Categoria(s) do post: Carta da Editora

Os textos do blog são escritos com alguns dias ou às vezes até semanas de antecedência. Eu precisei revisar e fazer alterações neste texto um dia antes de ele entrar no ar, pois as coisas estão mudando tão rápido!

O mundo mudou.

1/3 da humanidade está em isolamento social ou quarentena.

Existem tantos temas importantes que poderíamos conversar este mês, mas eu não posso deixar de refletir sobre eles embaixo de um macro tema principal que é: viver em casa. Como funciona essa prática? Como podemos dormir, acordar, trabalhar, conviver, fazer comida, limpar a casa, ter momentos de lazer, estando todos juntos? Como é essa nova dinâmica?

Para você que veio do futuro e não sabe sobre o que estou falando: olá! Meu nome é Thais, este é um blog sobre organização pessoal, produtividade compassiva, planejamento de vida, e neste momento estamos passando por um grande desafio como humanidade, que é uma pandemia de um vírus chamado COVID19. Ele tem uma alta taxa de contaminação, portanto a principal medida é manter as pessoas isoladas socialmente, de modo que o vírus não se propague tanto. Ele é um “inimigo” invisível, pois os sintomas aparecem de 5 a 23 dias depois do contágio, apenas, e algumas pessoas são assintomáticas, mas ainda assim podem infectar outras. Logo, as pessoas que apresentam sintomas, chegam a ir aos hospitais e podem ser testadas apenas porque estão em caso grave são muito poucas. Acredita-se que o número real seja 10 ou 11 vezes maior que o oficial divulgado. É uma crise global. Diferentes países têm lidado de maneiras diferentes e enfrentado as consequências de suas ações. O vírus nasceu na China, mas com esse mundo conectado que temos hoje, realmente tanto faz sua origem – se espalharia de qualquer maneira.

Existem profissionais que não podem parar o seu trabalho justamente porque estão no campo de batalha. São médicos, enfermeiros, assistentes, faxineiros, recepcionistas e muitos outros que mantêm um hospital em pronto atendimento. Além deles, há os comerciantes de artigos essenciais (mercado, farmácia, banca de jornal), os entregadores, os jornalistas e muitos outros profissionais que podem passar de maneira invisível em meio a tanto caos. Não passam. Vocês são essenciais, são incríveis. Estão abrindo mão da própria segurança para executar esse trabalho pelo bem dos outros. Muito obrigada.

Também existem pessoas que podem trabalhar de casa, ou foram obrigadas pela empresa a tirarem férias, ou simplesmente estão desempregadas. Essas pessoas estão (ou deveriam estar) em casa. Essa é a medida recomendada pela Organização Mundial da Saúde e por todos os especialistas e infectologistas do mundo todo.

Há profissionais que, por quaisquer motivos, não podem trabalhar em casa. O empregador não liberou, ou são autônomos que dependem de seu trabalho fora para obter renda. Ou seja, temos diversas configurações acontecendo, mas uma coisa é certa nesse cenário: eventualmente, todos podemos ser infectados. A questão é que, se formos infectados ao mesmo tempo, não haverá atendimento para todos. Não temos leito, hospital, médicos, respiradores, para todo mundo ao mesmo tempo. Então a medida de isolamento é para “achatar a curva” de contaminação e garantir que o sistema de saúde não fique tão sobrecarregado.

Quando isso vai acabar? Não sabemos. Pesquisas mais recentes mostram que a China está identificando uma segunda onda de contaminações. A previsão dos especialistas é de que vamos alternar períodos em casa com períodos em que podemos sair – pelo menos até desenvolvermos a vacina. Isso pode levar até dois anos. Uma das maneiras de não ficar ansiosa com o imprevisível é focar no momento presente.

Aqui, temos o imenso privilégio de poder trabalhar de casa. Em dezembro do ano passado, eu ministrei meu último curso presencial para assumir o risco imenso de levar 100% do meu trabalho para o online. Não foi do nada, não foi sem planejamento. Demandou estudo, preparação, capacitação, projeção. Eu jamais imaginaria que passaríamos por isso que estamos passando agora. Felizmente minha experiência me ajudou demais nesse momento e consigo ter a cabeça no lugar para planejar os próximos meses. Meu marido trabalha comigo. Nosso sustento depende desse trabalho. Logo, como todo mundo, também estamos atentos e preocupados com os rumos da economia mas, acima de tudo, com a saúde das pessoas, especialmente nossa família.

O fato é que estamos em casa. O blog refletirá essa realidade. Como muitas outras pessoas podem estar na mesma situação, espero poder contribuir com dicas e boas práticas de modo geral para todos lidarmos de maneira menos chata com o que está acontecendo. Não quero focar “na quarentena”, “no vírus”, mas sim em proporcionar para você, leitor ou leitora, um espaço onde você possa entrar todos os dias e encontrar algumas dicas reconfortantes para os seus desafios atuais, que são a nossa nova realidade. Vou procurar levar os mesmos temas para diferentes formatos, como o Instagram e o YouTube, de modo que todos possam acompanhar.

Temos muitos desafios nesse conviver diário! Por exemplo, como você está fazendo com seu animal de estimação, querido leitor? Ele está indo passear? Você, querida leitora, que costuma meditar em tranquilidade, está conseguindo fazer isso em algum horário em casa agora que todos estão completamente sem rotina, especialmente os filhos? Aliás, o assunto filhos dá um capítulo inteiro, pois o que fazer quando tantas atividades interessantes não despertam qualquer tipo de interesse, gerando um tédio total? E a comida, enjoada o suficiente de fazer as mesmas coisas todos os dias? O pessoal do trabalho tem te importunado mais com e-mails, mensagens e reuniões, já que não estão presentes? E o horário de trabalho, agora ruiu-se de vez? Como podem ver, temos bastante assunto para abordar este mês.

Eu tenho a mais absoluta certeza que vamos superar e que a humanidade aprenderá muito com todo o que estamos vivendo e ainda vamos viver. Ficará bem difícil nas próximas semanas, mas eu quero que meu papel seja o de promover um espaço seguro para podermos nos apoiar e trazer soluções positivas. Espero que goste da abordagem dos temas ao longo do mês de abril.