Categoria(s) do post: Finanças

Existem alguns posts que gosto de publicar de tempos em tempos para trazer atualizações para vocês. O último sobre como organizo as minhas finanças foi publicado em 2018, apesar de, no ano passado, eu ter feito uma série com vários posts compartilhando como estava fazendo. De qualquer maneira, segue um post atualizado com a versão 2020. 🙂

Vale começar este post dizendo que tenho um perfil conservador-moderado para finanças. Ter estabilidade financeira é muito importante para mim porque vi minha família passar por maus bocados e eu mesma já tive dificuldades em algumas épocas da minha vida. Logo, em vez de acumular “coisas” compradas, prefiro ser uma pessoa que acumula “dinheiros”, e a base disso é basicamente reduzir o padrão de vida e evitar gastos no dia a dia. Não sou nenhum Tio Patinhas nem tenho milhões, mas ter tomado algumas decisões no último ano ajudou muito a minha sanidade mental com relação a esse assunto.

Aprendi MUITO no último ano. Mas acredito que consiga resumir esses aprendizados em três aspectos:

  • custo fixo é uma coisa que você tem que repensar sempre porque senão só aumenta e acaba criando algemas na sua vida, e isso é bem chato;
  • eu prefiro ganhar menos e ter mais qualidade de vida a ganhar mais e ficar presa a uma série de compromissos que vão prejudicar a minha saúde, meu tempo com o nosso filho e outros projetos que sejam importantes para mim;
  • não tem por que gastar dinheiro para ter a posse de coisas. “do mundo não se leva nada”. aprendi a apreciar as coisas sem precisar comprá-las para “ter”.

Há alguns anos, guardar dinheiro virou quase que uma obsessão (saudável) para mim. Amo o meu trabalho e quero fazer o que faço por toda a vida. Proteger esse trabalho significa investir nas coisas certas – tempo, dinheiro, energia. Então eu faço investimentos sim quando necessário, quando sinto que terei um retorno importante, mas nunca gastando um dinheiro que me deixe preocupada.

Aliás, o parâmetro do “ficar preocupada” me ajuda na tomada de decisões. Por exemplo, este ano eu queria ter entrado no Doutorado no segundo semestre. Antes de pleitear bolsa, eu precisaria pagar um semestre inteiro pelo menos, e é uma mensalidade salgada (falei mais sobre esse planejamento em outro post). Eu guardei o dinheiro necessário para a empreitada, mas pensei que, se eu ingressasse no doutorado, com a pandemia e tudo o que está rolando, sem saber como ficaria o faturamento do meu negócio, isso apenas me traria mais preocupações. Logo, adiei os planos. Esse é apenas um dos vários exemplos que eu poderia dar relacionados a esse tema. Se é um dinheiro que pode fazer falta, penso 300 vezes antes de investir.

Guardar dinheiro como “obsessão” tinha um primeiro foco: montar uma reserva financeira (o famoso “fundo de emergência”) para alguns meses, em caso de qualquer coisa que acontecesse – crise econômica no Brasil, uma pandemia no mundo e qualquer outra coisa relacionada. Aconteceram todas as crises possíveis. rs E ter guardado dinheiro foi o que me fez passar por elas sem ter fechado minha empresa, por exemplo, ou tendo que recorrer a recursos que complicariam ainda mais a minha vida, como pedir um empréstimo. Mas o essencial, em paralelo, foi ter reduzido o nosso custo de vida. Hoje, acho que o nosso maior gasto fixo mensal é com o plano de saúde, que consideramos necessário, e a escola do filhote, que para mim não é negociável (quero proporcionar a ele a melhor educação que eu puder). Não pagamos mais aluguel, quitamos o nosso carro, e conseguimos economizar bastante de modo geral. Isso me permitiu investir em outros elementos que antes eu achava “caros”, como alimentos orgânicos, e que me ajudam a ter uma saúde melhor.

Bem, na página acima você confere o cartão de “Finanças” dentro de uma página onde organizo todas as áreas da minha vida dentro do Notion (estou fazendo uma migração para a ferramenta para compartilhar o processo com vocês aos poucos). Uma vez por mês, ou sempre que sinto necessidade, reviso cada uma dessas áreas para refletir sobre o que está funcionando, o que não está, o que preciso mudar ou quero tomar de providência a respeito.

Procuro manter essa revisão simples para evitar complicações mesmo. Não tem por que ser complicado aqui. A questão da mentalidade para mim é muito importante, reforçada diariamente lendo minhas afirmações positivas e lendo livros de pessoas que eu gosto, como o Nap Hill.

Nós temos esses dois bens, que para mim são muito importantes, que são a nossa casa e o nosso carro. Considero adquirir mais um bem em algum momento (provavelmente um imóvel comercial), para usar para o meu trabalho ou alugar e ter uma fonte de renda futuramente. Eu tenho um investimento relacionado a isso.

Nos últimos anos, eu tinha a ideia de comprar um terreno no interior para construir uma casinha, ou até mesmo participar de uma ecovila. Depois de muita reflexão, percebi que esse bem não se encaixaria no nosso estilo de vida e que apenas traria mais custos fixos. É uma reflexão que posso trazer em outro post, se vocês tiverem interesse, para não deixar este post aqui muito grande, mas foi um processo importante de decisão para mim, e que levou vários anos até eu resolver completamente.

