Como o Budismo me ensina a pausar e encontrar tranquilidade no dia a dia

O ritmo acelerado da vida moderna nos empurra para um estado constante de urgência. Responder e-mails imediatamente, cumprir prazos apertados e estar sempre disponível se tornou a norma. Mas será que essa pressa toda realmente nos faz mais produtivos? Ou estamos apenas reagindo mecanicamente ao que acontece ao nosso redor?

A Nova Tradição Kadampa, uma vertente moderna do Budismo Mahayana, e a que eu sigo, me ensina que a verdadeira produtividade não está apenas na ação constante, mas na capacidade de criar espaços mentais para refletir e agir com clareza. Estudos da Harvard Medical School indicam que práticas meditativas reduzem os níveis de cortisol, o hormônio do estresse, e aumentam a capacidade de concentração.

Com a prática budista, aprendi que pequenas pausas intencionais podem transformar a forma como enfrento o dia a dia. E não se trata apenas de parar por alguns minutos, mas de mudar a maneira como me relaciono com o tempo e as demandas externas.

Pausas não são tempo perdido!

A cultura da produtividade prega que quanto mais trabalhamos, mais realizamos. No entanto, pesquisas da Stanford University mostram que longas horas de trabalho contínuo reduzem significativamente a eficiência cognitiva.

No Budismo Kadampa, há o conceito de “renovação mental”, que sugere que o descanso consciente permite maior clareza e disposição. Isso pode ser aplicado no cotidiano através de pausas curtas para respiração consciente, contemplação ou simplesmente para desligar das telas antes de retomar uma tarefa.

Vivemos como se tivéssemos que controlar o tempo, tentando encaixar cada segundo em um planejamento rígido. No entanto, segundo um estudo da MIT Sloan School of Management, pessoas que adotam flexibilidade na organização do dia tendem a ser mais produtivas do que aquelas que seguem agendas inflexíveis.

A prática budista ensina que tentar controlar tudo gera sofrimento. Em vez de lutar contra o fluxo do dia, aprendemos a trabalhar com ele, adaptando a rotina de acordo com as condições reais, sem resistência excessiva.

Desapegue das multitarefas

Fazer várias coisas ao mesmo tempo pode parecer eficiente, mas estudos da University of California, Irvine indicam que leva-se, em média, 23 minutos para recuperar a concentração após uma interrupção.

Na prática budista, a atenção plena (mindfulness) nos ensina a focar em uma única atividade por vez. Isso não significa que ignoramos compromissos, mas que aprendemos a dar atenção plena ao que estamos fazendo, reduzindo o desgaste mental.

Muitas vezes reagimos impulsivamente a situações do dia a dia, seja respondendo mensagens rapidamente ou tomando decisões precipitadas. O Budismo ensina que entre um estímulo e uma resposta existe um espaço – e nesse espaço está a nossa liberdade.

Pesquisas da University of Wisconsin mostram que pessoas que praticam meditação regularmente desenvolvem maior controle emocional. Aplicar essa ideia no trabalho significa parar por alguns segundos antes de responder um e-mail difícil ou de tomar uma decisão impulsiva, evitando arrependimentos posteriores.

O conceito de contentamento no Budismo Kadampa não significa resignação, mas sim uma atitude de aceitação ativa. De acordo com a Harvard Business Review, profissionais que adotam uma mentalidade mais adaptável lidam melhor com desafios e têm melhor desempenho a longo prazo.

Aceitar as circunstâncias sem resistência não significa passividade, mas sim reconhecer o que pode e o que não pode ser mudado no momento. Isso reduz a frustração e melhora a clareza ao lidar com problemas.

7 formas de aplicar o Budismo na produtividade diária

  1. Pausas conscientes ao longo do dia – Parar por um minuto para respirar profundamente antes de iniciar uma nova tarefa pode ajudar a resetar a mente.
  2. Aceitar que nem tudo será feito hoje – Em vez de se sobrecarregar com tarefas infinitas, priorizar o que realmente precisa ser concluído.
  3. Criar micro-momentos de silêncio – Um minuto de silêncio antes de reuniões ou entre tarefas pode aumentar a clareza mental.
  4. Observar pensamentos sem se identificar com eles – Em vez de se prender a preocupações, apenas notá-las sem reagir de imediato.
  5. Reduzir a necessidade de resposta imediata – Adotar um ritmo mais deliberado ao lidar com e-mails e mensagens pode reduzir a ansiedade digital.
  6. Tratar interrupções com aceitação – Em vez de ver distrações como obstáculos, lidar com elas com paciência e voltar ao foco sem frustração.
  7. Encerrar o dia com gratidão – Antes de dormir, refletir sobre pequenas vitórias do dia, cultivando uma mentalidade positiva.

A produtividade moderna nos ensinou a medir resultados pelo volume de atividades concluídas, mas o Budismo Kadampa sugere uma abordagem diferente: estar presente, agir com clareza e criar espaço para pensar antes de agir. Essas práticas não só aumentam a eficiência, mas também reduzem o estresse e melhoram a relação com o tempo.

Ao invés de lutar contra a rotina, podemos aprender a fluir com ela. Pequenos ajustes na forma como encaramos as demandas do dia podem transformar completamente nossa relação com o trabalho e o descanso.

Referências:

Produtividade, dinheiro e o mito do controle: como o Budismo pode mudar sua relação com trabalho e finanças

A busca por produtividade e estabilidade financeira se tornou uma obsessão moderna. Trabalhamos para ganhar mais, organizamos a rotina para sermos mais eficientes e planejamos cada detalhe para evitar erros. Mas, apesar de todo esse esforço, a sensação de insuficiência persiste. Estamos sempre devendo algo a nós mesmos.

Na Nova Tradição Kadampa, o Budismo ensina que o apego ao controle é uma das principais fontes de sofrimento. Isso se aplica diretamente à forma como lidamos com dinheiro, trabalho e metas pessoais. Pesquisas da Harvard Business School indicam que a pressão por resultados constantes pode gerar exaustão e diminuir a criatividade, impactando negativamente a produtividade e as finanças a longo prazo.

Ao invés de buscar um ideal inalcançável, o Budismo Kadampa sugere uma abordagem mais equilibrada: agir com sabedoria, aceitar as condições do presente e evitar a armadilha do perfeccionismo. Isso não significa negligência, mas sim um novo olhar sobre como organizar a vida sem transformar cada detalhe em um campo de batalha mental.

A busca incessante por fazer tudo da melhor forma pode ser um obstáculo ao invés de um facilitador. De acordo com um estudo da University of British Columbia, pessoas com tendências perfeccionistas tendem a procrastinar mais, pois evitam começar tarefas que não podem concluir de maneira impecável.

No Budismo, aprendemos que a perfeição não é o objetivo, mas sim o aprimoramento contínuo dentro das condições disponíveis. Aplicado ao trabalho, isso significa focar no progresso, e não na ideia rígida de que só vale a pena agir se for para acertar em cheio.

O dinheiro muitas vezes se torna um reflexo da nossa autoimagem. Se temos estabilidade financeira, nos sentimos competentes; se enfrentamos dificuldades, a sensação de fracasso toma conta. Pesquisadores da Yale School of Management mostram que pessoas que atrelam sua identidade ao dinheiro têm maior propensão ao estresse financeiro e a decisões impulsivas.

O Budismo ensina que dinheiro é um meio, não um fim. Se ele é visto apenas como um marcador de sucesso, sua ausência gera sofrimento desnecessário. Uma abordagem mais saudável envolve utilizar os recursos para sustentar uma vida equilibrada, sem se definir pelos números na conta bancária.

Muitas pessoas acreditam que a chave para a produtividade está em controlar cada minuto da agenda. Mas um estudo da MIT Sloan Management Review sugere que a flexibilidade na rotina gera mais eficiência do que uma programação rígida.

No Budismo, aprendemos que o apego ao controle gera frustração. Em vez de tentar encaixar tudo em um plano infalível, aceitar que imprevistos fazem parte da vida permite ajustes sem sofrimento. Isso não significa desorganização, mas sim uma abordagem mais leve ao planejamento.

Existe a crença de que quem trabalha mais, ganha mais. No entanto, a Stanford University descobriu que produtividade cai drasticamente após 50 horas semanais de trabalho, sem ganhos proporcionais na renda.

A prática budista sugere que a eficiência vem da clareza mental, e não da exaustão. Trabalhar de forma estratégica, respeitando os limites do corpo e da mente, pode ser mais lucrativo do que simplesmente adicionar mais horas à jornada.

O consumo muitas vezes está ligado à emoção. Compramos para preencher vazios, para aliviar o estresse ou para sentir que estamos no caminho certo. Segundo um levantamento da University of California, Berkeley, compras impulsivas estão associadas a níveis elevados de ansiedade.

O Budismo ensina que o desapego não significa rejeição total, mas sim o entendimento de que os bens materiais não são a base da felicidade. Aplicado às finanças, isso se traduz em escolhas mais conscientes, evitando gastos movidos pela necessidade de compensação emocional.

7 maneiras de mudar sua relação com produtividade e finanças

  1. Definir metas flexíveis – Ter objetivos é importante, mas permitir ajustes evita a frustração de um plano rígido que não se adapta à realidade.
  2. Evitar a autoavaliação baseada no dinheiro – Seu valor não depende de quanto você ganha ou economiza; foque na relação saudável com suas finanças.
  3. Trabalhar com pr****esença, não com ansiedade – Fazer as tarefas com atenção plena melhora a qualidade do trabalho e reduz o cansaço mental.
  4. Aceitar que nem tudo pode ser controlado – Planejamento é essencial, mas imprevistos fazem parte do fluxo da vida e não devem ser motivo de estresse excessivo.
  5. Desacelerar para decidir melhor – Tomar decisões financeiras com calma reduz a chance de compras impulsivas e investimentos arriscados.
  6. Criar espaços de descanso real – Momentos sem telas, sem prazos e sem cobranças ajudam a recarregar a energia para tarefas importantes.
  7. Cultivar contentamento no presente – Valorizar o que já foi conquistado reduz a sensação constante de que algo ainda está faltando.

Produtividade e finanças são áreas importantes da vida, mas quando viram uma obsessão, podem causar mais sofrimento do que benefícios. O Budismo Kadampa propõe um caminho de equilíbrio, onde eficiência e bem-estar coexistem.

Mudar a forma como nos relacionamos com o tempo e o dinheiro pode trazer mais clareza para decisões diárias. Afinal, a verdadeira produtividade não está em fazer mais, mas em fazer o que realmente importa.

Referências:

Ritual simples para encerrar 2024 e dar as boas-vindas a 2025 com intencionalidade

O final de um ano e o início de outro é um momento poderoso para refletir, agradecer e se preparar para novos começos. Um ritual simples pode ajudar a fechar o ciclo de 2024 com carinho e a abrir 2025 com intenção e clareza.

Aqui está um passo a passo para criar um momento especial, que pode ser adaptado de acordo com suas preferências e valores.


1. Encontre um espaço tranquilo

Reserve um momento só para você, em um lugar calmo. Pode ser seu cantinho favorito da casa, um parque ou até uma varanda. Prepare o ambiente com algo que te traga conforto, como uma vela, uma música suave ou uma xícara de chá.


2. Faça uma reflexão sobre 2024

Antes de começar a planejar o próximo ano, dedique alguns minutos para olhar para trás. Pergunte-se:

  • O que foi mais significativo neste ano?
  • Quais foram os aprendizados mais importantes?
  • O que quero deixar para trás e não levar para 2025?

Se quiser, escreva suas respostas em um caderno ou em um pedaço de papel.


3. Crie um gesto de encerramento

Um gesto simbólico pode ajudar a marcar o fechamento do ano.

  • Queime um papel com o que deseja deixar para trás (em segurança).
  • Acenda uma vela para simbolizar o fim de um ciclo e o início de outro.
  • Escreva uma carta para 2024, agradecendo pelo que viveu e pelos aprendizados.

4. Defina uma intenção para 2025

Pense em como você gostaria de se sentir no próximo ano. Escolha uma palavra, uma frase ou um tema que guiará suas decisões e ações. Pode ser algo como:

  • “Equilíbrio”
  • “Coragem”
  • “Alegria”

Anote sua intenção e mantenha-a visível no seu dia a dia, como no seu planner ou em um mural de inspirações.


