e considero esse papel de liderança importante. Ele me dá propósito para continuar com este trabalho.

O que não tem absolutamente nada a ver comigo são questões operacionais que me desconectam, até me alienam, do meu trabalho, como delegar algo para alguém e perceber, depois de meses, que a tarefa deixou de ser feita porque a pessoa não teve a autonomia de manter o processo – e eu achei que estava tudo bem. Aí eu tenho que consertar erros, reparar danos, treinar a pessoa novamente, fazer um acompanhamento etc. Ou de ter que parar tudo o que estou fazendo para resolver um problema qualquer sobre algo que nada tem a ver com o meu trabalho porque algo aconteceu com alguém. E o fato é que essas pequenas coisas do dia a dia acabaram virando regra nos últimos anos. Eu percebi que meu trabalho tinha se tornado cuidar disso a maior parte do tempo e não me dedicar ao que eu gosto de fazer.

Ao mesmo tempo que a empresa crescia, os custos também cresciam, então qual era o ponto? Eu não preciso de muito para sobreviver. Valorizo muito mais a minha rotina tranquila que lucrar mais e mais a cada mês ou ano. Claro que, dentro da lógica capitalista, a empresa crescer faz parte, senão ela deixa de existir, porque os custos de existência dela aumentam e, por isso, você precisa faturar mais para pagar tais custos e ter uma reserva para os meses seguintes, caso algo mude no mercado (como foi no caso da pandemia). Mas, nos últimos anos, isso custou a minha sanidade, a minha tranquilidade e a minha felicidade. Foi quando eu percebi isso que cheguei à conclusão de que eu não queria uma empresa. Eu queria voltar a ser autônoma. Ter um ritmo de faturamento menor, talvez, mas o meu ritmo. Administrar os projetos que eu dou conta. Fazer uma coisa de cada vez. Voltar a fazer o que eu gosto. E é isso.

Obviamente que essa não é uma decisão fácil e envolve muitas questões importantes para mim, como o desligamento de pessoas. Isso é horrível. O que eu procurei fazer foi avisar com antecedência de meses sobre como estava sendo o meu raciocínio e dando todo tempo e suporte para a pessoa se recolocar. Não tem maneira fácil de fazer isso, mas fiz o que acreditei ser melhor.

A ideia é que, a partir de janeiro 2025, eu esteja trabalhando como autônoma novamente. Não vai ser fácil, vai demandar um tempo de ajustes, mas eu sinto que tirei um peso das minhas costas e resgatei a perspectiva de felicidade que eu sentia falta neste trabalho. Estou feliz por novamente fazer tudo.

Eu não sei como será no futuro mas, no presente, me parece a melhor decisão para mim. Não existem decisões certas ou erradas – existem decisões e suas consequências. Vamos ver como será daqui em diante. Quis compartilhar esse processo com vocês. Obrigada por ler até aqui.

Sobre propósito, empreendedorismo e sucesso

Hoje, li um artigo na Folha SP sobre os atributos que podem nos ajudar a alcançar o sucesso nos negócios. Os três atributos destacados foram: rebeldia, impaciência e disposição para agir. Refletindo sobre minha própria jornada, percebo o quanto me identifico com cada um deles.

Rebeldia: Desde cedo, sempre questionei as normas estabelecidas e busquei caminhos alternativos. Essa rebeldia me levou a desafiar o status quo e buscar soluções inovadoras. Criando meu próprio trabalho, percebi que essa característica me permitiu ver oportunidades diferentes. Por exemplo, questionar as normativas que são faladas há mais de um século sobre produtividade pessoal, trazendo uma abordagem mais compassiva e com consciência de classe, do meu ponto de vista, são um diferencial deste trabalho.

Impaciência: Muitas vezes vista como um traço negativo, a impaciência tem sido um motor poderoso para mim. Nunca consegui ficar parada, esperando que as coisas acontecessem. Essa urgência em ver resultados me impulsionou a agir rapidamente e aproveitar oportunidades inesperadas. Meu ex-marido sempre me dizia que “meu problema é que eu não parava quieta e sempre queria mais”. Fã ou hater? XD O fato é que sim, eu sou essa pessoa, e isso tem seus prós e contras, mas acima de tudo é apenas uma forte característica minha.

Disposição para Agir: Ideias sem ação são apenas sonhos. Sempre acreditei que a execução é o que realmente importa. Sonhos, quando organizados, se tornam objetivos. Ao longo da minha carreira, não tive medo de arregaçar as mangas e trabalhar duro para transformar minhas ideias em realidade. Esta disposição para agir é, sem dúvida, um dos pilares da minha personalidade.

Eu também acredito que esses atributos foram combinados com resiliência e coragem e que isso sim me ajudou a construir uma trajetória mais sólida, digamos assim. Para todos os empreendedores e aspirantes a empresários, meu conselho é abraçar suas características e usá-las como alicerces para seu crescimento.

Descobri que ser empresária me deixa infeliz

Ah, a vida. Nada como dar um tempo, mudar de ares, viver novas experiências para a gente se conhecer melhor e repensar toda a vida.

Durante a minha viagem pela Alemanha, eu refleti muito sobre o meu trabalho e sobre tudo aquilo que me incomodava nele. E foi difícil admitir que ser empresária era grande parte disso.

Veja. Vivemos no mundo da alta performance e do empreendedorismo. Se você tem uma empresa, percebe muito rapidamente que precisa crescer para a empresa não acabar. Mas, nesse crescimento, só a experiência pode ensinar o limite pessoal que se reflete pelos seus valores. Dá medo de fazer a coisa errada. Porque, na real, ninguém nasce empresário e, mesmo com formações, não existe um ponto “perfeito” que você possa dizer que se tornou empresária.

Ter focado em me tornar empresária, nos últimos anos, me afastou do que eu mais gostava de fazer, que era ser criadora de conteúdo e ser professora. O meu lance não é gerenciar uma empresa. Gosto de ser criativa, ter visão, direcionar os projetos, mas não ter esse ímpeto do gerenciamento. Sou introspectiva. Não sou boa em ficar delegando e cobrando os outros. Sei que, em todos os âmbitos da vida, precisamos fazer isso. Mas, quando você se assume como empresária, essa é principal e basicamente a sua função. E eu não queria só essa função. Demorou mas eu aprendi isso sobre mim.

Embora eu tenha aprendido muito e me dedicado com afinco a esse papel, gradualmente comecei a sentir uma desconexão com o trabalho que estava realizando. Algo parecia faltar, como se eu não estivesse realmente alinhada com minha verdadeira essência.

Foi quando percebi que minha verdadeira paixão sempre esteve relacionada ao ensino e à criação de conteúdo. Essas eram as áreas em que eu me sinto mais viva, realizada e capaz de impactar positivamente a vida das pessoas. Foi o motivo de ter criado esse trabalho. E, sabe: se eu criei um trabalho para mim, ele não deveria refletir o que eu gosto de fazer? Senão, qual o ponto?

Não há nada mais gratificante do que ver meus alunos progredindo, aprendendo e alcançando seus objetivos. É um privilégio poder compartilhar meu conhecimento e experiência para ajudar os outros em seu próprio caminho de crescimento e desenvolvimento. É o que gosto de fazer e o que quero continuar fazendo.

Sei que existem responsabilidades com relação à empresa das quais “não posso fugir”. Mas elas não podem ser o meu foco. Tenho pessoas de confiança e competentes para cuidar dessa parte. Eu quero delegar tudo isso para poder fazer o que realmente acredito que faço de melhor, que é ensinar, escrever, conversar, de maneira leve, bem-humorada e criativa, para encorajar as pessoas a construírem uma vida com coerência e significado. A empresa tem que crescer sim, de maneira sustentável e saudável, principalmente para mim, e felicidade é saúde mental também.

