Trabalhar como autônoma me mostrou que estava empacada na minha carreira – foi quando decidi fazer um mestrado

A decisão de se tornar autônomo muitas vezes surge como um caminho para mais liberdade e autonomia. No meu caso, foi exatamente isso que aconteceu. Deixei o trabalho formal para ter mais controle sobre meu tempo, escolher projetos alinhados aos meus valores e buscar um ritmo mais sustentável. Mas, depois de um tempo, percebi que algo ainda não fazia sentido. Por mais que estivesse trabalhando, me sentia estagnada.

Essa sensação de estar empacada profissionalmente não era sobre ganhar mais clientes ou aumentar a renda. O problema era que minha trajetória parecia ter parado no mesmo lugar, sem perspectivas de crescimento real.

Foi nesse contexto que percebi que precisava de algo novo. O mestrado apareceu não como uma solução mágica, mas como um caminho para expandir horizontes, refinar conhecimentos e conectar minha experiência prática com um aprofundamento teórico.

Ninguém disse que seria fácil,
no entanto.

Ser autônoma trouxe uma liberdade que eu valorizava muito, mas percebi que flexibilidade não significa crescimento automático. Estudos da London School of Economics mostram que carreiras com maior autonomia podem levar a ciclos de estagnação quando não há objetivos estruturados de desenvolvimento.

A vontade de fazer mestrado apareceu como um contraponto a isso. Ele me permitiu estruturar um caminho de evolução profissional sem comprometer a flexibilidade conquistada. Descobri que, para sair do ciclo de repetição, era preciso buscar desafios que realmente agregassem valor ao meu trabalho. Eu sempre amei estudar e me aprofundar. Queria o mestrado. Segundo a Stanford University, a aprendizagem contínua está diretamente ligada à capacidade de inovação e adaptação a novos contextos.

O mestrado me proporcionou essa possibilidade: não apenas acumular conhecimento, mas aplicar novas perspectivas ao que já fazia. Ele trouxe um olhar crítico para minha prática profissional e me permitiu explorar abordagens que antes não estavam no meu radar.

Trabalhar sozinha tem suas vantagens, mas também limita a interação com outros profissionais que possam desafiar suas ideias. Estudos da MIT Sloan Management Review indicam que o contato com grupos de pesquisa e redes acadêmicas pode acelerar o crescimento profissional ao expor indivíduos a novas abordagens e perspectivas.

No mestrado, encontrei um ambiente onde discussões aprofundadas eram incentivadas. Trocar experiências com professores e colegas que vinham de diferentes áreas ajudou a expandir minha visão e a questionar suposições que antes pareciam inquestionáveis.

O mestrado me deu um senso de estrutura que eu sentia falta sendo autônoma. Com prazos, leituras obrigatórias e discussões recorrentes, ele criou um ritmo de aprendizado que complementava minha rotina sem a necessidade de autodisciplina extrema para manter o foco.

Outro ponto importante foi a mudança na forma como enxergava meu próprio trabalho. A pesquisa da Harvard Business Review aponta que aprofundar o conhecimento técnico aumenta a confiança do profissional e sua percepção de valor no mercado.

Ao ingressar no mestrado, percebi que não estava apenas adquirindo um título, mas ressignificando minha atuação. Passei a me posicionar de forma mais segura e a oferecer soluções com um embasamento teórico mais sólido, algo que foi fundamental para minha evolução como autônoma.

Algumas estratégias que podem te ajudar caso você esteja passando por um momento de estagnação:

  1. Avaliar o que falta na sua trajetória – Identifique se a sensação de estagnação vem da falta de desafios, aprendizado ou de conexão com outras pessoas da área.
  2. Buscar aprendizado estruturado – Cursar um mestrado ou uma especialização pode ser um diferencial para romper ciclos de repetição profissional.
  3. Criar metas de longo prazo – Definir objetivos de crescimento ajuda a evitar a sensação de que se está apenas “mantendo” a carreira sem avançar.
  4. Participar de grupos e eventos acadêmicos – Mesmo sem cursar um mestrado, estar em ambientes de discussão pode trazer novas perspectivas.
  5. Experimentar novas abordagens profissionais – Incorporar novas metodologias e testar estratégias diferentes pode trazer insights valiosos.
  6. Valorizar o aprendizado contínuo – Leituras, cursos e debates ajudam a manter a mente ativa e aberta para novas possibilidades.
  7. Reavaliar constantemente sua trajetória – Periodicamente, é útil questionar se o caminho atual ainda faz sentido ou se novas direções são necessárias.

O mestrado não foi um ponto final na minha trajetória (estou no Doutorado), mas um recomeço dentro dela. Ao decidir investir nesse caminho, percebi que não estava apenas adquirindo conhecimento, mas criando novas oportunidades para minha carreira como autônoma.

