Lazer e trabalho: estamos realmente descansando no tempo livre?

O tempo livre deveria ser um espaço de descanso e recuperação, mas, muitas vezes, ele se transforma em mais uma extensão da lógica produtiva. Em vez de um respiro, vira um intervalo cronometrado entre as exigências do dia a dia. Se o lazer está diretamente ligado ao trabalho, será que ele ainda pode ser considerado tempo livre?

Theodor Adorno, em sua crítica à indústria cultural, aponta que o lazer moderno se tornou uma mercadoria, estruturado para manter o trabalhador funcional e não necessariamente para proporcionar descanso real. Estudos da London School of Economics indicam que, ao invés de relaxar, muitas pessoas sentem culpa ao não preencherem seu tempo livre com atividades “úteis”.

Se queremos resgatar o sentido original do descanso, precisamos questionar como estamos usando o nosso tempo livre. Mais do que uma pausa estratégica para continuar produzindo, ele pode ser um momento de desconexão real e de experiências autênticas.

O tempo livre ainda é livre?
De quem?

Adorno argumenta que o lazer não é completamente autônomo, pois está condicionado pelas demandas do trabalho. A lógica da produtividade se infiltra nas atividades de descanso, seja pela busca por hobbies “rentáveis”, seja pela pressão para otimizar até mesmo o lazer.

Um estudo da Harvard Business Review mostrou que a monetização de atividades antes vistas como recreativas aumentou significativamente nos últimos anos. Quando até o descanso se torna produtivo, perdemos a chance de realmente nos desligar das exigências do cotidiano.

A sensação de culpa ao tirar um tempo para não fazer nada é um fenômeno real. Pesquisadores da University of Toronto descobriram que pessoas que se consideram altamente produtivas experimentam ansiedade quando não estão ocupadas.

Isso ocorre porque o modelo de trabalho atual valoriza a ocupação constante. Reaprender a descansar sem culpa é fundamental para reverter esse quadro, resgatando o lazer como um espaço de autonomia e não como um meio de melhorar o desempenho profissional.

Muito do que consumimos no tempo livre não nos relaxa de fato, apenas nos mantém ocupados de uma forma diferente. Adorno alerta que a indústria cultural oferece entretenimento que, ao invés de proporcionar descanso mental, nos mantém em um estado de estímulo constante. E com vontade de consumir.

Pesquisadores da Stanford University indicam que a exposição excessiva a telas e conteúdos rápidos pode aumentar a fadiga mental. Alternativas como atividades físicas, leitura ou simplesmente momentos de ócio podem ser mais eficazes para promover um descanso genuíno.

Ah, o trabalho disfarçado de lazer!

O conceito de “hobbies produtivos” se popularizou como uma maneira de aproveitar melhor o tempo livre, mas até que ponto isso é saudável? Um levantamento da European Journal of Social Psychology mostrou que pessoas que transformam seus hobbies em trabalho secundário tendem a sentir menos prazer na atividade ao longo do tempo.

O lazer não precisa ter um propósito além de proporcionar bem-estar. Se cada momento de descanso é encarado como uma oportunidade de aprendizado ou monetização, ele perde sua função regenerativa.

O tempo livre deveria ser um espaço de escolha genuína, e não um tempo pré-formatado para manter o ciclo produtivo. Adorno sugere que apenas a consciência desse mecanismo nos permite subverter essa lógica e criar espaços reais de autonomia no dia a dia.

Resgatar o verdadeiro descanso passa por identificar hábitos que perpetuam a lógica do trabalho e substituí-los por atividades que realmente tragam prazer e relaxamento, sem a necessidade de justificar sua utilidade.

7 maneiras de aproveitar o tempo livre sem transformá-lo em mais trabalho

  1. Evitar a mentalidade de otimização – O lazer não precisa ser eficiente, produtivo ou gerar retorno. Ele pode ser apenas prazeroso.
  2. Desconectar-se das telas periodicamente – Reduzir o consumo passivo de conteúdos pode melhorar a qualidade do descanso.
  3. Escolher atividades sem objetivo prático – Permitir-se ler, caminhar ou desenhar sem uma finalidade específica resgata o caráter livre do lazer.
  4. Resistir à pressão da monetização dos hobbies – Nem tudo precisa se tornar uma fonte de renda ou um projeto paralelo.
  5. Criar momentos de ócio real – O descanso mental ocorre quando não estamos estimulados o tempo todo, e isso inclui permitir-se ficar sem fazer nada.
  6. Questionar a relação entre tempo livre e culpa – Entender que o descanso não precisa ser “merecido”, mas sim parte essencial da vida.
  7. Redefinir o que significa lazer para você – O descanso verdadeiro é aquele que respeita suas necessidades, e não as expectativas externas.

Se o tempo livre se torna apenas uma extensão do trabalho, ele deixa de ser realmente livre. A reflexão de Adorno nos ajuda a entender como o lazer foi capturado pela lógica da produtividade e o que podemos fazer para recuperar sua função original.

Desacelerar, permitir-se pausas e resgatar momentos de ócio são estratégias essenciais para quem deseja um descanso autêntico. Afinal, o lazer deveria ser um contraponto ao trabalho, e não mais uma tarefa na lista de afazeres.

Referências:
Leituras recomendadas:
  1. Dialética do Esclarecimento – Theodor Adorno e Max Horkheimer
  2. Ócio Criativo – Domenico De Masi
  3. A Sociedade do Cansaço – Byung-Chul Han

Feriado produtivo ou descanso necessário?

Os feriados são momentos aguardados ao longo do ano. Para alguns, são oportunidades de colocar pendências em dia, enquanto para outros, são essenciais para descansar e recuperar a energia. Com a rotina acelerada, muitas vezes surge a dúvida: devemos usar o tempo livre para sermos produtivos ou para simplesmente relaxar?

Estudos recentes mostram que tanto o descanso quanto a produtividade são fundamentais para o bem-estar e o desempenho a longo prazo. Pesquisas da Harvard Business Review indicam que pausas estratégicas aumentam a eficiência no trabalho, enquanto um estudo da American Psychological Association destaca que períodos de descanso melhoram a saúde mental e a tomada de decisões.

O ideal é encontrar um equilíbrio entre os dois. Com um planejamento simples, é possível aproveitar o feriado para renovar as energias e, ao mesmo tempo, dar atenção a tarefas importantes sem sobrecarga. A seguir, discutimos formas de alcançar esse equilíbrio.

Às vezes, a coisa mais importante que você pode fazer é descansar

O descanso não é um luxo, mas uma necessidade. Estudos da National Sleep Foundation demonstram que períodos de pausa adequados melhoram a concentração, reduzem o estresse e aumentam a criatividade. Além disso, a privação de descanso pode resultar em fadiga crônica e baixa produtividade.

Dormir bem, evitar excessos de tela e permitir-se momentos de lazer são formas eficazes de garantir um descanso verdadeiro. A qualidade do descanso influencia diretamente o desempenho futuro, tornando-o essencial para um estilo de vida equilibrado.

Produtividade não precisa ser sinônimo de trabalho excessivo. Muitas vezes, atividades produtivas incluem organizar a casa, atualizar leituras, praticar um hobby ou resolver pequenas pendências que trazem alívio mental. Um estudo da University of California sugere que pequenas ações produtivas aumentam a sensação de controle e satisfação pessoal.

O segredo é estabelecer prioridades realistas. Focar em uma ou duas atividades principais ao invés de tentar resolver tudo ao mesmo tempo evita frustrações e permite um aproveitamento mais eficiente do feriado.

Equilibrar descanso e atividades produtivas pode ser um desafio, mas algumas estratégias ajudam a manter esse balanço. O método time blocking, por exemplo, permite dividir o dia entre momentos de relaxamento e tarefas organizadas, garantindo tempo suficiente para ambos.

Outra abordagem eficaz é identificar períodos do dia em que você se sente mais disposto e reservar esse tempo para atividades produtivas. Já os momentos de menor energia podem ser dedicados ao descanso e ao lazer, tornando a rotina mais natural e funcional.

Fazer planos excessivos durante um feriado pode resultar em exaustão, reduzindo os benefícios do período de folga. Segundo a World Health Organization, o excesso de atividades pode aumentar os níveis de cortisol, dificultando a recuperação física e mental.

Por isso, evitar uma agenda excessivamente cheia e permitir momentos de pausa são atitudes essenciais. Ter tempo para não fazer nada e relaxar sem culpa pode trazer mais benefícios do que preencher cada minuto com compromissos.

Os feriados também são oportunidades para avaliar metas e reorganizar objetivos. Pesquisas da MIT Sloan Management Review apontam que pessoas que revisam seus objetivos regularmente têm maior clareza e disciplina para realizá-los.

Tomar um tempo para revisar planos e redefinir estratégias para os próximos meses pode ser uma forma de aproveitar o feriado sem pressão. Pequenos ajustes podem melhorar a organização da rotina sem comprometer o descanso.

7 maneiras de equilibrar descanso e produtividade no feriado

  1. Definir um propósito para o feriado – Antes do feriado, pense no que realmente deseja: descansar, realizar algo específico ou ambos.
  2. Estabelecer limites para compromissos – Evite sobrecarregar sua agenda e reserve tempo para atividades espontâneas e relaxantes.
  3. Usar técnicas de gerenciamento de tempo – Métodos como time blocking ajudam a equilibrar momentos de produtividade e descanso.
  4. Desconectar-se do digital – Evitar o excesso de redes sociais e e-mails pode proporcionar um descanso mais genuíno.
  5. Realizar pequenas ações produtivas – Organizar um espaço da casa ou concluir uma leitura são tarefas simples que trazem satisfação sem exigir muito esforço.
  6. Priorizar o descanso de qualidade – Dormir bem e incluir momentos de lazer na rotina do feriado são essenciais para a recuperação mental e física.
  7. Refletir sobre metas e objetivos – Usar parte do tempo para revisar planos e ajustar estratégias pode trazer mais clareza para os meses seguintes.

Aproveitar um feriado da melhor forma depende das necessidades individuais de cada pessoa. Para alguns, descanso total é essencial, enquanto outros preferem usar o tempo para resolver pendências. O equilíbrio entre produtividade e lazer é a chave para extrair benefícios reais desse período.

Independentemente da escolha, o importante é não se sentir culpado por descansar ou por querer aproveitar o tempo de forma produtiva. Com planejamento e autoconhecimento, é possível ter um feriado satisfatório e revigorante.

