Categoria(s) do post: Finanças

Mais de uma leitora me pediu para escrever sobre o assunto, já que estamos falando sobre finanças este mês aqui no blog e vocês sabem que eu vou a fundo nos temas, para justamente irmos além de “dicas de organização” (que são ótimas, mas precisam ser contextualizadas). O post vai trazer alguns casos reais da minha vida, apenas para ilustrar.

Tenho uma amiga que ficou mais de dois anos desempregada. Nesse meio tempo, conseguiu uma ou outra coisa, mas muito ruins, do ponto de vista de serem salários bem mais baixos do que ela ganhava antes e com condições trabalhistas piores também. Foram empregos que nem foram considerados, em que ela ficou um mês ou até menos, apenas preenchendo a vaga de alguém que estava de férias ou de licença. No final das contas, foram mais de dois meses desempregada, vivendo do seguro-desemprego nos primeiros meses e, depois, de economias. Foi bem difícil. Acompanhei de perto e penso que a falta de perspectiva e a frustração são as piores partes, pois não é nada fácil você ver o seu dinheiro acabando, precisar pagar contas, fazer mercado, e não saber como será no mês que vem. Estou querendo dizer que essa minha amiga não é rica. Ela depende do salário para viver. Mora de favor e cuida dos pais idosos. É uma situação bem difícil e, além de tudo, não é casada, então aguenta essa carga sozinha. Eu, como amiga, procuro estar sempre por perto para dar uma força.

Eu também tenho um outro amigo que trabalha desde os 13, 14 anos, para ajudar em casa. Veio de uma família muito pobre. Sempre foi o cara mais responsável da turma – o que casou antes, que financiou apartamento, aquela coisa toda. Em 2016, ele perdeu o emprego CLT e, desde então, sua vida tem sido vivida à base de bicos. Foi obrigado a “virar empreendedor”. Consegue pagar suas contas, mas sempre com dificuldade e eternamente preocupado. Este ano, iniciou um tratamento para lidar com uma depressão crônica. Isso mexeu muito comigo.

Também tive casos de amigos que foram bem-sucedidos nesse meio-tempo, mas são definitivamente a minoria. Tenho um amigo que foi promovido, se deu super bem, mas trabalha 24 horas por dia e está sempre desesperado verificando e-mails e mensagens, mesmo aos finais de semana, pois a empresa foi comprada por uma multinacional e ele tem medo de haver cortes. Isso é vida?

Eu sei que é muito difícil falar sobre finanças partindo de uma posição que talvez não seja a do leitor. Tudo o que eu posso fazer é desenvolver empatia, buscar compreender e respeitar sempre.

Eu faço parte de uma minoria que tem casa própria. Que tem um teto. Que tem trabalho. Eu reconheço todos os privilégios que tive desde que nasci e os que eu ainda tenho hoje. Meu maior esforço é no microcosmo, em ensinar ao nosso filho que a situação que vivemos não é a de todas as pessoas.

Outro dia, estávamos estudando para a prova dele de História, cujos temas em foco eram a escravidão e os imigrantes. Fazer a correlação da história do nosso país com a realidade que o povo brasileiro vive é fundamental. Eu nunca aprendi sobre lei de terras na escola, por exemplo, e ela teria sido fundamental para eu entender a continuidade da escravidão. Fui conhecer os movimentos relacionados apenas quando estava na faculdade, o que foi uma mudança de chavinha na minha cabeça. Foi quando eu percebi que vivia em uma bolha. E eu não quero que o meu filho viva numa bolha. Ele precisa saber por que tem um menino mais novo do que ele pedindo dinheiro quando a gente para com o carro no semáforo. Que as pessoas têm realidades diferentes porque vivemos em um país com extrema desigualdade social e dentro de um sistema que é representado por esse conflito de classes.

“Buda” não é um “deus do Budismo”. Buda é um estado. Representa que determinado ser alcançou a iluminação.

Sidarta Gautama foi um príncipe nepalês que viveu toda a sua vida dentro de um palácio. Seu pai controlava tudo isso e não o deixava sair para ver o que tinha lá fora. Em algum momento, bem mais velho (com quase 30 anos), ele saiu e viu um homem velho e doente. Nunca tinha visto aquilo. Obviamente ele quis sair de novo para ver mais, e a realidade o deixou chocado. Resumindo muito a história, ele foi embora em uma busca para acabar com o sofrimento de todos os seres, e disse que só voltaria se encontrasse essa solução. Ele tinha 29 anos (o retorno de saturno é uma coisa implacável até para um Buda, vejam só).

Não vou me estender com toda a história dele aqui, mas é um exemplo clássico do que estou tentando exemplificar. Nascer com privilégios não significa ignorar o restante e continuar a viver como se a pobreza e o sofrimento não existissem. Desenvolver uma mente de compaixão nos obriga (no bom sentido) a estarmos sempre atentos às necessidades das outras pessoas. O volume da nossa influência depende, mas todos nós temos os nossos círculos e podemos contribuir com o mundo de alguma maneira.

