Paralisados pela escolha: como o excesso de informação nos impede de decidir

Vivemos em uma era de abundância de informação. A cada segundo, recebemos novas recomendações, análises e possibilidades de escolha, seja no consumo, na carreira ou na vida pessoal. O paradoxo disso tudo? Quanto mais opções temos, mais difícil se torna decidir. No final do dia, em vez de nos sentirmos mais informados, nos sentimos sobrecarregados.

O excesso de informação não é um problema individual, mas uma consequência de uma estrutura maior. Segundo estudos da Harvard Business Review, a sobrecarga informacional leva a um fenômeno conhecido como “paralisia da escolha”, no qual a necessidade de analisar múltiplas variáveis torna a tomada de decisão mais lenta e desgastante. A culpa não é sua: vivemos em um sistema que incentiva o consumo desenfreado de dados e a necessidade de estar sempre atualizado.

Diante disso, como encontrar um meio-termo entre estar bem informado e conseguir tomar decisões sem se sentir exausto? Para além das respostas prontas, precisamos entender as raízes desse problema e encontrar formas de lidar com ele de maneira realista.

O mito da decisão perfeita

Um dos maiores entraves para tomar decisões é a crença de que há uma resposta ideal, que basta pesquisar um pouco mais para encontrá-la. No entanto, um estudo da MIT Sloan Management Review indica que decisões excessivamente analisadas não são necessariamente melhores do que aquelas feitas com base em critérios simples e bem definidos.

No mundo hiperconectado, sempre haverá um novo artigo, um vídeo explicando outra abordagem ou um especialista com uma opinião diferente. Mas esperar pela “melhor escolha possível” pode nos deixar presos em um ciclo infinito de pesquisa e adiamento. Aceitar que todas as escolhas têm riscos e que é impossível prever todos os desdobramentos pode aliviar a pressão por decisões impecáveis.

Parabéns,
você está sofrendo de capitalismo.

A dificuldade em filtrar informações não é um problema individual, mas um reflexo da forma como o mercado se estrutura. Empresas e plataformas lucram com a nossa indecisão: quanto mais tempo gastamos comparando produtos ou buscando o conselho “definitivo”, mais engajamento geramos e mais consumimos.

Segundo a London School of Economics, a abundância de opções é um mecanismo do capitalismo tardio para manter consumidores presos a ciclos intermináveis de busca e comparação. Entender isso é essencial para não cair na armadilha de achar que a dificuldade em decidir é uma falha pessoal.

O excesso de decisões desgasta a mente. Pesquisadores da University of Minnesota descobriram que a fadiga decisória reduz a qualidade das escolhas feitas ao longo do dia, tornando-nos mais propensos a procrastinar ou optar pelo caminho mais fácil, ainda que não seja o melhor.

Isso explica por que, depois de um dia cheio de decisões pequenas (o que vestir, qual trajeto tomar, qual notícia ler), é tão difícil escolher algo maior, como uma mudança de carreira ou um novo projeto. Encontrar formas de reduzir a quantidade de decisões diárias pode ajudar a preservar energia mental para o que realmente importa.

O bandaid: uma curadoria pessoal

Se não podemos consumir todas as informações disponíveis, precisamos escolher com mais critério. Um estudo da Stanford University sugere que criar uma “curadoria pessoal” de fontes confiáveis reduz o impacto do excesso de informação e melhora a tomada de decisões.

Isso significa escolher alguns veículos de informação confiáveis, reduzir o número de opiniões que ouvimos sobre determinado tema e evitar mudanças constantes de referência. Ao invés de tentar absorver tudo, focar em poucos conteúdos bem selecionados pode trazer mais clareza.

Tomar uma decisão “boa o suficiente” pode ser mais eficiente do que buscar a melhor escolha possível. Segundo a Columbia Business School, pessoas que se permitem decidir com base em critérios claros e realistas apresentam menos ansiedade e maior satisfação com suas escolhas.

Isso não significa tomar decisões impulsivas, mas estabelecer limites para a busca por informações. Definir um prazo para pesquisar sobre um assunto ou um número máximo de referências antes de decidir pode ajudar a evitar a procrastinação.

7 maneiras de reduzir o impacto do excesso de informação na indecisão

  1. Definir critérios claros antes de buscar informações – Saber exatamente o que você precisa filtrar evita cair na armadilha da busca infinita.
  2. Limitar o tempo de pesquisa – Estabelecer um prazo para se informar sobre um tema ajuda a evitar o ciclo interminável de comparação.
  3. Reduzir a quantidade de fontes de informação – Criar uma curadoria de sites, newsletters ou especialistas confiáveis simplifica a tomada de decisão.
  4. Aceitar que não existe escolha perfeita – Todas as opções têm prós e contras, e nenhuma pesquisa eliminará completamente a incerteza.
  5. Criar rotinas para decisões recorrentes – Reduzir o número de escolhas diárias ajuda a preservar energia mental para decisões mais importantes.
  6. Evitar a armadilha do “e se” – Focar no que pode ser feito no presente evita que a busca por respostas se torne uma forma de procrastinação.
  7. Desconectar-se periodicamente – Reduzir o consumo de conteúdo digital por alguns momentos do dia pode ajudar a recuperar a clareza mental.

O excesso de informação e a dificuldade de decidir não são problemas individuais, mas sintomas de uma estrutura que incentiva a sobrecarga. A melhor forma de lidar com isso não é buscar mais eficiência, mas sim adotar uma abordagem mais consciente sobre o que realmente precisamos saber para tomar boas decisões.

Reduzir a pressão por decisões impecáveis, limitar o consumo de informações e estruturar escolhas de forma mais objetiva são estratégias que podem trazer mais clareza e leveza ao processo decisório. No final das contas, decidir é sempre um ato de confiança – e confiar no próprio julgamento pode ser o passo mais importante.

Referências:

Como treinar a mente para ver motivação no longo prazo?

Nosso cérebro é naturalmente programado para buscar recompensas imediatas. É por isso que é tão fácil ceder à tentação de assistir mais um episódio da sua série favorita em vez de começar aquele projeto importante. A gratificação imediata oferece prazer instantâneo, enquanto os benefícios do esforço a longo prazo muitas vezes parecem distantes e incertos. No entanto, aprender a adiar recompensas imediatas é uma habilidade poderosa que pode transformar sua produtividade, sua saúde e até mesmo suas finanças. Vamos explorar como funciona a gratificação adiada e como treinar sua mente para priorizar o longo prazo.

Por que preferimos o prazer imediato?

A preferência pelo prazer imediato tem raízes no nosso instinto de sobrevivência. No passado, nossos ancestrais precisavam aproveitar recursos disponíveis de forma rápida, já que o futuro era incerto. Embora o mundo tenha mudado, nosso cérebro ainda mantém essa tendência. Quando confrontados com escolhas como economizar dinheiro ou comprar algo agora, frequentemente optamos pelo caminho mais curto, mesmo sabendo que isso pode nos prejudicar no futuro.

Essa preferência é reforçada pela dopamina, um neurotransmissor que o cérebro libera como recompensa ao receber algo que deseja. Atividades que oferecem gratificação instantânea, como redes sociais, comida ou compras, ativam essa liberação rapidamente. Por outro lado, esforços a longo prazo, como poupar dinheiro ou praticar exercícios, exigem paciência e planejamento, o que o cérebro interpreta como menos atraente.

Inclusive recomendo fortemente a leitura do livro acima. Link.

Gratificação adiada é a capacidade de resistir a recompensas imediatas em troca de benefícios maiores no futuro. Esse conceito ficou famoso através do Experimento do Marshmallow, conduzido pelo psicólogo Walter Mischel nos anos 1960. No estudo, crianças foram colocadas diante de um marshmallow e receberam a escolha de comê-lo imediatamente ou esperar alguns minutos para receber dois. Os resultados mostraram que aquelas que conseguiram adiar o prazer imediato apresentaram melhor desempenho acadêmico e maior sucesso na vida adulta.

Esse estudo demonstra que a gratificação adiada não é apenas uma questão de força de vontade, mas uma habilidade que pode ser desenvolvida. Ao treinar sua mente para focar no longo prazo, você constrói disciplina e aumenta suas chances de alcançar objetivos importantes.

Como treinar sua mente para priorizar o longo prazo

  1. Crie recompensas intermediárias: Grandes metas podem parecer distantes demais, tornando difícil manter a motivação. Divida seus objetivos em etapas menores e celebre cada conquista. Por exemplo, se você está economizando para uma viagem, celebre quando alcançar 25% da meta.
  2. Visualize o futuro: Imagine como será sua vida quando alcançar o objetivo. Essa prática ajuda o cérebro a criar uma conexão emocional com o futuro, tornando-o mais real e motivador.
  3. Reduza as tentações: Torne o acesso às recompensas imediatas mais difícil. Por exemplo, deixe o celular em outra sala durante o trabalho ou configure limites de uso para redes sociais.
  4. Use a técnica dos 5 minutos: Se o longo prazo parece intimidante, comprometa-se a trabalhar em algo por apenas 5 minutos. Esse pequeno passo pode ajudar a criar impulso para continuar.
  5. Pratique a autocompaixão: Se você ceder à tentação, não se julgue com dureza. Reconheça o comportamento e retome o foco no que realmente importa.

Aprender a adiar a gratificação imediata é uma habilidade que transforma vidas. Ao resistir às tentações de curto prazo, você abre espaço para realizar sonhos maiores e mais significativos. Não se trata de privação, mas de escolhas conscientes que alinham suas ações ao que realmente importa para você.

Que tal começar agora? Pense em uma meta importante e pergunte a si mesmo: o que posso fazer hoje para priorizar o longo prazo? Pequenos passos podem levar a grandes mudanças. ?

A Psicologia da Procrastinação: como o cérebro prioriza recompensas imediatas

Procrastinar é uma experiência universal. Quem nunca adiou uma tarefa importante para fazer algo mais fácil ou prazeroso, como assistir a um episódio da sua série favorita ou checar as redes sociais? No entanto, o que muitas pessoas não sabem é que a procrastinação não é apenas uma questão de falta de organização ou força de vontade. Ela está profundamente conectada ao funcionamento do nosso cérebro.

O cérebro humano foi projetado para buscar recompensas rápidas e evitar desconfortos, o que explica por que tendemos a priorizar atividades que oferecem prazer imediato, mesmo quando sabemos que isso pode prejudicar nossos objetivos a longo prazo. A procrastinação, portanto, não é um sinal de fraqueza, mas uma resposta natural a como nosso cérebro está programado. Neste post, vamos explorar a ciência por trás desse comportamento e como podemos reprogramar nossa mente para agir com mais intenção e foco.