Como eu me organizo quando sai uma nova coleção de Magic (sim, post nerd)

Magic: The Gathering é um jogo de cartas colecionáveis onde você se transforma em um poderoso mago, conhecido como Planeswalker, e usa magia, criaturas e artefatos para derrotar seus oponentes. Cada carta representa um feitiço, um aliado ou uma habilidade especial, e você monta seu baralho (deck) escolhendo estratégias e combinações. O jogo mistura fantasia épica com estratégia e criatividade, e pode ser jogado com amigos ou em competições. Além disso, as cartas são colecionáveis, com ilustrações incríveis e histórias que se conectam a um universo cheio de aventuras e mistérios. Eu jogo e coleciono desde 2004 e é um dos meus hobbies preferidos.

A Wizards Of The Coast, detentora do jogo, lança cerca de seis coleções ao ano, além de pacotes especiais. Eu não compro TODAS as cartas. Costumo comprar as que serão úteis para decks que tenho (para jogar) ou que acho bonitas (para colecionar). Mas existem coleções que eu gosto mais e que busco ter todas em uma pasta expositora. Desse modo, eu costumo comprar as cartas de forma avulsa nas coleções de maneira geral, escolhendo apenas as que eu gosto, mas com as minhas coleções temáticas preferidas (que são meu fraco) eu gosto de comprar caixas seladas, que vêm com materiais personalizados, dados configurados para a coleção, entre outros. E cards repetidos eu costumo trocar ou vender.

Quando sai uma coleção que eu quero colecionar efetivamente, eu vejo quantas cartas ela terá e busco uma forma de armazenamento que comporte todas elas. Acima, você pode ver que a coleção mostrada tem 297 cartas, então eu vou buscar uma pasta em que caibam pelo menos umas 300 cartas. Fora do Brasil eu já encontrei pastas temáticas da coleção mas, quando não consigo, procuro usar uma comum comprada no Brasil com a cor que combina melhor com a coleção. Por exemplo, Innistrad Remasters é uma coleção de vampiros, então usar um fichário vermelho com textura faz sentido para mim.

Esse fichário aí em cima comporta 480 cartas, então é mais do que suficiente para as cartas da coleção em questão.

Vale dizer que eu guardo em pasta o que eu coleciono de coleções inteiras, pois a exposição é mais fácil. O que eu coleciono de cartas avulsas, uso caixas de madeira próprias para isso e separo por cores. O Magic tem 5 cores essencialmente, além de cores misturadas e cards incolores. Dentro de cada caixa, categorizo por tipo de carta: criatura, feitiço, encantamento etc.

Vale a pena falar também sobre a manutenção das cartas. Meu objetivo é “shieldar” (encapar) todas as minhas cartas que não estão em pastas. Eu uso uma cor de shield para cada tipo de raridade da carta (mítica, rara, incomum e comum). Leva tempo porque são muitas cartas e as shields não são tão baratinhas, então estou fazendo aos poucos. As cartas que uso para jogar eu organizo separado (em caixinhas menores para o deck em si) e uso shields de cores específicas ou mais bonitinhas, estampadas.

Quero reforçar aqui que JOGAR Magic não é caro. Você pode jogar no Arena, que é o software e é gratuito. Tem opções de compras dentro do aplicativo mas não são necessárias para jogar. No entanto, quem joga em competição costuma investir, e aqueles que colecionam também compram muitas cartas. Por isso as pessoas acham que Magic é caro. Mas depende de como você vai usar as cartas. Tem uma modalidade de jogo chamada Pauper, que só permite cards baratos e comuns. Enfim, tem para todos. O que tem tornado o Magic meio inacessível no Brasil é, além do preço dos produtos físicos (convertidos do dólar), que a WOTC decidiu, no ano passado, não imprimir mais cartas traduzidas para o português. Para quem não sabe inglês isso é bem chato. No Arena, no entanto, as cartas continuam sendo traduzidas pelo português – só mudou para as impressões mesmo.

E existem cartas caras e cartas baratas. Muitas vezes, um booster (pacotinho com cerca de 15 cards cada) traz uma carta rara ou mítica que “paga” o booster. Ou essa é a forma que os jogadores e colecionadores usam para se enganar haha

Carnaval e organização: dá para conciliar?

O Carnaval é um dos períodos mais esperados do ano. Para muitos, é sinônimo de festa, viagens e descontração. Para outros, representa dias de descanso e a oportunidade de colocar a vida em ordem. Com a rotina pausada em diversos setores, essa pode ser uma excelente chance de equilibrar diversão e planejamento, sem abrir mão de nenhum dos dois.

De acordo com um levantamento da Fundação Getúlio Vargas, períodos de folga bem aproveitados aumentam a produtividade quando se retorna ao trabalho ou estudo. Ou seja, o Carnaval pode ser um momento estratégico para organizar pendências, refletir sobre objetivos e até estruturar planos para o restante do ano, sem deixar de lado os momentos de lazer.

A questão principal é saber como conciliar as duas coisas. A ideia não é trocar a folia pela organização, mas sim integrar ambos de maneira equilibrada. Com um bom planejamento, é possível aproveitar as festividades e ainda otimizar o tempo para tarefas que normalmente ficam em segundo plano.

Você já pensou no Carnaval
como uma pausa estratégica?

Os dias de Carnaval podem ser uma oportunidade para quem sente que a rotina está acelerada demais. Segundo um estudo publicado na Harvard Business Review, pausas planejadas aumentam a clareza mental e ajudam na tomada de decisões. Assim, antes de voltar à correria, esse pode ser um momento para reavaliar prioridades.

Usar parte do feriado para revisar projetos, organizar a agenda e repensar hábitos pode tornar o ano mais produtivo. O descanso também faz parte desse equilíbrio, e pequenas ações organizacionais podem ser feitas sem comprometer o lazer.

Para quem quer curtir a folia, um planejamento prévio pode evitar contratempos. Reservar hospedagem com antecedência, definir roteiros e garantir que todas as obrigações estejam em dia antes da folia evita preocupações desnecessárias e melhora a experiência.

Além disso, organizar documentos, finanças e compromissos antes do feriado permite uma diversão sem preocupações. Dessa forma, o período de festa pode ser desfrutado sem culpa e com maior tranquilidade.

O segredo para conciliar festa e organização está no equilíbrio. Definir horários específicos para pequenas tarefas permite que a folia aconteça sem que o feriado seja desperdiçado. Segundo um estudo da Universidade de Oxford, dividir o tempo entre lazer e organização reduz a sensação de sobrecarga.

Pequenas ações, como responder e-mails, revisar contas ou planejar os próximos meses, podem ser realizadas entre os eventos. Dessa forma, é possível manter o foco no longo prazo sem comprometer o descanso.

Tá perfeitamente ok aproveitar o feriado para organizar a casa e a vida se isso é o que você quer verdadeiramente fazer

Para quem prefere um Carnaval mais tranquilo, essa é uma excelente oportunidade para colocar a casa e a vida em ordem. Organizar armários, digitalizar documentos ou revisar metas são atividades que podem ser feitas de forma leve e sem pressa.

Aproveitar o período para estabelecer novas rotinas e ajustar hábitos pode facilitar a manutenção da organização ao longo do ano. De acordo com um artigo da Stanford Behavior Lab, pequenas mudanças em períodos de folga são mais fáceis de consolidar, pois há menos interferências externas.

Outro ponto importante: o Carnaval acontece no início do ano, sendo um bom momento para refletir sobre metas e revisar objetivos. Muitas vezes, as resoluções de Ano Novo já foram deixadas de lado, e essa pode ser a chance de reavaliá-las e ajustá-las de forma mais realista.

Fazer uma revisão do que foi conquistado até o momento e definir novas estratégias pode evitar a frustração no futuro. Esse tipo de planejamento consciente é um diferencial para quem quer manter a organização ao longo do ano.

7 maneiras de equilibrar Carnaval e organização

  1. Definir prioridades – Antes do feriado, estabeleça quais atividades precisam ser concluídas para evitar preocupações durante a folia.
  2. Criar uma agenda flexível – Reserve momentos para organização sem comprometer os planos de lazer, garantindo equilíbrio.
  3. Manter a rotina financeira em ordem – Controle gastos e planeje despesas do Carnaval para evitar impactos no orçamento após o feriado.
  4. Aproveitar pequenos momentos para ajustes rápidos – Intervalos entre eventos podem ser usados para revisar compromissos e responder e-mails.
  5. Organizar o espaço físico – Aproveite o tempo livre para pequenas arrumações que fazem diferença na rotina diária.
  6. Usar o feriado para revisão de metas – Faça um balanço do ano até o momento e ajuste planos conforme necessário.
  7. Priorizar o descanso – A organização também inclui cuidar da saúde mental e garantir que o Carnaval não termine em exaustão.

Conciliar Carnaval e organização é possível com planejamento e equilíbrio. Aproveitar o feriado para se divertir não impede que pequenas ações organizacionais sejam realizadas, melhorando a produtividade e bem-estar no retorno à rotina.

A chave está em estabelecer prioridades e integrar atividades organizacionais sem comprometer o descanso e o lazer. Dessa forma, o Carnaval pode ser um período de renovação tanto para o corpo quanto para a mente.

Incluir descanso no seu planejamento é um ato de resistência

Descansar é algo tão essencial quanto respirar, mas quantas vezes você se pegou sentindo culpa por tirar um momento para si? Principalmente nós, mulheres, carregamos uma pressão invisível – e muitas vezes insuportável – de sermos sempre produtivas, eficientes, multitarefas. Como se a nossa existência fosse definida pelo que conseguimos fazer para os outros.

Hoje, quero conversar com você sobre a importância de incluir o descanso no planejamento, não como uma pausa entre obrigações, mas como uma prioridade. Descansar não é apenas um ato de autocuidado; é um ato de resistência em uma sociedade que glorifica a exaustão.

A culpa pelo descanso é uma armadilha

A culpa que sentimos ao descansar tem raízes profundas. Historicamente, mulheres foram ensinadas a se dedicar à família, ao trabalho e aos outros, enquanto o autocuidado ficava em último plano. Essa crença está tão enraizada que, mesmo quando sabemos da importância do descanso, ainda sentimos que estamos “perdendo tempo”.

Mas a verdade é que descanso é um tempo bem gasto. Quando você se permite pausar, você renova sua energia, melhora sua clareza mental e reduz o risco de burnout. E mais: você envia uma mensagem poderosa para si mesma de que merece cuidar de você tanto quanto cuida dos outros.

Como incluir o descanso no seu planejamento

  1. Bloqueie tempo para descansar: Assim como você agenda reuniões e compromissos, reserve espaços para descansar. Isso pode incluir um banho relaxante, ler um livro ou simplesmente não fazer nada.
  2. Crie um ritual de descanso: Pequenos hábitos podem ajudar a incorporar pausas na sua rotina. Experimente um alongamento leve pela manhã ou um momento de desconexão digital antes de dormir.
  3. Reflita sobre suas prioridades: Pergunte-se: O que é mais importante? Fazer tudo ou estar bem para aproveitar o que importa? Descansar é um investimento na sua qualidade de vida.