5. Finalize com gratidão

Para encerrar o ritual, feche os olhos por alguns minutos e agradeça. Pode ser pelas conquistas, pelos desafios superados ou simplesmente pela oportunidade de começar de novo.


Conclusão

Esse ritual não precisa ser longo ou complicado para ser significativo. O importante é criar um momento para honrar o que passou e acolher o que está por vir.

Que 2025 seja um ano de realizações, aprendizado e propósito. E você, já tem algum ritual para essa transição? Compartilhe nos comentários!

O Budismo me ensinou a envelhecer

Dando continuidade ao post de ontem, desta vez com algumas reflexões a partir das minhas práticas no Budismo.

No caminho que todas trilhamos, o envelhecimento surge como uma jornada inevitável, rica em transformações e revelações. Hoje, inspirada pela serenidade e profundidade do Budismo, quero refletir sobre como essa filosofia milenar nos oferece uma perspectiva única e empoderadora sobre envelhecer, especialmente para nós, mulheres.

O Budismo, com sua elegante simplicidade e profundidade, nos ensina que a vida é marcada pela impermanência (anicca), sofrimento (dukkha) e pela não-eu (anatta). Essas três marcas da existência nos convidam a olhar para o envelhecimento não como um declínio, mas como uma oportunidade para aprofundar nossa compreensão sobre a natureza da vida, cultivando sabedoria, compaixão e, acima de tudo, liberdade interior.

Impermanência e Beleza

A impermanência nos lembra que tudo na vida está em constante mudança. Para nós, mulheres, essa percepção pode ser um convite a abraçar as mudanças físicas e emocionais do envelhecimento com aceitação e graça. Ao reconhecermos que cada fase da vida tem sua própria beleza e valor, libertamo-nos das pressões sociais que muitas vezes valorizam a juventude em detrimento da sabedoria e experiência que os anos nos trazem.

  1. Pratique a gratidão diária: Comece ou termine o dia listando três coisas pelas quais você é grata, incluindo aspectos da sua transformação pessoal. Isso ajuda a cultivar uma apreciação por todas as fases da vida e reconhecer a beleza única de cada uma delas.
  2. Crie um ritual de aceitação: Regularmente, dedique um momento para se olhar no espelho, focando em aceitar e celebrar as mudanças em seu corpo e em sua expressão. Use este tempo para agradecer a seu corpo por tudo que ele permite que você faça.
  3. Documente sua jornada: Mantenha um diário ou crie um álbum de fotos que capture momentos significativos de sua vida. Isso não só serve como um lembrete visual da constante mudança, mas também celebra o crescimento e as experiências adquiridas ao longo do tempo.

Sofrimento e Liberação

O Budismo não vê o sofrimento como um destino inevitável, mas como um caminho para a libertação. Enfrentar os desafios do envelhecimento, sejam eles físicos, emocionais ou espirituais, pode ser um meio poderoso de autoconhecimento e crescimento. Para nós, mulheres, isso significa encontrar força nas adversidades e reconhecer que, em nossa vulnerabilidade, reside nossa maior força.

  1. Meditação de Metta (Amor-Bondade): Pratique meditações de Metta, enviando amor e bondade a si mesma e aos outros. Isso pode ajudar a transformar a relação com o sofrimento, vendo-o como um caminho para a compreensão e a compaixão.
  2. Envolva-se em atividades que nutrem: Encontre hobbies ou atividades que trazem alegria e satisfação. Seja jardinagem, pintura, escrita ou yoga, essas práticas podem ser formas de processar e liberar o sofrimento, promovendo o autocuidado e o crescimento pessoal.
  3. Procure apoio: Converse sobre seus desafios e emoções com amigos confiáveis, grupos de apoio ou um terapeuta. Compartilhar sua experiência pode ser catártico e oferecer novas perspectivas para enfrentar as adversidades.

Não-eu e Conexão

A noção de não-eu nos convida a questionar a identidade fixa e a reconhecer nossa conexão intrínseca com os outros e com o mundo. No contexto do envelhecimento, isso pode nos ajudar a ver além dos papéis sociais de gênero e a encontrar uma liberdade genuína em quem somos, independentemente da nossa idade. Ao nos desapegarmos de uma identidade rígida, abrimos espaço para uma expressão mais autêntica do nosso ser.

  1. Práticas de Mindfulness (Atenção Plena): Dedique tempo para práticas de mindfulness, como meditação ou caminhadas conscientes, para cultivar a percepção de que você é mais do que seu corpo físico ou sua identidade social. Isso ajuda a reconhecer a conexão com os outros e com o mundo ao redor.
  2. Explore novas experiências: Abra-se para novas experiências e aprendizados que desafiem sua zona de conforto. Isso pode incluir viajar, aprender uma nova habilidade ou idioma, promovendo a ideia de que você está constantemente evoluindo e não é definida por uma única identidade ou fase da vida.
  3. Pratique a generosidade: Engaje-se em atos de generosidade e voluntariado. Dar aos outros pode reforçar a noção de não-eu, ao reconhecer que fazemos parte de uma comunidade maior e que nossa felicidade está interligada à felicidade dos outros.

Práticas Budistas no Dia a Dia

Como integrar a sabedoria budista em nossa jornada de envelhecimento?
Aqui estão algumas práticas que podem nos guiar:

  • Meditação: Cultivar uma prática regular de meditação nos ajuda a encontrar paz e clareza interior, enfrentando as mudanças da vida com equilíbrio e serenidade.
  • Mindfulness (Atenção Plena): Praticar a atenção plena no cotidiano nos permite viver cada momento plenamente, apreciando as pequenas alegrias e aceitando as dificuldades com compaixão.
  • Comunidade: Engajar-se em uma comunidade que compartilha valores budistas pode oferecer suporte e inspiração, lembrando-nos de que não estamos sozinhas em nossa jornada.

Envelhecer, sob a luz do Budismo, é um caminho de descoberta e liberação. Para nós, mulheres, oferece uma oportunidade única de redescobrir nossa força interior e viver com uma profundidade e propósito que só podem ser alcançados através da experiência e da sabedoria acumulada ao longo dos anos.

Que possamos todas caminhar com graça, abraçando as lições e a beleza inerentes à nossa jornada de envelhecimento.

Sobre envelhecer

Se nossa existência tem um crepúsculo, envelhecer é um convite a esse rito de passagem.

Envelhecer em um mundo com tanta violência e doenças é um privilégio. Meu pai morreu cedo, com câncer. Então eu acho muito bonito ver alguém envelhecendo. Significa que aquela pessoa sobreviveu.

É uma jornada adornada não de perdas, mas de preciosas conquistas; cada ruga, uma trilha de risos partilhados, cada olhar, um mar profundo de histórias vividas.

Somos convidadas a dançar com os ciclos da natureza, abraçando a graça do tempo com a dignidade das árvores que, firmes, testemunham as estações passar. O envelhecer torna-se, então, não um caminhar para o ocaso, mas um florescer contínuo, um desabrochar eterno que celebra a plenitude da vida em cada respirar.

Redescobrimos o poder ancestral da conexão com o divino feminino, honrando a Anciã dentro de nós, guardiã da sabedoria e da força que nos guia. Envelhecer é, assim, um ato de poder, uma afirmação de vida que ecoa os segredos do universo, ensinando-nos a acolher cada amanhecer com gratidão e cada anoitecer com a promessa de renovação.

Este post então é um pouco sobre isso, e um pouco sobre como eu vejo o envelhecer “na prática” conciliando duas áreas importantes para mim, que são o Ayurveda e o neo Paganismo.

A Ayurveda e o Ciclo da Vida

A Ayurveda, sistema de saúde holístico que originou na Índia há mais de 5.000 anos, nos ensina que a vida é um ciclo de nascimento, crescimento, declínio e renovação. Envelhecer, neste contexto, é uma fase natural e respeitada do ciclo da vida, que traz consigo sabedoria, maturidade e a oportunidade de refletir sobre nossa jornada.

Segundo a Ayurveda, cada fase da vida é dominada por um dos doshas (Vata, Pitta e Kapha), sendo o Vata o dosha que predomina na velhice. Isso significa que práticas que equilibram Vata, como nutrição adequada, rotinas regulares e meditação, são essenciais para envelhecer com saúde e vitalidade.

Wicca e o Respeito pelas Fases da Lua

Na Wicca, a conexão com os ciclos naturais da Terra e a veneração pela Deusa em suas três faces – Donzela, Mãe e Anciã – nos ensinam a abraçar cada fase da vida como uma manifestação do divino. A Anciã, em particular, é reverenciada por sua sabedoria, conhecimento e magia, nos lembrando que o envelhecimento é um processo sagrado e poderoso.

A prática de alinhar nossas vidas com os ciclos da lua, celebrando a beleza e a sabedoria em todas as fases, pode nos ajudar a aceitar o envelhecimento como parte natural e honrada de nossa existência.

Integrando Ayurveda e Wicca na Nossa Jornada

Como podemos, então, integrar essas práticas ancestrais em nossa jornada de envelhecimento? Aqui vão algumas sugestões:

  • Nutrição e Autocuidado: Adote uma dieta que equilibre Vata, rica em alimentos quentes, hidratantes e nutritivos. Pratique yoga e meditação para manter o corpo e a mente ágeis.
  • Rituais e Celebrações: Crie rituais que celebrem as fases da sua vida, honrando as lições aprendidas e a sabedoria adquirida. Celebre os Sabbats e Esbats, reconhecendo a beleza em cada ciclo da natureza e da vida.
  • Comunidade e Compartilhamento: Cultive uma comunidade de apoio onde o envelhecimento seja visto como uma fase de crescimento e aprendizado. Compartilhe suas histórias e sabedoria com as gerações mais jovens.
  • Aceitação e Gratidão: Pratique a aceitação e a gratidão por cada momento vivido. Reconheça a beleza em todas as fases da vida, incluindo os desafios e as bênçãos do envelhecimento. Registre em um diário.

Envelhecer com graça não é sobre negar o tempo ou lutar contra as marcas que ele deixa, mas sim sobre abraçar a jornada com sabedoria, amor e gratidão. Ayurveda e Wicca, com seus ricos ensinamentos sobre a natureza e o ciclo da vida, oferecem caminhos profundos para uma velhice vivida plenamente e em harmonia.

Que possamos todas encontrar força, sabedoria e beleza em nossa jornada de envelhecimento, celebrando cada fase como um presente precioso da vida.

Com carinho e respeito pelas nossas jornadas

Felicidade interna e externa

Todos os dias, quando acordo, tenho uma rotina de autocuidado que inclui uma série de práticas a fazer antes de amanhecer. Uma delas é a leitura. Gosto de ler livros sobre Budismo, ou livros sobre espiritualidade de modo geral, que mantenham meu espírito elevado para o novo dia que se inicia.

Recentemente, um desses livros é “Como ser feliz o tempo todo”, do Yogananda. Esse livro é parte de uma série de vários outros com poucas páginas trazendo as orientações do Yogananda para aspectos específicos da vida. Neste, ele fala sobre felicidade.

Logo de início ele traz a ideia de que a felicidade não é algo que acontece, mas que você escolhe sentir. É uma decisão interna. A partir dela, você toma algumas resoluções a respeito do que vai alimentar na sua vida. Anos atrás, quando comentei que parei de assistir filmes de terror, muitos amigos não entenderam. Mas é isso. Quero alimentar a minha mente com elementos que me façam bem, não que me deixem em um estado de perturbação. Trazendo elementos que me deixem feliz, será mais fácil “colher felicidade”.

Depois, ele traz o ponto de que a felicidade diz respeito ao nosso mundo interno.

No início da quarentena, eu estava com muitas dúvidas a respeito dos sentimentos conflitantes que estava sentindo. Apesar de estar tudo bem aqui no nosso microcosmo, eu me sentia um pouco mal por estar me sentindo feliz sabendo que existem tantas pessoas no mundo sofrendo. Foi no Budismo que encontrei a resposta: problemas exteriores exigem soluções exteriores. Problemas interiores exigem soluções interiores.

O que traz ansiedade na pandemia é que está completamente fora do nosso controle. Não sabemos quando haverá vacina, quando voltaremos “ao normal”, quando poderemos viajar ou ir à feira. Problemas exteriores. Ansiedade = problema interior. Logo, para resolver a minha ansiedade, não adiantava eu esperar a solução vinda de fora – eu tive que ir para dentro. Voltei a fazer terapia, intensifiquei minhas meditações, redobrei minha rotina de autocuidado em todos os aspectos, regulei o meu sono, passando a acordar mais cedo. Etc.

