O ritmo acelerado da vida moderna nos empurra para um estado constante de urgência. Responder e-mails imediatamente, cumprir prazos apertados e estar sempre disponível se tornou a norma. Mas será que essa pressa toda realmente nos faz mais produtivos? Ou estamos apenas reagindo mecanicamente ao que acontece ao nosso redor?
A Nova Tradição Kadampa, uma vertente moderna do Budismo Mahayana, e a que eu sigo, me ensina que a verdadeira produtividade não está apenas na ação constante, mas na capacidade de criar espaços mentais para refletir e agir com clareza. Estudos da Harvard Medical School indicam que práticas meditativas reduzem os níveis de cortisol, o hormônio do estresse, e aumentam a capacidade de concentração.
Com a prática budista, aprendi que pequenas pausas intencionais podem transformar a forma como enfrento o dia a dia. E não se trata apenas de parar por alguns minutos, mas de mudar a maneira como me relaciono com o tempo e as demandas externas.
Pausas não são tempo perdido!
A cultura da produtividade prega que quanto mais trabalhamos, mais realizamos. No entanto, pesquisas da Stanford University mostram que longas horas de trabalho contínuo reduzem significativamente a eficiência cognitiva.
No Budismo Kadampa, há o conceito de “renovação mental”, que sugere que o descanso consciente permite maior clareza e disposição. Isso pode ser aplicado no cotidiano através de pausas curtas para respiração consciente, contemplação ou simplesmente para desligar das telas antes de retomar uma tarefa.
Vivemos como se tivéssemos que controlar o tempo, tentando encaixar cada segundo em um planejamento rígido. No entanto, segundo um estudo da MIT Sloan School of Management, pessoas que adotam flexibilidade na organização do dia tendem a ser mais produtivas do que aquelas que seguem agendas inflexíveis.
A prática budista ensina que tentar controlar tudo gera sofrimento. Em vez de lutar contra o fluxo do dia, aprendemos a trabalhar com ele, adaptando a rotina de acordo com as condições reais, sem resistência excessiva.
Desapegue das multitarefas
Fazer várias coisas ao mesmo tempo pode parecer eficiente, mas estudos da University of California, Irvine indicam que leva-se, em média, 23 minutos para recuperar a concentração após uma interrupção.
Na prática budista, a atenção plena (mindfulness) nos ensina a focar em uma única atividade por vez. Isso não significa que ignoramos compromissos, mas que aprendemos a dar atenção plena ao que estamos fazendo, reduzindo o desgaste mental.
Muitas vezes reagimos impulsivamente a situações do dia a dia, seja respondendo mensagens rapidamente ou tomando decisões precipitadas. O Budismo ensina que entre um estímulo e uma resposta existe um espaço – e nesse espaço está a nossa liberdade.
Pesquisas da University of Wisconsin mostram que pessoas que praticam meditação regularmente desenvolvem maior controle emocional. Aplicar essa ideia no trabalho significa parar por alguns segundos antes de responder um e-mail difícil ou de tomar uma decisão impulsiva, evitando arrependimentos posteriores.
O conceito de contentamento no Budismo Kadampa não significa resignação, mas sim uma atitude de aceitação ativa. De acordo com a Harvard Business Review, profissionais que adotam uma mentalidade mais adaptável lidam melhor com desafios e têm melhor desempenho a longo prazo.
Aceitar as circunstâncias sem resistência não significa passividade, mas sim reconhecer o que pode e o que não pode ser mudado no momento. Isso reduz a frustração e melhora a clareza ao lidar com problemas.
7 formas de aplicar o Budismo na produtividade diária
Pausas conscientes ao longo do dia – Parar por um minuto para respirar profundamente antes de iniciar uma nova tarefa pode ajudar a resetar a mente.
Aceitar que nem tudo será feito hoje – Em vez de se sobrecarregar com tarefas infinitas, priorizar o que realmente precisa ser concluído.
Criar micro-momentos de silêncio – Um minuto de silêncio antes de reuniões ou entre tarefas pode aumentar a clareza mental.
Observar pensamentos sem se identificar com eles – Em vez de se prender a preocupações, apenas notá-las sem reagir de imediato.
Reduzir a necessidade de resposta imediata – Adotar um ritmo mais deliberado ao lidar com e-mails e mensagens pode reduzir a ansiedade digital.
Tratar interrupções com aceitação – Em vez de ver distrações como obstáculos, lidar com elas com paciência e voltar ao foco sem frustração.
Encerrar o dia com gratidão – Antes de dormir, refletir sobre pequenas vitórias do dia, cultivando uma mentalidade positiva.