Para onde o Vida Organizada está indo? (setembro 2020)

Muitas pessoas me perguntam “o que eu faço” e, se você tem mais ou menos a minha idade nesse momento do mundo em que vivemos, sabe que fica cada vez mais complexo explicar o que se faz quando não existe mais uma linearidade das profissões e carreiras.

De modo geral, costumo responder de acordo com a bagagem da pessoa ou o contexto. Se estiver em um evento acadêmico, digo que sou Mestra em comunicação, planejando o Doutorado. Se estiver em um evento de marketing, digo que sou criadora de conteúdo, ou youtuber. As pessoas entendem. Se eu estiver assinando a ficha do check-in do hotel, prefiro escrever que sou publicitária – gera menos perguntas. Enfim, de acordo com o contexto, respondo algo que realmente sou, mas com um recorte apropriado.

O Vida Organizada nasceu como um hobby, em 2006, e de lá para cá foi sendo gerido e construído junto comigo, proporcionando oportunidades de mudança profissional. Em 2014, pedi demissão do meu último emprego e passei a viver exclusivamente deste trabalho. Desde então, nunca mais tive um “emprego”. Virei autônoma, fiz a empresa crescer, contratei, demiti, quis ter uma empresa grande, quis ter uma empresa menor, e amadureci de diferentes maneiras em um processo que me fez aprender demais sobre o que eu quero e o que eu não quero para mim.

Se eu tivesse que resumir o que faço hoje, diria que o Vida Organizada trata-se de conteúdo educacional. Eu trabalho com criação e produção de conteúdo, mas também como professora, escritora e pesquisadora, e tudo isso se reflete nos diferentes produtos do meu trabalho.

O curso online do Método Vida Organizada é o meu trabalho principal. O desenho do método em si, algo a ser construído a médio prazo, em décadas, é o meu trabalho principal, na verdade. O curso é uma extensão dele. Além do curso, tem o blog, o YouTube, o Instagram, o Telegram, o podcast que logo vai nascer, os meus livros e toda a minha história de vida.

Para onde a minha empresa está caminhando? Para o aperfeiçoamento desse método, para a melhoria de todos os cursos online que ofereço, para a minha tese de Doutorado, para mais pesquisas, mais aprendizados sobre andragogia, design instrucional, transição pedagógica, novas tecnologias para a educação e produção de conteúdo, escrita, eventos de impacto inspiracional.

Quando faço aqueles exercícios de projeção para o trabalho, pensando em 5, 10 anos, permito-me confiar no tempo. Durante os últimos seis anos, planejei e executei assertivamente. Tudo o que quis fazer, eu fiz. Tudo o que quis conquistar, consegui. E, nesse processo, aprendi que, com a cabeça que eu tenho hoje, eu não consigo entender o cenário que vou ter daqui a cinco anos. Planejo sim, um montão de coisas, mas acima de tudo me permito viver e deixar a vida acontecer. Eu sou uma nova pessoa. Aprendo muito, e tenho muito foco nesse trabalho no momento presente. Quando eu foco em fazer bem o trabalho que já faço, novas oportunidades surgem e, com elas, vontades. Ideias. Iniciativas. Quero me permitir experimentar tudo isso à medida que trabalho em tudo aquilo que já existe.

Claro que tenho metas de faturamento, de número de seguidores para o canal no YouTube, essas coisas materiais e mundanas que representam métricas para avaliar o resultado desse trabalho. Mas o resultado real é a transformação das pessoas, do mundo, de mim mesma, da minha família, do trabalho. Aperfeiçoar diariamente. A prática traz a melhoria.

Photo by Dan Taylor

Tenho tantas ideias e coisas que quero fazer! Sinceramente, acho que tenho ideias para implementar para o resto da vida, se deixar! A grande questão é: a pessoa que criou essas ideias será a mesma pessoa que vai implementá-las algum dia? Sabe-se lá. Prefiro viver com os resultados desse processo de criação. Tenho sim projeções, mas estou focada no momento presente. Hoje, meu trabalho tem muita coisa legal acontecendo, e todas as coisas estão sendo melhoradas, aperfeiçoadas, refinadas. É isso. o trabalho atual em si já representa muitas oportunidades de melhorias, e esse é o meu foco.

Acho incrível parar para analisar a mentalidade da Thais no início de 2018 para a mentalidade da Thais quase no final de 2020. Há um ano, eu estava assustada com a velocidade das minhas conquistas. Tudo o que eu queria ter feito, eu fiz. Nada parecia tão impossível. Mas ter alcançado vários objetivos me fez vivenciar o cenário que foi criado por eles. E foi quando percebi que queria reajustar a minha rota.

É um sentimento interessante porque, ao mesmo tempo que me sinto profundamente conectada ao meu trabalho, eu também me sinto pacificamente separada dele. O que quero dizer é que não gero apego. Se eu quiser ou tiver que trabalhar com outra coisa, tá tudo bem. O propósito transcende os formatos. Formatos são o “como”. O “por que” continua.

Sei que sou privilegiada pelas escolhas que posso fazer hoje e pela autonomia que tenho com este trabalho. Mas, justamente por ter esse privilégio, sinto-me na obrigação de honrá-lo. Ikigai é mais do que trabalho.

Não deixo de sorrir sutilmente ao perceber que, na tentativa de fazer, no movimento, eu me tornei zen. Ensõ.

Como eu fiz uma transição para trabalhar 100% online

Esta semana estamos todos concentrados na Jornada POP, um curso gratuito que estou ministrando online para ajudar quem quer levar seu trabalho presencial para o online e também ensinando como se tornar referência no seu mercado. Ainda dá para se inscrever. Clique aqui.

Neste post, que quero deixar como referência, mesmo após o fim do curso, quero contar um pouquinho o que me motivou para levar o meu trabalho para o online mesmo antes de saber que haveria uma pandemia no mundo e como foi a minha organização para conseguir fazer isso de maneira segura e com bons resultados.

Vale uma breve contextualização sobre mim e por que esse modelo de trabalho funcionou tão bem comigo.

  • Sempre fui uma pessoa que gosta de criar conteúdos e compartilhar, desde criança. Fazia meus próprios gibis, depois fiz parte da equipe do jornalzinho da escola, criei um fanzine na adolescência e meu primeiro blog desde o momento que eu tive acesso constante à Internet (em 2001). Mas isso não quer dizer que você tenha que ser igual! Só estou dizendo tudo isso para você entender por que me apaixonei tanto por esse modelo de atuação.
  • Sou graduada em Publicidade, Jornalismo e Comunicação. Trabalhei em agência e sempre acompanhei de perto como as marcas se relacionavam com as pessoas e divulgavam seus trabalhos para a Internet. Trabalhei com marcas grandes, nacionais e internacionais, marcas pequenas, franquias e até com ONGs. Toda essa experiência me ajudou muito no online, mas isso significa que quem não é publicitário não pode atuar na área? Muito pelo contrário! As regras estão sendo reescritas e hoje o que é mais legal nesse trampo online é justamente o fato de que uma pessoa comum pode pegar um celular e começar a criar conteúdo. Isso é maravilhoso!
  • Quando pedi demissão do meu último emprego e passei a trabalhar 100% com organização e produtividade (em 2014), meu meio de faturamento era praticamente presencial, ministrando cursos em empresas, fazendo palestras e workshops. Desde aquele instante, eu sabia que o futuro estaria no ensino online, pois eu fazia pós-graduação em Gestão de Mídias Digitais na época (no SENAC-SP) e lá a gente já falava muito sobre essa tendência que seria cada vez mais realidade. Então comecei a estudar sobre educação em si e a testar novas tecnologias. Em 2015, lancei meu primeiro curso online. De lá para cá, muita experiência para compartilhar! Aprendi muito!
  • Como diz um mentor, “curtida não paga boleto”. Não basta você fazer um trabalho incrível de criação de conteúdo ou ter um curso super legal se você não souber se vender. E eu confesso que esse era o meu maior tabu. Fui fazendo novos cursos e mentorias, o que me deu conhecimento e embasamento na prática para tomar a decisão que tomei no ano passado: vou entrar 2020 com meu trabalho 100% no online. E como fiz isso? É o que vou contar no restante do post.

