Categoria(s) do post: Carreira, Estudos, Planejamento

Os títulos dos posts estão grandes mas acredito que estejam expressando bem o que tem dentro de cada um deles. rs

Eu consigo decidir e planejar melhor qualquer coisa quando consigo colocá-la dentro de um espectro maior e ver em perspectiva.

Eu estou no primeiro ano do Doutorado e é normal que, quando a gente está em uma situação “nova”, leve um tempo se acostumando com ela e entendendo como ela funciona. Agora, quase um semestre depois do início, eu consigo ter algumas definições que estou curtindo ter.

A primeira decisão que tomei, e essa você tem que ser muito focado para tomar, é que absolutamente todos os trabalhos tenham que ter relação com a minha tese. Eu digo que tem que ser muito focado porque eu vivo tendo ideias de pesquisas e artigos então preciso “ficar ligada” para não sair do foco. Não acho que sair do foco seja problemático por si só – mas, dentro de um curso, como no Doutorado, não dá tempo. Simples assim. Depois do Mestrado, depois do Doutorado, vai lá e escreve o que quiser. Mas, dentro do curso, focar na pesquisa principal ajuda a economizar recursos mesmo. De tempo, de dinheiro (comprando livros), de energia.

A segunda decisão tomada, e essa me deixou muito contente, foi determinar que, neste ano, vou focar na produção de trabalhos de CONTEXTUALIZACÃO da tese. O que isso quer dizer? Estou escrevendo uma tese sobre produtividade compassiva. Algumas contextualizações que se fazem necessárias são:

  1. A relação entre religião e trabalho
  2. Alta performance no trabalho como lógica neoliberal (discurso focado na individualização das responsabilidades)
  3. A relação entre tempo livre e tempo de trabalho
  4. Modos alternativos de trabalho no sistema capitalista atual – e tendências mundiais de flexibilização do trabalho
  5. Budismo Mahayana e a comunidade brasileira de praticantes em diferentes tradições

Esses são os tópicos do meu referencial teórico aprovados no pré-projeto do Doutorado pela minha professora orientadora.

Bem, a ideia então este ano é estudar, ler e escrever sobre as contextualizações de cada um dos tópicos acima. Vou dar alguns exemplos para ficar mais claro.

  • No trabalho de Fundamentos da Sociologia, precisei escolher um tópico estudado em sala e escrever um trabalho. Escrevi sobre Weber e a visão do seu livro “A ética protestante e o espírito do capitalismo” nos dias atuais. Tem a ver com o primeiro tópico, sobre a relação entre religião e trabalho. Ainda há mais “pano para a manga” nesse tema, obviamente, mas a minha própria professora orientadora – que é especialista em Weber – elogiou o trabalho e disse que já posso colocá-lo na minha tese.
  • No trabalho de Sociologia do Trabalho, vou escrever sobre a contextualização do mundo do trabalho hoje, com foco em Brasil. Esse foi um pedido da minha professora diretamente para a minha tese e que seja também o trabalho da disciplina dela, o que facilita demais as coisas. E vamos combinar que esse é um trabalho de contextualização que pega os tópicos 2, 3 e 4, se eu quiser.
  • Para o núcleo de pesquisa do grupo de Trabalho, vou escrever sobre trabalho remoto, pandemia e comunicação via What’sApp, o que certamente vai se encaixar nos tópicos 2 e 4.
  • Para o Seminário de outubro do outro grupo de pesquisa que faço parte, que é sobre Poder, Cultura e Sociedade do Espetáculo, vou falar sobre “tempo livre e trabalho em casa durante a pandemia”. Que também vai contextualizar muito o tópico 2, o tópico 3, principalmente, e o tópico 4.
  • Ainda não sei sobre os trabalhos das disciplinas do segundo semestre pois ainda dependo das orientações dadas pelos professores, mas sei que preciso escrever algo relacionado à religião, pois foi o único tema que ainda não entrei. No entanto, eu pretendo submeter um artigo para uma revista acadêmica que é sobre estudos da religião e, com isso, teria o foco específico em Budismo e Trabalho ou o conceito de compaixão no Budismo Mahayana (ainda refletindo).
  • O trabalho mais difícil para mim é um seminário da disciplina de Fundamentos em que preciso falar sobre identidade ou alteridade com relação aos autores Bauman e Castells. Inicialmente pensei em falar sobre trabalho forçado no holocausto mas isso se distanciaria muito da minha pesquisa. Então simplesmente resolvi falar sobre “identidade e trabalho”, trazer o Byung-Chul Han (que tenho mais familiaridade e falar sobre convivência afável) e apresentar o meu melhor e “a professora que lute” (rs), porque eu preciso ficar dentro do meu tema e é muito artificial desenvolver algo sem ter maturidade nos estudos desses autores que são super complexos. Eu não sei se a professora vai aprovar esse tema mas é o que me parece mais adequado no que estou trabalhando.
  • Em teoria, há um artigo submetido no ano passado que pode ser publicado este ano, com a citação sobre produtividade compassiva e, se ele for publicado, será ótimo.

Em resumo, toda a primeira parte da tese, que está nessa contextualização, se eu conseguir fazer nesse primeiro ano eu já vou me sentir bastante satisfeita, porque “depois da vacina” deve começar os meus trabalhos de campo e isso por si só já deve tomar bastante tempo, além de outras leituras, a escrita da tese e outros artigos e eventos.

Feliz. <3

Meu nome é Thais Godinho e eu estou aqui para te inspirar a ter uma rotina mais tranquila através da organização pessoal.