Nosso cérebro está programado para buscar conforto e evitar situações que possam causar estresse ou desconforto. Quando estamos diante de uma tarefa desafiadora ou que exige muito esforço mental, duas partes do cérebro entram em cena: o sistema límbico, responsável pelas emoções e pela busca por prazer imediato, e o córtex pré-frontal, que cuida do planejamento e do controle.

O problema é que, muitas vezes, o sistema límbico “grita” mais alto. Ele quer evitar o desconforto imediato de começar uma tarefa difícil e nos empurra para atividades que ofereçam recompensas rápidas, como assistir a vídeos curtos ou navegar nas redes sociais. Isso explica por que, mesmo sabendo que precisamos começar algo importante, acabamos adiando e optando por algo mais fácil. Essa luta interna não é fraqueza; é simplesmente o cérebro tentando proteger você de algo que ele interpreta como “ameaça”.

Uma das razões pelas quais procrastinamos está ligada a um fenômeno conhecido como desconto hiperbólico. Em termos simples, é a tendência de valorizar mais as recompensas imediatas do que os benefícios futuros, mesmo quando o benefício a longo prazo é muito maior. Por exemplo, comer um pedaço de bolo agora parece mais atrativo do que manter uma alimentação saudável para perder peso em meses.

Esse mecanismo funciona porque nosso cérebro percebe o futuro como algo distante e incerto. Ao focar no presente, ele busca opções que tragam conforto imediato, mesmo que isso signifique adiar tarefas importantes. É como se disséssemos: “Eu sei que preciso começar a estudar, mas um episódio da minha série favorita agora não vai fazer mal”. Esse pensamento acaba criando um ciclo que reforça a procrastinação.

Outro grande vilão da procrastinação é o medo. Muitas vezes, adiamos tarefas porque elas nos parecem grandes demais, difíceis demais ou porque temos medo de falhar. Esse medo gera ansiedade, e a forma como o cérebro lida com essa emoção é tentando nos afastar dela. Então, em vez de enfrentar a tarefa, buscamos conforto em algo que não nos desafie, como assistir a vídeos ou reorganizar gavetas.

Esse comportamento, apesar de parecer inofensivo no curto prazo, cria um efeito dominó. Quanto mais adiamos, mais o medo cresce. A tarefa se transforma em um “monstro” em nossas cabeças, e a ansiedade aumenta, tornando ainda mais difícil começar. Por isso, é tão importante aprender a identificar essas emoções e encontrar formas de enfrentá-las com gentileza e estratégias práticas.

Entender como o cérebro funciona nos ajuda a perceber que procrastinar não é apenas uma questão de preguiça ou falta de organização. É o resultado de processos naturais que podem ser modificados com pequenas mudanças de hábito e um pouco de autocompaixão. No próximo post, vou compartilhar estratégias práticas para ajudar você a vencer esse ciclo e começar a agir, mesmo quando parece difícil.

E você? Qual tarefa está adiando hoje? Que tal dar o primeiro passo agora? ?

O poder do descanso: como uma fratura nas costelas reforçou a importância de cuidar do corpo

Recentemente, passei por uma experiência que me lembrou, de forma muito clara, algo que eu sempre defendi aqui no blog: a importância de respeitar o tempo do corpo. Enquanto fazia faxina na parte alta da estante, me desequilibrei e acabei caindo, o que resultou em uma costela quebrada. O médico foi firme: repouso absoluto de 7 a 10 dias. Para muitos, esse tempo de descanso pode ser difícil de aceitar, mas para mim, que sempre valorizei a importância de cuidar do corpo, foi uma reafirmação de algo que já pratico: descansar é fundamental.

Costumo dizer que o corpo precisa de pausas para se regenerar e voltar ao seu equilíbrio. E com uma fratura, essa necessidade é ainda mais evidente. As costelas são fundamentais para a respiração, e qualquer movimento em excesso pode atrapalhar a cicatrização. Nesse momento, não tem jeito: o repouso é o único caminho para garantir uma recuperação eficaz. Não é uma questão de escolha, mas sim de respeito ao tempo natural de cura.

Esse período de recuperação, no meu caso, não foi marcado por frustração, mas por uma aceitação tranquila de que o descanso é o que permitiria meu retorno pleno às atividades. Afinal, não adianta tentar apressar a cura ou forçar o corpo a seguir em frente quando ele ainda precisa de cuidados. O repouso é uma fase essencial para a regeneração, tanto física quanto mental. E, ao parar para descansar, permitimos que nosso corpo faça seu trabalho de recuperação sem interferências.

Esses dias de repouso também me permitiram refletir sobre como o descanso é muitas vezes visto como um “luxo” ou algo secundário. Mas não deveria ser assim. Precisamos entender que o descanso é parte do processo de sermos mais produtivos, saudáveis e equilibrados. Quando respeitamos nosso corpo, não estamos apenas evitando lesões ou doenças, estamos cuidando da nossa energia para poder dar o nosso melhor em todas as áreas da vida — seja no trabalho, nos estudos ou nas tarefas diárias.

Agora, à medida que volto às atividades, com calma e respeitando o ritmo do meu corpo, reforço algo que sempre digo: descansar é tão importante quanto agir. Essa fratura só me lembrou que cuidar do corpo, escutar seus sinais e respeitar suas necessidades são atitudes essenciais para uma vida organizada, produtiva e, acima de tudo, saudável. E você, tem respeitado o seu tempo de descanso?

Se tem uma coisa que esse período de repouso reafirmou pra mim é que, ao cuidar de nós mesmos, estamos criando as bases para uma vida mais equilibrada e sustentável a longo prazo.

Ayurveda e Primavera

Eu muitas vezes sinto que as estações como são hoje são apenas uma abstração baseada em um modelo europeu que a gente aplica aqui mas não diz muito respeito ao que acontece nas diferentes regiões do Brasil. De qualquer maneira, oficialmente estamos na primavera, e eu faço algumas alterações na minha rotina de saúde para me adequar ao momento que estamos vivendo na natureza.

Como vocês sabem, eu uso o livro *essencial* Culinária Ayurvédica para o seu dia a dia (compre aqui). Ele é maravilhoso e me guia em tudo nesse assunto. Para ser lido e relido o tempo todo. Tem muitas orientações boas.

A primavera tem duas características: fresco e úmido. Aqui em SP, para mim, isso faz sentido, mas é importante que você adapte à sua região.

Refeições boas para todas as estações:

  • Creme de cereais (ex: mingau de aveia)
  • Pudim de chia
  • Kanji – ou “canja”
  • Frittatas
  • Sopas cremosas
  • Salada cozida no vapor
  • Dosa
  • Kichari
  • Arroz basmati
  • Patê de feijão
  • Sopas verdes detox
  • Chá matinal tranquilizante de limão
  • Lassi digestivo
  • Leite de nuts

Caso não conheça alguma dessas receitas, recomendo o livro ou procurar na Internet, que se encontra facilmente.

Especialmente na primavera:

  • Creme de cereais com amaranto ou centeio
  • Pudim de chia com suco de romã
  • Kanji de trigo-serraceno, cevada, centeio ou painço
  • Frittata com couve de bruxelas, aspargos, alcachofra, brócolis, rúcula e espinafre
  • Sopa cremosa com aspargos, aipo, folhas de mostarda, vagem e espinafre
  • Salada cozida no vapor com chicória, rúcula, brócolis, aspargo
  • Dosa de arroz basmati e feijão mungo amarelo
  • Kichari com rúcula, dente de leão, endívia, repolho, couve de bruxelas, brócolis, aspargos, brotos de feijão
  • Patê de feijão – lentilhas vermelhas
  • Sopa verde detox com brócolis, rúcula, repolho, couve de bruxelas, aipo
  • Lassi digestivo com cúrcuma, gengibre e coentro
  • Leite de sementes de cânhamo

Alimentos para priorizar na primavera:

  • Especiarias: gengibre, pimenta do reino, limão siciliano, cúrcuma, anis, mostarda
  • Grãos secos: cevada, centeio, milho, painço, trigo sarraceno
  • Frutas: maçã, pera, frutas vermelhas, cerejas desidratadas, uva passa, ameixa
  • Proteínas magras: feijão, lentilha, clara de ovo, carne branca (para não vegetarianos), grão de bico, tofu
  • Vegetais amargos: rúcula, couve de bruxelas, repolho, brócolis, folhas de dente de leão, aspargos, alcachofra, alho poró, espinafre, couve flor, endívia, rabanete
  • Mel in natura
  • Sucos: cranberry, romã
  • Leites: arroz, cânhamo, soja, sementes de uva, leite de cabra
  • Vinagres: balsâmico, arroz, maçã

Ideias de receitas para procurar:

  • Café da manhã: creme de cereais com frutas vermelhas, muffins com os alimentos recomendados (ex: ameixa), pho (uma sopa vietnamita com vegetais), húmus picante de feijão preto
  • Almoço: sambar (sopa de tomate do sul da Índia) servido com arroz, tacos de tofu com verduras, sopa de feijão branco com aspargos, dal picante
  • Jantar: tofu simples refogado, sopa de cenoura e gengibre com grão de bico torrado, sopa de couve-flor e alho-poró, croquetes de feijão-branco e alcachofra
  • Sobremesa: pudim de arroz doce com castanhas, creme de avelã, molho doce de frutas vermelhas
  • Bebidas: lassi de limão e gengibre, chá de gengibre e cravo da índia, refresco de laranja com gengibre, suco verde de limão, couve e gengibre

Eu absolutamente amo experimentar os sabores e ver o que gosto mais para manter na minha dieta e observar se me sinto melhor (e frequentemente sim). Novamente, recomendo fortemente o livro para quem tiver interesse nesse assunto. (compre aqui)

Produtividade sem culpa: como ser produtivo sem sacrificar sua saúde mental

Aparentemente todo mundo se sente meio culpado quando está descansando sendo que tem outras coisas para fazer. Essa “culpa” tem duas camadas. Uma coisa é quando você realmente deveria estar trabalhando ou fazendo algo e intencionalmente para e fica sem fazer nada. Outra coisa é quando você se organizou para tirar aquele tempo de folga e mesmo assim se sente culpada/o.