É perfeitamente ok se sentir feliz por dentro. Sua família está bem. Você se sente em paz. O trabalho está ok. Por esse motivo, você até consegue ajudar outras pessoas. Sentir-se feliz, ter um contentamento interior, não significa que você está ignorando os problemas do mundo ou que a sua vida é um “mar de rosas”. Significa que você trata os problemas mundanos como eles são: mundanos. Com soluções mundanas. Para problemas internos, você busca soluções internas – meditação ajuda muito, terapia também.

Hoje eu postei no Twitter uma frase que compartilhei acima e uma pessoa respondeu que às vezes se sente culpada por estar se sentindo feliz. Eu não tive a oportunidade de desenvolver essa conversa com essa pessoa, então não sei por que ela se sente culpada. Se formos imaginar que ela se sente culpada porque outras pessoas estão sofrendo, pensar sobre os sofrimentos internos e os sofrimentos do mundo pode ajudar. As pessoas estão sofrendo? O que você pode fazer para ajudá-las? Faça! Talvez a culpa venha de você saber que poderia fazer algo mas não está fazendo? Então faça. É isso, mas não se culpe. Porque a culpa seria uma questão interna que não vai resolver o problema externo também. Só traz sofrimento.

Pensar assim tem me ajudado demais, de forma prática mesmo, no dia a dia. A não me preocupar com problemas mundanos. É aquilo: tem solução, bora pra solução. Não tem solução, paciência. Não vou tirar minha paz por conta disso.

Não digo que seja sempre fácil, mas estou nesse caminho. Entender esse conceito, essa separação, fez muita diferença para mim.

A partir do momento em que eu passo a sentir esse contentamento interior, a própria forma de me relacionar com as pessoas e com o mundo muda.

Quando eu li “Atitude Mental Positiva”, do Napoleon Hill, era esse o sentimento bom que me evocava aquela leitura, mas à época eu não sabia explicar direito por quê. Hoje eu sei. Porque é isso; não se trata de forçar. Se trata de escolher ser feliz, não importam as condições externas. As condições externas nós lidamos com soluções externas. Todos precisamos trabalhar, pagar boletos, comprar comida. Meditação não vai fazer aparecer dinheiro na mesa, porque dinheiro é uma questão externa.

Tá tudo ok você querer sair para jantar com os seus amigos, querer comprar um relógio ou livro, ou até mesmo sentir necessidade de ter um carro. O problema estaria em ver felicidade nessas coisas.

Acho muito louco isso e, acima de tudo, muito pragmático. Foi um divisor de águas na minha relação com tudo aprender a pensar dessa forma. Espero ter conseguido demonstrar neste post como isso impacta positivamente (ou pode impactar negativamente) no seu processo de organização.

Numerologia e Vida Organizada

Um dos assuntos esotéricos que eu mais gosto e que acho que têm a ver com organização é a numerologia. Este post é para trazer um pouco sobre por que eu acho que a numerologia tem a ver com a organização da vida.

Em primeiro lugar, o ciclo de 9 anos. Eu acho isso um barato. Basicamente, e resumidamente, o que a numerologia nos mostra é que todos nós vivemos em ciclos de 9 anos na nossa vida. O ano 1 é aquele do início, de começar a plantar as sementes para tudo aquilo que você quer colher no ano 8 e, talvez encerrar no ano 9. Toda pessoa está em um “ano pessoal”, que é um ano que começa na data do seu último aniversário e termina na data do próximo. Por exemplo, desde 25/09/2019 eu estou em um ano pessoal 1. Estarei nesse ano pessoal 1 até o dia 25/09/2020, quando entrarei em um ano pessoal 2. Você encontra esse número somando os números do dia, mês e ano vigente e reduzindo até um único numeral de 1 a 9. No meu caso, 2+5+9+2+1+9=28, =2+8=10, =1+0=1

Eu sei que os leitores do blog são inteligentes o suficiente para saber que isso não é algo que engessa as minhas decisões, mas sempre cai alguém de paraquedas que pode fazer essa pergunta mais cética. Eu não “acredito” nisso. Não se trata de uma crença. Trata-se de uma ferramenta de autoconhecimento, de análise, que pode ser usada para reflexão, para entender o momento que cada um está vivendo. Eu gosto muito e, acompanhando há pelo menos dois ciclos desses na minha vida, vejo que faz sentido. Logo, uso exatamente como uma ferramenta de reflexão e planejamento.

No Método Vida Organizada, ensino uma estratégia de planejamento de vida que se baseia no curto, médio e longo prazo. O médio prazo pode ser visto pela década de vida em que você está (ex: dos 30 aos 40 anos) ou dentro do ciclo de 9 anos, se você curtir numerologia. Ou seja, tudo o que não for curto prazo (até dois anos) ou longo prazo (“pra vida”), se encaixaria nesse médio prazo, em um ciclo de cerca de uma década. E tem bastante coisa que a gente pode fazer em quase uma década, apesar de também passar rápido.

Pensar em ciclos que começam e se encerram me ajudam a colocar os pensamentos em ordem. Um exemplo prático: quero reformar a nossa casa. Não é algo que vai acontecer em menos de dois anos (envolve outras questões), mas para esse ciclo de 9 anos, faz sentido. Não que obrigatoriamente vai levar 9 anos, entende? Mas é um período factível, pois nem sei quando começaremos a reforma. Tem coisas que simplesmente levam mais tempo. Fazer um doutorado, por exemplo. Enfim, é para esse tipo de construção que leva mais tempo.

Imagem: site da CVC

(Eu ainda sonho em ter essa vista da minha casa <3)

A numerologia também me ajuda no autoconhecimento. Há alguns anos, a minha amiga Wanice Bon’Ávigo me presenteou com um mapa numerológico, que explica a minha personalidade através dos números. E olhe, acredite você ou não, mas é uma análise fantástica.

Eu gravei um vídeo no YouTube reagindo aos comentários dela sobre o meu mapa, se você quiser conferir:

Alguns aspectos muitos legais que ela fala:

  • A questão da compassividade
  • A questão da criatividade
  • O aspecto transgressor
  • A habilidade de organização, planejamento etc.

Meu número de motivação é o 3, o que significa que o que me motiva é a criatividade. E sim! Criatividade é um valor fortíssimo para mim, e em tudo o que eu coloco a minha criatividade aquilo se torna mais atrativo para mim. Ela ainda cita que o 3 é aplicado (no meu caso) na própria comunicação, através deste trabalho que eu tenho com a Internet.

Um número de destino 8 diz que eu vim nesta vida para ter realizações. Eu sou uma pessoa que gosta de fazer acontecer. E que o fato de eu ter algumas lições cármicas, especialmente com relação ao número 9, significa que eu estou sempre em busca de um equilíbrio entre o mundo material e o espiritual. O 8 também é meu número de expressão, o que justifica muito a imagem que as pessoas têm de mim de “não sei como ela faz tanta coisa!”. Às vezes nem é tanta coisa, mas eu tenho essa habilidade de realização que de fato é percebida, expressada por mim, e acho curioso como isso aparece no meu mapa.

Toda vez que a Wan e eu conversamos e eu conto algo como “resolvi fazer um curso de formação em Ayurveda” ou “tirei 7 certificações do GTD” ela vira os olhos brincando e diz: “isso é a pessoa com número psíquico 7 – a pessoa que não sabe ficar na superfície”. E isso é muuuuito quem eu sou mesmo, me descreve perfeitamente mesmo quando antes eu nem sabia colocar isso em palavras.

Enfim, acho que é uma análise muito gostosa e que vale a pena de ser feita para se entender e entender um pouco os diversos ciclos de vida que vivemos.

A Wan vai fazer um especial de aulas sobre numerologia semana que vem para os seus alunos (de graça) e eu perguntei para ela se poderia divulgar para os leitores do VO, pois acredito que alguns de vocês também possam ter curiosidade para aprender sobre a sua numerologia pessoal. Se você tiver interesse, então, clique aqui para saber mais sobre o evento e se inscrever. 😉

Descobrindo o seu dosha (ayurveda)

Ok, eu vou escrever sobre um tema que não é de meu domínio, apenas sob o ponto de vista do meu aprendizado atual. Recomendo a consulta a um terapeuta ayurvédico para mais informações.

Ayurveda é a medicina indiana e envolve muitas, muitas coisas. Yoga, meditação, alimentação – tudo isso é interligado e integra a sua saúde. Eu tenho ido cada vez mais nessa linha, pois acredito que a saúde seja esse todo integrado – não se trata só do corpo, só da mente, só da pele, só da dor no estômago ou de cabeça… e as emoções influenciam também no que o seu corpo expressa, pois toda doença na verdade é uma forma do seu corpo materializar o que está sentindo internamente.

Bem, se você não acredita nessa abordagem, talvez você queira pular os meus posts sobre esse assunto, mas saiba que eu me identifiquei com ele justamente porque está totalmente relacionado ao que eu acredito com relação à organização pessoal e trato aqui no Vida Organizada. Quando a gente fala sobre planejamento de vida, áreas da vida > saúde, é isso aqui, basicamente, para mim, e você apenas ter outra abordagem. 😉

Bem, e o que são doshas? Segundo o site da Sociedade Brasileira de Ayurveda, “doshas são fatores desencadeantes de doenças físicas e psicológicas; indicam desordens emocionais, desequilíbrio mental e disfunções fisiológicas.”

De acordo com o Ayurveda, apesar de existirem diferentes doenças e fatores patogênicos, todos são produtos da desarmonia dos três humores biológicos: Vata, Pitta e Kapha.

“O Ayurveda tem como objetivo equilibrar os humores para neutralizar o processo de formação das doenças. O foco está em encontrar a origem da doença e seu processo curativo envolve: alimentação, fitoterapia (uso de plantas medicinais), massagem, uma rotina diária (chamada de Dinacharya), yoga e meditação.”

Segundo o Ayurveda, mudanças na nossa rotina diária e melhoria da nossa alimentação farão mais pela nossa saúde a longo prazo do que tomar remédios ou procurar tratamento médico. Obviamente não está sendo dito que uma coisa substitui a outra, por favor. 🙂 Só está dizendo qual é a abordagem dessa vertente oriental.

Eu preenchi um questionário no site da Sociedade Brasileira de Ayurveda para identificar qualquer desequilíbrio atual nos meus doshas. Você também pode fazer, é gratuito e está em português. Obviamente que o questionário não substitui uma consulta com um terapeuta ayurvédico, que iniciará um tratamento e um acompanhamento adequados, mas é um começo. Fora que é uma reflexão muito interessante de se fazer para se conhecer e avaliar como você tem levado a sua rotina.

Bem, eu fiz o teste recentemente e meu resultado foi:

A recomendação, após conhecer seu resultado, é ler sobre os doshas, entendê-los, e ver como aplicar em sua alimentação, rotina etc. as recomendações. Lembrando que a abordagem adequada sempre será através de um acompanhamento feito por um profissional ayurvédico.

Aquele livro que eu estou usando como “bíblia” recentemente, que já comentei aqui com vocês, traz orientações sobre esses alimentos e também tenta fazer um link entre o que você deve ou não comer para equilibrar os seus doshas + o que está alinhado com as estações. Parece complexo mas, sinceramente, de modo geral é você ir testando, se observando, vendo o que funciona com você.

Para mim, a alimentação é algo imediato. Funciona ou não funciona imediatamente quando como um alimento. Semana passada comi um pão com leite sem querer (o cara no local me garantiu que não tinha leite, mas tinha) e eu passei mal durante uma semana. Esse auto-conhecimento, quando não existe, pode fazer a gente não descansar adequadamente, achar que a causa foram outras coisas. Por isso acho fundamental esse cuidado com a alimentação e acho que isso sim deveria ser ensinado na escola.

Sempre comi muito errado a vida toda e só ano passado fui ouvir falar sobre ayurveda, porque eu mesma, coincidentemente, tive curiosidade sobre um livro que falava sobre ritmos diários. Mas eu acho que esse conhecimento deveria ser mais amplamente difundido, sinceramente. Faz toda a diferença na minha vida.