Transforme o descanso em resistência

Incluir o descanso no seu planejamento não é um luxo; é um ato de resistência contra um sistema que valoriza a produtividade acima da humanidade. Ao priorizar o descanso, você desafia a ideia de que seu valor está apenas no que você faz e abraça quem você é.

Lembre-se: descansar não é se render, é se fortalecer. Que tal experimentar essa mudança na próxima vez que planejar sua semana? Seu corpo, sua mente e seu coração agradecem.

Guia completo para você descansar mais todos os dias

Já faz alguns meses que eu vinha trabalhando nesse material mas somente agora eu consegui concluir para compartilhar com você. Trata-se de um Guia em PDF com dicas para você encontrar mais tempo para descansar, mesmo tendo uma vida muito muito agitada e sem tempo.

Para baixar seu Guia em PDF, basta acessar esta página. Espero que goste. Obrigada.

Como eu faço com dinheiro nas viagens internacionais

Uma leitora me pediu para falar sobre isso e acho que vale um post.

A resposta é bem simples na verdade. Após várias tentativas nos últimos anos, eu costumo usar, hoje, um cartão de débito que seja fácil de recarregar via aplicativo e que também permite que eu pague por aproximação e saque dinheiro. Isso resolve a minha vida, pois existem lugares que só aceitam pagamento em dinheiro e esses cartões servem para sacar de qualquer caixa eletrônico normal do país.

Eu conheço e uso dois: Wise e Nomad. Particularmente prefiro o Wise por achar mais prático. A transferência é por pix – você diz quanto quer enviar, ele dá uma chave, você copia, cola no Internet Banking e transfere. Aí basta, dentro do aplicativo, converter para a moeda que deseja usar (euro, dólar, real). O da Nomad é feito por transferência, o que sempre acho um processo mais chatinho, apesar de funcionar também. Dizem que o cartão da Nomad tem ouras vantagens, até para investimentos, mas eu nunca investiguei nem me interessei ainda por esse tema. Uso os cartões exclusivamente para pagamentos no exterior.

Apesar de ambos terem o recurso de pagamento por aproximação, vale a pena ter o cartão físico porque alguns lugares pedem. Além disso, depois de uma quantidade de uso no mesmo dia, por segurança o app pede que seja usado o cartão com chip.

O recebimento da bolsa da faculdade aqui em Varsóvia também foi feito pela conta da Nomad, o que achei bastante prático. Também dá para transferir. Eu precisei pagar por uma consultoria para uma moça em euros e a transferência foi muito tranquila pelo próprio aplicativo.

Se você se inscrever na Wise ou na Nomad pelos meus links, nós dois ganhamos vantagens. Seguem:

Para mim, algo que conta muito é não passar perrengue, pois já passei por situações difíceis em viagens. Então o que eu procuro fazer é ter sempre pelo menos dois cartões de crédito para emergências (um visa e um master, pois tem lugar que só aceita um ou outro). A taxa de pagamentos pelo cartão de crédito é muito maior que a dos cartões de débito, mas eles ainda são necessários para reservas de viagens, hotéis, hospedagens, vôos etc. Vale a pena ter e levar.

Viagens e passeios em casal: como organizar

Quis escrever sobre isso porque é um tema que suscita muitas dúvidas e tenho várias dicas para compartilhar. Organizar viagens e passeios em casal pode parecer complicado, mas com um pouco de planejamento, tudo fica mais fácil e divertido. Desde escolher o destino até arrumar as malas e planejar os roteiros, existem algumas estratégias que podem tornar a experiência mais tranquila e prazerosa. Então, resolvi dividir um pouco do que aprendi para ajudar vocês a aproveitarem ainda mais esses momentos a dois.

Tudo começa pelo propósito. É super importante alinhar as expectativas antes de viajar. Se cada um esperar algo diferente da viagem, isso pode gerar conflitos. Um pode querer descansar e relaxar, enquanto o outro pode estar animado para explorar e fazer várias atividades. Por isso, conversar e chegar a um consenso sobre o que cada um deseja é essencial para garantir que ambos aproveitem ao máximo e fiquem felizes com a experiência.

Uma vez definido o propósito, é hora de planejar os detalhes. Decidir juntos os destinos, fazer uma lista de lugares que ambos querem visitar e atividades que gostariam de fazer. Criar um itinerário balanceado que inclua momentos de descanso e aventura pode fazer toda a diferença. E não se esqueça de ser flexível! Deixar espaço para espontaneidade e ajustes de última hora ajuda a manter a viagem leve e divertida. O importante é que ambos se sintam envolvidos e animados com o que está por vir.

Uma coisa que ajuda muito é buscar atividades e interesses que ambos gostam. No nosso caso, adoramos arte, história, política, música, ciência, livros, desenho, fotografia, moda e comidas típicas. Então, a gente sempre tenta incluir passeios que englobem esses interesses, como visitar museus, galerias, livrarias e locais históricos, além de explorar a gastronomia local. Isso faz com que cada momento da viagem seja interessante e divertido para os dois, criando memórias que realmente significam algo para nós. Encontrar esses pontos em comum torna a experiência ainda mais especial.

Eu costumo criar uma lista no Google Maps e compartilhar com ele para colocarmos os locais que parecem interessantes para visitarmos. Isso facilita muito o planejamento, pois podemos adicionar pontos turísticos, restaurantes, cafés, e qualquer outro lugar que queremos conhecer. Além disso, fica mais fácil visualizar a proximidade entre os locais e organizar o roteiro de forma prática. Adoro essa parte do planejamento, porque já começamos a entrar no clima da viagem juntos, explorando virtualmente tudo o que queremos fazer.

Sobre orçamento, é sempre bom definir um valor que ambos estão confortáveis em gastar. Isso ajuda a evitar surpresas e garante que a viagem seja aproveitada sem estresse financeiro. Nós gostamos de fazer um planejamento prévio, estimando os custos com transporte, hospedagem, alimentação e atividades, mas sem neuras. Funciona mais ou menos assim: “vamos tentar gastar no máximo 100 euros com a diária do hotel?”. Ou: “você paga o almoço, eu pago a janta”. Funciona para nós. Conversem entre vocês! Também é uma boa ideia deixar uma margem para gastos inesperados ou compras impulsivas. Estabelecer um orçamento claro desde o início permite que a gente se divirta sem ficar preocupado com as finanças, aproveitando cada momento da viagem.

Meu namorado gosta de usar o Trello para se organizar, então eu criei um quadro lá para colocar infos da viagem, como o hotel, comprovante de passagens, tickets etc, pois assim mantemos os arquivos organizados. Essa é uma dica que pode ser legal para você que é organizada/o: usar a ferramenta que é comum à outra pessoa. Assim você não tem que ficar “ensinando” caso você use algo mais complexo tipo um Notion ou algo assim.

O restante depende do propósito da viagem. Se a ideia é relaxar, a gente reserva mais tempo para curtir o hotel, fazer passeios tranquilos e aproveitar momentos de descanso. Se é uma viagem mais aventureira, planejamos atividades como trilhas, visitas a museus e eventos culturais. O importante é manter o propósito em mente para que a viagem atenda às expectativas de ambos e seja uma experiência prazerosa. Flexibilidade e comunicação são chave para ajustar os planos conforme necessário e garantir que todos aproveitem ao máximo.

Sobre fotos, eu crio um álbum compartilhado no Dropbox onde colocamos todas as fotos da viagem. É uma maneira prática de organizar e guardar as lembranças, e também facilita o acesso para ambos. Adoro ver as fotos que cada um tirou, pois temos diferentes perspectivas e estilos. Além disso, é ótimo para revisitar os momentos especiais sempre que quisermos e até compartilhar com amigos e familiares. Manter tudo em um só lugar ajuda a preservar as memórias de forma organizada e acessível. Um backup diário durante a viagem pode ser legal, até pra liberar memória, mas dá para fazer semanal ou mensal, se preferir.

Organizando: nova temporada na Europa

Lá vou eu para mais um período na Europa, desta vez para finalizar o meu intercâmbio na Universidade de Varsóvia. Ficarei menos de dois meses lá e sei que serão semanas corridas, mas eu quis compartilhar um pouco aqui sobre a minha organização para essa viagem.

Organizando a mala para a viagem, decidi que vou levar apenas uma mochila nas costas, já que deixei roupas e equipamentos na casa do meu namorado em Berlim. A ideia é levar só o essencial mesmo, apenas o que vou usar antes de chegar em casa. Como vou fazer uma escala em Portugal, vamos aproveitar para descansar no final de semana antes de voltar para a Alemanha. Então, estou focando em itens práticos e versáteis, garantindo que terei tudo o que preciso sem carregar peso desnecessário. Na passagem de volta já comprei duas malas para despachar, pois acredito que tenha bastante coisa para trazer.

A ideia é organizar minhas coisas assim que chegar em Berlim e já voltar para Varsóvia, onde passarei a semana toda trabalhando na minha pesquisa. Isso vai exigir um planejamento semanal muito bem feito, já que estarei me adaptando ao fuso horário novamente e também preciso conciliar com o trabalho no Brasil. Vai ser uma correria, mas com uma boa organização, sei que consigo dar conta de tudo. O segredo vai ser manter uma rotina bem estruturada, priorizar as tarefas e, claro, reservar um tempinho para descansar e me adaptar às novas condições.

Como eu fiquei muito deprimida estando sozinha e longe do meu filho e de todos quando estive em Varsóvia em maio, decidi que aos finais de semana vou viajar para encontrar meu namorado. Isso vai ajudar a diminuir um pouco essa carga e me dar um respiro para manter a saúde mental e aguentar o final desse projeto. Achei que seria um investimento em saúde mental que valeria a pena, porque o importante é eu ficar bem e conseguir finalizar tudo o quanto antes. Passar tempo com ele vai me dar o suporte emocional que preciso para encarar essa reta final com mais tranquilidade.

Também foi importante deixar tudo ok aqui em São Paulo. Conversei com o filhote para garantir que ele está bem, cuidei para que os dogs estejam bem cuidados e alinhei tudo com meu ex-marido. Isso me dá a tranquilidade necessária para viajar e aproveitar essa experiência sem tantas preocupações. Saber que tudo está sob controle aqui em casa me permite focar no intercâmbio e nas minhas pesquisas, aproveitando ao máximo cada momento dessa nova temporada na Europa.

É uma oportunidade privilegiada e importante, e quero aproveitar ao máximo. Ter a chance de finalizar meu intercâmbio na Universidade de Varsóvia é algo que não acontece todo dia, então estou determinada a tirar o melhor proveito dessa experiência. Além de crescer academicamente, é uma chance de viver novas culturas, fazer novos amigos e acumular memórias incríveis. Vou me jogar de cabeça nessa aventura, sabendo que fiz todo o possível para deixar as coisas bem organizadas aqui em São Paulo e poder me concentrar totalmente no que está por vir.