A produtividade moderna nos ensinou a medir resultados pelo volume de atividades concluídas, mas o Budismo Kadampa sugere uma abordagem diferente: estar presente, agir com clareza e criar espaço para pensar antes de agir. Essas práticas não só aumentam a eficiência, mas também reduzem o estresse e melhoram a relação com o tempo.
Ao invés de lutar contra a rotina, podemos aprender a fluir com ela. Pequenos ajustes na forma como encaramos as demandas do dia podem transformar completamente nossa relação com o trabalho e o descanso.
A busca por produtividade e estabilidade financeira se tornou uma obsessão moderna. Trabalhamos para ganhar mais, organizamos a rotina para sermos mais eficientes e planejamos cada detalhe para evitar erros. Mas, apesar de todo esse esforço, a sensação de insuficiência persiste. Estamos sempre devendo algo a nós mesmos.
Na Nova Tradição Kadampa, o Budismo ensina que o apego ao controle é uma das principais fontes de sofrimento. Isso se aplica diretamente à forma como lidamos com dinheiro, trabalho e metas pessoais. Pesquisas da Harvard Business School indicam que a pressão por resultados constantes pode gerar exaustão e diminuir a criatividade, impactando negativamente a produtividade e as finanças a longo prazo.
Ao invés de buscar um ideal inalcançável, o Budismo Kadampa sugere uma abordagem mais equilibrada: agir com sabedoria, aceitar as condições do presente e evitar a armadilha do perfeccionismo. Isso não significa negligência, mas sim um novo olhar sobre como organizar a vida sem transformar cada detalhe em um campo de batalha mental.
A busca incessante por fazer tudo da melhor forma pode ser um obstáculo ao invés de um facilitador. De acordo com um estudo da University of British Columbia, pessoas com tendências perfeccionistas tendem a procrastinar mais, pois evitam começar tarefas que não podem concluir de maneira impecável.
No Budismo, aprendemos que a perfeição não é o objetivo, mas sim o aprimoramento contínuo dentro das condições disponíveis. Aplicado ao trabalho, isso significa focar no progresso, e não na ideia rígida de que só vale a pena agir se for para acertar em cheio.
O dinheiro muitas vezes se torna um reflexo da nossa autoimagem. Se temos estabilidade financeira, nos sentimos competentes; se enfrentamos dificuldades, a sensação de fracasso toma conta. Pesquisadores da Yale School of Management mostram que pessoas que atrelam sua identidade ao dinheiro têm maior propensão ao estresse financeiro e a decisões impulsivas.
O Budismo ensina que dinheiro é um meio, não um fim. Se ele é visto apenas como um marcador de sucesso, sua ausência gera sofrimento desnecessário. Uma abordagem mais saudável envolve utilizar os recursos para sustentar uma vida equilibrada, sem se definir pelos números na conta bancária.
Muitas pessoas acreditam que a chave para a produtividade está em controlar cada minuto da agenda. Mas um estudo da MIT Sloan Management Review sugere que a flexibilidade na rotina gera mais eficiência do que uma programação rígida.
No Budismo, aprendemos que o apego ao controle gera frustração. Em vez de tentar encaixar tudo em um plano infalível, aceitar que imprevistos fazem parte da vida permite ajustes sem sofrimento. Isso não significa desorganização, mas sim uma abordagem mais leve ao planejamento.
Existe a crença de que quem trabalha mais, ganha mais. No entanto, a Stanford University descobriu que produtividade cai drasticamente após 50 horas semanais de trabalho, sem ganhos proporcionais na renda.
A prática budista sugere que a eficiência vem da clareza mental, e não da exaustão. Trabalhar de forma estratégica, respeitando os limites do corpo e da mente, pode ser mais lucrativo do que simplesmente adicionar mais horas à jornada.
O consumo muitas vezes está ligado à emoção. Compramos para preencher vazios, para aliviar o estresse ou para sentir que estamos no caminho certo. Segundo um levantamento da University of California, Berkeley, compras impulsivas estão associadas a níveis elevados de ansiedade.
O Budismo ensina que o desapego não significa rejeição total, mas sim o entendimento de que os bens materiais não são a base da felicidade. Aplicado às finanças, isso se traduz em escolhas mais conscientes, evitando gastos movidos pela necessidade de compensação emocional.
7 maneiras de mudar sua relação com produtividade e finanças
Definir metas flexíveis – Ter objetivos é importante, mas permitir ajustes evita a frustração de um plano rígido que não se adapta à realidade.
Evitar a autoavaliação baseada no dinheiro – Seu valor não depende de quanto você ganha ou economiza; foque na relação saudável com suas finanças.
Trabalhar com pr****esença, não com ansiedade – Fazer as tarefas com atenção plena melhora a qualidade do trabalho e reduz o cansaço mental.
Aceitar que nem tudo pode ser controlado – Planejamento é essencial, mas imprevistos fazem parte do fluxo da vida e não devem ser motivo de estresse excessivo.