Eu era responsável pela organização e realização das turmas abertas de GTD pela Call Daniel (que é a franquia brasileira do método). Essa responsabilidade estava sob a minha coordenação desde 2017, quando a empresa responsável pelas vendas da franquia mudou sua configuração. Como as turmas abertas do GTD sempre foram ministradas por mim, e 99% do público vinha do Vida Organizada, fiz uma proposta ao Daniel, que achou justo, e durante mais de dois anos eu organizei essas turmas em São Paulo e por todo o Brasil.

Para quem nunca trabalhou com eventos ao vivo, saiba que é um trabalho imenso de logística. Cada curso, para uma média de 15 a 30 pessoas, tem os “gastos estruturais”, como gosto de chamar. Você tem que locar sala, equipamentos (projetor, telão), contratar lanches, água e café para os intervalos, enviar materiais via transportadora (ou você mesma levar com malas! muitas vezes fizemos isso). Em turmas maiores, eu também levava outro instrutor comigo, que tinha sua diária paga, claro. Além de uma assistente em sala, sempre, para gerenciar quem chegava, ficar cuidando de tudo enquanto eu estava ministrando aula etc. Eu também contratei uma pessoa em tempo integral (CLT) para cuidar das inscrições, envio de comprovantes, gerenciar contratos de todos os serviços estabelecidos etc. Quem nunca trabalhou com isso não tem ideia do volume de trabalho envolvido.

Além dos custos profissionais, tem os custos pessoais disso tudo. Eu, Thais, mãe do Paul, tinha que me deslocar de duas a quatro vezes por mês, aos finais de semana (quando aconteciam as turmas), para ministrar os cursos. Um curso que fosse sábado o dia inteiro em outra cidade eu tinha que chegar um dia antes bem cedo, verificar se estava tudo certo, e partia, na maioria das vezes, no domingo – isso quando não tinha aula no domingo também, aí partia de noite ou apenas na segunda. Além de ser cansativo fisicamente e custoso financeiramente, tinha a questão emocional de não ter finais de semana com a minha família. Tudo isso sempre entrou na conta para mim, e cada vez que eu viajava, por mais que amasse esse trabalho, sempre pensava que “poxa, se esse curso fosse online eu poderia estar com o meu filho nos intervalos”.

Eu sempre gostei tanto do trabalho presencial que tomamos uma decisão no final de 2018: alugar uma sala exclusivamente para fazer os cursos em São Paulo. Outro projeto que colocamos em prática foi elaborar uma nova formação de instrutores em GTD, que poderiam ficar responsáveis pelas turmas abertas ao redor do país e eu poderia ficar com as turmas apenas em São Paulo, na sala contratada pra isso. Podendo ficar concentrada em São Paulo, eu poderia iniciar a minha transição para o online, com o meu trabalho com o Vida Organizada.

Em 2019, eu realizei a última turma fora de São Paulo no mês de junho, quando fui a Belo Horizonte. Desde o ano anterior eu avisei em todas as redes sociais que não faria mais cursos fora de São Paulo em 2019, caso alguém quisesse fazer o curso comigo. O curso do GTD é padronizado mas algumas pessoas querem fazer comigo porque estão acostumadas comigo aqui no blog, no YouTube, compartilhando sobre o assunto etc. Normal. Veja aqui então como integridade sempre é um ponto importante. Antes de simplesmente parar de viajar com os cursos, eu fiz uma “turnê” pelas principais capitais e avisei todo mundo sobre a minha mudança.

Ao longo de 2019, muitos alunos vieram de outros estados – e até de outros países! – participarem de cursos comigo, o que sempre me deixou muito feliz e agradecida. Quando divulguei os cursos do segundo semestre de 2019, avisei que seriam minhas últimas turmas presenciais também e que, depois da minha última turma, que ministrei em 14 de dezembro, as turmas abertas seriam ministradas por outros instrutores (que naquela altura já estavam formados e certificados por mim e prontíssimos para começarem a trabalhar também!). Meu workshop do Vida Organizada, de Planejamento de Vida, também não teria mais turmas presenciais e estava sendo desenhado para o online. Tava tudo certo.

Desde o final de 2014, eu venho desenhando e estruturando o meu método de organização, o Método Vida Organizada, que é pautado na tríade de vida, casa e trabalho. Com três livros publicados, um mestrado concluído, muitos cursos e formações em marketing e educação digital nas costas, anos de experiência, eu me sentia preparada para assumir esse programa 100% online a partir de janeiro. Ele seria meu trabalho principal, além da produção de conteúdo. Outros serviços que me trariam faturamento incluiriam:

  • outros cursos realizados em paralelo ao principal (todos online)
  • serviços prestados online requisitados por empresas diversas (palestras, cursos, consultoria etc).
  • tradução de materiais
  • mentorias avançadas de organização
  • projetos de conteúdo patrocinados por marcas e empresas
  • direitos autorais das vendas dos meus livros
  • serviços educacionais, como aulas para cursos de graduação, pós e outros, tudo em formato EAD

O que me ajudou a ficar tranquila com essa decisão também foram algumas questões financeiras:

  • Teduzi muitos custos fixos que tínhamos como empresa – entregamos as salas comerciais, não era mais necessário ter equipe em tempo integral (pois não haveria mais o gerenciamento dos cursos presenciais, que tomavam 90% do trabalho) e cancelei serviços;
  • Paguei todas as “dívidas” que existiam de direitos autorais dos cursos realizados (sim, eu gerenciava os cursos mas precisava repassar todos os direitos autorais pois o método GTD não é meu, é do David e da Call no Brasil). Os direitos autorais eram pagos sempre até o dia 20 do mês seguinte a cada turma, então eu precisava finalizar esses pagamentos até a turma de dezembro;
  • Conversei com meu marido e falamos sobre reduzirmos nosso custo de vida de modo geral, o que ele aceitou prontamente porque já vínhamos fazendo isso desde o início do ano.

Vale dizer que, em paralelo, meu ano passado foi muito complicado pessoalmente. Eu tive um problema de saúde que iniciou em fevereiro e eu só comecei a melhorar por volta de setembro ou outubro. Nesse meio tempo, fiquei tão mal que isso me manteve atrelada ao mínimo possível de atividades – então priorizei os cursos e serviços já contratados, mas sem novas iniciativas, pois não sabia se poderia me comprometer. Tive dias em que não conseguia sair da cama direito e trabalhar, pois sentia muita fraqueza.

Para quem não sabe, fiz uma cirurgia complexa em 2017 que mudou completamente o meu metabolismo. O período de ajustes do corpo pós cirurgia leva cerca de três anos e muita coisa pode acontecer nesse meio tempo. O que aconteceu comigo foi ter tido um pane geral, pois descobri uma alergia fortíssima, associada uma questão emocional delicada de luto que vivenciei com a morte da minha avó. Eu só pude ter esse diagnóstico geral este ano, quando iniciei meu tratamento dentro do Ayurveda, com uma profissional especialista. Eu contei mais sobre isso em um vídeo no YouTube, se você quiser saber.