O que eu quero dizer é que descansar não é um desperdício de tempo; na verdade, é uma parte essencial da produtividade. Quando permitimos que o corpo e a mente recuperem energia, estamos nos preparando para realizar nossas tarefas com mais foco e eficiência. O descanso nos dá clareza, renovação e, acima de tudo, nos ajuda a evitar o esgotamento. Encarar o descanso como uma ferramenta estratégica, e não como uma pausa improdutiva, é o que nos permite alcançar resultados de forma sustentável e equilibrada.

Essa mentalidade de ter que estar ocupada/o o tempo todo é perigosa e nos leva diretamente ao esgotamento físico e emocional. Viver com a sensação de que cada minuto deve ser preenchido com trabalho cria uma pressão insustentável, fazendo com que a produtividade, ao invés de ser uma ferramenta para melhorar nossa vida, se transforme em uma fonte de estresse constante. Estar sempre ocupado(a) não significa necessariamente estar fazendo progresso — na verdade, essa sobrecarga pode diminuir a qualidade do que fazemos e nos distanciar do que realmente importa. O resultado é o cansaço extremo, a perda de motivação e, eventualmente, o burnout. Precisamos reavaliar essa ideia de que produtividade é sinônimo de estar sempre em movimento e aprender a valorizar os momentos de pausa como parte essencial do nosso equilíbrio e bem-estar.

Produtividade de verdade não é sobre estar sempre fazendo algo, ocupando cada minuto do seu dia com tarefas e compromissos. Ela vai além dessa mentalidade de “fazer por fazer” e se concentra em realizar o que realmente importa, com equilíbrio e clareza. A verdadeira produtividade está em saber priorizar, em identificar as atividades que têm impacto significativo e dedicar energia a elas, sem se perder em tarefas desnecessárias. Trabalhar com equilíbrio significa também respeitar seus limites, incluir pausas e momentos de descanso no planejamento, para que o trabalho flua de forma mais eficiente e sustentável. Quando você age com esse equilíbrio, não só melhora seus resultados, como também preserva sua saúde mental e física, evitando o esgotamento e o estresse.

A organização e os planejamentos são fundamentais para manter o equilíbrio em meio às demandas do dia a dia. Quando você se organiza, define prioridades e planeja suas atividades, cria uma estrutura que facilita o gerenciamento do tempo e da energia de forma eficiente. Isso evita a sensação de estar constantemente apagando incêndios e correndo contra o relógio. Com um bom planejamento, você consegue visualizar o que é mais importante e alocar os recursos necessários para cada tarefa, sem sobrecarregar sua agenda ou negligenciar o autocuidado. A organização permite que você distribua melhor as responsabilidades e, ao mesmo tempo, reserve momentos para descansar, recarregar as energias e manter a saúde mental em dia. Esse equilíbrio entre ação e pausa, entre produtividade e descanso, só é possível quando há um planejamento consciente e bem estruturado, que respeita seus limites e objetivos pessoais.

Aqui estão 3 dicas para aplicar uma produtividade mais compassiva no seu dia a dia:

  1. Priorize o essencial: Defina 1 a 3 tarefas principais por dia. Não tente fazer tudo de uma vez.
  2. Faça pausas conscientes: Inclua momentos de descanso no seu planejamento. O descanso é parte da sua produtividade!
  3. Desconecte-se sem culpa: Ao fim do dia, desconecte-se completamente do trabalho. Recarregar sua energia mental é essencial para o seu bem-estar.

Quando você entende que sua saúde mental é tão importante quanto suas metas, a produtividade deixa de ser uma cobrança e se torna uma aliada do seu bem-estar e realização. 😉

Como eu organizo meus lembretes e registros de medicamentos

A Apple, no sistema iOs, tem um aplicativo chamado “Saúde”. Esse aplicativo é uma ferramenta centralizada para monitoramento de dados relacionados à saúde e bem-estar dos usuários. O app coleta e organiza informações de saúde provenientes de diversas fontes, incluindo outros aplicativos e dispositivos que são compatíveis com o HealthKit da Apple, como smartwatches e monitores de atividades físicas.

Já há alguns anos eu venho tentando manter esse app atualizado pois ele tem sido o melhor recurso para obter históricos rápidos e fazer acompanhamentos de tudo relacionado à saúde. Claro que a desvantagem é que só funciona para dispositivos Apple, mas também dá para exportar os dados se você futuramente mudar de sistema operacional. Isso definitivamente não é um problema.

O fato é que, sinceramente, além de todos os recursos super úteis que ele tem (posso fazer um post só pra isso se você achar interessante), o que mais tem funcionado para mim no momento tem sido o de controle e registro de remédios. Com a idade chegando e algumas doenças crônicas, não tem por que querer manter em mente os lembretes do que precisa tomar e quando. Então o app permite que se faça esse registro, ele te lembra sempre e pede para você registrar que tomou. O app é tão completo que ele pede pra especificar desde a dosagem até o formato e a cor do remédio, o que pode auxiliar demais pessoas mais idosas e que podem ter dificuldade de reconhecer os medicamentos pelo nome. Muito acessível.

Aqui estão mais algumas das funcionalidades principais do aplicativo “Saúde”:

  1. Monitoramento de Atividade Física: Ele rastreia passos, distâncias percorridas, calorias queimadas e muito mais. Se você tiver um Apple Watch, ele também pode rastrear a frequência cardíaca e outros dados biométricos.
  2. Resumo de Saúde: O aplicativo oferece um painel onde você pode visualizar um resumo de sua saúde, incluindo dados sobre sono, exercícios, alimentação, entre outros.
  3. Prontuário Médico: Você pode armazenar informações médicas importantes, como alergias, condições médicas, medicamentos e contatos de emergência. Em caso de necessidade, essas informações podem ser acessadas diretamente pela tela de bloqueio do iPhone.
  4. Rastreamento de Sono: O app permite que você registre e analise seus padrões de sono, especialmente se você usar o Apple Watch durante a noite.
  5. Registro de Sintomas e Ciclo Menstrual: O aplicativo permite registrar sintomas de saúde e monitorar o ciclo menstrual, oferecendo insights e previsões baseadas nesses dados. Uso muito!
  6. Integração com Outros Apps: Muitos aplicativos de saúde e fitness podem compartilhar dados com o app Saúde, proporcionando uma visão mais completa do seu bem-estar.
  7. Dados de Saúde Mental: Com o passar do tempo, a Apple tem integrado mais funcionalidades relacionadas à saúde mental, como o monitoramento de momentos de mindfulness e a rastreabilidade de fatores emocionais.

O app “Saúde” é um hub importante para quem busca acompanhar diversos aspectos de sua saúde de forma integrada e prática. Eu recomendo. E, nessa questão dos medicamentos, acho que é uma dica valiosa, especialmente para quem tem idosos em casa ou têm dificuldade de se lembrar dos medicamentos.

Eu estou procurando uma versão semelhante para o sistema operacional Android e, assim que descobrir, pretendo gravar uma aula para o curso ensinando a fazer. Até lá, você pode usar a agenda do Google normalmente para esses lembretes.

Sobre pausas: quando peguei dengue pela segunda vez

Quando você estiver lendo este post, eu já estarei bem, pois escrevo os posts com antecedência e deixo agendados no blog. Mas meus últimos dias no Brasil foram marcados por um quadro de dengue, um pouco pior que a primeira vez que peguei, o que me deu a oportunidade de fazer uma pausa para cuidar da minha saúde e descansar. O post de hoje é sobre isso.

A dengue é algo que pode afetar qualquer pessoa, não importa a idade ou a condição física. Você pega dengue através da picada de um mosquito infectado, geralmente o Aedes aegypti. Esse mosquito adora água parada, então é importante sempre eliminar qualquer acúmulo de água em casa e no quintal. Todo mundo está suscetível, especialmente em áreas onde a dengue é comum, por isso é bom tomar cuidados extras, como usar repelente e instalar telas nas janelas. Ficar atento e prevenir é a melhor forma de se proteger dessa doença chata. Eu moro em apartamento, então não sei se onde pode ter vindo, mas fatalmente foi aqui pela minha vizinhança.

Eu sempre falo sobre a importância de colocar limites e fazer pausas, mas é incrível como a gente consegue ser mais assertivo nisso quando está doente. Quando estamos no pique do dia a dia, é fácil esquecer de parar e cuidar de nós mesmos, mas basta uma doença como a dengue para nos lembrar de que a saúde deve vir em primeiro lugar. Estar doente nos força a desacelerar, a ouvir nosso corpo e a entender que, sem saúde, nada mais importa. É uma lição valiosa sobre a importância de fazer pausas regulares e respeitar nossos próprios limites, antes que nosso corpo nos obrigue a isso.

Hoje, então, eu gostaria de falar sobre como foi importante avisar todo mundo que eu estava indisponível e pronto, não havia o que fazer. Com isso, pude realmente descansar sem culpa. Informar as pessoas sobre a minha situação tirou um peso dos meus ombros e me permitiu focar totalmente na minha recuperação. Às vezes, a gente precisa aceitar que não dá para estar em todos os lugares ao mesmo tempo e que tudo bem pedir um tempo para cuidar de si mesmo. Essa pausa forçada me ensinou que avisar os outros e me desligar por um tempo é essencial para uma verdadeira recuperação.

Como fazer isso? É mais simples do que parece. Primeiro, avise as pessoas próximas e importantes no seu trabalho ou na sua vida pessoal sobre a sua situação e que você precisará de um tempo para se recuperar. Seja honesto e direto sobre a necessidade de descanso e a impossibilidade de estar disponível. Depois, desative notificações, configure uma resposta automática no e-mail e, se possível, delegue tarefas. Reserve esse tempo para realmente descansar e cuidar de você, sem sentir culpa. Lembre-se de que sua saúde vem em primeiro lugar e que, ao se cuidar, você estará mais forte e pronto para enfrentar os desafios depois.

Depois, quando se sentir melhor para voltar aos poucos, revise seus projetos e pendências, e vá retomando os contatos com novas previsões de prazos. Uma coisa é fato: você não vai conseguir e nem deve obedecer à agenda que é melhor para os outros. Você está se recuperando, e não dá para forçar. Vá no seu ritmo, priorizando sua saúde e bem-estar. As pessoas precisam entender que, para dar o seu melhor, você precisa estar bem. Ajuste os prazos conforme necessário e lembre-se de que sua recuperação é o mais importante agora.

3 hábitos do Ayurveda que são essenciais na minha saúde

Esses são alguns aprendizados retirados do livro “Mude seus horários, mude sua vida” (Ed. Sextante). É um dos livros básicos que recomendo para esse trabalho que fazemos aqui com relação à organização da vida e construção de uma rotina tranquila.