Desacelerar para decidir melhor – Tomar decisões financeiras com calma reduz a chance de compras impulsivas e investimentos arriscados.
Criar espaços de descanso real – Momentos sem telas, sem prazos e sem cobranças ajudam a recarregar a energia para tarefas importantes.
Cultivar contentamento no presente – Valorizar o que já foi conquistado reduz a sensação constante de que algo ainda está faltando.
Produtividade e finanças são áreas importantes da vida, mas quando viram uma obsessão, podem causar mais sofrimento do que benefícios. O Budismo Kadampa propõe um caminho de equilíbrio, onde eficiência e bem-estar coexistem.
Mudar a forma como nos relacionamos com o tempo e o dinheiro pode trazer mais clareza para decisões diárias. Afinal, a verdadeira produtividade não está em fazer mais, mas em fazer o que realmente importa.
O final de um ano e o início de outro é um momento poderoso para refletir, agradecer e se preparar para novos começos. Um ritual simples pode ajudar a fechar o ciclo de 2024 com carinho e a abrir 2025 com intenção e clareza.
Aqui está um passo a passo para criar um momento especial, que pode ser adaptado de acordo com suas preferências e valores.
1. Encontre um espaço tranquilo
Reserve um momento só para você, em um lugar calmo. Pode ser seu cantinho favorito da casa, um parque ou até uma varanda. Prepare o ambiente com algo que te traga conforto, como uma vela, uma música suave ou uma xícara de chá.
2. Faça uma reflexão sobre 2024
Antes de começar a planejar o próximo ano, dedique alguns minutos para olhar para trás. Pergunte-se:
O que foi mais significativo neste ano?
Quais foram os aprendizados mais importantes?
O que quero deixar para trás e não levar para 2025?
Se quiser, escreva suas respostas em um caderno ou em um pedaço de papel.
Um gesto simbólico pode ajudar a marcar o fechamento do ano.
Queime um papel com o que deseja deixar para trás (em segurança).
Acenda uma vela para simbolizar o fim de um ciclo e o início de outro.
Escreva uma carta para 2024, agradecendo pelo que viveu e pelos aprendizados.
4. Defina uma intenção para 2025
Pense em como você gostaria de se sentir no próximo ano. Escolha uma palavra, uma frase ou um tema que guiará suas decisões e ações. Pode ser algo como:
“Equilíbrio”
“Coragem”
“Alegria”
Anote sua intenção e mantenha-a visível no seu dia a dia, como no seu planner ou em um mural de inspirações.
5. Finalize com gratidão
Para encerrar o ritual, feche os olhos por alguns minutos e agradeça. Pode ser pelas conquistas, pelos desafios superados ou simplesmente pela oportunidade de começar de novo.
Conclusão
Esse ritual não precisa ser longo ou complicado para ser significativo. O importante é criar um momento para honrar o que passou e acolher o que está por vir.
Dando continuidade ao post de ontem, desta vez com algumas reflexões a partir das minhas práticas no Budismo.
No caminho que todas trilhamos, o envelhecimento surge como uma jornada inevitável, rica em transformações e revelações. Hoje, inspirada pela serenidade e profundidade do Budismo, quero refletir sobre como essa filosofia milenar nos oferece uma perspectiva única e empoderadora sobre envelhecer, especialmente para nós, mulheres.
O Budismo, com sua elegante simplicidade e profundidade, nos ensina que a vida é marcada pela impermanência (anicca), sofrimento (dukkha) e pela não-eu (anatta). Essas três marcas da existência nos convidam a olhar para o envelhecimento não como um declínio, mas como uma oportunidade para aprofundar nossa compreensão sobre a natureza da vida, cultivando sabedoria, compaixão e, acima de tudo, liberdade interior.
Impermanência e Beleza
A impermanência nos lembra que tudo na vida está em constante mudança. Para nós, mulheres, essa percepção pode ser um convite a abraçar as mudanças físicas e emocionais do envelhecimento com aceitação e graça. Ao reconhecermos que cada fase da vida tem sua própria beleza e valor, libertamo-nos das pressões sociais que muitas vezes valorizam a juventude em detrimento da sabedoria e experiência que os anos nos trazem.
Pratique a gratidão diária: Comece ou termine o dia listando três coisas pelas quais você é grata, incluindo aspectos da sua transformação pessoal. Isso ajuda a cultivar uma apreciação por todas as fases da vida e reconhecer a beleza única de cada uma delas.
Crie um ritual de aceitação: Regularmente, dedique um momento para se olhar no espelho, focando em aceitar e celebrar as mudanças em seu corpo e em sua expressão. Use este tempo para agradecer a seu corpo por tudo que ele permite que você faça.