Para quem sente que está estagnado, a solução pode estar em um novo desafio que amplie as perspectivas. Seja um curso, um projeto diferente ou uma troca mais intensa com outros profissionais, o importante é sair da inércia e buscar o crescimento de forma ativa.

Referências:

Status das minhas graduações durante o Doutorado

A pandemia foi uma época em que estudei muito pois fiquei em casa sem sair durante quase dois anos inteiros. Pude fazer isso por trabalhar em casa. Isso me permitiu abrigar estudos que uma vida com compromissos fora não permitia. Entrei no Doutorado e em duas graduações online – uma de Ciências Sociais (literatura) e outra de História (bacharelado). A licenciatura porque achava importante ter uma, do ponto de vista profissional mesmo, abrindo possibilidades. Em Ciências Sociais porque sinto falta da minha formação de base depois que entrei no Doutorado nesse campo. E História porque sempre foi a minha paixão.

Já em 2023, com o início do intercâmbio com o doutorado, eu vi que me sobrecarregaria demais se mantivesse as graduações. Portanto, em determinado momento do ano eu tranquei e aproveitei esse período para repensar a vida. Hoje eu já tenho um pouco mais de clareza e pude retomar uma Licenciatura, mas optei por fazê-la em História, e não Ciências Sociais, e vou explicar por quê.

Como todo ser humano, eu acumulo algumas frustrações. Uma delas foi não ter feito História na USP quando eu passei na época do vestibular. Optei por fazer Jornalismo na Cásper Líbero, que parecia um curso em que eu leria, escreveria e estudaria História mas teria uma aplicação prática e com mais chances de “mercado”. Na teoria parecia lindo mas, na prática, hoje eu sei que, se eu for uma boa profissional, em qualquer área eu me viraria bem. Me fez falta essa formação em História, que hoje vejo que é o que eu mais gosto de estudar. Antes de entrar no Doutorado em Ciências Sociais, estava em dúvida entre os dois campos. Eu continuo amando Ciências Sociais, mas acredito que o estudo da História me fascina mais, porque é um campo vivo, que vive tendo reinterpretações e descobertas.

Logo, ao voltar este ano a pensar novamente em retomar a Licenciatura, eu achei que faria mais sentido voltar estudando História.

Optei por começar do “zero”. Isso significa que não aproveitei disciplinas já cursadas. Quero estudar de novo. Eu sou outra pessoa, tenho outro nível de entendimento e maturidade, e quero fazê-las. Já tenho algumas ideias para a minha monografia (provavelmente produtividade nos campos de concentração nazistas) e eu sei que essa graduação vai me ajudar a pensar no próximo passo depois do doutorado.

O doutorado acaba no final deste ano no máximo. A graduação dura quatro anos, mas é online. Eu já sou graduada, então não dependo desta graduação em específico para fazer outros cursos, como pós-graduações. Mas eu ainda não sei se quero fazer um pós doc ou um novo mestrado (em História). Vou ter esse tempo para decidir.

Ainda tem o desenvolvimento da universidade pessoal, que vou falar em outro post. Mas considero esses cursos apropriados para o meu momento. E quis, com este post, esclarecer a dúvida que alguns de vocês tinham sobre como estava o andamento das minhas graduações.

Finalizei o meu estágio na Polônia

Eu nem acredito que consegui.

Foram meses muito difíceis, caros, de saudade do Paul, dos cachorros, um sentimento de não pertencimento a nenhum lugar, solidão, insegurança, falta de autoconfiança etc.

Mas acabou.

A proposta do estágio era passar 5 meses na Polônia convivendo com professores e pesquisadores e agregando conhecimentos para a minha tese.

Por eu ter um filho, eu não conseguiria fazer os 5 meses corridos. Então eu fui e voltei para o Brasil algumas vezes durante esse período, o que foi caro e cansativo, mas valeu cada centavo por poder ver o meu filho e estar em momentos importantes da vida dele.

Ao mesmo tempo, concluí um projeto que, geralmente, uma mãe não consegue fazer justamente pela rotina da maternidade.

Nem preciso dizer que o papel do pai do Paul foi essencial nesse processo. Ele cuidou de absolutamente tudo, inclusive dos doguinhos. Sou absolutamente grata e não é porque estamos separados que deixamos de ser família. Ele é meu amigo desde os 17 anos de idade e pai do meu filho. Nossa relação durará pra sempre.

Estou finalizando alguns trâmites finais aqui na Europa e logo volto para o Brasil.

Eu me sinto grata por essa oportunidade, por mais difícil que ela tenha sido. O apoio do meu namorado foi fundamental. Eu não teria conseguido sem ele.