Me desenvolvi enormemente intelectualmente nesses meses em que estive lá, e, mesmo sem perceber, tive um retorno muito positivo da minha professora orientadora aqui no Brasil sobre um artigo que escrevi. Ela fez muitos elogios, o que me fez perceber que estou no caminho certo afinal. Foi uma sensação incrível ver meu esforço sendo reconhecido e saber que todo o trabalho e dedicação estão valendo a pena. Esse tipo de feedback me dá ainda mais motivação para continuar me empenhando e aproveitando essa oportunidade ao máximo.

Dá até vontade de enquadrar esse e-mail haha

Será uma temporada de muito trabalho, mas também cheia de oportunidades. Além de finalizar meu intercâmbio, vou conseguir fazer uma parte da pesquisa de campo para o meu pós-doc, que comentei em outro post. Estou especialmente ansiosa para visitar o campo de concentração de Auschwitz, que é o mais famoso de todos. Essa visita será uma experiência intensa e importante para a minha pesquisa.

Basicamente, minha rotina será bem puxada: durante a semana, vou me dedicar à pesquisa e passar bastante tempo na biblioteca. À noite, vou trabalhar no Vida Organizada, mantendo tudo em dia. E, claro, aos finais de semana, vou tirar um tempo para descansar e recarregar as energias. Essa combinação de trabalho intenso e pausas para relaxar vai ser essencial para manter o equilíbrio e conseguir aproveitar essa temporada ao máximo.

A nível pessoal, estou torcendo para conseguir ajudar meu namorado com a mudança de apartamento dele, além de estar ao lado dele para comemorar seu aniversário. Vai ser ótimo poder dar uma força nessa nova fase e também celebrar uma data tão especial juntos.

Voltando para o Brasil, a rotina vai ser intensa: disciplina no doutorado, entrevistas para a pesquisa de campo e muita escrita para conseguir defender a tese até a metade do ano que vem. Vou precisar de bastante foco para dar conta de tudo, mas estou determinada a alcançar esses objetivos. É um desafio grande, mas com organização e disciplina, sei que vou conseguir. Mas isso é foco para o quarto trimestre do ano. Por hora, é focar no presente e em aproveitar a vida da melhor maneira possível.

Minha mãe e meu ex-marido sempre me perguntam: “Pra que estudar essas coisas?” É difícil explicar para quem não é pesquisador a importância de temas tão dolorosos e complexos, mas quem está mais próximo de mim compreende completamente minhas motivações. E isso inclui vocês. Os comentários no post sobre o pós-doc me mostraram isso. Pra mim, é claro e faz sentido: apesar de ser um tema doloroso, precisamos de pessoas estudando sobre isso. Precisamos entender nossa história para não repetir os mesmos erros e para construir um futuro melhor. E é essa certeza que me motiva a continuar, mesmo quando o caminho é difícil. É um legado para o campo da sociologia do trabalho, em um trabalho de anos.

Organizando artes criativas

Artes criativas são atividades que permitem a gente se expressar e criar coisas novas de maneira pessoal e única. Incluem desenho, pintura, música, escrita, fotografia, artesanato e outras. Essas atividades são sobre colocar nossas ideias e emoções para fora, de forma divertida e relaxante, ajudando a desenvolver habilidades e a nos sentir bem.

As artes criativas e a organização têm tudo a ver, porque ambas envolvem colocar nossas ideias em ordem de uma maneira que faça sentido para nós. Quando desenhamos, pintamos ou fazemos artesanato, estamos dando forma aos nossos pensamentos e emoções, o que também acontece quando organizamos nosso espaço ou nossa agenda. Essas atividades ajudam a liberar a mente, reduzir o estresse e aumentar a produtividade, já que um ambiente e uma mente organizados deixam a criatividade fluir melhor e fazem tudo funcionar mais suavemente no dia a dia.

Nos últimos anos, muita gente tem voltado a usar ferramentas de papel, como planners, bullet journals e cadernos, para se organizar e planejar a vida. Isso acontece porque essas ferramentas permitem uma conexão mais direta e pessoal com nossas tarefas e metas. Escrever à mão e decorar as páginas com desenhos e adesivos não só ajuda a visualizar melhor o que precisamos fazer, mas também torna o processo de organização mais criativo e divertido. Além disso, tirar um tempo para planejar no papel pode ser um momento de relaxamento e reflexão, algo que a tecnologia nem sempre consegue oferecer.

Para mim, usar ferramentas de papel para me organizar sempre foi algo importante e natural, desde que eu era criança. Cresci adorando cadernos, agendas e todo tipo de material de papelaria, e sempre achei que colocar minhas ideias e tarefas no papel me ajudava a clarear a mente e a me sentir mais no controle. Além disso, adoro a parte criativa de decorar e personalizar minhas anotações, o que torna o processo muito mais prazeroso. Essa prática não só me ajuda a me organizar melhor, mas também é uma forma de expressão pessoal que sempre fez parte da minha vida.

Algumas artes que fazem parte da minha vida ainda hoje:

  • Journaling, ou a prática de escrever em um diário, sem dúvida. Não apenas como registro, mas também para planejar a minha vida como um todo. Em vez de ter um planner separado (o que também pode ser legal, dependendo do que você está precisando na fase da vida em que você está), tenho um único caderno para escrever sobre a minha vida. Aprendizados de terceiros entram em outro, que é o chamado commonplace book. Mas essa escrita, a coisa de ter um caderno para fazer colagens, desenhos, caligrafia, organizando informações, tudo isso me atrai muito.
  • Moda. Querendo ou não, a maneira como a gente se veste expressa para o mundo a nossa personalidade. Eu sempre acreditei nisso mas, nos últimos anos, com esse resgate da minha autoestima, se tornou ainda mais importante. Escolher minhas roupas com cuidado e atenção me ajuda a mostrar quem eu realmente sou e a me sentir mais confiante. É incrível como uma peça de roupa pode mudar nosso humor e a forma como nos vemos. Para mim, moda é mais do que seguir tendências; é sobre encontrar o que me faz sentir bem e usar isso como uma forma de expressão.
  • Música sempre foi uma parte fundamental da minha vida. Adoro compor, ouvir e apreciar as artes dos discos, e tocar algum instrumento me transporta para outro mundo. Tem algo mágico em criar uma melodia ou letra, e também em descobrir novas músicas que tocam a alma. Os álbuns de vinil, com suas capas detalhadas e cheias de arte, são como tesouros para mim, e passar um tempo ouvindo e admirando cada um deles é uma das minhas formas favoritas de relaxar. A música é uma maneira incrível de expressar emoções e conectar-se com outras pessoas, e eu não consigo imaginar minha vida sem ela.
  • As artes plásticas sempre tiveram um lugar especial no meu coração. Adoro desenhar, colorir e pintar, porque é uma forma de dar vida às minhas ideias e emoções. Nada me relaxa mais do que sentar com um caderno e alguns lápis de cor, deixando a criatividade fluir. Além de criar, também gosto muito de apreciar outras artes, visitando museus e galerias sempre que posso. Ver o trabalho de outros artistas é inspirador e me dá uma nova perspectiva sobre o mundo. A arte, seja feita por mim ou por outros, é uma maneira incrível de se conectar com nossas emoções e com o que está ao nosso redor.
  • Fotografia é uma das minhas paixões, mesmo de forma informal e amadora. Adoro capturar momentos do meu cotidiano e compartilhar nos stories do Instagram, porque é uma maneira divertida de registrar e dividir pedacinhos do meu dia a dia. Além disso, tiro muitos autorretratos para documentar minha vida e as mudanças ao longo do tempo. E uma das coisas que mais gosto é tirar fotos de shows; a energia e a emoção dos artistas no palco são sempre incríveis de capturar. Para mim, fotografia é uma forma de expressão e uma maneira de guardar lembranças especiais.

Mas como, afinal, organizar essas artes, que são tão associadas ao espontâneo? É uma questão de encontrar um equilíbrio entre a liberdade criativa e um pouco de estrutura. Eu gosto de ter um espaço dedicado para cada tipo de arte, como um canto para desenhar e pintar, e uma área onde guardo meus materiais de fotografia. Também uso um bullet journal diariamente para anotar ideias e planejar projetos criativos. Mesmo sendo atividades espontâneas, um pouco de organização ajuda a manter tudo acessível e a garantir que eu realmente encontre tempo para me dedicar a elas. Assim, posso aproveitar o melhor dos dois mundos: a liberdade de criar e a tranquilidade de saber onde tudo está.

Claro que a inspiração é diária e acontece a todo momento. Gosto de buscar referências no Pinterest, onde sempre encontro ideias incríveis para novos projetos. Filmes, livros e até mesmo a vida cotidiana são fontes constantes de inspiração. Às vezes, uma simples caminhada no parque ou uma conversa com amigos pode acender uma nova ideia. Manter os olhos e a mente abertos para o mundo ao nosso redor é essencial para alimentar a criatividade e manter as artes vivas e vibrantes no meu dia a dia.

Aqui estão 5 ações práticas que você pode fazer já para organizar as artes criativas na sua vida:

  1. Reserve um cantinho da sua casa exclusivamente para suas atividades criativas. Pode ser uma mesa, um estúdio improvisado ou até uma prateleira onde você guarde seus materiais. Ter um espaço dedicado ajuda a manter tudo organizado e sempre à mão.
  2. Anote suas ideias, projetos e prazos em um planner ou bullet journal. Isso não só ajuda a manter suas atividades organizadas, mas também é uma ótima maneira de planejar seu tempo e garantir que você está dedicando momentos regulares à criatividade.
  3. Separe um tempo para organizar seus materiais de arte. Use caixas, gavetas ou prateleiras para guardar tintas, pincéis, lápis, cadernos e outros itens. Etiquetar tudo pode ajudar a encontrar o que você precisa rapidamente.
  4. Incorpore um tempo fixo na sua rotina diária ou semanal para se dedicar às suas artes. Pode ser uma hora pela manhã, um fim de semana por mês ou sempre que sentir inspiração. O importante é criar o hábito de reservar tempo para a criatividade.
  5. Documente suas criações em um portfólio ou diário visual. Isso pode ser um caderno físico onde você cola fotos e anotações, ou um arquivo digital com imagens dos seus trabalhos. Ter um registro das suas obras ajuda a acompanhar seu progresso e a manter a inspiração viva.