Documente sua jornada: Mantenha um diário ou crie um álbum de fotos que capture momentos significativos de sua vida. Isso não só serve como um lembrete visual da constante mudança, mas também celebra o crescimento e as experiências adquiridas ao longo do tempo.
Sofrimento e Liberação
O Budismo não vê o sofrimento como um destino inevitável, mas como um caminho para a libertação. Enfrentar os desafios do envelhecimento, sejam eles físicos, emocionais ou espirituais, pode ser um meio poderoso de autoconhecimento e crescimento. Para nós, mulheres, isso significa encontrar força nas adversidades e reconhecer que, em nossa vulnerabilidade, reside nossa maior força.
Meditação de Metta (Amor-Bondade): Pratique meditações de Metta, enviando amor e bondade a si mesma e aos outros. Isso pode ajudar a transformar a relação com o sofrimento, vendo-o como um caminho para a compreensão e a compaixão.
Envolva-se em atividades que nutrem: Encontre hobbies ou atividades que trazem alegria e satisfação. Seja jardinagem, pintura, escrita ou yoga, essas práticas podem ser formas de processar e liberar o sofrimento, promovendo o autocuidado e o crescimento pessoal.
Procure apoio: Converse sobre seus desafios e emoções com amigos confiáveis, grupos de apoio ou um terapeuta. Compartilhar sua experiência pode ser catártico e oferecer novas perspectivas para enfrentar as adversidades.
A noção de não-eu nos convida a questionar a identidade fixa e a reconhecer nossa conexão intrínseca com os outros e com o mundo. No contexto do envelhecimento, isso pode nos ajudar a ver além dos papéis sociais de gênero e a encontrar uma liberdade genuína em quem somos, independentemente da nossa idade. Ao nos desapegarmos de uma identidade rígida, abrimos espaço para uma expressão mais autêntica do nosso ser.
Práticas de Mindfulness (Atenção Plena): Dedique tempo para práticas de mindfulness, como meditação ou caminhadas conscientes, para cultivar a percepção de que você é mais do que seu corpo físico ou sua identidade social. Isso ajuda a reconhecer a conexão com os outros e com o mundo ao redor.
Explore novas experiências: Abra-se para novas experiências e aprendizados que desafiem sua zona de conforto. Isso pode incluir viajar, aprender uma nova habilidade ou idioma, promovendo a ideia de que você está constantemente evoluindo e não é definida por uma única identidade ou fase da vida.
Pratique a generosidade: Engaje-se em atos de generosidade e voluntariado. Dar aos outros pode reforçar a noção de não-eu, ao reconhecer que fazemos parte de uma comunidade maior e que nossa felicidade está interligada à felicidade dos outros.
Práticas Budistas no Dia a Dia
Como integrar a sabedoria budista em nossa jornada de envelhecimento? Aqui estão algumas práticas que podem nos guiar:
Meditação: Cultivar uma prática regular de meditação nos ajuda a encontrar paz e clareza interior, enfrentando as mudanças da vida com equilíbrio e serenidade.
Mindfulness (Atenção Plena): Praticar a atenção plena no cotidiano nos permite viver cada momento plenamente, apreciando as pequenas alegrias e aceitando as dificuldades com compaixão.
Comunidade: Engajar-se em uma comunidade que compartilha valores budistas pode oferecer suporte e inspiração, lembrando-nos de que não estamos sozinhas em nossa jornada.
Envelhecer, sob a luz do Budismo, é um caminho de descoberta e liberação. Para nós, mulheres, oferece uma oportunidade única de redescobrir nossa força interior e viver com uma profundidade e propósito que só podem ser alcançados através da experiência e da sabedoria acumulada ao longo dos anos.
Que possamos todas caminhar com graça, abraçando as lições e a beleza inerentes à nossa jornada de envelhecimento.
Se nossa existência tem um crepúsculo, envelhecer é um convite a esse rito de passagem.
Envelhecer em um mundo com tanta violência e doenças é um privilégio. Meu pai morreu cedo, com câncer. Então eu acho muito bonito ver alguém envelhecendo. Significa que aquela pessoa sobreviveu.
É uma jornada adornada não de perdas, mas de preciosas conquistas; cada ruga, uma trilha de risos partilhados, cada olhar, um mar profundo de histórias vividas.
Somos convidadas a dançar com os ciclos da natureza, abraçando a graça do tempo com a dignidade das árvores que, firmes, testemunham as estações passar. O envelhecer torna-se, então, não um caminhar para o ocaso, mas um florescer contínuo, um desabrochar eterno que celebra a plenitude da vida em cada respirar.
Redescobrimos o poder ancestral da conexão com o divino feminino, honrando a Anciã dentro de nós, guardiã da sabedoria e da força que nos guia. Envelhecer é, assim, um ato de poder, uma afirmação de vida que ecoa os segredos do universo, ensinando-nos a acolher cada amanhecer com gratidão e cada anoitecer com a promessa de renovação.