O foco é colocar o seu corpo em um ciclo diário que leve em conta as suas necessidades de saúde, mas também seus relacionamentos e o ritmo de trabalho. Normalmente, coordenamos nossos horários pensando primeiro no trabalho, depois nos relacionamentos, e só por último em nosso próprio cuidado. A proposta aqui é inversa. Não se trata de “egoísmo”, mas de colocar o oxigênio primeiro em você para depois conseguir ajudar melhor as outras pessoas ao seu redor e fazer seu trabalho direito.

Hábito 1: me observar diariamente

No Ayurveda, não se trata de definir práticas e simplesmente ir fazendo. O grande lance do Ayurveda é a personalização diária, que depende da sua habilidade de prestar atenção diariamente ao que você precisa. Depois que você desenvolve esse hábito, toda a sua experiência de vida muda, porque você adapta alimentação, sono, descanso, exercícios, tudo, a como você se sente. É um hábito compassivo para com a sua saúde, em vez de trazer regras prontas. Se eu acordo me sentindo letárgica, isso vai orientar o exercício que vou fazer de manhã. Se estou com cólica, isso vai orientar como eu vou passar o restante do dia, me cuidando e mais quietinha, porque é normal.

Hábito 2: o sono é TUDO

Todas as noites, inclusive aos finais de semana, eu busco regularizar meu horário de ir dormir e de acordar. Não há qualquer problema em sair da rotina de vez em quando, mas você precisa ter uma rotina para poder sair dela, certo? Dormir cedo é importante para mim, para eu acordar bem. Mas, mais do que isso, é a quantidade de horas de sono, que varia enormemente se estamos no inverno ou no calor. Se o sono desanda, todo o resto desanda também. Por isso, meu sono é absolutamente sagrado e o ponto de maior foco a qualquer momento da minha vida. Esse hábito é um hábito que aprendi com o Ayurveda e que se tornou inegociável para mim.

Hábito 3: almoço como a refeição principal do dia

No Ayurveda, a orientação é a de que o corpo está no seu auge (durante o dia) em termos de metabolismo no horário em que o sol também está no seu auge, que é nesse horário do almoço, entre 11h e 14h. Portanto, fazer a principal refeição do dia nesse horário faz muito sentido, justamente porque você ainda tem toda a parte da tarde para fazer a digestão e por aí vai. Bem. O grande lance aqui, sinceramente, é garantir que você está se alimentando direitinho pelo menos uma vez ao dia, com os nutrientes que precisa, e tentar, sempre que possível, fazer refeições mais leves de noite. Eu costumava antes ter o jantar como a principal refeição do dia. Essa inversão tem feito muita diferença para mim e de fato me sinto melhor. Quando meu almoço não é tão bom, eu sinto bastante essa mudança no meu corpo.

Ter uma rotina é importante para algumas pessoas, especialmente no que diz respeito a esses horários, com relação ao ritmo do corpo. Se eu não tiver uma rotina, isso não me faz bem. Por eu me conhecer, faço o que é melhor para a minha saúde. O importante é cada um se conhecer.

Se quiser iniciar essa auto-observação, recomendo a leitura do Dr. Suhas, citado no início do post, pesquisar sobre cronobiologia, ritmos circadianos, e os livros clássicos do Ayurveda – recomendo em especial os capítulos sobre dinacharya e rotina sazonal do Astanga Hrydayam. Você também pode ler “24/7: Capitalismo e os Fins Tardios do Sono”, de Jonathan Crary, e “Sociedade do Cansaço”, de Byung-Chul Han. E, claro, consultar médicos, fazer seu check-up anual, verificar se as vitaminas estão em dia, a qualidade do sono, a saúde mental, a alimentação, enfim… um trabalho de uma vida, e é. Mas você precisa começar. É uma responsabilidade unicamente sua.

Sobre envelhecer

Se nossa existência tem um crepúsculo, envelhecer é um convite a esse rito de passagem.

Envelhecer em um mundo com tanta violência e doenças é um privilégio. Meu pai morreu cedo, com câncer. Então eu acho muito bonito ver alguém envelhecendo. Significa que aquela pessoa sobreviveu.

É uma jornada adornada não de perdas, mas de preciosas conquistas; cada ruga, uma trilha de risos partilhados, cada olhar, um mar profundo de histórias vividas.

Somos convidadas a dançar com os ciclos da natureza, abraçando a graça do tempo com a dignidade das árvores que, firmes, testemunham as estações passar. O envelhecer torna-se, então, não um caminhar para o ocaso, mas um florescer contínuo, um desabrochar eterno que celebra a plenitude da vida em cada respirar.

Redescobrimos o poder ancestral da conexão com o divino feminino, honrando a Anciã dentro de nós, guardiã da sabedoria e da força que nos guia. Envelhecer é, assim, um ato de poder, uma afirmação de vida que ecoa os segredos do universo, ensinando-nos a acolher cada amanhecer com gratidão e cada anoitecer com a promessa de renovação.

Este post então é um pouco sobre isso, e um pouco sobre como eu vejo o envelhecer “na prática” conciliando duas áreas importantes para mim, que são o Ayurveda e o neo Paganismo.

A Ayurveda e o Ciclo da Vida

A Ayurveda, sistema de saúde holístico que originou na Índia há mais de 5.000 anos, nos ensina que a vida é um ciclo de nascimento, crescimento, declínio e renovação. Envelhecer, neste contexto, é uma fase natural e respeitada do ciclo da vida, que traz consigo sabedoria, maturidade e a oportunidade de refletir sobre nossa jornada.

Segundo a Ayurveda, cada fase da vida é dominada por um dos doshas (Vata, Pitta e Kapha), sendo o Vata o dosha que predomina na velhice. Isso significa que práticas que equilibram Vata, como nutrição adequada, rotinas regulares e meditação, são essenciais para envelhecer com saúde e vitalidade.

Wicca e o Respeito pelas Fases da Lua

Na Wicca, a conexão com os ciclos naturais da Terra e a veneração pela Deusa em suas três faces – Donzela, Mãe e Anciã – nos ensinam a abraçar cada fase da vida como uma manifestação do divino. A Anciã, em particular, é reverenciada por sua sabedoria, conhecimento e magia, nos lembrando que o envelhecimento é um processo sagrado e poderoso.

A prática de alinhar nossas vidas com os ciclos da lua, celebrando a beleza e a sabedoria em todas as fases, pode nos ajudar a aceitar o envelhecimento como parte natural e honrada de nossa existência.

Integrando Ayurveda e Wicca na Nossa Jornada

Como podemos, então, integrar essas práticas ancestrais em nossa jornada de envelhecimento? Aqui vão algumas sugestões:

  • Nutrição e Autocuidado: Adote uma dieta que equilibre Vata, rica em alimentos quentes, hidratantes e nutritivos. Pratique yoga e meditação para manter o corpo e a mente ágeis.
  • Rituais e Celebrações: Crie rituais que celebrem as fases da sua vida, honrando as lições aprendidas e a sabedoria adquirida. Celebre os Sabbats e Esbats, reconhecendo a beleza em cada ciclo da natureza e da vida.
  • Comunidade e Compartilhamento: Cultive uma comunidade de apoio onde o envelhecimento seja visto como uma fase de crescimento e aprendizado. Compartilhe suas histórias e sabedoria com as gerações mais jovens.
  • Aceitação e Gratidão: Pratique a aceitação e a gratidão por cada momento vivido. Reconheça a beleza em todas as fases da vida, incluindo os desafios e as bênçãos do envelhecimento. Registre em um diário.

Envelhecer com graça não é sobre negar o tempo ou lutar contra as marcas que ele deixa, mas sim sobre abraçar a jornada com sabedoria, amor e gratidão. Ayurveda e Wicca, com seus ricos ensinamentos sobre a natureza e o ciclo da vida, oferecem caminhos profundos para uma velhice vivida plenamente e em harmonia.

Que possamos todas encontrar força, sabedoria e beleza em nossa jornada de envelhecimento, celebrando cada fase como um presente precioso da vida.

Com carinho e respeito pelas nossas jornadas

Ayurveda e alimentação para o meu equilíbrio feminino

Vamos falar um pouco sobre Ayurveda? O Ayurveda, um sistema de saúde holístico originário da Índia, oferece uma perspectiva rica e profunda sobre o bem-estar, enfatizando a importância da nutrição consciente para harmonizar corpo e mente, especialmente para nós mulheres, em todas as fases da nossa vida. Como esta semana estamos falando sobre saúde específica da mulher nos diferentes canais do Vida Organizada, achei que este tema seria bem importante para o blog hoje.

Doshas

Doshas representam desequilíbrios. Todos os corpos são compostos por muitos elementos e, esses elementos, quando combinados com a nossa rotina, com a o clima, com a fase do dia e da vida, sofrem tais desequilíbrios. Por isso a observação diária é tão importante, porque só assim a gente vai conseguir compreender o que precisa fazer para atender as necessidades do nosso corpo.

Conhecendo as características dos doshas, você pode tentar fazer uma avaliação do desequilíbrio que seu corpo pode estar sofrendo mais e buscar soluções para ele. Na dúvida, vale a pena consultar um terapeuta ayurvédico.

Vata (espaço e ar) é o dosha mais instável, por assim dizer, ou mais volátil. De modo geral, é o primeiro desequilíbrio que surge com qualquer mudança na rotina e, portanto, o que deve ser primeiramente tratado, digamos assim. Se estiver em desequilíbrio, prefira alimentos quentes, úmidos e nutritivos. Grãos cozidos, sopas e chás quentes são ideais.

Os outros dois desequilíbrios são Pitta (fogo e água) e Kapha (água e terra). Para Pitta, opte por alimentos frescos, moderadamente pesados e menos picantes. Frutas, vegetais e grãos como trigo e arroz são recomendados. Para Kapha, prefira alimentos leves, secos e quentes ajudam a equilibrar Kapha. Pense em vegetais assados, legumes e especiarias estimulantes.

Esse assunto é muito complexo e tem n variáveis. Não é meu objetivo esgotar este assunto aqui e recomendo fortemente um estudo mais aprofundado para quem quiser saber mais. Acima estão apenas sugestões gerais.

Integrando o Ayurveda no cotidiano

Integrar os princípios do Ayurveda no cotidiano não requer mudanças drásticas, mas ajustes conscientes que podem promover um equilíbrio duradouro entre corpo e mente. Aqui estão algumas formas detalhadas de como incorporar esses princípios através de bebidas matinais, uso de especiarias e atenção plena ao corpo.