Eu criei um painel de referência no Trello para ir inserindo as informações que vou aprendendo a respeito. A ideia é me observar, ter informações para conversar com a terapeuta quando finalmente me consultar com uma (estou procurando!). É um exercício gostoso que estou fazendo e, diariamente, vou incorporando novas práticas.

Também já pedi para o meu marido fazer o questionário e vou observar o filhote porque assim eu consigo pensar melhor nas refeições e ajudá-los com lanchinhos e outras atividades.

Vocês querem que eu continue compartilhando os meus aprendizados de Ayurveda e experiências pessoais por aqui? Por favor, deixe um comentário. Obrigada!

Como eu organizo as minhas leituras no Budismo

Uma das áreas que muitas alunas, mentorandas e leitoras me relatam que costuma ficar de lado é a espiritualidade. Ler livros, estudá-los, é uma das maneiras mais fáceis para mim de criar espaço para a religião no meu dia a dia, então espero que este post possa ajudar você com ideias.

Vale lembrar que espiritualidade não é sinônimo de religião. Eu usei o termo religião acima porque, no meu caso, eu tenho uma religião. Mas é perfeitamente ok você desenvolver a sua espiritualidade sem uma religião específica.

A escola do Budismo a qual me dedico é a Nova Tradição Kadampa, que fica dentro do enorme guarda-chuva do Budismo Mahayana. Apenas para localizar, a Monja Coen, por exemplo, é de outra tradição dentro do Mahayana também, que é o zen. Apesar dos propósitos comuns (todos os caminhos buscam a mesma coisa), há diferenças nas práticas.

Na tradição que eu digo já existem muitos livros publicados e outros a serem traduzidos. Meu projeto atual então é ler todos os livros já traduzidos da tradição, na ordem recomendada. (Todos os livros da tradição são publicados pela Ed. Tharpa Brasil e você pode encontrá-los no site da editora ou comprar pela Amazon mesmo. Algumas livrarias físicas vendem os livros também. Tem que olhar na sua região.)

Eu já li a maioria desses livros nos últimos anos, mas a ideia aqui é ler e reler na ordem sugerida para fins de estudo também. No ano passado, eu ingressei no curso de formação de professores da tradição. Estuda-se um livro de cada vez (durante alguns meses), há discussões em grupo, explicações da monja, além de exercícios práticos.

O propósito desse curso é formar professores de meditação e Budismo Moderno nos diversos países onde estão os centros da NKT (Nova Tradição Kadampa) ao redor do mundo. Os centros são colocados nas grandes cidades, pois é onde as pessoas vivem mais agitadas e precisando de paz.

Por esse motivo, por mais que existam as versões em e-book, eu prefiro estudar com o livro físico, pois durante as aulas eu posso precisar levá-los a fim de citar referências.

Leio um pouco ou muito todos os dias, dependendo do ritmo de compromissos naquele dia em questão. De modo geral, leio pela manhã e à noite, antes de dormir. Para mim, é importante ler diariamente, pois assim eu vou construindo a minha reflexão em camadas. Sempre levo comigo para ler ao longo do dia, quando tenho compromissos externos.

Eu leio o livro na ordem recomendada pela tradição e, em paralelo, há o estudo do livro do curso. Se houver necessidade ou vontade, eu faço outras leituras ou consultas esparsas em paralelo.

Este é um livro base da minha tradição

O objetivo principal de qualquer prática budista é chegar ao estado de iluminação, conhecido como “budeidade”. Um Buda é quem alcançou esse estado. Isso significa que purificamos nossa mente e acabamos com todas as delusões mentais. Delusões são “maus hábitos mentais” que nos fazem enxergar as coisas de maneira distorcida. Raiva e inveja são alguns exemplos de delusões. No Budismo, acredita-se que aprender a acabar com essas delusões seja o caminho mais efetivo para alcançar a paz mental. A leitura e o estudo dos livros me ajuda a entender a esclarecer questões e situações, além de manter minha mente “ligada” no assunto, o que representa uma contínua lembrança.

A área de foco que escolhi para o meu ano de 2020 foi a espiritualidade justamente porque sinto que tudo o que eu quero para a minha vida virá dessas práticas. Ser mais paciente, por exemplo, além de outros aspectos. Isso significa que as atividades serão priorizadas diante do resto, sempre que possível. A leitura diária desses livros faz parte dessa priorização.

Se a sua área de foco este ano for outra, um bom exercício seria pensar: o que, se eu fizesse um pouco todos os dias, me traria um senso de estar evoluindo nessa área?

Daruma

Pois bem. Cada vez mais eu tenho estudado as culturas orientais por pura identificação. Acho que são muitos fatores. A prática do Budismo e da meditação. Meu pai praticava judô e kung fu, e eu mesma tinha interesse nessa arte marcial quando adolescente (nunca desenvolvi). Pratico yoga. Me interesso por diversos assuntos relacionados e poderia passar o post escrevendo sobre eles, mas não é o caso. Hoje eu quero aproveitar a véspera de Natal para falar sobre esse talismã da cultura japonesa e o que ele representa.

Um talismã é um objeto que traz sorte para quem assim acredita. Esse “boneco” ganhou o nome porque foi inspirado na história de um monge indiano que perdeu braços e pernas de tanto tempo que ficou meditando em uma caverna, e removeu as pálpebras para não adormecer meditando, até que alcançou a iluminação. Ele começou a ser usado no Japão no século XVII d.e.C.

E como funciona? Bem, ele vem sem os olhos pintados. A ideia é que você faça um pedido e pinte um dos olhos. Quando o pedido se realizar, você pinta o outro e guarda o talismã como recordação da sua conquista. Eu tenho um objetivo muito importante para 2020, então achei que seria uma boa oportunidade de ter o meu talismã ali me olhando e me lembrando do objetivo diariamente.

Eu comprei o meu em uma loja no bairro da Liberdade, em São Paulo. Você não terá dificuldades em encontrar por lá, visto que é vendido em diversos lugares. Caso você não seja de São Paulo, creio que não encontre dificuldades comprando pela Internet.

Voltei de viagem para São Paulo. Passei alguns dias com a minha família na praia e voltamos bem na semana que todo mundo costuma tirar férias! Eu não gosto de ir para a praia em temporada, então aproveito que tenho flexibilidade de agenda para curtir o local com mais tranquilidade. Foi ótimo, descansei muito e voltei com muita coisa legal para colocar em prática. Fique ligada/o que nas próximas semanas vou compartilhar por aqui.

Feliz Natal para quem for de Natal! Para quem não for, boas festas, de qualquer maneira!

Análise das áreas da minha vida e escolha do meu foco para 2020

Um dos exercícios que eu aprendi a fazer na minha formação de coaching se chama roda da vida. Trata-se de uma ferramenta que você utiliza para refletir sobre o seu nível de satisfação em cada uma das áreas e usar isso para decidir algumas questões importantes para a sua vida.

A última vez que fiz essa análise foi durante a Turma 3 do Workshop de Planejamento de Vida, que aconteceu no dia 15/11 aqui em São Paulo. Eu costumo fazer essa análise uma vez por mês, mais ou menos, ou sempre que sinto necessidade.

Antes de chegar nesse ponto do curso, a gente faz uma série de outros exercícios de auto-conhecimento que culminam nessa análise final mais aprofundada de cada uma das áreas. E, a partir dessa análise, a gente delineia todo o resto.

Por exemplo, eu notei que a área em que estou menos satisfeita no momento é a de hobbies e diversão. Sou uma pessoa criativa e gosto de sempre trazer criatividade para o meu dia a dia, mas tenho notado que, com minhas questões de saúde este ano e os projetos profissionais aliados ao mestrado nos últimos meses fizeram com que eu restringisse as minhas saídas, passeios e atividades mais de diversão mesmo.

Por outro lado, vejo o quão bem estou nas outras áreas da vida. Isso é ótimo. Não é ruim ter dado uma nota menor para uma ou mais áreas. O essencial aqui é a gente fazer essa reflexão para entender o momento que está vivendo.

Ao ponderar sobre a área que gostaria de focar mais, escolhi espiritualidade. A orientação aqui é pensar: qual área, se eu focar meus esforços no ano que vem, ou daqui em diante, vai impactar positivamente todas as outras? Porque é claro que todas as áreas são importantes. Mas nossa intuição sempre nos diz qual a área que deve ser focada para trazer resultados em todas as outras. E eu escolhi espiritualidade, por uma série de motivos pessoais. Acho que é a primeira vez que escolho essa área, mas estou em um momento de grande intuição e plenitude, e sinto que esse é o caminho.

Convido você então a fazer essa reflexão e compartilhar aqui embaixo nos comentários que área você escolheu para focar em 2020 e por quê. Você pode usar meu exemplo acima para listar as áreas ou listar as áreas de maneira personalizada para a sua vida. Não existe um formato certo e fixo, mas o que funciona para você.

Você verá como esse exercício é incrível. 😉 Espero que ajude.

Veganismo

Bem, chegou o momento de escrever sobre isso no blog. Sei que é um assunto polêmico, mas tudo o que peço é respeito a esse meu espaço (que, afinal, é um blog pessoal) e respeito também nos comentários, para mim e para os outros.

Este post faz parte de uma série de posts onde estou escrevendo sobre estilo de vida, e você pode conferir todos os outros clicando aqui.

Faz, sinceramente, uns 20 anos que eu quero me tornar vegetariana. Quando eu era mais nova, contribuí durante muito tempo com a PETA e o Greenpeace e sempre fiquei revoltada sabendo como os animais são tratados pelos seres humanos – da indústria pecuária à medicina. O fato de o Paul McCartney ser vegetariano (e eu, apaixonada pelos Beatles) sempre foi uma “coisinha” que me cutucou ao longo dos anos. Ao mesmo tempo, sempre tive uma postura meio imatura e rebelde, no sentido de achar cool dizer coisas como “eu amo carne” etc.

(Mal sabia eu que isso não tinha nada de rebelde, pelo contrário. Nada é tão a favor do sistema quanto consumir algo que é mainstream.)

Em 2017, eu fiz a cirurgia bariátrica e, depois disso, não só o paladar muda bastante, como também alguns alimentos se tornam mais indigestos. A carne vermelha foi um desses alimentos. Eu só conseguia consumir se fosse moída, tipo em hambúrguer ou refogada. Mesmo assim, eu reduzi muito. Não comia nem duas vezes por semana, quando muito. Minha alimentação diária era à base de frango, ovos e peixe (porque eu também sempre adorei um restaurante japonês!).

Só que, com o passar do tempo, fui ficando muito enjoada do gosto e até o cheiro do frango. Comia apenas pela “obrigação nutricional”, o que é péssimo (acho que o momento da alimentação é sagrado e deve ser aproveitado com felicidade, e não com esse sentimento de obrigação). Acabei tirando o frango também e consumindo carnes, de modo geral, apenas duas ou três vezes por semana.

Em dezembro do ano passado, na ceia de Natal, eu passei mal comendo uma carne vermelha. Tive um entalo, coisa que nunca tinha tido após a cirurgia porque sou muito cuidadosa. Mas, na ceia, conversando, me distraindo, acabou acontecendo. Fiquei conversando e provavelmente engoli um pedaço sem mastigar direito, o que basicamente causou uma obstrução entre o meu estômago e o intestino delgado. Comecei a sentir uma dor muito forte, cada vez maior, até o ponto que meu sexto sentido me disse que era melhor ir para o hospital. Fui. Não apenas passei a noite de Natal internada como fiquei mais alguns dias, com sonda, foi horroroso, fora o medo de ter que passar por uma nova cirurgia. Não houve obstrução, por fim. Eu vomitei horrores antes mesmo de dar entrada na internação, e a partir daquele dia eu decidi que não comeria mais carne vermelha.

Em fevereiro, comecei a passar muito mal, de outra forma. Meu médico e eu, a princípio, achamos que fosse uma intoxicação alimentar. Vou resumir aqui para não ficar muito longo, mas eu passei quase TRÊS MESES nessa situação, quase beirando uma anemia e sem forças para trabalhar, sair de casa, nada, de tão desidratada. Foi uma bateria de exames (que, como vocês podem imaginar, tomam tempo pra caramba), passando super mal todos os dias. Até finalmente descobrir que o que eu tinha era uma alergia muito forte à lactose. Do nada. Tão forte que, se o produto for daqueles elaborados na mesma máquina que outro que não tenha, isso pode me dar uma reação (e geralmente dá). Isso impactou toda a minha vida, especialmente minha dedicação ao trabalho. Foram meses bem difíceis.