Este post então é um pouco sobre isso, e um pouco sobre como eu vejo o envelhecer “na prática” conciliando duas áreas importantes para mim, que são o Ayurveda e o neo Paganismo.
A Ayurveda e o Ciclo da Vida
A Ayurveda, sistema de saúde holístico que originou na Índia há mais de 5.000 anos, nos ensina que a vida é um ciclo de nascimento, crescimento, declínio e renovação. Envelhecer, neste contexto, é uma fase natural e respeitada do ciclo da vida, que traz consigo sabedoria, maturidade e a oportunidade de refletir sobre nossa jornada.
Segundo a Ayurveda, cada fase da vida é dominada por um dos doshas (Vata, Pitta e Kapha), sendo o Vata o dosha que predomina na velhice. Isso significa que práticas que equilibram Vata, como nutrição adequada, rotinas regulares e meditação, são essenciais para envelhecer com saúde e vitalidade.
Wicca e o Respeito pelas Fases da Lua
Na Wicca, a conexão com os ciclos naturais da Terra e a veneração pela Deusa em suas três faces – Donzela, Mãe e Anciã – nos ensinam a abraçar cada fase da vida como uma manifestação do divino. A Anciã, em particular, é reverenciada por sua sabedoria, conhecimento e magia, nos lembrando que o envelhecimento é um processo sagrado e poderoso.
A prática de alinhar nossas vidas com os ciclos da lua, celebrando a beleza e a sabedoria em todas as fases, pode nos ajudar a aceitar o envelhecimento como parte natural e honrada de nossa existência.
Como podemos, então, integrar essas práticas ancestrais em nossa jornada de envelhecimento? Aqui vão algumas sugestões:
Nutrição e Autocuidado: Adote uma dieta que equilibre Vata, rica em alimentos quentes, hidratantes e nutritivos. Pratique yoga e meditação para manter o corpo e a mente ágeis.
Rituais e Celebrações: Crie rituais que celebrem as fases da sua vida, honrando as lições aprendidas e a sabedoria adquirida. Celebre os Sabbats e Esbats, reconhecendo a beleza em cada ciclo da natureza e da vida.
Comunidade e Compartilhamento: Cultive uma comunidade de apoio onde o envelhecimento seja visto como uma fase de crescimento e aprendizado. Compartilhe suas histórias e sabedoria com as gerações mais jovens.
Aceitação e Gratidão: Pratique a aceitação e a gratidão por cada momento vivido. Reconheça a beleza em todas as fases da vida, incluindo os desafios e as bênçãos do envelhecimento. Registre em um diário.
Envelhecer com graça não é sobre negar o tempo ou lutar contra as marcas que ele deixa, mas sim sobre abraçar a jornada com sabedoria, amor e gratidão. Ayurveda e Wicca, com seus ricos ensinamentos sobre a natureza e o ciclo da vida, oferecem caminhos profundos para uma velhice vivida plenamente e em harmonia.
Que possamos todas encontrar força, sabedoria e beleza em nossa jornada de envelhecimento, celebrando cada fase como um presente precioso da vida.
Depois, ele traz o ponto de que a felicidade diz respeito ao nosso mundo interno.
No inÃcio da quarentena, eu estava com muitas dúvidas a respeito dos sentimentos conflitantes que estava sentindo. Apesar de estar tudo bem aqui no nosso microcosmo, eu me sentia um pouco mal por estar me sentindo feliz sabendo que existem tantas pessoas no mundo sofrendo. Foi no Budismo que encontrei a resposta: problemas exteriores exigem soluções exteriores. Problemas interiores exigem soluções interiores.
Pensar assim tem me ajudado demais, de forma prática mesmo, no dia a dia. A não me preocupar com problemas mundanos. É aquilo: tem solução, bora pra solução. Não tem solução, paciência. Não vou tirar minha paz por conta disso.
Não digo que seja sempre fácil, mas estou nesse caminho. Entender esse conceito, essa separação, fez muita diferença para mim.
Acho muito louco isso e, acima de tudo, muito pragmático. Foi um divisor de águas na minha relação com tudo aprender a pensar dessa forma. Espero ter conseguido demonstrar neste post como isso impacta positivamente (ou pode impactar negativamente) no seu processo de organização.
Bem, e o que são doshas? Segundo o site da Sociedade Brasileira de Ayurveda, “doshas são fatores desencadeantes de doenças fÃsicas e psicológicas; indicam desordens emocionais, desequilÃbrio mental e disfunções fisiológicas.”
De acordo com o Ayurveda, apesar de existirem diferentes doenças e fatores patogênicos, todos são produtos da desarmonia dos três humores biológicos: Vata, Pitta e Kapha.