Bebidas Matinais

O ritual da manhã no Ayurveda serve como um momento de purificação e preparação para o dia que se inicia. A escolha da bebida pode ser ajustada conforme o seu dosha dominante:

  • Para Vata: Prefira bebidas que aqueçam e hidratem, como chá de gengibre ou água morna com um toque de mel. Isso ajuda a acalmar o sistema nervoso e promove a hidratação, vital para equilibrar o seco dosha Vata.
  • Para Pitta: Bebidas frescas ou à temperatura ambiente são ideais. Experimente água com algumas folhas de hortelã ou um chá de erva-doce para refrescar e acalmar o Pitta, evitando agravar o calor interno.
  • Para Kapha: Estimule seu metabolismo com uma bebida quente e picante, como chá de gengibre com limão ou uma pitada de caiena. Isso ajuda a despertar o corpo lentamente e incentiva a eliminação de toxinas.

Uso de Especiarias

As especiarias são consideradas pequenos tesouros no Ayurveda, cada uma com suas propriedades curativas que podem equilibrar os doshas:

  • Cúrcuma: Um poderoso anti-inflamatório que beneficia todos os doshas. Ela purifica o sangue, ajuda na digestão e tem propriedades antioxidantes. Inclua uma pitada em sopas, arroz ou chás.
  • Gengibre: Um estimulante natural, especialmente bom para Vata e Kapha, que aquece o corpo e ajuda na digestão. Use fresco em chás ou cozidos para adicionar sabor e benefícios à saúde.
  • Cominho: Excelente para todos os doshas, o cominho ajuda na digestão, na absorção de nutrientes e na eliminação de toxinas. Use em legumes refogados, dal (lentilhas) ou como tempero para pratos de grãos.

Observe-se

A consciência corporal é um pilar no Ayurveda. Observar como diferentes alimentos e práticas afetam seu bem-estar é crucial:

  • Registre suas observações: Mantenha um diário alimentar e de bem-estar para notar como você se sente após consumir certos alimentos ou bebidas. Isso pode ajudá-lo a identificar padrões e ajustar sua dieta para melhor atender às suas necessidades.
  • Ajuste conforme necessário: Se você perceber que certos alimentos exacerbam desequilíbrios em seu dosha, faça ajustes. Por exemplo, se alimentos frios e crus deixam você desconfortável, mude para alimentos cozidos e aquecidos.
  • Sintonize-se com as estações: O Ayurveda também enfatiza a importância da sazonalidade na dieta. Coma alimentos que estejam naturalmente disponíveis em cada estação, pois eles fornecerão o equilíbrio necessário para o corpo durante aquele período do ano.

Integrar o Ayurveda na sua rotina diária através destas práticas pode ajudar a promover uma saúde ótima, aumentar a energia e o equilíbrio emocional. Começar o dia com intenção e atenção plena em suas escolhas alimentares e de estilo de vida pode transformar profundamente seu bem-estar.

Receitinhas Básicas

Sopa de Lentilha para Equilibrar Vata: Lentilhas cozidas com cominho, gengibre e cúrcuma podem nutrir e aquecer o corpo, trazendo conforto e estabilidade.

Salada Refrescante para Pitta: Combine folhas verdes, pepino e abacate com um molho de iogurte e hortelã para um prato refrescante que acalma Pitta.

Kitchari para Equilibrar Kapha: Um prato leve feito com arroz basmati, lentilhas mungo e uma mistura de especiarias estimulantes para ativar a digestão e equilibrar Kapha.

Adotar a nutrição consciente do Ayurveda tem sido uma jornada incrível de autoconhecimento e bem-estar para mim. Espero que essas dicas e receitas inspirem você a explorar como os princípios do Ayurveda podem apoiar seu bem-estar feminino, nutrindo não apenas o corpo, mas também a alma.

Harmonizando o ciclo mentrual com a minha produtividade

Olá, queridas leitoras do Vida Organizada! Hoje, quero compartilhar com vocês um aspecto da minha vida que tem sido um verdadeiro jogo de equilíbrio e aprendizado: harmonizar meu ciclo menstrual com minha rotina de trabalho. Descobrir como nossa energia flutua durante o mês e ajustar nossas atividades para se alinhar com essas mudanças pode ser transformador, tanto em termos de produtividade quanto de bem-estar.

Este post também é útil para você que não tem útero saber como lidar com as pessoas que têm e que fazem parte da sua vida tanto no trabalho quanto na vida pessoal.

Entendendo o Ciclo Menstrual

Primeiro, é crucial entender que nosso ciclo menstrual não é apenas aqueles dias de menstruação. Ele é composto por diferentes fases, cada uma trazendo suas próprias características energéticas e emocionais. Em resumo, temos a fase folicular (pós-menstruação, onde nossa energia começa a subir), a ovulatória (o pico de energia), a lútea (onde começamos a desacelerar) e, finalmente, a menstrual (onde nossa energia está no ponto mais baixo).

O ciclo menstrual é um processo natural que ocorre no corpo feminino, geralmente a cada 28 dias, embora possa variar entre 21 a 35 dias em adultos e de 21 a 45 dias em adolescentes. O ciclo é dividido em várias fases, cada uma com características e mudanças hormonais específicas. Vamos detalhar cada uma dessas fases ao longo de um ciclo menstrual típico de 28 dias:

Fase 1: Menstruação (Dia 1 a 5)

  • O que acontece: Esta fase começa no primeiro dia do sangramento menstrual, marcando o início do ciclo menstrual. O revestimento espesso do útero (endométrio), que se preparou para uma possível gravidez, é descartado se não houver fecundação.
  • Mudanças no corpo e sintomas: Pode-se experimentar cólicas, inchaço, dores de cabeça e mudanças de humor devido à diminuição dos níveis de estrogênio e progesterona.

Fase 2: Fase Folicular (Dia 1 a 13)

  • O que acontece: Simultaneamente à menstruação, a fase folicular começa no primeiro dia do ciclo e dura até o início da ovulação. Durante esta fase, o hormônio folículo-estimulante (FSH) estimula os ovários a produzirem de 5 a 20 folículos, cada um contendo um óvulo. Um desses folículos se tornará dominante e continuará a maturar. O estrogênio aumenta durante esta fase, promovendo o crescimento do endométrio.
  • Mudanças no corpo e sintomas: A energia começa a subir à medida que os níveis de estrogênio aumentam. Muitas mulheres sentem-se mais energéticas, sociáveis e geralmente têm um aumento na libido.

Fase 3: Ovulação (Dia 14)

  • O que acontece: A ovulação ocorre aproximadamente no meio do ciclo menstrual, quando o aumento do estrogênio estimula a liberação de outro hormônio, o luteinizante (LH), que faz com que o folículo dominante liberte o óvulo maduro. Este é o período em que a mulher está fértil.
  • Mudanças no corpo e sintomas: Algumas mulheres podem sentir uma leve dor ou desconforto no lado do ovário que está liberando o óvulo (conhecido como dor mittelschmerz). A libido pode estar no seu pico devido ao aumento dos níveis de estrogênio.

Fase 4: Fase Lútea (Dia 15 a 28)

  • O que acontece: Após a ovulação, o folículo que liberou o óvulo se transforma no corpo lúteo, que secreta estrogênio e progesterona para continuar a preparar o útero para a gravidez. Se o óvulo não for fertilizado, o corpo lúteo degenera, levando a uma queda nos níveis de estrogênio e progesterona, e o ciclo começa novamente com a menstruação.
  • Mudanças no corpo e sintomas: Durante a fase lútea, muitas mulheres experimentam a síndrome pré-menstrual (SPM), que pode incluir sintomas como inchaço, alterações de humor, fadiga, dores de cabeça e sensibilidade nos seios. Estes sintomas são o resultado da queda dos níveis hormonais.

Cada mulher pode experimentar o ciclo menstrual de maneira diferente, com variações na duração das fases e nos sintomas associados. É importante lembrar que flutuações menores são normais, mas mudanças significativas ou sintomas perturbadores devem ser discutidos com um profissional de saúde.

Ajustando a Rotina de Trabalho

Fase Folicular: Após o término da menstruação, sinto minha energia e criatividade aumentarem. É o momento ideal para planejar novos projetos, marcar reuniões importantes e abraçar tarefas que exigem mais energia e foco.

Fase Ovulatória: Neste pico energético, aproveito para executar as tarefas mais desafiadoras. É quando estou mais comunicativa, então também é perfeito para networking, apresentações e workshops.

Fase Lútea: À medida que minha energia começa a declinar, dou prioridade a tarefas mais introspectivas e administrativas. É um bom momento para avaliação de projetos e organização de documentos.

Fase Menstrual: Aqui, procuro desacelerar. Diminuo o ritmo de reuniões e escolho atividades menos exigentes. É um período de introspecção, ideal para revisar o mês e planejar o próximo ciclo.

Dicas Práticas para Harmonizar Seu Ciclo com o Trabalho

  1. Use um aplicativo de acompanhamento do ciclo menstrual para prever as fases e planejar com antecedência. Eu uso o app de saúde da Apple mesmo. Algumas pessoas gostam de fazer uma mandala lunar. Eu não faço, mas fica a ideia para quem quiser procurar mais a respeito.
  2. Comunique-se: Se possível, converse com sua equipe sobre ajustes na sua carga de trabalho conforme suas fases energéticas. Não é frescura. É uma questão física. Precisamos mudar essa visão que as pessoas têm do ciclo menstrual.
  3. Flexibilidade: Se você tem a possibilidade de flexibilizar seus horários ou tarefas, ajuste-os de acordo com suas fases para maximizar sua produtividade e bem-estar.
  4. Autocuidado: Em todas as fases, mas especialmente durante a menstrual, incorpore práticas de autocuidado à sua rotina. Isso pode significar meditação, exercícios leves ou simplesmente tempo para si mesma.
  5. Escute seu corpo: Aprenda a reconhecer os sinais do seu corpo em cada fase do ciclo e ajuste suas atividades conforme necessário.

Compreender e respeitar o ciclo menstrual pode ser uma ferramenta poderosa para mulheres que buscam otimizar sua vida profissional e pessoal. Não é sobre lutar contra nossa natureza, mas sim aprender a fluir com ela. Espero que essas dicas ajudem você a encontrar sua própria harmonia e transformem sua maneira de trabalhar e viver.

E você, já tinha pensado em ajustar sua rotina de trabalho ao seu ciclo menstrual? Compartilhe suas experiências e dicas nos comentários!

Com carinho.

