Carta da Editora

Carta da Editora – Abril 2020

Os textos do blog são escritos com alguns dias ou às vezes até semanas de antecedência. Eu precisei revisar e fazer alterações neste texto um dia antes de ele entrar no ar, pois as coisas estão mudando tão rápido!

O mundo mudou.

1/3 da humanidade está em isolamento social ou quarentena.

Existem tantos temas importantes que poderíamos conversar este mês, mas eu não posso deixar de refletir sobre eles embaixo de um macro tema principal que é: viver em casa. Como funciona essa prática? Como podemos dormir, acordar, trabalhar, conviver, fazer comida, limpar a casa, ter momentos de lazer, estando todos juntos? Como é essa nova dinâmica?

Para você que veio do futuro e não sabe sobre o que estou falando: olá! Meu nome é Thais, este é um blog sobre organização pessoal, produtividade compassiva, planejamento de vida, e neste momento estamos passando por um grande desafio como humanidade, que é uma pandemia de um vírus chamado COVID19. Ele tem uma alta taxa de contaminação, portanto a principal medida é manter as pessoas isoladas socialmente, de modo que o vírus não se propague tanto. Ele é um “inimigo” invisível, pois os sintomas aparecem de 5 a 23 dias depois do contágio, apenas, e algumas pessoas são assintomáticas, mas ainda assim podem infectar outras. Logo, as pessoas que apresentam sintomas, chegam a ir aos hospitais e podem ser testadas apenas porque estão em caso grave são muito poucas. Acredita-se que o número real seja 10 ou 11 vezes maior que o oficial divulgado. É uma crise global. Diferentes países têm lidado de maneiras diferentes e enfrentado as consequências de suas ações. O vírus nasceu na China, mas com esse mundo conectado que temos hoje, realmente tanto faz sua origem – se espalharia de qualquer maneira.

Existem profissionais que não podem parar o seu trabalho justamente porque estão no campo de batalha. São médicos, enfermeiros, assistentes, faxineiros, recepcionistas e muitos outros que mantêm um hospital em pronto atendimento. Além deles, há os comerciantes de artigos essenciais (mercado, farmácia, banca de jornal), os entregadores, os jornalistas e muitos outros profissionais que podem passar de maneira invisível em meio a tanto caos. Não passam. Vocês são essenciais, são incríveis. Estão abrindo mão da própria segurança para executar esse trabalho pelo bem dos outros. Muito obrigada.

Também existem pessoas que podem trabalhar de casa, ou foram obrigadas pela empresa a tirarem férias, ou simplesmente estão desempregadas. Essas pessoas estão (ou deveriam estar) em casa. Essa é a medida recomendada pela Organização Mundial da Saúde e por todos os especialistas e infectologistas do mundo todo.

Há profissionais que, por quaisquer motivos, não podem trabalhar em casa. O empregador não liberou, ou são autônomos que dependem de seu trabalho fora para obter renda. Ou seja, temos diversas configurações acontecendo, mas uma coisa é certa nesse cenário: eventualmente, todos podemos ser infectados. A questão é que, se formos infectados ao mesmo tempo, não haverá atendimento para todos. Não temos leito, hospital, médicos, respiradores, para todo mundo ao mesmo tempo. Então a medida de isolamento é para “achatar a curva” de contaminação e garantir que o sistema de saúde não fique tão sobrecarregado.

Quando isso vai acabar? Não sabemos. Pesquisas mais recentes mostram que a China está identificando uma segunda onda de contaminações. A previsão dos especialistas é de que vamos alternar períodos em casa com períodos em que podemos sair – pelo menos até desenvolvermos a vacina. Isso pode levar até dois anos. Uma das maneiras de não ficar ansiosa com o imprevisível é focar no momento presente.

Aqui, temos o imenso privilégio de poder trabalhar de casa. Em dezembro do ano passado, eu ministrei meu último curso presencial para assumir o risco imenso de levar 100% do meu trabalho para o online. Não foi do nada, não foi sem planejamento. Demandou estudo, preparação, capacitação, projeção. Eu jamais imaginaria que passaríamos por isso que estamos passando agora. Felizmente minha experiência me ajudou demais nesse momento e consigo ter a cabeça no lugar para planejar os próximos meses. Meu marido trabalha comigo. Nosso sustento depende desse trabalho. Logo, como todo mundo, também estamos atentos e preocupados com os rumos da economia mas, acima de tudo, com a saúde das pessoas, especialmente nossa família.