“O Ayurveda tem como objetivo equilibrar os humores para neutralizar o processo de formação das doenças. O foco está em encontrar a origem da doença e seu processo curativo envolve: alimentação, fitoterapia (uso de plantas medicinais), massagem, uma rotina diária (chamada de Dinacharya), yoga e meditação.”
Sempre comi muito errado a vida toda e só ano passado fui ouvir falar sobre ayurveda, porque eu mesma, coincidentemente, tive curiosidade sobre um livro que falava sobre ritmos diários. Mas eu acho que esse conhecimento deveria ser mais amplamente difundido, sinceramente. Faz toda a diferença na minha vida.
Vocês querem que eu continue compartilhando os meus aprendizados de Ayurveda e experiências pessoais por aqui? Por favor, deixe um comentário. Obrigada!
Por esse motivo, por mais que existam as versões em e-book, eu prefiro estudar com o livro fÃsico, pois durante as aulas eu posso precisar levá-los a fim de citar referências.
Eu leio o livro na ordem recomendada pela tradição e, em paralelo, há o estudo do livro do curso. Se houver necessidade ou vontade, eu faço outras leituras ou consultas esparsas em paralelo.
Se a sua área de foco este ano for outra, um bom exercÃcio seria pensar: o que, se eu fizesse um pouco todos os dias, me traria um senso de estar evoluindo nessa área?
Um dos exercÃcios que eu aprendi a fazer na minha formação de coaching se chama roda da vida. Trata-se de uma ferramenta que você utiliza para refletir sobre o seu nÃvel de satisfação em cada uma das áreas e usar isso para decidir algumas questões importantes para a sua vida.
A última vez que fiz essa análise foi durante a Turma 3 do Workshop de Planejamento de Vida, que aconteceu no dia 15/11 aqui em São Paulo. Eu costumo fazer essa análise uma vez por mês, mais ou menos, ou sempre que sinto necessidade.
Convido você então a fazer essa reflexão e compartilhar aqui embaixo nos comentários que área você escolheu para focar em 2020 e por quê. Você pode usar meu exemplo acima para listar as áreas ou listar as áreas de maneira personalizada para a sua vida. Não existe um formato certo e fixo, mas o que funciona para você.
Faz, sinceramente, uns 20 anos que eu quero me tornar vegetariana. Quando eu era mais nova, contribuà durante muito tempo com a PETA e o Greenpeace e sempre fiquei revoltada sabendo como os animais são tratados pelos seres humanos – da indústria pecuária à medicina. O fato de o Paul McCartney ser vegetariano (e eu, apaixonada pelos Beatles) sempre foi uma “coisinha” que me cutucou ao longo dos anos. Ao mesmo tempo, sempre tive uma postura meio imatura e rebelde, no sentido de achar cool dizer coisas como “eu amo carne” etc.
Isso foi maravilhoso porque, quando comecei a frequentar esses restaurantes, eu passei a ver a imensa riqueza de opções de comidas e preparos que existem quando você resolve não comer mais carne e qualquer alimento de origem animal. Meu pensamento óbvio foi: “caramba, realmente não tem necessidade nenhuma da gente comer qualquer coisa com carne”. E aà você começa a juntar os pontos dentro de você com outras questões muito urgentes mas que estavam incubadas, como a violência e a exploração animais.
Preparar e deixar marmitinhas prontas garante que você sempre tenha seu alimento mesmo na correria do dia a dia ou quando vai a lugares que não sabe se encontrará opções que você pode comer.
No Budismo, eu aprendi a reforçar uma convicção que eu já tinha, de não-violência e de não prejudicar outros seres vivos sencientes. Me tornar vegana foi apenas mais um “encaixe”, mais uma forma coerente de fazer as coisas de acordo com os meus valores. Estou em transição e acredito que, como todo o resto, isso seja uma construção para toda a vida. Mas, como toda construção, você só precisa começar.
Por incrÃvel que pareça, eu não cheguei ao Budismo procurando pela religião, mas me apaixonando por um modo de vida que foi descrito pelo meu escritor preferido (Jack Kerouac) em um livro chamado “Os Vagabundos Iluminados” (The Dharma Bums).
Como muitos de vocês disseram que tinham interesse neste tema, estou escrevendo este post para contar um pouco como são as minhas práticas atuais no Budismo.
O Budismo tem várias tradições. Eu me identifico e faço parte da Nova Tradição Kadampa.
Você pode saber mais sobre o programa de estudos Kadampa neste link.