Tudo isso afetou muito o meu trabalho e o nosso faturamento, e nós sobrevivemos ao ano de 2019 graças ao fluxo de caixa que eu tinha guardado dos meses anteriores. Consegui segurar salários, contas, tudo. Ministrei os cursos mesmo estando mal de saúde. Não me orgulho muito disso, pois estar bem é sempre o mais importante, mas eu sou uma pessoa muito responsável com os meus compromissos. Se eu tinha agendado aquelas turmas, daria um jeito de fazer. E tinha um detalhe também: eu não sabia que eu ia levar meses para me recuperar. Queria ficar bem e sempre acreditava que melhoraria até a próxima turma. Foi bem difícil e sou toda grata à minha família, a equipe que segurou as pontas na época e especialmente à Martinha, da Call, que me apoiou em muitas dessas turmas.

Quando eu fui para Amsterdam, em junho, participar do evento do GTD, eu estava muito chateada. Eu tinha tantos projetos, tantas ideias, e estava tão sem energia para o meu trabalho, por conta da saúde enfraquecida. Mas coisas mágicas aconteceram naquela viagem. Primeiro, ter estreitado o meu relacionamento com pessoas que até então eram meus alunos e que acabaram virando verdadeiros amigos desde então. Segundo, ter tido conversas maravilhosas com pessoas que eu amo. Terceiro, a sensação que eu tive quando subi naquele palco para ministrar uma palestra em inglês, sabendo que todas essas pessoas queridas estavam na plateia. Eu nunca na vida tinha sentido aquela sensação. Naquele momento, eu tive uma única certeza: “Thais, você precisa confiar mais no seu trabalho. Se você está aqui, alguma coisa certa você está fazendo”.

Photo by Dan Taylor

Essa confiança mudou a minha cabeça de volta ao Brasil. Tinha muita coisa para ajustar, mas era uma sequência de coisas práticas apenas, pois o resultado final estava claro. Todas as providências que tive que tomar foram muito difíceis – algumas delas, mais do que outras. Mas eu queria focar no online, pois era onde as pessoas estavam. Não tinha sentido investir 90% da minha energia em cursos presenciais que não me traziam nem 10% do seu faturamento. As pessoas estão online. Elas querem o online. Queria simplificar a minha vida, voltar a ser autônoma, reduzir meus custos fixos para poder continuar levando esse trabalho adiante. Acreditava piamente que focar meus esforços no online me traria isso, mesmo que meu faturamento diminuísse.

(PS: Não diminuiu. Aumentou. Neste primeiro semestre do ano eu tive um faturamento maior que o meu ano inteiro passado. Mas isso eu só viria a saber depois. Por isso que eu digo: foco é tudo. Escolha no que focar e foque, porque essa energia focada é poderosa. Ela que vai te trazer resultados.)

Em dezembro, ministrei minha última turma presencial e, no dia seguinte, saímos de férias. Foram as férias mais necessitadas de toda a minha vida. Eu agendei em dezembro do ano anterior, para vocês terem uma ideia de como funcionam os meus planejamentos por aqui. Cumpri todo o calendário de cursos para 2019, de turmas com as quais tinha me comprometido, e já tinha estabelecido que viajaria para a praia com a minha família naquela que costumo chamar de “semana do caos” – a última semana de dezembro antes das festas, porque todo mundo fica enlouquecido querendo resolver tudo antes do recesso, ao mesmo tempo que São Paulo fica uma loucura com o trânsito, barzinhos com happy-hour etc. Hoje, em tempos de pandemia, parece que foi há um século. rs Mas enfim, saímos de férias, foi uma delícia, e eu voltei com a cabeça pronta para virar 2020 com meu trabalho 100% no online. E assim o fiz.

Em janeiro, tive um baque emocional / profissional enorme, que me jogou em um processo interno que até o momento ainda estou resolvendo (mas hoje melhor do que antes, 99% resolvida a respeito, e prometo falar mais quando me sentir preparada). Em fevereiro, pandemia. Em março, entramos em quarentena. Já faz mais de 100 dias que estamos aqui. E assim continuamos.

Quando o Brasil entrou em quarentena, eu comecei a receber uma demanda insana de convites para entrevistas, cursos, trabalhos, consultorias, LIVEs etc. Todo mundo queria ir para o online. Todo mundo queria dicas para trabalhar melhor no home-office. Todo mundo queria saber como se organizar com a família em casa durante a quarentena. Dei entrevistas para a tv, para o rádio, fui contratada por empresas para workshops de reuniões online e trabalhos do tipo.

Como eu falei para vocês, a viagem que fiz em junho do ano passado me gerou uma experiência espiritual – quase como uma iniciação divina. Eu estava decidida a trabalhar como nunca vivendo o meu propósito. Quando a quarentena começou e essa demanda toda começou, eu voltei de novo para dentro de mim e me perguntei: o que posso fazer para ajudar as pessoas nesse momento que estamos vivendo? Mil ideias surgiram. Como não dá para fazer tudo ao mesmo tempo, fui priorizando. Primeiro, fiz um mês de LIVEs todos os dias com a minha audiência para garantir que a galera teria um porto seguro todos os dias ali para bater um papo leve sobre como estávamos vivendo e dando dicas para o trabalho, a casa, o autocuidado etc. Abri uma nova turma do meu curso. Antecipei, porque seria aberta só depois, mas muitos me pediram. Então organizei direitinho para abri-la, e foi ótimo. Depois, fiz um workshop de organização da casa (totalmente online) com Feng Shui, com a minha amiga Wanice. Na sequência, a Jornada POP, pra ajudar meus colegas agora com relação a essa transição. Nunca trabalhei tanto como este ano, mas nunca meu trabalho teve tanto significado.

Absolutamente todo mundo que convive comigo me parabeniza por ter tomado essa decisão de levar o meu trabalho para o online e, quem ainda não o fez, me pede dicas, acompanha o que faço, enfim, tenho tido meses cheios, mas cheios de coisas boas, com um senso de contribuição muito forte dentro de mim. Não se trata apenas de ter um trabalho que me permita sustentar a minha família e, como falei, prosperar muito mais do que antes, mas de viver o meu propósito. Absolutamente TUDO o que faço transpira o que sinto que estou nesta vida para fazer, e isso não tem preço. Não tem preço.

Não quero terminar este post sem dizer alguns recados finais:

  • Nunca é tarde para começar. Hoje é o melhor dia. Apenas comece.
  • Todo mundo que hoje trabalha com Internet começou com 0 seguidores e sabendo absolutamente nada sobre esse mundo, mas com muita vontade de aprender e prosperar!
  • O mercado de trabalho online é um universo paralelo que quem vê de fora não tem ideia. Vá sem medo!
  • Estudar, fazer cursos, se capacitar, ver palestras, vídeos, acompanhar pessoas que você admira – tudo isso gera conhecimento, e conhecimento que te leva à prática. E isso é essencial.
  • A prática te deixa melhor. Eu escrevi isso na minha palestra lá no evento do GTD e é a mais pura verdade. Só praticando a gente melhora. E pra praticar a gente só precisa começar.

Espero que com este post eu tenha conseguido contar pelo menos um pouco como foi essa minha trajetória, as minhas motivações, os meus insights, também mostrando que sempre tive dificuldades e que nada é construído sem trabalho – feito com integridade, acima de tudo.

Como eu gosto de dizer para os meus amigos quando eu os convido para uma experiência que sei ser maravilhosa mas eles ainda se sentem meio inseguros a respeito: “pode vir, a água está quentinha. Você só vai saber quando você entrar.” 😉

Veganismo

Bem, chegou o momento de escrever sobre isso no blog. Sei que é um assunto polêmico, mas tudo o que peço é respeito a esse meu espaço (que, afinal, é um blog pessoal) e respeito também nos comentários, para mim e para os outros.