Minha cirurgia na perna (tíbia): nova etapa, aiai

E eu que achei que começaria o ano de 2023 fazendo as últimas cirurgias da minha vida. A gente realmente não tem como saber o que vai acontecer nunca né.

Não sabe o que aconteceu? Clique aqui para ler o post onde explico sobre o acidente que sofri na Alemanha.

Após uma semana de tratamento conservador, para ver como a regeneração do osso evoluía, e após ouvir uma segunda, terceira e quarta opiniões, acabei concordando que a melhor indicação era fazer logo a cirurgia, pois seria um caminho mais seguro (se é que isso é possível) e, já que era pra sentir dor, pelo menos seria resolvendo o problema e partindo para uma fisioterapia. O tratamento conservador poderia doer por mais tempo e ter sequelas. Atenção: este diagnóstico não está sob discussão. Já foi decidido pelos médicos que me acompanham e eu não estou pedindo outras opiniões por aqui, está bem? Infelizmente preciso escrever isso porque venho recebendo opiniões não solicitadas e bem invasivas sobre o que eu deveria ou não deveria fazer e, gente: responsabilidade. Só o médico que acompanha a pessoa sabe. O que ela compartilha é 1% da vida dela. Não faça isso, por favor, com ninguém.

Eu retornei após uma semana do tratamento conservador com gesso, conforme a orientação médica, e no mesmo dia fui internada para fazer a cirurgia no dia seguinte. Não tinha havido evolução e eu estava sentindo até mais dor. Fiquei aliviada por operar.

Quinta: retorno ao médico e internação
Sexta: cirurgia
Sábado: alta e retorno para casa

Eu tomei anestesia geral pois eu tenho reações muito adversas e traumáticas com a raqui. No entanto, a raqui deixa o pós operatório menos dolorido, o que significa que, quando eu acordei da anestesia, a dor estava quase insuportável. Doses cavalares de morfina mal fizeram efeito e o anestesista teve que aplicar um bloqueio venal. Só depois disso a dor melhorou e o efeito começou a passar de noite… e aí eu tive uma noite muito difícil, com dor e sem posição para ficar deitada. Além da dor do osso fraturado, tinha também a dor dos cortes da cirurgia e a dor nos nervos todos que foram “cutucados” durante a operação.

A recuperação me deixou tão imobilizada com a perna que eu não podia nem levantar para ir ao banheiro com cadeira de rodas ou andador (só de pensar eu já queria chorar de dor). Tive que usar comadre. E assim… nessas horas você aprende a ser humilde e a ser profundamente grata a toda essa quantidade de pessoas que está ali trabalhando para você ficar bem.

O foco desta semana é ficar de repouso o máximo possível e retornar na quinta novamente ao médico para ver como estão as coisas e muito provavelmente colocar um outro tipo de tala imobilizadora na perna. Se tudo estiver correndo maravilhosamente bem, é provável que na semana seguinte eu já comece a fazer fisioterapia. Estou focando em um passo de cada vez. Até gravei um vídeo para o YouTube falando um pouco sobre essa nova fase de vídeos.

Eu tomei algumas decisões importantes para a minha recuperação e, aos poucos, vou compartilhando com vocês.

Uma muito importante foi pesquisar sobre como posso ficar mais confortável neste momento, e aí tem uma série de coisas que estou providenciando.

Eu tomei a decisão de comprar alguns acessórios em vez de alugar. Por quê? Porque, pelo orçamento, fica mais barato comprar que alugar pela quantidade de dias que vou usar. E, depois, quando eu não precisar mais, eu pretendo doar para quem precisa. Isso tem mais a ver comigo e vai me deixar segura também no dia a dia para atender as minhas necessidades.

  • Muletas: peguei emprestadas com o meu tio e não me adaptei. O piso da minha casa escorrega e, depois de quase realmente escorregar e cair no primeiro dia em casa com o gesso na perna, eu optei por comprar um andador, que eu usei no hospital lá na Alemanha e me adaptei muito bem.
  • Andador: melhor amigo no momento. Eu comprei um andador simples no Mercado Livre (link) e ele me atende bem.
  • Banco para tomar banho: depois de tomar banho em um banco de plástico que parece que vai escorregar e desestabilizar a qualquer momento, resolvi comprar um banco próprio pra isso, com apoio para as costas e antiderrapante. (link) Ainda não chegou, então depois compartilho com vocês se foi uma boa compra ou não.
  • Cadeira de rodas: estou muito propensa a comprar uma cadeira dobrável e que tenha elevação das pernas para eu poder circular melhor pela casa e poder ir para outros lugares e não ficar tão isolada. Vai chegar esse momento. Estou pesquisando alguns modelos para fazer uma aquisição que me atenda bem.
  • Mesa dobrável: no início do ano, quando fiz outras cirurgias, eu comprei esta mesa (link) para trabalhar estando na cama. Pensa numa mesa versátil. Uso pra tudo – pra trabalhar, tomar café, me alimentar – de maneira mais confortável. Como ela é dobrável, cabe até dentro da minha mochila e eu guardo no final do dia para não ficar bagunça aqui.

Existem mudanças significativas que farei no âmbito doméstico que também ajudarão a ter um pós-operatório mais tranquilo. Agora é trabalhar bastante pra ter dinheiro pra todas essas coisas que são necessárias.

Agora, o tanto que tenho aprendido com essa experiência.

Em primeiro lugar, sobre a realidade de quem tem a mobilidade reduzida, de maneira temporária ou permanente. É realmente outra visão do mundo. Só dá para saber vivenciando essa condição.

Essa experiência também me fez refletir sobre a importância de compartilhar nossas histórias e desafios. Quando somos vulneráveis e abertos, podemos inspirar e ajudar outras pessoas que passam por situações semelhantes. É por isso que estou compartilhando com o máximo de detalhes que me sinto confortável com vocês hoje. Toda ajuda importa. E, muitas vezes, ler relatos nos ajuda a compreender melhor amigos e familiares que estejam passando por essa situação ou pode nos trazer ideias caso sejamos a pessoa que esteja passando por isso.

A cirurgia também me fez perceber a importância de estarmos presentes em cada momento e de respeitarmos nossos próprios limites. A vida é um equilíbrio delicado entre desafios e descanso, trabalho e lazer. Aprendi a ouvir o meu corpo, a descansar quando necessário e a reconhecer a importância de colocar minha saúde e bem-estar em primeiro lugar. Eu já venho fazendo isso nos últimos anos, mas cada vez se intensifica mais essa percepção.

Enquanto me recupero, continuarei trazendo mais conteúdos assim para vocês aqui no Vida Organizada, se vocês acharem que eles têm algum valor. Por isso, é muito importante receber o feedback de vocês aqui nos comentários, para quem quiser compartilhar.

Por fim, quero expressar minha gratidão por todo o apoio e carinho que tenho recebido ao longo desse período desafiador. A comunidade do Vida Organizada é verdadeiramente especial e vocês têm sido uma fonte de inspiração para mim. Juntos, podemos construir uma vida mais organizada, produtiva e compassiva. Não consigo responder todo mundo, infelizmente, pois são muitas mensagens e eu não tenho ficado tanto tempo lendo no celular. Mas agradeço a cada um de vocês por estar aqui, por ler minhas palavras e por ser parte dessa jornada. Espero que minha experiência possa servir como uma fonte de inspiração e encorajamento para vocês.

Com carinho,

Thais

PS: O Stanley está me ajudando bastante com apoio moral.

Como se manter saudável durante o inverno – dicas de autocuidado

Com a chegada do clima mais frio e seco, é essencial cuidarmos de nós mesmos de maneira especial, para manter nossa saúde e bem-estar em dia. Neste post, quero compartilhar algumas dicas valiosas para que vocês possam se manter saudáveis e aproveitar o inverno da melhor forma possível.

A primeira dica que quero compartilhar é a BASE: cuidar da alimentação. Durante o inverno, é comum sentirmos mais vontade de consumir alimentos quentes e calóricos. No entanto, busque manter uma alimentação equilibrada e nutritiva, com a inclusão de frutas, legumes, verduras e alimentos ricos em vitaminas e minerais. Além disso, não se esqueça de se manter hidratada/o, mesmo que a sede não seja tão evidente quanto no calor.

Outra coisa importante relacionada ao autocuidado no inverno é manter-se ativa/o. Que seja em casa. É tentador ficar em casa, enrolado/a nas cobertas, mas lembre-se de que a atividade física traz inúmeros benefícios para o corpo e a mente. Procure realizar exercícios que sejam adequados ao seu condicionamento físico e interesses pessoais, sejam caminhadas, alongamentos, ioga ou qualquer outra atividade que lhe traga prazer. Não se esqueça de consultar um profissional da área para orientações específicas.

Além disso, tão importante quanto a saúde física é a saúde emocional. É comum que nos sintamos mais introspectivos e até mesmo melancólicos nessa época. Fique ligada/o. Encontre atividades que lhe tragam alegria e tranquilidade, como ler um livro, meditar, praticar hobbies ou simplesmente passar tempo com pessoas queridas. Procure também estar atento(a) às suas emoções e, se necessário, busque ajuda profissional para lidar com questões emocionais mais complexas.

Eu não posso deixar de falar da pele e dos cabelos. Eu costumo ficar com a pele e o cabelo muito ressecados no inverno. Esse ressecamento se reflete no corpo também, como mãos, pés, cotovelos, enfim. Portanto, invista em uma rotina de cuidados com a pele, utilizando hidratantes e protetor solar mesmo nos dias nublados. Além disso, lembre-se de manter a higiene adequada, lavando as mãos frequentemente e tomando os cuidados necessários para evitar doenças respiratórias, como a gripe.

Por fim, quero destacar a importância de respeitar o seu próprio ritmo e necessidades durante o inverno. Cada pessoa possui uma resposta diferente às mudanças climáticas, portanto, é fundamental ouvir o seu corpo e agir de acordo com as suas necessidades. Se estiver se sentindo cansado(a), permita-se descansar e recarregar as energias. Se estiver se sentindo sobrecarregada/o, busque maneiras de reduzir o estresse e encontrar momentos de relaxamento. Lembre-se de que o autocuidado é um processo contínuo e individual.

Nessa época do ano, é comum que as demandas e as responsabilidades aumentem, seja no trabalho, nos estudos ou nos compromissos pessoais. No entanto, não podemos negligenciar a nossa saúde e bem-estar. Reserve um tempo para si mesmo(a), mesmo que seja apenas alguns minutos por dia, para se reconectar consigo mesmo(a) e cuidar de suas necessidades. Valorize esses momentos de autocuidado, pois eles são essenciais para o equilíbrio e a saúde mental.