Datas especiais
Existem algumas datas que são celebradas na tradição:
Todo dia 8: Tara Verde
Todo dia 10: Oferenda ao Guia Espiritual
Todo dia 15: tomar preceitos
Todo dia 25: Oferenda ao Guia Espiritual
Acontecem então encontros, preces e meditações no centro. Não consigo participar sempre, devido à minha rotina de trabalho e viagens, mas participo sempre que possÃvel.
Os retiros podem acontecer em um único dia ou durar quase uma semana. Geralmente eles têm algum tema (ex: concentração), e as atividades, meditações e ensinamentos girarão em torno disso. É bem gostoso, e no templo você pode inclusive ficar no alojamento deles, o que proporciona uma imersão de verdade. Por causa do Paul (filhote), eu não costumo fazer retiros maiores, e sim aqueles de um só dia.
Prática diária
Tenho meu altarzinho em casa, onde faço prostrações e meditações diariamente.
Quando acordo, gosto de meditar. E, ao longo do dia, realizo novas meditações quando sinto vontade.
Caso você tenha alguma dúvida, por favor, deixe um comentário. Procurei explicar tudo o que me veio à mente, mas sempre podem surgir questões que eu não identifiquei. Obrigada.
Recentemente voltei a frequentar o centro budista em São Paulo, e vi o quanto eu estava sentindo falta nesses últimos anos. Provavelmente não sairei nunca mais. Se tiver interesse, posso comentar mais sobre os cursos e práticas que tenho lá. Deixe um comentário. Obrigada!
Um dos assuntos-chave ensinados no curso que fiz em setembro (GTD NÃvel 3: Foco & Direção) foi o tema afirmações. Eu não posso trazer aqui no blog exatamente o que eles ensinam, pois isso infringiria os direitos autorais dos materiais do curso, mas eu vou falar um pouquinho sobre do que se tratam tais afirmações e como estou incorporando isso na minha vida. Se você tiver interesse em fazer esse curso, inscreva-se na newsletter do blog que avisarei quando tivermos tudo pronto para ele ser ministrado em português (provavelmente no primeiro semestre de 2019).
Por exemplo, um papel importante na minha vida no momento diz respeito a me construir como uma lÃder positiva e compassiva. Em todos os âmbitos do meu trabalho, e especialmente na minha empresa, eu estou assumindo um papel de liderança, onde sou responsável pela jornada das pessoas que trabalham comigo. É um papel completamente novo. Já fui gestora antes, mas era diferente. Agora eu tenho autonomia para direcionar a empresa, e isso se reflete na maneira como eu me relaciono com as pessoas que trabalham comigo – não apenas equipe, mas fornecedores, parceiros e outras.
Existe alguma situação ou problema atual que você gostaria de lidar de outra forma, e acredita que construir e ler tais afirmações possa te ajudar? O que você pensa sobre esse assunto? Por favor, deixe um comentário. Muito obrigada.
A prática da meditação faz parte do meu cotidiano.
Se você está chegando por aqui agora, talvez queira saber que eu sou budista e já medito há cerca de dez anos. Essa prática me traz benefÃcios diariamente, tanto imediatos quanto de longo prazo, e eu sempre busco novas maneiras de fazer essa atividade e adequá-la à minha vida.
No caso da meditação, eu costumo realizar meditações ao longo de todo um dia, sempre que sinto vontade e/ou necessidade. Especialmente meditações respiratórias, que me ajudam a acalmar a mente e reajustar o foco.
Mas tenho realizado diariamente dois tipos de meditações que gostaria de compartilhar com vocês.
São duas meditações realmente muito simples, que não me tomam tempo algum – pelo contrário, me ajudam a ter muito mais foco, e eu espero de verdade, ao compartilhar com vocês, que elas possam ser úteis de alguma maneira. Se você tentar alguma delas, poderia deixar um comentário neste post contando como foi, por gentileza?
Se o que você faz te traz felicidade, por que tornar a sua rotina uma fonte de sofrimento? Não vale apenas para o trabalho, mas para a maternidade, seus hobbies e estudos. Por favor, pense sobre isso hoje. Veja a que respostas chega internamente.
Se a bateria do seu celular estiver baixa, o que você faz? Você carrega. O mesmo deve ser feito com você. E ponto! Se estiver com a energia baixa, recarregue! Simples assim.
Para saber se você precisa recarregar suas energias, segue uma checklist importante para você ter como referência aà sempre com você e verificar de tempos em tempos. Se estiver sentindo algum desses sintomas, pode ser o momento de colocar seu celular na tomada para recarregar:
sonolento ou cansado em horários em que normalmente não se sentiria assim
antipático e indelicado em demasia
reclamando demais das coisas da vida
ofendendo as pessoas por nada
à beira de um ataque de nervos – nervoso a ponto de achar que qualquer gota d’água pode fazer o seu copo transbordar
preocupado em excesso com todo tipo de coisa
egoÃsta, porque se preocupa com seu bem-estar como modo de sobrevivência
Seguem então algumas dicas para que você aprenda a recarregar as suas energias não de vez em quando, mas todos os dias:
Encontre uma atividade fÃsica que goste e que se encaixe em seu estilo de vida.