Este post faz parte de uma série de posts onde estou escrevendo sobre estilo de vida, e você pode conferir todos os outros clicando aqui.

Faz, sinceramente, uns 20 anos que eu quero me tornar vegetariana. Quando eu era mais nova, contribuí durante muito tempo com a PETA e o Greenpeace e sempre fiquei revoltada sabendo como os animais são tratados pelos seres humanos – da indústria pecuária à medicina. O fato de o Paul McCartney ser vegetariano (e eu, apaixonada pelos Beatles) sempre foi uma “coisinha” que me cutucou ao longo dos anos. Ao mesmo tempo, sempre tive uma postura meio imatura e rebelde, no sentido de achar cool dizer coisas como “eu amo carne” etc.

(Mal sabia eu que isso não tinha nada de rebelde, pelo contrário. Nada é tão a favor do sistema quanto consumir algo que é mainstream.)

Em 2017, eu fiz a cirurgia bariátrica e, depois disso, não só o paladar muda bastante, como também alguns alimentos se tornam mais indigestos. A carne vermelha foi um desses alimentos. Eu só conseguia consumir se fosse moída, tipo em hambúrguer ou refogada. Mesmo assim, eu reduzi muito. Não comia nem duas vezes por semana, quando muito. Minha alimentação diária era à base de frango, ovos e peixe (porque eu também sempre adorei um restaurante japonês!).

Só que, com o passar do tempo, fui ficando muito enjoada do gosto e até o cheiro do frango. Comia apenas pela “obrigação nutricional”, o que é péssimo (acho que o momento da alimentação é sagrado e deve ser aproveitado com felicidade, e não com esse sentimento de obrigação). Acabei tirando o frango também e consumindo carnes, de modo geral, apenas duas ou três vezes por semana.

Em dezembro do ano passado, na ceia de Natal, eu passei mal comendo uma carne vermelha. Tive um entalo, coisa que nunca tinha tido após a cirurgia porque sou muito cuidadosa. Mas, na ceia, conversando, me distraindo, acabou acontecendo. Fiquei conversando e provavelmente engoli um pedaço sem mastigar direito, o que basicamente causou uma obstrução entre o meu estômago e o intestino delgado. Comecei a sentir uma dor muito forte, cada vez maior, até o ponto que meu sexto sentido me disse que era melhor ir para o hospital. Fui. Não apenas passei a noite de Natal internada como fiquei mais alguns dias, com sonda, foi horroroso, fora o medo de ter que passar por uma nova cirurgia. Não houve obstrução, por fim. Eu vomitei horrores antes mesmo de dar entrada na internação, e a partir daquele dia eu decidi que não comeria mais carne vermelha.

Em fevereiro, comecei a passar muito mal, de outra forma. Meu médico e eu, a princípio, achamos que fosse uma intoxicação alimentar. Vou resumir aqui para não ficar muito longo, mas eu passei quase TRÊS MESES nessa situação, quase beirando uma anemia e sem forças para trabalhar, sair de casa, nada, de tão desidratada. Foi uma bateria de exames (que, como vocês podem imaginar, tomam tempo pra caramba), passando super mal todos os dias. Até finalmente descobrir que o que eu tinha era uma alergia muito forte à lactose. Do nada. Tão forte que, se o produto for daqueles elaborados na mesma máquina que outro que não tenha, isso pode me dar uma reação (e geralmente dá). Isso impactou toda a minha vida, especialmente minha dedicação ao trabalho. Foram meses bem difíceis.

Em um primeiro momento, a solução óbvia era evitar derivados do leite e conseguir encontrar um remédio de lactase que equilibrasse a minha alimentação. Durante os meses seguintes, fiquei lutando contra a minha própria natureza tendo que ingerir remédios se quisesse comer sem passar mal (eu não gosto de tomar remédios).

Percebi também que comer fora de casa era um desafio. Nunca vou me esquecer do dia em que passei mal porque comi uma couve refogada, concluindo depois que isso aconteceu porque ela deve ter sido preparada com manteiga. Lembrei que não bastava não consumir queijos e alimentos com leite – mas que há muitos alimentos preparados com esses ingredientes! Lembro nitidamente de um dia em que fui ao Outback com a minha família depois disso, e todos os itens do cardápio eram sinalizados com uma gotinha, que simbolizava “preparado com leite”. (Ironicamente, o único prato do menu que não contém lactose é o prato da costela com molho barbecue!)

Naquela época, um aluno que também tinha alergia a lactose me deu uma dica: ir em restaurantes veganos. “Assim”, ele disse, “tenho certeza que nada ali vai ter leite, porque veganos não consomem nada de origem animal”. Achei que era uma ótima ideia, na verdade. Uma grande sacada! E foi o que eu comecei a fazer.

Isso foi maravilhoso porque, quando comecei a frequentar esses restaurantes, eu passei a ver a imensa riqueza de opções de comidas e preparos que existem quando você resolve não comer mais carne e qualquer alimento de origem animal. Meu pensamento óbvio foi: “caramba, realmente não tem necessidade nenhuma da gente comer qualquer coisa com carne”. E aí você começa a juntar os pontos dentro de você com outras questões muito urgentes mas que estavam incubadas, como a violência e a exploração animais.

Também desmistificou a ideia de que vegano só come mato. Tinha até pizza quatro queijos feita com ingredientes à base de plantas. Realmente um novo mundo se abriu para mim a partir dali.

Em paralelo a essa “descoberta gastronômica”, estava fazendo uma pesquisa muito aprofundada sobre a questão da lactose, conversando com médicos e outros profissionais da área, e uma coisa era consenso: o leite da vaca tinha que passar por tantas modificações e adições de elementos artificiais para ser industrializado no volume que existe hoje, que esse é o motivo de muitas pessoas estarem desenvolvendo alergia à lactose, infelizmente. Para passar dessa informação para outras que mostram como o leite é produzido, é um só pulo. E aí isso te abre os olhos para um mundo muito mais obscuro e triste, que vai além de você, ser humano, ter alergia à lactose. Envolve toda uma indústria de muito dinheiro, e animais sendo maltratados para a gente ter o alimento na nossa mesa.

Vale dizer que tudo isso também aconteceu este ano, com uma série de notícias sobre política e o meio-ambiente que estavam deixando todo mundo meio inconformado.

Naquele momento, eu ainda estava consumindo ovos (e adorava), até assistir um documentário chamado “Terráqueos” (tem no YouTube) e perceber o que eu estava financiando. Naquele momento, eu tomei a decisão de não mais compactuar com aquilo. Foi o dia que tomei a decisão de fazer minha transição para o veganismo.

Por uma incrível coincidência, foi na mesma semana que aconteceu aquilo que a imprensa chamou de “dia do fogo” – um dia de queimadas que acabou ocasionando um dia de céu super escuro aqui em São Paulo alguns dias depois. Inflamou-se cada vez mais a questão amazônica e os motivos das queimadas (gerar pasto). Minha revolta interna aumentou ainda mais e dali em diante minha decisão não tinha mais volta. Simplesmente decidi que não consumiria mais nada de origem ou exploração animal – não apenas na comida, mas qualquer outro produto (roupas, cosméticos, produtos de limpeza, uma infinidade de coisas). Quando você começa a pesquisar, vê que a alimentação é um indústria enorme, mas a de testes em animais, por exemplo, é tão grande quanto. Não tem como não ficar inconformado.

O veganismo é uma transição. Não acontece do dia para a noite, mas a decisão sim. Naquele momento, eu decidi que dali em diante eu ajustaria toda a minha vida de acordo com os meus princípios mais uma vez (que é basicamente o que eu faço com tudo).