Em um primeiro momento, a solução óbvia era evitar derivados do leite e conseguir encontrar um remédio de lactase que equilibrasse a minha alimentação. Durante os meses seguintes, fiquei lutando contra a minha própria natureza tendo que ingerir remédios se quisesse comer sem passar mal (eu não gosto de tomar remédios).

Percebi também que comer fora de casa era um desafio. Nunca vou me esquecer do dia em que passei mal porque comi uma couve refogada, concluindo depois que isso aconteceu porque ela deve ter sido preparada com manteiga. Lembrei que não bastava não consumir queijos e alimentos com leite – mas que há muitos alimentos preparados com esses ingredientes! Lembro nitidamente de um dia em que fui ao Outback com a minha família depois disso, e todos os itens do cardápio eram sinalizados com uma gotinha, que simbolizava “preparado com leite”. (Ironicamente, o único prato do menu que não contém lactose é o prato da costela com molho barbecue!)

Naquela época, um aluno que também tinha alergia a lactose me deu uma dica: ir em restaurantes veganos. “Assim”, ele disse, “tenho certeza que nada ali vai ter leite, porque veganos não consomem nada de origem animal”. Achei que era uma ótima ideia, na verdade. Uma grande sacada! E foi o que eu comecei a fazer.

Isso foi maravilhoso porque, quando comecei a frequentar esses restaurantes, eu passei a ver a imensa riqueza de opções de comidas e preparos que existem quando você resolve não comer mais carne e qualquer alimento de origem animal. Meu pensamento óbvio foi: “caramba, realmente não tem necessidade nenhuma da gente comer qualquer coisa com carne”. E aí você começa a juntar os pontos dentro de você com outras questões muito urgentes mas que estavam incubadas, como a violência e a exploração animais.

Também desmistificou a ideia de que vegano só come mato. Tinha até pizza quatro queijos feita com ingredientes à base de plantas. Realmente um novo mundo se abriu para mim a partir dali.

Em paralelo a essa “descoberta gastronômica”, estava fazendo uma pesquisa muito aprofundada sobre a questão da lactose, conversando com médicos e outros profissionais da área, e uma coisa era consenso: o leite da vaca tinha que passar por tantas modificações e adições de elementos artificiais para ser industrializado no volume que existe hoje, que esse é o motivo de muitas pessoas estarem desenvolvendo alergia à lactose, infelizmente. Para passar dessa informação para outras que mostram como o leite é produzido, é um só pulo. E aí isso te abre os olhos para um mundo muito mais obscuro e triste, que vai além de você, ser humano, ter alergia à lactose. Envolve toda uma indústria de muito dinheiro, e animais sendo maltratados para a gente ter o alimento na nossa mesa.

Vale dizer que tudo isso também aconteceu este ano, com uma série de notícias sobre política e o meio-ambiente que estavam deixando todo mundo meio inconformado.

Naquele momento, eu ainda estava consumindo ovos (e adorava), até assistir um documentário chamado “Terráqueos” (tem no YouTube) e perceber o que eu estava financiando. Naquele momento, eu tomei a decisão de não mais compactuar com aquilo. Foi o dia que tomei a decisão de fazer minha transição para o veganismo.

Por uma incrível coincidência, foi na mesma semana que aconteceu aquilo que a imprensa chamou de “dia do fogo” – um dia de queimadas que acabou ocasionando um dia de céu super escuro aqui em São Paulo alguns dias depois. Inflamou-se cada vez mais a questão amazônica e os motivos das queimadas (gerar pasto). Minha revolta interna aumentou ainda mais e dali em diante minha decisão não tinha mais volta. Simplesmente decidi que não consumiria mais nada de origem ou exploração animal – não apenas na comida, mas qualquer outro produto (roupas, cosméticos, produtos de limpeza, uma infinidade de coisas). Quando você começa a pesquisar, vê que a alimentação é um indústria enorme, mas a de testes em animais, por exemplo, é tão grande quanto. Não tem como não ficar inconformado.

O veganismo é uma transição. Não acontece do dia para a noite, mas a decisão sim. Naquele momento, eu decidi que dali em diante eu ajustaria toda a minha vida de acordo com os meus princípios mais uma vez (que é basicamente o que eu faço com tudo).

O veganismo não diz respeito apenas à alimentação. É um estilo de vida. Não consumir alimentos de origem animal é o vegetarianismo. O vegano segue uma dieta vegetariana estrita. Quem não come carne, mas ainda consome leite, ovos, mel, é chamado de ovolactovegetariano. O veganismo inclui não apenas a alimentação, mas outros produtos, como bolsa de couro, por exemplo, ou usar um cosmético que tenha sido testado em animais. Por isso eu digo que é um processo. Eu ainda tenho shampoo, hidratante, peças de roupa com origem animal. Mas não vou comprar mais daqui em diante. E é isso.

Eu e meu leite vegetal preparado em casa. <3

Lembro de um dia em que fui à farmácia depois de iniciar essa transição e, só por curiosidade, dei uma olhada em alguns produtos para ver quais tinham aquele selo de “cruelty free”, o que significa que não foram testados em animais. Muito poucos. O que me veio à mente foi imaginar que todo o restante da farmácia, que é enorme, mas é apenas uma entre milhares de farmácias, existe essa imensidão de produtos testados em animais. Quando penso no mundo todo, e nessa febre que existe hoje com produtos de maquiagem e skin care… socorro!

Um fenômeno curioso que começa a ocorrer quando você declara que se tornou vegano é uma “encheção de saco” coletiva e completamente não solicitada de pessoas que se sentem no direito de questionar as suas escolhas, tão pessoais. Existe um estigma de que “vegano é chato”, e até concordo que seja. Mas são os chatos revoltados que mudam o mundo, no entanto. Então não me importo de estar deste lado. No entanto, acho as intervenções desrespeitosas e muito inconvenientes. Gente que nem me conhece me mandando mensagem ofensiva pacas – mas enfim, isso é a Internet, anyway.

Minha política pessoal, com as pessoas do meu convívio, tem sido a de só falar sobre veganismo se alguém me perguntar. Alguma amiga, algum aluno, alguém no trabalho. Na Internet, é meu espaço, então falo o que quiser. 🙂

Dei uma imensa sorte aqui em casa também porque, algumas semanas depois da minha “virada”, o youtuber Felipe Neto anunciou que tentaria virar vegetariano, o que reverberou nas redes sociais e gerou conversas. Então o assunto foi se tornando mais evidente por aqui. Não imponho (obviamente) minhas escolhas à minha família, mas sei que ela impacta totalmente na maneira como eles vêm consumindo os alimentos. O Paul já disse que quer parar de comer carne e meu marido tem diminuído também. Outro dia me disse que acredita que será vegano em algum momento. Minha mãe, que sempre amou os animais, viu nisso um incentivo para virar também. A gente tem trocado receitas. 🙂 Então tem sido um processo incrível e muito significativo para mim, pois além de tudo mostra a responsabilidade das minhas escolhas na minha família, especialmente na criação do Paul.

Existem muitos motivos para uma pessoa se tornar vegetariana. Alguns o fazem pela saúde, outros pela proteção ao meio-ambiente. Existem veganos que o fazem como maneira de protesto ao sistema capitalista. Mas, acima de tudo, o veganismo é sobre os animais. Sobre entender que estamos em um planeta convivendo juntos, e que nada nos dá o direito de superioridade, de achar que podemos controlar e matar os animais apenas pelo nosso “paladar” ou por conforto de ter um produto de beleza que deixa o nosso cabelo mais sedoso. É uma maneira de não compactuar com essa indústria de maldade. Não é uma causa que cuida de “tudo”. Existem muitas causas do mundo. Se cada um escolher uma, o mundo vai melhorando aos poucos. Escolha a sua, uma que você se identifique. E deixe os que estão lutando por outras lutarem. 😉

É claro que, por eu ter passado pela cirurgia bariátrica, preciso triplicar a minha atenção com relação aos nutrientes, além da suplementação de uma vitamina (B12), o que eu já fazia antes mesmo de me tornar vegana. Esse é um ponto importante pra todo mundo, aliás: não basta tirar a carne. Precisa substituir com alimentos nutritivos. Mas se você fizer acompanhamento médico direitinho e cuidar de perto da sua alimentação, perceberá que nunca comeu tão bem na vida. Hoje eu me alimento basicamente de comida natural, comprada na feira, e apenas 10% do que consumo vem de industrializados. Passei a me envolver mais com os processos, a cozinhar mais, enfim, estou curtindo pra caramba. Descobri que cozinhar é uma terapia, para mim. Além de tudo, economizo dinheiro, porque carne é caro. Gasto de 40 a 50 reais por semana com a minha alimentação.

Preparar e deixar marmitinhas prontas garante que você sempre tenha seu alimento mesmo na correria do dia a dia ou quando vai a lugares que não sabe se encontrará opções que você pode comer.

Outro lado bom de todo esse processo também é fazer novas amizades e se envolver com gente legal, do bem. Desde conhecidos que ficaram mais próximos até pessoas novas. Assim como a dona da mercearia, o dono do mercadinho de produtos naturais. Você acaba desenrolando as conversas porque troca dicas, receitas e fica sabendo sobre os eventos que você acaba querendo ir até para dar uma força. É todo um mundo consciente que se abre, com inúmeras possibilidades.

Além do acompanhamento médico, tenho seguido diversos canais no YouTube, lido livros e assistido documentários relacionados. Estou muito engajada!

No Budismo, eu aprendi a reforçar uma convicção que eu já tinha, de não-violência e de não prejudicar outros seres vivos sencientes. Me tornar vegana foi apenas mais um “encaixe”, mais uma forma coerente de fazer as coisas de acordo com os meus valores. Estou em transição e acredito que, como todo o resto, isso seja uma construção para toda a vida. Mas, como toda construção, você só precisa começar. 😉

Budismo Beatnik

Por incrível que pareça, eu não cheguei ao Budismo procurando pela religião, mas me apaixonando por um modo de vida que foi descrito pelo meu escritor preferido (Jack Kerouac) em um livro chamado “Os Vagabundos Iluminados” (The Dharma Bums).

Nesse livro, um grupo de amigos vaga pelo mundo e um deles é budista – ou, como Jack o descreve, um “bodissatva”. Eu já tinha interesse em meditação desde anos antes, quando virei beatlemaníaca de carteirinha e lia muito sobre os Beatles no seu processo de meditação transcendental com o Maharishi, na Índia. Meu beatle preferido era (e ainda é) o George, que inclusive acabou virando hare-krishna com o tempo. Eu não me identifiquei com essa religião, mas a sementinha da meditação e da filosofia oriental foi plantada em mim.

O livro de Jack Kerouac

Beatles e o Maharishi, em 1967

George aprendendo a tocar sítara com Ravi Shankar

Hoje, depois de ANOS de estudos e práticas, vejo o quão bonita era a forma do Jack encarar o Budismo e o caminho até a iluminação. Algo muito característico do estilo de vida beatnik é a contemplação de todas as coisas. Sempre me considerei alguém assim. Minha visão de mundo até hoje é sobre viver um dia a dia contemplativo, feliz, com foco na compaixão, e tudo isso me levou a me tornar escritora e também a ingressar no Budismo Mahayana anos mais tarde.

Começar a praticar meditação foi um marco na minha vida. Comecei em 2008, mais ou menos. Em 2013, estava tendo crises de ansiedade relacionadas ao meu trabalho na época e, depois de parar no hospital achando que estava tendo um infarto (era uma crise de pânico, mas eu não sabia nem fui orientada pela equipe médica na época, completamente despreparada, o que hoje acho um ABSURDO), resolvi me inscrever em um curso de meditação e levar isso a sério, pois sabia que me beneficiaria de uma mente mais calma e controlada. Não tive qualquer critério para escolher esse curso, na época. Procurei um centro budista perto de casa (morava em Campinas) e me inscrevi no curso deles. Por coincidência, algumas semanas antes eu tinha comprado um livro sobre Budismo que era da mesma tradição, e eu tinha gostado bastante do “jeitão” do livro. Isso me fez criar ainda mais empatia com o centro que passei a frequentar. Hoje, vejo quão afortunado foi esse encontro.