Por fim, quero reforçar que o autocuidado no inverno não se trata apenas de seguir uma lista de tarefas ou adotar hábitos específicos. É um convite para nos conectarmos com nós mesmas/os em um nível mais profundo, para nos escutarmos e nos darmos o cuidado e a atenção que merecemos. Cada pessoa tem suas próprias formas de autocuidado, portanto, explore e descubra o que funciona melhor para você.

Neste inverno, lembre-se de priorizar a sua saúde e bem-estar. Crie uma rotina que promova o equilíbrio entre o corpo, a mente e a alma. Seja gentil consigo mesma/o e permita-se desfrutar dos prazeres da estação, encontrando o seu próprio caminho para se manter saudável e feliz.

Espero que essas dicas tenham sido úteis para você. Lembre-se de que o autocuidado é um processo contínuo e individual, então busque as práticas que mais ressoam com você.

Eu planejei várias atividades para fazer no feriado mas eu preferi mudar os planos para descansar e me recuperar em termos de saúde

Na verdade, eu já previa. Quando fiz o planejamento do ano e, especificamente, do primeiro trimestre, pensei sobre o que faríamos no feriado do Carnaval. Bem, eu sabia que teria minha cirurgias em janeiro e, antes do Carnaval, uma viagem a trabalho (a primeira depois da cirurgia, o que seria custoso fisicamente). Por isso, não planejei viajar e sabia que não participaria também do Festival no Templo Budista. Meu planejamento era:

  • aproveitar o clube que somos sócios aqui em SP
  • passear
  • ir ao cinema (Homem Formiga)
  • realizar uma mentoria de Notion para alunos
  • passear nas livrarias
  • ir a 2 shows

A viagem foi há poucos dias e, apesar de eu conseguir ir e ter ficado relativamente bem lá, justamente porque cuidei com disciplina da minha recuperação, o corpo sente. É o deslocamento, o tempo sentada, o nível de interações e atividades. No dia seguinte ao evento, eu me sentia muito cansada, a ponto de não conseguir dormir direito por não conseguir relaxar (você já se sentiu assim)? Mas aí, no outro dia, quando voei de volta para SP, eu tive uma labirintite fortíssima no avião e, ao chegar em casa, percebi que um dos pontos tinha aberto. A abertura foi superficial e meu médico me orientou para os cuidados em casa, mas eu não poderia fazer a minha drenagem (tenho que fazer 3x por semana durante 2 meses como parte da recuperação) e ele marcou um retorno comigo no meio do Carnaval.

Eu levaria o Paul para ver umas bandas covers pela primeira vez. Não vai dar. O cinema vai rolar para ele, mas vai com o pai e o primo. Não posso ir ao clube porque não posso tomar sol nem fazer banho de imersão (piscina). Não vou passear também porque não posso ficar andando (o que força os pontos da barriga e da cintura). A mentoria foi adiada. Não vou mais passear em nenhuma livraria. Nem vou no outro show que queria.

O que vou fazer no feriado então?

  1. Recuperar o meu sono
  2. Descansar sempre que puder
  3. Desfazer minhas malas (sim)
  4. Assistir aulas de cursos online que me façam bem
  5. Reescrever minha introdução da tese (se der)
  6. Tocar (música) sozinha e com o Paul
  7. Montar a nova playlist de 100 mais com o Paul
  8. Assistir algum filme ou série com ele

Mas o grande foco está em descansar, ficar em casa, repousar fisicamente. Todo o resto é resto, para fazer CASO eu queira fazer alguma coisa.

Foi uma boa decisão mudar meus planos para cuidar da minha saúde e do meu bem-estar. Descansar e me recuperar é importante para manter a boa saúde física e mental e, muitas vezes, é necessário ajustar nossos planos para garantir que possamos cuidar de nós mesmas adequadamente.

Como recado final, queria lembrar que cuidar de si mesma deve ser uma prioridade e que, ao fazer escolhas saudáveis, você estará investindo em sua qualidade de vida hoje e a longo prazo. Estou focada então na minha recuperação para me sentir 100% o quanto antes e possa desfrutar de futuros feriados com a energia renovada. <3

Revisando os resultados de ter escolhido SAÚDE como área de foco em 2022

Não tenho tanto assim a escrever, a não ser dizer que:

  • Eu parei de beber em definitivo (nem socialmente) porque percebi que não trazia nada de bom para a minha família, nenhum exemplo positivo para o meu filho, me tirava do meu estado de clareza mental e era apenas uma convenção social que disfarçava questões que eu precisava trabalhar. Hoje, quando saio com pessoas que bebem, eu percebo como usava a bebida como recurso para me soltar mais, ter mais confiança etc. E aí, vem o próximo item, que é:
  • Pegar todas essas questões mal resolvidas para mim e levar para a terapia DE VERDADE. E aí sim a coisa fez total diferença. Todo mundo tem comentado no Instagram que está me achando mais iluminada, mais autoconfiante etc, e tudo isso tem a ver com esse processo de olhar para dentro e compreender as cicatrizes, questões diversas, e trabalhar nelas.
  • Percebi como a minha alimentação ficou bagunçada no último ano e não teve um dia este ano que eu disse “vou chutar o balde”. Fiz escolhas conscientes e, mesmo quando consumia alguma besteira, era sabendo das consequências.
  • Uma coisa que falhou mas que já mudei foi o excesso de delivery. Como as coisas estavam caras no mercado, muitas vezes compensava pedir delivery. A questão é que isso virou hábito e eu basicamente não cozinhei este ano – coisa que adoro fazer não apenas para prestar mais atenção na minha alimentação saudável como para ter esse momento zen no meio do dia. E quero retomar isso daqui em diante. Já até deletei o aplicativo do meu celular.
  • A pandemia me deixou malzona da cabeça e eu voltei a ter crises de ansiedade. Voltei a fazer o tratamento desde então e este ano ainda continuei. Mas me considero melhor. Acredito que, a partir do ano que vem, já role começar a tirar alguns remédios aos poucos.
  • Uma coisa que ficou pendente mas já está em desenvolvimento: minha rotina de atividade física. A academia fica longe, então decidi me mudar (o escritório) para perto dela, para ir todos os dias. A mudança deve acontecer em janeiro e aí terei como retomar.

Eu só quero dizer que fico feliz por ter escolhido saúde como foco este ano porque, se não fosse por isso, sabe-se lá como eu estaria! Tive muitos desafios relacionados e me sinto bem pelas escolhas que fiz e o estilo de vida que estou construindo para mim.

Como a organização se relaciona com a depressão

Eu achei importante escrever este post para contar um pouco da minha história sobre esse assunto e descrever como aprender a ser uma pessoa organizada me ajudou a lidar com a depressão (e ainda ajuda muito).

Vale dizer que não sou médica, então este post é um relato pessoal. Se estiver sentindo sintomas de depressão, procure ajuda.

A depressão é uma doença. Não é simplesmente falta de vontade, desânimo ou sensações do tipo, apesar de essas sensações estarem presentes em um quadro depressivo. A depressão é uma doença como qualquer outra. Quando a gente tem pneumonia, por exemplo, vai receber um tratamento adequado. Não adianta dizer para a pessoa enferma “tenha força de vontade e suba essas escadas!”. Se ela estiver com o pulmão comprometido, não vai ter condições de fazê-lo. Com a depressão, é a mesma coisa. Afeta a mente, mas afeta o corpo também. É uma questão química, junto com a mental. Por isso que o tratamento para a depressão, de modo geral, para casos menos graves, é medicação + terapia. Porque você vai cuidar do corpo e da mente ao mesmo tempo.

Eu tive a minha primeira crise de ansiedade quando era criança, por volta dos 7 ou 8 anos. Eu acordava de noite gritando, sufocando, com a sensação de que estava sendo “amassada” por uma pedra gigante (era como eu conseguia descrever na época, com as referências que eu tinha). Hoje, imagino que tenham a ver com brigas que meus pais tinham na época, e eles acabaram se separando quando eu tinha entre 9 e 10 anos. Na adolescência, esse quadro continuou em ocasiões específicas, gerando desmaios – na escola, pegando metrô, coisas assim. Já adulta, trabalhando e fazendo faculdade, a sobrecarga dessas duas atividades + cansaço do dia a dia, de dormir tarde, acordar cedo, ter que trabalhar e estudar, me levaram a uma labirintite aguda por conta do estresse, e essa ansiedade só aumentou naquele momento.

Foi apenas na vida adulta que eu recebi o diagnóstico de TAG (Transtorno de Ansiedade Generalizada) e de depressão, mas o diagnóstico também se estende a esses quadros da minha infância e da adolescência. Hoje eu sei por que me sentia daquele jeito e consigo me compreender melhor como ser humano.

Ler é um dos meus refúgios

Ter passado por esse episódio mais drástico da labirintite na vida adulta me fez ter um interesse enorme em produtividade e organização pessoal, e foi quando eu criei o blog para compartilhar os meus aprendizados. Eu aprendi que a organização me ajudava a reduzir a ansiedade, pois eu conseguia controlar aquilo que era passível de controle, como prazos no trabalho, vencimento de contas, entre outros. Eu também percebi que ter uma rotina era bom para mim. Toda vez que eu me submetia a condições de vida (principalmente de trabalho) sem essa rotina, eu ficava pior. Por isso, sempre que preciso passar por situações diferentes das habituais hoje em dia (como em uma viagem a trabalho, por exemplo), eu procuro manter a minha rotina o mais próxima possível daquela que tenho em casa – sono, alimentação, atividade física, meditação – porque sei que me faz bem. Não é uma “prisão”. É libertador, na verdade. Porque me sinto bem e sei que, com essa parte, não preciso me “preocupar”.

Não, eu não tenho depressão porque sou uma pessoa organizada. Eu já tinha o diagnóstico antes, vem da infância. Aprender a me organizar me ajudou a lidar com a depressão e com a vida de uma maneira mais leve.

(só para reforçar, porque já ouvi isso. sim, acredite.)

Desenvolver esse conceito de uma produtividade compassiva me ajudou a entender onde em me situo dentro do sistema capitalista totalizante que vai sim precarizar o trabalho e vai sim conduzir empresas e trabalhadores sempre à sobrecarga. Logo, não vou ficar me cobrando soluções que não sistêmicas, mas a produtividade compassiva me ajuda como técnica de sobrevivência. Existo neste mundo, dependo do meu trabalho, trabalho com outras pessoas que também dependem dos seus trabalhos, e convivo com família e amigos no mesmo quadro – logo, esse olhar para dentro permite que eu sobreviva dentro das melhores condições possíveis e impacte os outros ao meu redor positivamente com a minha experiência. Se eu me cuido, sou uma mãe melhor, por exemplo. É isso.