O veganismo não diz respeito apenas à alimentação. É um estilo de vida. Não consumir alimentos de origem animal é o vegetarianismo. O vegano segue uma dieta vegetariana estrita. Quem não come carne, mas ainda consome leite, ovos, mel, é chamado de ovolactovegetariano. O veganismo inclui não apenas a alimentação, mas outros produtos, como bolsa de couro, por exemplo, ou usar um cosmético que tenha sido testado em animais. Por isso eu digo que é um processo. Eu ainda tenho shampoo, hidratante, peças de roupa com origem animal. Mas não vou comprar mais daqui em diante. E é isso.

Eu e meu leite vegetal preparado em casa. <3

Lembro de um dia em que fui à farmácia depois de iniciar essa transição e, só por curiosidade, dei uma olhada em alguns produtos para ver quais tinham aquele selo de “cruelty free”, o que significa que não foram testados em animais. Muito poucos. O que me veio à mente foi imaginar que todo o restante da farmácia, que é enorme, mas é apenas uma entre milhares de farmácias, existe essa imensidão de produtos testados em animais. Quando penso no mundo todo, e nessa febre que existe hoje com produtos de maquiagem e skin care… socorro!

Um fenômeno curioso que começa a ocorrer quando você declara que se tornou vegano é uma “encheção de saco” coletiva e completamente não solicitada de pessoas que se sentem no direito de questionar as suas escolhas, tão pessoais. Existe um estigma de que “vegano é chato”, e até concordo que seja. Mas são os chatos revoltados que mudam o mundo, no entanto. Então não me importo de estar deste lado. No entanto, acho as intervenções desrespeitosas e muito inconvenientes. Gente que nem me conhece me mandando mensagem ofensiva pacas – mas enfim, isso é a Internet, anyway.

Minha política pessoal, com as pessoas do meu convívio, tem sido a de só falar sobre veganismo se alguém me perguntar. Alguma amiga, algum aluno, alguém no trabalho. Na Internet, é meu espaço, então falo o que quiser. 🙂

Dei uma imensa sorte aqui em casa também porque, algumas semanas depois da minha “virada”, o youtuber Felipe Neto anunciou que tentaria virar vegetariano, o que reverberou nas redes sociais e gerou conversas. Então o assunto foi se tornando mais evidente por aqui. Não imponho (obviamente) minhas escolhas à minha família, mas sei que ela impacta totalmente na maneira como eles vêm consumindo os alimentos. O Paul já disse que quer parar de comer carne e meu marido tem diminuído também. Outro dia me disse que acredita que será vegano em algum momento. Minha mãe, que sempre amou os animais, viu nisso um incentivo para virar também. A gente tem trocado receitas. 🙂 Então tem sido um processo incrível e muito significativo para mim, pois além de tudo mostra a responsabilidade das minhas escolhas na minha família, especialmente na criação do Paul.

Existem muitos motivos para uma pessoa se tornar vegetariana. Alguns o fazem pela saúde, outros pela proteção ao meio-ambiente. Existem veganos que o fazem como maneira de protesto ao sistema capitalista. Mas, acima de tudo, o veganismo é sobre os animais. Sobre entender que estamos em um planeta convivendo juntos, e que nada nos dá o direito de superioridade, de achar que podemos controlar e matar os animais apenas pelo nosso “paladar” ou por conforto de ter um produto de beleza que deixa o nosso cabelo mais sedoso. É uma maneira de não compactuar com essa indústria de maldade. Não é uma causa que cuida de “tudo”. Existem muitas causas do mundo. Se cada um escolher uma, o mundo vai melhorando aos poucos. Escolha a sua, uma que você se identifique. E deixe os que estão lutando por outras lutarem. 😉

É claro que, por eu ter passado pela cirurgia bariátrica, preciso triplicar a minha atenção com relação aos nutrientes, além da suplementação de uma vitamina (B12), o que eu já fazia antes mesmo de me tornar vegana. Esse é um ponto importante pra todo mundo, aliás: não basta tirar a carne. Precisa substituir com alimentos nutritivos. Mas se você fizer acompanhamento médico direitinho e cuidar de perto da sua alimentação, perceberá que nunca comeu tão bem na vida. Hoje eu me alimento basicamente de comida natural, comprada na feira, e apenas 10% do que consumo vem de industrializados. Passei a me envolver mais com os processos, a cozinhar mais, enfim, estou curtindo pra caramba. Descobri que cozinhar é uma terapia, para mim. Além de tudo, economizo dinheiro, porque carne é caro. Gasto de 40 a 50 reais por semana com a minha alimentação.

Preparar e deixar marmitinhas prontas garante que você sempre tenha seu alimento mesmo na correria do dia a dia ou quando vai a lugares que não sabe se encontrará opções que você pode comer.

Outro lado bom de todo esse processo também é fazer novas amizades e se envolver com gente legal, do bem. Desde conhecidos que ficaram mais próximos até pessoas novas. Assim como a dona da mercearia, o dono do mercadinho de produtos naturais. Você acaba desenrolando as conversas porque troca dicas, receitas e fica sabendo sobre os eventos que você acaba querendo ir até para dar uma força. É todo um mundo consciente que se abre, com inúmeras possibilidades.

Além do acompanhamento médico, tenho seguido diversos canais no YouTube, lido livros e assistido documentários relacionados. Estou muito engajada!

No Budismo, eu aprendi a reforçar uma convicção que eu já tinha, de não-violência e de não prejudicar outros seres vivos sencientes. Me tornar vegana foi apenas mais um “encaixe”, mais uma forma coerente de fazer as coisas de acordo com os meus valores. Estou em transição e acredito que, como todo o resto, isso seja uma construção para toda a vida. Mas, como toda construção, você só precisa começar. 😉

Voz

Eu fiz um curso de teatro este ano. Na primeira aula de “voz” a professora pediu para cada um da turma contar a sua história pessoal com relação ao seu uso da voz. Ouvi histórias incríveis, e aqui vai a minha.

Sempre fui uma pessoa tímida e introvertida que usava o humor como mecanismo de defesa. Por isso, na escola, eu aprendi a fazer piadas e a “forçar” um comportamento engraçadinho toda vez que eu fosse apresentar um trabalho na frente da sala, por exemplo. Uma vez, já adolescente, precisei apresentar, junto com o meu grupo, um trabalho em formato de peça de teatro. Naquele momento, em cima do palco, uma luz se acendeu em mim: “quero ser atriz!”. Mas meu problema sempre foi o fato de a cada 15 segundos me empolgar com uma profissão diferente, então passou.

Imagine como foi difícil para mim a época do vestibular, no sentido de escolher o curso que eu queria fazer! Para resumir a história: fiz Jornalismo e depois Publicidade. Hoje, acho engraçado o fato de trabalhar com criação de conteúdo, porque isso na verdade é um mix dos dois cursos. Meu professor orientador no mestrado outro dia disse que eu “deveria ser jornalista, porque escrevo muito bem”. Cômico, se não fosse trágico, mas irônico anyway. Em 2006, criei este blog, e aos poucos ele me levou a ser convidada para fazer palestras.

Comecei como todo palestrante começa: sem a menor ideia do que eu estava fazendo, a não ser a vontade de compartilhar aquele conteúdo que eu tinha. Sempre me apeguei ao fato de que, se estava sendo convidada, era porque eu era reconhecida naquele assunto. Mas à medida que você começa a se envolver no meio, começa a reparar nos outros palestrantes e a buscar dicas para ser uma palestrante melhor. E isso só me fez ver como eu não era (na minha cabeça) uma boa palestrante.

Em 2014, passei a viver exclusivamente desse trabalho com organização e produtividade, e grande parte desse trabalho estava em dar palestras e ministrar cursos em sala de aula.