Aprender a meditar com um professor foi essencial para mim na época. Pode ser que outras pessoas não precisem – e eu mesma pratiquei sozinha durante anos – mas minha prática mudou muito depois de ter feito o curso e ter aprendido algumas “técnicas”. Daquele momento em diante, nunca mais deixei o Budismo.

A escola que me identifico e faço parte é a Nova Tradição Kadampa.

Muitas pessoas pensam que o Budismo é apenas uma filosofia. Ele pode ser visto como uma filosofia, assim como existem as filosofias judaicas, cristãs etc. Mas, também como essas, ele tem o seu lado religioso, que inclui preces, liturgias próprias, datas especiais a serem celebradas e seus rituais. A partir daquele momento, eu ingressei no Budismo como religião mesmo. Posso dizer que, em 2008, eu o abraçava mais como filosofia. Em 2013, fiz a transição para o caminho como religião. (Talvez eu possa citar a palavra “compromisso” para diferenciar uma coisa da outra, pelo menos para mim.)

Penso que o principal ponto que me atraiu ao Budismo foi o alinhamento com os meus valores essenciais. Não há absolutamente nada no Budismo do qual eu discorde. O caminho do bodissatva, pautado na disciplina moral, na paciência, na compaixão, sempre com foco em ajudar os outros seres vivos, sempre fez sentido para mim. O nobre caminho óctuplo nada mais é do que um método, e eu amo métodos.

Este é um livro base da minha tradição

Lembro que, na época em que ingressei no Budismo como religião, um amigo meu me perguntou por que eu estava em um caminho religioso e não apenas praticando meditação e levando o Budismo como filosofia, pois lhe parecia uma forma mais leve de lidar com a coisa toda. Essa pergunta sempre me encoraja a fazer uma reflexão interessante. Eu entendo o ponto, mas existe algo na religião que é… eu sinto algo muito pleno, bondoso e humilde quando faço prostrações. Quando limpo e troco as oferendas do meu altar, em casa. Quando arrumo a almofadinha da monja. Quando faço as preces cantadas. Eu deixo completamente de lado o meu ego nesses momentos, e esse é um aspecto importante da prática budista, que sempre pode ser exercitada, tanto no centro budista quanto no meu trabalho, na rua, no trato com as outras pessoas etc.

O Budismo é uma religião que você pratica. Sei que todas as religiões são assim em sua essência, mas o que quero dizer é que a prática do Budismo se dá o tempo todo. Tanto em uma meditação focada quanto em uma discussão no trabalho ou na refeição que você prepara em casa para a sua família. E, comprometida nesse caminho, eu cada vez mais consigo incorporar esses valores em tudo o que eu faço. O objetivo é alcançar a iluminação, não apenas para que eu me liberte do sofrimento, mas porque, assim, eu conseguirei ajudará melhor todos os seres, momento a momento.

Muitas pessoas me perguntam como o Budismo influencia no meu trabalho, e a resposta é: é onipresente. O que eu chamo de coerência na organização, no fato de você se conhecer e aplicar quem você é em todas as suas atividades, tudo isso está totalmente alinhado com as práticas budistas que eu incorporo diariamente. Fica impossível colocar tudo em um único post, então eu só posso dizer que absolutamente TUDO o que eu faço tem a ver com o meu caminho espiritual no Budismo.

O lance de ser beatnik tem a ver com a maneira poética que eu encaro o mundo e o meu dia a dia. Cada dia importa. Cada dia é uma oportunidade de viver e ser feliz. Pode parecer piegas, mas me ajuda muito pensar dessa maneira. Cada dia é uma coisa, um jeito diferente de ver, fazer tudo. E eu busco aproveitar cada momento. Isso é mindfulness.

Por exemplo, é o ato de ir andando a pé até o centro budista, mesmo que sejam 5km. É uma oportunidade maravilhosa de andar, contemplar a vida, o trânsito, as pessoas, as plantas, as casas coloridas, os cachorros, pensar na vida, oxigenar o corpo. Significa aproveitar a oportunidade para fazer um exercício para o físico e para a mente. Não se trata de chegar rápido, mas de curtir o caminho (essa frase resume o que penso sobre produtividade!).

 

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Eu vou ficar com certeza… #cidadefalante

Uma publicação compartilhada por Thais Godinho (@thaisgodinhooficial) em

(Eu adoro fotografar arte e poesia na rua também. Acompanhe no meu Instagram pessoal.)

Muito se fala de mente plena hoje em dia, e o Budismo é totalmente sobre isso. Você se desenvolve com o tempo, à medida que pratica. GTD também ajuda muito. Está alinhado. Ajuda a colocar os pensamentos em ordem.

Ter na mente o foco em ajudar os outros me motiva a realizar este trabalho, assim como influencia todas as outras áreas da minha vida, até a saúde. Mas isso vou comentar em outros posts, ainda este mês, sobre estilo de vida. 😉

Este post foi escrito em várias etapas, em meu caderno, com papel e caneta. Mas, ao digitalizá-lo para o blog, eu o fiz ouvindo a música “Tangled up in blue”, do Bob Dylan – um beatnik de nosso tempo. Talvez você possa gostar também.

Prática atual do budismo

Como muitos de vocês disseram que tinham interesse neste tema, estou escrevendo este post para contar um pouco como são as minhas práticas atuais no Budismo.

O Budismo tem várias tradições. Eu me identifico e faço parte da Nova Tradição Kadampa.

O Budismo associa muito o estudo à prática. Então o que a gente aprende a gente pratica no dia a dia. Ou seja, a gente vive de uma maneira muito mais significativa, porque absolutamente tudo é uma oportunidade de aplicar os votos tomados.

Cursos

Existem diversos cursos, de meditação a cursos básicos, sobre temas essenciais do Budismo. Depois há um curso de aprofundamento, em que você estuda um único livro durante meses e apoia o centro com atividades voluntárias, que te ensinam MUITO sobre as tradições. E também tem um curso de formação de professores, que é o que eu estou fazendo agora. Essa formação leva de seis a sete anos e os livros da tradição são estudados em detalhes.

O curso acontece duas vezes por semana e demanda estudo, decorar textos, práticas, discussões, apresentações e também você praticar como professor. Atualmente, estamos estudando o livro O voto do do bodissatva.

Você pode saber mais sobre o programa de estudos Kadampa neste link.

Datas especiais

Existem algumas datas que são celebradas na tradição:

  • Todo dia 8: Tara Verde
  • Todo dia 10: Oferenda ao Guia Espiritual
  • Todo dia 15: tomar preceitos
  • Todo dia 25: Oferenda ao Guia Espiritual

Acontecem então encontros, preces e meditações no centro. Não consigo participar sempre, devido à minha rotina de trabalho e viagens, mas participo sempre que possível.

Retiros

Acontecem retiros em diversas datas ao longo do ano, tanto no centro local quanto no templo (que fica no interior de São Paulo), em outros estados e países. Aí a ideia é você ir se organizando para participar quando puder. Vale dizer que todas as atividades dos centros são mantidas graças ao trabalho voluntário das pessoas, então tais retiros são uma oportunidade excelente de fazer isso.

Eu sempre quis participar de algum retiro fora do país e estou me organizando para fazer isso no ano que vem.

Os retiros podem acontecer em um único dia ou durar quase uma semana. Geralmente eles têm algum tema (ex: concentração), e as atividades, meditações e ensinamentos girarão em torno disso. É bem gostoso, e no templo você pode inclusive ficar no alojamento deles, o que proporciona uma imersão de verdade. Por causa do Paul (filhote), eu não costumo fazer retiros maiores, e sim aqueles de um só dia.

Prática diária

Tenho meu altarzinho em casa, onde faço prostrações e meditações diariamente.

Quando acordo, gosto de meditar. E, ao longo do dia, realizo novas meditações quando sinto vontade.

Costumo estudar pela manhã e à noite o livro do curso e também fazer outras leituras, de maneira leve. Me faz muito bem. Especialmente de noite mantém a minha mente feliz e tranquila.

Penso de verdade que o melhor do Budismo é a prática diária. É a prática que vai desde responder um e-mail mal-educado com paciência, até a maneira como lido com qualquer tipo de problema que aconteça na minha frente. Todo momento é uma oportunidade de praticar.

Não é mais uma “tarefa”, e sim algo que faz parte da minha vida e a torna ainda melhor.

Caso você tenha alguma dúvida, por favor, deixe um comentário. Procurei explicar tudo o que me veio à mente, mas sempre podem surgir questões que eu não identifiquei. Obrigada.

Organização da vida e Budismo: o que tem a ver?

Faz tempo que eu queria escrever um post sobre esse tema.

Eu sou uma pessoa de métodos. Amo métodos.

Métodos são apenas caminhos já testados, aprovados e que funcionam. São uma forma de fazer as coisas, um passo a passo, como que um atalho para você chegar mais rápido onde quer chegar, pois alguém já testou os obstáculos do caminho e te entrega o negócio mastigado para você fazer e ter sua própria experiência.

Eu penso que todas as religiões tenham seus métodos. Isso não é característica exclusiva do Budismo. No entanto, por eu ser budista, é natural que eu escreva especificamente sobre essa religião aqui.

Na tradição que eu me identifico mais no Budismo, a Kadampa, existe um método a ser seguido, que se chama Lamrim. Lamrim é uma escritura que representa “as etapas do caminho”. Todas as tradições do Budismo nos conduzem à libertação e à iluminação. Libertação do quê? Libertação desse mundo que vivemos, chamado de samsara, onde existe muito sofrimento. Após conquistar a libertação, o caminho à iluminação representa a felicidade de maneira geral, muito resumidamente, através da satisfação dos desejos e das necessidades de todos os seres vivos. O caminho budista é fundamentado essencialmente em compaixão.

O livro “Caminho alegre da boa fortuna” é um livro bastante completo sobre o método da tradição Kadampa. Existem outros livros menores e mais básicos para quem estiver começando. Tenho um post aqui no blog em que falo sobre livros – dê uma olhada.

Esse caminho é baseado em três grandes escopos, com votos. Os votos que você toma são compromissos com o caminho. O primeiro escopo diz respeito aos votos chamados de pratikmosha, ou votos de libertação individual. O segundo escopo se refere aos votos do bodisatva. O terceiro escopo é relacionado aos votos tântricos. Ao tomar os votos, existe o compromisso de não quebrá-los. Obviamente, por não sermos perfeitos nem termos alcançado a iluminação (ou seja, ter se tornado um Buda), existem práticas diversas de purificação em todos os votos, caso você tenha quebrado algum deles. (Saiba mais sobre todos os votos aqui.)

Os ensinamentos de Buda são chamados de Dharma. A orientação não é apenas ler e contemplar, mas praticar esses ensinamentos. Por isso o Budismo é essencialmente uma religião prática, pois você precisa viver o que acredita. Disciplina moral é uma das principais habilidades de uma pessoa que seja budista. Isso envolve controlar a mente, ajudar as pessoas, controlar uma série de instintos (talvez eu possa falar dessa maneira), entre outros comportamentos. Existem instruções para lidar com o sofrimento no mundo, muito resumidamente falando. Por exemplo, como ter paciência com as pessoas ao meu redor? Tudo isso é ensinado nos materiais publicados e que vão sendo traduzidos aos poucos. Muitas das escrituras (a maioria, eu diria) ainda nem foram traduzidas. Tem muita coisa em sânscrito apenas, mas todas elas convergem para o objetivo que é a busca pela iluminação.

Bodisatva é o nome dado ao indivíduo que está comprometido com seu caminho em busca da iluminação, com uma mente de compaixão essencialmente.

Eu acredito que o Budismo tenha tudo a ver com organização porque ter uma Vida Organizada significa levar uma vida com significado, pautada em princípios, e é exatamente isso o que o Budismo oferece.

Recentemente voltei a frequentar o centro budista em São Paulo, e vi o quanto eu estava sentindo falta nesses últimos anos. Provavelmente não sairei nunca mais. 🙂 Se tiver interesse, posso comentar mais sobre os cursos e práticas que tenho lá. Deixe um comentário. Obrigada!

Afirmações pessoais para uma mente positiva

Um dos assuntos-chave ensinados no curso que fiz em setembro (GTD Nível 3: Foco & Direção) foi o tema afirmações. Eu não posso trazer aqui no blog exatamente o que eles ensinam, pois isso infringiria os direitos autorais dos materiais do curso, mas eu vou falar um pouquinho sobre do que se tratam tais afirmações e como estou incorporando isso na minha vida. Se você tiver interesse em fazer esse curso, inscreva-se na newsletter do blog que avisarei quando tivermos tudo pronto para ele ser ministrado em português (provavelmente no primeiro semestre de 2019).