O fato é que estamos em casa. O blog refletirá essa realidade. Como muitas outras pessoas podem estar na mesma situação, espero poder contribuir com dicas e boas práticas de modo geral para todos lidarmos de maneira menos chata com o que está acontecendo. Não quero focar “na quarentena”, “no vírus”, mas sim em proporcionar para você, leitor ou leitora, um espaço onde você possa entrar todos os dias e encontrar algumas dicas reconfortantes para os seus desafios atuais, que são a nossa nova realidade. Vou procurar levar os mesmos temas para diferentes formatos, como o Instagram e o YouTube, de modo que todos possam acompanhar.

Temos muitos desafios nesse conviver diário! Por exemplo, como você está fazendo com seu animal de estimação, querido leitor? Ele está indo passear? Você, querida leitora, que costuma meditar em tranquilidade, está conseguindo fazer isso em algum horário em casa agora que todos estão completamente sem rotina, especialmente os filhos? Aliás, o assunto filhos dá um capítulo inteiro, pois o que fazer quando tantas atividades interessantes não despertam qualquer tipo de interesse, gerando um tédio total? E a comida, enjoada o suficiente de fazer as mesmas coisas todos os dias? O pessoal do trabalho tem te importunado mais com e-mails, mensagens e reuniões, já que não estão presentes? E o horário de trabalho, agora ruiu-se de vez? Como podem ver, temos bastante assunto para abordar este mês.

Eu tenho a mais absoluta certeza que vamos superar e que a humanidade aprenderá muito com todo o que estamos vivendo e ainda vamos viver. Ficará bem difícil nas próximas semanas, mas eu quero que meu papel seja o de promover um espaço seguro para podermos nos apoiar e trazer soluções positivas. Espero que goste da abordagem dos temas ao longo do mês de abril.

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11 Comments

  1. Por aqui ando escrevendo a dissertação do mestrado. Minha sorte foi que eu já tinha terminado a parte experimental do trabalho e agora tenho o privilégio de poder escrever de casa, eu até prefiro ficar em casa, a questão toda é que está difícil me concentrar sabendo de tudo o que está acontecendo lá fora. O que tem me ajudado é evitar ver muitas notícias, meditar, fazer yoga e o grupo do telegram das Gotas de Sabedoria que você indicou. Sou só gratidão pelo conteúdo que você tem postado, Thais. <3

  2. Thais, por aqui estamos levando tudo de um jeito melhor do que imaginei. Como eu já trabalhava em casa e só saía para ir à academia e buscar minha filha na escola, não mudou muito. Os prazos processuais foram suspensos, o que diminuiu o volume diário. Minha filha está numa fase em que brinca sozinha tranquila (3 anos), então conseguimos gerir melhor o dia a dia; porém, é fato que ela está vendo mais TV do que antes… mas faz parte das minhas concessões.

    Como eu tenho Transtorno de Ansiedade Generalizada, preciso praticar uma alienação diária. Não vejo canais de notícias; o que eu preciso saber, as redes sociais já me informam. Vivo um pouco no meu “fantástico mundo” mas é necessário para que eu não surte.

    Moramos em um condomínio pequeno de casas e, assim, consigo acordar bem cedinho para caminhar, quando não tem ninguém na rua – isso é um alívio para meu corpo e mente. E faço exercícios em casa. Com relação aos cachorros, consigo sair uma vez por dia com a minha mas morar em casa ajuda nesse sentido… ela tem mais espaço do que se fosse em apartamento…

    Estamos vivendo um dia de cada vez, aproveitando para colocar muita coisa em dia, ler, descansar, estudar, assistir série… não quero ser a louca da produtividade mas também não quero ficar vendo a vida passar… equilíbrio para sair dessa fase difícil sem tantos danos à mente e ao corpo….

    Bjs

  3. Daniela Brisola says:

    Thais, mais um presente maravilhoso que você nos oferece. Obrigada por ter um espaço onde nos sentimos seguros, obrigada pelos seus textos gostosos de ler e que nos abraçam e acalmam em tantos momentos. Será um mês difícil, mas tenho certeza que quando tudo isso acabar seremos seres humanos melhores, vivendo em um mundo novo. Fique bem <3

  4. Bruna Barbosa says:

    Amei essa carta! Realmente muito apropriado para os tempos que vivemos mas ao mesmo tempo reconfortante saber que haverá muitas leituras úteis que não sejam somente focadas no vírus. Por isso acompanho e admiro esse blog há tantos anos. Cada dia mais influenciando na minha qualidade de vida.