Quando comecei a ser contratada por um grande cliente para ministrar cursos em empresas, passei a ser cobrada de maneira diferente. Existia um sistema de avaliação e feedback, e as duas coisas que eu mais ouvia (e hoje sei como esse sistema era horrível) eram que 1) eu “deveria considerar emagrecer” e 2) “deveria procurar um fonoaudiólogo”.

Eu tenho uma “travinha” na voz desde sempre, desde criança. Não é língua presa – é apenas um vício de fala. Ele me faz enfatizar o “s” quando eu falo. Isso não me incomodava até ouvir de outras pessoas críticas a isso – aí fiquei envergonhada e com receio de falar. Outras pessoas me criticarem a respeito de algo que era tão íntimo mas que eu não via como “defeito” acabou com a minha auto-estima na época. Eu estava super feliz por estar dando aula sobre um assunto que eu amo, e recebi isso como resposta. Foi bem difícil, mas uma questão minha, interna, que precisava resolver, e eu sabia disso.

Procurei uma fono, e durante DOIS anos (!!!) eu foquei nos exercícios e em querer solucionar esse “problema”, achando que eu nunca seria uma boa palestrante ou professora se eu não consertasse essa questão. Eu me sentia inadequada o tempo todo. Foi realmente bem complicado, até que aconteceu uma coisa que me ajudou a ver tudo de uma outra maneira.

Fiz minha formação em coaching na metade de 2016. As pessoas que criticam tanto hoje em dia essas formações não têm ideia do bem que elas podem fazer aos profissionais qualificados. Eu era qualificada. E muito. Mas estava acostumada a focar nos meus problemas (em querer resolvê-los) o tempo todo, o que me levou inclusive a um diagnóstico de depressão na época. Isso foi bem no mês que eu fiz o curso. Mas, ao sair do final de semana do curso, eu saí outra pessoa. Me sentia a mulher maravilha. É óbvio que eu não acho que “coaching” seja solução para ninguém, especialmente quem estiver com depressão ou com distúrbios relacionados a ansiedade. Mas, PARA MIM, na época, foi uma mudança total de cenário, e tudo o que posso fazer é compartilhar a minha experiência pessoal aqui, sinceramente. Afinal, é um blog.

Fotos da época (antes e depois do curso):

Eu acho que elas refletem bem a mudança na minha auto-estima. Cortei o cabelo, fiz maquiagem etc.

Um ponto chave dessa formação foi entender que eu tinha muitos pontos fortes que eu estava deixando de lado para prestar atenção demais nos meus pontos fracos. É claro que você pode querer trabalhar nos seus pontos fracos, mas isso não pode se tornar o seu foco, fazendo com que você deixe de trabalhar o que faz de melhor também ou, principalmente, pois esses pontos fortes são o que você faz de melhor!

A partir daquele momento, eu passei a focar então no que eu era melhor – que, pasmem (ou não): eram muitas coisas! E eu estava negligenciando todas elas totalmente, em detrimento de um trabalho de correção em supostos pontos fracos que eu tinha!

Por exemplo, no curso de coaching eu consegui desenhar a minha missão pessoal, quando eu descobri que as três coisas que eu mais gostava de fazer eram: escrever, dar aulas e conversar. Foi esse entendimento que me levou a querer trabalhar com coaching também e a depois desenvolver outros trabalhos, como a mentoria, mas isso é assunto para outro post.

Uma das coisas que eu considerava (e ainda considero) um ponto forte eram os meus conhecimentos e a minha paixão pelo método GTD, por exemplo. Eu ficava tão preocupada com a FORMA da minha voz que não tinha parado para pensar em todas as coisas que eu tinha para dizer! E eram muitas!

Ou seja: a partir do momento que eu resolvi focar em todas as coisas que eu considerava urgentes de serem ditas ao mundo, a travinha na minha voz, o meu peso, tudo isso passou a ser um mero detalhe que não deveria jamais atrapalhar o conteúdo daquilo que eu tinha para compartilhar. Eu mudei completamente o meu foco. Era “urgente” compartilhar tudo aquilo. Eu não via a hora de começar!

Em resumo: mais do que externalizar em voz alta esse conteúdo que eu queria compartilhar, buscá-lo dentro de mim com consciência situacional, paixão e muita vontade de servir aquelas pessoas que estavam me ouvindo, de ajudar – isso sim fez com que eu encontrasse a minha própria voz, e eu tive a minha auto-estima de volta. Passei a ser elogiada pelas mesmas pessoas que antes me criticavam. Porque, no fundo, hoje vejo que tais “falhas” que eu tinha na verdade apenas evidenciavam as inseguranças que eu sentia. (não estou abstendo a responsabilidade do que as tais pessoas me falaram. só quero dizer que superei essas críticas.)

A tal “voz” então está muito mais relacionada a você ter efetivamente o que dizer e de querer fazer isso com tanta paixão e certeza que o resultado será incrível não importam quantas “falhas técnicas” você tenha.

Em junho deste ano, eu tive a oportunidade de ser a única brasileira no palco do GTD Summit, um evento global do GTD, falando sobre o método, palestrando em inglês, ainda! Em nenhum momento eu foquei no “ai, eu não sou boa no inglês!”, mas sim no conteúdo que eu queria passar! E isso sem dúvida é fruto de tudo o que aprendi nos anos anteriores! Inglês não é minha língua nativa, e tá tudo bem! Dê seu melhor, garota! Eu fiquei focando então no que eu queria expressar – voz e corpo inclusos – mas essencialmente naquilo que eu gostaria de dizer – o conteúdo em si.

Ao subir naquele palco, não apenas o reconhecimento internacional como palestrante, mas a minha percepção de como na verdade eu AMO fazer palestras, estar no palco, ensinar, compartilhar e, acima de tudo, aprender mais sobre mim mesma, eram os aspectos mais motivadores para mim naquela situação.

Photo by Dan Taylor

Photo by Dan Taylor

Photo by Dan Taylor

Logo, a Thais que apresentava trabalho na frente da sala se juntou à Thais que se apresentou no teatro da escola, que por sua vez se ligou à Thais que fazia palestras sobre blogs e, por fim, à Thais que come GTD no café-da-manhã porque ama esse negócio. Como dizia Steve jobs, em algum momento os pontos se conectam. E isso é tudo que eu gostaria de dizer hoje sobre a minha voz, a prática de oratória e sobre ser professora como aspecto de servidão às pessoas que estão interessadas em aprender mesmo. Isso é o que considero estilo de vida de uma palestrante. Eu simplesmente precisava compartilhar essa experiência porque eu queria mostrar como muitas vezes o fato de a gente focar em pontos fracos pode fazer a gente perder o rumo. Retome o seu, querido leitor ou leitora. Você tem coisas importantes a compartilhar. Foque nisso. <3

Objetivo Claramente Definido

Um dos conceitos mais importantes que eu aprendi estudando os livros do Napoleon Hill foi sobre a definição de um objetivo claramente definido.

Pelo que eu entendi, o objetivo pode ser tanto um objetivo mais de longo prazo, final, quanto um objetivo mais próximo, como por exemplo “entrar no doutorado”. O importante não é o conteúdo do objetivo mas tê-lo definido. Pode ser qualquer objetivo. “Descansar durante 45 minutos no meu almoço hoje”. O que ele está dizendo é que, uma vez que a gente tenha um objetivo qualquer definido, isso ajuda a gente a direcionar o nosso foco.

Ele recomenda você ter esse objetivo escrito e colado no seu espelho para olhar todos os dias de manhã. Eu tenho uma nota no meu Evernote com esse objetivo descrito. Resolvi imprimir e espalhar pela casa (além do espelho), pois assim não apenas eu visualizo mais vezes como também toda a minha família.