Não sei se é correto dizer que a depressão é quase como uma doença crônica, mas o fato é que ninguém se cura de uma depressão. Ela é um quadro que existe para quem tem, e ponto. Você vai aprender a conviver com ela. Vai ter momentos melhores e momentos piores, em que ela vai te pesar mais. O tratamento, o autoconhecimento, tudo isso vai te ajudar a identificar seus gatilhos, seus momentos, e as providências que precisa tomar quando não estiver tão bem.

Uma pessoa com um quadro debilitante de depressão encontra dificuldade nas pequenas coisas do dia a dia. Levantar da cama é cansativo – você se sente uma toalha molhada, pesada. Não dá vontade de fazer nada. Não tem por que tomar banho, limpar a casa ou fazer qualquer outra atividade que não seja descansar, dormir, olhar para o nada. E tudo é lento, incrivelmente lento. Quando você vê, já é de noite e você precisa enfrentar outra noite com sono difícil (muitas pessoas com depressão têm insônia ou sono “picado”), para chegar ao mesmo ponto de ser difícil de acordar no dia seguinte.

Quando uma pessoa com depressão está assim, qualquer atividade que ela conseguir fazer no dia, por mais trivial que seja, é uma pequena vitória, porque essas atividades todas demandam um esforço tremendo que ela não consegue alocar. Exemplo: separar os documentos para o imposto de renda. Nossa, ela pode ter uma pasta ali com tudo guardado ao longo do ano, mas até pegar essa pasta parece uma colina imensa que ela tem que subir. Agora: imagina se não tiver a pasta? Pior ainda. Por isso que a organização ajuda. Naqueles momentos em que você está bem, você cuida das coisas para facilitar quando não estiver tão bem. E, quando não estiver tão bem, você sabe que precisa descansar, dar-se esse tempo, vai fazer as coisas de maneira mais devagar e por aí vai. Você se compreende. Vê a coisa toda de uma maneira mais pragmática. Consegue, depois de um tempo, separar a depressão de você. Você não é a depressão. Você tem depressão. É uma diferenciação importante.

É muito comum também uma pessoa com depressão se apegar a pequenas coisinhas do dia a dia que trazem pequenos prazeres na rotina, e que são um primeiro degrau para começarem a se sentir melhor. Para mim, por exemplo, são meus livros, desenhar, pintar, compôr músicas, tocar piano, violão etc. Para outras pessoas, é cozinhar. Para outras, é fazer as unhas. Sabe? Cada um com seus pequenos prazeres. Infelizmente, alguns descambam para vícios, então tem que ter cuidado. Mas o fato é que fazer essas pequenas coisas é uma pequena vitória para quem está passando por uma fase difícil da depressão. Então não seja aquela pessoa que fala “aff, você só lê” ou “como uma pessoa depressiva tá com a mão sempre feita” ou ainda “quem tem depressão não vai viajar”, coisas desse tipo. São comentários que denotam ignorância, falta de empatia e um tom de julgamento completamente desnecessários, que não ajudam quem ouve nem quem comenta.

Ter aprendido a me organizar e desenvolver esse conceito que hoje consigo denominar como produtividade compassiva foram essenciais para mim. Eles não substituem (obviamente) o tratamento adequado para a depressão, assim como acontece com qualquer outra doença que depende de tratamento apropriado, mas ajudam, complementam, e muito, no dia a dia. Porque a vida continua acontecendo mesmo quando você não tá muito legal. E a organização das coisas e esse olhar compassivo para dentro, entendendo como está o seu nível de energia e se respeitando, fazendo o possível, foram essenciais para mim – e ainda são – em momentos mais difíceis.

Espero que este relato pessoal tenha sido útil de alguma maneira para ajudar quem tem depressão e também para quem convive com pessoas próximas que tenham.

Ficam ainda algumas recomendações de leituras que me ajudaram e que indico para saber mais:

Obrigada por ler até aqui. <3 Fique bem.

Acordo e não consigo levantar: o que fazer

Recebo algumas vezes essa pergunta e eu fui buscar na minha rotina o que eu costumo fazer quando não acordo muito bem. Esse “não acordar muito bem” pode variar de pessoa para pessoa, mas eu imagino que inclua coisas como: cólica, sinusite, dor de cabeça, preguiça, cansaço, desânimo, depressão, entre outros.

  • Ainda na cama, tomo refúgio (Budismo) e faço uma meditação. Isso me ajuda a pensar na intenção para o dia. Também reflito sobre alguma prática budista que quero focar no dia. Por exemplo: paciência. Se você tiver outra religião, pode rezar, fazer uma oração ou outra prática similar. Se não tiver uma religião, apenas uma meditação respiratória pode ser útil para acordar intencionalmente.
  • Faço um alongamento ainda deitada e vou sentando aos poucos, também me alongando. Isso é especialmente útil quando me sinto mais cansada ou com algum tipo de dor, especialmente nas costas.
  • Exercícios respiratórios são sempre úteis. Já teve post aqui no blog explicando como eu faço. Como tenho sinusite, nos dias frios é comum acordar com dor de cabeça por conta da congestão, então esses exercícios são super importantes e consigo fazer ainda coberta, sentada na cama.
  • Se levantar ainda está difícil, eu leio um pouco na cama ou escrevo no meu caderno. O que eu evito fazer: pegar o celular. Porque senão a vontade de sair da cama vira praticamente nula e o tempo passa sem nem eu perceber.
  • Escovo o meu cabelo ainda na cama e prendo o cabelo.
  • Finalmente levanto e vou ao banheiro fazer a minha higiene pessoal. Lavar o rosto com água fria ajuda a dar aquela acordada.
  • Depois disso, bebo bastante água! Veja que eu vou fazendo coisas para o meu corpo perceber que está acordando.
  • Se eu me sentir bem para isso, faço atividade física em casa mesmo. Yoga ou outra mais intensa. Depende do dia.
  • Arrumo a cama (isso é fundamental).
  • Tomo banho e troco de roupa.
  • Abro a janela do quarto se todos estão acordados. Aqui já me sinto melhor e sigo com o dia.

Para salvar ou pinar:

Ir devagar é sobre isso: respeitar o seu ritmo. E também entender que nem todos os dias serão os seus “melhores dias”. Tem dia mais difícil mesmo que a gente só quer “sobreviver”, sabe? Foque em ficar bem. Começar o dia assim pode ajudar. 😉

Atividade física na pandemia: novo projeto de seis meses (pelo menos)

Um ano sem ir à academia.
Um ano sem correr na rua.
Apesar de praticar yoga diariamente, estava sentindo falta de atividade aeróbica. Meu corpo estava sentindo.

Eu instalei um app (Seven), que é muito legal e útil, mas eu percebi que, se quisesse resultados mesmo, eu precisava me comprometer com alguém.

Então eu pedi indicação de personal trainers que fizessem esse trabalho virtualmente.
Iniciei há pouco tempo mas já tem feito toda a diferença para mim.

Me programei para fazer pelo menos durante seis meses esse projeto para ver os resultados e, dali em diante, definir novas estratégias. Pensar em seis meses me deixa tranquila com o planejamento da rotina e também com o planejamento financeiro atrelado a esse projeto.

Não existe um modelo certo ou errado de se fazer as coisas, mesmo porque cada pessoa está em um momento, tem recursos, condições e circunstâncias. Mas a pergunta que sempre podemos nos fazer é: o que eu posso fazer hoje, com as condições que tenho, para ter uma rotina mais legal dentro de algo que seja importante para mim?

Meu post é para te incentivar a isso. <3
Fique bem.

Muda o sono, muda a rotina – muda a rotina, muda o sono

O que eu sempre compartilho com vocês é sobre a possibilidade de personalizar a rotina diariamente, de acordo com as necessidades pessoais no dia e. de tempos em tempos, de acordo com as circunstâncias (por exemplo: um bebê recém-nascido em casa, uma transição de carreira, ou até mesmo uma mudança de fuso horário).

Nas últimas três semanas, eu venho estado envolvida em vários eventos que aconteceram e que ainda estão em andamento: um seminário acadêmico, o maior evento do setor (Personal Organizer Brasil), onde participei em uma mesa e assisti as palestras, a Semana da Produtividade Compassiva, um curso de uma semana gratuito que ministrei todos os dias ao vivo na semana passada, e esta semana estamos fazendo o onboarding da Turma 5 do curso online do Método Vida Organizada, que sempre demanda muitos esforços em conjunto, dedicação plena aos alunos e uma aula inaugural que acontecerá sábado.

Por mais que eu adore acordar em determinado horário todos os dias (antes do nascer do sol), eu sei que esse horário de acordar faz com que eu fique com sono e cansada mais cedo também. Costumo encerrar meu dia de trabalho por volta das 17h ou 18h, normalmente. O que acontece é que, com essa rotina de cursos e eventos, muitas aulas acontecem no final da tarde ou à noite, então eu senti que precisaria fazer reajustes temporários no meu sono para ficar bem nessas semanas. A palavra-chave da decisão está no temporário. Eu sei que mudar totalmente não me deixa bem. Minha energia muda completamente quando eu durmo e acordo mais tarde. Ok, eu fico descansada, consigo ministrar minhas aulas com qualidade no final da tarde, tudo certo. Mas tem que ser durante um tempo pré-determinado, senão bagunça bastante o meu metabolismo e o corpo começa a dar sinais de que está sentindo a mudança.

Toda decisão que afeta a rotina tem seus prós e seus contras. O grande parâmetro de decisão, ao meu ver, é o propósito. Neste momento, meu propósito era passar essas três semanas bem, atendendo meus alunos bem, sem ter consequências de cansaço e sobrecarga na minha saúde. Por isso, tirei todas as atividades que não precisavam estar neste momento, mudei meu horário um pouco, mas me mantive restrita em todo o resto: alimentação, atividade física, meditação etc. Continuo dormindo boas horas de sono toda noite (entre 7 e 8 horas), mas em horários diferentes (indo dormir entre 23h e meia-noite e acordando 7 ou 8 horas depois).

Dá pra fazer isso, sabendo que é um ajuste temporário, e que depois eu vou voltar para o horário de sono que sei que funciona melhor para mim.

Como você se relaciona com sua rotina e sono? Para você é algo abstrato ainda ou você já consegue fazer esses manejos? Conta aqui nos comentários, se quiser. 😉