Desenvolver arte e projetos criativos é, na verdade, mais uma maneira de vivermos o presente e prestarmos atenção às coisas com uma mente plena. Quando estamos imersos em criar algo, estamos realmente ali, no momento, esquecendo as preocupações e apreciando o processo. Isso nos ajuda a desacelerar e a valorizar os pequenos detalhes que muitas vezes passam despercebidos. Além de tudo, essa prática torna a nossa existência mais feliz e gratificante, pois nos dá a chance de expressar nossas emoções e explorar nossa criatividade.

Magic, the gathering

Bom, chegou a hora de falar sobre isso no blog, haha. E eu fiquei surpresa ao perceber que nunca tinha escrito a respeito.

“Magic, the gathering” é um jogo de cartas + estratégia + rpg que foi criado ali por volta de 1993 mas eu só tive contato pela primeira vez em 2004 ou 2005, através de dois amigos do meu trabalho que jogavam e eu fiquei apaixonada pelas cartinhas. Isso quer dizer que eu tenho esse hobby há 20 anos (..!), e atualmente ele virou meu hobby preferido novamente, então por isso senti vontade de escrever a respeito (já que este mês estamos falando sobre LAZER).

Quando eu conheci Magic, meu interesse era em aprender a jogar, mas a galera que jogava já era muito nerd e conhecedora do jogo, então eu me sentia deslocada. Porém, eu amava as cartinhas. Sempre achei as artes lindas. Assim, acompanhava os eventos, os torneios, mas me atinha a ser uma simples colecionadora. Assim foi durante anos.

Quando o Paul nasceu, eu estava em um movimento de destralhar a casa e todas as coisas que eu não tinha mais como hobby. Vendi meus equipamentos de trilha e camping, por exemplo, entre outros. Mas eu nunca consegui me desfazer da pasta que eu tinha com os meus cards. Ainda bem! Porque, alguns anos depois, essa paixão voltou com tudo e uma das coisas que eu mais gosto de fazer é reorganizar as minhas cartinhas e revisar minha coleção.

A coisa de aprender a jogar mudou quando foi lançada a versão online do jogo, o Magic Arena. Porque lá tem tutoriais e, durante um torneio, você é orientado quanto às regras, o que cada carta faz, o que pode e o que não pode fazer. E isso é MUITO didático, ajuda muito, além de ser divertido. Todos os dias você tem missões, ganha pontos, dinheirinhos, e isso permite comprar as cartas, montar seus decks e tudo o mais. Para mim, tem sido uma diversão diária e gosto demais.

Eu paro para pensar que a gente pode se permitir ter algumas coleções de coisas na vida, mas o que garante que é uma coleção e não um simples acúmulo é a sua capacidade de cuidar da tal coleção. Hoje eu vejo que as minhas coleções são:

  • cards de Magic
  • decks de tarô (temos um padrão aqui haha)
  • livros
  • discos de vinil
  • relógios de pulso
  • ímãs de geladeira com os lugares que eu já visitei

E é isso. Não é tanta coisa assim e essas coleções tornam a minha casa e a convivência nela mais feliz. <3

E sobre aprender a jogar, foi o que falei outro dia neste corte aqui – você não precisa ser bom no seu hobby. O hobby é pra você curtir, se divertir, e isso basta. Eu amo muito Magic. <3 Mais alguém aqui também adora esse “crack de papel”? haha Deixe um comentário.

Planos para a minha biblioteca

Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro

Muitas vezes, quando estou conversando com o meu namorado sobre uma possível futura mudança para a Europa, eu brinco dizendo que a “treta” mesmo vai ser fazer a mudança da “biblioteca dos reis” – levar toda a minha imensa quantidade de livros através do oceano para uma nova casa em outro continente. Para quem não sabe, essa história de “biblioteca dos reis” teve até um livro escrito pela Lilia Schwarcz (antropóloga):

Primeiro de novembro de 1755, dia de Todos os Santos. A população de Lisboa se apronta para viver mais um pacato dia de feriado, sem imaginar o mal que vinha da terra. Em poucas horas, um terremoto devastador, seguido de incêndio e maremoto, destruiria a capital do Império e, junto com ela, sua célebre Real Biblioteca, fruto dos livros reunidos pelos monarcas portugueses por séculos.A narrativa de A longa viagem da biblioteca dos reis começa a partir desse episódio e percorre eventos fundamentais da história brasileira, sempre através dos livros. A antropóloga Lilia Schwarcz acompanha a reconstrução do acervo nas mãos do marquês de Pombal, os tempos incertos de d. Maria I, o angustiante momento da fuga da família real – que atravessava o Atlântico pela primeira vez – e as vicissitudes de sua nova vida nos trópicos, até chegar ao processo de independência brasileiro – quando se pagou, e muito, pela Real Biblioteca.Os livros, porém, permitem mais: são símbolos de poder e de prestígio, carregam dons e possibilitam viajar no tempo e no espaço. Ao evadir-se de Portugal, d. João não esqueceu da biblioteca – que veio em três viagens sucessivas -, assim como d. Pedro I não abriu mão das obras e do lustro que elas garantiam: nada como iniciar uma história autônoma tendo uma Biblioteca Nacional desse porte para assegurar um passado e conferir erudição a um país recém-emancipado.A longa viagem da biblioteca dos reis refaz muitas jornadas e mostra como, por intermédio de bibliotecários mal-humorados, obras selecionadas, ilustrações raras e muitos sistemas de classificação, pode-se contar uma outra história desse mesmo país.

Tá, eu não tenho exatamente essa mesma quantidade de livros e livros tão raros ou de herança como nesse caso. Tudo não passa de uma brincadeira. Mas a brincadeira soa como o famoso “kkcrying”: tô brincando mas, no fundo, é algo a se pensar. Então eu queria compartilhar com vocês quais são os meus planos.

No momento – e, quando digo momento, me refiro a momento de vida – eu estou organizando a minha biblioteca na sala comercial que antes pertencia ao Vida Organizada. Como eu estou fazendo esse movimento de migração para voltar a trabalhar sozinha, alguns itens não precisarão mais estar no escritório, tais como mesas, cadeiras etc. Então a minha ideia é transformar a sala em uma grande biblioteca, onde eu possa trabalhar e estudar também quando estiver no Brasil. Isso tiraria os meus livros de casa (moro de aluguel) e os deixaria em um lugar mais meu, já que a sala é própria (ainda pagando o financiamento, mas própria). Esse processo tem sido demorado porque estou viajando muitas vezes e então estamos levando estantes e livros todos aos poucos (minha família está me ajudando com a mudança). Eu ainda tenho muitos livros na antiga casa (cerca de 300) e mais alguns tantos (uns 200) no meu apartamento. Vou considerar esse projeto concluído quando eu conseguir levar tudo para a sala e, em uma segunda etapa, ter selecionado livros que não me interessam para doar.

O fato é que, diante de uma eventual mudança de continente, obviamente eu não pretendo levar todos os meus livros. Essa será uma outra fase, em que pretendo fazer o seguinte:

  1. Levar alguns poucos livros mais significativos e que não encontrarei por lá.
  2. Transformar a minha biblioteca aqui em uma biblioteca comunitária a serviço dos trabalhadores.

Eu ainda não sei exatamente como seria esse funcionamento – se eu mesma vou administrar essa biblioteca de longe ou se vou doar para alguma instituição já existente (mais provável). Mas minha ideia é definitivamente criar essa biblioteca comunitária, disponibilizando os livros para todo mundo. Outra possibilidade é abrir uma cafeteria com livraria – sonho antigo – aqui ou na Europa. Mas isso é sonho mesmo, que ainda não virou objetivo. O mais provável é que eu parta para a opção solidária de compartilhamento dos livros. É isso. 😉

Até lá, tenho muito ainda a curtir minha biblioteca, o que faço diariamente, onde eu estiver.

Reorganizando a minha rotina de volta ao Brasil

Estou de volta ao Brasil por algumas semanas para passar as férias de julho com o meu filhote. Isso envolve continuar a minha rotina de trabalho, estudo e pesquisa, mesmo à distância, ficar com ele e resolver algumas coisas em casa antes de viajar novamente. Por isso, foi importante reorganizar a minha rotina.

Como estou acostumada ao fuso horário de +5 horas, eu decidi tentar mantê-lo. Como meu filho está acordando tarde, porque está de férias, eu aproveito o período da manhã para trabalhar tudo o que preciso trabalhar no dia e que me demanda mais concentração, como escrever, responder e-mails e outras coisas do tipo. Almoço com ele, passo a tarde e o início da noite com ele, e de noite ele fica com o pai, que tem hábitos mais noturnos. E eu consigo dormir cedo. Basicamente é isso.

Tem sido uma boa rotina e estou conseguindo fazer o que preciso fazer e passando todo o tempo possível com ele. Vale lembrar que, por ele ser adolescente, ele tem suas próprias atividades, como ficar com os amigos, namorar (pois é) e jogar vídeo-game. Mas, sempre que está em casa, o fato de estar junto com ele conversar, fazer comida, comermos juntos, fazermos passeios etc, já faz toda a diferença.

É um período difícil esse das viagens mas logo acaba. Tô bem centrada em acabar logo para voltar e organizar as coisas por aqui depois desse intercâmbio e, apesar de ser difícil para todos, temos esse objetivo claro em mente, de que é algo bom para o nosso futuro como um todo. Focamos nisso.

Como está sendo a minha pesquisa na Polônia

Depois de alguns meses fazendo esse trabalho, acredito que agora eu consiga escrever com uma percepção melhor e atualizar vocês aqui no blog.

Fui convidada pela Universidade de Varsóvia, capital da Polônia, para um intercâmbio de pesquisa. Eu e uma outra pesquisadora da PUC em São Paulo fomos selecionadas por nossos projetos atenderem os requisitos do programa. Todo o processo demandou um investimento enorme de tempo e dinheiro da minha parte, pois a bolsa não cobre todos os custos. Seria um investimento que eu faria profissionalmente.

Os primeiros meses foram dedicados a reuniões com professores e assistir algumas aulas. Agora, que a universidade está em férias, meu trabalho deve se concentrar na pesquisa, usando a enorme base de dados da biblioteca da universidade, para finalizar na sequência com algumas apresentações e voltar para o Brasil.

Eu confesso que não esperava que fosse tão difícil como tem sido. Eu conversei muito com o Paul antes de viajar e, estando longe, nos falamos o tempo todo. Mas não tem sido fácil para mim nem para ninguém. Eu voltei a tomar um medicamento para controle da ansiedade – o que eu já tinha tirado há algum tempo. Esse “jogo” neurológico também custou caro, e eu tive dias em que cheguei a passar mal de verdade, achando que teria que ir para o hospital. A solução que encontrei foi esperar menos da faculdade e ter mais autonomia com a minha pesquisa, e também não ficar tanto tempo sozinha na cidade.