Fui muito produtiva intelectualmente na Polônia, escrevendo muito! E pude aproveitar cultural e historicamente muita coisa, como a visita a Auschwitz.

Por gostar de estudar sobre a Segunda Guerra, eu sabia que a Polônia era um país sofrido. No entanto, eu saio de lá com outra sensação. De que é um país FORTE. Que resistiu bravamente a diversas invasões e tragédias, lutou sempre e nunca desistiu.

Eu concluí esse estágio com um convite para voltar novamente no ano que vem, mas acredito que não farei essa opção. Meu foco está no término do doutorado – o que deve acontecer até o meio do ano – e depois disso eu preciso colocar as minhas ideias no lugar e planejar artigos, congressos e outros projetos. O que eu sinto no momento, de verdade, é que preciso estar na minha casa, reconstruir a minha rotina, ficar mais de boa depois de tantas viagens. Foi cansativo, afetou minha saúde, então eu preciso focar em me recuperar e ficar bem.

Se eu pudesse aproveitar mais uns dois meses, talvez com outubro e novembro, sairia ainda mais enriquecida, pois é quando voltam as aulas e haverá alguns congressos. Mas tá tudo bem. Pude aproveitar muito, deu certo, e agora é hora de voltar pra casa.

Reta final do estágio na Polônia: revisão e planejamento

Estou entrando no último mês do meu estágio aqui na Polônia, e a sensação de que o tempo passou rápido demais é inevitável. Com a proximidade do fim, decidi tirar um momento para revisar todo o trabalho que já foi feito e planejar as próximas semanas com bastante cuidado. Fiz isso no último domingo.

Revisitei o documento inicial do estágio, onde estão definidos os marcos de entregas e os objetivos que deveriam ser alcançados ao longo desses meses. Foi uma ótima oportunidade para relembrar o que já foi conquistado e ter uma visão clara do que ainda precisa ser feito. No final das contas, eu fiz 90% já do que está ali, e foi bom saber disso, mas também me lembrei de um “nice to do” que acredito que dê tempo para fazer, e vou tentar na próxima semana.

Com base nessa revisão, fiz uma lista de pendências, detalhando cada tarefa que ainda falta ser concluída. Organizei tudo de forma a priorizar o que é mais importante e o que precisa de mais atenção. Agora, com a lista em mãos, meu foco é cumprir essas últimas etapas, garantindo que cada objetivo seja atingido antes de eu me despedir desse país (por hora). Distribuí as tarefas meio de acordo com o foco de cada semana e parece factível.

Sim, é o meu Bullet Journal vs. lisérgica

Meu desafio nunca foi a execução. Sou boa e rápida nisso. O que sempre costuma ser um desafio para mim são as questões emocionais ou de saúde que me pegam pelo caminho. Espero ficar bem. São os últimos dias.

Vamos em frente, que ainda tem muito a ser feito!

Como se preparar mental e psicologicamente para visitar um campo de concentração?

Uma seguidora me fez essa pergunta esses dias e eu refleti escrevendo no meu diário a respeito, e compartilho aqui com vocês.

Eu não diria que exista um preparo específico. É o estudar o assunto a vida toda, a minha formação humanista e budista, a prática diária de meditação que me ajudam.

Eu também diria que a motivação correta (é um memorial e não um “ponto turístico”) e ter um foco em mente (minha pesquisa) ajudam não pirar (tanto) com tanta informação visual, sensorial, auditiva.

Ano passado, quando visitei Dachau, ficar em silêncio antes, durante e depois da visita me ajudou bastante. Em respeito a tudo mas para a minha própria absorção da situação. Eu sinto que me ajudou.

Chegar depois no hotel, sendo grata pela minha vida e pelo banho quente que eu posso tomar, a cama que posso dormir, a comida que posso jantar. Entoar o dia todo mantras de compaixão em respeito aos mais de 1,1 milhão de pessoas que morreram nos campos. E aí é procurar descansar. Pintar aquarela, jogar Magic, “esvaziar a mente”.

E, no dia seguinte, reunir minhas notas de campo, os materiais que pegarei lá e escrever. Escrever. Fazer conexões com as notas que já tenho (zettelkasten), escrever no meu diário sobre a experiência do ponto de vista pessoal etc.

O que mais me impressiona em um evento como esse foi ele ter acontecido há quase 100 anos e repetirmos, continuamente, que jamais devemos permitir que aconteça novamente, mas neste exato momento estamos vendo uma situação similar na Palestina. Eu acho que, como humanidade, a pergunta que devemos fazer é: como fazer ESTA guerra parar? Como evitar mais tantas mortes AGORA por um projeto de poder?

Aconteceu há 100 anos, acontece hoje e, se não aprendermos efetivamente, acontecerá sempre.