  5. Bianca Evelyn da Silva says:

    Que legal Thais! Acho bem interessante esse tema para o mês, afinal estamos com algumas dificuldades em lidar com essa situação, até porque nunca passamos por um momento como esse. E no meu caso, continuo trabalhando no escritório (infelizmente), mas não saio de casa para fazer mais nada, além de ir ao mercado. Será ótimo ver as suas dicas, já estou ansiosa!

  6. Caroline says:

    Graças a Deus que temos você! Obrigada!

  7. Estudante says:

    Achei engraçada e gentil essa sua carta pro futuro! Na minha área de trabalho, vejo muita gente suando pra criar uma rotina de trabalho remoto. Esse vai ser pra mim o maior aprendizado.

    Pra mim, está servindo muito bem como “simulação”, e agora eu vejo que realmente MUITA coisa pode ser feita de casa. Nem me importo em “passar um pouco do horário”, pois no intervalo posso fazer uma receita legal, lavar as roupas, cuidar das plantas e estudar assuntos de meu interesse.

    Mas confesso que o desafio maior realmente deve ser para quem tem filhos.

  8. acho que estou viciando no blog. qualquer momento que tive livre hj eu dava uma passadinha aqui para ver o texto de hoje havia saído hahaha.

  9. Parabéns por esta “carta” sensata. Acompanho seu trabalho desde 2013 e admiro muito a sua competência. Acredito que nesse momento excepcional de nossas vidas você nos proporcionará posts inspiradores para tolerarmos esta rotina estranha. Estou em Home Office e ainda não consegui me disciplinar principalmente quanto aos horários de refeições. Esta semana já estou sentindo falta da convivência com colegas e amigos, apesar de ser uma pessoa que fico muito bem sozinha, pois criar distrações e hobbies é o meu forte. Ainda me acho privilegiada, pois hoje moro sozinha e posso trabalhar sossegada e na companhia dos meus três felinos. É um deleite tirar o olho da tela e vê-los dormindo ao meu redor tranquilos e felizes, especialmente por eu estar por perto. Só quem ama muito os animais pode entender este sentimento. Porém nestes últimos dias as únicas pessoas que tenho visto, são minha mãe idosa, de quem cuido à noite e que também mora no meu prédio e a nossa “auxiliar do lar”, que tem sido maravilhosa. Além da minha amiga e vizinha do lado que conversamos pelo hall com as portas abertas cada uma dentro de sua cozinha e conferindo se estamos bem ou precisamos de algo. Isto realmente dá uma sensação de isolamento. Meu condomínio criou um grupo de solidariedade no Watts e as pessoas começaram a se conhecer, embora virtualmente. Bem, quero dizer que temos que valorizar o avanço de nosso país em TI, acho que somos o terceiro país do mundo com maior número de celulares por habitante. A partir de agora nossa vida profissional e social será virtual, temos que ser criativos e nos adaptarmos dia a dia a uma nova realidade. Somos brasileiros, sociáveis, amáveis, festeiros, mas também extremamente adaptáveis às condições adversas que resolvemos com a nossa brilhante criatividade. Esta será uma fase em nossas vidas da qual nos lembraremos no futuro como um grande desafio que foi vencido e nos proporcionou experimentar um modo de vida diferente. Estou contigo, Thaís, todo dia, acompanhando seu trabalho e aprendendo coisas novas para enriquecer minha vida.

    1. Obrigada pelo seu comentário. Me senti muito próxima de você lendo. <3

  10. Jacqueline says:

    Thais adorei a carta, eu estou trabalhando por escala pois sou assistente social na área da saúde, então não podemos parar. Acho que vou gostar da parte que vc vai falar dos filhos porque realmente “o que fazer quando tantas atividades interessantes não despertam qualquer tipo de interesse, gerando um tédio total?” minha filha esta bem assim, as vezes me sinto esgotada com isso sabe.
    Na verdade acho que vou gostar de todos os assuntos que vc vai postar pois na minha visão vc sempre acerta.

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