Eu confesso a vocês que eu cheguei a decidir largar o doutorado. Mas quando o meu medicamento estabilizou eu tive condições de refletir melhor e decidi que é importante aproveitar essa oportunidade que eu estou tendo da melhor forma possível e terminar o meu trabalho o quanto antes pra poder voltar logo e de uma vez para o Brasil. Para isso acontecer, vou precisar arquivar ou adiar alguns outros projetos, o que faz parte.

Com meu professor orientador!
A maravilhosa biblioteca da Universidade

São alguns os objetivos desse intercâmbio:

  • Complementar a base teórica da minha pesquisa para o doutorado no que diz respeito a religião, trabalho e sociedade.
  • Conhecer outros professores, pesquisadores e cultura universitária.
  • Esboçar outros artigos e trabalhos científicos que sejam interessantes ao campo.
  • Desenhar uma primeira versão do que seria a minha pesquisa para um pós doutorado (trabalho dentro dos campos de concentração nazistas).

Com esse projeto, o meu doutorado foi estendido por mais seis meses. Eu deveria defender a tese em março de 2025 e, com a entrada do intercâmbio, ela vai ficar para o segundo semestre do ano que vem. No entanto, se eu conseguir concluir antes, tanto melhor.

Pierogi é o prato típico da Polônia

Minha impressão da Polônia em si tem sido boa. Eu fico mais na universidade, o que é uma bolha, em certo sentido, e as pessoas são amistosas e prestativas. Na rua, tem muito turista. Imagino que em outras cidades menores a Polônia deva ser diferente. Por enquanto eu só fiquei na capital mesmo. Pretendo conhecer Cracóvia e Auschwitz, mas como eu não estava muito legal ultimamente, achei que não seria uma visita legal a se fazer agora. Mas pretendo fazer antes de voltar.

A comida polonesa é muito boa e temperada. Tem sido a melhor parte, sinceramente. Felizmente a Polônia não é um país caro para se viver, e eu tenho gasto menos do que gastaria se estivesse no Brasil (mesmo convertendo). A bolsa do projeto basicamente paga a hospedagem, mas todo o resto é por minha conta.

Minha relação com as viagens

Eu tenho uma memória muito vívida da minha infância, de quando eu tinha por volta dos oito ou nove anos de idade.

Estava sentada na escada da minha casa, no quintal, olhando para o céu. Quando meus pais não estavam em casa, eu gostava de colocar um disco na vitrola no último volume e ficar ouvindo no quintal, pensando na vida.

Meus pais tinham um disco de música clássica que eu adorava ouvir. As músicas eram intensas. Eu viajava ouvindo “As quatro estações”. Criava roteiros na minha cabeça, dançava sozinha e imaginava cenários para a vida.

E aí eu me lembro desse dia. Eu estava sentada, olhando para o céu, e pensando em todas as possibilidades que existiam no universo.

Naquele momento, eu não pensava em viajar. Aquilo não fazia parte da minha realidade. Quer dizer, meus pais viajavam para a praia de vez em quando. Mas nunca existiu essa ideia de viajar para outro país. Mesmo outra cidade parecia muito distante.

Alguns anos depois, a minha avó fez uma viagem para a Itália com uma excursão. Era um sonho da vida dela, e ela falou sobre essa viagem pelo resto da vida. Isso me inspirou muito. Tanto que, quando “cresci”, eu comecei a alimentar esse sonho de viver lá. Queria terminar a faculdade e tentar a vida na Europa. Eu achei que isso era um sonho em conjunto, mas não era. Quando essa fria realidade caiu sobre a minha cabeça, eu fiquei muito mal – apesar de não compreender a dimensão disso na época. Foi apenas um plano frustrado que me fez terminar meu relacionamento, e me parecia apenas isso – não deu certo, e pronto.

Depois, eu retomei esse relacionamento, pois amava muito o meu ex-marido. Para mim, o que importava era ficar com ele. Fomos felizes, Tivemos um filho juntos. Mas enterrar os próprios sonhos tem um preço que, muitas vezes, a gente não consegue compreender a não ser quando os anos passam e você percebe que a vida vai acabar e você não fez algo que era tão importante para você.

Antes de o Paul nascer, eu gostava de fazer trilhas e acampar – o chamado hiking. Depois que ele nasceu, não fiz mais isso. Vendi minha barraca e equipamentos.

Meu ex-marido não gostava de viajar. Todo feriado ou férias eu queria viajar, conhecer lugares, descobrir coisas. Então a gente tinha isso, e acabou pesando com o passar dos anos.

Em 2011, comecei a trabalhar em um lugar que demandava viajar muito. Foi quando fiz a minha primeira viagem internacional – para os Estados Unidos, para uma certificação. Aquilo desbloqueou algo em mim: a vontade de viajar novamente. De lá para cá, ouso dizer que essa vontade nunca mais foi embora. Viver na Europa era outro sonho. Tem a ver com segurança, claro, mas também com o estilo de vida que eu queria viver. Mais silêncio, um dia a dia com mais qualidade de vida, arte, história. E veja: eu sempre tentei levar isso para o meu dia a dia, mesmo vivendo em São Paulo. Mas a questão da segurança sempre me pegou muito, especialmente depois que nosso filho nasceu. Nós já passamos pelas seguintes situações nos últimos 14 anos (idade dele):

  • assalto à mão armada com ele no carro
  • invasão da nossa casa
  • um sequestro relâmpago (eu)
  • furto de celular (várias vezes)
  • tiroteio no trânsito

Sabe? Qual o limite disso?

Ler é um dos meus refúgios

Entre 2015 e 2016, com o golpe se articulando no cenário político brasileiro, eu já estava pensando em mudar. Desenhei todo o planejamento estratégico para abrir a franquia do método GTD em Portugal. Fiz reuniões com a matriz, tudo certinho. Estava no processo de abertura da empresa no país quando meu ex-marido foi enfático: não vou sair do Brasil. Eu arquivei meu sonho novamente, mas analisando hoje eu vejo que aquilo foi a última pedra do buraco. Chegamos a conversar sobre separação na época, e acho que nunca mais fomos os mesmos depois disso. Nos separamos alguns anos depois.

No ano passado, eu tive a oportunidade de fazer um intercâmbio pelo doutorado na Europa. Vim para a Alemanha. Aí fui convidada para esse projeto na Universidade de Varsóvia. Fui para a Polônia. Ainda não finalizei o projeto, mas será este ano. Fui convidada para palestrar em dois eventos internacionais – um na Holanda e outro na Dinamarca. Cheguei a ministrar um curso em Portugal. Empresas européias têm entrado em contato interessadas no conceito de Produtividade Compassiva. As coisas foram se desenhando.

Foto: Henrique Pimentel

Quando surgiu a oportunidade do intercâmbio, o que me permitiu fazê-lo foi ter a segurança de que o Paul estava mais velho e independente e em segurança com o pai dele, que sempre teve como prioridade a paternagem. A saudade dói? Dói demais, mas me doeria ainda mais trazer o Paul e afastá-lo do pai, da família, dos amigos. Eu não sou egoísta. Me doei inteiramente para os outros a minha vida inteira. Esperei meu filho crescer para poder fazer algo por mim, e é o que eu estou fazendo.

Tudo isso também é sobre o futuro dele. Proporcionar possibilidades e oportunidades, caso o Paul queira viver o que eu não vivi. E, acima de tudo, segurança. Eu amo o Brasil, de verdade. Tenho uma empresa no país, acredito no trabalho, nas pessoas. No final das contas, minha ideia é mais sobre aquela música dos Titãs – “Lugar nenhum” – e a do Paul McCartney – “Here, There and Everywhere”. Um paradoxo de existência que não tem certo ou errado, melhor ou pior, bônus sem ônus, mas que é simplesmente a vida que estou vivendo hoje. Não “me mudei” para a Europa. Moro no Brasil. Neste exato momento, estou em um projeto profissional fora do país, mas logo volto. Foi a maneira meio-termo que encontrei de conciliar as coisas.

Durante muitos anos, enquanto não pude viajar, eu viajei de outra maneira – com os meus livros. Não é à toa que eu leio tanto. Ler é viajar para outro lugar. E, na impossibilidade de ir fisicamente, fui muitas vezes mensalmente. Talvez seja algo a se considerar, se você se identificou com este post.

Viajar pode ser bem solitário às vezes. É o que mais pega para mim quando estou viajando. Mergulhar no trabalho e conversar com as pessoas que eu amo pelo celular me ajuda a diminuir a saudade e a me sentir mais querida. Todo esse estilo de vida me permitiu valorizar mais também quem realmente gosta de mim e quer me ver bem. A viagem é do lado de fora mas a mudança acontece internamente o tempo todo também. É como se os horizontes se elevassem de tal maneira que você só consegue enxergar o que é verdadeiramente essencial, de maneira mais ampla, como se estivesse indo para o céu realmente. Muitas vezes, vai. 😉

Há alguns meses eu tive a oportunidade de viajar de noite em um trem-leito de Amsterdam até Berlin. Optei por uma cabine exclusivamente feminina, pela segurança. Junto comigo na cabine, mais duas mulheres completamente estranhas, que eu nunca tinha visto na vida, um pouco mais velhas do que eu (talvez com 50 ou 60 anos). Ambas com mochilas nas costas, rugas de sol no rosto, o cabelo bagunçado, tênis e calça jeans. De onde estavam vindo? Para onde iriam? Do que vivem? Como são as suas vidas? Do que abriram mão para estar ali? E o que ganharam com isso? Eu não sei responder. Ainda procuro responder essas mesmas perguntas sobre mim mesma. Mas ali, naquela cabine, no silêncio da noite, eu me senti pertencente a esse seleto grupo de mulheres que têm a liberdade de fazer o que querem, ir onde quiserem, e que tudo tem um preço. Não ignoro o privilégio. Me aproveito dele.

Nós viajamos em silêncio. Trocamos poucas palavras durante todo o trajeto – aquelas suficientes para pedir desculpas, por favor, ajuda com a escada (minha cama era em cima). Um sorriso esboçado no rosto ao entrar ou sair da cabine de vez em quando. Essas coisas. Uma cumplicidade construída unicamente pelas circunstâncias do momento. Não sabíamos quem éramos, nem o nome uma da outra. Apenas estávamos ali, juntas por um breve período de tempo, indo de um lugar ao outro, com sonhos e objetivos particulares, mas que nos uniam sob um único propósito: viajar. E isso me tocou profundamente, para o resto da vida. Como poderia ser diferente?

Como organizar o lazer?

Muitas pessoas acham engraçado ou curioso organizar seus momentos de lazer, como se isso fosse engessar demais a vida, perder a espontaneidade etc.

Acho que vale a pena compreender que lazer é atividade. É diferente de ócio, que é ficar sem fazer nada. E mesmo esses momentos podem ser reservados, de modo que você não fique ocupado/a a maior parte do tempo. Planejar algo não significa engessar a vida, mas ter um mapa, um caminho, que você pode escolher tomar ou não.

