Categoria(s) do post: Rotinas, Saúde, Plenitude & Felicidade

Eu escrevo sobre rotinas há muitos anos aqui no blog e já trouxe algumas definições que até acabaram se tornando padrão para mim. A principal é dizer que rotina não tem a ver com horário, mas com consistência, com frequência, com sequência, com ritmo.

Praticamente todos os dias recebo uma variação da mesma pergunta: o que você faz quando algum imprevisto abala a sua rotina? E gente, a coisa mais importante de todas que a gente tem que ter em mente é que uma rotina abriga inclusive imprevistos. Imprevistos fazem parte da rotina. Uma rotina não é composta apenas por atividades planejadas, mas por atividades planejadas, atividades não planejadas e atividades de organização, reflexão e planejamento (quem diz isso é o tio David, não eu, mas reforço urgentemente). Se para a sua rotina você não está levando em consideração esses outros tipos de atividades, isso é uma falha de percepção, não da rotina em si.

Outro ponto essencial aqui. Uma boa rotina muda para se ajustar às suas necessidades. Você desenvolver o hábito de estar consciente o tempo todo (o tal mindfulness) vai tornar fácil de perceber quando algo está errado e precisa de ajustes. Opa, hoje acordei com dor de estômago. O que posso mudar no meu dia para melhorar? Não dormi muito. O que posso fazer? Está frio. Talvez não seja uma boa almoçar salada fria. Sabem? Umas coisas que eu diria que são até meio simples mas que refletem uma relação de olhar para dentro, não para fora. Estou lendo um livro sobre ayurveda no momento (da Márcia de Luca) em que ela afirma o tempo todo que o referencial nosso deve ser o de olhar para dentro, não pra fora. Que as doenças e problemas surgem quando a gente perde essa unicidade (que vem de olhar para dentro). E eu concordo muito com isso porque muitas vezes podemos passar um dia inteiro ignorando sinais. Se eu estou com dor de cabeça, meu corpo está me dizendo algo. Se eu ignoro isso porque preciso trabalhar, a coisa tende a piorar.

E é claro que a solução não é “não trabalhar” quando você está com dor de cabeça. Em uma condição ideal talvez até fosse, e seria muito legal se você pudesse. Mas, se você não puder, é o tentar observar o que está acontecendo com você que está te dando dor de cabeça. Dormiu mal? Será que é a visão? Estresse? Falta de água? Podem ser tantas coisas. À medida que você for se conhecendo você vai aprendendo mais o que pode e o que não pode ser. Entendendo o problema, consegue ir na solução.

Eu acho assustador como a gente se acostumou a simplesmente tomar um remédio quando está com dor de cabeça, como se fosse um botão que a gente aperta e resolve o problema. O remédio ataca o sintoma, mas não a causa. De nada adianta tomar o remédio e não procurar saber o que está causando a dor de cabeça (e ainda pode causar problemas no estômago em seu uso excessivo).

Sempre, sempre vou dizer para você fazer acompanhamento médico com regularidade porque eu não sou médica e tenho responsabilidade. Meu blog traz apenas o meu aprendizado, a minha experiência e as minhas percepções.

Sua rotina hoje pode ser diferente da rotina de amanhã. Quando nosso filho nasceu, minha rotina se resumia a ficar bem para cuidar dele. Na semana seguinte, eram necessidades diferentes. Não adianta eu estabelecer um “padrão” e não ajustá-lo à medida que as coisas vão acontecendo e mudando. A maior característica da rotina então é ser mutável e personalizada de acordo com as suas necessidades. Por isso não adianta você vir aqui, ver a Thais tentando acordar 5h da manhã, e comentar “isso é impossível para mim”. É você abrigar a experiência do outro com empatia e regozijo e pensar: como eu posso me sentir bem com o meu momento de acordar? E por que me incomoda tanto que uma pessoa acorde em um horário diferente da maioria? Tudo é auto-conhecimento.

Vou falar sobre o sono nos próximos posts, pois para mim é a questão central. O que mais “pegou” no meu pós-parto foi o fato de não dormir direito. Até hoje, se mudo minha rotina de sono, isso estraga meu dia seguinte, baixa minha imunidade, dá dor de cabeça etc. Como costumo dizer, a única dica de produtividade que dou é: durma horas suficientes. milagre da manhã é acordar depois de um sono restaurador.

O que eu quero que você apreenda deste post:

  • Que rotina não tem a ver com horário, mas com ritmo, sequência, consistência;
  • Que a rotina deve ser personalizada para as suas necessidades, e esses ajustes são diários, momento a momento;
  • Que não existe rotina sem auto-conhecimento, pois o que você perceber na sua vida você já deve providenciar “coisas” para ajustar;
  • Que a rotina que funciona hoje provavelmente precisará mudar para funcionar em outros momento;
  • Que uma rotina abriga não apenas atividades já planejadas, mas imprevistos, coisas que surgem, além das suas atividades de organização, o tempo que você dedica para cuidar das suas “coisas”;
  • Que você não deve comparar a sua rotina com a do coleguinha, porque cada um tem a sua vida e o seu universo particular, e está em um momento de vida que envolve mil acontecimentos, experiências, privilégios e condições;
  • O sono é o norteador da sua rotina.

Uma pergunta a se fazer neste momento é: como tenho lidado com os tópicos acima com relação à minha rotina? Como está o meu sono? Eu comparo a minha rotina com o referencial dos outros? Vejo imprevistos e atividades não planejadas como algo “fora” da minha rotina?

Poste o resultado dessa reflexão nos comentários, se quiser. 😉