O assunto afirmações já faz parte da minha vida desde que eu li o livro do Hal Elrod, “O Milagre da Manhã”. Uma das coisas que ele ensina é a gente escrever tais afirmações e ler diariamente. Eu comecei a exercitar essa ideia quando comecei a colocar em prática o aprendizado do livro, por volta de 2016. Foi na mesma época que eu comecei a ler os livros do Napoleon Hill e o decisivo (para a minha vida) “Atitude Mental Positiva”. Quando fiz a certificação do GTD Nível 2: Projetos & Prioridades, eu já recebi um material do David Allen (autor do método) que falava sobre o poder da visualização e das afirmações, e ele vinha fazendo, há alguns meses, alguns webinars para instrutores do mundo todo falando sobre a importância das afirmações. Então foi com esse background sobre afirmações que cheguei no dia do curso, e estudando o script (como instrutora) eu pude aprender muito mais, e venho aplicando o que o tio David ensina desde então (agora quase há um mês, como passa rápido!).

Basicamente, o que o David nos ensina é que fazemos afirmações o tempo todo. A grande questão é: como estamos lidando com o nosso consciente e inconsciente? Que tipo de coisas temos afirmado para nós mesmos?

Nossa mente não sabe diferenciar o que é verdadeiro do que é falso. Se você criar imagens e fizer afirmações, isso impacta na maneira como você se vê e vê sua vida, e isso pode mudar o cenário em que você vive e a maneira como se sente, se isso for um estado desejado.

Um ponto importante sobre afirmações é: como eu gostaria de me sentir? Existem situações pelas quais eu estou passando neste momento na minha vida que eu gostaria que fossem de outro jeito. Então como eu gostaria que fossem? Qual meu resultado desejado? Esse raciocínio pode me ajudar a construir possíveis afirmações.

Por exemplo, um papel importante na minha vida no momento diz respeito a me construir como uma líder positiva e compassiva. Em todos os âmbitos do meu trabalho, e especialmente na minha empresa, eu estou assumindo um papel de liderança, onde sou responsável pela jornada das pessoas que trabalham comigo. É um papel completamente novo. Já fui gestora antes, mas era diferente. Agora eu tenho autonomia para direcionar a empresa, e isso se reflete na maneira como eu me relaciono com as pessoas que trabalham comigo – não apenas equipe, mas fornecedores, parceiros e outras.

Logo, desenvolver afirmações positivas para que eu reforce esse comportamento e estado é algo importante. Algumas afirmações nesse sentido são:

“Eu sempre encorajo as pessoas a se desafiarem e buscarem o seu melhor.”

“Eu sou responsável por prover oportunidades de crescimento e aprendizado para as pessoas que trabalham comigo.”

“Eu sou uma líder compassiva, paciente e boa ouvinte, preocupada com o que a outra pessoa está sentindo.”

“Eu faço comentários e feedbacks positivos que proporcionam o crescimento das pessoas que se relacionam comigo.”

“Eu assumo a responsabilidade por possíveis erros de direcionamento na minha empresa e no tocar das atividades do dia a dia.”

São alguns de muitos exemplos, e isso serve para todas as áreas da vida.

Apesar de eu ter mantido essas frases em uma lista no meu Todoist, para olhar diariamente, tenho sentido que fica melhor ler com a minha letra de mão, escrita no papel, não sei por quê. Parece que fica mais pessoal, que eu realmente estou sentindo aquilo, sabem? Então tenho feito testes. Fichas pautadas são excelentes para isso, mas também já escrevi algumas em uma folha simples de papel. O importante é ter sempre comigo, e ler pelo menos uma vez por dia ou sempre que sentir necessidade de reencontrar o meu centro.

O que é fato é que essa prática das afirmações em si é extremamente positiva, e tem trazido bastante impacto nas diversas áreas da minha vida e na forma como eu me relaciono com os outros e comigo mesma.

Existe alguma situação ou problema atual que você gostaria de lidar de outra forma, e acredita que construir e ler tais afirmações possa te ajudar? O que você pensa sobre esse assunto? Por favor, deixe um comentário. Muito obrigada.

Duas meditações para ter mais foco no dia a dia

A prática da meditação faz parte do meu cotidiano.

Se você está chegando por aqui agora, talvez queira saber que eu sou budista e já medito há cerca de dez anos. Essa prática me traz benefícios diariamente, tanto imediatos quanto de longo prazo, e eu sempre busco novas maneiras de fazer essa atividade e adequá-la à minha vida.

Os quatro valores do Vida Organizada são: coerência, autonomia, personalização e compaixão. Portanto, eu acredito que um dos maiores fatores de sucesso nas diversas práticas (incluindo a meditação) é que a gente possa personalizá-las de acordo com as nossas necessidades de vida e de alma.

No caso da meditação, eu costumo realizar meditações ao longo de todo um dia, sempre que sinto vontade e/ou necessidade. Especialmente meditações respiratórias, que me ajudam a acalmar a mente e reajustar o foco.

Mas tenho realizado diariamente dois tipos de meditações que gostaria de compartilhar com vocês.

A primeira é a meditação que faço logo ao acordar, antes mesmo de sair da cama. Durante cerca de 3 a 5 minutos, eu me sento na cama mesmo, fecho os olhos, começo prestando atenção na minha respiração para me concentrar, e então começo a pensar em como gostaria que fosse o meu dia.

Eu visualizo as atividades que terei e penso em maneiras de ser feliz e aproveitar todas elas da maneira mais apropriada. Também penso em sentimentos que quero despertar, ações positivas com relação às pessoas e em como quero me sentir ao final do dia. Uma espécie de visualização para o sucesso mesmo.

Também aproveito para agradecer por ter acordado para mais um dia e por todas as coisas que eu sinto vontade de agradecer, que podem ter acontecido no dia anterior, ou por alguma oportunidade que terei no dia que está começando etc.

Essa simples e rápida meditação me ajuda a desenvolver um foco adequado para o dia e o fato de fazê-la ainda na cama, porém sentada (senão eu durmo de novo!), me ajuda a não entrar em um estado de correria e ajustar o foco para começar o dia da melhor maneira possível.

Não preciso acordar mais cedo ou em um horário específico para fazer essa meditação. Assim que eu acordo, eu a faço.

A segunda meditação que tenho feito diariamente é uma meditação de “revisão”.

Não existe exatamente um horário fixo em que eu prefira fazê-la, apesar de que, de noite, me pareça o ideal (nem sempre dá, pela rotina em casa). Pela minha experiência, ao final de um dia de trabalho funciona bem, assim como antes de dormir. O propósito desta meditação é, em primeiro lugar, acalmar a mente e, depois, avaliar como foi o meu dia.

Eu simplesmente me sento confortavelmente, fecho os olhos, tento me acalmar através de uma meditação respiratória simples (presto atenção na entrada e saída de ar pelo meu nariz) e, quando me sinto concentrada o suficiente, penso em como foi o meu dia. O foco está mais na maneira como eu me senti e na análise de como me portei. Se perdi a paciência com alguém, se usei um tom indecoroso em alguma conversa, se eu poderia ter sido uma pessoa melhor, de alguma maneira. Também reflito sobre possíveis aprendizados.

Essa é uma meditação simples, que leva alguns minutos (deixo livre, sem contar no relógio), mas que me ajuda a fazer uma reflexão sobre o meu dia, me perdoar caso eu tenha feito algo que não tenha sido muito legal, mas fazendo ajustes mentais para não cometer o mesmo erro no futuro.

São duas meditações realmente muito simples, que não me tomam tempo algum – pelo contrário, me ajudam a ter muito mais foco, e eu espero de verdade, ao compartilhar com vocês, que elas possam ser úteis de alguma maneira. Se você tentar alguma delas, poderia deixar um comentário neste post contando como foi, por gentileza?

E mais: caso você pratique meditação diariamente, e quiser compartilhar suas percepções com relação ao seu foco, fique também à vontade. Creio que essa discussão seja muito rica a todos nós. Obrigada.

Produtividade é gerenciamento de energia, não de tempo

Como está o seu nível de energia hoje? Você acordou facilmente, sentindo-se descansada(o), empolgado(a) para as atividades do dia? Mas, mais do que isso, feliz, com um sentimento de tranquilidade no coração? Se não, por favor, faça alguma coisa. Pode ser que já há algum tempo você se sinta assim. Neste post, vou trazer uma reflexão que pode te ajudar, além de trazer dicas práticas, como sempre. 🙂

Você tem alguns tipos de energia. A primeira é a física. Para estar fisicamente bem, você precisa cuidar do seu corpo em toda sua complexidade. Tem o sono, a alimentação, os exercícios físicos, seus hormônios, entre outros. Outro tipo de energia é a mental, que é a que vamos abordar aqui, e outra é espiritual, também relacionada. Elas são importantes porque são as fontes que seu organismo busca para encontrar energia em tempos de necessidade.

Uma vez postei aqui no blog um texto muito importante sobre o conceito de produtividade para o método GTD (método de produtividade que uso há muitos anos), em que digo a importância de alternarmos descanso com esforço mental e físico. Vale a pena ler o texto como complemento a este aqui. (link)

Steve Jobs costumava dizer que não se interessava em ser o homem mais rico do cemitério, mas em viver uma vida com propósito – ir para a cama sabendo que trabalhou em algo maior.

Se o que você faz te traz felicidade, por que tornar a sua rotina uma fonte de sofrimento? Não vale apenas para o trabalho, mas para a maternidade, seus hobbies e estudos. Por favor, pense sobre isso hoje. Veja a que respostas chega internamente.

Você quer chegar a um estado de esgotamento tamanho que te obrigue a parar porque foi para o hospital ou até algo pior? Quer chegar a esse estado apenas porque não recarregou suas baterias?

Quando meu filho nasceu, eu adorava uma autora chamada Tracy Hogg, que escreveu uma série de livros com o apelido de “Encantadora de Bebês” (inclusive recomendo fortemente!). E me lembro de um dos pontos mais importantes que ela ensinava, que foi: um bebê não sabe reconhecer quando está cansado. Ele não pode simplesmente dizer: “estou cansado pacas! preciso dormir!”. Então ele chora. Muitas vezes, os pais superestimulam os bebês e depois ficam desesperados porque ele não para de chorar mesmo estando alimentado e com a fralda seca! É só sono!

Às vezes eu acho que nós, adultos, nos tornamos grandes bebezões. Precisamos da permissão de alguém de fora (ou da ordem mesmo!) para dizer: pelamor, PARE, descanse, vá dormir. Vivemos nossa vida ao limite da exaustão. Uma leitora até pediu para eu escrever sobre essa dificuldade que temos de desligar (Ana Carolina, este post é para você! <3). A grande questão é que, quando não desligamos, os circuitos começam a pifar. Os problemas começam a aparecer. Dor de cabeça, dificuldade para dormir, brigas nos relacionamentos. E então tratamos os problemas com aquilo que parece ser a solução mais fácil: tomando remédios. Ou ignorando até um ponto em que não dá mais, e a gente chora ou passa mal.

[Tweet “Se o que você faz te traz felicidade, por que tornar a sua rotina uma fonte de sofrimento?”]

Sempre lembro daquele jogo The Sims quando estou com fome, com sede, cansada ou com vontade de ir ao banheiro. No jogo, que é um simulador, o personagem que você controla precisa ser cuidado o tempo todo. Ele precisa ficar bem. O indicativo de seu bem-estar são algumas barrinhas que aparecem no painel de controle e que servem para você analisar se ele precisa comer, tomar banho etc. Se você permitir que suas barrinhas fiquem no vermelho, isso vai influenciar demais no seu bem-estar, que pode mudar de um momento para o outro.

Imagem: The Sims Wiki

Se a bateria do seu celular estiver baixa, o que você faz? Você carrega. O mesmo deve ser feito com você. E ponto! Se estiver com a energia baixa, recarregue! Simples assim.