Quando falamos de organização, é comum associarmos isso a disciplina rígida, falta de espontaneidade e criatividade. Mas, na verdade, a organização nos dá liberdade para escolher como usar nosso tempo e criar espaço para a espontaneidade.

Como posso ser criativa para escrever sem ter papel e caneta ou um computador à disposição? Uma estrutura mínima é essencial para que minha criatividade possa fluir.

É difícil dormir bem, relaxar, tocar violão ou ler um livro quando estamos preocupados com tarefas que poderíamos ter organizado, como pagar contas, lavar roupas ou preparar reuniões.

A organização existe para ajudar, para simplificar. Organizamos o que pode ser organizado, permitindo que o que não precisa – ou não pode – ser organizado aconteça de forma espontânea.

Não coloco na minha agenda a hora de tocar violão, tomar banho ou fazer sexo, porque são atividades que prefiro deixar para a espontaneidade. Organizo o que precisa ser organizado para permitir que esses momentos aconteçam naturalmente.

Pergunte a si mesmo: “O que preciso fazer para dormir tranquilo hoje?” Muitas vezes, basta fazer uma lista de tarefas para resolver no dia seguinte, evitando que nossa mente fique cheia antes de dormir (e ajudando a relaxar e pegar no sono). Ao fazer essa pergunta, você encontrará as respostas.

O que preciso fazer para, tranquilamente e sem preocupações:

  • Dormir?
  • Relaxar?
  • Assistir a uma série?
  • Tirar uma soneca no sofá?
  • Tocar teclado?
  • Fazer sexo?
  • Rir de uma piada?
  • Conversar com meu parceiro?
  • Desenhar?

Certamente, nenhuma dessas respostas será “colocar na agenda”. Mas, se for, pelo menos você fez isso com uma intenção clara, e não apenas para “controlar”.

Controle o que precisa ser controlado, para deixar livre e espontâneo o que deve ser assim para acontecer naturalmente.

Minha viagem para a Dinamarca

Minha viagem para a Dinamarca começou no dia 12 de junho, pegando o vôo de Berlin para Copenhagen. Chegando lá, eu fiquei hospedada no hotel Best Western Plus, perto do aeroporto, o que foi prático porém um pouco longe do centro. Mas tudo bem, porque dava para chegar facilmente de metrô. Eu fiquei lá porque foi um dos hotéis mais baratos que achei. Tem essa coisa: Copenhagen é uma cidade CARA. A Dinamarca é cara. Eu só descobri isso chegando lá.

Meu motivo para essa viagem foi participar do GTD Summer Camp, um congresso imersivo de GTD em um final de semana no litoral da Dinamarca, organizado pela franquia dinamarquesa do método. Eu fui lá apresentar uma palestra relacionando produtividade compassiva com o GTD, e foi muito legal (o pessoal pelo menos elogiou bastante). Sim, eu pretendo gravar uma aula com essa palestra em português, porque acredito que tenha ficado realmente boa. Em breve! Mas, além do evento, eu aproveitei para conhecer Copenhagen, a biblioteca famosa deles, fazer uma sessão de fotos profissionais para o Vida Organizada e também algumas aulas do evento Alquimia da Rotina, que está acontecendo esta semana, no cenário que eu tinha alugado como quarto do hotel.

O segundo hotel que eu fiquei em Copenhagen para gravar as aulas e fazer as fotos é o Zoku. É uma rede de hotéis muito legal que eu tinha conhecido ano passado quando fui ao treinamento da Holacracia em Amsterdam. Eles também têm essa sede em Copenhagen, com o mesmo padrão. O quarto é bastante funcional, com geladeira, microondas (uma mini cozinha), mas o legal mesmo é que, no mesmo prédio, na cobertura, tem uma área externa com jardim pra trabalhar, um coworking com salas para fazer reuniões, além do bar e restaurante. É um hotel caro, mas valeu cada centavo como investimento pelas coisas que eu fiz na cidade.

Aqui estão algumas dicas e recomendações adicionais e dicas caso você tenha chegado até este post buscando informações sobre viagens para Copenhagen:

  • O aplicativo para a compra de tickets do transporte público se chama DOT. É bem prático comprar através dele.
  • Uma coisa importante sobre o transporte público é que você paga pela pelas zonas (regiões) que vai circular. O aeroporto fica em uma zona fora da região central principal, então fique atenta/o a isso.
  • Eu achei mais fácil circular de metrô que de ônibus. Alguns ônibus mudavam seu trajeto (na mesma linha), o que certamente é uma informação que os locais conhecem bem mas eu, como turista, não sabia. Então preferi me deslocar de metrô sempre que possível.
  • Hospedar-se no centro de Copenhagen é muito mais caro. Recomendo hospedar-se perto de alguma estação de metrô, que te leva rapidinho pra lá e você pode pagar um preço mais em conta.
  • Quando eu digo que a cidade é cara, é bem cara mesmo. Geralmente o dobro do que se paga nas coisas em euro em outras capitais européias, tipo Berlin, Lisboa, Amsterdam. A moeda delas é a coroa dinamarquesa (DKK). Pra vocês terem uma ideia, um prato normalzinho de comida em uma cafeteria + suco saía em média uns 30 ou 40 euros. Em restaurantes mais “bonitinhos”, podia chegar a 60-80 euros. Muito mais caro que em vários outros lugares que eu já fui.
  • Tudo se paga com cartão. Não precisei usar dinheiro vivo nenhuma vez.

Alguns lugares que eu recomendo a visita:

  • Black Diamond – A livraria real da Dinamarca tem esse nome porque ela parece um diamante negro por fora (é um prédio bem moderna) e é absolutamente estonteante por dentro. Vale a visita, e fica perto dos museus, da estátua da pequena sereia e outros pontos turísticos.
  • Paludan Bogcafé – Uma cafeteria que é uma livraria. Absolutamente incrível. Recomendo almoçar lá um dia para conhecer.
  • The Library Bar – Eu não cheguei a conhecer, porque ficava longe para mim, mas eu já vi vídeos e fotos de outras pessoas e basicamente é uma livraria antiga que se transformou em um bar, mantendo as estantes com os livros antigos etc. Parece ser um lugar que vale muito a pena.
  • Stick’n Sushi – Essa é uma rede de restaurantes japoneses que eu já tinha conhecido em Berlin e que traz peixes frescos e um cardápio diferentinho do convencional. É um pouco caro, mas vale a pena jantar lá pelo menos uma vez. Na frente da estação central eles têm uma filial na cobertura que tem vista para os Jardins do Tivoli, o que vale bastante a visita.
  • Crust – Uma adorável surpresa em frente ao hotel Best Western, no bairro do aeroporto. É uma pizzaria tradicional napolitana, muito boa meeesmo, frequentada por italianos, com música ambiente italiana – o pacote completo. Não era tão cara e a comida era realmente boa. Um achado!
  • Faraos Cigarer – Eu não poderia deixar de citar essa rede de lojas focada em games e fantasia que tem em Copenhagen. Eles têm umas 10 lojas na cidade, cada uma focada em uma área específica. Eu fui nessas: a especializada em card games (amo Magic), uma especializada em cosplays (absurdo, dá vontade de levar tudo), uma especializada em mangás (para o Paul), uma especializada em jogos de tabuleiro (essa é um paraíso perdido) e uma especializada em fantasias. A loja mais completa que eu já vi sobre esse tema. Recomendo muitíssimo!

Eu não tive tempo de ir em outros lugares, pois fiquei menos de uma semana e, na maior parte do tempo, dedicada ao evento e ao trabalho. Mas essas são as minhas recomendações. Cheguei a ir ao Museu da Dinamarca, o que é sempre uma experiência interessante, mas fiquei meio na bad porque tinha muita coisa roubada das “colônias” e pouca coisa da Dinamarca em si. Eu esperava ver artefatos vikings e coisas do tipo, e quase não tinha. Foi um pouco decepcionante. Mas a cidade tem outros museus. Eu que não consegui visitar mesmo.

Enfim, a viagem foi bastante positiva para mim, em diferentes aspectos. Mas eu saí de lá bem satisfeita com a experiência e não sei se é um lugar que eu voltaria. Meio que já dei o “check” na minha lista de lugares a conhecer. 😉

O que eu estou fazendo na Polônia – Março 2024

Quis escrever um post sobre isso porque percebi que acabei não falando aqui no blog e só no Instagram e no YouTube, mas não aqui, e acho legal o blog ter esse registro em texto até mesmo para quem não me acompanha nas outras redes.

Eu estou em Varsóvia, na Polônia, para um estágio de pesquisa como parte do meu Doutorado. Estou estudando com um professor daqui que é especialista em religião, imigrantes e minorias. Ele foi escolhido justamente pelo fato de eu trabalhar com o impacto das crenças dos praticantes budistas no trabalho, falando de uma religião que veio de imigrantes, especialmente no contexto do Brasil.

O estágio é de 5 meses mas, por eu ter o Paul, não teria como fazer esses 5 meses de maneira corrida, direto. Então eu propus um cronograma que me permitiu ficar um tempo aqui, voltar ao Brasil, aí retornar etc, e o professor foi super legal e aceitou fazer dessa maneira. Claro que a faculdade daqui vai custear só o básico, e todos esses trajetos a mais serão bancados por mim, mas se eu trabalho para alguma coisa, é para poder ver meu filho, certo? Não é fácil mas foi uma maneira de fazer, e ele está bem. Conversamos muito antes da viagem, quando o projeto ainda estava em planejamento mesmo, e existia a possibilidade de eu ficar 5 meses direto e ele vir comigo, mas sinceramente não achei que isso seria certo com ele. Não sou egoísta. Para ele vir, ele teria que sair da escola, não conseguiria estudar por aqui, e ficaria sozinho na maior parte do tempo, já que passo o dia todo na faculdade. Lá, ele está em casa, com o pai, os cachorros, a família, e seguindo sua rotina normal escolar e com seus amigos por perto. É mais difícil para mim estar longe, mas conversamos todos os dias e, sinceramente, presença é mais do que estar fisicamente juntos. Aliás, nos aproximamos muito com essa experiência. Tem sido uma coisa boa.

Aliás, estar na Europa foi uma coisa boa. Antes de vir para a Polônia, eu fui para Hamburgo, na Alemanha, onde pude trabalhar no Museu do Trabalho fazendo uma visita e documentação técnicas, para a escrita de um artigo (em desenvolvimento), além de ficar um tempão na biblioteca deles fazendo um levantamento dos títulos para ter como referência. A experiência como um todo tem sido fantástica. Eu pretendo falar mais sobre essa visita ao Museu do Trabalho por aqui. É que não deu pra escrever com calma sobre isso mesmo ainda!