Bom, esses são os investimentos que eu tenho, basicamente. Cada vez mais, tenho adotado a ideia de ter um investimento para demais projetos. Por exemplo, se quero fazer uma viagem, crio um investimento. Como no momento não tenho qualquer viagem em vista, não vem exatamente ao caso, mas quis comentar. Acima estão os investimentos que tenho.

Fundo de emergência fica na poupança mesmo, para resgate mais fácil (no último ano não vi vantagem em mudar nem para Tesouro SELIC, escolha pessoal, sorry). Aposentadoria entra em CDBs diversos (2035, 2045), além do FGTS que eu pago mensalmente através da minha empresa. Faculdade do Paul também é um CDB para resgate em 10 anos. E a sala comercial é um investimento recente que venho fazendo, com aquela tradicional continha que a gente faz investindo o valor que “sobra” entre o que pagaria numa parcela menos o valor atual do aluguel + o valor que eu poderia dar de entrada no momento.

Não tenho interesse no momento em outros investimentos, como títulos ou fundos imobiliários, apesar de considerar interessantes. Creio que cada pessoa seja sua melhor juíza para entender o perfil e decidir por si mesma.

Na parte de gestão administrativa, entra a gestão diária mesmo da coisa toda. Eu mantenho dívidas e financiamentos não porque tenhamos algo, mas para me lembrar que isso sempre pode acontecer. Cartões de crédito eu uso apenas para acumular milhas / pontos e pagar por serviços que sejam necessários, especialmente da empresa – anúncios, assinaturas de serviços, e sempre pago integralmente, como parte do orçamento mensal mesmo.

Duas perguntas que geralmente surgem quando falo sobre finanças:

  1. Como você registra os seus gastos diários?
  2. Você tem uma planilha de gastos?

Respondendo a primeira. Eu evito gastos a todo custo. É assim que controlo. Se precisamos comprar algo, economizo o quanto puder, faço pesquisas, e entra no nosso orçamento. É simples assim. Não registro cada real gasto, pois não vejo necessidade. Uma vez por semana, analiso o extrato bancário para ver como gastamos dinheiro e então tomar providências, se for necessário. O que gastamos é o que temos como orçamento. Por exemplo, se eu gastei 50 reais na feira, sei que é o que costumo gastar mesmo. Já fiz muitos registros de gastos na vida para saber o que está dentro da média. Não considero esse registro micro necessário hoje em dia.

Respondendo a segunda. Mantenho uma planilha para os gastos da empresa, pois esses entram na minha declaração do Imposto de Renda e envolve mais números. É uma planilha simples, dividida por meses do ano, em que listo as contas: aluguel, internet, serviços diversos.

Quando tenho um projeto da empresa, por exemplo, a campanha para o lançamento de uma turma nova do meu curso, eu faço uma estimativa de faturamento e, com base nela, planejo algumas ações: investimento em anúncios, em design, em serviços. O mesmo vale para projetos pessoais. Se queremos fazer algo, geralmente crio também uma planilha de gastos. Por exemplo, a reforma da garagem. Quanto podemos gastar? Quanto custa cada coisa? Há necessidade de ajustes? Etc.

Com toda a sinceridade e com todo o respeito, eu acho que tais ferramentas são os componentes menos importantes do processo de organização das finanças. São apenas ferramentas de suporte, que uso para verificação conforme a necessidade, mas que nem de longe representam os pontos-chave de qualquer processo de organização financeira. Não faça delas o foco, pois o foco deve estar em você, no seu processo, nos seus hábitos, especialmente de revisão.

Obviamente, a revisão de cada uma das áreas e cada uma de suas responsabilidades tem o seguinte foco: estou satisfeita com essa área da maneira como ela está hoje? Se não estiver, identifico projetos potencialmente úteis para que a área chegue em um nível que me deixe satisfeita. Por exemplo, tenho um projeto atual (recorrente, faço todo final de ano) para revisar os nossos planos de assinatura para cancelar aqueles que não fazem mais sentido e explorar planos melhores ou mais em conta).

Em nível “térreo”, tenho alguns lembretes de coisas relacionadas a finanças que estão no meu calendário, como o vencimento das contas (costumo inserir a conta, de que conta bancária ela será debitada, se está em débito automático e quem é o responsável pelo pagamento da mesma). Também é comum ter algumas ações pontuais ou recorrentes como “tirar $ do banco” ou “telefonar no banco para desbloquear o novo cartão”.

Os projetos são revisados semanalmente, junto com os projetos de outras áreas da vida. Os objetivos eu reviso a cada três meses ou sempre que sentir vontade ou necessidade.

Quero comentar uma coisa, para finalizar, que venho fazendo questão de comentar sempre, em todos os posts. Eu sou uma pessoa com uma mentalidade positiva sempre. Sei que nem todo mundo se identifica com isso. Mas eu sou MUITO “poliana”, a pessoa que vê sempre o lado bom das coisas. Acho que isso define muito como eu tomo as minhas decisões e encaro a vida. Acaba se refletindo em todas as áreas, inclusive finanças.