Eu gosto de trabalhar com metas e objetivos em diferentes perspectivas. Gosto de ter algumas metas para aqueles dias mais complicados (“quero dormir pelo menos 7 horas hoje” ou “espero conseguir concluir pelo menos tal tarefa até o final do dia”), estabeleço um foco para a semana, big rocks para o mês, objetivos de curto prazo de maneira geral. Tudo isso é feito muito levemente, como ferramentas, e não como coisas que engessam a minha vida. Servem apenas para direcionamentos.

O objetivo claramente definido que eu tenho nessa nota no Evernote é um objetivo de médio a longo prazo para a minha vida e para o meu trabalho. Envolve um cenário geral para a minha empresa, para a nossa família, para a nossa casa, para as nossas finanças. Eu simplesmente sentei um dia e descrevi o que eu gostaria de ter para a minha vida. Toda vez que reviso essa nota, reescrevo algum termo de uma maneira melhor para mim. Isso vem de anos. Muitas vezes, falo em sala de aula ou no grupo da mentoria sobre assuntos como “missão pessoal” e pode parecer algo imediato. Esse objetivo, por exemplo, eu escrevi pela primeira vez em 2016, se não me engano, e vou refinando regularmente. É um trabalho que nunca acaba, que a gente vai construindo aos poucos mesmo. Tudo na organização é sobre construção.

Eu não vou compartilhar o meu objetivo completo aqui no blog porque acredito no poder da concentração. Quando a gente espalha algo, a energia se dispersa. Prefiro manter apenas para mim e para os meus algo que é tão íntimo.

O que eu encorajo é que você tente fazer esse mesmo exercício.

O poder de ter o objetivo claramente definido é, em primeiro lugar, o foco. Onde eu devo colocar o meu foco. Mas isso vai além do foco diário. Ajuda quando a gente não está passando por uma fase muito fácil. Uma coisa que o Napoleon Hill gosta de falar é sobre a diferença entre fracasso permanente e derrota temporária. É muito comum que a gente passe por dificuldades. Todo mundo que fez grandes coisas na história da humanidade passou por dificuldades, algumas bem grandes. Você não pode confundir essas dificuldades com um fracasso total. Para alcançar seu objetivo, pode ser necessário alterar a rota, reestruturar o plano. Isso é perfeitamente normal. As coisas podem não sair conforme o planejado, mas isso não quer dizer que você perdeu tudo. Se você tiver seu objetivo em foco, você consegue se olhar com menos pressão, com mais compassividade. Não confunda uma derrota temporária com um fracasso permanente.

Foi muito importante para mim relembrar isso esta semana porque estou passando por uma fase difícil. Revisar meu objetivo, permitir me olhar com mais compaixão, ter humildade para entender que posso ter que voltar atrás em algumas iniciativas, tudo isso é importante. O objetivo continua em foco. É para isso que serve.

Amanhã vou publicar um post sobre a bibliografia do Nap, pois sei que pode ajudar. Para mim, é uma referência inestimável para a vida.

Eu aprendi sobre: ficar offline

Talvez você tenha percebido que tenho estado mais quietinha nos últimos dias. Como tudo é aprendizado, vim compartilhar aqui no blog o que está acontecendo e o propósito da coisa toda.

Tem muita coisa legal acontecendo offline na minha vida. Não estou, com essa frase, querendo ser pedante. Ela é simplesmente sincera.

Ontem, aqui em São Paulo, nós realizamos a primeira versão do nosso workshop de Planejamento de Vida. Trata-se de um “coaching em formato de curso”, que era um sonho que comecei a desenhar há uns dois anos. Realizar esse curso foi definitivamente a realização desse sonho, porque tem muita coisa envolvida. Eu, como criadora, escritora e professora, venho desenvolvendo material há anos. Todo esse material, esse conteúdo, vem sendo refinado ao longo dos anos, se caracterizando como propriedade intelectual. Eu estudo MUITO, pesquiso muito, para refinar o que ensinamos. Mais do que criar coisas novas, eu quero melhorar as coisas que já existem (que são bastante).

Ter feito o curso do GTD™ Nível 3 ano passado encerrou um ciclo importante para mim como autora, pois eu vi até onde iriam os cursos do GTD™ em termos de conteúdo. Isso me deu a tranquilidade para elaborar esse curso de planejamento de vida, pois sou muito preocupada e respeito demais a propriedade intelectual de cada autor (especialmente do David Allen). Eu desenvolvi um curso inteiro apenas com base no meu conhecimento, na minha experiência, nessa construção que é essencialmente o Vida Organizada. E acredito que os cursos se complementem.

Uma aluna comentou ontem que o curso “é o Vida Organizada em formato de curso”. Foi um dos melhores elogios que eu já recebi sobre o nosso trabalho. Eu realmente senti uma satisfação enorme com a realização dele, com a concretização desse sonho, e com esse refinamento cada vez maior do que estamos criando por aqui.

Durante o curso, eu nem lembrei de pegar o meu celular para gravar stories. Para divulgar o curso. E não me entendam mal: não estou julgando quem o faça. Eu só estava curtindo muito o momento. Não quis ficar expondo ou compartilhando nada a não ser com as pessoas que estavam ali presentes comigo.

Depois do curso, pude passear com a minha família, fazer comida em casa, assistir uma série com o meu marido. Tivemos conversas ótimas sobre a produção no trabalho e tudo o que estamos construindo. Acredito de verdade que eu esteja em um bom momento, com muitas ideias e muita certeza de todas as coisas.

Eu acho sim que quem trabalha com conteúdo precisa produzir diariamente para todos os canais. Mas eu também respeito o meu momento, que é de incubar algumas criações – especialmente em formato de texto. Para escrever, gosto de fazer isso com tranquilidade, revisar e me identificar com o material. Eu já tinha agendado todos os posts até o final do mês, mas resolvi não publicar porque, de alguma maneira, eu não sou mais a mesma pessoa que os escreveu. Eu amadureci demais nesse último mês porque passamos por bastante coisa. Organizar um evento em outro país, por exemplo, nos ensinou muito (e ainda estamos aprendendo). Temos estrutura para isso? Queremos ter estrutura para isso? Como deve ser o nosso mix de produtos? São todas questões que permearam a minha cabeça este mês e me desafiou a estudar, a pesquisar ainda mais, a conversar, a desenvolver eu mesma e as pessoas que trabalham comigo.

Estamos treinando uma pessoa nova que acabou de entrar na equipe. Tá sendo super legal e desafiador para a gente ao mesmo tempo. Estamos consolidando um novo processo de gravação, edição e publicação de vídeos, tanto para o YouTube quanto para as aulas. Estamos migrando de plataforma EAD (um trabalho verdadeiramente colossal, você não tem ideia). Nosso escritório já está pequeno para nós, e estamos pesquisando se vale a pena alugar uma segunda sala ou uma sala maior. Temos recebido cada vez mais demandas por cursos e eventos presenciais em empresas, e questionando se vale mais a pena fazer isso ou ter alcance maior com nosso trabalho pela Internet. Como eu falei, é um período de muito trabalho de backstage que, na maioria das vezes, não é mostrado por aqui ou em qualquer rede social, não porque não achamos que não deve ser mostrado, mas porque estamos nos curtindo nesse momento offline.

Eu estou há alguns dias sem olhar stories, sem olhar YouTube, Facebook, e sentindo uma paz interior imensa. Eu gosto de fazer isso porque me distancio da loucura, da pressa, do volume de coisas que todo mundo posta.

Ficar offline não significa excluir a Internet da vida, mas ressignificá-la. Existem momentos e momentos, e se tem uma coisa que aprendi e faço questão de ensinar com o meu trabalho, é que ritmos devem ser respeitados.