O tempo aqui na Polônia é curtinho (duas semanas desta vez) e bastante intenso, porque tenho muito a fazer em pouco tempo. Eu optei por ficar em um Airbnb desta vez e foi a melhor coisa que eu fiz, pois o apartamento me permite ter uma rotina o mais próximo possível do normal, o que significa preparar minha própria comida, essencialmente. Mas, das próximas vezes, é provável que eu fique nos dormitórios da faculdade. Ainda estamos vendo essa parte logística para os próximos meses.

O que eu estou achando da Polônia? Bem, é um país bastante conservador, o mais católico da Europa, então isso diz muito a respeito da cultura deles. Mas eu tenho achado as pessoas muito simpáticas, bondosas e prestativas, e o tempero da comida deles é uma coisa de louco, tudo muito gostoso mesmo! Aqui eles falam polonês e um inglês basicão só nas áreas turísticas, então o negócio é se virar com mímica, falar uma palavra ou outra em polonês (obrigada, por favor, com licença, bom dia) ou usar o app do Google Tradutor e mostrar a tela se for algo mais complexo. Tem funcionado. Sobre as aulas na faculdade, pretendo fazer um post especialmente sobre isso, porque tenho uma boa dica.

E é isso! Espero que tenham gostado dessa atualização e, aos poucos, vou compartilhando mais sobre essas aventuras de uma mãe empresária e pesquisadora pelo mundo, haha. Um beijo.

Minha viagem para a Alemanha como uma jornada de autoconhecimento e transformação pessoal

Minha viagem para a Alemanha começou como um projeto para o Doutorado e acabou se estendendo em uma série de objetivos.

No final das contas, ela acabou sendo uma viagem de enorme transformação individual. Acabou de maneira inesperada e antecipada, mas não deixou de ser impactante para mim mesmo assim.

Repensei o meu trabalho. Repensei a minha casa. Repensei os meus relacionamentos. Repensei a maneira como eu vivo a minha vida como um todo, quais são os meus objetivos e construções de vida que ainda quero fazer.

Durante mais de um mês na Alemanha, tive a chance de me reconectar comigo mesma, de refletir sobre minhas prioridades e reavaliar o que realmente importava para a minha felicidade e bem-estar. Foi um processo de autoconhecimento profundo, onde pude identificar as áreas da minha vida que precisavam de mais atenção e cuidado.

Eu ainda estou me recuperando do acidente que sofri lá mas, mais do que nunca, sinto-me inspirada a compartilhar com vocês as estratégias e técnicas que me ajudaram a transformar minha viagem em uma jornada de crescimento pessoal. Acredito que todas nós podemos encontrar o equilíbrio e a paz interior que tanto buscamos, mesmo em meio às responsabilidades do dia a dia.

Ao explorar as cidades, conversar com pessoas locais e experimentar a culinária e os costumes alemães, percebi que essa viagem era muito mais do que apenas uma mudança de cenário. Era uma oportunidade de me reconectar com minha essência, de resgatar partes de mim que haviam sido deixadas de lado em meio às responsabilidades e demandas do cotidiano.

Cada novo encontro, cada experiência vivida na Alemanha, trouxe consigo uma lição. Aprendi a apreciar cada momento, a valorizar o presente e a cultivar a gratidão por tudo o que a vida me oferece. Compreendi que a transformação pessoal não é um evento pontual, mas um processo contínuo de crescimento e evolução.

Ao retornar para casa, trouxe comigo uma nova perspectiva e um sentimento renovado de propósito. Estou determinada a trazer as lições aprendidas durante essa jornada para o meu dia a dia, para minha vida aqui e agora. Quero viver com mais autenticidade, com mais presença e com um coração aberto para o que o mundo tem a oferecer.

Ao escrever essas palavras, sinto uma gratidão imensa por ter tido a oportunidade de vivenciar essa jornada de autoconhecimento e transformação pessoal. Estou ansiosa para explorar novos caminhos, para me permitir crescer e para compartilhar minha jornada com aqueles que também buscam o despertar de sua essência. Quero compartilhar tudo com vocês, à medida que fizer sentido para mim.

Como organizei a minha viagem para a Alemanha

Viajar é uma experiência única e empolgante, que nos permite explorar novos lugares, culturas e criar memórias inesquecíveis. No entanto, para que a viagem seja realmente proveitosa e tranquila, é fundamental um bom planejamento e organização. Neste post, vou compartilhar com vocês como organizei a minha viagem para a Alemanha, desde o planejamento inicial até as experiências enriquecedoras que tenho vivenciado durante essa jornada.

Motivação para a viagem

A minha motivação para a viagem para a Alemanha foi impulsionada por diversos fatores inspiradores. Primeiramente, estava em busca de aprimorar o meu conhecimento da língua alemã, por meio de um intercâmbio que me permitiria mergulhar na cultura e no idioma local. Além disso, a Alemanha é um país com uma rica história acadêmica, e como pesquisadora, era fundamental ter acesso aos manuscritos originais de renomados intelectuais, como Max Weber e outros, que poderiam enriquecer o meu trabalho de doutorado. A oportunidade de vivenciar uma nova cultura e experimentar o cotidiano em um país europeu também era algo que me instigava, despertando a curiosidade de conhecer diferentes costumes e tradições. Dessa forma, a minha viagem para a Alemanha era uma chance única de expandir horizontes, aprimorar conhecimentos e vivenciar uma experiência enriquecedora em terras europeias.

Planejamento antecipado

Fiquei sabendo da oportunidade da viagem por volta de novembro do ano passado. Desde então, iniciei o planejamento para viajar no final de abril. O planejamento antecipado desempenhou um papel fundamental na organização da minha viagem para a Alemanha. Desde o início, dediquei tempo e esforço para pesquisar e buscar informações sobre os destinos que gostaria de conhecer, as melhores opções de acomodações, as rotas de transporte mais convenientes e as atividades culturais e turísticas imperdíveis durante a minha estadia. Com antecedência, fiz uma lista detalhada das minhas preferências e necessidades, o que me permitiu encontrar opções alinhadas ao meu orçamento e aos meus interesses. Além disso, a reserva antecipada de passagens aéreas e acomodações me proporcionou tranquilidade e segurança, evitando contratempos de última hora. O planejamento meticuloso me permitiu aproveitar ao máximo cada dia da viagem, otimizando o meu tempo e garantindo que eu pudesse explorar os lugares e experiências que eram mais importantes para mim.

Curadoria

Durante o processo de planejamento da minha viagem para a Alemanha, uma das etapas mais empolgantes foi a curadoria dos locais e eventos que estavam alinhados com os meus interesses pessoais e profissionais. Como uma apaixonada por história, música (especialmente rock), cultura e conhecimento, foquei em pesquisar sobre os lugares que me proporcionariam experiências enriquecedoras nesses aspectos. Priorizei visitar locais históricos, museus, bibliotecas e livrarias renomadas, onde pudesse explorar a riqueza da cultura e do conhecimento alemães. Também busquei identificar eventos culturais, concertos de rock e exposições relacionadas aos meus gostos musicais e áreas de interesse acadêmico, como sociologia do trabalho e comunicação. Essa curadoria cuidadosa me permitiu vivenciar experiências únicas e enriquecedoras, mergulhando na atmosfera cultural e intelectual da Alemanha de forma personalizada e significativa.

Orçamento e finanças

Para garantir uma viagem tranquila e dentro das minhas possibilidades financeiras, adotei algumas estratégias. Uma delas foi estabelecer um orçamento detalhado, levando em consideração todos os aspectos da viagem, como passagens aéreas, acomodações, alimentação, transporte e atividades. Além disso, pesquisei e comparei preços com antecedência, buscando por promoções e descontos, e fiz reservas o quanto antes para garantir melhores tarifas. Também busquei alternativas econômicas, como hospedagens em hostels ou apartamentos compartilhados, e explorei opções de transporte público para economizar nos deslocamentos. Essa abordagem cuidadosa me permitiu aproveitar a viagem sem preocupações financeiras excessivas, garantindo uma experiência equilibrada entre desfrutar das atrações e manter uma boa gestão das minhas finanças. Dinheiro vivo, cartão de crédito para emergências e um cartão de débito pré-pago internacional foram essenciais.

Hospedagem e deslocamento

Para acomodação, considerei diversas opções, como hotéis, aluguéis de apartamentos e hospedagens alternativas, levando em conta fatores como localização, comodidades e avaliações de outros viajantes. Eu preferi ficar em hotel por conta da segurança e estrutura, e sempre que possível na rede Accor, que (para mim) oferece uma boa relação custo-benefício para quem viaja falando em inglês. Quanto ao transporte, explorei diferentes alternativas, utilizando principalmente o sistema de transporte público local, como metrô e ônibus, que são eficientes e abrangentes. Também aproveitei para explorar a cidade a pé, permitindo-me descobrir lugares e detalhes que seriam perdidos de outra forma.

Contatos de emergência

Durante o planejamento da minha viagem para a Alemanha, um aspecto importante foi garantir que eu tivesse contatos de emergência caso algo inesperado acontecesse. Procurei obter informações sobre os serviços de emergência locais, como números de telefone para contato em caso de necessidade médica, policial ou de outro tipo de emergência. Além disso, mantive cópias dos meus documentos importantes, como passaporte e seguro de viagem, em locais seguros e compartilhei informações relevantes com familiares e amigos próximos. Também pedi contatos dos meus alunos que moram na Alemanha, caso precise. rs. Ter esses contatos de emergência prontos e acessíveis me proporcionou tranquilidade, sabendo que eu estava preparado para lidar com qualquer eventualidade durante a minha estadia na Alemanha.

Deixar tudo organizado no Brasil

Antes de embarcar para a minha viagem à Alemanha, um dos aspectos essenciais foi deixar tudo organizado em casa para garantir que minha família, meu filho, meus cachorros e as questões financeiras estivessem devidamente cuidadas. Dediquei um tempo para conversar com minha família e dividir responsabilidades, assegurando que todos estivessem cientes das tarefas e rotinas diárias. Organizei uma lista detalhada de contas a pagar, planejei o pagamento antecipado de algumas despesas e organizei minha documentação financeira para facilitar o acesso e o gerenciamento enquanto estivesse fora. Além disso, criei um sistema para garantir que meu filho e meus animais de estimação estivessem bem cuidados e recebessem a atenção necessária durante minha ausência. Ao deixar tudo organizado em casa, pude viajar com a tranquilidade de que as coisas estavam sob controle e todos estariam bem durante minha estadia na Alemanha.

Pretendo sim fazer mais posts com o tempo mas espero que este já ajude um pouco a tirar algumas dúvidas. Se tiver alguma pergunta, deixe um comentário!