Categoria(s) do post: Diário da Thais, Anual

Em 2016, eu fiz um curso de formação em coaching de vida que me ensinou muitas coisas importantes. Lá, eu fiz um exercício de visualização (na verdade, foram vários) que me levou a pensar como seria a Thais que eu gostaria de ser. E veja, não tem a ver com querer ser quem eu não sou, mas de imaginar a minha melhor versão (sei também que, em pleno 2020, esse termo é brega pacas, mas ainda assim é a melhor maneira de definir o que quero dizer com essa reflexão).

Não consigo descrever muito o momento que eu estava passando em 2016, mas ter feito esse curso e esse exercício em particular foi memorável porque foi o que me ajudou a pensar realmente na Thais que eu queria ver no espelho em todos os aspectos. Eu estava (sempre estou, na verdade, mas naquela época era bastante intenso isso) em uma fase de me construir como profissional nesta área em que atuo. Eu já tinha meus valores, eu sabia o que considerava certo ou errado, mas eu penso que faltava ainda muita experiência daquilo que eu queria viver, pois ainda estava em um momento de imaginar possibilidades apenas.

Eu escrevi um post no final de 2016 onde eu conto sobre esse exercício. E acho muito impressionante porque lembro vividamente da imagem que tive na época, e hoje eu vivo exatamente aquela imagem que tive lá atrás, quando parecia tão distante. O escritório, a roupa, o cabelo, o tom de voz, a calma de anos de prática de meditação, tudo.

Aí, este ano, eu fiz um exercício semelhante, em janeiro. E tem uma frase lá que considero muito inspiradora, e duplico aqui:

Quando eu paro para pensar “na pessoa que eu quero ser em 2020”, sei que isso faz parte de toda uma construção que não envolve necessariamente uma separação ano a ano, mas de se entender no sentido de: o que aprendi sobre mim nos últimos anos que me permite ser cada vez mais a pessoa que eu sou agora e que eu quero ser daqui em diante?

Eu chego aqui nesse momento final de 2020, um ano tão complicado e difícil, e esse exercício de refinamento continua, pois essa é a ideia, ano após ano. Apesar de estar vivendo uma vida como eu sonhei muitos anos atrás, eu me pergunto:

  • O que eu acho que não tem mais nada a ver comigo e que eu quero tirar da minha vida?
  • O que eu acho que tem tudo a ver com a minha vida e que quero trazer mais daqui em diante? Coisas simples, coisas maiores, enfim.

Um critério para reflexão a respeito “da pessoa que eu quero ser” sempre será a missão pessoal. E talvez você não tenha uma – tá tudo certo. A minha é:

Ser uma pessoa criativa, leve e bem-humorada por meio da escrita, da conversa e do ensino, para deixar um legado ajudando as pessoas a encontrarem os seus dons e, com eles, planejarem suas vidas e fazerem acontecer com coerência e significado em todas as suas atividades e projetos.

Eu absolutamente amo essa missão, porque ela conversa com o trabalho feito no Vida Organizada, mas vai além disso. Eu posso viver essa missão no convívio com meu filho, por exemplo, marido, mãe, amigas.

A pessoa que eu quero ser em 2021 é:

  • uma mãe amiga mas que também saiba ser firme naquilo que realmente importa e impactará no caráter e senso de cuidado do nosso filho, que está chegando na adolescência;
  • uma esposa companheira, carinhosa e compreensiva;
  • uma pessoa boa de se trabalhar, organizada em equipe, com uma liderança responsável e capacidade de ouvir;
  • uma pessoa absolutamente responsável com as finanças da empresa e as finanças da família, com tudo organizado e encaminhado para só manter e fazer reajustes depois;
  • uma filha mais presente;
  • uma pesquisadora focada e que saiba aproveitar o privilégio de cursar um Doutorado;
  • alguém que ouça e aprenda muito com outras pessoas;
  • uma pessoa cada vez mais calma e compassiva através da meditação e de todas as práticas budistas que busco aperfeiçoar diariamente;
  • uma mulher que confia em seu próprio trabalho e não se deixe afetar por pessoas que queiram humilhar, rebaixar, ironizar ou menosprezar o seu trabalho e modo de viver;
  • uma pessoa que usa sua influência para ajudar as outras.

Quando se fala em planejamento, pode ser muito fácil chegar com agendas e planilhas e querer só colocar em prática a parte tática da vida, mas uma das coisas que vem antes é a parte estratégica mesmo. E eu acredito que pensar na pessoa que você quer ser é uma das maiores estratégias desse planejamento.

Por isso, este post existe justamente para te incentivar a pensar: que pessoa eu quero ser no ano que vem? Ou a partir do ano que vem? Estamos sempre em construção. Pense em tudo o que você acha que não tem mais nada a ver com você e pergunte-se como fazer uma transição tranquila (e outras nem tanto) para mudar. Veja também tudo aquilo que tem a ver com você e que você gostaria de explorar mais. Você pode não ter todas as respostas agora (ninguém tem), mas as poucas respostas que tiver já podem te dar subsídios para começar a trabalhar nelas nesse momento. E qualquer mudança em direção à sua essência já trará um impacto gigantesco à sua vida como um todo, porque é um tijolo sobre o outro, o que você está colocando.