Cuide com carinho do seu sono.
Busque uma forma de alimentação que traga benefÃcios a você.
Consulte um profissional da saúde para fazer uso de vitaminas complementares.
Procure fazer algo que você goste muito todos os dias. Usar um creminho gostoso depois do banho, assistir seu canal favorito no YouTube, ler um livro que te deixe feliz, conversar com os seus filhos, cozinhar, brincar com os cachorros etc.
Alterne os tipos de atividades ao longo do dia. Se trabalhou durante uma hora no computador, faça uma pausa. Beba água, dê uma volta pelo escritório, converse com as pessoas. Faça um telefonema. Leia um documento impresso.
Não se obrigue a preencher os espaços na sua agenda. Valorize o tempo livre.
Faço mea culpa aqui, porque não cozinho todos os dias. Tem dias em que estou viajando ou passo o dia fora de casa, em eventos diversos. Mas, quando estou em casa, gosto de cozinhar. E felizmente isso tem acontecido cada vez mais.
Como em outras áreas da vida, me sinto confortável para efetuar mudanças, se sentir essa necessidade interna. Hoje, ainda me considero budista. Já fui muito mais “praticante”, no sentido de frequentar as atividades do centro, dar aulas de meditação, fazer cursos e participar de retiros. Hoje, exerço mais na minha prática diária o caminho do bodisatva.
O “caminho do bodisatva” trata-se de buscar ser, no dia a dia, uma pessoa com disciplina moral de acordo com os preceitos budistas e que desenvolve uma mente de compaixão para ajudar outros seres vivos a superarem o sofrimento e alcançarem a iluminação. Algumas pessoas me pediram para falar sobre isso, então tentarei dar uma explicação breve.
Um bodisatva vive “evitando quedas”. “Quedas” são atitudes que “quebram” o propósito acima. Existem as quedas raÃzes (mais “fortes”, digamos assim) e as quedas secundárias (menos graves).
Quedas raÃzes
Louvar a si mesmo e desprezar os outros, criticar com o objetivo de ferir
Não aceitar pedidos de desculpas, alimentando rancor
Abandonar o mahayana (caminho budista)
Roubar patrimônio das três jóias (oferendas)
Abandonar o darma
Tomar as vestes cor de açafrão (destinadas a monges e monjas ordenados)
Cometer quaisquer das cinco ações hediondas (matar o pai, matar a mãe, matar um destruidor de inimigos, ferir maldosamente um buda e causar cisão na sanga – a comunidade de praticantes)
Esposar visões errôneas sobre ensinamentos budistas
Não acreditar que a compaixão dos bodisatvas garanta a pureza de todas as suas ações
Fazer fortuna ou fama adotando um modo de vida impróprio
Entregar-se a frivolidades
Afirmar que os bodisatvas não precisam abandonar o samsara
Não evitar má reputação
Não ajudar os outros a evitar negativatidade
Retaliar maus-tratos ou abusos
Não pedir desculpas quando houver oportunidade
Não aceitar pedidos de desculpas
Não aplicar esforço para controlar a própria raiva
Reunir um cÃrculo de seguidores visando lucro ou respeito
Não tentar vencer a preguiça
Entregar-se a conversas sem sentido por apego
Não fazer o treino em estabilização mental
Não superar obstáculos à estabilização mental
Ficar entretido com o sabor da estabilização mental
Abandonar o hinayana
Estudar o hinayana em detrimento da nossa prática mahayana
Estudar assuntos de não-darma sem um bom motivo
Ficar absorto em assuntos de não-darma
Criticar outras tradições mahayana
Louvar a si mesmo e desprezar os outros
Não aplicar o esforço de estudar o darma
Preferir confiar em livros a confiar no Guia Espiritual
Não dar assistência aos necessitados
Não cuidar dos doentes
Não agir para afastar o sofrimento
Não ajudar os outros a superarem os seus maus hábitos
Não retribuir a ajuda daqueles que nos beneficiam
Não aliviar a dor dos outros
Não dar aos que pedem caridade
Não dispensar cuidados especiais aos discÃpulos
Não agir de acordo com as inclinações dos outros
Não elogiar as boas qualidades dos outros
Não realizar ações iradas no momento oportuno
Não usar poderes milagrosos, ações ameaçadoras etc.
Todos esses votos podem ser encontrados no livro “O voto do Bodisatva” (Geshe Kelsang Gyatso). Cada um dos itens acima pode ser destrinchado mas, para o post não ficar longo, apenas listei. Caso tenha dúvidas, favor deixar um comentário.