Sempre me lembro de uma frase da Madre Teresa de Calcutá, que era mais ou menos assim: “enquanto existirem seres sofrendo no mundo, não há como ser verdadeiramente feliz”. Eu concordo. Essa era a sua motivação para ajudar os outros.

Nós vivemos em um mundo absolutamente inacreditável, cheio de coisas estranhas, mas também com muita coisa bonita. Temos maldade assim como temos bondade. No final das contas, somos 7 bilhões de pessoas compartilhando um mesmo planeta. Talvez eu não consiga impactar 7 bilhões de pessoas, mas eu posso impactar o nosso filho, o meu marido, as minhas amigas, as pessoas que trabalham comigo, os leitores do blog etc. O que eu compartilho são aprendizados e reflexões pessoais sobre o tema “organização”. Ter uma vida organizada é buscar coerência entre quem você é e as coisas que você faz. Como já disse outro sábio, desta vez na ficção: tudo o que precisamos saber é o que fazer com o tempo que nos é dado (Gandalf, em O Senhor dos Anéis). O mesmo vale para o dinheiro. Era sobre isso que estávamos falando neste post, não era?

Categoria(s) do post: Novidades

Acontecerá nos dias 5 e 6 de outubro a última turma do ano de GTD Nível 2, que tem foco em Projetos & Prioridades. Este curso é direcionado para quem já fez o curso de Nível 1, os Fundamentos, ou já tem alguma experiência com o método GTD. Você pode fazer o Nível 2 agora e o Nível 1 na sequência, se tiver interesse. Apesar de terem esses números, eles fazem parte de um todo de três cursos que você pode fazer na ordem que desejar.

Nos dias 26 e 27 de outubro acontecerá um nova turma de GTD: Fundamentos. Veja mais sobre os dois cursos abaixo.

Estamos testando um novo espaço para cursos, na Avenida Paulista, principal cartão postal da cidade, ao lado do metrô Consolação e perto das principais redes de hotéis, para quem vier de fora.

Estamos organizando um processo interno na Call Daniel (franquia brasileira do método GTD) para que cada instrutor fique responsável por dois ou três estados para organizar suas turmas abertas. Isso significa que voltaremos a ter turmas fora de São Paulo a partir do ano que vem (se possível, ainda este ano). Vou divulgar aqui no blog. O site da Call Daniel está sendo reformulado e a ideia é centralizar as datas lá, para facilitar, mas sempre divulgarei por aqui também.

Não haverá outra turma de Projetos este ano, então esta é realmente a última oportunidade para quem tiver interesse nesse curso. Ainda temos vagas. Escreva para atendimentoGTD@gmail.com para saber mais informações e se inscrever.

Datas: 5 e 6 de outubro (sábado e domingo)
Horário: sábado das 9h às 17h e domingo das 9h às 12h
Valor da inscrição: 1.197 reais (pode ser parcelado)

Em 1 dia e meio de curso, você aprenderá como gerenciar os seus projetos pessoais e profissionais usando o método GTD™. Também aprenderá a desenhar um mapa com as áreas da sua vida e entenderá a importância de ter um sistema totalmente integrado para aprofundar as suas práticas da metodologia.

Dia 1 – Manhã
O caminho da maestria no método GTD™
Inventário completo de projetos

Dia 1 – Tarde
Desenho das áreas da vida
Modelo de Planejamento Natural

Dia 2 – Manhã
Sistema totalmente integrado
Encerramento e orientações para os próximos passos

No curso de Nível 1: Fundamentos, feito para iniciantes e iniciados, você vai aprender a implementar e a refinar suas práticas do GTD. Começando do zero ou já tendo alguma prática, você sairá deste curso com o seu sistema instalado e pronto para uso, além de orientações sobre os próximos passos.

Data: 26 e 27 de outubro (sábado e domingo)
Horário: das 9h às 17h nos dois dias
Valor da inscrição: 1.497 reais (pode ser parcelado)

Dia 1 – Manhã

Introdução ao método GTD™
A experiência produtiva
Passo 1: Capturar
Passo 2: Esclarecer

Dia 1 – Tarde
Passo 3: Organizar
Laboratório de Instalação nas Ferramentas

Dia 2 – Manhã
Gerenciamento de calendário
Gerenciamento de e-mails

Dia 2 – Tarde
Passo 4: Refletir / Revisão Semanal
Passo 5: Engajar
Encerramento e orientações para continuidade depois do curso

Duração: sábado e domingo (14 horas)

A professora

Photo by Dan Taylor

Thais Godinho é GTD Master Trainer no Brasil. Seus livros, “Vida Organizada”, “Casa Organizada” e “Trabalho Organizado” são best-sellers da Ed. Gente. Com seu blog Vida Organizada e suas redes sociais, impacta mais de um milhão de pessoas com seu conteúdo focado em mudança de hábitos, organização pessoal e produtividade com significado. Thais é a instrutora dos cursos abertos de GTD em São Paulo. Em junho último, foi a única brasileira a palestrar no evento global GTD Summit, convidada pessoalmente pelo próprio David Allen.

Informações e inscrições: atendimentoGTD@gmail.com