Para saber se você precisa recarregar suas energias, segue uma checklist importante para você ter como referência aí sempre com você e verificar de tempos em tempos. Se estiver sentindo algum desses sintomas, pode ser o momento de colocar seu celular na tomada para recarregar:

  • sonolento ou cansado em horários em que normalmente não se sentiria assim
  • antipático e indelicado em demasia
  • reclamando demais das coisas da vida
  • ofendendo as pessoas por nada
  • à beira de um ataque de nervos – nervoso a ponto de achar que qualquer gota d’água pode fazer o seu copo transbordar
  • preocupado em excesso com todo tipo de coisa
  • egoísta, porque se preocupa com seu bem-estar como modo de sobrevivência
  • excessivamente emotivo, deprimido ou frustrado

Eu não estou dizendo que os sentimentos acima estejam certos ou errados, ou sejam não naturais. Eles são completamente naturais. Somos seres humanos e não máquinas felizes o tempo todo. Mas, justamente por serem naturais, eles indicam o que está acontecendo com cada um de nós, e isso precisa ser observado – assim como a felicidade – pois isso gera autoconhecimento. O ponto é que, quando nos sentimos de acordo com os sentimentos acima, tendemos a desenvolver uma visão mais negativa da vida. Até sua saúde é afetada.

Seguem então algumas dicas para que você aprenda a recarregar as suas energias não de vez em quando, mas todos os dias:

  • Encontre uma atividade física que goste e que se encaixe em seu estilo de vida.
  • Cuide com carinho do seu sono.
  • Busque uma forma de alimentação que traga benefícios a você.
  • Consulte um profissional da saúde para fazer uso de vitaminas complementares.
  • Procure fazer algo que você goste muito todos os dias. Usar um creminho gostoso depois do banho, assistir seu canal favorito no YouTube, ler um livro que te deixe feliz, conversar com os seus filhos, cozinhar, brincar com os cachorros etc.
  • Alterne os tipos de atividades ao longo do dia. Se trabalhou durante uma hora no computador, faça uma pausa. Beba água, dê uma volta pelo escritório, converse com as pessoas. Faça um telefonema. Leia um documento impresso.
  • Não se obrigue a preencher os espaços na sua agenda. Valorize o tempo livre.
  • Em vez de esperar o ano inteiro pelas férias, faça do dia a dia suas férias. Viva um estilo de vida mais leve e feliz.

Imagem: Pensador

Para ajudar a manter a energia no dia a dia, cadastre-se na newsletter do blog. <3

O ato de cozinhar e estar presente

Quando eu falo sobre organização da rotina de preparo de refeições para o dia a dia, é normal receber comentários sobre a falta de tempo e a rotina ser corrida. Tanto que até os posts sobre isso vão nessa linha, porque meu interesse sem dúvida é ajudar. Mas hoje, escrevendo o último post da semana sobre o tema “alimentação”, eu senti que não poderia deixar de abordar um assunto que considero importante para todas as áreas da nossa vida – especialmente a comida. É a prática, o hábito, de buscar curtir o momento e estar presente naquilo que está fazendo.

Entendo que, no dia a dia, possamos precisar fazer as coisas “correndo”. Mas eu sinceramente acredito que a gente deva tentar fugir disso com o passar do tempo. Afinal, a que serve essa correria? Ela é boa? Ou é apenas um sintoma de uma sociedade doente como um todo? Se precisamos correr até para preparar as nossas refeições, não tem algo muito, muito errado?

Tenho refletido sobre isso porque eu mesma tenho meus momentos de correria também, claro. Às vezes foi uma reunião que terminou mais tarde e, quando eu chego em casa, preciso agilizar o jantar antes de outro compromisso à noite (uma aula, por exemplo). Mas é muito fácil fugir da responsabilidade pela própria vida e deixar isso rolar sempre. Então o que eu tenho tentado fazer, sinceramente, é pensar sobre soluções para casos como esse. Como eu poderia me manter tranquila e presente mesmo em situações com tendência à correria?

De maneira geral, me preparar antes. É isso. Se tem potencial para ser corrido, entender que de fato será, se eu deixar para preparar o jantar naquele período entre compromissos. Então preparo um dia antes, ou planejo algo mais rápido de ser preparado, ou simplesmente delego essa tarefa. Mas deixar a correria como padrão é ruim (para mim). Não faz meu estilo.

Um dos maiores prazeres do meu dia a dia é cozinhar. Existem algumas atividades que me colocam em um estado de fluxo associado à criatividade. Cozinhar é um deles. Gosto de cortar os legumes devagar, prestando atenção nas sementinhas que estou tirando, em lavar os alimentos. Preparo o mise en place bonitinho. Vou lavando as panelas e utensílios enquanto cozinho. Mexo a comida na panela com calma, observando o cozimento. Leio uma revista enquanto espero, ou canto uma música que esteja passando no rádio. É cerca de uma horinha do meu dia em que simplesmente curto fazer aquilo. Pra que fazer com pressa?

Faço mea culpa aqui, porque não cozinho todos os dias. Tem dias em que estou viajando ou passo o dia fora de casa, em eventos diversos. Mas, quando estou em casa, gosto de cozinhar. E felizmente isso tem acontecido cada vez mais.

Quando falo sobre estar presente e engajada no ato de cozinhar, trata-se na verdade de um exercício que procuro trazer para todas as áreas da minha vida. Viver com significado é um ato de coragem. Somos a resistência. E a resistência serve justamente para fazer frente àquilo que queremos mudar.

Reflexões sobre espiritualidade e organização

Eu quis abordar o tema “espiritualidade” no Vida Organizada durante o mês de junho e, como o blog já tem bastante conteúdo a respeito, foquei mais na produção de vídeos para o canal respondendo as dúvidas enviadas por aqui, nos comentários de outros vídeos e no Instagram. Foram muitas perguntas (obrigada!) e, por isso, ainda não terminei de responder todas. Estou respondendo aos pouquinhos. 🙂 Mas acho que é válido trazer uma reflexão mais geral para o blog, então por isso esse post de hoje.

Eu fico pensando bastante nessa relação que existe entre organização e espiritualidade. Quem acompanha o blog há algum tempo já deve ter me visto falando sobre qual é a minha visão de uma vida organizada – não se trata de colocar as coisas em caixinhas, mas de levar uma vida coerente com os nossos próprios valores, de modo que nossas atividades sejam artesanalmente moldadas, diariamente, em direção a um estilo de vida que nós queremos viver.

Com base nisso, a espiritualidade, que é apenas uma das diversas áreas da nossa vida, entra nessa roda como parte do todo e, como todas as outras áreas, é muito importante e deve ser coerente com quem nós somos.

Imagem: No dia a dia

Sou uma pessoa muito ligada à ideia de espiritualidade e já transitei por diversas religiões. Acho que as religiões são simplesmente caminhos diferentes, formatos. Obviamente não existe certo ou errado, mas aquele que combina mais com quem nós somos. Quando estamos alinhados – e isso pode significar não pertencer a religião nenhuma ou até em não acreditar em deus! – sentimos essa sensação de completude, que nada mais é do que a consciência tranquila de que a coerência está presente.

Como em outras áreas da vida, me sinto confortável para efetuar mudanças, se sentir essa necessidade interna. Hoje, ainda me considero budista. Já fui muito mais “praticante”, no sentido de frequentar as atividades do centro, dar aulas de meditação, fazer cursos e participar de retiros. Hoje, exerço mais na minha prática diária o caminho do bodisatva.

O “caminho do bodisatva” trata-se de buscar ser, no dia a dia, uma pessoa com disciplina moral de acordo com os preceitos budistas e que desenvolve uma mente de compaixão para ajudar outros seres vivos a superarem o sofrimento e alcançarem a iluminação. Algumas pessoas me pediram para falar sobre isso, então tentarei dar uma explicação breve.

Um bodisatva vive “evitando quedas”. “Quedas” são atitudes que “quebram” o propósito acima. Existem as quedas raízes (mais “fortes”, digamos assim) e as quedas secundárias (menos graves).

Quedas raízes

  1. Louvar a si mesmo e desprezar os outros, criticar com o objetivo de ferir
  2. Recusar ensinar alguém sobre o darma (ensinamentos de Buda) se essa pessoa pedir
  3. Não aceitar pedidos de desculpas, alimentando rancor
  4. Abandonar o mahayana (caminho budista)
  5. Roubar patrimônio das três jóias (oferendas)
  6. Abandonar o darma
  7. Tomar as vestes cor de açafrão (destinadas a monges e monjas ordenados)
  8. Cometer quaisquer das cinco ações hediondas (matar o pai, matar a mãe, matar um destruidor de inimigos, ferir maldosamente um buda e causar cisão na sanga – a comunidade de praticantes)
  9. Esposar visões errôneas sobre ensinamentos budistas
  10. Destruir lugares, como cidades e moradias
  11. Explicar a vacuidade para quem pode entender mal (é um ensinamento budista avançado)
  12. Levar outras pessoas a abandonarem o mahayana
  13. Levar outras pessoas a abandonarem o pratimoksha (prática específica)
  14. Depreciar o hinayana (caminho budista)
  15. Falar falsamente sobre a vacuidade profunda (ensinamento budista avançado)
  16. Aceitar patrimônio que tenha sido roubado das três jóias (oferendas)
  17. Estipular más regras (ex: vender produtos é mais importante que a prática de meditação)
  18. Desistir da bodichita (mente de compaixão)

Quedas secundárias

  1. Não fazer oferendas diárias às três jóias (é uma prática diária básica de votos)
  2. Entregar-se a prazeres humanos por apego
  3. Desrespeitar aqueles que receberam um voto bodisatva antes de nós
  4. Não responder quando alguém se dirigir a você
  5. Não aceitar convites
  6. Não aceitar presentes
  7. Não dar darma àqueles que o desejam
  8. Abandonar aqueles que quebraram sua disciplina moral
  9. Não agir de maneira que inspire fé
  10. Fazer pouco para beneficiar os outros
  11. Não acreditar que a compaixão dos bodisatvas garanta a pureza de todas as suas ações
  12. Fazer fortuna ou fama adotando um modo de vida impróprio
  13. Entregar-se a frivolidades
  14. Afirmar que os bodisatvas não precisam abandonar o samsara
  15. Não evitar má reputação
  16. Não ajudar os outros a evitar negativatidade
  17. Retaliar maus-tratos ou abusos
  18. Não pedir desculpas quando houver oportunidade
  19. Não aceitar pedidos de desculpas
  20. Não aplicar esforço para controlar a própria raiva
  21. Reunir um círculo de seguidores visando lucro ou respeito
  22. Não tentar vencer a preguiça
  23. Entregar-se a conversas sem sentido por apego
  24. Não fazer o treino em estabilização mental
  25. Não superar obstáculos à estabilização mental
  26. Ficar entretido com o sabor da estabilização mental
  27. Abandonar o hinayana
  28. Estudar o hinayana em detrimento da nossa prática mahayana
  29. Estudar assuntos de não-darma sem um bom motivo
  30. Ficar absorto em assuntos de não-darma
  31. Criticar outras tradições mahayana
  32. Louvar a si mesmo e desprezar os outros
  33. Não aplicar o esforço de estudar o darma
  34. Preferir confiar em livros a confiar no Guia Espiritual
  35. Não dar assistência aos necessitados
  36. Não cuidar dos doentes
  37. Não agir para afastar o sofrimento
  38. Não ajudar os outros a superarem os seus maus hábitos
  39. Não retribuir a ajuda daqueles que nos beneficiam
  40. Não aliviar a dor dos outros
  41. Não dar aos que pedem caridade
  42. Não dispensar cuidados especiais aos discípulos
  43. Não agir de acordo com as inclinações dos outros
  44. Não elogiar as boas qualidades dos outros
  45. Não realizar ações iradas no momento oportuno
  46. Não usar poderes milagrosos, ações ameaçadoras etc.

Todos esses votos podem ser encontrados no livro “O voto do Bodisatva” (Geshe Kelsang Gyatso). Cada um dos itens acima pode ser destrinchado mas, para o post não ficar longo, apenas listei. Caso tenha dúvidas, favor deixar um comentário.

Como ninguém é perfeito, é comum (mas deve ser cada vez menos comum, essa é a ideia) cair em tais quedas. Por isso existem diversas práticas de purificação, que fazem parte do dia a dia budista.

Como eu comentei em outros posts e vídeos, tenho uma checklist com essas quedas, que reviso diariamente.

Inclusive, se você ainda não assistiu, seguem os vídeos já publicados sobre espiritualidade este mês no canal:

Obrigada por estar aqui.